Sunday, May 15, 2011

O PCP E AS CAMARADAS DAS CASAS CLANDESTINAS

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Irene Flunser Pimentel publicou este ano um livro sobre o lugar que o Estado Novo reservava à mulher, "A cada um, o seu lugar".

Na entrevista que vem hoje na Pública, Irene, antiga militante comunista, na juventude, levanta o véu de um livro que tenciona publicar sobre o papel que o PCP reservava à mulher, em particular nas célebres casas clandestinas, tão epicamente descritas por Cunhal.

O domínio de género pode ser uma característica da época, e era! A ideia de que o lugar da mulher era na cozinha podia ser uma ideia dominante na época, e era! É pena que o PCP, que partilhava estas ideias com o Estado Novo (mesmo que, em teoria, nos programas, defendesse o seu contrário), nos queira fazer crer que era diferente e que no Partido as camaradas eram tratadas em igualdade com os seu colegas homens.

As estórias que se contam, quase sempre em surdina, marginalmente, as referências que "escapam" em livros e artigos "ortodoxos", indiciam o que toda a gente julga saber: as camaradas escolhidas para as casas clandestinas tinham a tarefa de criadas para todo o serviço, em que, as mais das vezes, o "todo" tinha uma leitura muito ampla. Eram perfeitamente marginalizadas, por incapazes, para trabalho político.

N' A casa de Isaura, de Tiago/Cunhal, tudo era dedicação à causa, tudo era "decente", tudo era camaradagem mas cada um no seu lugar, cada um com as suas tarefas.

Como no Estado Novo, afinal...

2 comments:

Septuagenário said...

Se o 25 de Novembro tem sido adiado uns anitos qual seria hoje a cara de certos "revolucionários?

Talvez nem tivessemos hoje um Nobel de literatura!

Maria de Fátima said...

o livro está encomendado ao círculo dos leitores...
o que a autora diz na entrevista "cola" 100% com a "imagem" que tenho
e alguns dados concretos que não seria desonesto extrapolar...
eram tempos tramados, sim, mas davam a comer gato por lebre: como se o "comunista" fosse do PC ou dissidente fosse um puro ai cala-te boca rss