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Tuesday, December 29, 2009

COME LITTLE RABITT (I've got drugs for you...)

A rapaziada boazinha deste mundo andou a chatear os chineses para evitarem a execução do cidadão britânico Akmal Shaikh, apanhado com uma mala de droga. No fim da campanha, já havia "políticos" metidos na campanha, o que não é de espantar: ser contra a pena de morte, na Europa boazinha, é uma posição que paga dividendos chorudos, pela certa.

Os chineses é que não brincam em serviço, condenaram o "inglês" à morte e ontem aplicaram a pena.

Como a contestação do flagrante era inviável, toca de fazer do "inglês" um doente mental, muito bem intencionado e bonzinho que não fazia ideia do que tinha a mala que uns rapazes simpáticos lhe pediram para levar.

Com bipolaridade ou sem ela, esta estória não vos soa familiar? O correio é sempre um gajo porreiro que só quer ajudar o próximo, e o que vai ganhar é para endireitar a vida, quando não para sustentar os filhos. Lindo!

Se servisse de desculpa, já imaginaram a quantidade de "bipolares" que circulariam por aí, com atestado médico a postos, engrossando o batalhão de portadores benévolos (mas não pro bono...).

A China talvez exagere um bocado (...), mas é melhor isso do que estar no extremo oposto (onde estamos nós outros) em que o tráfico é encarado como um crime menor, que se pratica, nas calmas, nas prisões. E quando mete "minorias étnicas" aí, então, os traficantes viram vítimas que urge apoiar!

Vejam o vídeo com a canção da treta que o artista "bipolar" usava na sua digressão pela Polónia e depois pela Ásia... Come little Rabbit e outro com a indignação por tão inesperada falta de clemência dos chinocas: clique aqui.

Vejam também um pouco mais sobre isto .

Mas no fundo, no fundo, se queremos erradicar o tráfico de droga, nada, mesmo nada, como a Eficiência asiática...

URGÊNCIAS EM DEZEMBRO...

Clique na imagem para ampliar e ler melhor...
Não sei se por causa da gripe (não havia tanta gente a tossir como isso...) se por dramas diversos ( basta referir os coxos - como eu - que não eram poucos...) a urgência do hospital CUF Descobertas estava cheeeeiiiiiia!

Fui para lá perto das cinco da tarde, por um lado por pensar que a essa hora já não haveria muitos casos na bicha, por outro lado porque me convenci que o pé (a articulação do tornozelo, mais precisamente) só tinha tendência a piorar, a engrossar, o que vinha acontecendo desde manhã.

Bem, o facto é que gramei seis horas desde que entrei (a estimativa, quando me inscrevi era de 2,5 a 3 horas a ser atendido, no que nem falharam... faltava só o resto, desde ser atendido até a coisa acabar), ainda fui à farmácia aviar a receita e cheguei a casa a rasar a meia noite.

Podia ser pior...

Aí abaixo, um update, no dia seguinte, mostrando o trambolho dos dois lados.

Ganda porra!!!

Thursday, December 24, 2009

BOM NATAL, BOM NATAL, BOM NA-BOM NATAAAALLLL!

FELIZ NATAL

MERRY CHRISTMAS

são os votos sinceros deste escriba para todos os queridos leitorzinhos

O Zé Vilhena também mete a sua colherada na coisa, o grande malandro:

Wednesday, December 23, 2009

JARDINS SUSPENSOS DA EXPO

Já passeou pelos jardins suspensos da Expo?
Do lado norte da Av D. João II, a que passa entre o shopping Vasco da Gama e a estação do Oriente, os edifícios têm terraços abertos ao público, com áreeas ajardinadas restaurantes (por enquanto poucos), tudo isto ao nível das copas das árvores ou das luminárias da iluminação pública.
Entra-se junto ao Hotel Arts, no extremo nascente (oposto à gare do Oriente),
subindo duas escadaris, tendo por fundo um monumental painel de azulejos.
Passa-se por um restaurante (esplanada no verão)
com umas obras de arte a marcar o caminho
... mais umja esplanada, a Fresh Drink

o caminho passa por debaixo de três prédios com balanços de mais de seis metros, suspensos de uma viga triangulada de 3 metros de altura, no último andar. Projecto do prof Sérgio Cruz, meu professor, já não me lembro de quê (no 5º ano do Técnico).

Ao lado vê-se uma das placas de amarração dos suspensores que penduram a consola da tal viga no último andar,

Se tiver pachorra, um destes dias pespego aqui fotografias do prédio em construção, em que estes pormenores são visíveis.

pelo caminho há vários espaços ajardinados, com bancos para o passeante meditar na contingência da vida...
aqui uma vista da torre Vasco da Gama, já com o hotel em fase de acabamentos, atingidos que foram os vinte andares
... e chega-se ao fim do passeio público, um cul de sac sem saída (como todo o cul que se preza...) que indicia bem a falta de circulação e um certo abandono.

Sunday, December 20, 2009

5 ANOS DE ACTIVIDADE...

No passado dia 19 este blog completou 5 anos de actividade, umas vezes mais intensa, outras vezes com postagens mais intervaladas, mas sem faltar um único mês...

Sendo one man show e atendendo a que o autor trabalha que nem um cabinda para levar a bucha para casa, a coisa nem sempre tem sido fácil.

Mas o gozo que dá compensa o esforço que às vezes é preciso fazer para contrabalançar o "que se lixe, vou ficar-me pelo sofá & televisão...".

Mesmo sendo uma espécie de monólogo (os comments são muito poucos, mesmo com uma média de 20.000 visitas por ano) a coisa serve para deitar cá para fora algumas reflexões (poucas), algumas boutades (bastantes) e muita coisa dispersa sobre os mais diversos assuntos.

Huuummmmm, I say to myself:

Continua, pá!

Saturday, December 19, 2009

LUANDA NOS BLOGS DE BRASILEIROS

Como tenho dito mais que muitas vezes, a pujança da blogosfera em/de/sobre Angola é uma coisa que me impressiona. E, como velho colono saudosista (enfim, também sou isso, é verdade...) cusco bué o que se escreve sobre aquela terra, aquela malta, aquela cidade (Luanda, claro, o resto é paisagem).

Os brasileiros parecem ser dos que mais ficam tocados pela águinha do Bengo e, expatriados ou regressados ao Brasil, postam imenso sobre as suas impressões que Luanda e os luandenses lhes produzem. Ponham a Menina de Angola nos vossos favoritos e não se arrependerão! Um exemplo de post abaixo, com a devida vénia:

Estava eu na bicha da bomba, o que para quem vive em Luanda significa ficar no mínimo 30 minutos a espera.

Penteio o cabelo, passo batom, boto os pés pra cima, troco de rádio, canto, falo sozinha (sim eu falo sozinha, e atire a primeira pedra quem nunca fez isso) e me perco nos meus devaneios. Quando acontece uma cena inusitada.

Um dos inúmeros rapazes que ficam vendendo todo o tipo de quinquilharias nas bichas bate no vidro.

Olho sem nem ver o que ele vende e digo que não, mas ele insiste fazendo gestos para o carro de trás e mostra um papelzinho.

Abro uma frestinha do vidro e pego o papel imaginando que fosse mais uns daqueles pedidos de esmolas comuns em SP, mas que nunca vi em Luanda.

Segue abaixo a transcrição do bilhete:

Olá, obra prima..

Sou xxxxx, e candidato-me a teu motorista particular. Que tal? Meu contacto é: 00000000 Estou no carro que está a sua trás.

Beijão xxxxxxx

Já levei cantadas no trânsito em SP, mas pedido de emprego foi a primeira vez.

Ou será que foi uma cantada?

Sunday, December 13, 2009

O CASTELO DOS MCCANN

No dia em que se iniciou o seu julgamento por queixa dos Mc Cann, o inspector aposentado Gonçalo Amaral lançou um livro intitulado "A mordaça inglesa" no qual refere a perseguição de que está a ser vítima por parte do casal que tenta silenciá-lo e arruiná-lo.

De facto, o casal, tendo acumulado um pecúlio considerável (vários milhões) com toda a publicidade feita em torno do sumiço da pequena Maddie, gerido por uma fundação cujo objecto social é a descoberta da menina, tem nas mão meios muito poderosos que tem usado para obstruir a investigação de tudo o que não seja a hipótese de rapto.

O casal defende que com isso garante que a investigação não se dispersa, aumentando as probabilidades de descobrir o paradeiro de Madeleine.

Contudo, tendo em conta que em muitos casos destes são os pais os responsáveis pelo desaparecimento dos filhos (morte, porventura acidental, seguida de ocultação), o casal não se livra da suspeita de que estará a usar para sua protecção o dinheiro doado para a busca da filha.

Qualquer que seja o objectivo do casal, o facto é que os Mc Cann têm feito tudo o que está ao seu alcance para impedir que a polícia investigue a hipótese da morte seguida de ocultação do corpo da criança.

Com todo o dinheiro acumulado, doado por pessoas bem intencionadas, e privando o antigo inspector de meios de subsistência, impedindo-o de investigar e impedindo-o sequer de falar do processo, os Mc Cann, com a ajuda amiga dos "nossos" Tribunais, continuam garantidos de que a hipótese da sua responsabilidade no sumiço da filha não será investigada.

Para nossa desgraça e vergonha, as autoridades portuguesas (Polícia Judiciária e agora os Tribunais) têm-lhes aparado o jogo.

E nestes casos, o tempo corre sempre a favor do criminoso...

BRANDAO FERREIRA - A NOSSA PÁTRIA E A DOS OUTROS

Quando soube que o Brandão Ferreira (cromo ao lado, tenente coronel reformado, comandante de linha aérea, historiador, whatever) ia lançar um livro, fiquei na expectativa do que iria sair dali. Conhecendo-o desde há muito das páginas do Combatente, órgão da Liga dos Combatentes, em artigos que se pautavam sempre pela defesa dos militares, putativos depositários de todas as vitudes, em particular do patriotismo, contra os civis, horrorosos detentores de todos os vícios, vende pátrias por vocação e interesse (por três vinténs - ou menos!) e inimigos acérrimos da instituição militar que não compreendem nem respeitam, fiquei cheio de curiosidade.

Como de costume, não consegui um espaçozinho na agenda para ir à apresentação do livro que o meu amigo João, que me tinha alertado para o evento, tinha informado ser sobre a Pátria. Comprei o livro dias depois do lançamento e uma leitura em diagonal larga confirmou ser o que eu esperava: uma defesa cerrada da Pátria do Minho a Timor, dos portuguesíssimos territórios a que tinhamos todo o direito (e cujas populações até não iam fora disso...) mas que os políticos esquerdalhos entregaram de mão beijada aos nosso inimigos sem ligarem à vontade das populações que, muito naturalmente adorariam continuar portuguesas, nem ao facto de a guerra estar a pender para o nosso lado.

Só uma prudênciazinha que se vai consolidando com a idade me levou a não postar de jacto e fazer mais uma leiturazinha do livro, pelo menos numa diagonal mais apertada que a inicial.

Agora, depois de uma leitura na tal diagonal mais apertada (não há saco para ler tanto disparate!) corrijo ligeiramente o que teria escrito há dois meses:

O livro é muito interessante nas partes em que faz o levantamento histórico de factos para ilustrar a evolução do conceito de justeza e legitimidade da guerra, no sentido lato e em seguida cingindo-se às nossas guerras.

É também muito interessante e bem documentado em tudo o que se prende com o levantamento de dados históricos, antigos e contemporâneos, sobre as descobertas, o direito dos estados europeus à posse dos territórios achados, a colonização, a nossa guerra e toda a envolvente geopolítica, diplomática, económica, social.

O homem espalha-se ao comprido - digo eu - quando interpreta os dados, ignora outros, despreza totalmente a mera possibilidade de os habitantes das colónias terem voz activa no seu destino, independentemente das bulas papais, dos tratados de Tordesilhas (e outros) e da Conferência de Berlim.

Mesmo para quem fez a tropa na metrópole era de esperar que 35 anos depois do 25 de Abril não escrevesse disparates como:

"... assisti (depois do 25 Abril) ao desmantelamento de umas magníficas Forças Armadas (...) que se batiam vitoriosamente em três teatros de operações (...) e sem generais ou almiramtes importados. Algo que já não acontecia desde Alcácer Quibir".

"... o que nunca tinha acontecido na História de Portugal foi a rendição incondicional, a meio de um conflito de baixa intensidade (que ainda por cima controlávamos e de que estávamos a sair vitoriosos)..."

"... a ideia de que (...) tinham feito uma guerra limpa, sem embargo dos inquisidores de serviço baterem a espaços na tecla de Wiriamu, à falta de outros exemplos..."

"...Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado."

Fica-me a dúvida se o senhor tenente coronel, enquanto o conflito de baixa intensidade decorria, se limitava a ler a Época e mais tarde, na pesquisa que fez, excluíu todos os derrotistas a começar pelo general Spínola.

Como é que se pode ser tão BURRO?!

Saturday, December 12, 2009

A CULTURA P'ROS AMIGOS

Clique para ampliar e ler

A Helena Matos é, para muita malta da kultura, uma horrorosa direitista incapaz de perceber que a Kultura tem uma lógica que não se compadece com as regras tradicionais de uma sociedade regida pela ditadura da economia, em que a aplicação de cada tostão deve ser ponderada pois, em geral e se não houver batota, se o aplicamos no garrafão já nos falta para o pão (quanto mais para o livro ou para o bilhete de teatro). Basta ver as críticas (por vezes simples referências quase marginais) da rapaziada kulta para vermos o quanto se pode desprezar quem não consegue compreender que a kultura é um investimento no Homem, de retorno absoluto, o qual, mesmo quando parece ter sido feito apenas para benefício da tribo ou de um velho soba decrépito e incapaz de arrotar umas tiradas ou rabiscar umas prosas, mesmo assim o investimento na kultura reverterá sempre (por processos misteriosos) para o bem das amplas massas, para a elevação espiritual do povo, para a perpetuação da individualidade da Nação!

A Helena Matos, a propósito da nomeação da Maria João Seixas para presidente da Cinemateca Nacional, como uma espécie de madrasta para suprir a orfandade dos cinéfilos portugueses, ainda não refeitos com a morte de Bénard da Costa (afinal, era mortal... como nós outros), a propósito disso, ela escreve o texto que acima transcrevo e que termina com um assassino:

...começa a ser tempo de se deixar de ver a cultura como uma espécie de região demarcada dos amigos de cada um.

Sunday, November 29, 2009

FARMÁCIA EXPO SUL - UM ACHADO!

A propósito de idas ao Hospital CUF Descobertas, falo-vos agora de uma verdadeira descoberta que fiz já há alguns meses e que é de toda a justiça publicitar aqui (completamente à borla).

Na rua que parte da rotunda da entrada sul da Expo, entre a torre da antiga refinaria e o Oceanário, há uma farmácia aberta até à meia noite, todos os dias, inclusive aos fins de semana e feriados:

a EXPOSUL.

Para quem tem filhos pequenos e se vê na contingência de procurar uma farmácia de serviço ao fim de semana ou a horas mortas, aqui está uma informação muito útil.

Há 20 anos teria sido para mim uma óptima informação, mas mesmo com o rebento a se aproximar dos 30, esta farmácia tem sido um apoio inestimável. Eu, entretanto, estou quase nos 60, de modo que a necessidade de farmácia vai-se deslocando do rebento para os troncos principais...

Ainda por cima somos atendidos por malta novinha, eficiente e simpática, com um cinturão amarelo a cerrar a bata - não sei se tem alguma coisa a ver com o Judo ou Karate, mas dá-lhes um toque engraçado.

O único senão é o estacionamento que não é famoso, mas à noite e ao fim de semana pode-se parar um pouco por todo o lado, pois o trânsito é escasso.

Ao lado, veja os detalhes.

FALTA DE VERGONHA NA CARA...

Na passada sexta feira fui fazer vários exames ao hospital da CUF Descobertas, na Parque Expo, na sequência dos quais fui a uma consulta.

O hospital funciona muito bem, tem um excelente parque de estacionamento na cave, há um parque público à superfície a escassos 100m do hospital, o atendimento é rápido, o ambiente e instalações agradáveis, o pessoal (os médicos estão incluídos no pessoal) eficiente e amável.

Depois de me ter inscrito, pago e esperado um pouco (10 minutos, não mais) na sala de espera, fui chamado por uma funcionária (respondi EU!!!), e, enquanto me dirigia para a porta onde estava a funcionária, ela chamou um segundo paciente, a que vou chamar "Dito Cujo" (eu continuarei a ser "Eu"). Comboiou-nos a ambos até junto a uma porta, informou-nos de que o "nosso médico" estava naquele consultório, indicou-nos uma pessoa que já estava à espera para ser atendida e disse-nos que a seguir a ele entraria Eu e a seguir a mim entraria o Dito Cujo.

Falou directamente para mim e para o Dito Cujo, indicando a mesma ordem com que nos chamara, quando estávamos na sala de espera. Sem margem para equívocos, diria eu.

Entrou a pessoa que estava à espera e, pouco depois, a funcionária voltou a aparecer e, falando para mim e para o Dito Cujo, repetiu a ordem de entrada: primeiro Eu, a seguir o Dito Cujo.

Passado algum tempo, abre-se a porta do consultório e sai o paciente que fora atendido antes de nós. Para meu grande espanto, o Dito Cujo, que estava sentado junto à porta do consultório, agarra nos exames e levanta-se. Eu aproximo-me, nas calmas, e o Dito Cujo avança que nem um leão para a porta do consultório, sem olhar para o lado, é recebido pelo médico com um aperto de mão e entram os dois. Ou melhor, começam a entrar...

Claro que não me fiquei. Disse qualquer coisa como "Um momento, estou primeiro que esse senhor".

O Dito Cujo parou no limiar do consultório, o médico foi à secretária, pegou no processo que estava por cima e disse: o sr José Correia, se faz favor.

O Dito Cujo não se deu por achado, limitou-se a dar um passo atrás, mas ficou especado a um metro da porta. Passei por ele, disse qualquer coisa como "É preciso ter lata!" e lá fui entrando.

Desgraçadamente não fixei o nome do Dito Cujo, para o chapar aqui. A coisa aconteceu na sexta feira, dia 27/11, cerca das 17h30, na consulta de Urologia da CUF Descobertas e o Dito Cujo não era nenhum velhote decrépito nem tinha ar de estar com um caso urgente, que justificasse a ultrapassagem.

E que justificasse! Nada (a começar por uma educação básica) o dispensaria de se me dirigir e dizer qualquer coisa como "Por isto ou por aquilo, preciso de ser atendido já; não se importa, etc, etc?".

Há pessoas com uma lata, com uma desfaçatez, que me deixam perfeitamente espantado! E disposto a estrilhar na hora...

Saturday, November 28, 2009

OS TRISTONHOS DETRACTORES DE TROUFA REAL

Nuno Teotónio Pereira foi um dos "vultos" que vieram a público condenar a igreja que a paróquia do Restelo tem em construção, com projecto do arquitecto Troufa Real. O (também) arquitecto manifestou-se em tons bastante contundentes para a obra do colega Troufa que, na desportiva, desvalorizou a opinião do velhote e assumiu que gosta de uma arquitectura que dê nas vistas, que privilegie a criatividade, a imaginação (palavras minhas, o que me ficou do que se publicou sobre o assunto).

Para que os meus queridos leitorzinhos percebam do que estão a falar os dois arquitectos, chapo aí ao lado um prédio (aliás "uma unidade urbanística de habitação", desculpem-me ter-lhe chamado prédio...) projectado por Le Corbusier que Teotónio Pereira considera ter sido a obra que o inspirou, impressionou e empolgou (?!).

O prédio (insisto no erro...) é do mais corriqueiro que imaginar se possa e apenas umas paredezitas coloridas introduzem no projecto um pequenino toque de arrojo. Isso, e o facto de ser uma ilha, bem ao gosto da carta de Atenas, o que, convenhamos, não o torna menos corriqueiro nem mais espectacular e/ou arrojado...

Percebe-se, pois, que o decrépito arquitecto não consiga acompanhar a pedalada do colega Troufa que, não obstante já ter passado os 70, sempre teve um sentido de actualidade e modernismo que desmentem a idade que já vai tendo.

Alguns edifícios na zona sul da Expo da autoria do arquitecto Troufa Real mostram o contraste entre o exuberante Troufa e o triste profissional que se empolga, impressiona e inspira com o prédio (...) da foto acima.

Ao lado, o topo sul de um edifício da autoria de Troufa Real, com um grafismo de belo efeito (distorce ou reforça a perspectiva), encimado por uma espécie de bibelot metálico de grandes dimensões.

Se o dito cai, arrancado por uma ventania numa noite mais tormentosa, não deve provocar poucos danos, não!

É de se dizer, literalmente:

SAI DEBAIXO!!!

Friday, November 27, 2009

LUANDA EM 1955 - FILME

Mão amiga enviou-me um link para um filme (cerca de 30 minutos) sobre Luanda.

É um verdadeiro documento sobre o que era Luanda 6 anos antes do início da guerra:

Praias onde quase só se vêem brancos com grandes barrigas e chapéu colonial (será?!), estivadores 100% pretos, mas também a baía sem assoreamento nem poluição, a ponte para a ilha estreitinha, a praia do Bispo ainda praia, o mamarracho da Maria da Fonte ainda em pé (era o edifício dos serviços de agricultura, salvo erro, a "fechar" a avenida dos Combatentes, que só foi abaixo nos anos 70, se bem me lembro...), a cidade irreconhecível sem edifícios de mais de 4 andares (nem sequer estava construído o edifício do l'Étoile - "do alto do mais alto arranha céus da Marginal..."), o edifício da Polo Norte (mais tarde sede da Sonangol por várias décadas) a destacar-se na paisagem, com sorveteiros empurrando os carrinhos dos sorvetes à mão, p'ra vender p'rós minino, etc, etc, etc.

Nestes etc é de destacar os sinaleiros, nas suas farpelas e capacete característicos, alguns eram verdadeiros dançarinos em cima da peanha.

Era bizarro ver os patrício a dar ordens nos branco e estes a acaterem - em geral acatavam - só nesta situação muito especial em que os semáforos ainda não tinham feito a sua aparição e tardariam mais uns bons 20 anos a fazê-lo...

A propósito da Maria da Fonte, o monumento, ele próprio um mamarracho bem ao (mau) gosto de Estado Novo, o filme mostra o que parece ser o innício das obras de mercado do Kinaxixi, recentemente demolido, contra a opinião da rapaziada que acha que, mesmo não tendo utilização como mercado há uns bons 20 anos, devia ser mantido (por quem?) como testemunho da arquitectura portuguesa dos trópicos (leia-se arquitectura colonial...).

Veja como quiser e o que quiser... mas clique no link e veja como era Luanda em 1955!

Wednesday, November 25, 2009

VIVA O 25 DE NOVEMBRO, VIVA A LIBERDADE, VIVA PORTUGAL!!!!

HOJE COMEMORA-SE, DISCRETAMENTE, A EFEMÉRIDE MAIS IMPORTANTE DESDE A QUEDA DO ESTADO NOVO:

O 25 DE NOVEMBRO EM QUE FORAM A ENTERRAR DE VEZ AS ASPIRAÇÕES DO PC E DA ESQUERDA DITA REVOLUCIONÁRIA DE INSTAURAR EM PORTUGAL UM REGIME TALHADO SEGUNDO O FIGURINO DA UNIÃO SOVIÉTICA - QUE A ISTO SE RESUMIA O ANTIFASCISMO DO CUNHAL E COMPANHIA

O VERDADEIRO 25 DE ABRIL DEU-SE, AFINAL, A 25 DE NOVEMBRO DO ANO SEGUINTE.

NESTA DATA, EM QUE PORTUGAL RECOMEÇOU A REVER-SE MAIS NA EUROPA COMUNITÁRIA E CADA VEZ MENOS NAS DITAS DEMOCRACIAS POPULARES, NADA COMO RECORDAR ALFREDO MARCENEIRO, UM GRANDE FADISTA, UM GRANDE LISBOETA, UM ORGULHOSO PORTUGUÊS.

AQUI VOS DEIXO LINKS PARA ALGUNS DOS MAIS BELOS FADOS QUE ELE CANTOU.

fado Viela

O Bêbado Pintor

O Pagem

A Casa da Mariquinhas

Toma lá Colchetes d'Oiro

Leilão da Casa da Mariquinhas

É tão Bom ser Pequenino

O ZÉ PRACANA DÁ UMA AJUDINHA COM A

Lenda das Rosas

E COM Um Fadista já Cansado

Sunday, November 22, 2009

A CARTA DA COMPAIXÃO - UMA OUTRA ABORDAGEM À DESIGUALDADE

Clique para ampliar e ler melhor - depois use o zoom + e - como aplicável.

A Carta da Compaixão (veja mais aqui ) foi desenvolvida com base na "regra de ouro" enunciada por Karen Armstrong e que é de uma simplicidade (naïf será o termo mais apropriado) a toda a prova:

Não faças aos outros o que não desejas que os outros te façam e, de forma positiva, faz aos outros o que desejarias que os outros te fizessem.

Veja o que a Karen tem a dizer sobre este movimento (mais um?) - clique aqui .

Será que este movimento poderá levar os fundamentalistas a descerem do seu pedestal e aceitarem que as suas ideias estão ao mesmo nível que as dos outros e que nenhum direito lhes assiste a lhes imporem as suas regras? Se conseguirem isso, terá sido dado o grande passo para que a compaixão assente arraiais.

Sem isso, batatas.

Saturday, November 21, 2009

FILIPE BALESTRA E A SAMBARQUITECTURA

A Alexandra Prado Coelho publicou uma reportagem notável no passado dia 20 de Novembro (ontem), na P2 do Publico. Reproduzo a seguir a primeira parte, a que trata de um projecto para a favela Rocinha, no Rio, deixando de parte o resto da reportagem sobre um projecto semelhante em bairros de lata na Índia.

A reportagem refere-se às ideias e ao trabalho de um arquitecto português, Filipe Balestra, que "ataca" a favela numa óptica completamente diferente da habitual, com o objectivo de melhorá-la. Considera-a uma "aldeia urbana" assente em "redes sociais fortíssimas" e defende a preservação desta "arquitectura sem arquitectos".

Veja mais aqui sobre o Filipe Balestra e o seu conceito de Sambarquitectura.

A atitude habitual é construir uns prédios para re-alojar os habitantes das barracas, demolir as ditas e constuir lá prédios de apartamentos. Veja-se a campanha para acabar com as barracas, em Portugal...

O realojamento dos favelados (ou dos habitantes das barracas, em Portugal) faz-se, em geral, em bairros periféricos, aproveitando a totalidade do espaço onde estavam as barracas, muitas vezes em zonas nobres, perto do centro das cidades, para intervenções imobiliárias.

No caso da Lisboa do tempo dos socialistas (João Soares & Cia) o realojamento dos pobres e as casas dos ricos eram feitas "tudo à mistura" para "integrar" os pobres, não os "excluindo" da sociedade. O resultados não foram brilhantes.

Filipe Balestra apercebe-se de que a resolução do problema das favelas passa quase sempre pela cedência aos interesses dos grupos imobiliários, e ao desprezo total ou quase pelo bem estar dos habitantes das favelas vistos como malandros, traficantes ou, no mínimo, acobertadores e cúmplices dos traficantes. Atira com os favelados para periferias a várias horas do centro e não resolve os problemas sociais (nem de polícia).

O artigo é muito interessante, como interessante é o conceito de sambarquitectura e das intervenções cirúrgicas, a que se refere como acupunctura.

Veja um filmezinho sobre a escola da Rocinha .

Clique para aumentar e ler.

VAI AOS ESTADOS UNIDOS? LEIA ISTO

Habituado aos novos tempos em que não precisei de tratar de visto prévio para ir ao Brasil, a Israel, à Turquia, ao Abu Dhabi, ao Dubai, a Marrocos, a Cabo Verde, a Cuba (neste caso tratou o operador turístico), ao México, a ter tido visto para a Índia de um dia para o outro (com cunha, mas, enfim...), dei por mim há pouco tempo a perguntar aos meus botões, preocupado, o que seria preciso tratar para ir aos States (afinal, acabei por não ir) pois constava-me que, mesmo para os bem comportados cidadãos da União Europeia, a entrada nos States não era assim à tão à balda como nos países que referi acima.

No blog Casa da Garoa (lembram-se do tango?) encontrei um post que é uma verdadeira delícia: A HUMILHAÇÃO SUPREMA.

Transcrevo a seguir, na íntegra. É um verdadeiro manual de burocracia que faria roer de inveja os nossos burocratas dos anos 50 e 60.

Não perca.

"Então chega o grande dia da humilhação suprema, de implorar aos burocratas a serviço do Grande País do Norte por uma autorização para poder gastar dólares no país deles. Dia esse que precisou ser agendado 38 dias antes, mediante o pagamento de taxa simbólica de R$ 38, e que começa já com uma fila na rua, formada por um funcionário que decide, depois de consultar uma leitora de código de barras, quem passa ou não pelo portão. Vinte minutos depois, já na segunda fila, do lado de dentro do muro mas ainda fora dos domínios consulares, um arrastão de funcionários solícitos e gritalhões vistoria as seis páginas de formulários que todos os aplicantes devem trazer preenchidas, indicando onde devem completar informações que faltam, o que escrever em cada um dos enigmáticos quadros.

Os gritalhões também zelam para que esteja lá, bem grampeado, o comprovante do recolhimento da taxa maior – essa nada simbólica, R$ 249 – que se tem de pagar para ganhar o direito de implorar pelo visto.

Mais 30 minutos se passam antes que você entre por uma porta blindada para ser aliviado dos seus eletrônicos, todos confiscados até a sua saída, e passe por um detector de metais que o libera para pegar a terceira fila do dia, a da senha. Senha esta que lhe dará o direito de pegar a quarta fila, 25 minutos depois, para o guichê da pré-entrevista, onde você chega em mais 20 minutos e ouve o atendente lhe dizer, gentilmente, que não pode usar óculos na foto, apesar de isso não estar escrito nas instruções daquele site onde você pagou R$ 38.

Você deve, então, pagar mais R$ 14 na lanchonte para tirar outra foto e voltar ao mesmo guichê para ganhar o direito de entrar na quinta fila do dia, onde espera bem 30 minutos antes que sua senha seja chamada para que você deixe para sempre seus dedinhos escaneados nos arquivos digitais do Grande País do Norte. Cumprido esse procedimento, você está liberado para aguardar na sexta fila do dia, a da entrevista propriamente dita.

E quando sua hora chega, 50 minutos depois, o Senhor do Visto, por trás de um vidro blindado e com a voz metalizada do sistema de som, pergunta sua profissão, o que deseja fazer no Grande País do Norte, e então lhe oferece uma chance única: você gostaria de ampliar a sua autorização de visita?

Se pagar mais R$ 102 no guichê ao lado, você poderá gastar seus dólares não só em passeios, mas também em pretensos negócios. E não precisará passar por toda essa humilhação de novo, caso lhe surja no futuro uma oportunidade de congresso ou evento profissional. Não, você não ganha de brinde facas guinzo nem meias vivarina, mas mesmo assim aceita a sugestão e encara a sétima fila do dia, para aliviar seu bolso na quantia exigida.

De volta à janela de vidro do Senhor do Visto, 15 minutos depois, você apresenta o comprovante do pagamento. Ele agradece, lhe entrega um papelzinho alaranjado e o orienta a procurar a oitava fila, onde você vai pagar mais R$ 19 reais – desde que resida na mesma cidade do Consulado – para que lhe devolvam o passaporte pelo correio.

Você não pode retirar o passaporte pessoalmente? Não, você é obrigado a pagar a taxa e torcer para que o Correio não perca o passaporte novo, que você acabou de fazer por R$ 156, só porque o antigo ia expirar dentro de seis meses e o Grande País do Norte se reserva o direito de não emitir vistos em documentos de viagem com validade inferior a esse prazo.

Mas e a autorização, está concedido? A voz metálica do Senhor do Visto soa ameaçadora: não pode lhe dar esse tipo de informação. Taxa do correio paga, você caminha cabisbaixo para o carro. E como passou três horas dentro do Consulado da Empáfia, morre com mais R$ 21 de estacionamento.

Quem é bom de matemática não precisará de esforço para saber que gastou R$ 599 para perder uma manhã de trabalho e voltar para casa sem a certeza de que será agraciado com tal visto."

Fantástico!!!

Friday, November 20, 2009

A CAMBADA

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Repararam no artigo sobre o alargamento da escolaridade obrigatória que o Público trouxe na passada quarta feira? Não?

Bem, além da "análise" da magna questão de elevar o tempo de escolaridade obrigatória quando não se consegue obrigar a cumprir a escolaridade obrigatória actual (mais de 35% dos putativos escolarizados abandonam a escola antes de acabarem o 9º ano, tido por obrigatório!) o jornal trazia a pérola que junto ao lado e que me deixou de boca aberta.

Para mim era (é) claríssimo que o desempenho do sistema de ensino é péssimo (talvez só mau, enfim...) e que a produtividade dos professores é pior que má.

E é ainda mais claro, se possível, que essa cambada ignara é movida (levada, melhor dizendo) por impulsos de cariz meramente sindicalista que em nada coincidem com os interesses dos alunos, da sociedade, do País.

Mas o quadro ao lado mostra-nos até que ponto isso é verdade: numa altura em que o sindicalista do bigode nos chateia a cada passo com o desemprego dos professores (?!), com a "injustiça" e irracionalidade da avaliação dos ditos e com "dignificação" da profissão, vemos que cada membro da cambada lecciona, em média, um grupinho de 8 crianças ou jovens. Nem mais unzinho...

Comparem com a Coreia, com a Alemanha, com a Irlanda, com a República Checa onde cada professor lecciona quase o dobro dos alunos dos seus supostos colegas portugueses, com resultados que não têm qualquer comparação.

E a quadrilha alapada no Poder, para não perder as próximas eleições, mete no Governo outra Ana Jorge que em um mês já mostrou até que ponto vai estar de cócoras perante as exigências dos maus pastores que conduzem cambada.

Isto vai bem, vai!!!!

Tuesday, November 17, 2009

O TROUFA PERDEU A CABEÇA ... DE VEZ!

ACTUALIZAÇÃO

O Público de hoje, 18/11, traz uma outra imagem da igreja, uma espécie de alçado principal que foca menos a caravela e dá uma ideia mais precisa do que será o conjunto.

Já se parece mais com alguma coisa, não diria bem com uma igreja, mas enfim, pelo menoos a torre parece mais com as da Sagrada Família, de Barcelona, e menos com um islâmico minarete. Percebe-se que a caravela é mais para quem vem pela esquerda e que para quem se aproxima pelo lado oposto a coisa poderá ficar mais disfarçada.

Tudo isto para dizer que, desde que a coisa funcione (o espaço interior amplo, boa acústica, boa visibilidade para o altar, etc, etc) não vcejo por que carga de água uma igreja tem que ter sempre a forma clássica, mais rendilhado, menos rendilhado.

Força, Arquitecto!

. . . . . . . . . . . .

Este objecto que o Público de hoje (17/11) apresenta é uma igreja, por muito que o minarete avantajado, nos seus cem metros de altura, o desminta.

O Arquitecto Troufa Real é o seu autor (à borla, acrescente-se) e a dita começou hoje a ser construída em Belém, na freguesia de S. Francisco Xavier.

A influência de Frank Gehry (o do Guggenheim de Bilbau,

Veja aqui), tão redondinho e brilhante, é flagrante. Veja mais esta.

Vamos ver como sai a coisa real.

...entretanto já há patetas a organizar petições para evitar que as suas delicadas retinas sejam agredidas pelo mamarracho...

Sunday, November 15, 2009

PAULO AZEVEDO - UMA VIDA NORMAL

Já tinha reparado no livro mas só me decidi a comprá-lo quando vi parte de um programa de televisão em que ele aparecia, salvo erro o programa do Salvador .

O livro é uma inspiração para quem tenha que conviver com uma deficiência grave, sua ou de um filho (amigo, etc).

Recomende vivamente o livro: compre e leia.

Aí vai um cheirinho, tirado do youtube Vida normal

Saturday, November 14, 2009

O AMIGO NORONHA

O sr Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e, por inereência, do Conselho Superior de Justiça, Conselheiro Nhonhonha do Nascimento, mandou "arquivar" as gravações das conversas escutadas entre os dois amigos Sócrates e Vara, sobre assuntos de que vêm surgindo detalhes aos bochechos na comunicação social.

Parece que chegaram às bochechas do Nhonhonha e que o dito, chateado com o assunto, as mandou destruir (ou arquivar, whatever).

De qualquer modo, trata-se de proteger o Governo, em particular o nosso primeiro, passando-lhe por cima o manto da Justiça, numa espécie de chiquelina para esconder o que quer estivesse transcrito das escutas feitas aos dois manos.

Com este gesto amigo o inefável magistrado manteve o primeiro ministro e ele próprio sob suspeita: o que é que raio teriam conversado aqueles dois pategos (cidadãos eminentes por via da política e totalmente irrelevantes nas suas carreiras profissionais...) para ser preciso a coisa ir até ao topo da magistratura para se decidir que não têm interesse para a investigação criminal?!

Huuuuuuuuuummmmmmm, aqui há gato!

Friday, November 13, 2009

CAIM

Eva disse ao Senhor:

- A serpente enganou-me e eu comi (o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal).

Responde-lhe o senhor:

- Falsa, mentirosa, não há serpentes no Paraíso!

O Senhor, na pressa de acabar a sua obra, só tarde se apercebeu que não tinha dotado Adão e Eva de voz. Corrigido o erro, "despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama."

O livro é uma delícia, se bem que perca um bocado o ritmo para lá do meio e acabe quase penosamente.

Mas, no cômputo geral, lê-se bem, tem piada, é bem escrito - com as características conhecidas do Saramago, os períodos longos, a ausência de parágrafos, os diálogos de enfiada, o uso persistente de minúsculas nos nomes.

Toca naqueles pontos do antigo testamento que sobrevoamos, como alegorias que não se devem levar à letra, mas que não deixam de ser manifestações da face do Senhor, implacável e totalmente despida de caridade e compaixão. Sodoma e Gomorra são apenas dois exemplos entre muitos, muitos, muitos.

Realmente, como diz Saramago:

a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós nem nós o entendemos a ele.

CASAMENTO GAY (ou a cerveja sem álcool)

Para começar, uma declaração solene:

sou totalmente a favor do casamento entre homossexuais de todos os tipos: gay com gay, lésbica com lésbica e até gay com lésbica.

No problem!

Têm necessidade de que a sua ligação seja "autenticada" por um papel passado no registo civil, igualito ao dos casais hetero? Força, venha o referendo que eu voto (e faço campanha) a favor.

É um problema que não vale um caracol, não vale o esforço de discutir se o acesso ao casamento é um direito, se a sua privação é uma discriminação, se é uma questão de direitos humanos... não vale a pena: por causa de um mero papel, para quê esta perda de tempo, todo este desgaste?

Deixemo-los casar, carago!

Bem, este direito ao casamento não é assim tão amplo: mesmo o Bloco de (extrema) Esquerda, tão libertário, benza-o S. Neutel, mantém uma série de restrições burguesas ao casamento para todos:

  • mano com mana, não! (primo com prima, vá lá, vá lá...)
  • pai com filha, tampouco;
  • avó com netinho, muito menos;
  • casamento poligâmico e poliândrico também não!

Esqueci-me de alguma abominação ainda não "descriminalizada"?

. . . . . . .

Proclamado o meu apoio à coqueluche do momento, não me lixem! O casamento, como disse a Ferreira Leite antes de ser crucificada, tem uma longa tradição de ser uma união, com ou sem papel, entre homem e mulher com um objectivo central (nem sempre satisfeito, mas central, quand même): a procriação.

Mas em termos de história do Homem, a tradição nem é assim tão antiga: remonta apenas ao tempo em que as pessoas inventaram a escrita e passaram a anotar freneticamente quem possui o quê (terras, burros, vacas, cabras, escravos, mulheres), muito mais tarde quem vive com quem e quem é filho de quem.

Por outro lado, só muito recentemente (meio século?) é que a mulher passou a ser cidadã de pleno direito (países islâmicos à parte...), a trabalhar fora do "lar", a ter carreira profissional, a ser "pessoa" e, consequentemente, o casamento passou a ter uma tónica mais acentuada na satisfação (em sentido lato) de ambos os conjuges e não apenas na satisfação dos desejos e da vontade do "senhor". Daí uma acelerada descaracterização do casamento como meio de "perpetuar a espécie".

E pronto, aqui temos o casamento gay equiparado ao casamento hetero, assim a modos de cerveja sem álcool: tem o mesmo nome da "verdadeira" mas não é mesma coisa.

Digo eu, vá...

Wednesday, November 11, 2009

11 DE NOVEMBRO DIA DE S. MARTINHO E DA DIPANDA

Um amigo meu dizia, há muitos anos, que não era coincidência a independência de Angola ter sido no dia de S. Martinho, mas exprimia a vontade oculta do guia imortal de celebrar Baco juntamente com a Dipanda.

Será que o meu amigo tinha razão? Nunca soube se sim, se não.

Pensei em perguntar ao filho do guia imortal, que foi meu colega de trabalho, mas nunca tive lata para tanto; acobardei-me. Eu era chefe dele, mas nunca "exerci" essa chefia em relação ao tipo: o rapaz intimidava-me com a sua ascendência ilustre e eu limitava-me a rosnar pelos cantos a alcunha inevitável de "imortalinho" com que o rapaz foi rotulado desde que nos apareceu lá na porta do serviço.

Bem, com copos ou sem eles, Angola vai de vento em popa crescendo em PIB per capita e na amplitude salarial, como é apanágio do "mundo modernaço" no qual se integra cada vez mais firmemente.

Que o digam os donos das lojas de marca de Lisboa cujas vendas são feitas, em cerca de 30%, a mocinhas angolanas que vêm cá fazer compras e passar o fim de semana.

E VIVA A PENA DE MORTE (PARA ESTES CASOS...)

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O sniper que matava (e foram 10!) de dentro do porta bagagens de um carro foi executado ontem à noite. Menos um cabrão no mundo, menos uma chance de levarmos um balázio numa cidade longe das guerras e longe dos subúrbios perigosos (longe das guerras urbanas, portanto).

E vai poema de menisco quebrado (e esta hã?!):

Coitadinho do bandidozinho!

A minha sogra diz que é maluquinho:

Quem mata quem não lhe fez mal

Só pode ser maluco, tal e qual!

E por isso, manda a nossa sociedade,

Deve ir para um hospício (que caridade!)

Enquanto as famílias das vítimas (que fazem tijolo)

Clamam por vingança, por justiça (fraco consolo)...

O puto, por ser menor, levou prisão perpétua: a sociedade que o sustente, porque os sábios e "humanistas" acham que é dela a culpa (não do rapazinho, coitadinho).

Claro que nestes cinco anos o condenado deve ter sido um gajo exemplar, ajudou imenso à missa (ou tornou-se mouro), deve ter começado a escrever um livro, talvez tenha arranjado uma namorada por correspondência que lhe aguce os pensamentos lúbricos e lhe inspire umas pívias lambidas babando-se para cima da fotografia da marmanja.

Abençoada pena que, desta vez, não levou 10 anos de folhetim a chegar.

Mesmo assim, levou cinco, para mim foi demais. Nestes casos o tempo para recursos, abaixo assinados, campanhas da Amnistia Internacional, indultos, perdões e outras manobras não deveriam ultrapassar 2 anos e vá lá, vá lá...

A CHINA EM ÁFRICA

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Leiam este artigo que a Time publicou, a respeito de uma nova atitude das empresas (dos países, pelo menos a China) em relação a África. Para além de um actual e potencial fornecedor de matérias primas, a África pode ser encarada como um consumidor em crescimento.

Presentemente, um consumidor de mercadoria barata e de má qualidade, mas com potencial para consumir mais, melhor e mais caro.

O articulista remete para um livro que tenho que sacar (da Amazon?) África Rising, de um escritor indiano, Vijay Mahajan.

Talvez por ser essa a sua orígem, o autor faz uma comparação inesperada entre a Índia e a África: têm uma população semelhante, demografias com taxas de crescimento semelhantes, grupos (detesto o termo elites...) com dimensão muito semelhante com padrões de consumo ao nível dos "ocidentais", etc, etc.

A China está, pelos vistos, a investir no futuro, muito mais do que transparece da ideia simplista de que está a mandar para África os excedentes demográficos, numa reedição do perigo amarelo que tanto atormentou a Europa do século XIX.

Leiam que vale a pena.

Tuesday, November 10, 2009

A QUEDA DO MURO DE BERLIM

Apenas dois apontamentos neste 20º aniversário da queda do muro da vergonha - nome a que me habituei desde que os comunas o construíram, tinha eu 11 aninhos, para evitar (diziam eles) que a reacção entrasse por ali adentro...

O kamarada Jerónimo de Sousa mostrou-se muito incomodado por os burgueses porem a tónica das comemorações no anticomunismo. Então:

- se o muro foi erguido pelos comunas para estancarem a sangria provocada por uma onda contínua de fugas de cidadãos para o ocidente, entre 2 e 4 milhões desde a criação da RDA até à selagem das fronteiras;

- se a queda do muro foi o marco simbólico que levou à dissolução da RDA, da sua Stasi e do seu partido comunista e à reunificação alemã;

- se ele soou como um toque de finados para todos os regimes comunistas da europa de leste e, a seguir, para a desagregação da própria URSS;

Se tudo isso se passou assim, de que é que o kamarada Jerónimo de Sousa estava à espera que fosse a atitude normal e expectável em relação a tão ultrapassado e tirânico modelo de sociedade?!

Por outro lado, à boleia de tudo o que podem deitar a mão, os Hamas e quejandos deste mundo investiram contra o muro que Israel levantou para minorar os ataques suicidas (e não suicidas) continuamente perpetrados pelos eternos refugiados, eternos subsídio-dependentes, eternos párias, eternos revoltados, eternos terroristas.

Que raio de semelhança encontram eles entre estes dois muros?

Haja pachorra!

Thursday, November 05, 2009

ARMANDO VARA, O POLÍTICO PRODIGIOSO

Que me perdoem os críticos do costume, mas este post vai ser uma simples transcrição de um artigo do Miguel Sousa Tavares, já com um bom par de meses, que continua perfeitamente actual.

Agora que Armando Vara suspendeu o seu cargo no BCP (pelo seu próprio pé...) apanhado nas malhas da "Face Oculta" o texto do Miguel ganha particular acuidade.

Read the man:

Transcrevo, com a devida vénia:

"O Factor Vara"

Miguel Sousa Tavares

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra.

Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória.

Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume.

Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica.

Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso".

A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar.

Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido.

Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico".

Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Acabei de confirmar no site e está lá (agora, dia 16/Fev/2009) Isto está no site institucional do BCP Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!

Armando António Martins Vara

Dados pessoais:

Data de nascimento: 27 de Março de 1954

Naturalidade: Vinhais - Bragança

Nacionalidade: Portuguesa

Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo

Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008

Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica

Formação:

2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)

2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais//article.jhtml?articleID=217516

Extraordinário... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS ! Conseguiu tirar uma Pós-graduação ANTES da licenciatura... Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates... e viva o BCP e o seu "bom nome" !!! "

---- Fim de transcrição

Friday, October 30, 2009

REFLEXÕES SOBRE COLONIZAÇÃO...

Clique para ampliar e ler melhor.
O MEC é um brincalhão e a sua coluna diária é exemplo disso mesmo. Mas, como toda a gente faz, brincando brincando, ele vai dizendo muita coisa com "assunto".

Leiam só o texto ao lado, de que destaco:

- Angola é um país soberano; mais independente do que nós.

- Tudo o que fizemos em Angola foi para o bem de Portugal, por muito mal (ou bem) que fizesse aos angolanos.

- Fomos lá imperadores e perdemos.

- Portugal também não era uma democracia quando andou por Angola a tratá-la e explorá-la como uma província de Portugal (...).

- Por muito que se critique, Angola está a pacificar-se e a democratizar-se muito mais depressa que Portugal de 1926 a 1976.

- Não são só nossos amigos: são superiores a nós.

- Angola está a investir em Portugal. É uma chapada de luva branca (...).

Read the man!

LUANDA, A MEGALOPOLIS EMERGENTE

Clique para ampliar e encontar uma nesga para meter o carrinho... Megalopolis é um tanto exagerado, um tanto megalómano. Bem à angolana!

Mas lá que o trânsito é um megatrânsito parece não haver dúvidas nenhumas. Quem se lembra da avenida dos Combatentes em 1974 e da mesma em 1988, não deixa de ter um choque com a imagem de cima.

Como (raio!) é que se circula nesta bendita rua?!

A imagem ao lado mostra o BPA finalmente acompanhado de edifícios de porte semelhante. Foi preciso esperar mais de 40 anos para deixar de ser um "arranha céus" solitário!

Em 1964, quando cheguei a Luanda (já era a terceira vez que por lá passava), o edifício já estava terminado. Seguiram-se dez anos de boom económico (à guisa de canto do cisne...) que não lhe trouxeram companhia, vinte e tal anos de estagnação e guerra em que viu degradar-se a cidade à sua volta e, finalmente, novo boom agora bem mais intenso e alargado que o das décadas de 60 - 70 do século passado.

E, pelos vistos, o presente boom não se vai ficar por uma simples década, para desgosto dos saudosistas que ainda sonham com a o paraíso perdido...

Friday, October 23, 2009

E VIVA O IKEA!!!

video Com uma estória tão elaborada, nem apetece estar com suspeitas parvas...

A MÃE DO MICHELIN

Palavras para quê?!

Sunday, October 18, 2009

O NOBEL DO OBAMA

Clique para ampliar, se não vê bem...
Palavras para quê?...

Monday, October 12, 2009

VILHENA E O ELOGIO À NOBREZA

Esta é a ilustração da capa;
e esta, da contracapa

Este fim de semana, ao visitar uma feirinha de bric à brac nas galerias da estação do Oriente e ao olhar, com desconfiança, umas mesas com livros velhos, na sua maioria sem grande interesse, dei com os dedos na preciosidade de que apresento estas imagens.

Nada mais nada menos que o Arre Burro, com o título alternativo (e muito mais apelativo) de Elogio da Nobreza de mestre José Vilhena.

Se tiver pachorra, nos próximos dias (ou fins de semana, whatever) scano o livro e publico-o aos bochechos.

O livro conta uma estória que ilustra o que é e como vive a nobreza indígena (referir "o que faz" é irrelevante...), ignorante, lúbrica, interesseira e completamente hipócrita - pelo menos, como o bom do Zé Vilhena no-la apresenta.

A Nobreza, com a sua carga de privilégios que lhe são devidos pela sua alta condição que a alcandora acima da plebe que a sustenta, alegre, serviçal e obrigada, é verdadeiramente a instituição que torna odiosa (ou, pelo menos indesejável) a monarquia.

Uma família real ainda se sustenta sem grande esforço, sem muitas chatices e com algumas vantagens (a estabilidade é apenas uma delas); mas manter uma Nobreza constituída por um sem número de calaceiros profissionais, incapazes e habituados a viver por conta d'outrem e a esbanjar à vara larga, à custa do trabalho alheio (dos plebeus...), isso sim constitui um esforço perfeitamente desproporcionado que manteve a populaça na mais negra miséria durante séculos.

Se a República serviu para alguma coisa terá sido para livrar o País dessa cáfila que medrava à sombra do Rei.

O Vilhena traça-lhe o retrato em pinceladas certeiras e implacáveis.

Bem haja por isso!

Saturday, October 10, 2009

CONDUZIR PELA DIREITA - DESDE QUANDO?

Nas últimas férias estranhei que o minibus em que seguia (para ver o rochedo, os macacos e os túneis) circulasse pela direita, não obstante o território estar sob administração inglesa há muito, muito tempo.

O motorista explicou-me que até 1928 o trânsito seguia a regra inglesa, ano em que mudou para a circulação "francesa", a actual, tal como ocorrera em Portugal.

Fiquei estupefacto!

Consultei a net, e lá está a confirmação:

"Sim, em Portugal só se conduz pela direita desde 1928, ano em que foram publicados, não um, mas dois códigos da estrada, onde se optava pela regra francesa e americana de a circulação se fazer pela direita das vias. Foi o caminho escolhido pela generalidade das nações europeias e suas colónias ultramarinas, mas Portugal deixou de fora desta decisão os territórios que confinavam com países onde se conduzia pela esquerda – Macau (neste caso porque os carros vinham de Hong Kong), Goa e Moçambique."

SE VAI JANTAR FORA, NÃO VÁ AO TORRICADO!

Será que parei no tempo? Para mim, um restaurante é um sítio onde se come, onde se valoriza a qualidade (e o preço associado), a variedade da escolha disponibilizada, o ambiente, a higiene, o serviço e por aí fora.

Mas é muito claro que a comida é o principal num restaurante e tudo o mais é a envolvente, são as condições para podermos apreciar (degustar, para ser mais fino...) aquilo que se escolheu.

Será que isto é ser antiquado? Será ter parado no tempo? Se é, que se lixe!

Vem isto a propósito de um domingo, o último, em que fui desaguar com a minha idolatrada (que não gosta de comer fora e é uma chatice para a tirar do remanso do lar...) a um tal Torricado, no Campo Pequeno.

Tínhamos falhado o Richard's (fechado ao domingo) e a Portugália (bicha enorme, para a saleta encolhida pelas obras...) e as hipóteses não eram grandes, dado que procurávamos uma sala para fumadores. Lembrámo-nos das esplanadas cobertas do Campo Pequeno e, depois de analisar os menus expostos cá fora, atacámos o tal Torricado.

O patrão recebeu-nos com uma breve explicação de que serviam comida tradicional (porreiro, pá!) mas não tinham batatas fritas e essas coisas. Comecei a ficar receoso, mas lá nos sentámos...

Ao lermos a lista, de trás para frente de de frente para trás, e depois de termos perguntado ao patrão se tinham alguma coisa parecida com bife (pela leitura da carta não tinhamos chegado a nenhuma conclusão) - disse que não tinham - apercebemo-nos de que estávamos num local onde a especialidade não era comida mas sim um conceito.

O tal conceito (que não se comia) era assim a modos que a gente dialogava longamente com o empregado de mesa e construía o menu que iríamos comer (dentre o que estava listado, bem entendido). Na mesa do lado, duas brasileiras e um brasileiro dialogaram com o empregado uns bons 20 minutos, depois de terem estudado (é o termo) a lista uma boa meia hora e pareciam estar deliciados com o conceito (com a comida, pareceu-me que não tanto).

Afinal, para não irmos (mais uma vez) cair à Churrasqueira do Campo Grande (tem uma ampla parte da sala principal para fumadores) lá encomendámos pastéis de massa tenra, ela, e pastéis de bacalhau, eu, acompanhados, ambos, por uma açorda que percebemos ser uma espécie de papas de milho malandrinhas, com legumes à mistura e uns bocados de tomate por ali espalhados.

Os pastéis de massa tenra não eram maus, mas não tão bons como os do Frut'Almeida; os pastéis de bacalhau eram muito bons, valha a verdade (bati os brazukas aos pontos: escolhi em cinco minutos o que eles levaram 50 a escolher, depois de muita análise, reflexão e consulta ao empregado). O interior dos pastéis era uma espécie de bacalhau à Brás, enrolados em aletria cozida (parecia...) e tudo passado pelo forno. Sem gozo, estavam excelentes!

À parte os pastéis de bacalhau (que, tal como os de massa tenra só como em snacks, ao balcão e a correr...) o restaurante é uma boa merda! Pouca variedade, muito barulho, ementa muito pouco explícita, um zero absoluto em pratos "normais" - devia mesmo ter provado o bacalhau torricado; como dá o nome à casa, talvez se aproveite.

Portanto, NÃO VÁ AO TORRICADO, mas se quiser ir, vá ao site e tire primeiro todas as dúvidas que a ementa (e o conceito...) não deixarão de lhe suscitar.

E depois... diga-nos como foi.

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LINGUAGEM HIPERBÓLICA E A BANHA DA COBRA

Clique na imagem para ampliar e deliciar-se

Quem tem um bocadinho mais que 14 anos lembra-se, certamente, da onda de entusiasmo (?) que aí pelo anos 80 e 90 varria a nossa terrinha com a gestão da mudança, o planeamento estratégico, e outros conceitos que tais e a linguagem hiperbólica (ou circular, se calhar) que acompanhava a visão partilhada, a indução da mudança, a aposta na criatividade e a busca da Excelência (não confundir com a procura de Sua Excelência). Um gozo!

A labareda de mudança (verbal) varreu o País, pelo menos a parte do país por onde estas coisas costumam correr, atiçada pelos fundos europeus derramados em abundância sobre Portugal. Foi pena que no seu caminho de escorrência, os tais fundos tenham acabado, na sua esmagadora maioria, a custear carrões, casarões, montes, etc, etc, etc, com muito escasso proveito para a tal mudança que se pretendia obter na economia e na competitividade do País. Mas isso são outros contos...

Lendo as primeiras frases do texto que acima vos deixo (tirado do Público de uns dias atrás), senti-me rejuvenescer 20 e tal anos! Que bom!!!

Como é possível que hoje ainda se publique um tal exemplar de diarreia verbal perfeitamente datada, aplicado a um Novo PSD mas que poderia ser aplicado literalmente a tudo: a uma nova fábrica de banha da cobra, a um grupo de reflexão sobre Portugal (ou sobre a descolonização, ou...), ao PCP, etc, etc, etc?

Não percam mais tempo a ler-me: deliciem-se com o texto do Francisco Jaime Quesado (quem?!), Coordenador na Iniciativa Nova Competitividade - Plataforma Construir Ideias.

O "na" do (no?) pomposo título do rapaz é que me mata!

GLÓRIA A OBAMA NAS ALTURAS

... E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA (E MÁ) VONTADE!

Ontem, se me tivessem perguntado o que pensava de Obama ganhar o Nobel da Paz, teria respondido qualquer coisa como:

- 'tás maluko(a) ou quê?!

Pois ao telejornal a surpresa foi enorme quando foi anunciado isso mesmo:

Obama ganhou o Nobel da Paz!

Por que carga de água?

O que raio fez o homem (tão bonzinho, é verdade) pela Paz?!

Que merda é esta?

Os tipos do comité Nobel estão definitivamente gagás, ou quê?!

Etc...

Bem, pensando um bocado, a coisa até faz sentido: não havendo ninguém a destacar pela obra feita em prol da Paz no último ano e na parte deste que já passou, talvez o critério possa ser alteradao e atribuir-se o Prémio a quem represente alguma esperança na via da Paz, pelo que promete e pela credibilidade que lhe atribuem.

E por aí, não dúvida nenhuma que muita gente (boa gente e gente boa) acredita nas boas intenções, na determinação e na capacidade que o Obama tem para as realizar.

Eu, por acaso, até já acreditei menos que agora...

Enfim, vamos ver no que isto dá.

Thursday, October 08, 2009

RUI TAVARES – TIQUES DE BLOQUISTA

A coluna de Rui Tavares, na última página do Público é uma dor de alma. Particularmente depois do rapaz ter sido integrado nas listas do bloco de (extrema) esquerda para o Parlamento Europeu, a coluna é um verdadeiro panfleto ambulante da demagogia do grupelho extremista (grupelho, ai de mim!, com quase 10% dos eleitores...).

Hoje, atirando-se ao Cavaco por não ter discursado da varanda donde foi proclamado o fim da monarquia, refere que o Presidente fez mais para “beliscar o simbolismo republicano" do que os monárquicos que haviam substituído a bandeira do município pela bandeira da monarquia (enfim, tinha lá uma coroa e era azul e branca).

E para exemplificar a atitude de Cavaco de que imagem se socorre?

Não peçam aos comunistas para destruir o capitalismo; os banqueiros dão cabo dele muito mais depressa.

Como disse?!

O pateta ainda considera que o capitalismo se há-de destruir no seguimento das suas tão decantadas crises cíclicas?! E quantos mais séculos correrão?

Estão com ele alguns comunas que, no início da presente crise, quando o sistema financeiro abanava e o fantasma da Grande Depressão assombrava as bolsas, apareceram na TV de olhos sonhadores, a falar do fim do capitalismo (é agora!), for God sake!

Será que estes patetas acreditam mesmo nisso?

Bem, mas a verdade é que, se os comunistas não conseguem acabar com o capitalismo mais depressa que os banqueiros, isso não será, tout court, uma confissão da sua secular impotência para o acto?

Parece-me bem que sim...

(refiro-me, claro, ao acto de acabar com o capitalismo)

Monday, October 05, 2009

A REPÚBLICA E O 5 DE OUTUBRO

Este ano, mais uma vez lá vão estar junto à estátua do António José de Almeida um magote de "republicanos", a dar vivas à República e a eles próprios. Talvez ainda lá apareçam alguns em cadeira de rodas. Sobreviventes de 1910 não serão, certamente, mas do espírito que a coisa terá tido e de que eles se consideram guardiões e continuadores.

Afinal estão a comemorar apenas uma mudança de regime, aquele com rei, este sem rei, que em nada beneficiou o País e muito menos a sua população.

Deixámos de sustentar uma família real, passámos (continuámos e continuamos) a sutentar um monte de famílias semi reais que se alaparam à mangedoura do Estado e que vão passando de pais para filhos, sobrinhos e afilhados as mordomias adquiridas por um antepassado que conquistou uma posição privilegiada junto à teta mater.

Nas últimas décadas da monarquia as liberdades cívicas foram muito mais amplas do que no curto período entre o 5 de Outubro e o advento do Sidónio e, depois dele, do Salazar. Estes dois períodos, do Sidónio e do Salazar, são liminarmente enjeitados pelos republicanos como se o regime republicano não tivesse nada a ver com eles...

As perseguições aos monárquicos e aos padres, frades e religiosas, características da celebrada 1ª República, não se podem, certamente, considerar sintomas das amplas liberdades que a república terá trazido.

O roubo do património à Igreja, uma das características distintivas da 1ª República, teve o equivalente, após o 25 de Abril nas ocupações selvagens de propriedades no Alentejo, da "conquista da banca" e de outros roubos "democráticos" que os partidos se apressaram a sancionar...

Deposto o rei, foi preciso esperar 65 anos para, com o 25 de Novembro, termos amplas liberdades, podermos falar mal dos comunas e dos fachos, do PS e do PSD, do CDS e do Bloco, sem risco de batermos com os costados na choça (ou pior...).

Claro que falar mal de quem governa (e se governa) dificulta-nos a vida quando não nos corta mesmo, como sempre cortou, as hipóteses de singrar na dita, pelo menos nos períodos em que os criticados estiverem no poleiro. Vejam a perseguição em curso (uma clara vendetta) que o regime laico e republicano move ao Juiz Rui Teixeira...

Portanto, queridos leitorzinhos, celebrar o 5 de Outubro não é mais que celebrar a deposição do rei e o advento de outros reis e reizinhos, dos homens do avental e de outros bardamerdas que não fazem mais do que travar o desenvolvimento da sociedade para beneficiarem os seus acólitos, clientes e apaniguados.

MERDA SOBRE O 5 DE OUTUBRO!!!!!

ABAIXO A MAÇONARIA!!!!

ABAIXO A FAMÍLIA SOARES!!!!

Sunday, October 04, 2009

NÃO SABE ONDE JANTAR? VÁ AO ELEVEN

Clique nas imagens para as aumentar

Pois, se não sabe onde ir jantar (e se não for domingo) vá ao cimo do parque Eduardo VII, do lado oposto ao decadente (é uma pena!) jardim Amália Rodrigues, e jante no pretensioso e a dar ao fino restaurante Eleven.

Parece que os tipos que o criaram (entre eles aquele advogado esquisito que já foi do PSD, que já foi bastonário da sua Ordem, que já esteve indigitado para ficar à frente do projecto para a baixa, frente ribeirinha, etc) seguiram o figurino de restaurantes "lá de fora" para empresários levarem os seus clientes a jantar, longe da confusão do maralhal e por preços que o cartão da empresa comporta sem um ai.

Aí ao lado vai a ementa (perdão, o menu), com os finérrimos confitados, crocantes e boletus (as chalotas estão a passar de moda, pelos vistos...) de que destaquei os preços das duas possíveis ementas.

Isso mesmo, só há duas hipóteses de escolha (a primeira tem um prato de peixe e outro de carne, a segunda pouco mais) o que o aproxima mais de uma cantina de empresa do que de uma tasca rasca da Madragoa.

Mas, claro!, finérrimo que só ele!

Para ementas tão pouco variadas, realmente só mesmo o IN da casa de pasto deve justificar o despautério dos preços!

Reparem no pormenor do suplemento de vinhos - será que, ao menos se pode escolher o vinho? Terá carta de vinhos...?

Portanto caro leitor, se seguir a minha sugestão e for comer ao Eleven, não se esqueça de contar como foi...

PEDOFILIA NO MARAVILHOSO MUNDO ISLÂMICO

Realmente, só mesmo "isto" para me fazer sair da sorna - nem eleições, nem casos de trazer por casa, nem crise também de trazer por casa...

Em Julho deste ano, o Hamas promoveu uma espécie de casamentos de Santo António lá do sítio (faixa de Gaza) em que 450 matulões, nos seus 20 a 30 anos, casaram (?!) com catraias de 10 anos ou menos, devidamente ataviadas e pintadas para o acto (...).

Os noivos receberam do Hamas US$ 500 como bónus para a boda.

Não se espantem: recordem-se das bacoradas que o Ai-a-tola Komeiny destilava sobre a legitimidade dos casamentos com catraias, até com um ano, da obrigatoriedade de um homem sustentar até ao fim da vida um a miúda que tenha violado (ganda castigo, carago!!!) mas sem grande chatice adicional, já que a dita não ocupava vaga entre as quatro mulheres permanentes que o Islão permite (permite?) a cada homem. O "permanentes" é que me enche as medidas!

Vejam como o maravilhoso mundo islâmico trata as catraias (estas, ao lado, com bem menos de 10 anos), vejam como as entrega aos futuros mártires como "entrada" que precede o banquete das virgens (30? 60?...) no Além, depois do abençoado martírio.

Vejam também o gosto com que o Hamas abre os cordões à bolsa para embrulhar devidamente em fatos de circunstância os 450 matulões e enfeitar as suas "noivinhas" a rigor.

Se quiser ler mais sobre assunto, clique aqui .

Não há dúvida:

ALLAH É GRANDE (AS CATRAIAS, NÃO TANTO...)

Thursday, September 03, 2009

FOCUS - COMO DIZ QUE DISSE?!!!

Ao semanário FOCUS, número que saíu ontem, devo umas sonoras gargalhadas.

É de dizer que à primeira cavadela, minhoca.

Já não comprava a revista há uns tempos largos até porque ela me deixa sempre a sensação de ser uma espécie de publicação esquerdino populista (coluna do execrável Manel Serrão, editorial de um tal Humberto Simões - quem?! - com o título "Abrir as pernas já não chega" e por aí fora...) até que ao tratar do tema original "O último Kennedy" chapam um resumo da biografia da Eunice, de que destaco a vermelho a frase ao lado.

Casou com o sargento Shriver.

A marota da Eunice! Ao menos tivesse casado com um capitão (que, entretanto teria chegado a general...), agora com um sargento!

A "gralha" ou a simples ignorância será de atribuir a quem? Ao articulista - terá sido o tal Simões do editorial ou o cultíssimo Manel Serrão - ao revisor (ainda há?), ao contínuo?...

A propósito, para os meus mais distraídos leitorzinhos, o marido da Eunice, sogro do Schwarzenegger, era Sargent Shriver. Por sinal, não era sargento...