Vindo do Brasil (donde mais?...) um ator, um tal Marcos Fayed, acaba de criar um blog com um nome praticamente igual a este.
Foi preciso esperar quase 10 anos, eheheh!
Saturday, March 08, 2014
DANIEL OLIVEIRA - AGRADÁVEL SURPRESA!
É impressionante como uma pessoa nos pode surpreender (e muito, e muito agradavelmente!) bastando para isso sair dos temas habituais (a crise, o "desgoverno" que está a destruir o País, os governantes - todos incompetentes - a austeridade, culpa de todos os males, etc, etc, etc).
Pelos bocados que oiço de longe em longe da Quadrilha do Mal (não é quadrilha mas é como se fosse e o Daniel nem é o pior...) e do que leio em diagonal larga na coluna que mantém no Expresso, a minha opinião sobre o cidadão Daniel Oliveira dificilmente poderia ser pior.
Mas a verdade é que, ao passar da diagonal larga para a estreita e desta para a leitura integral da coluna do Expresso de hoje fiquei a saber que o Daniel, quando deixa a guerra habitual contra os malandros dos ultra-neo-liberais até é capaz de alinha duas ideias, assentes em conhecimento do assunto (antigo ou trabalho de casa bem feito) e produzir uma análise da questão Ucraniana, em particular da Crimeia, e das posições americana e "europeia".
Leiam que vale a pena.
... e percebam por que é que eu tenho olhado a "revolução ucraniana" com muita desconfiança e vejo o avanço da Rússia na Crimeia com naturalidade e aplauso.
Pelos bocados que oiço de longe em longe da Quadrilha do Mal (não é quadrilha mas é como se fosse e o Daniel nem é o pior...) e do que leio em diagonal larga na coluna que mantém no Expresso, a minha opinião sobre o cidadão Daniel Oliveira dificilmente poderia ser pior.
Mas a verdade é que, ao passar da diagonal larga para a estreita e desta para a leitura integral da coluna do Expresso de hoje fiquei a saber que o Daniel, quando deixa a guerra habitual contra os malandros dos ultra-neo-liberais até é capaz de alinha duas ideias, assentes em conhecimento do assunto (antigo ou trabalho de casa bem feito) e produzir uma análise da questão Ucraniana, em particular da Crimeia, e das posições americana e "europeia".
Leiam que vale a pena.
... e percebam por que é que eu tenho olhado a "revolução ucraniana" com muita desconfiança e vejo o avanço da Rússia na Crimeia com naturalidade e aplauso.
Tuesday, March 04, 2014
JOSÉ V. MALHEIROS - VARIAÇÕES SOBRE "PORTUGAL ESTÁ MELHOR MAS AS PESSOAS ESTÃO PIOR"
O jornalista cuja fachada mostro escreve para o Público crónicas inflamadas sobre as horrorosas maldades que a direita neo-liberal faz ao País (às pessoas, entenda-se) e as pérfidas intenções que escorrem de cada gesto, de cada palavra, de cada pensamento dessas horrorosas criaturas.
O Vitor Malheiros, desse eminente cidadão trato neste texto, divaga hoje sobre a tenebrosa frase do lider da bancada do PSD na AR, que tanto tem virado do avesso as mentes dos cidadãos da esquerda, delicadas e escassas de imaginação:
"O País está muito melhor, mas as pessoas estão pior". Mais coiso, menos coiso, terá sido isso. Que horrorrrrrrr!!!!
Claro que não sei exatamente o que é que o Monterroso queria dizer mas aposto singelo contra dobrado (é assim?) que é o óbvio:
1. a economia está a caminho do equilíbrio das contas (caminho looooongo mas que é preciso iniciar), o desemprego está a cair há quase um ano, temos saldo comercial em vez de deficit (pela primeira vez em 70 anos), subimos uns furos no ranking da competitividade, etc, etc - logo o País está melhor.
2. Isso foi feito à custa de apertar o cinto, cortar em tudo o que era excesso, também etc, etc, etc, logo as pessoas, nós outros, estamos pior, menos folgados, com menos para gastar.
Nem se percebe como (raio) se pode sair de um buraco, quase na bancarrota, gastando todos os anos mais de 10 mil milhões de Euros a mais (e endividando-nos em conformidade) sem apertar o cinto, sem empobrecer alguma coisa.
Foi assim nos últimos resgates também eles fruto das políticas "expansionistas" da esquerda (por acaso estávamos muito pior, a coisa "doeu" mais) como raio não seria neste?!
Mas a leitura que o pobre diabo do Malheiros faz de tão óbvia frase é um colosso de "processo de intenções", de imaginação polarizada e tendenciosa. Leiam e aprendam como se faz.
"(...) Mas então que país é este que está “muito melhor” e que não são as pessoas? É simples: o “país” de que fala Luís Montenegro não é o nosso país. O “país” de que fala Luís Montenegro não é Portugal.
O país” de que fala Luís Montenegro é, simplesmente, o capital.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que “A vida dos trabalhadores não está melhor, mas a vida do capital está muito melhor”.
Basta substituir estas poucas palavras para tudo bater certo.
A vida dos dirigentes do PSD está muito melhor (basta ver como se congratulavam todos no último congresso).
A vida dos dirigentes do CDS está muito melhor.
A vida dos banqueiros está muito melhor.
A vida dos grandes empresários está muito melhor.
A vida dos multimilionários está muito melhor.
A vida dos advogados que trabalham para o capital está muito melhor.
A vida dos empresários que baixam salários e despedem trabalhadores com o pretexto da crise está muito melhor. A vida dos empresários sem escrúpulos está muito melhor.
A vida dos empresários que vivem à conta das PPP está muito melhor.
A vida dos corruptos que nunca são condenados está muito melhor.
A vida dos que têm as empresas registadas na Holanda e o dinheiro nas ilhas Caimão está muito melhor.
A vida dos empresários da saúde que vêem as suas clínicas aumentar a facturação à custa da destruição do Serviço Nacional de Saúde está muito melhor.
A vida dos empresários da educação que vêem as suas escolas aumentar a facturação à custa da destruição da escola pública e dos subsídios do estado está muito melhor.
E depois, à volta destes, há um segundo anel de empresários de serviços de luxo, de serviços diferenciados” e “exclusivos”, que servem os primeiros, cuja vida está também muito melhor.
O que Luís Montenegro quis dizer foi que
“A vida do povo não está melhor, mas a vida da oligarquia que manda no país está muito melhor”.
Foi por isso que se congratulou. Porque ele faz parte dela.
Que isso constitua uma traição às promessas do PSD, à social-democracia que voltou a ter direito de menção no último congresso, ao interesse nacional, ao povo que o elegeu é algo que não preocupa Montenegro ou o PSD.
Como diz com honestidade o multimilionário Warren Buffett, “há de facto uma luta de classes e a minha classe está a ganhar”.
A diferença é que Buffett tem uma certa vergonha. E Montenegro não tem vergonha nenhuma."
jvmalheiros@gmail.com
Escreve à terça-feira (no Público)
Sunday, February 09, 2014
DANIEL SAMPAIO, AS DESIGUALDADES E OLHAR VESGO SÓ PARA UMA FACE DA MOEDA...
O meu saudoso amigo Eduardo Santos dizia, referindo-se à tineta dos nossos colegas de esquerda contra os ricos:
"O que é preciso não é acabar com os ricos, é preciso é acabar com os pobres!"
O triste texto do irmão do Jorge Sampaio, politicamente correto como tudo o que exsuda aquela mente brilhante, centra-se no horror de haver cada vez mais ricos e, ainda mais horrível, de os ricos serem cada vez mais ricos a ponto de os 85 mais ricos do mundo possuírem o mesmo que a metade mais pobre da população mundial.
Que coisa horrível!
Presumo que o que era porreiro para esta alma simples era sacar a riqueza a esses tipos pornograficamente ricos e "distribuí-la" pelos pobres.
Não interessa nada se com esse "saque" os ricos se vissem forçados fechar as empresas e atirar centenas de milhar para o desemprego nem que essa "distribuição", tão solidária, representasse apenas uns bifes e umas cervejolas para os tais 3.500.000.000 que constituem a metade mais pobre, em nada lhes mudando a vida e a pobreza.
Isso não interessa nada! O que interessa é a "moral" da coisa, a "solidariedade", a "distribuição equitativa" da riqueza...
Aos amantes destas tretas também pouco interessa se os ricos do nosso tempo herdaram as "fortunas" ou se as criaram com as ideias e o trabalho de uma vida, se na sua criação deram e continuam a dar trabalho a milhares ou milhões de pessoas se vale a pena, se interessa, ou não estimular o surgimento de outros milionários, de outras empresas, se mais "postos de trabalho".
Também não lhes interessa se os megamilionários do nosso tempo, enfim, muitos deles, estão envolvidos em atividades de solidariedade (sem aspas uma vez que envolvem o seu dinheiro e não o dos outros...), de combate à pobreza, de promoção da saúde (a fundação Chapalimaud não lhes diz nada, claro, e a Gulbenkian é um dado adquirido) - até certamente terão a subida lata de achar que isso é apenas "caridadezinha"...
E, last but not least, essas almas politicamente corretas, que adoram lançar o seu olhar de desprezo para cima dos ricos e para o aumento das desigualdades, não têm a honestidade, a hombridade, de reconhecer que este sistema que cria ricos e desigualdades também elevou e continua a elevar o nível de vida dos pobres (só a África, a Ásia islamizada e parte da América do Sul e Central tardam a apanhar a onda) que, comparados com os pobres da minha infância, de pobres só têm a etiqueta.
Mas isso (acabar com os pobres), isso é que não lhes diz rigorosamente nada!
Thursday, February 06, 2014
TAXA DE DESEMPREGO SEMPRE A CAIR EM 2013 - DESCULPEM-ME SER CHATO...
Não vi esta notícia no Público, vi a notícia e um gráfico (não este que aqui reproduzo) num noticiário da RTP 1 e não a vi reproduzida nos seguintes. Procurei-a com a box do MEO, andando para trás nos noticiários, mas não a localizei.
A baixa persistente e consistente da taxa de desemprego não é, pelos vistos, coisa que interesse tanto como a praxe. Há uns meses, quando "a coisa" começou, a esquerda afirmava, do alto da sua omnisciência, que era efeito da sazonalidade - que mais poderia ser, não é verdade?!
Com o evoluir da "coisa", a causa da baixa continuada da taxa de desemprego passou a ser a emigração. A emigração?! Será que esta malta não faz umas continhas (muito simples, garanto) antes de dizer bacoradas?
É claro que se tudo se mantiver e um desempregado emigrar, a taxa diminiu, certo. De igual modo, se um empregado emigrar em busca de melhores condições (e não são poucos...) a taxa sobre. Mas a sensibilidade da taxa a estes dois parâmetros não é igual.
Estou a falar de coisas estranhas? Façam lá as contas para ver qual seria a taxa de desemprego em Dezembro de 2013, partindo dos 17,3% de Dezembro 2012 e considerando apenas o efeito de 130.000 emigrantes desempregados terem ido buscar emprego alhures. Como os nossos "sábios" afirmam ser a causa da queda da taxa.
Sendo a população ativa (números de Nov 2012) 5.494.800 pessoas, sendo a taxa de desemprego em Dezemebro de 2012 de 17,3%, o número de desempregados era de 950.600 pessoas e o número de pessoas empregadas 4.544.200. Até aqui, nada de especial.
A taxa de desemprego em Dezembro de 2013 teria sido de 15,3% (ver coluna da direita do quadro ao lado), praticamente bate certo com o que diz o INE.
A sensibilidade da taxa de desemprego ao parâmetro "emigração de desempregados" calcula-se facilmente como (2ª coluna a contar da direita): quando 100.000 desempregados emigram, a taxa baixa de 17,3% para 15,8% ou seja baixa 8,9% (1,5 em 17,3); assim, uma saída de 100.000 desempregados faz a taxa descer 1,5 pontos percentuais.
Vejamos agora o que se passa quando os emigrantes são pessoas empregadas mas descontentes com o seu emprego, ou com o que ganham, ou com as perspetivas de futuro ou ... whatever.
Vejam o quadro ao lado, em tudo semelhante ao anterior exceto num pormenor: é que quando um empregado emigra, baixa a população ativa mas o número de desempregados mantém-se inalterada (recordem-se, coeteris paribus).
Moral da estória, quando um cidadão empregado emigra, a taxa de desemprego sobe. A coluna da direita mostra o que sucede se 100.000 empregados emigrassem: a taxa de desemprego sobe, mas nada que se compare com a descida da mesma quando os 100.000 emigrantes são desempregados. A sensibilidade da taxa ao parâmetro "emigração de empregados" é muito pequena, é da ordem dos 1,85%!
E qual teria sido o efeito se durante 2013 tivessem sido criados 100.000 empregos? Neste caso não há alteração da população ativa, o número de desempregados cai 100.000 e o de empregados aumenta 100.000. A nova taxa de desemprego teria caído para 15,5%. A sensibilidade da taxa ao parâmetro "criação de emprego" é 10,52%, ou seja, este é o parâmetro que mais influencia a taxa de desemprego, dos três cuja análise aflorámos.
Posto isto, é bom que recordemos que há muitos outros parâmetros em jogo. Sem termos dados mais precisos, estatísticas da emigração desagregadas que nos digam quantos emigrantes abandonaram um emprego para procurar outro "lá fora", quantos novos empregos foram criados, quantos foram "destruídos", quantos dos novos empregos foram "ocupados" por pessoas empregadas, que mantiveram o emprego anterior, etc, etc, etc, é pura especulação dizer que a causa da baixa continuada da taxa de desemprego foi devida a um único fator.
Fazê-lo é tentar confundir a realidade com o que desejaríamos que ela fosse.
Posto isto, é bom que recordemos que há muitos outros parâmetros em jogo. Sem termos dados mais precisos, estatísticas da emigração desagregadas que nos digam quantos emigrantes abandonaram um emprego para procurar outro "lá fora", quantos novos empregos foram criados, quantos foram "destruídos", quantos dos novos empregos foram "ocupados" por pessoas empregadas, que mantiveram o emprego anterior, etc, etc, etc, é pura especulação dizer que a causa da baixa continuada da taxa de desemprego foi devida a um único fator.
Fazê-lo é tentar confundir a realidade com o que desejaríamos que ela fosse.
Saturday, February 01, 2014
LUIS MOITA - UM OLHAR SOBRE O PASSADO
No ciclo de conferências que a Antena 1 tem estado a transmitir, pelos 40 anos do 25 de Abril, sobre tortura a presos políticos, ouvi hoje umas passagens (ouço rádio quase só no carro...) que me impresionaram vivamente.
O contraste com as narrativas em que se auto enaltecem os "heróis" (porque foram vítimas, muitos deles pouco ou nada fizeram de útil à sociedade) e se vituperam os algozes, transformados em monstros geneticamente diferentes de nós outros, incapazes (juramos nós e batemos no peito!) de matar uma mosca, quanto mais de arrancar-lhes as asas e deitá-las à lareira...
Luís Moita (lembro-me dele como o Padre Luís Moita, de antes do 25 de Abril, na capela do Rato) foi muito sóbrio no que disse e o que me impressionou foram duas coisas (não tenho as palavras exatas), mais ou menos isto:
- não me importa muito quem eram os pides que me torturtaram, não retive o nome da maioria deles; se ou não tinham prazer no que faziam - provavelmente eram, no resto, pessoas normais, com uma vida normal, que ao fim do dia de serviço iam para casa, para a família...
- este é um tempo pós anti-fascistas e, no entanto, muitas pessoas continuam a legitimar muita coisa com o seu antifascismo..
O Luís Moita que me desculpe se não consegui reter as palavras exatas mas parece-me que o sentido não se perdeu.
Lembrei-me logo do "nosso" Mário Soares que, já no século XXI, na última aventura como candidato a PR, se descreveu a si próprio como o "anti-Salazar"! É muito triste quem não encontra, nos últimos 40 anos, (Salazar governou até 1968, ano em caíu da cadeira) qualquer coisa de bem feito para apresentar aos eleitores...
Quanto à primeira frase, não posso deixar de me lembrar toda uma geração de "antifaxistas" que ascenderam ao Poder por direito próprio (acho que é o que eles acham...) apenas pelo seu anti salazarismo que, as mais das vezes, se resumiu a levar umas bordoadas da polícia.
Ou, como o eterno Alberto Martins, levantar-se (em 1969, por amor da santa!!!) e dizer "peço a palavra"...
Sunday, January 05, 2014
RELAÇÕES PORTUGAL - GUINÉ BISSAU
O Público de hoje traz um artigo notável de Fernando Vaz, Ministro Ministro de Estado e da Presidência, porta-voz do Governo de Transição da República da Guiné-Bissau, que vos transcrevo a seguir, com a devida vénia àquela jornal.
Afinal, o atual governo em Portugal também devivou de um golpe de estado e que só dez anos depois do mesmo, com a abolição do Conselho da "revolução", a "palavra" foi devolvida por inteiro ao eleitorado.
"Sejamos claros: a Guiné-Bissau e Portugal estão “condenados” a entenderem-se. É muito mais o que histórica e afectivamente nos une do que o que pontualmente nos possa episodicamente separar. E isso é algo que nós, responsáveis políticos de ambos os países, temos obrigação de ter presente na nossa actuação, mesmo quando por vezes, em defesa dos interesses e das razões que assistem os nossos países, temos de aqui e ali falar mais alto ou de forma mais firme.
Mas uma coisa é defender os interesses que são nossos, expor as nossas razões e argumentos e exercer o legítimo direito à indignação; outra coisa é sermos permeáveis a interesses que não os nossos, virarmos costas aos princípios e sermos porta-vozes de outrem.
Vem isto a propósito do facto de ter existido quem, nos últimos dias, se tenha mostrado incomodado, quando não mesmo até aparentemente chocado, com a forma veemente como me vi forçado a defender a posição do meu país e o modo como levámos a cabo uma investigação célere e até agora conclusiva do incidente ocorrido com o avião da TAP no aeroporto de Bissau. Existe um ditado popular bem português que resume o sentimento dos guineenses no que diz respeito à verdadeira onda de mentiras, falsidades e até calúnias que se têm dito e escrito a propósito desse incidente — “quem não sente não é fi lho de boa gente”.
Ninguém que seja responsável, que tenha conhecimento do que realmente se passou com o embarque em Bissau dos 74 cidadãos sírios com destino a Lisboa podia fi car impávido e sereno perante a verdadeira campanha orquestrada que levou a que autoridades portuguesas, algumas até com vasta e reconhecida experiência política, sem que os factos tivessem sido ainda apurados e sem que tenham recolhido a informação minimamente exigível, se precipitassem em declarações que sou obrigado a rotular como francamente infelizes.
Ao longo destes meses, não fomos nós, guineenses, que tomámos atitudes hostis ou conducentes a um esfriar de relações entre os nossos países. Aliás sempre nos habituámos, mesmo nos momentos mais difíceis, a encontrar em Portugal um parceiro seguro na resolução dos nossos confl itos internos. Não é preciso recuar muito. Basta lembrarmo-nos do que se passou em 1998, aquando da guerra civil, e do papel fundamental que então o governo português e nomeadamente o seu ministro dos Negócios Estrangeiros Dr. Jaime Gama desempenhou. E como o fez — sem paternalismos, com um sentido de Estado e com uma sensibilidade e tacto irrepreensíveis e notáveis!
Curiosamente, este governo — e acreditem que foi uma surpresa para mim que conheço bem alguns dos seus principais “actores” — fez exactamente o contrário, preferindo tomar partido por uma das partes (no caso por um ex-primeiro-ministro em cujo governo e sem que tenha ocorrido qualquer inquérito ou pedido de investigação foi assassinado um Presidente da República em exercício e democraticamente eleito, dois chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas e vários políticos que se lhe opunham) e virando-nos as costas, pouco ligando aos interesses que são objectivamente os de Portugal e quebrando assim laços de séculos, numa atitude que ainda hoje, por muito que tente, não consigo entender.
Mas apesar disso — de o governo português ter optado por cortar todas as “pontes” com vista a algum diálogo —, o governo de transição da Guiné-Bissau (que, recorde-se, integra todas as forças políticas guineenses, incluindo o próprio PAIGC do primeiro-ministro deposto) esteve totalmente disponível para conversar com Portugal, obviamente em plano de igualdade e respeito mútuo. Por diversas vezes e vias tentámos chegar à fala com diversos responsáveis da cena política portuguesa.
Eu mesmo, durante as minhas passagens por Lisboa, desenvolvi diligências no sentido de me encontrar, a
nível particular e sem qualquer divulgação pública, com os meus homólogos; com um secretário de Estado da Cooperação; e com representantes do primeiro-ministro e do Presidente da República, a quem mostrei a intenção de expor o nosso ponto de vista sobre o que efectivamente se passa na Guiné-Bissau, esclarecer qualquer dúvida que pudesse existir e colher opiniões que nos pudessem ser úteis neste processo de transição. A única resposta que obtive, por interposta pessoa, foi do secretário de Estado, que me comunicou a disponibilidade de um responsável do Instituto Camões em receber-me.
Como se o objectivo da conversa que eu pretendia ter fosse discutir a entrada em vigor do Acordo Ortográfi co ou qualquer coisa do género...
Tem-se dito e escrito muitas mentiras sobre a Guiné-Bissau. Há quem se tenha deixado “embarcar” em campanhas que servem interesses que não são portugueses e que apenas utilizam Portugal como pretexto e instrumento. E isso a mim, particularmente a mim — que aqui vivi cerca de 30 anos, aqui estudei e onde me ligam especiais laços a vários níveis —, causa-me muita pena, até porque conheço bem algumas das pessoas que se deixaram instrumentalizar, sendo isso um péssimo serviço que estão a prestar a uma história e um percurso de séculos que temos em comum e que, embora aqui e ali possa ter sido marcado por alguns desentendimentos, soubemos sempre ultrapassá-los e superá-los. Como estou certo de que iremos ultrapassar e superar rapidamente. Exactamente em nome dessa mesma história e percurso que temos em comum! É esse o nosso desejo e sei — tenho a certeza — que é o desejo dos nossos Povos."
Thursday, January 02, 2014
GREVES & MANIF'S - PROVA DE VIDA DOS SINDICATOS
Leiam a coluna de João Miguel Tavares sobre a banalização da greve. Pela minha parte, só uma chamada de atenção: não são greves inúteis nem de brincadeira, são a verdadeira prova de vida dos sindicatos ou, pelo menos, prova de vida da sua costela política.
A costela sindicalista dos sindicatos, passe o pleonasmo, continua viva e útil: numa fase "esquisita" da minha vida profissional sindicalizei-me quase in extremis (e mantive-me sindicalizado até hoje) e há poucos dias recomendei vivamente uma pessoa que me me é muito cara que fizesse o mesmo, just in case...
Tuesday, December 31, 2013
PARQUE DAS NAÇÕES - VALEU BEM O QUE CUSTOU!
A zona oriental de Lisboa, anos antes da Expo 98, era uma zona industrial degradada, com lixo a montes, contentores escaqueirados, fábricas arruinadas, uma lixeira à moda antiga.
No limite norte, uma ribeira moribunda super poluída, o Trancão, não destoava da desolação dominante.
A decisão de candidatar Portugal (Lisboa, melhor dizendo) à realização da última feira mundial do século (há quem se ponha em bicos de pés e lhe chame universal - não foi, foi mundial) e a aposta forte em consegui-lo pode ter sido (e foi) polémica, a gestão dos dinheiros públicos, conseguida a escolha de Lisboa para realizar a Expo 98, foi polémica e não isenta de "casos" mais ou menos suspeitos. A distribuição de tachos, prebendas e sinecuras pelos amigos do Centrão foi quase um escândalo!
Mas a verdade verdadinha é que sem a Expo era mais que certo e seguro que não teríamos tido a ponte Vasco da Gama, não teríamos tido o combóio na 25 de Abril (previsto desde o início - até o túnel na margem sul estava feito...) e não teríamos a cidade nova, bela e verde, "amiga do rio", que temos agora.
Por mim (que não abichei um tusto com o negócio - mas tenho pena!), valeu a pena!
É pena os vulcões já não "explodirem" em jatos vigorosos, de tempos a tempos, mas a poupança de energia impõe-se...


Monday, December 30, 2013
SOLIDARIEDADE GERACIONAL E GUERRA AOS VELHOS?!!!!!
João Cravinho, um cromo de tomo na iconografia do PS, começa assim, como mostra a figura que junto, a sua coluna no Público de hoje, sobre o tema em título.
Fico perfeitamente panco como muito boa gente só parece pensar com os bolsos (ou com a bolsa) parecendo perfeitamente incapazes de produzir um pensamento que, por coincidência ou acaso, não coincida com os seus interesses - ou da sua bolsa.
Para desgraça minha (mas para meu descanso espiritual...) muito do que eu penso vai direitinho contra os meus interesses (ou os da minha bolsa). Deve ser eu que sou mazoquista...
É que eu acho que pertenço a uma geração que viveu de empréstimos (não pessoalmente mas como membro da sociedade) beneficiou de saúde, educação, auto estradas, estc, etc, etc, à borla ou quase e que, estando à beira dos 64 anos e a uns aninhos da reforma não imagina por que carga de água deve ser a geração do meu filho a arcar com a minha reforma a um nível perfeitamente irreal, muito superior ao que a suposta capitalização dos meus descontos proporcionaria.
Eu penso - contra mim o penso - que como reformado deverei continuar a contribuir para a recuperação das contas públicas, entre outras razões porque foi precisamente a minha geração que levou às ruas da amargura (e não a geração do meu filho).
Deixando-me de punhos de renda, é engraçado verificar que um cabrão como o Cravinho que beneficiou à grande e à francesa (muito mais do que eu) do descontrolo das contas públicas venha agora reivindicar que sejam as gerações seguintes que lhe paguem a choruda pensão e que esta seja intocada, que seja isento do esforço de recuperação das finanças públicas!
Que GRANDECÍSSIMO FILHO DE PUTA!!!!!!!
Sunday, December 29, 2013
CENTRO KULTURAL DO EX-CINEMA EUROPA!
A Junta de Freguesia de Campo de Ourique vai, finalmente, começar a tratar do futuro mini-centro kultural que funcionará (funcionará?!) no rés do chão do edifício contruído onde existiu o mamarracho do cinema Europa.
Com a alteração radical do perfil dos consumidores de cinema, consolidada nos anos 80 do século passado, o Europa, como todas as grandes salas de cinema, deixou de ser rentável mas os proprietários foram, desde logo, impedidos de ali construir outro edifício que o PDM permitisse e que lhes desse o rendimento a que (graças ao fim do PREC!) tinham todo o direito a aspirar. Só que os "moradores" nunca o permitiram pois, para eles, o edifício estava mesmo a pedir a reconversão em "espaço kultural" ao serviço das massas.
E assim, em vez dos moradores, quem se manifesta (e cuja opinião é aceite!!!) são grupinhos de amigos, correlegionários e afins, sempre em nome das amplas massas compod'ouriquenses...
Mas não sem terem que reservar um piso para instalação de um mini "centro kultural" que custou à autarquia mais de um milhão de euros. Na figura ao lado, o Europa está no vértice das duas linhas amarelas.
Agora vamos ter dois anos de preparação (talvez cinco seja mais realista...) e de despesas e lá para 2020 (a Junta diz que será em 2015...) teremos uma "estrutura" ao serviço dos moradores "posto de trabalho" de dois ou três (ou mais) zelosos funcionários públicos.
Agora vamos ter dois anos de preparação (talvez cinco seja mais realista...) e de despesas e lá para 2020 (a Junta diz que será em 2015...) teremos uma "estrutura" ao serviço dos moradores "posto de trabalho" de dois ou três (ou mais) zelosos funcionários públicos.
Resta saber se os ditos moradores não caberiam na casa Fernando Pessoa, a pouco mais de 300 metros em linha reta (figura à direita da linha de cima), ou se, ainda por cima, vai continuar a teimosia pela implantação de outro "espaço kultural" no defunto e arruinado cinema Paris, a menos de 500 m do Europa, que a CML comprou há uns bons 10 ou 15 anos para o efeito (à direita da linha de baixo).
Assim são (mal) geridos os dinheiros públicos!
Friday, December 27, 2013
JAIME QUESADO, QUE ZADO!!!
- Não sei se já tinham reparado na existência deste verdadeiro cromo, especialista em estratégia, competitividade, inovação e matérias afins.
O homem tem solução para o País - e esta, hã?!
Sem vos fazer perder muito tempo, mirem só os desafios para 2014, "eixos estratégicos", como o cromo lhes chama:
1. O desafio da inclusão social;
2. O desafio da nova competitividade;
3. O desafio da excelência territorial;
4. O desafio da dimensão cultural;
5. O desafio da maioridade cívica;
Este homem é um verdadeiro bloqueiro - sabem o que é? Só precisa de uma bacia com água e uns blocos de qualquer coisa pesada (cimento, por exemplo).Vai deitando os blocos na bacia e eles, ao cair, fazem:
Sunday, December 22, 2013
NOVOS DEPUTADOS DO PCP, BE E "OS VERDES"
A bem da economia, os partidos da esquerda empenhada vão substituir os seus deputados por papagaios, a quem ensinaram a dizer simplesmente:
"Demissão! Demissão! Demissão!"
- Os novos camaradas deputados ficam muito mais baratos e cumprem cabalmente com a sua missão.
(o "com" é dele, não é meu)
Sunday, November 24, 2013
SOBRINHO CIENTISTA - NOT IN MY BACKYARD!!!
Para um cientista, Sobrinho Simões usa palavras e faz afirmações com muito pouco rigor científico - ou com muito pouco rigor, tout court.
A entrevista com que resolveu "aparecer" é, em tudo, o tradicional grito de cortem em tudo menos na minha atividade que é importantíssima.
Ou, simplesmente, not in my backyard...
A entrevista com que resolveu "aparecer" é, em tudo, o tradicional grito de cortem em tudo menos na minha atividade que é importantíssima.
Ou, simplesmente, not in my backyard...
NA PRAIA DA AMOREIRA
Do lado do restaurante Gabriel II - sem acesso à praia, cortado pelo rio que corre encostado a este extremo da enseada.

Para aceder à praia, com um restaurante/snack/esplanada, o Paraíso do Mar, do lado norte, oposto àquele em que estou, temos que voltar a Aljezur, seguir como se fossemos para Lisboa; logo à saída da cidade encontramos um desvio para a esquerda assinalando "Amoreira".
São uns quilómetros de estrada de terra batida, mas não tem nada que enganar. A praia é limitada a sul pelo rio (que se vê na foto inicial) e a norte por falésias escuras (granito? basalto?) que "aparecem" em vários afloramentos do lado norte da praia.
Deixo-vos aqui algumas das fotos que tirei e que dão uma ideia de como é a praia.
CARLOS DO CARMO, GRANDE REVOLUCIONÁRIO!!!
CARLOS DO CARMO VIVE TÃO BEM HOJE COMO VIVIA ANTES DO 25 DE ABRIL...
O afã de reunir as caras conhecidas de famosos artistas em eventos de apoio a políticos e partidos dá, muitas vezes, para o torto.
Carlos do Carmo, grande cantor ansioso por agradar ao semi Deus da Esquerda, o caquético Mário Soares, declarava alegremente que nos tempos de hoje se sente como se os tempos de antes do 25 de Abril estivessem a voltar (qualquer coisa assim). Foi, naturalmente muito aplaudido e deve ter-se sentido enorme, junto dos "seus".
Bem, a verdade é que o fadista antes do 25 de Abril não agitava nem um arzinho que lhe pudesse levantar qualquer problema, para poder levar a sua carreira direitinha e em sentido ascendente, com Salazar ou com Caetano (ou com Spínola ou ... com quem quer que viesse).
Depois do 25 de Abril, rapidamente fez saber que era desde sempre simpatizante da esquerda, não fosse alguém metê-lo nalguma das listas negras que proliferaram durante o "reinado" do PCP e militares "revolucionários".
É claro que a situação de Carlos do Carmo é hoje semelhante à dos tempos da outra senhora: hoje pode dizer o que quer, antes do 25 de Abril dizia o que se podia dizer e até o que "caía bem". Em ambos os casos ninguem o chateava.
Se estes bardamerdas se limitassem a cantar o fado, evitavam fazer destas figuras tristes de que eles (suspeito...) nem sequer se apercebem.
CAVACO E A CONSTITUIÇÃO
Para os que se babaram de excitação com as acusações que o decrépito Soares dirigiu a Cavaco sobre desrespeito pela Constituição, recomendo a leitura do que diz sobre o assunto o Ricardo Costa, mano do Costa da CML e membro do "grupo".
Saturday, November 16, 2013
VIVA ANGOLA!!!
Parabéns aos angolanos que comemoram hoje a declaração da independência de Angola, há 38 anos.
Felicidades, sucesso, saúde, bem estar para todos.
Quem diria que um País que passou por duas guerras sucessivas, uma contra o ex...ército colonial, outra, guerra civil, mais longa, mais dura, mais destruidora e que mais marcou a sociedade angolana, quem diria que ao fim de dez escassos anos de paz Angola esteja pujante, progressiva, com uma economia em plena expansão e uma sociedade civil viva, criativa, crítica e atuante?!
As diferenças sociais são enormes, claro que são; mas em Portugal e no Brasil - países irmãos - são, por acaso, menores?
Há corrupção e fortunas construídas em cima de nada, claro que há. Mas como transformar um país em que, num momento tudo é do colono, depois em que tudo é do Estado, numa economia com base na iniciativa privada? Recordo que se se fosse vender as empresas a quem desse mais, ficava tudo em mãos estrangeiras...
Angola está no bom caminho, continua a ser um sítio onde se pode viver, trabalhar, farrar, ir à praia e à pesca, estudar, progredir, fazer negócios...
O resto é conversa. (muitas vezes conversa de retornado ressabiado).
AS MULHERES NA "PRIMAVERA ÁRABE"
Com as sucessivas "primaveras" os estados islâmicos perderam em estabilidade, em direitos, em algum bem estar que iam tendo. Com as receitas do turismo a caírem a pique e a anarquia instalada, o retrocesso ...civilizacional é uma triste realidade.
O Islão, por intermédio da irmandades muçulmanas, fica no terreno como única força organizada. Para as mulheres a situação torna-se dramática - o Islão menoriza-as e põe-nas à mercê da padralhada e dos "homens da família", sem quaisquer direitos ou com direitos, muito, muito reduzidos.
Felizmente, para nós, a nossa padralhada já não risca a ponta de um corno há umas largas décadas.
Mas nunca fiando - não os podemos deixar pôr o pé em ramo verde...
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