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Saturday, July 04, 2009

REAGAN, A GUERRA DAS ESTRELAS E A QUEDA DO MURO

Completar-se-ão este ano, em Novembro, 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, construção bizarra erigida em 1961 pelos comunas (Ulbricht na antiga RDA e Krutchev na antiga URSS) para estancar o esvaziamento populacional da RDA a que se vinha assistir desde a ocupação do leste da Alemanha pelo exército vermelho, com milhares e milhares de cidadãos a deixar o leste para procurar a liberdade do lado de cá. Vejam mais aqui .

Não só a liberdade mas também a esperança de um futuro mais desafogado, que do lado de lá, estava mais que visto, para passar da cepa torta só sendo do Partido e, mesmo assim, para valer a pena ficar, só numa posição upa, upa!

Felizmente os nossos filhos já não tiveram que viver num mundo bipolar em que toda a gente tinha que torcer por um ou por outro lado (enfim, com matizes nas franjas extremas de um e do outro).

Depois de uma certa abertura, com o degelo de Krutchev, a URSS entrou numa fase de "normalização" e consolidação com Breznev, em que o Partido mantinha o férreo controlo sobre o país e satélites, mas de uma forma mais discreta e menos sanguinária que nos tempos do Zé Ferreiro. Discreta, note-se, porque o arquipelago de GULAG era um conjunto de locais onde a entrada e saída de notícias era fortemente limitada e o que se escrevia nos jornais, o que se dizia na rádio e o que se mostrava na televisão era tudo fortemente censurado.

A Europa Ocidental e, de um modo geral, os presidentes americanos davam-se por felizes por se ter chegado a um modus vivendi em que se evitava o holocausto nuclear, em que cada bloco respeitava as áreas de influência do outro e se limitavam a conflitos regionais, dirimidos por interpostas potências locais, fora das zonas de influência.

Até que Reagan chegou ao poder e tudo mudou. Reagan veio disposto a acabar com dois males que se arrastavem e cuja cura não se descortinava: o sindroma da derrota no Vietname (agravada pelo sequestro do pessoal da embaixada em Teerão e pela inabilidade do Jimmy Carter) e a guerra fria que se mantinha empatada, com sucessos pontuais esporádicos, de parte a parte.

Leigo em matérias económicas (e não só), mas com muita experiência como político e governante, Reagan apresentou um programa económico (baptizado de reaganomics - veja detalhes aqui) que ele sintetizou em três acções: squeeze, cut and trim.

Os seus detractores apontam o estado da economia, no fim do seus dois mandatos, como prova da sua incompetência. Apertar, cortar e ajustar deram no maior déficit que os States alguma vez tiveram (e numa sequência de deficits anuais) que só a meio do segundo mandato do Clinton viria a ser compensado.

Mas toda esta despesa teve um objectivo que foi plenamente alcançado: levar a URSS à falência, ou fazê-la desistir do braço de ferro a que Reagan a sujeitou.

Tendo crismado a URSS de Império do Mal, Reagan decidiu que os States precisavam de criar um sistema de defesa contra os ICBM (mísseis balísticos intercontinentais) russos que deixasse a América ao abrigo da chantagem nuclear em que se baseava a política de détante durante a guerra fria (e, afinal, ainda hoje).

Para tanto foi lançado o programa de Iniciativa de Defesa Estratégica, crismada imediatamente de Star Wars (veja detalhes aqui) com o qual se pretendia colocar em órbita satélites assassinos, detectores de lançamento de mísseis, espelhos para dirigir contra misseis e satélites inimigos feixes de laser de alta energia, emitidos do chão.

O programa nunca entrou na fase operacional e os poucos testes feitos, dos vários módulos, não foram particularmente bem sucedidos, mas bastou para pôr a nu a indigência da URSS e democracias populares (vulgo satélites) e a sua incapacidade para manter, em simultâneo, programas de melhoria das condições de vida da população e para acompanhar a parada da Guerra das Estrelas americana.

Ora a população soviética estava, naquele tempo, cada vez menos complacente com o baixo nível de vida, e cada vez menos paciente ante as explicações politicamente correctas que o PCUS dava para os sacrifícios que vinha a pedir aos russos desde a revolução dita de Outubro...

Criadas as condições para a implosão da URSS, com o empurrãozinho do Papa Wojitila e do Solidariedade Polaco, a queda do muro, o desmembramento da URSS, a desratização (perdão, a descomunização) da Europa de Leste e a reunificação Alemã foram uma sucessão de pequenos passos que nem 10 anos demoraram.

Por tudo isto, no ano da queda do muro de Berlim duas pessoas devem ser lembradas e deve ser-lhes dado o devido destaque como obreiros incansáveis e eficazes do fim do comunismo:

Ronald Reagan e João Paulo II

PRAXE - O PIAGET FINALMENTE CONDENADO NO SUPREMO

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Depois de muitos anos, o processo interposto pela aluna do 1º ano, Ana Damião, contra o Instituto Piaget, de Macedo de Cavaleiros, foi finalmente julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça, que confirmou a sentança da Relação (veja aqui ) e condenou aquele Instituto a pagar trinta e oito mil euros à queixosa.

É pena que os "veteranos" que "praxaram" a "caloira" tenham ficado por punir...

Esperemos que o acórdão do Supremo seja levado a sério pelas escolas deste pobre País e que a opção pela NÃO PRAXE possa ser assumida perlos novos alunos sem que sejam reduzidos ao estatuto de párias, situação actual que os "estatutos" da praxe consagram e as escolas assobiam para o lado. Talvez até concordem.

Este blog orgulha-se de sempre ter tido uma posição firme contra a praga das praxes (vejam aqui e acoli ), veículo de afirmação da ralé das escolas sobre os colegas recém entrados, sob a capa e pretexto de ritual de integração dos novos alunos.

Basta de praxe, basta de MERDA!!!

Friday, July 03, 2009

A ZEZINHA, A SOFIA E A CASA DO CAMPO GRANDE

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Mudar de jornal, de vez em quando, proporciona-nos a leitura de cronistas que, doutra forma, acabariam por nunca nos passar à mão.

Leiam esta bela crónica da Zezinha Nogueira Pinto (DN de hoje) sobre a Sophia de Mello Breyner Andresen (ao lado, uma foto da sua juventude; veja mais sobre a poetisa aqui ) a que nem falta uma chave de ouro emprestada por Fernando Pessoa, "morrer é só não ser visto" ou, alargando-a um pouco mais:

"A morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto"

A propósito, hoje foi dado o nome de Sophia ao miradouro da Graça, numa cerimónia em que participaram António Costa e os cinco filhos da poetisa (e de Francisco Sousa Tavares). Foram descerradas lápides, uma toponímica outra com um poema de Sophia, e um busto da autoria de António Duarte, que data dos anos 50.

Não se esqueçam de passar por lá, já que mais não seja para homenagear uma das boas poetisas da segunda metade do século passado.

MANUEL PINHO EM GRANDE!!!

Manuel Pinho perdeu a cabeça com a bancada do PCP e fez o gesto que a figura mostra, virado para a selecta bancada vermelha.

Veja um pequeno sketch aqui .

Isto está bonito, está!

RONALD BIGGS, UM BANDIDO IMPENITENTE

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A praga dos assaltantes do combóio correio não há meio de acabar. Merda de bandidos!

Lembram-se do mais mediático deles, o Ronald Biggs ? O bandido que cavou para o Brasil, emprenhou uma caipira e, à pála de ter um filho brasileiro, conseguiu viver lá impunemente, à grande e à francesa, evitando a extradição, durante umas boas duas décadas.

Lembro-me de há um bom par de anos ter regressado a Inglaterra de livre vontade, enfrentando a prisão (inevitável, uma vez que tinha apanhado 30 anos de choça, num julgamento à sua revelia) esperando ser liberto por ser velho e doente - estes cabrões estão sempre a morrer para se verem livres da prisa, depois vivem mais uma porrada de anos!

Agora, ao que parece, toda a gente bem pensante achava que ele ia sair da prisão: valeu o ministro da Justiça que entendeu que, como o tipo nunca mostrou qualquer arrependimento (nem devolveu a massa...) a sociedade nada tinha que lhe perdoar da pena a que o condenara.

Muito bem!

Thursday, July 02, 2009

NÃO HÁ BELA(O) SEM SENÃO...

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O Paulo Varela bem me lixou: atão não é que o gajo me saíu um daqueles rapazinhos que acham que tudo, em particular os sítios "antigos" por onde passaram, devem ficar as is para todo o sempre, para seu gozo pessoal, preservados de pessoas e do inevitável betão?!

Os locais de descanço espiritual, tranquilos, silenciosos e pacatos, com boas praias, deveriam ficar para todo o sempre inexplorados e desertos, prontos para acolher os iluminados, e só eles, que desses locais tivessem conhecimento privilegiado.

Tal como os meninos de olhos redondos de felicidade e pasmo que os papás levam a ver o vale do Sabor (o último vale selvagem de Portugal...) o bom do Paulo Varela dá-nos uma imagem do seu filho André, de lágrimas nos olhos (?!), ante uma praia que ele conheceu deserta e linda, agora horrível com montes de restaurantes, prédios e (horror dos horrores!) pessoas. Pior que pessoas, turistas!

Ó Paulo, com esta é que me lixaste, pá!!!

Monday, June 29, 2009

A MORTE DO ARTISTA

E agora, uma badalhoca.

Um amigo conta ao outro o assalto que sofreu.

- Um gajo grandalhão encostou-me uma pistola à barriga e disse: o cu ou a vida!

- Porra! E tu?...

- Eu... morri, não dá para ver?!

BOM HUMOR ÀS 2 DA MATINA

Um funcionário público matava o tempo a apanhar moscas. A alturas tantas, apanhou uma que se debateu com inusitado vigor e que lhe disse:

- Eu sou o génio das moscas e concedo-te três desejos.

- Baril! Quero ir já para uma praia tropical, longe destes incompetentes todos!

PLIM!!!!! E o funcionário viu-se numa praia tropical de areias brancas e um mar de águas límpidas e tépidas, mesmo a seus pés.

- Agora quero um monte de gajas boas, todas descascadas a servir o rapaz!

PLIM!!!!! E o tipo viu-se rodeado por um monte de raparigas lindas e jovens, bronzeadas e em biquinis reduzidos, a apaparicá-lo, prontas para tudo.

- Carago, ganda vida! Como terceiro desejo quero, até ao fim da minha vida, não ter nada, nada, nada que fazer!

PLIM!!!! E o funcionário público viu-se de volta à repartição donde partira pouco antes.

. . . . . . . .

Agora uma verídica.

Dois amigos de longa data, colegas de empresa, de copos e de vacanças, estavam a construir casas de férias na Caparica, uma ao lado da outra. Davam-se como Deus e os anjos, eles e as famílias também.

Até que um deles se enrolou com a mulher do outro e o dito acabou por descobrir. Não houve dramas: o corneado limitou-se a levar a mulher a casa do outro e a dizer-lhe que, face ao ocorrido, já não a queria e entregava-a a ele.

E assim foi: um livrou-se da mulher e o outro ficou com as duas, com quem ainda hoje vive - cada uma em sua casa, mas sabendo uma da outra.

Não soube é se os dois amigos continuaram a dar-se como Deus e os anjos...

Sunday, June 28, 2009

O BOM, O MAU E O VILÃO - IMPEC!

video

Veja e oiça este arranjo muito giro da banda sonora do filme O Bom , o Mau e o Vilão.

NUNO CARDOSO APANHA 3 ANOS DE CHOÇA!

Clique na imagem, que talvez aumente

Com uns anos de atraso e com pena suspensa, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto foi condenado a três anos de cadeia por uma das muitas medidas que tomou em conúbio com os patrões do futebol local, no tempo em que essa era a prática dominante naquela desgraçada cidade.

Prática que Fernando Gomes, o tipo do capachinho, levou a tais extremos que quase não se distinguia o interesse da cidade dos interesses dos clubes, com destaque para os do F C Porto.

Realmente o Porto será sempre uma cidade periférica e provinciana enquanto um bando de desequilibrados teimar em identificar um clube de futebol com a cidade e a cidade com um clube de futebol, ambos em guerra unilateral com Lisboa e com todos os que furarem aquela identidade.

Rui Rio é portuense e vejam a guerra que o lobby do F C Porto lhe move desde a primeira hora.

É claro que Lisboa, sede de um poder exercido por pessoal de todo o país, com destaque para os do norte (Porto incluído), nem se apercebe de tal guerra excepto quando ela é verbalizada e reafirmada por doentes que tentam colmatar as suas debilidades pessoais com um exacerbado espírito de pertença a alguma coisa mais sólida que eles, que os ancore e lhes dê as referências de que carecem - bairrismo, clubismo e todos os outros ismos, mais ou menos espúrios que por aí abundam.

(porra, isto é que análise, carago!)

Vejam o que diz o pianista portista e portuense Pedro Burmester:

O FC Porto é a minha única fé e religião. Aquilo que o clube desperta em mim é sempre igual: é sempre forte e intenso.

Digam-me que este gajo é normal, digam-me, please!

Clique aqui e esqueça esta malta merdosa que, às vezes, até nos faz esquecer que o Rui Veloso, o Carlos Tê, o Sérgio Godinho e tantos, tantos outros são tripeiros de gema e até serão adeptos do F C Porto sem que o bairrismo e clubismo se tenham tornado a parte dominante das suas personalidades.

O COPEJO DO ATUM

Clique nas imagens para ampliar

Uma imagem que me ficou da escola, um misto de aventura, coragem, adrenalina, etc e tal, foi a do copejo do atum (veja um texto interessante aqui).

O texto e as fotos (a preto e branco - era o que se usava no "meu tempo" e tinha a vantagem de não mostrar a água tinta de sangue que o texto referia) e o texto descreviam o trabalho das armações que armadilhavam o trajecto dos cardumes, apanhavam-nos num paralelipípedo de redes presas aos barcos.

Os barcos iam fechando o cerco, o fundo da rede ia subindo até que restava uma piscina com poucos metros de profundidade onde se concentravam os atuns, que nadavam velozmente rente aos barcos, donde os pescadores os arpoavam e iam paulatinamente puxando para dentro.

A parte da adrenalina vinha quando alguns pescadores mais jovens e mais destemidos (os atuns maiores tinham, naqueles tempos, à volta de um metro e meio - e mais) saltavam para a água, nadavam entre os peixões e chegavam a cavalgá-los, num verdadeiro rodeo que terminava, por via de regra, com o peixão a ser esfaqueado e puxado para dentro dos barcos.

Isto não tinha nada de mais até porque o intuito da arte era mesmo a captura dos atuns, não para os meter, vivos, em aquários ou outra estravagância moderna, mas para os matar, esquartejar, preparar, enlatar ou enviar para o mercado do peixe, inteiros ou em postas.

O destino final era, claro!, a frigideira ou o tacho.

Normalito, portanto, e nunca reparei que algum colega de carteira ficasse impressionado com a cena...

O que o Zé Antº Saraiva nos traz na Tabu, suplemento do SOL, deste sábado, sob o título de A matança dos inocentes, não é o copejo do atum mas a matança do golfinho, nas ilhas Faroe, onde aqueles mamíferos proliferam e constituem um valente bico de obra para os pescadores.

Parece que é um costume local a rapaziada, uma vez por ano, fazer uma razia entre os simpáticos e vorazes mamíferos, e é contra esse hábito que o Zé Antº Saraiva perora, em duas páginas de texto e imagem, nas quais predomina o tom vermelho da sangueira dos bichos.

Por qualquer motivo que me ultrapassa completamente, o golfinho é considerado por espíritos mais sofisticados e amantes dos bichinhos, como uma espécie de primo do homem, deixado na água pelo combóio implacavelmente apressado da evolução, primo que nos devemos abster de comer ou de meter em circos - excepto nos que forem geridos pelos tais espíritos sofisticados que tratam os bichinhos como sócios ou coisa parecida. Até lhes pagam um salário em peixes, açucar e festinhas que deixam os nossos primos tão felizes e contentes que insistem em voltar a actuar para o público para lhes ser renovado o salário tão generoso.

Em resumo: o Zé Antº Saraiva considera os dinamarqueses uns selvagens em cujo toutiço não se atenuou o espírito vicking de pirata sanguinário: para além de gozarem com o profeta têm a audácia de matar golfinhos. Grandes malandros!!!

Espero que, ao menos, a rapaziada coma a chicha dos bichos pois parece que os bifes de golfinho que se come na costa norte da Madeira (à socapa, claro) são muito, muito saborosos!

Vai uma febra?

Wednesday, June 24, 2009

Cartas de cá - espécies...

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Paulo Varela continua a encantar-me com as suas descrições de quadros da vida da Índia.

Agora são os resultados da expansão dos subúrbios das cidades e o derrube de árvores e empurra os animais para junto dos homens de quem perdem o medo e ganham o gosto (gosto no sentido mais amplo, que o digam as tais "viúvas do tigre"...).

Valham-nos as raposas urbanas, que sempre são mais maneirinhas que um tigre...

Friday, June 19, 2009

MANIFESTO ANTI PORTAS A PROPÓSITO DA MORTE DE CARLOS CANDAL

Mão não muito amiga fez-me chegar este manifesto anti-Portas, publicado por Carlos Candal durante uma campanha eleitoral no distrito de Aveiro, em que Portas e Pacheco Pereira participaram.

Quando tive notícia da morte de Carlos Candal procurei afanosamente na net o dito manifesto, a coisa mais saliente que o bronco advogado produziu enquanto por cá andou. Debalde o fiz.

Hoje recebo-o por mail de um bacano que me conhece muito bem mas que assina por com pseudónimo deixando-me deserto por perceber quem é o gajo.

Este manifesto não corresponde ao que eu me lembrava dele: um texto muito mais curto e incisivo, terminando com o sacramental "Morra Portas, morra! PIM!!!!".

Por isso, publico-o com reservas.

BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE "Real Senhor ia passando … Encostado à bananeira, diz o preto para a preta: está bonita a brincadeira."

1. Estava eu "posto em sossego" (*) – aprestando o barquito da família para umas passeatas na ria – quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que 2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio de marfim eleitoral deste Distrito.

De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates – para um tonificante estágio "à la minuta" junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.

Todavia depressa desisti desse passeio para o Sul – confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.

Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos – que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ia a escrever 'camaradas' – expressão regional caída em desuso, mas recuperável !).

2. Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustadamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a direcção dos Serviçoa de Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para sub-regionais; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação da região foi repartida entre Porto e a dita Coimbra.

3. Só nos faltava agora mais essa: passarmos doravante a ser representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital !

Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora – 'estrangeiros' para aqui impontados por Lisboa como 'comissários políticos para zona subdesenvolvida' ou 'tutores de indígenas carecidos de enquadramento'.

Tinha que reagir e reagi !

4. Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora – para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua).

Aliás, esse é um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento.

É uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva, todavia, até por isso, nunca tolerámos que nos impontassem mentores !

5. Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do "25 de Abril" foi comunista radical – daqueles que (aos gritos de "nem mais um soldado para as colónias") impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia – com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).

Com sólida formação marxista-lenilista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.

Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo – opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido 'fazer carreira' no PSD, como é evidente …

Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilbeto Madail – que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece).

Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática !

7. Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas – à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia. Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um 'folheto de cordel' (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia – opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego – valha a verdade).

Digamos que tais escritos estão para o 'ensaio' como as quadras populares para o 'poema' – na forma e no conteúdo.

Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas – pingam apenas cinco ou seis ideias que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8. Certo é porém ter sido com essas 'quadras soltas' que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente – ganhando (por 'menção honrosa') a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do 'antieuropeismo primário'.

Tenho-me esforçado por lhes estragar tal passeio – com algum êxito.

9. Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (o outro excursionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram 'favas contadas'.

Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses ('provincianos' como nos chamam) ficariam enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por 'lisboetas de tão alto gabarito' (a expressão não é minha, evidentemente).

Terão ficado surpreendidos pelo 'impedimento' que, logo após a 1.ª anunciação, eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opor firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contrair com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral – para usar linguagem de telenovela).

Como consequência imediata, eles – que tencionavam 'casar por procuração' (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) – tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.

Estraguei-lhes o arranjinho !

10. O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.

Chegou de fato novo e ideias velhas.

E instalou-se num hotel da região – escolhido pela mâezinha (no Guia Michelin).

Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a 'cassete' – que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.

Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge, a quem se acerca, as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).

E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração – o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.

Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia – depois de já termos entrado (e … recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) !

Aliás o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11. Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento de resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair – e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito 'adequado'.

12. Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota – além dele e do Dr. Manuel Monteiro.

Aliás o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta.

Não obstante, messias da restauração, reclama 'missionários' (sic) para o seu ridículo sebastianismo – sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13. Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa, exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas – tornando-se injusto, maledicente e agressivo.

Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por 'chefes' cujos nomes a História registou – mal comparado …).

14. Politicamente, o Portas é um 'bluf' – produto acabado de certos meios intelectualoides da Capital, que funcionam em circuito fechado – por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.

Entre muitos outros, fazem parte de tal 'entourage' o avinagrado Vasco Pulido Valente (avinagrado de vinagre, entenda-se) e a sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá – ambos comungando os chorudos ordenados que "O Independente" (assim cahamado) do Dr. Portas lhes paga pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrivinham no cómodo formato A4.

Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos quando era uma espécie de menino-prodígio da escrita.

Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino, pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos – ainda que muito apreciados pelo crítico Henrique Monteiro que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15. O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu ‘milieu’ é uso chamar 'as classes baixas' – como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr 'creme nívea' na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16. O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.

Concretamente, oculta que é monárquico – opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República !

É a tal falta de transparência que critica – nos outros, claro …

17. O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra "um homem, um voto" verdadeiro axioma da Democracia.

Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que, (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício".

18. Eleitoralmente, o Portas é desleal, vicia as regras do jogo.

Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d' "O Independente" (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-da-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários – com a cumplicidade na batota do respectivo 'conselho escolar' !

Porque não sou 'queixinhas', não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas. junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.

Não vou sequer queixar-me à mãeziha do Dr. Paulo Portas.

Tão pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes – tido por dono do jornal – até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria 'candidatura a sanguessuga' (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.

Aliás, provavelmente, não será especialista em 'deontologia profissional do jornalismo’.

Assim, sendo, remeto a preciação da chocante conduta do Dr. Portas e d' "O Independente" para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Príncipe e José Carlos de Vasconcelos, tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros).

Concretamente permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa a apologia dos valores morais sociais) seja eticamente aceitáveis.

19. De facto, não é fácil ser-se coerente e sério na política.

20. Particularmente difícil é porém, 'fazer carreira política' em Portugal – sobretudo quando não se dispõe de apoio de qualquer dos 'lobies' que condicionam quase toda a nossa actividade pública.

Estou a referir-me à 'solidariedade corporativa' na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e – mais recentemente – os parceiros da comunidade 'gay'.

Tratando-se de organizações ou agregados que mantém intervenção (directa ou indirectamente) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva – também nos partidos políticos e na comunicação social.

Agindo concertada ou avulsamente, os membros de tais 'lobies' têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direiro e sobre a formação da opinião pública.

Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, 'heróis sociais' ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21. Por definição as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis

Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do 'Público', pondera que esse jornal tem dono – e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectvos interesses (mesmo quando – agora instalado – escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da 'geração de 60´) ?

E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise crítica – injustamente lisonjeira – da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22. A acção de todos ou alguns desses 'lobies' perpassa de facto os principais partidos – transversalmente.

E por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra a explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no 'Gambrinos' ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23. Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro – sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou 'forças de pressão'.

Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.

Estrela de 3.ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas – cometa ocasional , que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e … sem deixar rasto).

Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira – lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflete a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.

24. Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25. Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação – espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.

Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta 'zona demarcada entre Douro e o Buçaco' !

Carlos Candal

(*) Expressão assaz erudita com que pretendo homenagear a linda Inês – em cujo assassinato participou certo avoengo do Dr. Pacheco Pereira, por sinal o único dos três sicários que (revelando uma ancestral habilidade) logrou escapar à vingança do D. Pedro, como aliás aquele ilustre político gosta de lembrar (v. "Classe Política Portuguesa" – 1991 – p. 330)

A PROPÓSITO DA QUEDA DO A-330 DA AIR FRANCE

As duas imagens que publico não têm nada que ver com a queda do avião da Air France mas com o avião de uma companhia brasileira que caíu sobre a Amazónia, há um ou dois anos, depois de ser atingido por um pequeno jacto.

As fotos foram sacadas do chip de memória de uma máquina digital de um passageiro que seguia no fatídico vôo.

As imagens não deixam de ser "esquisitas": na segunda há a silhueta de um passsageiro a ser "sugado" pelo buracão, sem que a passageira da fila da frente tenha o cabelo minimamente agitado pela ventania...

O texto que acompanha as fotos é o seguinte:

The two photos attached were apparently taken by one of the passengers in the aircraft, just after the collision and before the aircraft crashed. The photos were retrieved from the camera's memory stick. You will never get to see photos like this. In the first photo, there is a gaping hole in the fuselage through which you can see the tailplane and vertical fin of the aircraft. In the second photo, one of the passengers is being sucked out of the gaping hole.

These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .

It can be imagined that he was standing during the turbulence, he managed to take these photos, just seconds after the tail loss the aircraft plunged. So the camera was found near the cockpit. The structural stress probably ripped the engines away, diminishing the falling speed, protecting the electronic equipment but not unfortunately the victims. Paulo Muller leaves behind two daughters, Bruna and Beatriz.

Sunday, June 14, 2009

MEMÓRIAS DO MEU CATIVEIRO - DE CLARA ROJAS

Em primeiro lugar, se tencionam comprar o livro para se inteirarem daqueles pormenores picantes - quem é o pai da criança (era guerrilheiro? era polícia ou soldado? era um dos outros "colegas" de cativeiro? qual deles? como foi?), quem dormia com quem (em particular a Ingrid...), como foram as peixeiradas entre as duas senhoras, etc, etc - desengane-se.

Sobre o puto limita-se a dizer que teve uma experiência de que resultou a gravidez...

O livro dá uma imagem, um bocado desfocada (deve ser intencional) do que era a vida nos sucessivos acampamentos das FARC e das sucessivas caminhadas entre eles e pouco mais.

Pouco mais não: grande parte do livro serve à autora para exibir a sua religiosidade (a sujeita é de um beatismo absolutamente insuportável!), as suas crenças nas várias virgens lá do sítio, as várias rezas diárias do rosário (um rosário = três terços, para quem já não se lembre destas coisas), o quão perdoa aos que lhe fizeram mal, uma coisa absolutamente chata, chata, chata!

Insuportável a beata, raios a partam!

Alguns exemplos (só das últimas páginas):

"... o que me fez reparar que há muitos anjinhos que nos rodeiam com os seus bons pensamentos e a sua luz."

"...decidi deixar isso nas mãos de Deus, para que o todo-poderoso me ajude com esse pesado fardo, como já antes fez."

"...quando alguém nos faz mal, em vez de lhe desejarmos mal, há que o abençoar."

Thursday, June 11, 2009

ESCRITO NA PEDRA - VERY, VERY DEEP

Esta realmente foi totalmente inesperada, mas não deixa de parecer muito certa, pelo menos quando a idade que o geronte aparenta na fotografia não deixa lugar a outros amores, porventura mais sinceros:

NÃO HÁ AMOR MAIS SINCERO DO QUE O AMOR PELA COMIDA

E esta, hã?!...

Wednesday, June 10, 2009

CARTAS DE CÁ - Park Street

Clique na imagem para ampliar e ler

Leio quase sempre com agrado as crónicas do Paulo Varela Gomes, as Cartas de Cá, que a P2 do Público publica em dia da semana variável, ao que me pareceu. As cartas são escritas da Índia, provavelmente em Goa, e os temas são quase sempre (sempre?) sobre a Índia não se limitando a Goa, como é a presente crónica.

Depois de ter acabado a série de artigos do filósofo Desidério Murcho, esta é a crónica da P2 que mais me agrada.

A imagem que traça da chegada da monção é dum colorido e de um pormenor deveras notável, para o espaço que a crónica ocupa.

Poupo-vos tempo caso queiram ver alguma coisa sobre o pintor Giovanni Battista Piranesi (foto ao lado) é só clicar no nome.

As pinturas que encontrei na net são muitas de monumentos, edifícios, paisagem urbana. Deixo-vos aqui uma dessas paisagens urbanas; veja mais aqui .

Deixo-vos também alguns links de entrada, caso queiram ir ver o que há sobre o cemitério de Park Street, em Kolkata (Calcutá, à portuguesa), referido pelo Paulo Varela:

Fotos;

romance;

alguns detalhes;

imagens de Calcutta;

Mother Teresa Sarani (que deu o nome ao cemitério).

VIOLÊNCIA NA NOITE - ESPANCAMENTO OU EXECUÇÃO? NOVOS DADOS

No post Violencia na noite foram colocadas informações actuais sobre o ocorrido, nomeadamente sobre o agredido (que ficou em estado semi vegetativo) e o principal agressor, o herói que a foto mostra, acolitado por sete "colegas de ofício".

Clique no link e actualize a informação.

Entretanto, transcrevo a seguir o último comemtário sobre o assunto, feito por Fernando Guimarães:

Lembram, um rapaz foi espancado por uma gangue de 8 marginais em Sorocaba/Sp faz 1 ano, vejam notícias atuais?

Acusados deverão ir a júri popular daqui a um ano.Notícia publicada na edição de 29/04/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h. O prazo mínimo para os três acusados da agressão praticada contra o metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues ir para júri popular é de um ano, caso não haja apresentação de recurso por parte dos advogados de defesa, informou ontem o juiz da Vara de Execuções Criminais de Sorocaba, Émerson Tadeu Pires de Camargo.

Outros cinco acusados estão livres. Enquanto a justiça não é feita, Fabiano luta ao lado de sua mãe, a aposentada Sebastiana Dias Rodrigues, de 60 anos, que tem sofrido e vem passando por muitas dificuldades financeiras.

"Enquanto meu filho fica aí deitado, os seus agressores continuam levando a vida sem problemas, mas eu não tenho sentimento de ódio por ninguém", afirma a mãe do rapaz que desabafou, dizendo que sequer os familiares dos acusados telefonaram para ela para saber como anda o seu filho.

"Se fosse o meu filho que tivesse feito o que fizeram, eu não iria pagar advogado não, ajudaria a família de quem o meu filho espancou".

Em 1º de junho, completará um ano do espancamento sofrido por Fabiano que completará em 11 de junho 25 anos de idade. Ele só responde o que perguntam a ele, não ordena ideias nem inicia uma conversa. Passa a maior parte do tempo deitado, assiste à tevê, mas não tem consciência do que acontece a sua volta.

"Meu filho está vegetando". Dona Sebastiana luta para manter a casa da família, que é simples. Vez ou outra conta com a solidariedade de pessoas que levam cesta básica à casa da aposentada, que fica na Árvore Grande.

O gabinete do vereador Tonão Silvano ajuda a mulher com remédio para o filho. Com uma renda de pouco mais de R$ 700, dona Sebastiana tem conhecimento das dívidas que ainda têm com a Unimed, com uma farmácia e outras do dia-a-dia, como a taxistas que fazem, pela metade do preço, o transporte de Fabiano até o médico, o neurologista André Simes, que vem acompanhando o rapaz.

Ela tem esperança em um milagre para que o filho volte a ser o que era antes de 1º de junho de 2008.

De acordo com o advogado de defesa de Fabiano, Márcio Roberto de Castilho Leme, o quadro clínico do rapaz não é de esperança. Ele foi violentamente espancado. As sequelas são graves, afirma.

Fabiano foi chutado por diversas vezes na cabeça, tendo, ainda, um dos agressores pulado mais de uma vez na cabeça do rapaz, que ficou caído no chão, em frente à casa noturna Soft Music Hall, cujas câmeras filmaram toda a cena do crime.

Fabiano ficou em coma por 27 dias, recebendo alta posteriormente. Fez tratamentos com terapeuta ocupacional, mas tem muita dificuldade de se manter em pé, de tomar banho, de se alimentar e até mesmo de fazer as necessidades fisiológicas sozinho.

A situação da família é tão difícil que até cartas foram escritas para os programas dos apresentadores de televisão Sílvio Santos e Gugu Liberato. Os remédios de pressão alta e colesterol que dona Sebastiana precisa tomar são caros e ela está passando sem medicamentos.

"Eu não tenho como fazer nada, pois preciso cuidar do meu filho, mas ao mesmo tempo tenho medo de morrer e deixá-lo aqui. Quem vai ter paciência de cuidar dele como eu cuido?", chora dona Sebastiana que tem muita fé em Deus que tudo será resolvido. Fabiano passa a maior parte do tempo deitado e não tem consciência do que acontece em sua volta.

O rapaz, que completará 25 anos dia 11/06/09 antes da agressão e agora. Era alegre, esbelto. Hoje é triste, obeso, sem vida social.

(Fernando Guimarães).

Daqui envio os meus agradecimentos ao Fernando Guimarães por nos manter ao corrente deste crime perfeitamente a sangue frio e com requintes de malvadez e violência.

10 DE JUNHO ALTERNATIVO - UM POUCO MAIS INSTITUCIONAL

Clique nas imagens para ampliar

O 10 de Junho alternativo, comemorado junto ao forte do Bom Sucesso, foi este ano o que costuma ser: a missa só para os madrugadores, muita espera, mais espera, ainda mais espera, alguns discursos "domésticos" outros de artistas convidados.

O artista principal costuma ser uma personalidade cuja ligação aos combatentes dificilmente se descortina: este ano coube a vez ao adiantado mental Braga da Cruz, nos outros anos o Paulo Teixeira Pinto, o Barão Horta te Costa, etc, etc.

Grama-se a cerimónia bi-religiosa de um padre mais o inevitável Iman da mesquita de Lisboa (como é que se chama o homem, carago? não me vem...).

Canta-se a Portuguesa (este anos "amparados" pela Cátia Guerreiro), depõem-se flores aos mortos, olha-se para o ar para ver passar a FAP, põe-se a cara à banda para que o ouvido em melhor estado apanhe a salva da corveta do outro lado do forte (dentro de água, claro), e depois é o almoço campal para quem comprou a senha ou trouxe farnel de casa.

Este ano (confesso!) cheguei a meio da coisa (pensava eu!) para ver se via o fim da cerimónia - nos outros anos chego cedinho, espero, espero, espero e desespero: ponho-me nas ditas muito antes do fim das actividades.

Na foto ao lado, o recém promovido Jaime Neves. O homem está reformado há um monte de anos, está a cair da tripeça mas... vai mais um par de estrelas para cima dos ombros! O Delgado não foi promovido a Marechal depois anos e anos a fazer tijolo? Pois então...

Este ano cheguei quase ao meio dia, nem um único discurso tinha sido proferido, de modo que me pisguei aí à uma da tarde, estava a mensagem do Cavaco a ser lida.

É verdade! O Presidente, enquanto distribuía medalhas em Sanatrém, honrou-nos com a sua palavra ainda que não com a sua presença. Fantástico!

Acho que a monumental vaia que o Soares apanhou, no primeiro ano em que se realizou esta comemoração, serviu de exemplo aos restantes. O mais que lá vi foi o Secretário de Estado (da Defesa e do Mar - será assim? da Defesa e dos antigos combatentes, etc).

Saindo mais cedo, perdi a alocução do meu antigo colega Henriques sobre o Condestável. Paciência, já estava farto...

Afinal, lendo o programa, vejo que o horário até foi cumprido - eu é que alinhei pelo programa dos anos anteriores...

De resto, a causa monárquica estava mal representada, só o sr D. Duarte (ao lado) mais o primo, D. Francisco van Uden, mas nada de representantes da causa monárquica, recentemente unificada sob a batuta do reformado de luxo, Paulo Teixeira Pinto.

Na foto vê-se ainda o general Bruno, à direita, de Torre e Espada ao pescoço.

As fotos não são grande espingarda porque não me credenciei e não quis ser escovado por indecente e má figura se tentasse aceder aos locais por onde os reporteres credenciados circulavam...

Enquanto pude circular pelos "espaços nobres", ainda localizei a inscrição no mármore com o nome do Zé Bação, na lista de mortos de 1965. Não o estou a ver muito agradado com a coisa, mas a inscrição pode fazer sossegar as consciências dos "médicos" (mérdicos...) que se recusaram a dar-lhe mais que aspirinas quando o hematoma, no seguimento do rebentamento da mina, lhe provocava dores de cabeça terríveis.

Bando de charlatães, para não dizer mesmo filhos de puta!

A ESCOLA...

Em Portugal é igualito, coño!

Tuesday, June 09, 2009

TIANANMEN - 20 ANOS DEPOIS...

Reveja o tipo dos sacos de supermercado (?) à frente da coluna de tanques aqui . Este foi o episódio que ficou na memória de toda a gente que acompanhou a revolta dos estudantes (recorde aqui) contra o regime de Pequim, esperando que o PCC caísse de maduro como o PCUS caíu de podre.

Não caíu.

Manteve o rumo traçado pelo Pequeno Timoneiro, mantendo as rédeas do poder firmemente nas mãos e comandando (viabilizando) um desenvolvimento económico e social que levou a China à posição em que está, a caminho de se tornar a 1ª economia mundial. Mais dez anitos e deve lá chegar. Veja mais aqui: Deng Xiaoping.

Teria sido melhor que o PCC se tivesse desmoronado ante a força da razão (?) dos revoltosos pela Liberdade? Foi melhor usar a força necessária para acabar com a revolta e evitar veleidades semelhantes nos tempos mais próximos?

Olhando para o que se passou na URSS e nos dez anos de pobreza, marasmo e estagnação entre a queda de Gorbatchov e o advento de Putin, é legítimo perguntar:

Teria sido melhor, para quem?

Monday, June 08, 2009

O CLUBE DOS MARCIANOS

Às vezes sinto-me completamente marciano. O que me vale é que, quase sempre penso que marcianos são os outros.

Serão mesmo?!

Num jantar, este fim de semana, fiquei siderado com duas pessoas que habitualmente me deixam siderado. Portanto, até aí, tudo normal.

Só que que desta vez a coisa foi muito para além do que eu consideraria simples marcianismo. Ora vejam:

Um dos convivas defendia com calor e ardor que estamos em plena decadência e que um dos sinais desses tempos decadentes é que vemos, por exemplo, artistas de cinema como presidentes, putas como deputadas (ou coisa que o valha), etc.

Defendia ele que para cargos políticos os candidatos teriam que ter algum tipo de filtragem para evitar que uns tipos desqualificados fossem eleitos para cargos de responsabilidade, para os quais não têm competência. E insistia em alta (e alterada) voz: vocês acham que um actor pode ser Presidente, mas eu acho que não podia ser e devia ser impedido de se candidatar. Insistia no exemplo do Reagan e alegava, a crédito da sua posição, que se um advogado não podia pilotar um avião, também um actor não podia ser Presidente (Governador, PM, etc).

Sobre os economistas, juristas, engenheiros e outras gentes desqualificadas não se falou - se calhar só os funcionários públicos com cursos na École Nationale d'Administration Publique seriam competentes para cargos de responsabilidade.

Será assim?

O outro, depois de perorar contra os palhaços (Durão Barroso, Pacheco Pereira, a "Leite Azedo" - Ferreira Leite, suponho, etc) e os ladrões (80% dos políticos, incluindo o Sócrates, que devia ser preso), depois de zurzir nos defensores do capitalismo neo liberal (euzinho...) e em tudo o que mexia, à despedida, conciliador, diz que isto está a mudar, tem mesmo que mudar, porque a civilização ocidental está a dar o berro, por culpa do Bush e companhia, que não conseguiu impedir que o comércio e a economia mundiais se estejam a passar para "o lado de lá".

O lado de lá era a China! Desgraçadamente já não deu para aprofundar, mas parece que o homem acha que os malandros dos americanos deveriam ter sabido manter a China no seu canto e, não o tendo conseguido, a civilização ocidental vai pelo cano abaixo.

Ambos são cultos, inteligentes e informados (conheço-os há mais de 40 anos) mas... há ali qualquer coisa que não funciona bem!

Até aqui só tinha ouvido, a uma senhora já muito entradota, uma opinião semelhante: que só pessoas com alguma cultura deveriam poder votar, para evitar que fossem votar sem fazerem a mínima ideia do que está em causa, sem perceberem o que lá vão fazer, etc. Claro que não explica como é que a coisa se processaria: um exame de cultura política? Uma entrevista com umapessoa culta, de confiança? ...?

Devo ser mesmo marciano, carago!!!

(e não é que existe um blog dos Marcianos?! Visite-os: os Marcianos .)

Sunday, June 07, 2009

O DISCURSO DO OBAMA NO CAIRO - E VIVA O BUSH!!!!!

O presidente Obama fez um belo discurso no Cairo que poderá ter sido o começo de alguma coisa, de uma melhor convivência entre os States e o mundo árabe. Para o mundo árabe moderado, entenda-se, pois para o "mundo árabe fundamentalista" o discurso do Obama são é mais que um amontoado de palavras de infiel (duplamente infiel...) que o vento há-le levar e que não hão-de evitar a sua destruição implacável sob a espada dos filhos dilectos de Allah.

Para os nossos intelectuais de esquerda (e não só, caraças! e não só) foi mais uma pérola de um político de eleição que, até agora, tem feito o que "eles" esperavam que fizesse.

A menina da foto ao lado, P2 do Público de hoje, (tão burrinha, benza-a Deus; mas ela é pequenina, ainda tem desculpa...) depois de despejar sobre nós a habitual descarga de cosmopolitismo (que mete um diálogo numa chat room com um colega em Cabul) e os panegíricos ao Obama, diz a alturas tantas:

"A estupidez é perigosa. Mais perigosa é a vontade de domar o Mundo. Bush é estúpido e quis domar o Mundo. Tudo o que Obama disse no Cairo é o contrário."

Será que é assim tão difícil perceber que Obama pode ser magnânimo, "compreensivo" e aberto porque alguém antes dele mostrou que a América se e quando fôr preciso sabe pôr as garras de forra e ir atrás dos que a ameaçam ou atacam, mesmo que se escondam nos confins do Afeganistão ou do Iraque (or else)?!

Deve ser mesmo difícil, 'tá visto...

Grande parte da credibilidade do Presidente Americano Obama na cena internacional vem directamente do modo como o anterior detentor do cargo lidou com uma agressão violenta ao coração da América, sem receio de começar duas guerras caras e desgastantes em muito pouco tempo (a primeira delas menos de um mês depois do ataque às torres gêmeas).

Mesmo que nem sempre o tenha feito com o melhor discernimento.

Teria Obama (ou o tonto Clintóris) feito melhor?

Duvido, e faço pouco!

DIA "D" - SE O RIDÍCULO MATASSE...

Na foto ao lado vêem-se dirigentes de vários países cujas tropas tomaram parte na invasão da Normandia, iniciada com uma série de desembarques extremamente mortíferos em 6 de Junho de 1944.

Como vem sendo habitual desde o fim da guerra, homenageiam-se, acima de tudo, os cerca de 20.000 soldados que nos primeiros dias ali morreram, sendo figuras centrais os veteranos ainda vivos, cada vez menos à medida que os anos passam.

E já passaram 65 anos.

Na foto identificam-se o Obama, o príncipe Carlos de Inglaterra, o primeiro ministro Gordon Brown, talvez o Sarkozy na extrema direita da foto. A foto parece normal, mas, de repente, há um pormenor que me salta à vista de maneira gritante: o peito fartamente medalhado que aparece na foto não é o de um veterano, mas o do príncipe Carlos de Inglaterra.

Ó diabo! não será mau gosto esta exibição medalhística, numa cerimónia em que as medalhas dos antigos combatentes assinalam, no mínimo, a sua presença na campanha que levou à vitória sobre a Alemanha, representando muitas vezes a participação em batalhas, ferimentos em combate, actos relevantes heróicos ou abnegados debaixo de fogo, etc, etc?! Ora as medalhas do príncipe, se bem que, certamente, conferidas regularmente (e, se calhar, com mérito) referem-se a actos de militar "de aviário", serviços distintos, comportamento exemplar, medalhas atribuídas por países estrangeiros, medalhas comemorativas, etc, etc, etc.

Não será de um mau gosto extremo o controverso príncipe aparecer nas comemorações do dia D com o peito coberto de medalhas "desse tipo"?

Certamente que sim, para além de o cobrir de ridículo...

Friday, June 05, 2009

CONFRARIA DA PUNHETA DE BACALHAU (E ESTA, HÃ?!)

Ouvindo a Antena 1, esta manhã, nem queria acreditar: foi criada e vai ser oficializada em Cacilhas a Confraria da Punheta de Bacalhau, pela mão (tinha mesmo de ser pela mão...) de Hernani Magalhães (veja no Público ).

A confraria já conta com 30 punheteiros.

Estou com uma certa curiosidade para ver qual será a farpela que irão escolher. Can you guess?...

Hernani Magalhães referiu que "A confraria não quer combater nada nem ninguém mas apenas afirmar a Punheta de Bacalhau como uma das marcas portuguesas, procurando preservar a gastronomia de elevada qualidade, sem preocupações estéticas".

Concluiu com um sonoro e vibrante:

"A punheta é do povo!"

Lindo!!!

Monday, June 01, 2009

ODE AO POETA ARY DOS SANTOS - Le Cul

video

Atenção: a ode não é o poema que se transcreve a seguir, que é do Ary dos Santos. Para ouvir a ode, declamada, clique no botão de PLAY, na imagem acima.

  • A cidade é um chão de palavras pisadas
  • a palavra criança a palavra segredo.
  • A cidade é um céu de palavras paradas
  • a palavra distância e a palavra medo.
  • A cidade é um saco um pulmão que respira
  • pela palavra água pela palavra brisa
  • A cidade é um poro um corpo que transpira
  • pela palavra sangue pela palavra ira.
  • A cidade tem praças de palavras abertas
  • como estátuas mandadas apear.
  • A cidade tem ruas de palavras desertas
  • como jardins mandados arrancar.
  • A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
  • A palavra silêncio é uma rosa chá.
  • Não há céu de palavras que a cidade não cubra
  • não há rua de sons que a palavra não corra
  • à procura da sombra de uma luz que não há.

Ouça este poema musicado e cantado pelo Zeca Afonso.

O Ary dos Santos foi um dos maiores poetas da segunda metade do século XX e a sua morte prematura impediu que a torrente impetuosa, expressiva e profundamente humana que brotava da sua pena continuasse a dar-nos poemas belíssimos como o que acima vos deixei.

O PODER DOS TRIBUNAIS RABÍNICOS - MUDOU ALGUMA COISA?

Relendo coisas antigas, se bem que recentemente transplantadas para o presente num processo que tenho vindo a empreender, dei de caras com um fait divers de que já não me lembrava: é sobre um tipo que esteve 32 (trinta e dois!) anos preso à ordem do conde Vintém (perdão, de um tribunal rabínico) por se ter recusado a dar o divórcio à sua cara metade (veja aqui ).

O caso, já quando foi noticiado, naquela altura, me pareceu uma aberração completa num país em que a democracia funciona (e bem) há décadas. Como é possível uma interferência tão grosseira e prepotente na vida de um cidadão, num país como Israel?

Na net só encontrei um link sobre o assunto, que apenas dá umas dicas sobre o ponto de vista da ortodoxia judaica: o Yehia foi um herói que se sacrificou para que a lei de Deus fosse cumprida e o matrimónio se mantivesse indissolúvel (como Deus, aparentemente, quer): clique aqui, e procure lá para o final do texto .

Alguém me dá alguma achega sobre isto?

Thursday, May 28, 2009

LE GRAND DISEUR DU BOCAGE, MOI MÊME! TARÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃNNNNNN

Oiça uma versão curta (não quis ler, só disse o que a memória debitou) do Um tabelião caduco do Bocage.

No youtube tem mais umas coisinhas...

Monday, May 25, 2009

A PEIXEIRADA DO DIA

A peixeira e malcriada da Manuela Moura Guedes apanhou pela frente finalmente um gajo que não teve papas na língua nem receio de ficar mal na fotografia.

Não percam o filme da peixeirada.

Clique aqui

Saturday, May 23, 2009

O DECLÍNIO DO DANDY - ANTÓNIO BOTO, O BEATO

Toda agente conhece (ou pensa que conhece) António Boto, poeta da primeira metade do século XX, a quem são atribuídos poemas eróticos do tipo do "Nunca te foram ao cu nem às perninhas, aposto..." e das "Balofas carnes de compridas tetas caindo aos montões em duas mamas pretas..."

Estava eu a preparar uns sketches para meter no youtube (aqui vai um) quando me lembrei que o António Boto (o roto, como diz o Toni Ferreira, sempre mordaz) tinha um poema dedicado ao cardeal Cerejeira que me apetecia incluir no sketch, como exemplo do que a velhice e o medo da morte podem fazer à sanidade mental de um indivíduo.

Procurei ali na estante dos livros e desenterrei um livro de poemas (As Canções de António Boto, com um artigo de Fernando Pessoa sobre o autor, à guisa de prefácio), sem nada de especial a assinalar, mas eu não sou nada versado nestas matérias...

Desenterrei também na secção sobre Fátima, um palmo de prateleira, o livro onde está o tal poema.

O livro, Fátima poema do mundo, é uma enfiada de sabujices à Igreja e em particular ao cardeal Cerejeira, de quem obteve o imprimatur (precisava?!) e a quem o autor dedica o tal poema, um soneto com um ritmo muito bem conseguido, um verdadeiro desperdício para o tema que tratava... (pode ouvi-lo aqui)

Pesando o que li (em diagonal, claro) e dando uma volta pela net (veja, por exemplo, aqui ), ficou-me a ideia de que talvez o homem não se tenha degradado com a idade, mas tenha sido sempre "assim", mais a dar para o beato (lá por ser larilas não podia ser beato?!), com uns arroubos de libertinagem desde a juventude, que o temor a Deus, à Nossa Senhora e à Santa Madre Igreja não conseguiram castrar totalmente.

Já a mão de ferro de Salazar, que o expulsou da função pública, parece ter sido mais eficaz. O desterro no Brasil, a pobreza e a doença poderão ter feito vir ao de cima e refinar o lado beato do escritor.

Vitorino Nemésio dedicou-lhe um poema no qual figura, à guisa de epitáfio:

Ai, pobre de António Boto

Tão dandy naquele Chiado!

Antes sujinho, antes roto

Que suspeito condenado!”.

Vitorino Nemésio talvez tenha sido mauzinho ao usar a palavra roto, sabidamente ambígua. O que seria uma injustiça, já que António Boto não cultivava a ambiguidade, tão em voga entre os "artistas" dos nossos dias, antes se dizia o único homossexual assumido de Portugal...

LUANDA - ADEUS SAUDOSISMO, OLÁ FUTURO

Clique AQUI se quiser aceder a desenvolvimentos no post LUANDA - adeus saudosismo, olá futuro.

E, claro!, é muito bem vindo se quiser participar com o seu ponto de vista sobre a nossa colonização exemplar.

Vá lá não se limite a espreitar, escreva, diga de sua justiça mesmo achando que sabe muito mais (porra!...) que nós todos juntos, pobres ignorantes que ousamos esgravatar a terra com o nosso pauzinho e escrever umas garatujas dispersas.

Exponha-se, não se esconda!

TORTURA TALIBAN

Foto enviada pelo meu amigo João (onde é que raio ele as descobre?!)

Andam o Obama e os seus seguidores intelectuais da costa leste preocupados com o water boarding; andam os PC's e outros "anti fascistas" agitadíssimos para que não se apaguem as memórias das terríveis torturas a que foram sujeitos (a estátua e a privação de sono)...

Vê-se mesmo que não fazem a menor ideia do que seja tortura "a sério"!

Outra versão diz-me que o senhor na foto é anormalmente pouco membrudo, tendo adoptado esta terapeutica para corrigir o defeito.

Como diria o diácono Remédios aos alunos mal comportados, "Estico-te, pá, estico-te!".

Saturday, May 16, 2009

A PARQUE EXPO 10 ANOS DEPOIS DA EXPO 98

Cliquem nas imagens para as ampliar

Mais de 10 anos depois de encerrada a EXPO 98, podemos dizer que o que dela ficou, o Parque das Nações, a Parque EXPO ou como se lhe queira chamar foi das melhores intervenções urbanas de que Lisboa já beneficiou.

Desde que o Marquês de Pombal fez reconstruir a baixa, cujo estilo acabou por recebeu o seu nome, sobre os escombros de 1755, não se fez nada melhor que a Parque Expo.

Claro que muita gentinha preferia a zona oriental "como estava" ou preferia uma intervenção "diferente".

Pois, mas a que se fez foi esta, continua a haver espaço à brava para construir, com taxas de ocupação relativamente baixas, com espaços verdes generosos e (espantem-se!) bem tratados.

O passeio público à beira rio já se estende da Torre Vasco da Gama, à qual se "encosta" agora um hotel , até para lá da estátua da rainha Catarina de Bragança (rainha de Inglaterra, princesa de Portugal) é muito agradável e tranquilo, bom para passear, parar a olhar o rio ou o verde dos espaços entre este e os edifícios, namorar, ler, meditar.

A foto não faz justiça ao hotel: já vai nos 20 andares e ainda não parou de subir; a foto tem um bom par de meses.

Também dá para ir de bicicleta até à zona ocidental da Expo, ali na zona do Cervejanário.

Este já teve melhores dias, quer na comida quer no serviço: alguns dos empregados/as parecem mais arrumadores e drogadinhos que empregados de uma casa (que ainda é) conceituada.

A última vez que lá almocei, instintivamente agarrava a carteira quando uma sujeita muito esquisita se aproximava, como se esperasse que, no mínimo, me viesse pedir uma moedinha.

Uma pena...

Esta estátua é uma réplica da que esteve para ser "plantada" em New York, em Queens, com 10 m de altura.

Os pseudo intelectuais daquelas bandas, receando que os afro-americanos ficassem chateados por se estar a dar destaque a uma rainha "negreira" e esclavagista, fizeram imensa confusão para que a estátua fosse para outro sítio.

Acabou por não ser montada onde era suposto e aguarda agora ser refundida para aproveitamento do bronze.

Em nome do politicamente correcto que grassa entre as "elites" dos States.

Puta de sorte!

COMPRIIIIIIIIIDA, MAS BOA!

Mão amiga fez-me chegar esta delícia (claro que não fui eu que fiz!):

Mulher - Onde vais?

Homem - Vou sair um pouco.

Mulher - Vais de carro?

Homem - Sim.

Mulher - Tem gasolina?

Homem - Sim.... coloquei.

Mulher - Vais demorar?

Homem - Não... coisa de uma hora.

Mulher - Vais a algum lugar específico?

Homem - Não... só andar por aí.

Mulher - Não preferes ir a pé?

Homem - Não... vou de carro.

Mulher - Traz-me um gelado!

Homem - Trago... que sabor?

Mulher - Morango.

Homem - Ok... na volta pra casa eu passo na loja e compro.

Mulher - Na volta?

Homem - Sim... senão derrete.

Mulher - Passa lá agora, compra e deixa aqui..

Homem - Não... é melhor não! Na volta... é rápido!

Mulher - Ahhhhh!

Homem - Quando eu voltar eu como um contigo!

Mulher - Mas tu não gostas de morango!

Homem - Eu compro outro... de outro sabor.

Mulher - Assim fica mais caro... traz de ananás!

Homem - Eu também não gosto de ananás.

Mulher - Traz de chocolate... nós os dois gostamos.

Homem - Ok! Beijo... já venho....

Mulher - Ei!

Homem - O que é?

Mulher - Chocolate não... Flocos...

Homem - Não gosto de flocos!

Mulher - Então traz de morango pra mim e do que quiseres pra ti.

Homem - Foi o que eu sugeri desde o princípio!

Mulher - Estás a ser ironico?

Homem - Não, não tou! Vou indo.

Mulher - Vem cá dar-me um beijo de despedida!

Homem - Querida! Eu já venho... depois.

Mulher - Depois não... quero agora!

Homem - Tá bom! (Beijo.)

Mulher - Vais no teu carro ou no meu?

Homem - No meu.

Mulher - Vai com o meu... tem leitor de cd... o teu não!

Homem - Não vou ouvir música... vou espairecer...

Mulher - Tás a precisar?

Homem - Não sei... vou ver quando sair!

Mulher - Não demores!

Homem - É rápido... (Abre a porta de casa.)

Mulher - Ei!

Homem - Que foi agora?

Mulher - Bolas!!! Que bruto! Vai, vai-te embora!

Homem - Calma... estou a tentar sair e não consigo!

Mulher - Por que queres ir sozinho? Vais-te encontrar com alguém?

Homem - O que queres dizer com isso?

Mulher - Nada... não quero dizer nada!

Homem - Que é... achas que te estou a trair?

Mulher - Não... claro que não... mas sabes como é?

Homem - Como é o quê?

Mulher - Homens!

Homem - Generalizando ou falando de mim?

Mulher - Generalizando.

Homem - Então não é meu caso... sabes que eu não faria isso!

Mulher - Tá bem... então vai.

Homem - Vou.

Mulher - Ei!

Homem - Que foi, porra?

Mulher - Leva o telémovel, estúpido!

Homem - Pra quê? Pra ma estares sempre a ligar?

Mulher - Não... caso aconteça algo, tens o telémovel.

Homem - Não... deixa estar...

Mulher - Olha... desculpa pela desconfiança, estou com saudades, só isso!

Homem - Ok, meu amor... Desculpa-me se fui bruto. Amo-te muito!

Mulher - Eu também! Posso cuscar no teu telémovel?

Homem - Pra quê?

Mulher - Sei lá! Jogar um joguinho!

Homem - Queres o meu telémovel pra jogar?

Mulher - É.

Homem - Tens a certeza?

Mulher - Sim.

Homem - Liga o computador... tá cheio de joguinhos!

Mulher - Não sei mexer naquela lata velha!

Homem - Lata velha? Comprei-o o mês passado!

Mulher - Tá..ok... então leva o telémovel senão eu vou cuscar...

Homem - Podes mexer à vontade... não tem lá nada, mesmo...

Mulher - É?

Homem - É.

Mulher - Então onde está?

Homem - O quê?

Mulher - O que deveria estar no telémovel mas não está...

Homem - Como!?

Mulher - Nada! Esquece!

Homem - Tas nervosa?

Mulher - Não... não tou...

Homem - Então eu vou!

Mulher - Ei!

Homem - O que ééééééé?

Mulher - Já não quero o gelado!

Homem - Ah é?

Mulher - É!

Homem - Então eu também já não vou sair!

Mulher - Ah é?

Homem - É.

Mulher - Boa! Vais ficar aqui comigo?

Homem - Não ...tou cansado... vou dormir!

Mulher - Preferes dormir a ficar comigo?

Homem - Não... vou dormir, só isso!

Mulher - Estás nervoso?

Homem - Claro, porra!!!

Mulher - Porque é que não vais dar uma volta para espairecer?!?!...

Saturday, May 09, 2009

...E VIVA O 25 DE ABRIL

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Um bocado fora de tempo, aqui vai o artigo sobre o 25 de Abril, uma visão muito pessoal da coisa, publicado no último número, o 57, da revista da APOIAR .

Só agora publico aqui porque tinha primeiro que sair a revista.

Enjoy!

Wednesday, May 06, 2009

Os compadres alentejanos...

Só de alentejanos...

Dois compadres assaltaram um banco, fugiram de carro e, quando se julgaram a salvo, pararam numa estrada secundária a descansar.

Diz um: - Atão, aproveitamos para contar o dinhêro?

Responde o outro: - 'Nan vale a pena essa trabalhêra, compadre, logo no Telejornal dizem quanto é!

Pano rapidíssimo!

CARTAS DE CÁ - A pequena revista

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Se se interessa pela Índia, em particular por Goa, não como "a nossa querida Goa" do Botas de Santa Comba, mas como uma terra onde se desenvolveu uma cultura cruzada do português e do indiano, fortemente temperada por um cristianismo atípico, leia esta crónica que a P2 nos traz às quartas feiras.

Se quiser pitar bons petiscos goeses (também eles diferentes dos indianos...), num local tranquilo, com boa música de fundo, sem ruído de trânsito e com um estacionamento fácil em parque privativo, vá almoçar à Casa de Goa , na ruela que liga as Necessidades, a descer, a Alcântara, ao restaurante que o Sebastião (sim, sim, o do Cantinho da Paz e, antes disso, do saudosíssimo Velha Goa, junto ao jardim da Parada, em Campo de Ourique).

É bom que tenha algum tempo disponível para não estar a correr...

E, já agora, siga a sugestão do Paulo Varela Gomes e vá ao http://www.littlemag.com e "puxe-o" para os favoritos, para aceder, pelo menos, mensalmente.

Foi o que fiz.

A ver vamos os resultados que escorrem para aqui...

O FIM DO MEIO com Desidério Murcho

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Esta semana, o professor volta aos temas e textos que me enchem as medidas. Diz ele:

"... se os fins não justificam os meios, o que haveria de os justificar?!"

"... nada mais pode justificar os meio, excepto os fins."

"Quer-se dizer (...) que certos meios não justificam certos fins."

À medida que lia o texto mais me ia convencendo de que o homem é bruxo: é que o que ele escreveu (enfim quase tudo) é o que eu tenho rosnado em surdina sobre este assunto quando oiço a sentença professoral de que "os meios não justificam os fins".

Passo a palavra ao professor.

Como já não escrevia há algumas semanas,

READ THE MAN!

Friday, May 01, 2009

O 1º de Maio, os Maios e o mês que há de vir

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O 1º de Maio, passei-o em Lagos.

Nada de manifs com grunhos a provocarem grunhos e o Vital Moreira, com a sua figura de Avô Cantigas acabando por ser agredido por malta ressabiada (diz-se que) afecta à CGTP - ganda bronca!!!

Maio é um mês lixado, com o May day (festa dos trabalhadores), o 13 de Maio (peregrinação a Fátima), as Cantigas do Maio (e viva o Zeca!), o mês em que o Zé Bação foi mobilizado (Apaga Maio!! Apaga Maio!!) - a propósito, quem tiver o livro de poesia do Zé Bação Leal, edição muito pequena e, creio, não reeditado, que me diga o preço (you name it, you got it - dentro do razoável, claro).

Mas em Lagos o Maio é uma coisa muito delicada. É que cá na terra não há mês de Maio: a seguir a Abril conta-se o mês que há de vir, Junho, Julho, etc.

Há muitos anos, havia por cá uma festividade durante a qual um moç' era vestido e carregado de ouro, arrecadas, cordões, etc, etc (era um dos maluquinhos da terra, para evitar espertezas, se bem me entendem), e passeado em cima de um burro a mostrar a riqueza das gentes.

Seria um ritual pagão para atrair a prosperidade para o burgo? Alguém saberá, nanja eu.

O que consta é que um belo ano o atrasado mental vestido de Maio, assim se chamava ao personagem que montavam no burro carregado do ouro da terra, que, nesse ano, não era tão atrasado como lhe competia, quando apanhou o pessoal distraído e já avançado nos vinhos, medronhos e amarguinhas, picou o burro e pôs-se ao fresco com o ouro em cima do lombo.

O pessoal, olhando o burro com o falso def em fuga, exclamava (conta-se): quanto mais longe, mais loze! (forma deturpada de conjugar o verbo luzir)

Nunca mais voltou.

Daí p'ra frente, os lacobrigenses deixaram de ter mês de Maio e afinam nas horas quando alguém lho lembra, refere o mês que há de vir ou exclama "mó' dieb', quanto mai' longe mai' loze!!!"

No 1º de Maio, é tradição os lacobrigenses engendrarem uma espécie de espantalhos, uns mais trapalhões, outros mais elaborados, e plantarem-nos à porta (ou à janela), em memória do mês que lhes fugiu.

Os exemplares que mostro foram fotografados hoje, em Lagos que corri seca e meca à caça deles.

De tão poucos fica-me a convicção de que a tradição já não é o que era...

Tuesday, April 28, 2009

Pensar outra vez - EXPLORAÇÃO DO PROLETARIADO

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Desidério Murcho discorre hoje (caderno P2 do Público)sobre os que pretendem que o Estado alimente as suas actividades pouco ou nada rentáveis, ainda que muito meritórias e socialmente relevantes.

Depois de ter marcado o terreno, na crónica da semana passada, fazendo a distinção entra a falsa esquerda e a verdadeira esquerda, toca a dizer que são falsos esquerdistas os intelectuais que pretendem ser dever do Estado (leia-se de nós outros, pagadores de impostos) financiar as suas estimáveis actividades.

Claro que são actividades intelectuais altamente meritórias mas, infelizmente, pouco ou nada interessantes para os campónios, proletas e quejandos, tão brutos agora que têm diploma da escolaridade obrigatória, carro, casa e senhora como eram quando analfabrutos, pé descalço e vivendo numa parte de casa ou numa barraca de bairro da lata.

Com a devida vénia ao Professor, permito-me discordar: um tipo de esquerda (verdadeira!) ou de direita (católico e praticante) pode ser candidato a abancar à mangedoura do Estado numa infinidade de funções e atitudes, continuando a prezar os valores superiores da esquerda ou da direita com solenidade, coerência e até proveito. Até me parece que os esquerdista da nossa praça, de papel passado e créditos firmados (Mário Soares, etc; desse género) têm precisamente essa visão em relação a uma coisa que eles chamam a Kultura.

A menos que se armadilhe o terreno, definindo a esquerda como a casa de todas as virtudes...

O que ela, decididamente, não é!

Sunday, April 26, 2009

CLUBE DAS VIRGENS... What?!!!!!!

Visite o blog do clube das Virgens mas sem malícia, sem malícia...

E visite também o clube das Relaxadas que tem pinta de ser interessante.

As imagens foram tiradas do suplemento P2 do Público de hoje

A donzelinha de 26 aninhos, ali ao lado, teve a ideia peregrina de fundar um clube de pessoas que, assumidamente, perfilham a mesma opção de vida (?): a virgindade ou, se preferirem, a donzelice, como diria o grande e saudoso Odorico Paraguaçu. Veja mais este sketch e delicie-se: a personagem (da telenovela O Bem Amado) era, de facto, espantosa, com um vocabulário pitoresco e muito, muito divertido.

Deixo aos meus queridos leitorzinhos a tarefa de imaginarem como serão os estautos do clube, nomeadamente como evitar que pessoas que já não estão como nasceram se inscrevam no clube para, desse modo, ganharem, perante a família, perante um futuro pretendente, um estatuto recauchutado.

Amanhã, no Porto, realiza-se um congresso sobre o desejo. A menina vai participar numa mesa redonda cujo tema é "O desejo do não desejo"!

Bem, vou mas é ver As donas de casa desesperadas que sempre são umas gajas reais, um bocado maradas mas maradas dentro do real.

O desejo do não desejo?! Give me a break!

Isto está lindo, está!

Saturday, April 25, 2009

O 25 de Abril e o cauteleiro membrudo

Um cauteleiro, figura típica de antes do 25 de Abril, andava com a pasta debaixo do braço, com algumas cautelas, cientificamente colocadas, meio expostas para atrair os incautos.

O cauteleiro entrou num pequeno mictório público onde se encontravam já vários utentes.

Chegando-se ao único posto disponível, o cauteleiro fez os preparativos da ordem e começou a função.

Nesse momento, olhando distraídamente (disfarçadamente?), o vizinho do lado reparou que o cauteleiro era excepcionalmente dotado, um verdadeiro Príapo.

De espantado que ficou, o vizinho deixou de disfarçar e fitou descaradamente as partes pudibundas e desmedidas do cauteleiro, com ar de quem estava a ver um disco voador, ou uma baleia na via pública ou, como era o caso, um verdadeiro nabo do Entroncamento.

Como a pasta (donde as cautelas espreitavam) estava do lado do espantado vizinho, o cauteleiro interpretou mal o olhanço e perguntou:

- Ó freguês, vai a taluda?

- Porra! Nem a aproximação! - foi a resposta .

25 de Abril - tudo é relativo

Para os comunas proletas, os PC's, mais os comunas caviar, os BE's, o "espírito" de Abril" perdeu-se nos meandros do PREC e levou a machadada final no 25 de Novembro.

Para os democratas (percebem a diferença, a dicotomia, entre comunas e democratas?) o espírito de Abril, se algum houve, recuperou-se no 25 de Novembro.

Uns choram hoje o falhanço da sua sociedade sem classes tendo a Sóvia e as "democracias populares" por modelo; os outros saúdam o que ficou do 25 de Abril: a Liberdade e a Democracia (ou pelo menos o fim da ditadura), o fim da guerra, a normalidade de vida que nos levou à integração na Europa.

É tudo uma questão de ponto de vista.

Mas vamos ao que interessa, que o 25 de Abril é um fait divers com 35 anos ao qual os putos (felizmente) não ligam nenhuma: "O quê? não podiam votar nem ler um jornal qualquer e vocês iam nisso, vocês deixavam?! Gandas tansos!" - realmente não cabe na cabeça de ninguém que a normalidade actual alguma vez tenha estado suspensa de um Estado Novo qualquer ainda por cima com um campónio de sacristia à frente...

Ouçam esta (também via Lam):

Ao fim da tarde, um ginecologista aguarda a sua última paciente, que não chega.

Depois de 30 minutos de espera, ele supõe que esta já não virá e resolve tomar um gin tónico para relaxar antes de voltar para casa. Instala-se confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campaínha. É a paciente que chega, toda esbaforida, e a pedir desculpas pelo atraso.

- Não tem importância - responde o médico. - Olhe, eu estava a beber um gin tónico enquanto a esperava. Quer um também para relaxar um pouco?

- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada. Ele serve-lhe um copo, senta-se na sua frente e começam a conversar sobre banalidades. De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:

- A minha mulher! Rápido, tire a roupa e abra as pernas!

Na vida tudo é tão relativo!!...

Thursday, April 23, 2009

OTELO CORONEL - ERA MESMO O QUE ME FALTAVA...

ACTUALIZAÇÃO:

Afinal o grunho acha que é pouco (perto de sessenta mil euros de retroactivos) e que devia ter sido promovido com retroactivos a 1986, quando os seus colegas de curso foram promovidos.

Será que este grandecíssimo cabrão não se enxerga?!

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O general Otelo, como lhe chamava a malta da extrema esquerda aí pela UDP, grupelho de Mendes, PUP, GDUP's e quejandos, o general Otelo, dizia eu, foi promovido a coronel. UAU!!!!

A promoção deveu-se a um suposto prejuízo que o "capitão de Abril" terá sofrido na sua carreira militar por ter estado metido no 25 de Abril.

Quem viveu (ou, pelo menos, assistiu com alguma atenção) os 10 anos do pós 25 de Abril apercebeu-se, certamente, de duas coisas:

Primeira, que o Otelo ganhou, com o 25 de Abril, uma projecção que nunca teria tido se tivesse permanecido à margem do golpe e do PREC que se lhe seguiu;

Segunda, que Otelo foi muito prejudicado na sua carreira militar (e cívica) por se ter ligado (de motu proprio) a movimentos de extrema esquerda e ter estado envolvido na rede bombista das FP 25 de Abril.

Assim, se Otelo tivesse sido um Abrilista com juízo tinha-se reformado como major general ou mesmo tenente general; como a cabecinha tonta o empurrou para o anarco-bombismo, lixou-se. Bem feita!

A lei da reconstituição das carreiras prejudicadas não lhe é, claramente, aplicável.

Só falta mesmo reconstituirem a carreira do major Valentim Loureiro, expulso do exército por se locupletar com as verbas para o rancho dos soldados e "perdoado" ao fim de muita insistência.

Mas se o louco e bombista do Otelo foi promovido, por que não também o guloso e tarado do Valentim?! Assim como assim só fez os soldados comerem pior, enquanto que o Otelo e os seus bombistas foram responsáveis por roubos e assaltos, incluindo vários crimes de morte.

Isto está bonito, está...

Tuesday, April 21, 2009

A MAIS ANTIGA PROFISSÃO

Com a devida vénia ao meu amigo Toni Ferreira, aqui fica esta pérola que ele me enviou:

"Dizem que a profissão mais antiga do mundo foi a prostituição.

Não posso concordar. Até porque não havia dinheiro quando o mundo começou e se para o homem bastava dar com uma moca na cabeça da mulher e arrastá-la para a sua caverna, porque carga de água haveria de pagar?

Dizem então que a primeira profissão deve ter sido um dos trabalhos mais básicos, como agricultura ou caça. Embora concorde que tenham sido das primeiras profissões, não creio que tenha sido a primeira , até porque no início não havia ferramentas para agricultura nem armas para caçar.

Sugerem então que tenha sido o ensino. Mas para ensinar é preciso aprender. É a história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Neste caso, o estudante ou o professor. Ninguém nasce ensinado, logo teria de estudar primeiro.

Mas no início não acredito que o homem tenha partido para esta actividade assim de arranque.

Temos de nos colocar na pele desse primeiro homem para perceber. Então, o homem aparece. Um homem, Adão, sozinho, sem saber o que fazer.

Qual a sua primeira iniciativa?

Obviamente, coça os tomates .

Assim sendo, a primeira profissão do mundo foi claramente...

funcionário público! "

Esquerda, direita, um, dois...

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O prof Desidério perde-se hoje em reviravoltas para nos mostrar as virtudes da esquerda, as desvirtudes da falsa esquerda (ou o mais fino faux gauche) e os vícios da direita cujos "membros" não podem "...concordar com os ideais da esquerda genuína: que a racionalidade não é mera expressão de interesses e que é irracional proteger os interesses dos endinheirados contra os interesses dos despojados".

Daqui se depreende que quando um rico e um pobre vão a um tribunal da esquerda genuína, o interesse do "despojado" prevalece sempre sobre o do "endinheirado". Muito instrutivo!

Eu até posso pensar que percebo o que o prof quer dizer; mas o que ele de facto diz é que onde está a Virtude, aí está a esquerda. Onde a Virtude falta, aí reside a direita ou, quando muito, a falsa esquerda, onde a Virtude escasseia.

E viva o Kamarada Enver Hoxcha, Grande Líder!!!

NOKIA "PISTOL" - o telemóvel 100% seguro

O meu velho colega Lam, que nas últimas semanas me aparece com frequência na caixa do correio, divulga este interessante e seguríssimo modelo de telemóvel que a Nokia acaba de lançar.

Um verdadeiro multifunções!

Monday, April 20, 2009

Surpresa às 4 da matina

Quem havia de me dizer que eu tenho um mano que é um alto kota nas FAPLA?!

Isto assim, às quatro e meia da matina, até parece bruxedo, efeito dos copos ou coisa do género...

Ói mano, um dia destes vou até Luanda e talvez a gente se encontre.

Sunday, April 19, 2009

VIOLÊNCIA NA NOITE - ESPANCAMENTO OU EXECUÇÃO?

video

Se bem que este filme seja de Junho de 2008, só há pouco mais de uma semana o recebi. Trata-se de uma filmagem por uma câmara de vigilância, no Porto, e mostra um grupo de gandulos, pelo menos oito, a espancarem um outro tipo.

Ele tenta fugir mas é apanhado na entrada de um bar, dominado, espancado a pontapé (toda gente molha a sopa), cai no chão onde fica quase imóvel, sem sequer assumir a habitual posição fetal de defesa - fica de barriga para o ar, pernas esticadas e unidas, braços esboçando gestos vagos que não chegam para amortecer a chuva de pontapés (quase todos na cabeça) dados com balanço e num alvo imóvel.

A partir de certa altura, o cabecilha (ou, pelo menos, o que, desde o início parece ter o exclusivo das iniciativas) faz um gesto afastando ou outros e passa à finalização da execução.

Salta a pés juntos sobre a cabeça da vítima (foto abaixo), dá-lhe vários pontapés, com balanço, na parte lateral da cabeça, após o que se afasta e vai embora.

Da tal entrada do bar, de onde, durante a execução, alguém espreita de tempos a tempos (ver foto acima), sai um indivíduo que, aparentemente terá presenciado, de muito perto, toda a acção.

Não faço a mínima ideia do que se passou antes para gerar esta sede de vingança, ou esta determinação para executar (or else), mas o que me impressionou foi o cuidado posto pela generalidade dos intervenientes em bater "onde dói mais", na barriga e na cabeça, apontando cuidadosamente e tomando balanço como um futebolista que vai fazer um remate ao qual quer imprimir a máxima força. Uma verdadeira execução.

A não intervenção dos mirones não me espanta: contra uma verdadeira matilha daquelas, quem é que quereria ver-se no papel de vítima.

Está quieto!

De Junho a esta parte o que se terá passado? A vítima morreu? Os agressores foram identificados e processados?

Alguém me sabe dizer?

Thursday, April 16, 2009

SEM EIRA NEM BEIRA - A NOVA DOS XUTOS

Se ainda não ouviu a nova canção de protesto (é isso, certo?) dos Xutos & Pontapés, ouça agora: é só clicar Sem eira nem beira .

Parece que o Sócrates pensa que é com ele.

Será?!

"Senhor engenheiro,

dê-me um pouco de atenção

há dez anos que estou preso

há trinta que sou ladrão

mas eu sou um homem honesto

só errei na profissão!"