O Governo apresentou em tempo record o seu programa ao Presidente da A.R. o que, afinal, não era difícil: é uma simples copy and paste do programa de candidatura às Legislativas, com muito pouco detalhe.
Dois sinais preocupantes
- o programa contém vários pontos de aumento de despesa, nomeadamente confirmação das SCUTs e subida das pensões, e nenhum de aumento ou recuperação de receita fiscal. Afirma que não vai descer impostos, nada diz sobre como vai arranjar mais (pelo menos) 800 milhões de Euros, que é a conta anual das SCUTs, sem o déficit subir e sem recorrer a receitas extraordinárias.
- o programa refere, mais uma vez, a revisão do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento).
Moral da estória: o Governo prepara-se para subir impostos para nos fazer pagar o seu regresso às SCUTs, não acha possível (nem fala nisso!!) melhorar a cobrança dos impostos e prepara-se para deixar o déficit subir esperando que a UE altere o PEC...
Maus presságios, desta vez, Zé Sócrates. É uma no cravo, outra na ferradura.

4 comments:
Isto é um disparate. O programa fala de combate à evasão fiscal e às fraudes.
É óbvio que esse combate conduzirá a aumento de receita fiscal.
(O comentário anterior tinha gralhas, pelo que foi apagado)
Todos os programas de governo, desde que lhes presto atenção, falam de combate à evasão e à fraude fiscal.
Não é disso que estou a falar. Falo de um empenhamento prioritário nessa luta, com medidas e objectivos concretos, com reflexos quantificados nas receitas e nas despesas orçamentadas.
O governo Barroso investiu no fim do sigilo bancário, no aumento dos efectivos das brigadas de inspecção fiscal, foi buscar um director geral de impostos, pago a peso de ouro, ao sector privado, impôs os pagamentos especiais por conta (PEC) em sede de IRC (é o que se faz há anos e anos com as retenções de IRS na fonte), fez incidir as auditorias fiscais sobre os grandes contribuintes, em vez de continuar a dirigi-las aletoriamente, desperdiçando meios com pequenos contribuintes.
Sem anúncio de medidas e objectivos concretos, temos o habitual blá blá blá.
Parece que o PEC foi mesmo revisto (falta só a homologação) e já se pode deficitar à fartazana.
O novel Ministro das Finanças já se prepara para ir para lá dos 6%. Espero que tenha consciência que aumentar a dívida vai aumentar a contazinha para o seu serviço, não é verdade?
E gastar mais, deixar o deficit derrapar, vai mesmo fazer crescer a economia? Pelo programa socrático, fico com a ideia que vai é permitir maiores gastos em acalmar as hostes...
Temos que esperar e ir vendo.
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