Sunday, June 23, 2013

A GREVE AO JORNALISMO, POR MIGUEL SOUSA TAVARES - IMPERDÍVEL!!!

Será que me estou a tornar fã do Miguel Sousa Tavares?! Huuuummmm, não é o caso, mas...
 
Mas a verdade é que de vez em quando o enfant terrible do nosso jornalismo sai do seu estilo bota abaixo e arrasa pessegueiro habituais e chama a nossa atenção para coisas tão simples como a greve do Público ao jornalismo, convertido em câmara de eco da CGTP e da FENPROF - convencido, certamente, de que isso é que vende o jornal.
 
Nesta crónica semanal, no Expresso de ontem, MST refere ainda o Diário de Notícias que publica notícias sobre dois "estudos" tão parciais quanto desonestos, um do Observatório dos sistemas de saúde, outro do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra - ambos proclamam desgraças e catástrofe nos "sistemas" que observam e estudam. Por sinal as parangonas escolhidas pelo DN são ainda mais catastrofistas que o texto que encimam...
 
MST só se squece de referir que o Observatório é o posto de observação do socialista Constantino Sakellarides e o Centro coimbrão é o posto de luta e de combate do "meu" génio da parvónia, o Prof Doutor Boaventura Sousa Santos. Está tudo dito...
 
Vá por mim, leia tudo até ao fim, é só clicar na imagem.

Saturday, June 22, 2013

OS TRÊS E OS OVNIS...


Em pleno verão de 1973, estava eu em Mafra a curtir uma de balda, quando o meu colega Zé Pedro me convidou para uma expedição à Figueira e à Luz (de Lagos, não confundir com a Luz de Tavira).

O objectivo da expedição era observar umas luzes estranhas detectadas na serra algarvia, num vale perto da Figueira, especialmente activas naquela época do ano. Os entendidos na matéria consideravam altamente provável a existência de uma base de OVNIS, subterrânea, cuja entrada se fazia por uma abertura dissimulada na encosta do vale.

A passagem pela Luz (para além de permitir beber uns copos, pois já in illo tempore os bares abundavam naquela estância balnear) prendia-se com a tentativa de detectar tipos esquisitos, com olhar penetrante e estranho (não sabíamos mais do que isso) que, aventavam os entendidos na então incipiente ciência da ovnilogia, seriam extra terrestres convenientemente dissimulados. Esperava-se que nós, tipos argutos e perspicazes, conseguiríamos distinguir o extra terrestre no meio de tanto bife que pululava na zona e que, pouco antes, tinha até tido o topete de fazer hastear a bandeira de Sua Majestade Britânica.
 

- Ó Zé Pedro, então a malta vai p'ra Luz e põe-se a cocar gajos? Isso pode ter uma interpretação lixada! queixei-me eu.

- A gente tem que dissimular, pá! foi a resposta.

- Precisamente, precisamente... respinguei eu, um bocado à rasca.

Eu e o Zé Pedro éramos colegas de curso no Técnico, mas de ramos diferentes: ele mais para as caldeiras e coisas assim, eu mais para as chapas, rebites e parafusos. Tínhamo-nos conhecido melhor porque colaborávamos ambos com o Prof Varela Cid (foto ao lado), o tal que jurou a pés juntos que o Sputnik não andava nada à volta da Terra (a verdade era só uma: rádio Moscovo não falava verdade!) e demons-trou-o por A + B. Daí a minha desconfian-ça quando me dizem "está cientificamente provado que..."

Claro que o velhote ficou desacreditado e daí até ao fim da vida andou em bus-ca de projectos que lhe limpassem o nome.

Nessa altura, com a colaboração de um grupo de manos, entre eles eu e o Zé Pedro, andava a projectar um foguetão para levar uma cápsula às altas camadas da atmosfera, medir a temperatura do ar, a pressão e coisas assim.

O foguetão nunca foi construído, mas o projecto foi exposto na FIL e fomos passear a uma base de foguetões em Espanha, p'ra vermos o que os nuestros hermanos andavam a tramar (claro que o nosso foguetão iria voar mais alto, era uma coisa a sério...).

Bem, voltando aos OVNIS, faltava-nos um meio de transporte para nos deslocarmos e transportar o equipamento: uns binóculos velhos, uma Yashica já muito rodada, umas lanternas, um embrulho que sempre acreditei ser uma tenda, e pouco mais; ah! claro: bancos de lona que nisto de OVNIS convém esperar sentado.

O Zé Pedro conseguiu o concurso de uma amiga, que tinha um namorado ciumento e um Fiat 600 (tinha que ser!). Aquele figurante não chegou a aparecer mas quando, às 5 da manhã, nos aprestávamos para iniciar a viagem, eis que o carro não pegou. Depois de muito empurrar, constatámos que o rotor do distribuidor (uma coisa do arco da velha que já não se usa) estava em falta. Tinha sido a tenebrosa criatura que o tirara para segurar a namorada em Lisboa.

Descoberta a avaria do Fiat 600, a Manela (assim se chamava a amiga do Zé Pedro) ficou interdita, sem saber se era melhor ficar para não ter chatices com o namorado ciumento se partir (partir, só depois das 8h30 e de apanharmos alguma oficina com um rotor de reserva, do calibre do distribuidor da viatura).

E foi o que aconteceu. Abancámos no primeiro café cujo tasqueiro, sonolento e remeloso, abriu as portas, tomámos umas bicas, revimos os planos da expedição e lá para as nove e tal, já com o carrinho arranjado, fizemo-nos à estrada.

Claro que, com aquele atraso todo e sem os estradões de hoje, só chegámos ao Algarve ao fim da tarde: as estradas eram más, o Fiat 600 andava devagarinho e o almoço em Sines era, naquele tempo, um must, incontornável. Ainda por cima, ao passarmos a serra algarvia, aí para os lados das curvinhas de Odeceixe, demos com um desastre (não entro em pormenores, mas o sinistrado, um médico, estava calmo e palavroso, mas em estado lastimoso). Resultado, a Manela fartou-se de vomitar e tivemos que esperar uma meia horita para ela se recompor e voltar para o volante (nem eu nem o Zé Pedro tínhamos carta, portanto...).

Passámos por Lagos e fomos directos para a Figueira, onde, depois de muito escolher o local (não tínhamos mapa com os locais suspeitos assinalados) lá arranjámos um sítio ermo, que nos pareceu propício. A Manela ferrou-se a dormir (toda torcida dentro do Fiat 600, o que era indício de muito, muito sono) e eu e o Zé Pedro montamos guarda aos OVNIS.

Lá para as três da matina, sem termos visto nada, mudámos de sítio (foi difícil acordar a Manela, mas lá conseguimos) e fomos para a barragem da Bravura, seguindo um desvio à estrada Lagos - Portimão, que parte de Odeáxere. Aí estivemos até de manhã, vimos alguns clarões (clarinhos, melhor dizendo), mas todos no chão e que pareciam mais cigarros a ser acesos do que OVNIS.

Apanhei uma valente constipação mas, mesmo assim, no dia seguinte (depois de uma soneca em casa dos meus pais, que um homem não é de ferro) ainda fomos a dois bares na Luz, mas de extraterrestres, nada.

A Manela ainda foi abordada por um galã local, mas, à parte isso, não nos pareceu haver tipos com pinta de extraterrestre. Como se lembram, eu não queria passar por fresco, de modo que me limitei a ir bebendo umas aguardentes velhas que não me curaram a constipação, mas quase me deixaram KO.

De volta a Lisboa, o Zé Pedro ainda me desafiou para outras expedições mas, por estranho que pareça, calhavam sempre em dias em que eu tinha algumas actividades inadiáveis e nunca mais alinhei.
 
.     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .     .

Epílogo:

A Manela acabou por se casar com o namorado ciumento (que passou a marido muito ciumento...) e o Zé Pedro continuou, enquanto mantive contacto com ele, a observar o céu à cata de OVNIS. O Prof Varela Cid nunca conseguiu limpar o nome e será lembrado como o homem que provou que o Sputnik não podia estar a orbitar a Terra...

Thursday, June 20, 2013

Chico e caetano - todo o dia...

Vaejamos se, depois tanto tempo ainda consigo por aqui uma musiquinha...

http://www.youtube.com/watch?v=2-RlQM1u0_c

Sunday, March 03, 2013

O PUBLICO, A MANIF E A DESONESTIDADE INTELECTUAL

Desde que José Manuel Fernandes deixou a direção do Público e foi substituído por uma tal (deixem-me ver, para não errar) Bárbara Reis (quem?) duas coisas nos editoriais passaram a incomodar-me.
 
- Uma, permanentemente, é o facto de os editoriais terem deixado de ser assinados. Já sei que isso quer dizer que a responsabilidade é do jornal, ou da redação, ou da direção, mas isso deixa-nos sem saber o que a diretora pensa, ela ou quem fez um determinado editorial - isso de criação coletiva, desculpem-me lá, mas tem muito que se lhe diga...
 
- Outra, esporádica mas (parece-me) cada vez mais frequente, é a utilização de afirmações duvidosas ou polémicas como se fossem verdades comprovadas que o leitor pode aceitar como boas ("li no Público, portanto...").
 
No editorial de hoje, a/o/os editorialistas avançam um método original de aferição da crise: olhar para os 50 m em volta do leitor (da sua residência e, presumo do seu local de trabalho), para o que se passa com familiares, amigos e conhecidos e tirar o retrato à crise.
 
Até aqui, tudo bem, como método de recolha de dados - com a possível "chatice" das inevitáveis sobreposições, mas válido como método para cada um definir o grau de afetação pela crise.
 
A parte desonesta é que o editorial dá imediatamente a resposta com um quadro mais que negro de fecho de cafés, padarias, empresas familiares e por aí fora sem (suspeito) ter feito qualquer pesquisa, qualquer recolha de dados, sem se basear em quaisquer inquéritos (e venha o diabo e me fulmine se não é assim...).
 
É verdade que eu não vivo propriamente numa zona degradada, mas em Telheiras, mesmo alargando o raio de 50 para 200 metros ou mais, nos últimos 4 ou 5 anos, salvo raras exceções, para cada loja que fechou outra abriu no seu lugar. As exceções verificaram-se quase todas no interior ajardinado de uma urbanização "de qualidade" onde desde o início a falta de clientes - o local é muito recôndito, muito fora de mão - afetou todos os estabelecimentos que aí se instalaram e algumas lojas, incluindo uma grande esplanada, nem chegaram a abrir. O Chilli's, um bloco com um restaurante, esplanadas e café, foi, parece-me, o único que fechou as suas portas há dois ou três meses, na sequência direta da crise.
 
Na zona onde trabalho, Figo Maduro, a situação é de clara expansão dos negócios. Há 4 ou 5 anos havia muitos armazéns devolutos, hoje estão, na quase totalidade, ocupados por empresas, algumas ainda em instalação (como é o caso de uma televisão brasileira) a maioria em funcionamento. Algumas empresas mudaram-se para outras instalações sendo imediatamente ocupadas as que deixaram. Consequentemente, na rua das tascas, das 5 ou 6 que havia há uns anos, 5 ou 6 continuam a operar - bem e recomendam-se.
 
Na minha área de atividade, transporte aéreo, a generalidade das empresas está a "meter pessoal" e os movimentos de pessoal têm que ver com a saída para outras empresas (inclusive no estrangeiro) e não com despedimentos, não renovação de contratos, etc.
 
Não estou a tentar generalizar esta situação, mas a contrapor factos à generalização simplista (e demagógica) do Público: de facto há sectores da nossa economia pesadamente afetados pela crise (a constução civil e imobiliário, por exemplo), outros menos e outros em expansão (transportes aéreos, por exemplo).
 
O Público, no seu editorial de hoje, diz que de 2008 até hoje as falências aumentaram 1400%. Nada diz, contudo, sobre o que se passou no outro prato da balança. A criação de empresas diminui o ritmo mas o saldo continua positivo (maior o número de empresas criadas que o número de empresas encerradas) e merece uma análise que ainda não vi feita (não digo que não exista). O fecho de uma grande empresa com centenas de pessoas lançadas no desemprego não é compensada por uma empresa criada, com 3 ou 4 pessoas, assim como a instalação em Portugal da Emirates, ou da Embraer, por exemplo, compensam muito mais que o fecho da mercearia da esquina e da tasca do sr Manel.
 
Então,
 
Por que será que o Público só refere um dos pratos da balança? Falta de seriedade? Achará, sinceramente, que não interessa para cacterizar a crise? Simples incompetência?
 
Como eu dizia há dias a um comentador destes temas, no FB, vice presidente da Associação de Estudantes da Universidade do Algarve que se referia às políticas pérfidas deste governo - é nas crises (e estamos numa crise, a portuguesa, dentro de outra crise, a europeia) que é preciso manter a cabeça fria e não alterar o rumo ao sabor dos resultados de curto prazo.
 
E o rumo (parece-me) não pode deixar de ser o que aponta à situação em que gastemos em função do que temos, do que criamos. O caminho é penoso, doloroso (empobrecer é sempre difícil...) podemos atenuar as dores mas não eliminá-las completamente.
 
Esconder isto das pessoas como se as "políticas de crescimento e emprego" fossem alternativas à austeridade é (penso) profundamente desonesto.
 
E é o que o Público anda a fazer...

Saturday, February 23, 2013

DEPOIS DO REPASTO, LOUREIRO ARROTA...

Loureiro dos Santos depois do jantar dos "preocupados" diz que as FA's, com os corte em perspetiva arriscam-se a não poder cumprir a sua missão de defesa da Pátria.
 
Mais uma vez o general Loureiro nos quer comer por lorpas, talvez pelos salamaleques que terá recebido dos seus pares durante o jantar de "generais e almirantes na reserva e reforma".
 
O senhor general não deveria julgar que o cidadão mais distraído imagina que com o presente orçamento, antes dos cortes, tem alguma remota hipótese de defender "a Pátria" contra, por exemplo, uma invasão espanhola. Nem com um orçamento 10 vezes maior...
 
O senhor general está marreco de saber que nem sequer é essa a missão das FA's de um pequeno país que vive paredes meias com um grande vizinho.
 
Esta questão foi bastamente discutida aquando da invasão de Goa: Salazar queria que na tropa portuguesa, após a invasão, apenas houvesse heróis ou mortos.
 
Vassalo e Silva rendeu-se após alguma resistência com mortos de parte a parte e cumpriu a sua missão. Como?
 
É que a missão das FA's não é necessariamente defender eficazmente o território contra a invasão inimiga (no caso de Goa uns 4.000 soldados mal armados contra, se bem me lembro, 20.000 indianos com blindados, marinha e aviação em quantidades confortáveis) mas garantir uma resistência inequívoca e clara que viabilize num tribunal internacional uma queixa contra o Estado agressor. Essa queixa não tem credibilidade se a invasão for "aceite", sem resistência. Não é preciso seguir o figurino idiota de resistir até à "última gota de sangue"; basta uma resistência clara e indiscutível, como a das NT em Goa.
 
Claro que há as demais missões de soberania como a defesa da zona económica exclusiva contra pesca ilegal, não contra a 6ª esquadra americana em trânsito para a sua "casa" no Mediterrâneo ou contra uma esquadra espanhola em manobras...
 
Portanto era interessante que o senhor general nos explicasse melhor que parte da "defesa da Pátria" ficava comprometida com o corte dos 200 milhões em vez de arrotar postas de pescada para o pagode pasmar com a segurança teórica do velho cabo de guerra.

ALDRABICES DO LOUREIRO



O senhor general Loureiro dos Santos, pessoa de que me habituei a louvar a moderação, ponderação, bom senso e, até onde posso avaliar, alguma sabedoria no modo de encarar o papel das FA's na sociedade.

Mas ontem o homem excedeu-se e, aproveitando estar de alforria, como militar reformado, atacou o Governo de forma canhestra e ... aldrabona.
 
Que disse sua excelência? Simplesmente esta aleivosia:
 
Assim como um General que não alcança os objetivos é demitido, o Governo tem que assumir a responsabilidade de ter falhado as suas metas e deve demitir-se.
  
Compreende-se: neste momento o Governo está na mó de baixo, a esquerda na mó de cima, o senhor general não podia perder a oportunidade de fazer pilhéria e faturar nos media, antes da jantarada do ranchinho dos sentados à mangedoura do OGE, como se lhes referia, e muito bem, o pai do Miguel Sousa Tavares.
 
Acontece que o senhor general está marreco de saber que estava a dizer uma bacorada: a história recente (e antiga) está cheia de exemplos de generais derrrotados ou que não conseguem vencer o seu IN, ou que deixam uma situação no terreno pior do que a que encontraram e não são demitidos, punidos, processados.Às vezes até são promovidos...
 
O nosso arquigeneral, o homem da prosápia e do pingalim (o Spinola), esteve na Guiné 5 anos a tentar ganhar a guerra (ou ao menos, sair numa situação airosa) e, afinal, cedeu ao IN toda a parte sul da Guiné permitindo (ou sendo obrigado...) que IN declarasse a independência com base nesse território "libertado", no que foi reconhecido por metade dos países com assento na ONU.
 
Essa cedência não lhe deu mais força no restante teatro de operações e, quando foi "rendido" por Bettencourt Rodrigues, até a nossa superioridade aérea o PAIGC tinha eliminado e estava a um passo de nos escorraçar da Guiné.
 
Spínola, entretanto promovido a general (era brigadeiro no início da sua "campanha") recebeu mais uma estrela, a quarta, e ocupou o cargo de vice chefe do estado maior general das FA's, cargo novinho em folha, criado especialmente para ele.
 
Mas não é só por cá que a coisa funciona assim, e não como o Loureiro afirma. Dois casos:
 
Rommel escovado que foi do norte de África, foi feito Marechal de Campo e recebeu um dos principais comandos militares do Reich - comandante da frente Oeste, responsável pela "muralha do Atlântico".
 
Douglas Mac Arthur, depois de os States terem sido apanhados de surpresa em Pearl Harbor, foi apanhado de surpresa nas Filipinas totalmente impreparadas para a invasão japonesa. Retirou com o rabo entre as penas mas não foi demitido e teve a oportunidade de ir subindo na hierarquia até general de 5 estrelas. Só caíu quando Truman, o Presidente das decisões difíceis (e acertadas...) o demitiu do comando chefe das forças ocidentais na Coreia (por "política independente" da do Presidente).
 
É muito feio o senhor General dizer aldabices convenientes à sua retórica do momento, confiante em que o pagode "come e cala" porque não percebe nada do assunto.

De que, pensará ele, só a tropa percebe...

Saturday, February 02, 2013

ACABAR COM OS RICOS, A TINETA DO COMUNISMO


A parangona sobre a entrevista de Américo Amorim vem ao encontro do que o meu saudoso amigo Eduardo Santos dizia: é preciso acabar com os pobres e não acabar com os ricos.

A principal razão do insucesso do comunismo na criação de riqueza foi o ênfase que foi posto desde o início em acabar com os ricos - uma vez atinjido esse "objetivo", toda a riqueza seria distribuída pelo povo consoante seu trabalho, mais tarde consoante as suas necessidades. O PCP, sem imaginação para ultrapassar a ortodoxia e sem coragem para mandar Cunhal às urtigas, mantém-se nesse caminho, firme e hirto, sem hesitações.
 
O desenho publicado no mural de José Pedro Namora no FB (reproduzido ao lado) com um capitalista/banqueiro, gordo e rodeado de sacos de dinheiro, a ser carregado por dois proletas famélicos que se esfalfam por apanhar a cenoura (o Euro, neste caso), é bem testemunho de que essa análise marxista de meados do século XIX continua a ser a "correta" para o PCP do século XXI.
Esta visão do capitalismo selvagem assente num exército de desempregados andrajosos e sem apoios de qualquer espécie, totalmente à mercê do capitalista que lhe rouba a "mais valia", bem retratada nos romances de Dickens, traduzia bem a realidade do início da revolução industrial, mas não tem nada que ver com o que se passa hoje.

O capitalismo soube adaptar-se (foi forçado a adaptar-se) para sobreviver às profecias do Marx e Lenine e continua de vento em popa não obstante os trabalhadores de hoje ganharem o suficiernte para terem casa própria, carro, comerem bifes todos os dias (a ponto de morrerem de enfartes e não de fome) e mandarem os filhos para a Universidade. E em Portugal, por muito que o PCP & Cia pintem uma imagem de fome, desgraça e tragédia, o capitalismo está longe de (poder) voltar ao que era nos tempos do Dickens.
 
Segundo a vulgata comunista, a apropriação coletiva dos instrumentos de produção conduziria à majoração da produção e da produtividade por os trabalhadores esterem a produzir para si próprios e não para o patrão. Essa tese ficou, manifestamente comprovada com a experiência socialista: efetivamente o trabalhador da UCP, da cooperativa, da empresa socialista não sente que esteja a trabalhar para si, antes pelo contrário. Sente que está a trabalhar para o Estado, a beneficiar a nomenklatura do Partido, que fica com tudo e lhe distribui migalhas.

Fica por saber como seria se o Estado socialista efetivamente fosse um Estado popular. Mas aí, estamos nitidamente no domínio da filosofia, da ciência das coisas etéreas...

Como bom "funcionário público" o trabalhador no "socialismo" vinga-se e faz o menos possível - e lá se vai a produção e a produtividade (e a qualidade...) para as urtigas.

A questão, como 70 anos de URSS e "mundo socialista" muito bem comprovam, a questão é que sem a possibilidade de um indivíduo enriquecer (pelo seu mérito, mas também pela sua "ratice" - ainda não temos o "homem novo"...) a criação de riqueza fica bloqueada, não desenvolve e o que há para distribuir não chega para que o nível de vida do povo vá além do que em países capitalistas não é mais que pobreza franciscana.
 
Mais uma vez a China é exemplar, desde que Deng, o pequeno Timoneiro, proclamou que enriquecer é glorioso e lançou as bases para uma saudável economia capitalista.

Portanto, amigos meus, deixemo-nos de tretas e procuremos criar condições para que mais empresas se sintam atraídas para operar em Portugal em vez de afugentarmos os empresários.

É que sem eles, não há empregos para ninguém!

Sunday, January 06, 2013

FALTA DE VALORES?! Só se fosse no "nosso" tempo...


A Revista 2 do Público traz hoje um artigo sobre o que o que a juventude pensa, o que é ser português nos dias de hoje, etc.
 
Vejam o que dizem três putos (12 e 13 anos) e digam-me lá se essa treta da crise de valores não é mesmo conversa fiada de malta do "nosso tempo" que acha que o mundo está acabar ... para eles, claro!
 
Há uma falta de respeito pelos ‘stôres’. E pelos pais. Falo por mim, de vez em quando também respondo aos meus pais. Depois arrependo-me.
Espero que os meus filhos, um dia, gostem dos pais”
Sérgio, 12 anos
 
 
 
"Eu ouço mais no telejornal [crise] do que se fala em casa. Há pessoas que não estão afectadas pela crise; às vezes há promoções e compram porque está mais barato, mesmo que não precisem”Miguel, 12 anos
 
 
 
"Não sou o centro das atenções nem sou apagada pelos outros.
Faço o que quero e pronto.
Estou ali. Sou boa pessoa."
Emília, 13 anos
 
 
Os putos e os outros na faixa etária a seguir deviam fazer-nos pensar mais, inspirar-nos mais em vez de lamentarmos tanto que hoje o "ideal" antifascista não esteja no topo da to do list da malta jovem (fascismo?! isso já era...) e que não haja um Maio 68 ou 25 de Abril para os "formar" (ou deformar...).


JOAQUIM AGUIAR E A CRISE


O Público traz hoje uma entrevista com Joaquim Aguiar que recomendo vivamente.
 
À guisa de engodo deixo-vos aqui uns "recortes" que não pretendem se um resumo nem nada que se pareça. Foram apenas frase que me pareceram pertinentes e/ou insólitas mas, em qualquer dos casos, a darem que pensar.
 
E fazer-nos pensar já é muito bom...
 
Aqui vão:

"Bom, quem não tem receitas corta nas despesas."
 
"Nós temos que construir de novo construindo os alicerces no terreno em que estamos e não recordando o terreno em que foram colocados os alicerces do passado. Nós não temos crescimento e temos envelhecimento. Continuarmos a insistir no mesmo tipo de cálculo é o imaginário a tentar esconder o real."
 
 
"Não há dúvida que a falência de um Estado nacional é absolutamente inconstitucional. Nenhuma Constituição pode pressupor esse tipo de situação. Mas, no caso português, isso aconteceu. O real tornou-se inconstitucional. Quando o real se torna inconstitucional, a política tem que alterar o imaginário."
  
"Mas eles têm uma cultura política competitiva, que se adapta rapidamente às circunstâncias da competição. Basta alguém em alguma parte do mundo fazer melhor uma determinada actividade para que quem tem uma cultura política competitiva acompanhe essa evolução. Quem tem uma cultura política distributiva é completamente diferente, porque essa cultura, quanto mais perde competitividade, mais quer ser protegida."
 
 
"E a terceira geração? (de políticos) Já nasceu nos partidos. É uma geração de funcionários. Sabem tudo sobre a carreira de funcionário e desconhecem em absoluto o que é a fundação de um regime e a construção de uma plataforma estratégica."
 
"Um Governo de iniciativa presidencial seria uma alternativa?  Um sistema presidencial significaria que todos os grupos de interesses passariam a ter um referencial único para desencadearem as suas operações de captura. Quando vemos certos acidentes trágicos que aconteceram em Portugal, como o caso BPN, que não se pode desligar da cobertura simbólica que Cavaco Silva  proporcionou, porque esse desastre foi feito e construído por ex-colaboradores do Presidente, na altura primeiroministro, que se serviram dele para ganhar uma idoneidade bancária que manifestam não tinham...
Todos os sistemas presidenciais se prestam a este tipo de utilização da figura simbólica do Presidente. O presidencialismo é aquilo que não pode nunca resolver nada no caso da política portuguesa." (sublinhado meu)
 
 "Estes planos de ajustamento vão sendo sucessivamente ajustados àquilo que são as próprias revelações do programa anterior. Nem a troika, nem o Governo, nem o Presidente sabem qual é a trajectória certa, porque ninguém conhece os mares em que estamos a navegar ou já nos afundámos."

"Mas há coisas úteis mesmo para um pastor incompetente que é uma tempestade. Porque numa tempestade o rebanho junta-se e nem é preciso o cão para o juntar. Junta-se espontaneamente. É nessa fase que nós devemos preparar o futuro. Porque quando passar a tempestade não se pode esperar que o rebanho continue ali parado com o temor à catástrofe, mas é para esse momento que é preciso saber para onde vamos dirigirnos. Nós estamos claramente na tempestade."
 
"Porque mesmo aqueles que dizem que é preciso austeridade para corrigir os excessos, a única coisa que dizem é que vamos voltar ao equilíbrio anterior. Ora o equilíbrio anterior já não existe e se voltássemos ao passado era só para voltarmos a criar o mesmo problema."
 
  
"Qual a solução? (para a crise)  O futuro tem que ser uma descontinuidade. Numa crise deste tipo, o presente não liga o passado com o futuro e quem fi car a olhar pelo retrovisor tem um acidente. Agora se esquecer o retrovisor, aquilo que vê à frente é o que lhe oferece a solução para o presente.

Tuesday, December 25, 2012

SILVA PINTO DEIXA O PS

Hoje ouvi por várias vezes a notícia de que Silva Pinto, antigo deputado do PS, tinha deixado o partido por achar que "o Seguro", para além de bom rapaz, não vele um chavo e que as pessoas que o rodeiam nunca farão um bom Governo.
 
Para além de "antigo deputado do PS", pouco mais se dizia e a internet não esclarece muito mais.
 
Tive que me aplicar e lá consegui confirmar que este Silva Pinto é o antigo ministro das corporações de Marcelo Caetano, creio que o último, anteriormente secretário de estado do trabalho.
 
Joaquim Silva Pinto, hoje com 77 anos, pertence a um grupo de "tecnocratas" ou "jovens brilhantes" que Caetano trouxe (ou repescou) para a política que pretendia implementar. Desse grupo faziam parte, entre outros, Xavier Pintado (depois reitor da católica), Rogério Martins (creio que chegou a ministro, no PS), João Salgueiro (esteve em vários governos PSD e foi candidato a lider, derrotado por Cavaco).
Deixo-vos aqui um link, interessante para quem se dedica a estas coisas.

Saturday, December 22, 2012

O SILÊNCIO DOS INOCENTES...

Pode ser uma sugestão politicamente incorreta e, a priori, nem sequer será considerada por vir da "horrorosa" NRA.
 
Mas que faz todo o sentido, faz.
 
Afinal, na guerra combatem-se armas com quê, com feijões?
 
Veja os comentários no Facebook aqui

WIRYIAMU - 40 anos em 16 de Dezembro

Aqui fica um link para não deixar cair este assunto que tanta gente anda a tentar varrer para debaixo do tapete.
 
Veja mais aqui

Sunday, December 09, 2012

Com Louçã disponível, agora é que isto vai!

O Público dá hoje 3 páginas 3 ao grande político Francisco Louçã, hoje disponível para pensar o governo de convergência das esquerdas, o governo que nos vai tirar do atoleiro intemporal em que capitalismo especulador e desregrado nos meteu e conduzir o luso rebanho aos amanhãs que cantam.
Liberto das pesadas funções de "coordenador" do Bloco de (extrema, não esqueçamos, de extrema) Esquerda pelo casalinho Semedo - Catarina, vamos ter Louçã todo para nós. De outra forma não se compreenderia, dado que o apelo da Pátria é claro e veemente:
 
LOUÇÃ!, LOUÇÃ!
 
Ou melhor, dada a intimidade deste cidadão ímpar com a Nação, com a Pátria:
 
FRANSCISCO, Ó FRANCISCO!
 
O Francisco já vai; felizmente a Catarina está a sair-se muito bem, criando até um novo estilo, uma nova lógica com silogismos de fazer tremer os ímpios e fazer Descartes, ou que dele restar, dar voltas na tumba. Dizia a pobrezinha, a partir de uma escola:
 
"Visitei esta escola e não vi gorduras, só vi professores e alunos; portanto (sublinho, eu, o portanto) os cortes que o Governo quer fazer vai ser despedir professores e funcionários..."
 
e por aí fora. Fantástico, o Francisco pode ir em paz que o lugar (melhor, 50% do lugar) está feito.
 
Deixando Catarina a Pequena (merecerá plenamente o cognome de A Grande quando conduzir a sua metade do Bloco ao Poder) e voltando ao Francisco, ele desdobra-se em profecias, dúvidas e afirmações dignas do lider carismático que é e que faço questão em partilhar convosco:
 
A estrutura de alternância partidária nos governos “é uma forma de corrupção política"
 
O risco que existe é a esquerda ser incapaz
 
É mais fácil Cristo descer à terra do que o Presidente tomar alguma medida sobre os bens essenciais da política orçamenental
 
Quando olhamos para as primeiras filas das bancadas do PS ou do PSD, o número de pessoas que trabalha no BES é assustador
 
Ricardo Salgado, convida lá o piqueno para o BES, pá! As citações vão num arremedo de arco iris, como convém a um partido tão inclusivo como o B (ext) E.
 
Se vos abri o apetite, comprem o Público e leiam o resto.

Saturday, December 08, 2012

Adelino Gomes e a gestão privada da coisa pública...

ADELINO GOMES NÃO É (REPITO, NÃO É) UMA CAVALGADURA.
 
Ok? Que isso fique claro. No entanto...
 
 No entanto ele e mais um magote de briosos rapazes andar a fazer ensaios, artigos, papers e lá chegaremos às teses para marcarem a sua posição à la gauche sobre os malefícios terríveis e irreversíveis da gestão privada de coisas públicas.
 
Esta não cavalgadura afirma "GESTÃO PRIVADA DE UM SERVIÇO PÚBLICO É UMA CONTRADIÇÃO NOS TERMOS".
...
Lendo (em diagonal larga..) não vejo nenhum qed que me faça sequer pestanejar.
 
Para mim, o centro da questão está no controlo e nunca na gestão.
 
Se a gestão falha é mais fácil mudá-la se for privada (cancela-se o contrato, se for caso disso, ou não se renova); se for pública, muda-se o "diretor", que vai mal gerir para outro lado (tem "vínculo" como "gestor público", não é verdade?) mas os FP's ficam como fica a "cultura" da instituição.
 
Se o controlo falha, não muda nada: muda-se o Ministro? O Secretário de Estado? O Diretor Geral? Uma ova, ficam até ao fim da legislatura.

Se uma comunidade é suficientemente grande para conseguir prover determinados serviços para os seus membros e se não é suficientemente pequena para conseguir gerir a coisa como um condomínio ou uma pequena freguesia (reuniões periódicas de todos em que se decide tudo) a comunidade nomeia um "funcionário" para tratar do assunto e, naturalmente, prestar contar periodicamente.

 Já aqui, em pequena dimensão, não vejo qualquer problema em que o funcionário seja membro da comunidade ou seja contratado fora da sociedade, um especialista, um profissional - o essencial é que ele "funcione" de acordo com as especificações da sociedade que o contratou e que esta não o deixe em roda livre - a prestação de contas do que faz e do que gasta é essencial.

 Numa sociedade maior e mais complexa (seja Portugal) os serviços públicos (entenda-se, serviços prestados à comunidade) são prestados por organizações, normalmente pertencentes à estrutura do Estado ou dele direta ou indiretamente dependentes - empresas públicas (EP), serviços públicos (SP), etc. Esses serviços contratam pessoas que podem ou não vir a integrar os serviços de forma permanente tornando-se funcionários públicos (FP) ou limitam-se a prestar serviços com vínculos variáveis (à tarefa, por projeto ou obra, por tempo determinado, etc). Igualmente podem ser contradas empresas para prestarem serviços à EP (ou SP, etc).

 Se a EP deixar os contratados ou os FP em roda livre o serviço à comunidade pode degradar-se ou encarecer injustificadamente.

 De igual modo, se a tutela (Ministério, Direção Geral, etc) deixar as EP, SP, etc, em roda livre o serviço à comunidade degrada-se ou encarece injustificadamente.

 Se a tutela contratar a uma empresa privada a prestação do serviço anteriormente atribuído a uma empresa pública ou simplesmente a gestão dessa EP ou SP, fico à espera que alguma das sumidades demonstre que o centro da questão não é o controlo da tutela sobre a adjudicatária da prestação do serviço à comunidade, exatamente como esse controlo era essencial quando essa prestação estava atribuída a uma SP ou EP.

 Sei que tenho que esperar sentado (ou deitado) - o que Adelino Gomes diz é elucidativo...

Thursday, December 06, 2012

A CARIDADEZINHA E A SOLIDARIEDADEZINHA

Vamos brincar à caridadezinha, festa canasta e boa comidinha... assim cantava o Zé Barata Moura nos tempos da outra senhora, vituperando a burguesia e as tias de Cascais. 
 
toque aqui (espero que dê o cantautor, atual ex reitor)
 
Uma coisa que sempre me chateou é a atitude de certas pessoas "intelectuais" ou "finas" que acham que dar esmola aos pobres é errado: eles habituam-se e passam a parasitar as pessoas em vez de trabalharem. Além disso dar esmola não resolve o problema da pobreza.
 
A primeira razão é mesmo verdadeira - é ver os parasitas que os diversos abonos pós 25 de Abril criaram, as casas para os pobrezinhos, dadas e arregaçadas, o rendimento mínimo garantido e o seu sucessor rendimento social inserção (que não insere puto!), etc, etc, etc.
 
Mas o segundo "argumento" esse sim é que me irrita: eu ao dar esmola (agora já não se diz esmola, diz-se contribuição para os mais necessitados) não estou a tentar resolver o problema d"a pobreza" - isso, quando muito, é quando voto nas eleições. Quando dou esmola (e eu a dar-lhe...) pretendo apenas atenuar o sofrimento, ou fome, ou carências várias  daquela pessoa concreta, naquele momento concreto.
 
A mim pouco me custa e a ele pode ser a diferença entre umas horas com fome e uma horas consolado.
 
Por isso dou esmola (enfim, não dou a drogadinhos nem a gajos com ar de malandro e bom corpinho para vergar a mola, etc).
 
Como sou meio de esquerda (os retornados chamam-me comuna por ter apoiado e continuar a apoiar a descolonização e a R.P. Angola) meio de direita (é verem o que me chamam os comunas e outros esquerdalhos, eheheheh) eu não faço caridadezinha nem atos de solidariedade: faço atos de caridadezinha solidária.

Presumo que assim já não me chateiam...

A HIPOCRISIA E A MORTE

O Publico dedica hoje quatro páginas (incluindo a primeira que, como mostro, lhe é dedicada em mais de metade) a  Joaquim Benite .
 
O Público refere também a morte de Dave Bruebeck, o pianista que (terá feito) o jazz sorrir (uma página interior com chamada à 1ª) e nada sobre Niemeyer, que morreu já depois do fecho da edição.
 
O que me chateia (e daí o título) é que não obstante ler jornais todos os dias um semanário ao fim de semana, ver vários telejornais e acompanhar as notícias pelo rádio durante grande parte do dia, não me lembro de ter ouvido alguma referência a Benite - ainda por cima tem um nome nada vulgar de que me lembraria.
 
Imagino que nas notícias sobre teatro o nome dele me tenha passado à frente várias vezes, mas sem qualquer destaque que me levasse a ler a notícia - essa secção, em geral, só sobrevôo, muito por alto.
E, afinal, o homem terá sido um dos grandes do teatro português atual.
 
Então por que raio não lhe foi dado o devido destaque em vida e todo este destaque na morte?!

Não percebo (e gostava de perceber).

Nesta linha, reparem que a entrada na Wikipedia (link no nome, acima) tem todo o "ar" de ter sido feita à pressa por alguém que, noticiada a morte, se apercebeu que não existia nada e meteu um texto e alguns links. Tratamos muito mal as pessoas em vida e, depois de mortas, apressamo-nos a incensá-las.

Triste!
 
 
 

Saturday, November 24, 2012

A UNIÃO EUROPEIA - FALHANÇO OU TALVEZ NÃO

Com a sua moca sempre afiada, Vasco Pulido Valente zurze forte e feio na União Europeia que, pelos vistos, desiludiu muita gente - toda a gente?
 
Os países do sul (em particular as suas elites esquerdalhas...) queixam-se que os países do norte deviam ser solidários - suponho que pagando as dívidas que aqueles acumularam e agora não querem ou não podem pagar ou, muito simplesmente, não querem apertar o cinto para pagar.
 
Muita gente está desiludida porque esperava que por artes mágicas (ou por arrasto do Euro) o Europa das Nações tendesse para um verdadeiro Estado, uma espécie de Estados Unidos da Europa.
 
Os ingleses, gente "antiga" e que está habituada a tratar dos seus assuntos (às vezes with a little help from their friends, claro) vê na União Europeia pouco mais que uma área de livre comércio, com benefício para todas as partes, enquanto as tais "todas as partes" acharem que têm de facto vantagens em pertencer à União. A Inglaterra não entrou no Euro, por motivos óbvios - digo eu.
 
Afinal, as pessoas (e as nações) são felizes ou infelizes consoante as fasquias das expectativas são colocadas ao seu alcance (com um esforçozinho, estimulante) ou completamente fora dele - e da realidade.
 
Um amigo meu tentava, já há uns bons dez ou vinte anos mostrar-me que as Pátrias europeias, as "nacionalidades" estavam em clara retração face à cidadania emergente - a europeia - e que isso se sentia quando se cruzavam fronteiras sem parar, se falavam duas ou três línguas e toda a gente se entendia.
 
Eu contrapunha os movimentos centrífugos em Espanha (várias nacionalidades em união mais que precária), na ex-URSS que deu numa dúzia de países e, mesmo assim, ainda há duas ou três (se calhar mais) nacionalidades a "ferver" como a Tchechénia. Nos balcãs, a Juguslávia, estava novamente a balcanizar-se, com guerras fraticidas pseudo "religiosas", a Bélgica instável como sempre e... por aí fora.
 
Parece-me que o que faz sentido é mesmo encararmos a Europa como ela é - a Europa das Pátrias - e tentarmos manter o que conseguimos: um mercado comum, um espaço de livre circulação de pessoas e bens, com normas e regulamentos comuns para várias áreas de atividade, com várias políticas comuns ou concertadas coordenadas por órgãos representativos dos países membros  e ... não forcemos a nota. Vamos com calma.
 
O Euro está a tornar-se num problema, moeda única num espaço não unificado politicamente, com orçamentos descoordenados e finanças, em muitos casos, à beira da ruína.
 
Mas entre o Euro matar a Europa-que-temos e a Europa sacrificar o Euro - claramente, que se lixe o Euro!

BAGAS DE GOJI - MUITO FIXE!

Já há alguns meses que reparei, na zona dos amendoins, cajus, etc, uma bancada com estes pacotinhos que, à primeira vista, me pareceram conter piri piri.
 
A minha caríssima metade interessou-se pelo assunto e acabámos por comprar (e temos comprado regularmente) estes frutinhos secos vindos da China, tipo passas, adocicados que, segundo os vários sites que visitei, só não tratam o mau olhado e a espinhela caída.
 
Do colesterol à falta de "licuto", fazem bem a tudo.
 
Ora veja mais aqui

Monday, November 19, 2012

Para a "esquerda" uma Jonet aceitável é uma Jonet calada...

A esquerdalhada e os seus compagnons de route continuam o ataque à Xonet. 
 
É que ela não é solidária, ela faz "caridadezinha". Há pouco, o BA era o máximo; a Xonet opinou - caiu o Carmo, a Trindade, o hotel Vitória, o Rato e por ai fora.
 
Queriam-na calada, era o que era!

A Gaza do Há Mais ou a desonestidade engagée...

Erro estratégico, diz Público!
 
Erro estratégico, my ass! (digo eu) 
 
O reinício em força do lançamento de mísseis artesanais melhorados (o Há Mais aproveita bem as tréguas, emerge sempre mais forte...) devia ter sido ignorado por Israel, em nome duma trégua duradoura, dizem as pombinhas de Israel (não é só a Cat'rina que tem pombinhas, não julguem...)
 
Que ingenuidade... ou que desonestidade engagée!