Saturday, August 18, 2012

A crise, a tropa, a comunicação "social"...

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Deixo-vos aqui o editorial do APOIAR nº 75 que, se bem que seja de Junho passado, é perfeitamente atual ao tecer considerações sobre a "nossa imprensa", o que a move, o acompanhamento que (não) faz dos "escândalos" que promove, a influência nefasta que tem sobre os cidadãos que ainda acreditam no que a comunicação dita social comunica, que ainda não perceberam quão artifical é o ambiente de fim de regime, quando não de fim de vida, que ela promove e de que se alimenta. Mas, ai de nós, uma imprensa livre, mesmo merdosa, é essencial ao controlo do Poder do Estado que, sem ela, seria quase incontrolável, pior: quando o Estado controla a comunicação "social" tem (quase) todas as condições para se eternizar.

Que o digam os degraçados cidadãos dos antigos países comunistas, que o diagam os alemães e italianos nos anos 20, 30, 40...


Tuesday, August 14, 2012

OS PROFESSORES DESEMPREGADOS

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O Publico trazia esta manhã um artigo de José Carvalho em que ele tece considerações sobre a reivindicação dos "professores" para que o Estado lhes garanta empregos, quaisquer que sejam as alterações no número de estudantes, de escolas, de cursos. Os professores é que não podem ficar sem ter um encosto. Leia o texto ao lado, de que destaco a parte final, na imagem acima.


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OS EQUÍVOCOS SOBRE OS EUCALIPTOS

Sem comentários, transcrevo um artigo que o Público de hoje trazia, escrito por um engenheiro agrónomo, um tal João M. A. Soares.
Contra a diarreia que os "ambientalistas" espalham a propósito dos males que o eucalipto trazem "à floresta" e ao "ambiente", o articulista apresenta dados para quem tiver pachorra e curiosidade verificar.
Se não tiver pachorra pode sempre pensar. Já não era mau...

Saturday, July 28, 2012

A monja e o capitalismo "não ético"

É muito raro ler o DN mas, quando o Público se atrasa muito (o que, ai de mim, não é raro...) lá volto ao pasquim que Saramago procurou sanear de todos os vestígios de "fascismo" durante o verão quente do PREC.

Os colunistas são um mimo, a começar pelo dono da contra capa, o Ferreira Fernandes, que leio sempre só pelo ponto de vista dele, sempre, sempre, diferente do meu...

O padre (e professor de filosofia, nada de dúvidas!) Anselmo Borges prega-nos hoje com a xaropada que acima afixo, nada mais nada menos que o pensamento da irmã Teresa Forcades, beneditina "doutorada em medicina e em teologia".

Com estes pergaminhos, para suportar as ideias que choverão a seguir, procuro logo um guarda chuva, que a tormenta promete.
E vejam só a pérola, a chave de ouro do pensamento monacal, aqui ao lado.

E com esta me vou, abananado: com soluções destas e soluções como as do Génio da Província (o mui digno prof Boaventura) o capitalismo bem pode tremer, a troica abanar e amiga Angela Merkel rir a bandeiras despregadas.

... e eu com ela, eheheheheh!

Wednesday, July 18, 2012

O INACREDITÁVEL JANUÁRIO TORGAL, BISPO DA ICAR E DAS FA'S


Estaria bêbado?! Sob o efeito de drogas?! Reparem na expressão esquisita, transtornada do gajo, muito, muito estranho. Quanto ganhará o capelão das FA's para ficar tão fora de si por perder os dois subsídios? Que grande materialista me saíu este gajo, eheheheh!

Mais a sério, só me faltava mais esta: nem o PCP, nem o Bloco de (extrema) Esquerda foram capazes de tal despautério.

O sacana do Januário nem as pensa: governo profundamente corrupto (o governo de Sócrates era um cordeirinho comparado com este), ladrões, cada um tem o seu gang, diabos negros (esta terá conotação racista ou será rebuscada linguagem de sacristia?).

Se estas "acusações" fossem feitas por um político normal não deixariam de resultar numa série de processos-crime por difamação, denúncia caluniosa, etc, etc, etc.

Mas feitas por um desgraçado que vive de enganar o próximo com vãs promessas de amanhãs que cantam, eternamente, no Céu (onde?!), integrado numa organização tentacular e altamente corrupta, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que oculta e protege padres e bispos pedófilos como uma verdadeira rede criminosa (nos States e na Irlanda é o que parece!), feitas por este desgraçado é natural que, para além de comentários discretos, a coisa fique por aqui.

O senhor Bispo, ansioso por afirmação e reconhecimento público, soprou mais uma vez (desta vez, com muita força) os trompettes de la renommée, deu uma de homem, deu uma de macho latino e pode dormir feliz nos braços de Morfeu ou de alguma paroquiana (ou paroquiano) mais amável...

Merda de gajo!

Saturday, July 14, 2012

MÉDICOS - DEFENSORES DO SNS OU DO TACHO?

Só para não deixar passar em branco a greve dos mérdicos: como é possível ter uma cara de pau tão grande para estes bandalhos virem dizer a público que estão muito preocupados com o SNS (está ameaçado, pelos vistos, por quem se desunha por arranjar dinheiro para o manter a funcionar...) e que por isso fizeram a greve.

Se não, vejamos:

  • Os médicos do SNS podem (têm tempo) para dar consultas particulares ao fim da tarde, que muitas vezes começa antes das 4 da tarde;
  • Para recuperarem as listas de espera (causadas pela sua baixíssima produtividade) têm "incentivos" que resultam, por vezes, em milhares de Euros (em alguns casos dezenas de milhar) por mês;
  • Devido à falta de médicos (o palerma que a foto mostra mais o bastonário dizem que há faculdades a mais a formar excesso de médicos) estes bandalhos têm que trabalhar mais horas pelo que auferem horas extraordinárias, muitas vezes vários ordenados base;
  • Os médicos sempre se manifestaram contra a abertura de novas faculdades de medicina (para manter a qualidade...), mesmo quando o SNS se via forçado a importar médicos espanhóis, cubanos, e por aí fora, e milhares de utentes não tinham médico de família, situação que se mantém;
  • Os médicos (como classe, representados pela Ordem) sempre foram contra os genéricos - não é preciso ser velho para nos lembrarmos das suas posições sobre os perigos dos genéricos, contribuindo para manter bem altas das despesas com medicamentos (e, dizem, os seus "prémios de produtividade" pagos de diversas formas pelas farmacéuticas);
  • Os médicos sempre foram e continuam a ser contra a receita por princípio ativo, mantendo a defesa dos seus privilégios e benesses pelas farmacéuticas que os patrocinam;

Todos os pontos acima resultam em custos acrescidos para o SNS. É preciso mais? Não me parece, temos aqui pano para mangas para perceber que os senhores doutores apenas defendem o pleno emprego (da classe, claro), as carreiras na função pública que lhes permitem atuar na "privada" e ... tudo a bem do doente.

Se a hipocrisia matasse, nem o SNS lhes valia, eheheh! 

MIJATORIUM ET CAGATORIUM

Parece-me estar cientificamente provado que os portugueses mijam cada vez menos. Só assim compreendo que sendo nós muitos mais que no início do século XX os mictórios públicos, abundantes nesses tempos idos, aquelas maravilhas em ferro fundido de que ainda ainda há vestígios, como o dos Olivais, na praça da Viscondessa, tenham vindo a fechar de forma definitiva e sem alternativa que não seja um canto esconso, uma árvore mais entroncada, um jardim com umas bissapas mais densas.

Já tive uma urgência satisfeita, à saída do Hospital da Cruz Vermelha, graças a um mato razoavelmente denso que me protegeu das vistas dos passantes com gelosias vegetais eficazes.

E quanto a cagatórios nem é bom falar: fechou quase tudo o que nos deixa mais expostos porque a função é mais elaborada e exige meios diversificados. Além disso, o repúdio público é bem mais marcado que uma simples mijinha atrás de uma qualquer árvore.

O Campo Grande não é excepção e lá está uma bela construção onde o lisboeta se aliviava em tempos idos, agora fechada e sem esperança de reabertura.

Mas no Campo Grande, felizmente, não falta onde dar uma mijada ou mesmo arrear o calhau, pelo que o encerramento do mictorium et cagatorium não é crítico.

Saturday, July 07, 2012

AS PISCINAS MUNICIPAIS

Esta manhã, nas minhas voltas de bicicleta, dei uma espreitadela à piscina do Campo Grande, fechada há anos.

Chamou-me a atenção o portão de rede entreaberto, de modo que entrei no recinto montado na bicicleta e tirei as fotos que aqui vos deixo.

O recinto está completamente ao abandono, aparentando ter sido roubado tudo o que tinha algum valor e estragado o resto - os vidros partidos estão por todo o lado. Como de costume, o que não era possível roubar foi destruído. Como sabem, o marginal o que não consegue roubar, estraga; o que não consegue estragar, suja.
E a Câmara Municiapal de Lisboa dá uma ajudinha: o recinto não tem guarda, nem qualquer espécie de segurança que se veja e os portões estão abertos a quem lá quiser ir partir mais uns vidros, cagar num canto ou ... emboscar-se à espera de um incauto lhe passe à mão ou entre na armadilha para ver ou tirar fotografias.
Senti-me muito, muito inseguro, pelo que não me afastei mais que um ou dois metros do portão.
Que a CML está em cheta toda a gente sabe, mas é uma pena (será crime?!) que deixe degradar a este ponto uma piscina que estava a funcionar (tinha aquela cobertura em bolha de ar tão característica) quando fechou para obras.

Tenho ir dar uma espreitadela à dos Olivais, mas pinta-me que estará mais ou menos como esta.


Thursday, June 28, 2012

OS PROFESSORES DESEMPREGADOS E A EMIGRAÇÃO

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Na arrumação habitual de coisas que ficaram a meio (...) encontro este bocado da página do José Manuel Fernandes (no Expresso, creio), já com umas semanitas, mas tratando de um tema perfeitamente atual.

Como sempre JMF documenta-se e vai a direito. No caso dos professores desempregados (já estou a ouvir o indescritível D. Arménio a indignar-se...), a situação é a seguinte:

A população portuguesa tem vindo consistentemente a envelhecer, o número de jovens vem diminuindo, o que faz com que desde os anos 90 o número de alunos tenha caído mais de 30%. No entanto, o número de professores empregados para esses alunos passou de 120.000 para 146.000, ou seja aumentou 21%.

O kamarada Arménio e o seu grupo de defensores-dos-pendurados-no-Estado acham que o Estado devia criar empregos para absorver os professores desempregados.

Como é que se pode levar esta malta a sério?!

A RECEITA DO BOAVENTURA PARA FINTAR A CRISE (E OS CREDORES...)

Esta manhã, ao arrumar fotografias dei de caras com um post com mais de um ano em que eu zurzia no desgraçado do Boaventura Sousa Santos (BSS), que de desgraçado não tem nada assim ele vá tendo audiência para as suas teses simplistas que lhe permita manter os tachos e tachinhos que um "vulto" da sua estatura merece.

A verdade é que o homem não tem conserto mas também não o têm os seguidores destes iluminados alucinados que pregam a evidência (?!) dos malefícios do ultra-liberalismo (?!) e os benefícios imediatos de se optar por uma agenda de desenvolvimento e criação de emprego.

BSS tem a boa ventura de, ao contrários dos colegas alucinados, indignados & Cia, nos apresentar uma solução para a crise. A receita é simples:

Reduzir a dívida à expressão mais simples, descontando (não pagamos!!!) os efeitos d e "rating por contágio" trazendo a dívida para a sua "proporção real" e pedir dinheiro aos PALOPS, China e outros beneméritos que confiem em nós e nos emprestem a juro inferior ao da Troica e sem as "condicionalidades do FMI". Ou seja, que nos emprestem pelos nossos lindos olhos mesmo com a nosso historial de caloteiros habituados a viver de empréstimos (desde o 25 de Abril, pelo menos...).

A auditoria cidadã parece ser um nado morto e a verdade é que, sendo tão inquinada por gente de esquerda e extrema esquerda, não era de esperar mais que comícios, passeatas, etc. Consultando a net, conclui-se isso mesmo: a convenção pariu uma uma comissão que até hoje parece não ter feito nada.

Quanto ao empréstimo a preço de amigo a conceder pelos PALOPS tudo indica, como era de esperar, que eles nos fizeram um manguito, se é que o infeliz BSS teve a lata de lhes fazer a sugestão.

Veja mais sobre a tal Auditoria Cidadã



 

Vá jantar e beber um copo à LX FACTORY

Fui à Lx Factory ao fim da tarde de hoje (anteontem), levar a Xana a uma tal Health Industry (dentista fashion...) sita na Lx Factory onde não ia há uns anos.

Entra-se pela rua pos trás da escola superior de Polícia, veja a planta mais abaixo.
O espaço é agradável, cheio de bares, esplanadas, ateliers diversos, restaurantes.
Um sítio para ir beber um copo à noite ou para ir jantar e ficar (ou não) pela noite fora.

 

 

 

 

 Entrada ao fundo, escola superior de polícia à direita.

 

Friday, June 15, 2012

ENQUANTO A CRISE NÃO SE VAI E O CRESCIMENTO NÃO VOLTA...

Pois, pois, enquanto  crise não se vai e o crescimento não se vem...

Enquanto o pau vai e vem, há costas que, longe de folgarem andam cada vez mais curvadas sob o preso dos problemas.

O meu cunhado dizia-me esta manhã ao pequeno almoço (encontrámo-nos, por acaso, numa esplanadazinha no Chinicato, muito agradável, com uma palmeira próxima) que as falências de empresas de contrução e ligadas ao ramo são mais que muitas, nunca viu nada semelhante. As Câmaras estão a pagar os salários com as receitas da água, luz, etc, mas não pagam à Águas do Algarve que, por sua vez, não paga aos forncedores e cancela tudo que eram obras previstas na rede. As obras estão praticamente todas paradas, as empreitadas previstas não foram lançadas e provavelmente não vão ser, isto nos equipamentos da Saúde, da Educação, das Obras Públicas...

As Câmaras e o Estado exigem cada vez mais dos fornecedores e empreiteiros e depois... não lhes pagam. Isto fez-me lembrar uma "cena" que me impressionou muito (há uns dez anos, talvez) com um empreiteiro habitual da Câmara de Lisboa que estava à beira da falência depois de ter feitos várias obras para a Câmara, na base da palavra do vereador (não interessa qual..) e, não conseguindo receber nada, foi falar com o diretor municipal de qualquer coisa (finanças, planeamento? whatever). Descreveu a situação em que se encontrava e disse que estava na iminência de ter que vender a carrinha ou de entregar as instalações onde tinha o depósito de materiais, etc. O tal diretor ter-lhe-á dito "ó sr XXXXX, não venda a carrinha, depois como é que vai continuar a fazer-nos obras?!" O empreiteiro (que andava na altura pelos 70 anos) ia-se passando mas... controlou-se e veio contar-nos. O homem não queria acreditar na desfaçatez do funcionário público!

Há malta a fechar empresas (falidas ou antes disso) e a raspar-se para a Alemanha ou para Angola.

O que o meu cunhado me contou não era propriamente novidade mas o que eu não tinha percebido era que a situação estava num ponto tal, como ele me descreveu.

A solução que "toda a gente" prescreve para o crescimento é a retoma (e o incremento) da despesa pública para manter a economia a funcionar. A chatice é que o Estado está empenhado e para injetaar dinheiro "na economia" tem que "ir buscar" dinheiro à banca (juros upa, upa!) ou à Troica que empresta a juro baixo mas quer ter uma palavra (a última, a decisiva, eheheh) sobre o modo como o dinheiro que empresta é aplicado.  

Sem entrar naquelas ideias à la gauche de nacionalizar e subsidiar empresas "estratégicas", lançar programas de obras públicas ruinosas para manter o sector da construção (o mais afetado pela crise) a trabalhar, talvez o Governo devesse pagar aos fornecedores o que lhes deve, incluindo as dívidas das autarquias e das empresas públicas e, a partir daí passar a pagar a tempo e horas, ou seja, a 30 dias.

Isto representaria uma injeção de mais de € 40.000.000.000,00 (não esforce a cabecinha: são quarenta mil milhões de Euros) na economia, perfeitamente legítimos (era só o seu a seu dono) sem sombra de subsídio nem de criação artificial de emprego. Essa injeção teria potencialidades para pôr em marcha muita coisa que está parada e evitar que parasse muita coisa que está em vias de parar.

Será que a Troica não deixa?...

A Auditoria Cidadã e a solução para a crise

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Esta manhã, ao arrumar fotografias dei de caras com um post com mais de um ano em que eu zurzia no desgraçado do Boaventura Sousa Santos (BSS), que de desgraçado não tem nada assim ele vá tendo audiência para as suas teses simplistas que lhe permita manter os tachos e tachinhos que um "vulto" da sua estatura merece.

A verdade é que o homem não tem conserto mas também não o têm os seguidores destes iluminados alucinados que pregam a evidência (?!) dos malefícios do ultra-liberalismo (?!) e os benefícios imediatos de se optar por uma agenda de desenvolvimento e criação de emprego. Só assim, como se a agenda (em geral não explicada, vejam a vacuidade do discurso do Zé (in)Seguro) trouxesse desenvolvimento e levasse o desemprego...

BSS tem a boa ventura de, ao contrário dos colegas alucinados, indignados & Cia, de nos apresentar uma solução para a crise. Muito, muito naïf, mas tem a coragem de a apresentar. A receita é simples:

- Reduzir a dívida à expressão mais simples, descontando (não pagamos!!!) os efeitos de "rating por contágio" trazendo a dívida para a sua "proporção real" (só pagamos!!!) e

- Pedir dinheiro aos PALOPS, China e outros beneméritos tansos que confiem em nós e nos emprestem a juro inferior ao da Troica e sem as "condicionalidades do FMI". Ou seja, que nos emprestem pelos nossos lindos olhos mesmo com a nosso historial de caloteiros habituados a viver de empréstimos (desde o 25 de Abril, pelo menos...).

A auditoria cidadã parece ser um nado morto e a verdade é que, sendo tão inquinada por gente de esquerda e extrema esquerda, não era de esperar mais que comícios, passeatas, declarações sonantes, etc. Consultando a net, conclui-se isso mesmo: da convenção que teve lugar em fins de 2011 e que mandatou uma comissão executiva (creio que era esse o  nome, mas vejam pormenores, se tiverem curiosidade em Auditoria Cidadã , é só clicar) que até hoje não produziu nada - são os próprios "mandatantes" que se queixam de falta total de "notícias".

Em Março passado, a miúda e incansável Ana Benavente (uma cidadã que me merece todo o respeito), com o inacreditável Martins Guerreiro (lembram-se dele, no PREC?) fazia uma conferência em Faro a promover a tal auditoria cidadã. Ao que parece, a Comissão que saíu da convenção estará mesmo "de férias".

Ah! Quanto aos empréstimos ao preço da uva mijona, sem garantias e sem condições, parece que os angolanos, brasileiros e chineses terão dito qualquer coisa no género:

"Ó meu, somos BRIC's mas não somos parvos, vai chular a tua prima!!!".

Era de esperar...

Sunday, May 27, 2012

O "meu" 27 de Maio foi há 35 anos

Na manhã de 27 de Maio de 1977 saí de casa, como sempre, para ir trabalhar para o aeroporto, para a TAAG, onde trabalhava havia pouco menos de um ano.

Vivia sozinho na casa que eu estava a preparar para receber a minha mais que tudo, com quem iria casar dentro de poucos meses. A casa era alí para os lados dos Coqueiros, e fora-me passada (sem quaisquer encargos) por um colega e amigo meu, uma vez que ficara vaga com a mudança dos pais para outra casa.

Pelo caminho não notei nada de especial (de noite também nada perturbara o meu sono), só quando cheguei à TAAG é que se tornou óbvio que alguma coisa se estava a passar. Algumas das oficinas estavam fechadas e já havia notícias de que estava em marcha um golpe de estado e que "o povo tinha que dizer que as coisas não estavam bem", etc, etc.

Por volta do meio dia tornou-se óbvio que não estávamos ali a fazer nada e houve ordem para voltarmos para casa. Meti-me no BM da empresa, com os colegas a quem habitualmente dava boleia, e zarpámos para casa. Nesse tempo a empresa tinha muitos "turismos" que tinham ficado dos pulas que tinham bazado para a Tuga e que eram distribuídos aos "responsáveis" - eu abichara o BMW 2002 por ser um pula que fizera o percurso contrário aos retornas e não tinha "transporte".

Pelo caminho, do aeroporto para a av dos Combatentes (ainda não era Cte Valódia...), passámos entre o antigo RI 20 e o edifício do SPM, tendo à esquerda os edifícios do Rádio Clube. Essa estação de rádio tinha sido tomada pelos Nitistas logo no início do golpe e estava agora a ser atacada pelas tropas leais ao governo, numa coluna de autometralhadoras comandada pelo Onambua.

Quando eu passei a rotunda do RI 20 dei de caras (é o termo) com a tal coluna que vinha pela faixa contrária, mesmo mesmo ao encontro do BM, num cagaçal enorme de motores e disparos, ao que parece, para o ar - se me quisessem atingir, àquela distância era impossível falhar.

Parei de estaca e enterrei-me pelo espaço entre o volante e a parte de frente do banco ... até que o meu compadre (futuro compadre, padrinho do meu filho), o Livramento, que ia no banco ao lado, me puxou e me berrou aos ouvidos para arrancar com a merda do carro e pirarmo-nos dali (as autometralhadoras tinham cruzado o separador central, mesmo à nossa frente, e dirigiam-se para os terrenos do Rádio Clube) .
E assim foi, pisgámo-nos em grande velocidade, sem encontrar barreiras nem checkpoints.
Fomos para casa de um amigo e conterrâneo do Livramento, o Cecílio, que eu não conhecia ainda não conhecia, e aí ficámos um dia ou dois (não me lembro bem) até as coisas voltarem ao normal. Por sinal, o Cecílio arranjou-me um apartamento no mesmo prédio onde morava (nos Combatentes, depois Cte Valódia) e foi aí que passei a residir com a minha mais que tudo até regressar a Portugal, em 1988.

O golpe do Nito Alves deixou-me cheio de sobressaltos e (maus) pressentimentos: é que conhecia pessoalmente o Nito, dos tempos em que estive em Quibaxe (na tropa, depois do 25 de Abril) e ele no Gulumane, não muito longe (veja mais aqui ). Além disso, ele foi um dois ministros que abonaram a minha entrada em Angola (o outro foi o engº Manuel Resende) e eu pedi-lhe uma audiência, para lhe agradecer e retomar contacto, assim que cheguei a Luanda. Mas ele não me recebeu o que, depois do 27 de Maio, achei que foi uma sorte.

Nunca me chatearam o que me deixou muito aliviado: no rescaldo do golpe sangrento do Nito Alves, a repressão foi muito, muito sangrenta. Tipicamente, os portugueses envolvidos foram expulsos e os angolanos executados. Mas também as minhas atividades políticas eram zero e o meu concunhado Zé Vale, da Disa, (esse mesmo, o "terceiro homem"...) sabia bem que as minhas atividades, para além do trabalho, se resumiam às farras e à pesca.

Mas que andei com eles apertados, lá isso andei...

Saturday, May 26, 2012

A consciência social certificada - Comendador Marques de Correia

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Há dias repesquei uma carta do Comendador Marques de Correia, um primo afastado dos Marques Correia, alter ego do "nosso" Henrique Monteiro, sobre o "Manual da Perfeita Consciência Social e da Arte da Lamúria".  Leiam que vale a pena.

Como sempre, o Comendador trata assuntos sérios com graça e fine sense of humor e, en passand, deixa-nos a matutar.

No caso vertente, para além do gozo sobre a atitude de muito boa gente (a gente de esquerda é, por definição, boa gente - digo eu, não o meu primo...) perante a oportunidade ou não que é ficar sem emprego, introduz, a dado ponto, o conceito de conciência social certificada.

Este apetrecho, cahamemos-lhe assim, é o que permite ao Bernardino Soares, ao padreca do Louça, ao José (in)Seguro, ao D. Arménio Carlos e, no geral, aos figurões do centro-esquerda à extrema esquerda, passando pela esquerda-esquerda e pelo bloco de (extrema) esquerda, que lhes permite, dizia eu, arvorar-se em únicos seres que se interessam pelos pobres e desempregados em contraposição com os cidadãos "de direita" (incluindo os malandos dos liberais e ultraliberais) que se estão cagando para os pobres e desempregados, de alto e de repuxo.

Até há quem atire com a teoria (veja-se o que prega D. Arménio) que o intuito, a missão dos ultra-liberais é tirar o pouco que os (ainda) empregados ganham para dar aos ricos e aos banqueiros...

Quem tem uma conciência social certificada pode dar esmola a um pobre e dizer que defende uma agenda para o emprego (?!...) seguro de que é olhado pelo "povo" com admiração e que o seu ato é tido por solidariedade social, enquanto que a mesmíssima esmola dada por uma dondoca de Cascais ou por um liberal (ultra ou não) é... caridadezinha!

Assim vai o nosso belo Portugal...

Saturday, May 05, 2012

AINDA O SUPER 1º DE MAIO DO PINGO DOCE

Henrique Monteiro, no Expresso de hoje tece algumas considerações sobre o que foi a supoerpromoção do Pingo Doce no 1º de Maio, algumas das quais já as tinha exposto no FB. No geral, revejo-me estes comentários, se bem que me pareça que o impacte da promoção sobre as manifs do 1º de Maio devem ter sido zero: os tipos das bandeirinhas vermelhas que frequentam as tais manif's não faltam nem que chovam canivetes.
O pessoal que acorreu aos super saldos é (digo eu...) malta mais terra a terra, mais interessada em fazer pela vida no dia a dia do que em correr a foguetório.

Por outro lado, é público e notório que o 1º de Maio tem cada vez menos que ver com "os trabalhadores" e mais com clientelas de esquerda interessadas em aproveitar o feriado para bater no Governo - em qualquer Governo, já que "eles" só por milagre (ou catástrofe...) podem de forma realista aspirar a sê-lo.

Destaco o último parágrafo:

"A esquerda odiou a afronta. Mas o espírito do 1º de Maio já estava a ficar moribundo."


Sunday, April 29, 2012

Brandão Ferreira não quer pagar impostos

O senhor Tenente Coronel reformado Brandão Ferreira vive de uma reforma generosa atribuída pelo Estado  (generosa porque o senhor a obteve com muito menos tempo de serviço e menos idade que a generalidade da população trabalhadora).
O senhor, depois de se ter formado como piloto aviador na Força Aérea Portuguesa saíu e veio pilotar aviões em empresas de transporte aéreo, sem deixar de ganhar a sua pensão de militar na reserva e, mais tarde, na reforma.
Esta cavalgadura reclama por ter que pagar impostos pelo que ganha como escritor (8,5%!) e tem a subida lata de escrever "...Ora, não devendo nada ao Estado, nem precisando dele para coisa alguma...".
Não devendo nada ao Estado?! Não precisa dele para coisa alguma?! Um gajo que se formou profissionalmente no Estado e que aufere dele uma pensão de reforma?!
Mas que falta de vergonha, carago!
.  .  .  .  .  .  .  .  .
Claro, de quem escreveu as baboseiras sobre a guerra colonial (e a Pátria!) que ele escreveu, tudo é de esperar...
Veja mais sobre o senhor clicando aqui

Os valores de Abril ... e os do PREC

A propósito da posição assumida pelo Vasco Lourenço, Soares & Alegre, o Público, no Editorial do dia 24 teceu considerações muito oportunas sobre o que o 25 de Abril nos trouxe e algo do que deve ser considerado conquista de Abril e também do que não deve.
O 25 de Abril trouxe de volta a democracia não como um regime em que um bando de iluminados nos impõe uma vivência à luz de valores "corretos", segundo um modelo progressista, sobrepondo-se ao querer da população (como se passou durante o PREC), mas como um regime em que a tomada de decisões sobre a coisa pública se rege por regras que asseguram que essas decisões seguem a vontade da maioria da população. Estabelece ainda mecanismos para que a expressão dessa vontade seja o mais fiel e livre possível, por meio de eleições livres, por voto secreto.
Se a maioria da população prefere, num dado momento, políticas de esquerda e noutro políticas de direita isso é, simplesmente a democracia a funcionar.
Se "os militares", ou o PCP (ou a puta que os pariu...) não gostam do governo que saíu das últimas eleições, têm é que arranjar um programa melhor, apresentá-lo aos eleitores e esperar que eles lhes dêem a sua confiança.
Não agora, mas nas próximas eleições.
Ou, claro!, convencer o Presidente a demitir o Governo, dissolver a Assembleia e convocar  eleições antecipadas...

Sunday, March 25, 2012

AS MULHERES E A IGREJA

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O Publico de hoje, domingo traz um artigo muito interessante de um Ana Vicente que aborda a posição das mulheres na sociedade, em particular na Igreja Católica. Vem isto a propósito das declarações do novo cardeal Português, pessoa (aparentemente) bem intencionada mas com uma posição muito tradicional sobre o lugar da mulher no mundo. Não sendo liminarmente "na cozinha", nem "em casa a cuidar dos filhos", tenho que reconhecer que não anda longe disso.
É pena que a Igreja Católica, já liberta dos fundamentalismos (e triunfalismos) que a caracterizaram durante séculos, não consiga encarar de frente as questões de género (e de sexo...) mantendo a mulher numa posição de criada (serva, é o termo) sem qualquer função relevante. E, claramente, numa posição secundária em relação ao macho a quem estão reservados todos os cargos da carreira eclesiástica, de seminarista a Papa.
Nunca percebi a tineta que a padralhada tem em relação ao sexo. Escolhem o celibato, mas sem nunca dispensarem um papel de guia (diretor de consciência, diretor espiritual e outras baboseiras quejandas) na vida dos crentes que lhes dão essa aberta.

Merda de gente!!!

Saturday, March 24, 2012

OS ESTALEIROS DE VIANA DO CASTELO - POISO DA ÚLTIMA ARISTOCRACIA OPERÁRIA DO PREC

Cliquem nas imagens para ampliar e ler

Toda a gente tem acompanhado com alguma simpatia os problemas dos empregados dos estaleiros de Viana do Castelo, prestes a fechar ou a ser vendidos ao primeiro milionário dos petro-dólares ou dos petro-rublos. Além da crise, a gerência dos estaleiros parece não ser das mais competentes a julgar pelo modo como perdeu ou melhor, viu recusada, a encomenda de dois navios, já com um pronto e outro a iniciar a montagem.
A recusa, pela empresa que faz as ligações entre o Funchal e Porto Santo, parece ser à prova de bala e de tribunal, porque parece que não foram cumpridas regras comunitárias - a falta de velocidade de ponta é apenas um pormenor...
As outras encomendas também não parecem ter sido bem cuidadas: um barco entregue à Marinha com 5 anos de atraso e dois barcos para o "amigo Venezuelano", que parecem também estar em risco de se perder - os trabalhos não atam nem desatam, ou melhor, não desataram ainda.
Mas o enfoque que a empresa tem tido trouxe à luz da ribalta as condições absolutamente ímpares que têm os "trabalhadores" daquele estaleiro (ou deverei dizer daquela Santa Casa da Misericórdia?...).
Cliquem na imagem para verem mais este pormenor do que andamos a pagar.