Anda a circular na net um filmezinho que intercala declarações em que a Fátima Lopes (a modista) afirma que as peles que usa nos seus modelos são naturais, com cenas de faca e alguidar de animais a serem mortos ou, num dos casos, esfolados em vida.
A conclusão que se pretende que o espectador tire é:
a culpa é da Fátima Lopes e das pessoas como ela que usam peles obtidas daquela maneira selvagem.
O que até teria alguma razão de ser se não fosse o seguinte:
- Já é crime (há muito, muito tempo) maltratar animais;
- Já é crime, há não tanto tempo, caçar espécies protegidas;
- É legal importar, confeccionar, vender e usar vestuário feito com peles de animais (excepto espécies protegidas);
- A atitude da Animal é cega: é a mesmíssima em relação a animais selvagens (caçados) como em relação a animais criados em cativeiro para abate (ver o caso recente da criação de chinchilas);
Ou seja, para a Animal a questão não está em punir os prevaricadores (até foram filmados e a malta da Animal - ou da sua prima PETA - estava atenta, para conseguir uma cópia do filme, bom para a sua causa) mas impedir o uso de peles (de todas as peles), mesmo de espécies cuja caça está regulamentada, até de espécies criadas especificamente para abate.
Criar chinchilas para abate é o mesmo que criar frangos em aviário, ou vacas em vacarias ou porcos em suiniculturas, ou peixes em tanques para (e só para) servir a espécie humana. Mas há uma única diferença que a Animal explora: as chinchilas são ratinhos grandes, tão lindos, com uma pele tão sedosa (pois...), com um arzinho tão meigo.... logo, a Fátima Lopes é uma anormal! Brilhante conclusão, não é?!
A atitude da Animal é equivalente a querer que seja proibido o consumo de carne de vaca, caso viesse a público que alguns matadouros liquidavam os bichos à paulada ou os esfolavam em vida e, ainda por cima, acharem que a culpa era de quem gosta de bife do lombo!
Mas não pensem que estou a divagar. O que esta malta quer mesmo é, para além do fim das touradas (todas) e do uso de peles, que os animais sejam "deixados em paz", que os homens deixem de comer carne e peixe e que o leite só seja tirado às vaquinhas e os ovos à galinhas desde que elas consintam...
E quando aparecer a associação Vegetal (se é que não existe já), aí, então, estaremos lixados: só nos restará mesmo comer pedras!
Mas fica-me um pequeno gozo: a rapaziada da Vegetal dirá dos tipos da Animal (horrendos comedores de plantas) o que estes dizem agora de nós outros (horrendos comedores de carne e portadores de carteiras e casacos de cabedal).
Patetas!

5 comments:
Não podia estar mais de acordo com o engenheirozeco (desta vez, pelo menos) e digo mais:
Os activistas da Animal até tinham uma certa piada quando conseguiam que umas gajas aparessessem descascadas para a malta as cocar.
Isso, sim! Isso é que era uma manifestação com piada.
Mas querem que se deixe de ver touradas (com forcados a levarem cornada de três em pipa), de comer carne e de usar peles, devem estar mas é a sonhar com ladrões.
A propósito, o casaco que o engenheirozeco usa na fotografia não é de cabedal? Olhe que parece!
Caro anónimo,
o blusão é de cabedal, realmente, mas proveniente de vacas transportadas segundo as normas comunitárias, abatidas sob fiscalização dos serviçoes veterinários do Estado, os coiros foram curtidos em estabelecimento fabril dispondo de ETAR própria, certificada pela APCER, tudo nos conformes.
Estou ao abrigo das iras da ANIMAL, espero...
Este é um assunto sério, em que está em jogo o respeito pela vida dos animais.
Gostavam que vos tirassem a pele para fazer casacos? Eu não gostava e certamente ninguém perguntou aos animais se gostam de ser tratados sem o respeito que merecem.
Parece que vivemos na idade da pedra, em que os homens andavam vestidos de peles.
Este é um assunto sério, de facto.
A Animal trata-o de modo panfletário e parcial, pretendendo ligar o uso de peles, note-se, o uso de todas as peles, aos tratamentos bárbaros a que alguns selvagens sujeitam animais.
A Animal actua como se não fosse perfeitamente legítima a criação de animais (galinhas, porcos, bovinos, caprinos, mas também chinchilas, crocodilos, avestruzes, etc) para o homem deles tirar o que lhe fizer jeito (carne, ossos, cartilagens, peles, penas, etc). Só não é legítimo infligir-lhes sofrimento desnecessário. É óbvio que matá-los para obter aqueles produtos é um acto necessário, por muito meiguinhos que sejam as chinchilas, os cabritos e os anhos.
A campanha contra a Fátima Lopes parece-me, assim, perfeitamente idiota, para além de oportunista: atacar uma pessoa tida por fútil, do mundo da moda e, ainda por cima, bem na vida e integrando o jet set costuma ser bem aceite pela populaça e pelos intelectuais "bem pensantes".
Estes últimos aplaudem entre dois arrotos e duas garfadas num suculento bife em sangue...
A Animal faz pura e simplesmente terrorismo ecológico e devia ser chamada à barra, no tribunal. É, no mínimo, difamação à pessoa de Fátima Lopes que, goste-se ou não, é uma estilista de renome.
Se eu fosse vegetariana não comeria frango...portanto, quem não quer peles que não as use... mas não insulte quem usa. Eu já gostei e já tive: um casaco comprido de vison, que acabei por dar e um curto, de raposa...com a idade, deixei de gostar por razões ecologistas e para não chocar quem tem fome, para estar de bem com a consciência... além do mais, eu sempre os usei com sapatilhas e calças de ganga... e percebi que era melhor usar casaquinhos de outro estilo...mais "leves", digamos.
A Animal que se limite a proteger os animais e não venha atacar os seres humanos, com direito à escolha pessoal....
Post a Comment