Thursday, June 28, 2012

OS PROFESSORES DESEMPREGADOS E A EMIGRAÇÃO

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Na arrumação habitual de coisas que ficaram a meio (...) encontro este bocado da página do José Manuel Fernandes (no Expresso, creio), já com umas semanitas, mas tratando de um tema perfeitamente atual.

Como sempre JMF documenta-se e vai a direito. No caso dos professores desempregados (já estou a ouvir o indescritível D. Arménio a indignar-se...), a situação é a seguinte:

A população portuguesa tem vindo consistentemente a envelhecer, o número de jovens vem diminuindo, o que faz com que desde os anos 90 o número de alunos tenha caído mais de 30%. No entanto, o número de professores empregados para esses alunos passou de 120.000 para 146.000, ou seja aumentou 21%.

O kamarada Arménio e o seu grupo de defensores-dos-pendurados-no-Estado acham que o Estado devia criar empregos para absorver os professores desempregados.

Como é que se pode levar esta malta a sério?!

A RECEITA DO BOAVENTURA PARA FINTAR A CRISE (E OS CREDORES...)

Esta manhã, ao arrumar fotografias dei de caras com um post com mais de um ano em que eu zurzia no desgraçado do Boaventura Sousa Santos (BSS), que de desgraçado não tem nada assim ele vá tendo audiência para as suas teses simplistas que lhe permita manter os tachos e tachinhos que um "vulto" da sua estatura merece.

A verdade é que o homem não tem conserto mas também não o têm os seguidores destes iluminados alucinados que pregam a evidência (?!) dos malefícios do ultra-liberalismo (?!) e os benefícios imediatos de se optar por uma agenda de desenvolvimento e criação de emprego.

BSS tem a boa ventura de, ao contrários dos colegas alucinados, indignados & Cia, nos apresentar uma solução para a crise. A receita é simples:

Reduzir a dívida à expressão mais simples, descontando (não pagamos!!!) os efeitos d e "rating por contágio" trazendo a dívida para a sua "proporção real" e pedir dinheiro aos PALOPS, China e outros beneméritos que confiem em nós e nos emprestem a juro inferior ao da Troica e sem as "condicionalidades do FMI". Ou seja, que nos emprestem pelos nossos lindos olhos mesmo com a nosso historial de caloteiros habituados a viver de empréstimos (desde o 25 de Abril, pelo menos...).

A auditoria cidadã parece ser um nado morto e a verdade é que, sendo tão inquinada por gente de esquerda e extrema esquerda, não era de esperar mais que comícios, passeatas, etc. Consultando a net, conclui-se isso mesmo: a convenção pariu uma uma comissão que até hoje parece não ter feito nada.

Quanto ao empréstimo a preço de amigo a conceder pelos PALOPS tudo indica, como era de esperar, que eles nos fizeram um manguito, se é que o infeliz BSS teve a lata de lhes fazer a sugestão.

Veja mais sobre a tal Auditoria Cidadã



 

Vá jantar e beber um copo à LX FACTORY

Fui à Lx Factory ao fim da tarde de hoje (anteontem), levar a Xana a uma tal Health Industry (dentista fashion...) sita na Lx Factory onde não ia há uns anos.

Entra-se pela rua pos trás da escola superior de Polícia, veja a planta mais abaixo.
O espaço é agradável, cheio de bares, esplanadas, ateliers diversos, restaurantes.
Um sítio para ir beber um copo à noite ou para ir jantar e ficar (ou não) pela noite fora.

 

 

 

 

 Entrada ao fundo, escola superior de polícia à direita.

 

Friday, June 15, 2012

ENQUANTO A CRISE NÃO SE VAI E O CRESCIMENTO NÃO VOLTA...

Pois, pois, enquanto  crise não se vai e o crescimento não se vem...

Enquanto o pau vai e vem, há costas que, longe de folgarem andam cada vez mais curvadas sob o preso dos problemas.

O meu cunhado dizia-me esta manhã ao pequeno almoço (encontrámo-nos, por acaso, numa esplanadazinha no Chinicato, muito agradável, com uma palmeira próxima) que as falências de empresas de contrução e ligadas ao ramo são mais que muitas, nunca viu nada semelhante. As Câmaras estão a pagar os salários com as receitas da água, luz, etc, mas não pagam à Águas do Algarve que, por sua vez, não paga aos forncedores e cancela tudo que eram obras previstas na rede. As obras estão praticamente todas paradas, as empreitadas previstas não foram lançadas e provavelmente não vão ser, isto nos equipamentos da Saúde, da Educação, das Obras Públicas...

As Câmaras e o Estado exigem cada vez mais dos fornecedores e empreiteiros e depois... não lhes pagam. Isto fez-me lembrar uma "cena" que me impressionou muito (há uns dez anos, talvez) com um empreiteiro habitual da Câmara de Lisboa que estava à beira da falência depois de ter feitos várias obras para a Câmara, na base da palavra do vereador (não interessa qual..) e, não conseguindo receber nada, foi falar com o diretor municipal de qualquer coisa (finanças, planeamento? whatever). Descreveu a situação em que se encontrava e disse que estava na iminência de ter que vender a carrinha ou de entregar as instalações onde tinha o depósito de materiais, etc. O tal diretor ter-lhe-á dito "ó sr XXXXX, não venda a carrinha, depois como é que vai continuar a fazer-nos obras?!" O empreiteiro (que andava na altura pelos 70 anos) ia-se passando mas... controlou-se e veio contar-nos. O homem não queria acreditar na desfaçatez do funcionário público!

Há malta a fechar empresas (falidas ou antes disso) e a raspar-se para a Alemanha ou para Angola.

O que o meu cunhado me contou não era propriamente novidade mas o que eu não tinha percebido era que a situação estava num ponto tal, como ele me descreveu.

A solução que "toda a gente" prescreve para o crescimento é a retoma (e o incremento) da despesa pública para manter a economia a funcionar. A chatice é que o Estado está empenhado e para injetaar dinheiro "na economia" tem que "ir buscar" dinheiro à banca (juros upa, upa!) ou à Troica que empresta a juro baixo mas quer ter uma palavra (a última, a decisiva, eheheh) sobre o modo como o dinheiro que empresta é aplicado.  

Sem entrar naquelas ideias à la gauche de nacionalizar e subsidiar empresas "estratégicas", lançar programas de obras públicas ruinosas para manter o sector da construção (o mais afetado pela crise) a trabalhar, talvez o Governo devesse pagar aos fornecedores o que lhes deve, incluindo as dívidas das autarquias e das empresas públicas e, a partir daí passar a pagar a tempo e horas, ou seja, a 30 dias.

Isto representaria uma injeção de mais de € 40.000.000.000,00 (não esforce a cabecinha: são quarenta mil milhões de Euros) na economia, perfeitamente legítimos (era só o seu a seu dono) sem sombra de subsídio nem de criação artificial de emprego. Essa injeção teria potencialidades para pôr em marcha muita coisa que está parada e evitar que parasse muita coisa que está em vias de parar.

Será que a Troica não deixa?...

A Auditoria Cidadã e a solução para a crise

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Esta manhã, ao arrumar fotografias dei de caras com um post com mais de um ano em que eu zurzia no desgraçado do Boaventura Sousa Santos (BSS), que de desgraçado não tem nada assim ele vá tendo audiência para as suas teses simplistas que lhe permita manter os tachos e tachinhos que um "vulto" da sua estatura merece.

A verdade é que o homem não tem conserto mas também não o têm os seguidores destes iluminados alucinados que pregam a evidência (?!) dos malefícios do ultra-liberalismo (?!) e os benefícios imediatos de se optar por uma agenda de desenvolvimento e criação de emprego. Só assim, como se a agenda (em geral não explicada, vejam a vacuidade do discurso do Zé (in)Seguro) trouxesse desenvolvimento e levasse o desemprego...

BSS tem a boa ventura de, ao contrário dos colegas alucinados, indignados & Cia, de nos apresentar uma solução para a crise. Muito, muito naïf, mas tem a coragem de a apresentar. A receita é simples:

- Reduzir a dívida à expressão mais simples, descontando (não pagamos!!!) os efeitos de "rating por contágio" trazendo a dívida para a sua "proporção real" (só pagamos!!!) e

- Pedir dinheiro aos PALOPS, China e outros beneméritos tansos que confiem em nós e nos emprestem a juro inferior ao da Troica e sem as "condicionalidades do FMI". Ou seja, que nos emprestem pelos nossos lindos olhos mesmo com a nosso historial de caloteiros habituados a viver de empréstimos (desde o 25 de Abril, pelo menos...).

A auditoria cidadã parece ser um nado morto e a verdade é que, sendo tão inquinada por gente de esquerda e extrema esquerda, não era de esperar mais que comícios, passeatas, declarações sonantes, etc. Consultando a net, conclui-se isso mesmo: da convenção que teve lugar em fins de 2011 e que mandatou uma comissão executiva (creio que era esse o  nome, mas vejam pormenores, se tiverem curiosidade em Auditoria Cidadã , é só clicar) que até hoje não produziu nada - são os próprios "mandatantes" que se queixam de falta total de "notícias".

Em Março passado, a miúda e incansável Ana Benavente (uma cidadã que me merece todo o respeito), com o inacreditável Martins Guerreiro (lembram-se dele, no PREC?) fazia uma conferência em Faro a promover a tal auditoria cidadã. Ao que parece, a Comissão que saíu da convenção estará mesmo "de férias".

Ah! Quanto aos empréstimos ao preço da uva mijona, sem garantias e sem condições, parece que os angolanos, brasileiros e chineses terão dito qualquer coisa no género:

"Ó meu, somos BRIC's mas não somos parvos, vai chular a tua prima!!!".

Era de esperar...

Sunday, May 27, 2012

O "meu" 27 de Maio foi há 35 anos

Na manhã de 27 de Maio de 1977 saí de casa, como sempre, para ir trabalhar para o aeroporto, para a TAAG, onde trabalhava havia pouco menos de um ano.

Vivia sozinho na casa que eu estava a preparar para receber a minha mais que tudo, com quem iria casar dentro de poucos meses. A casa era alí para os lados dos Coqueiros, e fora-me passada (sem quaisquer encargos) por um colega e amigo meu, uma vez que ficara vaga com a mudança dos pais para outra casa.

Pelo caminho não notei nada de especial (de noite também nada perturbara o meu sono), só quando cheguei à TAAG é que se tornou óbvio que alguma coisa se estava a passar. Algumas das oficinas estavam fechadas e já havia notícias de que estava em marcha um golpe de estado e que "o povo tinha que dizer que as coisas não estavam bem", etc, etc.

Por volta do meio dia tornou-se óbvio que não estávamos ali a fazer nada e houve ordem para voltarmos para casa. Meti-me no BM da empresa, com os colegas a quem habitualmente dava boleia, e zarpámos para casa. Nesse tempo a empresa tinha muitos "turismos" que tinham ficado dos pulas que tinham bazado para a Tuga e que eram distribuídos aos "responsáveis" - eu abichara o BMW 2002 por ser um pula que fizera o percurso contrário aos retornas e não tinha "transporte".

Pelo caminho, do aeroporto para a av dos Combatentes (ainda não era Cte Valódia...), passámos entre o antigo RI 20 e o edifício do SPM, tendo à esquerda os edifícios do Rádio Clube. Essa estação de rádio tinha sido tomada pelos Nitistas logo no início do golpe e estava agora a ser atacada pelas tropas leais ao governo, numa coluna de autometralhadoras comandada pelo Onambua.

Quando eu passei a rotunda do RI 20 dei de caras (é o termo) com a tal coluna que vinha pela faixa contrária, mesmo mesmo ao encontro do BM, num cagaçal enorme de motores e disparos, ao que parece, para o ar - se me quisessem atingir, àquela distância era impossível falhar.

Parei de estaca e enterrei-me pelo espaço entre o volante e a parte de frente do banco ... até que o meu compadre (futuro compadre, padrinho do meu filho), o Livramento, que ia no banco ao lado, me puxou e me berrou aos ouvidos para arrancar com a merda do carro e pirarmo-nos dali (as autometralhadoras tinham cruzado o separador central, mesmo à nossa frente, e dirigiam-se para os terrenos do Rádio Clube) .
E assim foi, pisgámo-nos em grande velocidade, sem encontrar barreiras nem checkpoints.
Fomos para casa de um amigo e conterrâneo do Livramento, o Cecílio, que eu não conhecia ainda não conhecia, e aí ficámos um dia ou dois (não me lembro bem) até as coisas voltarem ao normal. Por sinal, o Cecílio arranjou-me um apartamento no mesmo prédio onde morava (nos Combatentes, depois Cte Valódia) e foi aí que passei a residir com a minha mais que tudo até regressar a Portugal, em 1988.

O golpe do Nito Alves deixou-me cheio de sobressaltos e (maus) pressentimentos: é que conhecia pessoalmente o Nito, dos tempos em que estive em Quibaxe (na tropa, depois do 25 de Abril) e ele no Gulumane, não muito longe (veja mais aqui ). Além disso, ele foi um dois ministros que abonaram a minha entrada em Angola (o outro foi o engº Manuel Resende) e eu pedi-lhe uma audiência, para lhe agradecer e retomar contacto, assim que cheguei a Luanda. Mas ele não me recebeu o que, depois do 27 de Maio, achei que foi uma sorte.

Nunca me chatearam o que me deixou muito aliviado: no rescaldo do golpe sangrento do Nito Alves, a repressão foi muito, muito sangrenta. Tipicamente, os portugueses envolvidos foram expulsos e os angolanos executados. Mas também as minhas atividades políticas eram zero e o meu concunhado Zé Vale, da Disa, (esse mesmo, o "terceiro homem"...) sabia bem que as minhas atividades, para além do trabalho, se resumiam às farras e à pesca.

Mas que andei com eles apertados, lá isso andei...

Saturday, May 26, 2012

A consciência social certificada - Comendador Marques de Correia

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Há dias repesquei uma carta do Comendador Marques de Correia, um primo afastado dos Marques Correia, alter ego do "nosso" Henrique Monteiro, sobre o "Manual da Perfeita Consciência Social e da Arte da Lamúria".  Leiam que vale a pena.

Como sempre, o Comendador trata assuntos sérios com graça e fine sense of humor e, en passand, deixa-nos a matutar.

No caso vertente, para além do gozo sobre a atitude de muito boa gente (a gente de esquerda é, por definição, boa gente - digo eu, não o meu primo...) perante a oportunidade ou não que é ficar sem emprego, introduz, a dado ponto, o conceito de conciência social certificada.

Este apetrecho, cahamemos-lhe assim, é o que permite ao Bernardino Soares, ao padreca do Louça, ao José (in)Seguro, ao D. Arménio Carlos e, no geral, aos figurões do centro-esquerda à extrema esquerda, passando pela esquerda-esquerda e pelo bloco de (extrema) esquerda, que lhes permite, dizia eu, arvorar-se em únicos seres que se interessam pelos pobres e desempregados em contraposição com os cidadãos "de direita" (incluindo os malandos dos liberais e ultraliberais) que se estão cagando para os pobres e desempregados, de alto e de repuxo.

Até há quem atire com a teoria (veja-se o que prega D. Arménio) que o intuito, a missão dos ultra-liberais é tirar o pouco que os (ainda) empregados ganham para dar aos ricos e aos banqueiros...

Quem tem uma conciência social certificada pode dar esmola a um pobre e dizer que defende uma agenda para o emprego (?!...) seguro de que é olhado pelo "povo" com admiração e que o seu ato é tido por solidariedade social, enquanto que a mesmíssima esmola dada por uma dondoca de Cascais ou por um liberal (ultra ou não) é... caridadezinha!

Assim vai o nosso belo Portugal...

Saturday, May 05, 2012

AINDA O SUPER 1º DE MAIO DO PINGO DOCE

Henrique Monteiro, no Expresso de hoje tece algumas considerações sobre o que foi a supoerpromoção do Pingo Doce no 1º de Maio, algumas das quais já as tinha exposto no FB. No geral, revejo-me estes comentários, se bem que me pareça que o impacte da promoção sobre as manifs do 1º de Maio devem ter sido zero: os tipos das bandeirinhas vermelhas que frequentam as tais manif's não faltam nem que chovam canivetes.
O pessoal que acorreu aos super saldos é (digo eu...) malta mais terra a terra, mais interessada em fazer pela vida no dia a dia do que em correr a foguetório.

Por outro lado, é público e notório que o 1º de Maio tem cada vez menos que ver com "os trabalhadores" e mais com clientelas de esquerda interessadas em aproveitar o feriado para bater no Governo - em qualquer Governo, já que "eles" só por milagre (ou catástrofe...) podem de forma realista aspirar a sê-lo.

Destaco o último parágrafo:

"A esquerda odiou a afronta. Mas o espírito do 1º de Maio já estava a ficar moribundo."


Sunday, April 29, 2012

Brandão Ferreira não quer pagar impostos

O senhor Tenente Coronel reformado Brandão Ferreira vive de uma reforma generosa atribuída pelo Estado  (generosa porque o senhor a obteve com muito menos tempo de serviço e menos idade que a generalidade da população trabalhadora).
O senhor, depois de se ter formado como piloto aviador na Força Aérea Portuguesa saíu e veio pilotar aviões em empresas de transporte aéreo, sem deixar de ganhar a sua pensão de militar na reserva e, mais tarde, na reforma.
Esta cavalgadura reclama por ter que pagar impostos pelo que ganha como escritor (8,5%!) e tem a subida lata de escrever "...Ora, não devendo nada ao Estado, nem precisando dele para coisa alguma...".
Não devendo nada ao Estado?! Não precisa dele para coisa alguma?! Um gajo que se formou profissionalmente no Estado e que aufere dele uma pensão de reforma?!
Mas que falta de vergonha, carago!
.  .  .  .  .  .  .  .  .
Claro, de quem escreveu as baboseiras sobre a guerra colonial (e a Pátria!) que ele escreveu, tudo é de esperar...
Veja mais sobre o senhor clicando aqui

Os valores de Abril ... e os do PREC

A propósito da posição assumida pelo Vasco Lourenço, Soares & Alegre, o Público, no Editorial do dia 24 teceu considerações muito oportunas sobre o que o 25 de Abril nos trouxe e algo do que deve ser considerado conquista de Abril e também do que não deve.
O 25 de Abril trouxe de volta a democracia não como um regime em que um bando de iluminados nos impõe uma vivência à luz de valores "corretos", segundo um modelo progressista, sobrepondo-se ao querer da população (como se passou durante o PREC), mas como um regime em que a tomada de decisões sobre a coisa pública se rege por regras que asseguram que essas decisões seguem a vontade da maioria da população. Estabelece ainda mecanismos para que a expressão dessa vontade seja o mais fiel e livre possível, por meio de eleições livres, por voto secreto.
Se a maioria da população prefere, num dado momento, políticas de esquerda e noutro políticas de direita isso é, simplesmente a democracia a funcionar.
Se "os militares", ou o PCP (ou a puta que os pariu...) não gostam do governo que saíu das últimas eleições, têm é que arranjar um programa melhor, apresentá-lo aos eleitores e esperar que eles lhes dêem a sua confiança.
Não agora, mas nas próximas eleições.
Ou, claro!, convencer o Presidente a demitir o Governo, dissolver a Assembleia e convocar  eleições antecipadas...

Sunday, March 25, 2012

AS MULHERES E A IGREJA

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O Publico de hoje, domingo traz um artigo muito interessante de um Ana Vicente que aborda a posição das mulheres na sociedade, em particular na Igreja Católica. Vem isto a propósito das declarações do novo cardeal Português, pessoa (aparentemente) bem intencionada mas com uma posição muito tradicional sobre o lugar da mulher no mundo. Não sendo liminarmente "na cozinha", nem "em casa a cuidar dos filhos", tenho que reconhecer que não anda longe disso.
É pena que a Igreja Católica, já liberta dos fundamentalismos (e triunfalismos) que a caracterizaram durante séculos, não consiga encarar de frente as questões de género (e de sexo...) mantendo a mulher numa posição de criada (serva, é o termo) sem qualquer função relevante. E, claramente, numa posição secundária em relação ao macho a quem estão reservados todos os cargos da carreira eclesiástica, de seminarista a Papa.
Nunca percebi a tineta que a padralhada tem em relação ao sexo. Escolhem o celibato, mas sem nunca dispensarem um papel de guia (diretor de consciência, diretor espiritual e outras baboseiras quejandas) na vida dos crentes que lhes dão essa aberta.

Merda de gente!!!

Saturday, March 24, 2012

OS ESTALEIROS DE VIANA DO CASTELO - POISO DA ÚLTIMA ARISTOCRACIA OPERÁRIA DO PREC

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Toda a gente tem acompanhado com alguma simpatia os problemas dos empregados dos estaleiros de Viana do Castelo, prestes a fechar ou a ser vendidos ao primeiro milionário dos petro-dólares ou dos petro-rublos. Além da crise, a gerência dos estaleiros parece não ser das mais competentes a julgar pelo modo como perdeu ou melhor, viu recusada, a encomenda de dois navios, já com um pronto e outro a iniciar a montagem.
A recusa, pela empresa que faz as ligações entre o Funchal e Porto Santo, parece ser à prova de bala e de tribunal, porque parece que não foram cumpridas regras comunitárias - a falta de velocidade de ponta é apenas um pormenor...
As outras encomendas também não parecem ter sido bem cuidadas: um barco entregue à Marinha com 5 anos de atraso e dois barcos para o "amigo Venezuelano", que parecem também estar em risco de se perder - os trabalhos não atam nem desatam, ou melhor, não desataram ainda.
Mas o enfoque que a empresa tem tido trouxe à luz da ribalta as condições absolutamente ímpares que têm os "trabalhadores" daquele estaleiro (ou deverei dizer daquela Santa Casa da Misericórdia?...).
Cliquem na imagem para verem mais este pormenor do que andamos a pagar.

Wednesday, March 14, 2012

A CRESECENTE IRRACIONALIADE DO DISCURSO CONTRA O NUCLEAR

 Recomendo vivamente a leitura o texto ao lado, tirado do Publico de hoje.

A articulista chama a atenção para o hara kiri que a Europa está a fazer  ao abdicar não só das suas centrais nucleares como da sua indústria nuclear sem uma reflexão cuidada da realidade das políticas de produção de energia a médio e longo prazo, privilegiando (rendendo-se!) aos medos do curto prazo.

A articulista será, certamente, apontada como uma defensora do nuclear mas, lendo o texsto, nada mais errado. Ela limita-se a chamar a atenção para a irrelevância de os reatores europeus serem encerrados num mundo em que o nuclear está em franca expansão, quando os empregos que na Europa estão ligados ao nuclear (projeto, construção e exploração de centrais, investigação e tecnologia nuclear) são tudo menos dispensáveis.

A lógica acéfala (pelo menos, recusam-se a pensar...) dos ambientalistas mais uma vez tem consequências funestas para o nosso presente e tê-lo-á para o nosso futuro.

A menos que sejam parados!

Sunday, March 11, 2012

AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO

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O texto que hoje publico já tem quase um mês, mas vale a pena lê-lo pelo menos para perceber duas coisas:

1. Que nem todos os que aceitam ou defendem o AO 90 são ingnorantes ou analfabetos. O autor deste texto tem tantos pergaminhos (ou mais) como o mais pintado e aguerrido dos talibans anti-AO;

2. Que nem todas as regras da ortografia são milenares, intocáveis e essenciais; algumas, como a da acentuação das palavras esdrúxulas, foi criada pela mão do homem há cem anos e há vinte e poucos esteve para ser cancelada igualmente pela mão do homem.

Tenhamos, pois, calma, muita calminha quando os talibans nos olham como e fossemos traidores à causa da Pátria só porque, com todo o à vontade, passámos a escrever espetáculo, ator e ação, sem alterar um tom no modo como lemos essas palavras.

E tenham os talibans anti-AO o bom senso de guardar para as suas doutas discussões (no Clube dos Pensadores, por exemplo, eheheheheheheh) essa de que a ignorância é muito atrevida...

1.111 POSTS - É UMA BELA MARCA, CARAGO!

Desde que me meti nesta aventura (soft, soft...) em fins de 2004, já lá vão 1111 posts.

O look era um bocado diferente e não encontrei nem rasto do dito.

Uma vez que tenho mais que fazer (a reforma ainda vem longe, penso eu de que) e desde que apareceu o FB tenho-me rendido ao mini-post da rede social em detrimento do post-post dos blogs, estou todo ufano (Ó p'ra mim todo contentinho!!!) com esta marca.

Mil cento e onze posts (no da guerra são mais uns cento e tal...) é mesmo obra!

Evangélicos e talibans - dois ramos do mesmo Mal, o fundamentalismo


As deambulações da Alexandra Lucas Coelho (ALC) por terras do Brasil têm resultado em reportagens e outros textos (tipo caderno de viagem) muito interessantes.

Neste, publicado hoje (texto integral na imagem ao lado; clique para ampliar) na revista do Público, ela dá uma imagem inquietante da ascenção dos fundamentalistas cristãos e do ascendente que vão ganhando no Brasil sobre os políticos, ávidos do seu apoio.

Espero que os tempos mais negros da Igreja Católica não venham a ser re-editados por outras igrejas cristãs, tipo IURD, mas receio bem que só esperar não chegue. Acho que teremos que fazer qualquer coisa, ainda não sei o quê.

ALC refere o caso de um bispo da IURD que Dilma fez Ministro das Pescas e que em breves frases mostra o que lhe vai na alma puríssima, onde não entra sombra de pecado por complacência com o aborto, ou com a liberdade das mulheres ou (supremo peca!) com o casamento homossexual.

O grandecíssimo cabrão e filho de puta dá pelo nome de Marcelo Crivella e parece ter descoberto um belo método de fazer filhos (para evitar o pecado da carne, presumo...) compatível com as suas crenças no Altíssimo.

O pateta e sua castíssima esposa "oram" de três em três anos e de três em três anos são (foram...) abençoados com um pimpolho.

O último tem 21 anos, pelo que presumo (gosto muito de presumir...) que já não "oram" há 21 anos. Talvez por isso a necessidade de lixarem a vida a toda a gente que os atura. Digo eu, armado em psi.
  
Como não podia deixar de ser, o senhor é ferrenhamente homofóbico, pois o Senhor (o "outro") não gosta nada de paneleirices e consta que tem uma sexão (não é gralha) do Inferno reservado para a rapaziada e rapariaga gay. Consta, aliás, que é a zona mais animada do Inferno e que muita freirinha espreita lá de cima, da pasmaceira do Céu, fazendo planos para uma possível queda.

Voltando ao palerma do Trivella (ou Crivella, whatever), o gajo (mais uma vez, como não podia deixar de ser) acha que o lugar da sua castíssima esposa é em casa, a cuidar dos pimpolhos, e em particular na na cozinha a cuidar do pitéu para o senhor (o gajo, não o "outro" - parece que o "outro" já não come há uns bons 2000 anos).

Entre esta malta e os talibans haverá alguma diferença essencial?
Se há, eu não a vejo...

Thursday, March 08, 2012

O bendito Acordo Ortográfico e os seus eruditísimos detratores


 

 
Eheheheeh! A respeito do texto cujo início mostro (completo no link aqui).

É engraçado, mas a evolução da língua tem sido isso mesmo, muito por conta da via popular e muito pouco pela via dita erudita (que, na maioria dos casos, “vai atrás” das alterações e explica como foi).
 

A escrita, melhor a ortografia (com toda a carga que lhe confere o “orto”) é uma espécie de âncora que evita que, de repente, cada um escreva como melhor lhe apetecer e que cada uma dessas grafias “pessoais” seja aceite como boa. O reconhecimento pela comunidade de uma ortografia (isto é, definir que uma grafia é a correta e todas as outras incorretas) não é mais que a tentativa de dar estabilidade à língua evitando que a oralidade determine a escrita a curto prazo – a longo prazo, é um dado adquirido.

 Naturalmente toda a “orto” qualquer coisa, neste caso a ortografia, tem que assentar em regras umas que vêm de trás, outras que são criadas pela constatação de uma prática e/ou de uma conveniência (por exemplo, acentuar as palavras esdrúxulas, regra do início do século XX, mais coiso menos coiso).

O AO (e os que se lhe seguirão) não é mais que a constatação de que Portugal não é dono da língua que espalhou pelos sete mares e, se quer, de algum modo, “segurar” a sua evolução (é uma língua viva – felizmente) tem que “acordar” regras com as restantes comunidades (não portuguesas) que usam a língua que os nossos antepassados lá plantaram.

 Desgraçadamente, o que me parece que ressalta da maioria dos textos dos intelectuais que contestam o AO 90 é uma “indignação” (bacoca? Provinciana? Saloia?...) por uma putativa cedência “aos brasileiros” esses neocolonialistas cujos investimenntos cobiçamos mas cuja influência na sacrossannta língua execramos.

Thursday, February 23, 2012

O Jaquim, valoroso combatente anti Acordo Ortográfico

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Como é que raio um tipo pode ser o "fundador" de um clube de "pensadores" e recusar-se a pensar, a aprender, não se interessar por perceber?!
Tal como dizia o Abraão Zacut do Stau Monteiro, também eu digo que agora sei que é possível: o grunho que a fotografia mostra, um tal Joaquim Jorge, fica psicologicamente (mentalmente?) bloqueado quando o Acordo Ortográfico vem à baila (à colação para ser mais "fino").
O homem está fora de si porque os brasileiros nos estão a colonizar e os angolanos vêm aí, caraças! O bom do Jaquim se calhar deu-se muito bem quando éramos nós a colonizar (colonizar mesmo!) mas agora enche-se de brios patrióticos quando lhe querem fazer pequenas alterações à língua que é algo (diz ele) de inegociável.
Nma coisa, contudo, o Jaquim tem razão: ele diz "Vou escrever sempre como aprendi e me ensinaram".
Passe a indigência mental de um tipo que é incapaz (não quer!) de aprender coisas diferentes, coisas novas, ele só se esquece que todos nós não só escrevemos mas falamos como aprendemos em pequeninos (com uns retoques na escola, na universidade e na vida) e não como a gramática ensina, ou seja:
Nós abrimos o E em espectáculo não por causa do C antes do T, mas porque aprendemos a falar assim em pequeninos. Claro que mais tarde, na escola, e mais tarde ainda, na universidade, vamos "perceber" por que é que as palavras se devem pronunciar assim e não assado, mas se aprendemos "assado", muitos de nós continuamos a dizer "assado" não obstante a escola nos dizer que a palavra se deve pronunciar "assim".
Lembrem-se só do hádem que muito boa gente usa porque aprendeu assim e, muitas vezes, o hádem resiste à escola e à universidade - o Jorge Coelho está longe, muito longe de ser caso único.
Moral da estória (*):
Não se assustem os que pensam que espectáculo vai passar a espetáculo (com E fechado, como quem espeta) só porque o C mudo cai. Não, Jaquim, não!
Espetáculo continuará a ser dito com E aberto desde que as criancinhas continuem a ser ensinadas a dizer assim. Como o são no Brasil.
Qual é o galho, cara?!

(*) ai que horror, dirá o Jaquim: estória, como escrevem os neocolonialistas brasileiros, que horror!!!

Sunday, February 19, 2012

A MORTE - ESSA COMPANHEIRA QUE QUEREMOS À DISTÂNCIA

 Soube esta tarde que o Zé Penha morreu na passada quinta feira. Não sei pormenores mas sei que a malvada impediu de vez que o nosso distanciamento se tenha podido resolver. Afastei-me quando me apercebi que uma caricatura que publiquei sobre o holocausto tinha causado mal estar com a Rita, cuja família foi, em grande parte, ceifada nos campos de extermínio nazistas. Tive pena porque o Zé era um dos poucos amigos novos que fiz nos últimos dez ou 15 anos. Um homem bom e honesto. Paz à sua alma!


No mes passado tinha morrido o João Nunes Oliveira. Tinha-os apresentado e fizemos alguns almocitos com mais um ou dois amigos. A tertúlia que se desenhava não vingou por causa do meu afastamento do Zé Penha numa altura em que o relacionamento deles ainda não se tinha autonomizado. Foi pena, mas não podemos fazer nada contra a fatalidade quando ela, inexorável, nos sai ao caminho. Há que continuar e tirar as devidas lições, tratando as amizades com desvelo e cultivando-as com todo o cuidado.
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Entretanto, o nosso mundo vai-se estreitando...

O CARDEAL CASTRO E A DESONESTIDADE DA COMUNICAÇÃO (ANTI) SOCIAL

O que afirma Pereira...

A nossa comunicação social, ávida de "vender", é pouco fiel na notícia sobre o que o Cardeal Monteiro de Castro terá dito quando afirma que ele disse que "a mulher deve ficar em casa, etc...".

O que ele disse (é só procurar n...a net) foi: “o maior problema de Portugal” é o “pouco apoio que o Estado dá à família”; mais: “a mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos”.

Qual é o partido, sindicato ou associação que é capaz de negar às mulheres trabalhadoras a longa licença de parto que se destina precisamente a garantir que a mãe possa ficar em casa a tratar do filho. Além disso garante-lhe um horário especial para aleitamento e é reivindicação antiga que haja creches no local de trabalho das mulheres para que as mães possam ter uma presença relevante junto dos filhos pequenos.

É isto que o Cardeal defende (que a mulher "possa", repito "possa" estar mais tempo em casa a tratar dos filhos, em particular as trabalhadoras).

Então, qual é a objeção?