Sunday, March 11, 2012

AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO

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O texto que hoje publico já tem quase um mês, mas vale a pena lê-lo pelo menos para perceber duas coisas:

1. Que nem todos os que aceitam ou defendem o AO 90 são ingnorantes ou analfabetos. O autor deste texto tem tantos pergaminhos (ou mais) como o mais pintado e aguerrido dos talibans anti-AO;

2. Que nem todas as regras da ortografia são milenares, intocáveis e essenciais; algumas, como a da acentuação das palavras esdrúxulas, foi criada pela mão do homem há cem anos e há vinte e poucos esteve para ser cancelada igualmente pela mão do homem.

Tenhamos, pois, calma, muita calminha quando os talibans nos olham como e fossemos traidores à causa da Pátria só porque, com todo o à vontade, passámos a escrever espetáculo, ator e ação, sem alterar um tom no modo como lemos essas palavras.

E tenham os talibans anti-AO o bom senso de guardar para as suas doutas discussões (no Clube dos Pensadores, por exemplo, eheheheheheheh) essa de que a ignorância é muito atrevida...

1.111 POSTS - É UMA BELA MARCA, CARAGO!

Desde que me meti nesta aventura (soft, soft...) em fins de 2004, já lá vão 1111 posts.

O look era um bocado diferente e não encontrei nem rasto do dito.

Uma vez que tenho mais que fazer (a reforma ainda vem longe, penso eu de que) e desde que apareceu o FB tenho-me rendido ao mini-post da rede social em detrimento do post-post dos blogs, estou todo ufano (Ó p'ra mim todo contentinho!!!) com esta marca.

Mil cento e onze posts (no da guerra são mais uns cento e tal...) é mesmo obra!

Evangélicos e talibans - dois ramos do mesmo Mal, o fundamentalismo


As deambulações da Alexandra Lucas Coelho (ALC) por terras do Brasil têm resultado em reportagens e outros textos (tipo caderno de viagem) muito interessantes.

Neste, publicado hoje (texto integral na imagem ao lado; clique para ampliar) na revista do Público, ela dá uma imagem inquietante da ascenção dos fundamentalistas cristãos e do ascendente que vão ganhando no Brasil sobre os políticos, ávidos do seu apoio.

Espero que os tempos mais negros da Igreja Católica não venham a ser re-editados por outras igrejas cristãs, tipo IURD, mas receio bem que só esperar não chegue. Acho que teremos que fazer qualquer coisa, ainda não sei o quê.

ALC refere o caso de um bispo da IURD que Dilma fez Ministro das Pescas e que em breves frases mostra o que lhe vai na alma puríssima, onde não entra sombra de pecado por complacência com o aborto, ou com a liberdade das mulheres ou (supremo peca!) com o casamento homossexual.

O grandecíssimo cabrão e filho de puta dá pelo nome de Marcelo Crivella e parece ter descoberto um belo método de fazer filhos (para evitar o pecado da carne, presumo...) compatível com as suas crenças no Altíssimo.

O pateta e sua castíssima esposa "oram" de três em três anos e de três em três anos são (foram...) abençoados com um pimpolho.

O último tem 21 anos, pelo que presumo (gosto muito de presumir...) que já não "oram" há 21 anos. Talvez por isso a necessidade de lixarem a vida a toda a gente que os atura. Digo eu, armado em psi.
  
Como não podia deixar de ser, o senhor é ferrenhamente homofóbico, pois o Senhor (o "outro") não gosta nada de paneleirices e consta que tem uma sexão (não é gralha) do Inferno reservado para a rapaziada e rapariaga gay. Consta, aliás, que é a zona mais animada do Inferno e que muita freirinha espreita lá de cima, da pasmaceira do Céu, fazendo planos para uma possível queda.

Voltando ao palerma do Trivella (ou Crivella, whatever), o gajo (mais uma vez, como não podia deixar de ser) acha que o lugar da sua castíssima esposa é em casa, a cuidar dos pimpolhos, e em particular na na cozinha a cuidar do pitéu para o senhor (o gajo, não o "outro" - parece que o "outro" já não come há uns bons 2000 anos).

Entre esta malta e os talibans haverá alguma diferença essencial?
Se há, eu não a vejo...

Thursday, March 08, 2012

O bendito Acordo Ortográfico e os seus eruditísimos detratores


 

 
Eheheheeh! A respeito do texto cujo início mostro (completo no link aqui).

É engraçado, mas a evolução da língua tem sido isso mesmo, muito por conta da via popular e muito pouco pela via dita erudita (que, na maioria dos casos, “vai atrás” das alterações e explica como foi).
 

A escrita, melhor a ortografia (com toda a carga que lhe confere o “orto”) é uma espécie de âncora que evita que, de repente, cada um escreva como melhor lhe apetecer e que cada uma dessas grafias “pessoais” seja aceite como boa. O reconhecimento pela comunidade de uma ortografia (isto é, definir que uma grafia é a correta e todas as outras incorretas) não é mais que a tentativa de dar estabilidade à língua evitando que a oralidade determine a escrita a curto prazo – a longo prazo, é um dado adquirido.

 Naturalmente toda a “orto” qualquer coisa, neste caso a ortografia, tem que assentar em regras umas que vêm de trás, outras que são criadas pela constatação de uma prática e/ou de uma conveniência (por exemplo, acentuar as palavras esdrúxulas, regra do início do século XX, mais coiso menos coiso).

O AO (e os que se lhe seguirão) não é mais que a constatação de que Portugal não é dono da língua que espalhou pelos sete mares e, se quer, de algum modo, “segurar” a sua evolução (é uma língua viva – felizmente) tem que “acordar” regras com as restantes comunidades (não portuguesas) que usam a língua que os nossos antepassados lá plantaram.

 Desgraçadamente, o que me parece que ressalta da maioria dos textos dos intelectuais que contestam o AO 90 é uma “indignação” (bacoca? Provinciana? Saloia?...) por uma putativa cedência “aos brasileiros” esses neocolonialistas cujos investimenntos cobiçamos mas cuja influência na sacrossannta língua execramos.

Thursday, February 23, 2012

O Jaquim, valoroso combatente anti Acordo Ortográfico

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Como é que raio um tipo pode ser o "fundador" de um clube de "pensadores" e recusar-se a pensar, a aprender, não se interessar por perceber?!
Tal como dizia o Abraão Zacut do Stau Monteiro, também eu digo que agora sei que é possível: o grunho que a fotografia mostra, um tal Joaquim Jorge, fica psicologicamente (mentalmente?) bloqueado quando o Acordo Ortográfico vem à baila (à colação para ser mais "fino").
O homem está fora de si porque os brasileiros nos estão a colonizar e os angolanos vêm aí, caraças! O bom do Jaquim se calhar deu-se muito bem quando éramos nós a colonizar (colonizar mesmo!) mas agora enche-se de brios patrióticos quando lhe querem fazer pequenas alterações à língua que é algo (diz ele) de inegociável.
Nma coisa, contudo, o Jaquim tem razão: ele diz "Vou escrever sempre como aprendi e me ensinaram".
Passe a indigência mental de um tipo que é incapaz (não quer!) de aprender coisas diferentes, coisas novas, ele só se esquece que todos nós não só escrevemos mas falamos como aprendemos em pequeninos (com uns retoques na escola, na universidade e na vida) e não como a gramática ensina, ou seja:
Nós abrimos o E em espectáculo não por causa do C antes do T, mas porque aprendemos a falar assim em pequeninos. Claro que mais tarde, na escola, e mais tarde ainda, na universidade, vamos "perceber" por que é que as palavras se devem pronunciar assim e não assado, mas se aprendemos "assado", muitos de nós continuamos a dizer "assado" não obstante a escola nos dizer que a palavra se deve pronunciar "assim".
Lembrem-se só do hádem que muito boa gente usa porque aprendeu assim e, muitas vezes, o hádem resiste à escola e à universidade - o Jorge Coelho está longe, muito longe de ser caso único.
Moral da estória (*):
Não se assustem os que pensam que espectáculo vai passar a espetáculo (com E fechado, como quem espeta) só porque o C mudo cai. Não, Jaquim, não!
Espetáculo continuará a ser dito com E aberto desde que as criancinhas continuem a ser ensinadas a dizer assim. Como o são no Brasil.
Qual é o galho, cara?!

(*) ai que horror, dirá o Jaquim: estória, como escrevem os neocolonialistas brasileiros, que horror!!!

Sunday, February 19, 2012

A MORTE - ESSA COMPANHEIRA QUE QUEREMOS À DISTÂNCIA

 Soube esta tarde que o Zé Penha morreu na passada quinta feira. Não sei pormenores mas sei que a malvada impediu de vez que o nosso distanciamento se tenha podido resolver. Afastei-me quando me apercebi que uma caricatura que publiquei sobre o holocausto tinha causado mal estar com a Rita, cuja família foi, em grande parte, ceifada nos campos de extermínio nazistas. Tive pena porque o Zé era um dos poucos amigos novos que fiz nos últimos dez ou 15 anos. Um homem bom e honesto. Paz à sua alma!


No mes passado tinha morrido o João Nunes Oliveira. Tinha-os apresentado e fizemos alguns almocitos com mais um ou dois amigos. A tertúlia que se desenhava não vingou por causa do meu afastamento do Zé Penha numa altura em que o relacionamento deles ainda não se tinha autonomizado. Foi pena, mas não podemos fazer nada contra a fatalidade quando ela, inexorável, nos sai ao caminho. Há que continuar e tirar as devidas lições, tratando as amizades com desvelo e cultivando-as com todo o cuidado.
.  .  .  .  .  .  .  .  .
Entretanto, o nosso mundo vai-se estreitando...

O CARDEAL CASTRO E A DESONESTIDADE DA COMUNICAÇÃO (ANTI) SOCIAL

O que afirma Pereira...

A nossa comunicação social, ávida de "vender", é pouco fiel na notícia sobre o que o Cardeal Monteiro de Castro terá dito quando afirma que ele disse que "a mulher deve ficar em casa, etc...".

O que ele disse (é só procurar n...a net) foi: “o maior problema de Portugal” é o “pouco apoio que o Estado dá à família”; mais: “a mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos”.

Qual é o partido, sindicato ou associação que é capaz de negar às mulheres trabalhadoras a longa licença de parto que se destina precisamente a garantir que a mãe possa ficar em casa a tratar do filho. Além disso garante-lhe um horário especial para aleitamento e é reivindicação antiga que haja creches no local de trabalho das mulheres para que as mães possam ter uma presença relevante junto dos filhos pequenos.

É isto que o Cardeal defende (que a mulher "possa", repito "possa" estar mais tempo em casa a tratar dos filhos, em particular as trabalhadoras).

Então, qual é a objeção?

Portugal, um país de descontentes

Figura 1: PIB per capita, posição no ranking mundial do IDH, satisfação "com a vida"
Em cima, a população de cada estado

Na habitual arrumação de fotos novas e antigas, fui dar de caras com uns recortes de Novembro de 2011, do Público, que permanecem tão atuais como se os tivesse sacado da Pública de hoje.
São excertos de um estudo sobre a evolução do IDH (índice de desenvolvimento humano) que assenta em vários parâmetros, nomeadamente o PIB per capita, mas que vai muito mais além: esperança de vida, mortalidade infantil, escolaridade, despesa com saúde e educação, etc. Portugal tem visto o seu índice progredir de forma consistente no período em apreço, 1980 a 2011, encurtando a distância que nos separa do primeiro, a Noruega (figuras 2 e 3).
Vendo os índices, Portugal não está nada mal colocado quer no indicador relacionado com os bens materiais (PIB per capita) quer nos indicadores relacionados com o acesso a benefícios sociais (saúde, educação, etc). A expectativa de vida e a mortalidade infantil têm progredido de forma positiva colocando-nos numa posição muito confortável perante a morte (para ser direto).
Não obstante estes dados, os meios de comunicação cá da terra estão permanentemente cheios de artigos dos próprios e de declarações (entrevistas, etc) de terceiros que nos querem fazer acreditar que os pobres estão a morrer de fome, que nos hospitais as pessoas são tratadas cada vez pior, as refromas estão ameaçadas, o dito Estado Social está a ser "atacado" pelos ultra liberaris que o querem destruir.
Note-se que este tom apenas se agudizou com a presente crise mas antes dela os jornais e televisões usavam a "tragédia iminente" como o meio mais fácil e barato de vender o seu produto.
Estou convencido que muita gente acredita mesmo quando o PCP ou o inacreditável Arménio Carlos (ou a pateta da Ana Avoila ou a vermelhusca da Heloísa Apolónia) dizem que há gente a morrer de fome e que o Estado Social está a ser destruído!
Reparem que quando os governos desde, talvez, Barroso perceberam que os níveis de proteção social eram incomportáveis face à proporção entre pensionistas e contribuintes da Segurança Social e começaram a tomar medidas para evitar a falência da "Senhora" e garantir a sua viabilidade (no geral, aumentando a idade da reforma, diminuindo os níveis de proteção e - lá iremos - aumentando o nível de contribuição) a "esquerda" levantou-se de imediato acusando o governo de atacar os trabalhadores e o Estado Social.
Até o mação que se diz pai do SNS veio a terreiro dizendo, basicamente, que o SNS ou ficava como ele o desenhou ou alterá-lo seria acabar com ele.
Resultado: o pessoal, que pouco lê e é mais dado a emprenhar pelos ouvidos, fica com a vaga ideia que "isto está mesmo mau" sem se aperceberem que por muito que o PIB per capita suba, por muito que "toda a gente" compre casa própria e uma boa parte compre casa de férias, por muito que "toda a gente" frequente a universidade e por muito que a obesidade seja um mal generalizado (devia ser a malnutrição, não seria?!) o pessoal, dizia eu, sente-se muito insatisfeito "com a vida". Segundo o estudo, são mais de metade dos portugueses.
Isto tem algum jeito?!   
Eu diria que não somos um País de descontentes, mas um País minado por grupos que vivem e proliferam à custa do descontentamento alheio: a comunicação social e a esquerda "revolucionária" (PCP e seus satélites). As motivações são diferentes, mas ambos necessitam do descontentamento para venderem o seu produto e para se manterem em jogo.
Por isso as páginas dos jornais e as diatribes dos PC's e CGTP's estão eivadas de mentiras, exageros e insultos. 
Que fazer?...
Figura 2: Progressão do IDH 1999 a 2011 (Noruega e Portugal)
Em cima, despesa com a Educação em % do PIB






Figura 3: Progressão do IDH 1980 a 1998 (Noruega e Portugal)
Em cima, vários índices considerados
Figura 4: excerto do texto do Público

Sunday, January 01, 2012

CRISE DE VALORES?!


O jornal "I" de hoje, que comprei à falta do Público, traz uns dados muito interessantes sobre a taxa de sobrevivência entre homens, mulheres e criança, tripulantes  ou passageiros, de 1ª, 2ª e 3ª classes.
Passando os vários gráficos em empada (ou queijo, ou "pie", como queiram...) para um único gráfico (ao lado), dá para comparar melhor a influência da "classe" na taxa de sobrevivência e perceber o que eram os "valores" naqueles tempos, supostamente muito superiores aos atuais...

Naquele tempo, ser pobre equivalia a ser passado para trás no acesso aos barcos salva vidas, ATÉ PARA AS CRIANÇAS!!!  

Não sei o filme Titanic é correto quando mostra as portas de grade fechadas a cadeado para evitar que aquele "gentalha" da terceira classe (gente de 3ª, pelos "valores" da época) invadisse os níveis superiores, e as mantiveram fechadas mesmo quando se anunciou o naufrágio. Vendo as taxas de sobrevivência, percebe-se para quê...

Reparem que as crianças da 1ª e 2ª classes sobreviveram a taxas superiores a 80% (100% para as 24 crianças da 2ª classe) enquanto que das que viajavam em 3ª classe sobreviveram umas escassas 34%.
Para as mulheres que viajavam em 3ª classe também a ordem "primeiro as mulheres e crianças" não fez grande efeito: a taxa de sobrevivência em 2ª e 1ª classes foi superior a 86% enquanto que das que viajavam em 3ª classe salvaram-se umas escassas 46%.

Nos homens, curiosamente, a taxa de sobrevivência entre os passageiros de segunda classe foi de metade dos da terceira classe que, por sua vez, foi de metade dos da primeira.

A taxa de sobrevivência dos passageiros homens de 1ª classe esteve praticamente ao mesmo nível que a das crianças de terceira classe...

Quanto aos tripulantes homens (em grande número, mais que o total dos passageiros homens) a ideia romântica de ir ao fundo com o navio não terá tido muitos adeptos pois os tripulantes se é certo tiveram uma taxa de sobrevivência inferior à dos "homens de 1ª", tiveram-na bem acima da dos "homens de 3ª" e mais do dobro da dos "homens de 2ª".

Por estas e outras, quando me vêm falar em crise de valores e que dantes é que era bom, cada um sabia o seu lugar, etc e tal, dá-me vontade de rir.


Saturday, December 31, 2011

A Confraria de Príapo - em defesa do marsapo das Caldas

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Isto das confrarias (dos milhentos vinhos, das papas de sarrabulho, do leite (sim, do leite!), do azeite, etc, etc, etc) deve ser tineta antiga. Os gajos que não se vêem enormes e poderosos enfiados numa fardeta, mas que não se quiseram chetear a mendigar a entrada na maçonaria ou a passar a vida a contar botas na tropa, realizam a sua fantasia entrando para uma destas confrarias e assumindo as fardetas ridículas (parecem putos a brincar a qualquer coisa fardada..). Mas esta confraria é (parece ser) um bocado diferente.

Os confrades querem defender (veja notícia do Público de hoje) a "qualidade" e "originalidade" da "garrafa das Caldas" a que a malta, naturalmente chama o caralho das Caldas (de meio litro, de litro e meio, de 5 litros e por aí fora).
Lá chegará o dia em que a Confraria, apoiada pelo Ministério da Kultura (havemos de lá chegar...), propor à UNESCO o reconhecimento do caralho das Caldas como património material da humanidade.

Olarilas!!!

Thursday, December 08, 2011

A IGREJA CARAVELA DO ARQUITETO TROUFA REAL


Num dia de intenso nevoeiro, hoje, fui dar uma espreitadela à igreja do alto do Restelo que será aberta ao público (aos paroquianos, melhor dizendo) no próximo sábado.

Vista do alto do miradouro dos Moinhos de Santana, com um bom zoom, o nevoeiro não deixou muito melhor que a imagem acima.
O dourado da caravela deu em ferrugem, que isto de enfrentar a velha guarda, conservadoura e cinzentona da arquitetura portuguesa não é pera doce. Veja qualquer coisa aqui
Vista de mais perto, da rua João Dias, onde morou o Prof Pinto Peixoto, a igreja mostra-se mais claramente (o neovoeiro não era tãããoo intenso), com a casa paroquial toda laranja, os betões ainda em bruto, não se percebendo se vão ou não ser "acabados".

Falta a torre (o dinheiro não chegou?) que parece que não vai ser nada do que estava inicialmente previsto.

O prof Carvalho Rodrigues (o Pavarotti do satélite português) vai dar uma mãozinha ao Troufa para a torre ter um movimento em hélice, como o ADN (!), e gerar energia elétrica...

Vamos ver como fica a obra acabado.

Para já, saúdo a coragem, a criatividade e a irreverência, muito raras num homem de mais de 70 anos, que criou este controverso objeto urbano, em tudo diferente das obras cinzentas, contidas e sóbrias de outros "vultos" das nossas "elites", tão ao gosto das nossas gentes da "cultura".

Veja o que estava previsto, no início aqui

As barragens e a incoerência dos "ambientalistas"

O melhor comentário que vi sobre a questão das barragens vem hoje no Público, é muito curto e direto, e foi escrito por um sr Andrade, do Porto. Reproduzo-o ao lado.

Começa com

"O Douro está cheio de barragens e foi classificado Parimónio Mundial pela UNESCO, mas agora uma barragem num afluente desclassifica a região só porque se trata de uma barragem..."

No mesmo jornal, também hoje, publicou-se o pior comentário - esse é muito mais difícil de  escolher pois abundam os comentários de supostos ambientalistas atacando as barragens por adulterarem a paisagem e os "habitats! (?) e os "ecossistemas" (?!) sem valorizarem a reserva de água doce, cada vez mais escassa e a regularização dos caudais.
Na realidade, ao sabotarem os planos de aproveitamento do potencial hidroelétrico nacional estão a apoiar a construção e a manutenção ao serviço de centrais térmicas que enviam toneladas e toneladas de CO2 e partículas para a atmosfera.

E defendem eles as medidas contra as emissões de gases de estufa! 

Pois o sr JF, também do Porto, vem afirmar as alternativas às barragens, que toda a gente sabe que estão ali ao virar da esquina e que são, adivinhem:

- energia magnética (?!!!);
- energia ponto zero (!!!!!);
- água salgada (what?!)
- muitos outros interessantes sistemas mistos (oh égua!) 

Este, ao menos, não me parece querer fazer-se passar por ambientalista, antes pretende dar-se ares de ocultista ou "iniciado" em ciências muito avançadas (que tal o motor ião-solar, está fora de moda?).

Num ponto não consigo atinar com a lógica dos "ambientalistas": quando lhes dá para a questão da água, traçam um quadro dantesco sobre as guerras que no futuro teremos por escassez de água potável; quando toca às barragens assanham-se com garras e dentes contra os que as apoiam.

O que parece que o lógico e razoável seria construir grandes barragens para aproveitar a água doce e, como complemento, turbinar alguma água para gerar energia elétrica limpa e barata.

Mas eles são tudo menos razoáveis...  

Saturday, December 03, 2011

UM ORTOPEDISTA DE FUGIR (MESMO A COXEAR...)

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Senhora que a foto do Expresso de hoje mostra foi operada ao tornozelo errado por um Senhor Doutor que não se terá dado ao trabalho de ler a papeleta que a acompanhava (assim a modos que ler as instruções...), terá discutido com a enfermeira que terá dito que não era aquela perna, era a outra, mas o Senhor Doutor  insistiu que era mesmo aquela que estava preparada para a ação. O Senhor Doutor terá deduzido que era aquela perna a operar, tudo isto, segundo o Expresso.

 
A doente, quando acordou, não queria acreditar e desatou num berreiro compreensível. É que o Senhor Doutor é que tinha descoberto o problema que a afligia e ela até tinha tido três consultas com Ele (com letra grande, que isto de sumidades é preciso ter respeitinho...).
 
Neste momento está tudo a caminho do Tribunal, pois o Senhor Doutor recusou-se a pagar a indemnização de 35.000,00 Euros que a ofendida reclama.

O Expresso conta a estória e dá nomes aos bois, inclusive ao  ortopedista, João Goulão. Leia o artigo completo, ao lado.

Não me lembro como é que foi quando, há trinta e tal anos fui operado ao joelho direito. Mas lembro-me distintamente, nas duas recentes operações que fiz, em 2010 e 2011, que, antes de me anestesiarem, confirmaram comigo que eu era fulano de tal e que ia ser operado a isto e àquilo.

Até no centro de medicina chinesa, antes da massagem (um luxo asiático, eheheheheh!) ou da acupunctura, a menina que me leva para o local do tratamento (todas  me conhecem há anos!) confirma que sou fulano de tal e que vou fazer este tratamento e não aquele. Obtida a confirmação, diz que o doutor já vem e retira-se.

Não sei qual é o protocolo no hospital onde o Senhor Doutor João Goulão opera os seus incautos pacientes, mas o bom senso recomenda que o cirurgião, antes de começar a cortar, confirme (pela papeleta, processo, ou pelo doente, se falou com ele antes da anestesia) que vai cortar a coisa certa.

Salvo seja...

REVOLUÇÕES GRATIS - NÃO HÁ!

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O historiador Rui Ramos dá-nos (o atraso na publicação é meu, claro!) o seu ponto de vista sobre o combustível das revoluções e recoeda o forrobodó que foi o PREC, pago com o dinheiro que Salazar, laboriosamente, acumulou.

Já no 28 de Maio a Única, revista do Expresso publicava uma crónica (desgraçadamente não fixei o autor) que abordava este tema e destacava que o PREC foi possível e durou tanto tempo porque havia dinheiro para gastar.

Quando o dinheiro se acabou, acabou o PREC. Vasco Gonçalves, grande revolucionário e kamarada mas (ai dele) com a responsabilidades do cofre e da despensa teve que avisar os vague mestres de que o cacau estava a acabar e que era preciso austeriade (é verdade, o Companheiro Vasco também falou nesse termo que os comunas vituperam...).

Como o articulista refere, com graça, Portugal deixou de estar a caminho do Socialismo e passou a estar a caminho do FMI.

Rui Ramos, en passant, faz uma referência aos que reclamam "outro 25 de Abril" quando na realidade o que querem dizer é outro PREC, que é uma coisa diferente...

PEDRO LOMBA - CONSELHOS A QUEM COMEÇA A UNIVERSIDADE

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Escavando a pasta Pictures, dei com este texto, digitalizado em Setembro e não utilizado, que aqui repesco e vo-lo apresento. Parece-me muito interessante, não só pelas sugestões (no título, chamei-lhes, maldosamente, conselhos...) que Pedro Lomba dá a quem começa agora os estudos mas pela referência que faz à carreira ou às carreiras que muitos terão ou não terão.

Isto fez-me lembrar o mundo à parte em que vivem os funcionários públicos (incluo, obviamente, a tropa nesse grupo) sempre chateados porque a "progressão nas carreiras" está bloqueada ou não singram como era suposto, porque um qualquer novo estatuto não acautela essa tão sacrossanta "progressão na carreira" ou que, pura e simplesmente, não define as "progressões na carreira".

Alguns mili-tares quase chegaram, aqui há uns vinte anos, talvez mais,  a fazer uma revolução (enfim, p'raí um pronunciamento) porque não havia meio de chegarem a coronel (um direito, carago, uma conquista de Abril...).

Os sindicalistas, malta com a cabeça formatada pelo molde de funcionário público, continuam a reclamar contra a indefinição de carreiras no "sector privado" onde a "precariedade" é cada vez maior e "as conquistas de Abril" estão sob o fogo cerrado do patronato.

Esta malta nunca saíu do PREC, benza-os S. Lenine virgem e mártir... 

Thursday, December 01, 2011

SINDICALISMO APÁTICO E A GREVE "GERAL"

Paulo Guinote, o professor que se tornou uma estrela da blogosfera (A educação do meu umbigo, http://educar.wordpress.com/  ) escreveu um texto muito interessante que saíu no Público de 2ª ou terça feira, que acima reproduzo na íntegra, com a devida vénia.

Paulo Guinote reconhece que a resposta que os sindicatos estão a dar à crise são apáticas e muito mais fracas do que seria de esperar e atribui essa fraqueza a uma seérie de factores, nomeadamente ao facto de as organizações sindicais serem pouco diferenciadas e (esta é que me dá gozo!) porque elas estão cada vez mais burocráticas e "estabelecidas" e transformam os protestos em coreografias que os adversários (leia-se, o Governo, os patrões) conseguem prever e ultrapassar facilmente, já nem fazendo grande esforço para a evitar.

Mais adiante considera que o movimento sindical se tem fechado demasiado ao ponto de nas suas cúpulas os rostos se sucederem décadas a fio, com escassa renovação e nula ligação ao exercício de qualquer profissão.

Lapidar!  

Monday, November 14, 2011

OS MILI - TARS

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Não faço a mínima ideia  de quem é a Filipa de Campos, que de Sintra escreveu para a Visão a carta ao lado: curta e grossa! Além disso, acertou no taratal, como quem aponta aos coelhos e não falha. Realmente os militares vivem fixados na sua carreira, nas diuturnidades, nas antiguidades, nos concursos, nos cursos para promoção a..., ou simplesmente de Estado Maior, mas também nos  montanços, nas promoções por escolha e por distinção, até ao generalato. Se não há vaga para ser promovido o "que está à bica", passa-se o que está a tapá-lo para um alto cargo em que fique supranumerário (não ocupa lugar no quadro) e permite a promoção do tal que estava "à bica", antes de ser atingido pelo limite de idade.

Muitos vão ficando pelo caminho (retiram-se passando à reserva - paga por todos nós), mas muitos, muitíssimos chegam ao topo, num exército de faz de conta com mais generais que soldados, passe o exagero óbvio. Mas lá que são mais que as mães, lá isso são.

E tudo a mamar na teta do Zé Povinho, e a protestar quando os seus direitos (e a sua carreira) são beliscados.

Um amigo meu dizia que a unidade de inteligência era o Tar que tinha como submúltiplos o deci-tar, o centi-tar e o militar.

Friday, November 11, 2011

EDITORIAL DO JORNAL APOIAR Nº 71

Começando pelas efemérides, aqui evoco três, de uma assentada:

- Em 11 de Setembro passaram 10 anos sobre o ataque da Al Qaeda aos camones que marcou o início de uma guerra de tipo completa-mente novo em que o avião, o meio de transporte mais seguro, se transforma numa espécie de míssil tripulado por fanáticos, matando de uma assenta centenas de cidadãos sem olhar às nacionalidades, raças, religiões. Um nojo!!!

- O fim da ETA (esta notícia ainda nem tem um mês e vamos ver se se concretiza mesmo: eu não acredito!) outro bando de assassinos, que há décadas mata pessoas em Espanha, mesmo depois de, com o desapare-cimento do velho Franco (esse cabrón que morreu na cama e não no paredón...), ter deixado de ser crime defender a independência do País Basco. Nitidamente, um grupo de rapazes que “provaram o sangue” e lhe tomaram o gosto.

- O 5 de Outubro, em que uns caquéticos cidadãos se entretêm a comemorar a substituição do rei por um presidente, há 101 anos. Não se iludam, a república não trouxe ao País mais bem estar, nem mais liberdade (que havia muito mais nos últimos anos da monarquia que nos primeiros 64 anos de república) nem mais “grandeza”. Realmente, vendo bem a coisa, o único objetivo que a república alcançou foi mesmo depor o rei e substituí-lo por um presidente! É muito pouco para comemorar, ou estou errado?!

A crise internacional continua a grassar por essa Europa fora e não há meio de abrandar, antes pelo contrá-rio. Realmente deve ser muito difícil sair de uma crise sem haver um poder central que garanta a tomada de medidas adequadas e em tempo útil que façam prevalecer o interesse comum sobre os interesses particula-res dos vários países. É como conduzir um carro por uma estrada cheia de curvas com 17 pessoas agarradas ao volante – mesmo quando duas ou três são matulonas e as outras menos abonadas.

Para já parece que o nosso Governo tem levado muito a peito a tarefa para que foi eleito que é a de acabar com o período looooongo em que fomos governados à rica, dando casa aos milhões de pobrezinhos (sem grandes preocupações em avaliar se os “pobrezinhos” eram mesmo pobrezinhos), gastando com a saúde, com a segurança social e com a educação rios de dinheiro sem quaisquer preocupações notórias de racionalidade e eficiência.

Somos ricos, vai barão!

Garantiu-se à população uma “mobilidade” quase gratuita – viram o deficit acumulado das CP, Refer, dos vários Metros, da TAP, da Carris e dos vários transportes municipalizados? O que vos diz? Somos ricos, o utilizador dos transportes paga um bocadinho, o Estado paga um bocadão. Lindo!

A rede de autoestradas não parou de crescer, muitas delas nasceram como SCUT’s: somos, ricos, o utili-zador não paga nada, o Orçamento do Estado paga tudo.

Claro que todas estas medidas dos Cavacos, dos Guterres, dos Sócrates desta terra, eram muito louváveis, não tenho dúvidas disso! A chatice é que foram levadas à prática com dinheiro emprestado, pelo qual paga-mos juros que representam uma despesa cada vez maior e que, mais tarde ou mais cedo, tem que ser pago.

E é escusado estarmos com fantasias de que foram os banqueiros e os governantes que nos roubaram, que foram “eles” que pediram os empréstimos e que “nós” (cada um de nós) não vivemos, não senhor!, acima das nossas posses.

Nós, como País, como sociedade vivemos há décadas com orçamentos deficitários, com uma dívida crescente “à pala” da qual passamos pela A22 (e por outras A qualquer coisa) sem pagar um tusto, vamos ao Centro de Saúde e pagamos 2 Euros por uma consulta, andamos na escola pública sem pagar um chavo e na Universidade pública pagando uma fração do que ela custa; tiramos o cartão Sete Colinas ou outro que o valha por tuta e meia, reformamo-nos e podemos manter um emprego remunerado que a Segurança Social continua a pagar-nos a “reforma”. Se estamos “no desemprego”, a receber subsídio, podemos recusar empregos que não achamos “condignos”... e todo um enorme rol de direitos e “conquistas” que mantemos com dinheiro emprestado.

Ah! Esquecia-me dos iluminados que dizem que a Grécia não vai pagar a dívida e que nós devíamos fazer o mesmo: a Europa ficava à rasca e pagava por nós, para... não me lembro qual era o argumento, mas a Europa pagava e nós continuávamos a viver à rica. Não era bonito?!

Infelizmente não pode ser assim, nem deve ser assim. Os compromissos têm que ser honrados (não me refiro à troica, refiro-me aos credores em geral) e não nos resta senão arranjar maneira de apertar mais o cinto, governar a casa com menos do que temos para sobrar um bocadinho para ir pagando.

Só seremos uns bons ante-passados se deixarmos aos nossos descendentes um País livre de dívidas.

Tudo o mais é conversa de mau pagador!

Thursday, November 10, 2011

AS GREVES, OS GREVISTAS, OS INDIGNADOS E... NÓS OUTROS

Não sei se repararam que, no meio da euforia grevista, principalmente em Lisboa, de tudo o que é empresa falida (Metro, CP, Refer, Carris, Transtejo, Emrabalis, etc) - parece que até o Metro do Mondegio aderiu à fez greve - no meio daquela vermelhidão toda, o Metro do Porto continuou a funcionar, na boa, sem que os seus trabalhadores se sentissem coagidos a ficar em casa ou a "ocupar os locais de trabalho".
O texto que vos deixo, publicado há dias no Público wxplica porquê.

Infelizmente o que impera nas outras empresas do ramo parece ser o espírito de funcionário público do "tudo nos é devido, nada devemos ao "patrão", muito menos aos "clientes"".

E mais não digo, leiam o texto.

Sunday, October 23, 2011

É do caralho!!! (e não sou eu que o digo...)


 
No Público de ontem vinha um texto muito engraçado (engraçado como o caralho, se seguirmos o seu guião) sobre um caso que chegou à Relação e que aí lhe foi dada uma sentença notável, de que aqui vos deixo a parte final. Aqui o deixo, na íntegra.

Faz-me lembrar um caso que se passou comigo há uns bons 30 anos, com um processo disciplinar em que eu era o instrutor, o que me fez contactar, por escrito, o gabinete jurídico da empresa a perguntar qual era o quadro penal para um mecânico que diz ao chefe de equipa "vai p'ró caralho".

O tal gabinete jurídico era constituído por duas advogadas que, de seguida, me convocaram para uma reunião na qual, com a maior cara de pau, me informaram de que o que eu escrevera era objetivamente uma falta de respeito para com elas porque eu o fizera "bem sabendo" que o texto seria lido por duas senhoras, etc, etc.

Desfiz-me em argumentos e desculpas, mas só depois de muito humilhado é que me mandaram embora. Tempos depois soube que tinha sido gozo e que elas de desfizeramem gargalhadas quando eu saí, de rabo entre as pernas.

Foi do caralho!