Monday, October 12, 2009

VILHENA E O ELOGIO À NOBREZA

Esta é a ilustração da capa;
e esta, da contracapa

Este fim de semana, ao visitar uma feirinha de bric à brac nas galerias da estação do Oriente e ao olhar, com desconfiança, umas mesas com livros velhos, na sua maioria sem grande interesse, dei com os dedos na preciosidade de que apresento estas imagens.

Nada mais nada menos que o Arre Burro, com o título alternativo (e muito mais apelativo) de Elogio da Nobreza de mestre José Vilhena.

Se tiver pachorra, nos próximos dias (ou fins de semana, whatever) scano o livro e publico-o aos bochechos.

O livro conta uma estória que ilustra o que é e como vive a nobreza indígena (referir "o que faz" é irrelevante...), ignorante, lúbrica, interesseira e completamente hipócrita - pelo menos, como o bom do Zé Vilhena no-la apresenta.

A Nobreza, com a sua carga de privilégios que lhe são devidos pela sua alta condição que a alcandora acima da plebe que a sustenta, alegre, serviçal e obrigada, é verdadeiramente a instituição que torna odiosa (ou, pelo menos indesejável) a monarquia.

Uma família real ainda se sustenta sem grande esforço, sem muitas chatices e com algumas vantagens (a estabilidade é apenas uma delas); mas manter uma Nobreza constituída por um sem número de calaceiros profissionais, incapazes e habituados a viver por conta d'outrem e a esbanjar à vara larga, à custa do trabalho alheio (dos plebeus...), isso sim constitui um esforço perfeitamente desproporcionado que manteve a populaça na mais negra miséria durante séculos.

Se a República serviu para alguma coisa terá sido para livrar o País dessa cáfila que medrava à sombra do Rei.

O Vilhena traça-lhe o retrato em pinceladas certeiras e implacáveis.

Bem haja por isso!

1 comment:

Nuno Resende said...

"Se a República serviu para alguma coisa terá sido para livrar o País dessa cáfila que medrava à sombra do Rei."
Desculpe-me a intromissão mas... vive em que república? Na Suiça? que eu sabe, mudou a cáfila, mas o cheiro é muito semelhante. Nobreza nunca implicou títulos, muito menos hereditariedade. Olhe à sua volta. Os Soares sucedem aos Soares. Os Azevedos, aos Azevedos. Mas ainda se isso fosso o pior... e a nobreza clientelista e partidária que existe? Acha que por não serem condes ou barões deixam de ser menos poderosos? Ou não têm privilégios? E o povinho borracho, lúbrico e palerma que o Vilhena construiu regala-se com essa nobreza sacada dos bancos da escola pelos partidos. Basta abrir os jornais e as revistas.