Thursday, April 22, 2010

O SUBORNO, OS SÁ FERNANDES E DOMINGOS NÉVOA

Afinal, a Relação absolveu Domingos Névoa do crime de corrupção de que vinha acusado pelos irmãos Sá Fernandes.

Recordo que os manos montaram uma armadilha ao empresário, com gravador e tudo, e cantaram vitória, insultaram o empresário (chamaram-lhe bandido), parecia trigo limpo.

O empresário, por sua vez, acusou o mano que defende putativos pedófilos de se fazer a um suborno, para ele ou para o mano vereador.

Foi tudo para tribunal, o processo chegou à relação e... deu em nada: o tribunal considera Névoa inocente.

Daqui podem tirar-se várias ilações; uma delas, óbvia, é que, se calhar, o Sá Fernandes fez-se mesmo ao suborno.

. . . . . . .

Suspeito que sob esta ponte ainda vai correr muita água...

COITADO DO JORGE SAMPAIO...

Esta grandecíssima abécula aqui ao lado anda muito preocupada com a qualidade da democracia, com a necessidade de se redefinir (o verbo é outro, mas não me lembro qual, who cares?!), com a nossa incapacidade de gerar riqueza, de fazer poupanças, etc, etc.

Este animal (político...) é o mesmo gajo que, na Presidência da República, lançou a frase assassina de que há mais vida para além do deficit.

Quando o Governo do Barroso começava a tentar pôr ordem nas contas públicas e a preocupar-se com o déficit e com a dívida externa, o animal (político, note-se) em vez de apoiar esse esforço sabotou-o lançando, com a referida frase, a ideia de que o Governo tinha um único objectivo (a redução do deficit) a que subordinava tudo o mais: desenvolvimento, emprego, educação, saúde, etc.

Depois dos anos de bandalheira e despesismo do tempo do Guterres, o Sampaio deve ter-se sentido na obrigação de fazer um frete ao seu partido e minar a acção do Governo "inimigo".

E essa acção não parou aí. Quando o Barroso foi para a Comissão Europeia, o rapaz, não tendo tomates para fazer o que lhe apetecia e os colegas do PS aconselhavam (convocar eleições antecipadas), deu posse ao Governo Santana Lopes, mas começou imediatamente a sabotá-lo com as célebres trapalhadas e culminou com a declaração urbi et orbi de que o Governo andava a portar-se mal e que tinha o primeiro ministro debaixo de olho (a prazo, portanto).

Depois disso, não obstante a maioria confortável de que PSD e CDS dispunham na AR, demitiu o Governo quando o secretário de Estado do Desporto se demitiu...

Nas eleições que se seguiram o Sócrates obteve a primeira maioria absoluta para o PS.

Sampaio deve ter-se sentido realizado... Veja a biografia do animal (político...) aqui

Monday, April 12, 2010

FOLCLORE ANTI TOURADAS

Não tenho "saco" para esta malta!

Adoram os bichinhos e acham que eles têm direitos (?!) como se fossem cidadãos. Qualquer dia vão pedir o direito de voto para eles...

Chateiam a malta que se diverte à brava nas touradas.

Acredito que a maioria (?) seja vegetariana, mas conheço alguns maduros que arrotam postas de pescada contra as touradas enquanto destroçam um bife grelhado, tirado de uma peça de um dos primos dos touros que dizem defender.

Merda de gente!

Este ano deu-lhes a veia folcórica uns meses mais cedo que o habitual (esta malta ataca lá para o meio do verão) no seguimento do repúdio indignado pela criação da secção de Tauromaquia no INC.

Abençoada Gabriela Canavilhas!

Vejam a retórica pateta desta malta nos links que vos deixo e vejam também a referência claramente gay do cartaz ao lado, em que sugerem ao touro um castigo adequado ao toureiro.

Violada mas não vencida (?!)

Blog da Animal

Saturday, April 10, 2010

TU154 O CAIXÃO DO AR MATA MAIS OITENTA E TAL PESSOAS

O Presidente polaco e a sua comitiva morreram ontem quando o Tupolev TU 154 em que viajavam se despenhou à aterragem em Smolensk.

Vejam mais sobre o acidente aqui.

O presidente polaco ia participar numa homenagem ao corpo de oficiais polacos assassinados em Katyn depois de aprisionados no desfecho da invasão russo-alemã à Polónia.

Depois, recordo, do arranjinho de partilhas entre o Grande Pai Stalin e Hitler...

Coisas que os comunas têm dificuldade em explicar e que, por algum motivo, tentaram esconder durante décadas alegando (com a cumplicidade das autoridades da Polónia "democrática") que os mortos de Katyn tinham sido assassinados pelas SS de Hitler.

Fiquei espantado quando a nossa televisão (uma delas, who cares?) (des)informava que o TU 154 era um dos aviões mais seguros construídos pela antiga URSS, com um registo de acidentes relativamente pequeno, etc, etc.

Fiquei espantado porque, não estando ainda (completamente) gàgá, lembrava-me que este avião e o seu mano menor TU 134 eram dos aviões com maior registo de acidentes entre os caixões aéreos que a Sóvia fabricou durante décadas.

Veja o registo completo aqui.

Mas, felizmente há luar!

Perdão, felizmente há internet, de modo que toca a ir lá buscar os dados para repor a verdade e elevar o meu ego (que bem precisa, com a entubação que arrasto há duas semanas...), mostrando o registo de acidentes do TU 154, do TU 134 e, já agora, do YAK 40, mais pequenito, mas também com um registo "invejável".

Os baixos padrões de segurança era característica dos aviões que a URSS fabricava e impingia aos seus satélites, desencorajados pelo Irmão mais velho moscovita de procurar alternativas para cá da Cortina de Ferro.

Reparem, contudo, que o registo de acidentes dos aviões ocidentais não era muito melhor e não era nada que se compare com os padrões actuais.

Vejam que o registo de acidentes do B707 não é muito diferente do que acima mostrei para os aviões soviéticos.

O IL 62 (famoso pelos tanques de água para optimizarem a posição do CG em vôo) já era um avião relativamente seguro (ver quadro ao lado), mas nada que se compare com os "novos" B757 e B767 cujo registo de acidentes mostra uma redução drástica em relação ao B707.

Desde há 20 ou 30 anos a segurança passou a ser levada muito, muito a sério e os melhoramentos introduzidos para permitir a operação transatlântica de aviões só com dois motores (ETOPS) resultaram num aumento espectacular da fiabilidade dos sistemas essenciais à aeronavegabilidade, em particular os motores.

O registo de acidentes do B757, um narrow body já descontinuado (basicamente um B707 com dois motores...) é notável: os 1050 aviões produzidos sofreram apenas 8 acidentes em que se perderam 578 vidas (cerca de 75 por acidente).

O B767, um wide body ainda em produção, apresenta um registo semelhante: 9 acidentes em 949 aviões produzidos até agora, com cerca de 95 mortos por acidente.

Os requisitos ETOPS (Extended Twin-engine OPerationS) conjugados com as novas tecnologias ou refinamento das antigas conduziram a aviões muito mais fiáveis e a acidentes muito menos fatais.

O registo de acidentes de aviões de topo dos tempos mais recentes, o Airbus A 340 e o Boeing B777 é absolutamente notável:

Num total de 1392 aviões ocorreram, durante toda a vida útil até ao presente, apenas 4 acidentes com zero vítimas mortais!

Vejam quão longe estamos dos tempos do turbo prop, do Superconstellation e do IL 18, em que a ocorrência de acidentes era da ordem de um acidente por cada 5,6 aviões produzidos, o que dá cerca de 18% de probabilidades de ocorrência de um acidente durante a vida útil do avião.

Comparando a probabilidade de acidente durante a vida útil:

  • Sup Const . 20,21%
  • IL18 . . . . . . 15,03%
  • B707 . . . . . 14,31%
  • IL62 . . . . . 6,85%
  • B767 . . . . . 0,95%
  • B757 . . . . . 0,76%
  • A340/A330 . 0,38%
  • B777 . . . . .0,17%

____________________

NOTA:

esta comparação e este cálculo de probabilidades não é para repetir em casa. A comparação só seria válida se todas as frotas comparadas tivessem uma utilização semelhante ao longo do tempo de vida (o que só pode ser aproximadamente verdade entre aviões da mesma época e envolvidos no mesmo tipo de operação).

Assim, encarem esta comparação como grosseira e que significa apenas a probabilidade de um avião de determinado tipo sofrer um acidente durante toda a sua vida útil.

De qualquer modo, a ordem de grandeza é válida e tem significado.

Friday, April 09, 2010

TOUREIROS - ESTE GAJO NÃO BATE BEM DA BOLA!!!!

Bem, este sketch já é de 2007, mas para quem não conhece o meio tauromáquico, para o efeito vem a dar no mesmo.

O que vê nesta imagem não é um forcado a ser colhido durante uma pega de caras, mas um cavaleiro a ser atirado ao ar pelo cornúpeto.

Cadê o cavalo?!

Bem, nessa altura, o cavalo andava a circular por ali, abandonado pelo cavaleiro...

Que raio se passou? Muito simplesmente, depois de umas manobras perigosas a provocar um touro demasiado manso, este apanhou o cavalo a jeito e espetou-lhe os cornos na barriga, provocando a fúria do cavaleiro, João Salgueiro de seu nome.

O homem saltou do cavalo para a arena e toca de descompor o touro que, afinal, mostrou que era menos manso do que parecia, investiu atrás do pateta e deu-lhe várias cornadas que o deixaram inconsciente.

Se quer confirmar que esta malta dos touros não bate bem da cachimónia, clique aqui e goze o prato.

Thursday, April 08, 2010

CRIME (ao volante) E CASTIGO - FINALMENTE!!!

Foi finalmente condenada a três anos de prisão efectiva a condutora que, em 2007, varreu em grande velocidade uma ilha de peões, junto ao Terreiro do Paço, matando (desmembrando...) duas pessoas e deixando em muito mau estado uma delas.

Claro que isto foi na primeira instância, a senhora (que diz que ia a 50km/h, velocidade a que o carro se terá despistado, ganhou vida e velocidade e foi por ali fora...) vai recorrer para a Relação, etc, etc, a coisa ainda vai demorar uns anos a transitar em julgado.

A senhora só irá dentro, pois, daqui a uns anitos...

Mas mesmo assim, parece ser um sinal muito, muito positivo termos os tribunais a não fazerem grande distinção entre mortes acidentais com pedra, faca, pistola, pau ou outra ferramenta e morte acidental provocada por viatura conduzida displicentemente.

Ora a senhora tinha passado um controlo a mais de 120, quatro km antes do despiste, e, segundo os peritos, varreu a ilha para peões a cerca de 115 km/h (média entre os limites extremos da velocidade estimada).

Malandro do carro!!!

Leia o artigo completo que o Público traz hoje.

Clique para ampliar e ler

A DÍVIDA DA TAP

No post abaixo sobre os prémios do António Mexia e as dívidas das empresas cotadas em bolsa e das empresas pertencentes ao Estado, estranhei a falta da TAP.

De facto, a TAP tinha, em fins de 2008, uma dívida acumulada de 1.400 M€ (mil e quatrocentos milhões de Euros), dos quais 1.236 M€ de dívida a longo prazo, o que a coloca bem dentro da lista de empresas detidas pelo Estado, acima da RTP e abaixo das Estradas de Portugal.

Fica feita, pois, a confirmação do que referi. Leia mais sobre o assunto aqui

Tuesday, April 06, 2010

PADRE PESCA PUTOS À CANA

Palavras para quê?!...

OS GANHOS DE MEXIA / EDP - A MAIS ENDIVIDADA

A polémica sobre o salário de António Mexia continua bem acesa e, nem de propósito (ou foi de propósito?), o suplemento de Economia do último Expresso trazia um artigo sobre o endividamento "estrutural" das maiores empresas portuguesas.

Públicas, umas, privadas, outras.

O artigo do Expresso, transcrevo-o, com a devida vénia, mais abaixo. Sobre o salário de Antº Mexia, leia alguns comentários AQUI .

O quadro ao lado, onde noto a ausência da TAP, mostra que nas empresas "do Estado" dominam as empresas ligadas a comunicações e transportes, espelhando os investimentos pesados nos metros de Lisboa e Porto (abençoados!) e o peso morto da Refer e CP (creio que ainda sem a alta velocidade).

Entre empresas "do Estado" e fora do Estado, a EDP é, de longe, a mais endividada, mesmo sem o reforço da EDP Renováveis, tendo ambas aumentado o endividamento de 2008 para 2009.

Não tenho dúvidas de que é mais importante reinvestir os meios libertos pela exploração em aumento da capacidade (nomeadamente nas barragens, novas e re-equipadas) e em novois parques eólicos e solares e ainda "ir buscar" mais à banca.

Tudo bem, isso é mais importante que pagar a dívida, aumenta a robustez e dimensão da empresa, faz diminuir o peso percentual da dívida tornando o seu serviço mais "leve".

Mas, mesmo assim, custa-me ver que as duas empresas mais endividadas (EDP e PT) são as que mais milhões distribuem aos seus administradores, mesmo quando cortaram nos prémios dos restantes colaboradores...

-------- Clique para ampliar e ler -------

Sunday, April 04, 2010

ALERTA RACISMO - TERREBLANCHE ASSASSINADO

Foi hoje assassinado à pancada Eugene Terreblanche, leader sul africano da minoria branca que se opôs ao fim do apartheid e que defendeu (e continua a defender) um estado branco separado da República da África do Sul (RSA).

Se Terreblanche vai muito bem no papel de vilão, é bom que se diga que o ANC não fica nada limpo nesta fotografia.

A transição do apartheid foi feita com suavidade (em grande parte graças a Nelson Mandela), com um mínimo de perdas de vidas e mantendo uma economia robusta, permitindo-se até que tipos com as ideias de Terreblanche continuem a viver no país e a manter partidos assumidamente racistas.

Mas a verdade é que o ANC não tem resistido à tentação de falar contra "os fazendeiros" (brancos, claro), permitir que alguns dos seus membros com responsabilidades incitem à morte dos mesmos (pelo menos de alguns), criando um clima propício a actos como o que vitimou agora o racista mór.

As coisas na RSA têm sido muito diferentes do Zimbabwe, mas os ingredientes que levaram Mugabe a tirar as terras aos brancos e dá-las aos patrícios da nomenklatura estão lá todos, se calhar até com maior visibilidade, como é o caso de racistas como Terreblanche.

Até agora, os defeitos dos lideres pós Mandela têm-se limitado a bizzarrias inconsequentes (um não acreditava que a SIDA é causada por um vírus, o actual curte bué ter, oficialmente, várias mulheres...).

Pode ser que o próximo precise de mobilizar as massas para ganhar as eleições (ou para reverter na marra uma eleição mal sucedida...) e se lembre de lançar mão do racismo da turba, latente mas sempre pronto a explodir em violência.

E há lá melhor coisa para mobilizar as massas que açulá-las contra o branco para lhe ficar com a fazenda, com a casa, com a mulher?!

Thursday, April 01, 2010

A SANTA MADRE IGREJA E A PEDOFILIA

Com a persistência de casos de pedofilia envolvendo padres católicos e as suas dilectas ovelhinhas, parece fazer todo o sentido a criação de um novo sinal de trânsito, como sugere o cartoonista russo Tunin (publicado na P2, do Público de ontem).

O significado seria Perigo, padres!

O sinal poderia muito bem ser colocado à porta das sacristias e das salas de catequese, para não falar já da vizinhança dos seminários.

A ESTÁTUA DE DAVID REGRESSA A ITALIA

Do meu amigo LAM recebi esta pérola a que não me coibi de dar uns retoques da minha lavra:

Com o alto patrocínio de várias marcas americanas, a estátua de David (de Miguel Ângelo) esteve, durante um ano, em digressão por vários museus e centros de arte dos Estados Unidos.

Regressa agora a Itália onde já se receava que os Camones tivessem conseguido um esquema rebuscado para a fazerem permanecer ad aeternum nos States.

Contudo, a estátua está em muito mau estado e vai ser necessário um trabalho aturado de várias semanas (meses?) de restauro para lhe devolverem as formas e a volumetria que Miguel Ângelo, tão sabiamente, lhe deu.

Veja, a seguir, o estado deplorável da estátua, fotografada pouco antes de ser acondicionada para o embarque, no JFK airport, em New York.

Uma lástima!

Wednesday, March 31, 2010

ATENTADOS NO METRO DE MOSCOVO - QUE FAZER?

Mais umas dezenas de vidas foram ceifadas por dois bombistas suicidas que se fizeram explodir no metro de Moscovo. Suicidas islâmicos, como vem sendo a regra, nos tempos que vão correndo...

Putin (ao lado, em foto do Público de hoje) diz que vai destruir os terroristas, e talvez até o consiga fazer.

Mas não deixará de dizimar, por tabela, quem estiver por perto: população da Tchehcénia, da Inguchétia ou de outra qualquer república relacionada com os terroristas, mais a quota parte de soldados russos que é quem é atirado para a frente para proceder à tal destruição. Já vimos, nas duas guerras da Tchechénia e na invasão da Geórgia, os resultados deste tipo de basófia militarista, em termos de civis mortos, de todas as idades e géneros, terroristas ou pacifistas.

Como se impede um terrorista islâmico de se fazer explodir, quando toda a padralhada lhes diz que vão ter o Paraíso assegurado, com mais ou menos virgens à mistura? Como?!

E como punir um bombista suicida, se ele já assumiu, por sua livre iniciativa, a pena máxima? Como?!

Uma sugestão simples aqui fica (também serve para Israel), já que aquela gente é tão dada a tabus, sacrilégios e outros dramas quejandos:

- garantir que os restos mortais de todo o bombista suicida serão dados a comer aos porcos.

Talvez resulte...

Thursday, March 25, 2010

Aguardando o laser

A ultima vez que fui a faca (ainda nao havia essa coisa do laser...) nao me fizeram vestir umas meias taaaaao sexy.
Sao ou nao sao?!

Monday, March 22, 2010

Bullying, fenomeno americano?

O Publico traz hoje um artigo de 2 paginas sobre violencia na escola. Apresenta um grafico com a percentagem de alunos que dizem ter sido vitimas de bullying pelo menos duas vezes nos ultimos dois meses, em varios paises. Portugal, Franca e os States tem valores praticamente identicos.
E esta, han?!

Sunday, March 21, 2010

Mulheres no Parlamento

Clique na imagem para ampliar

A Africa, para grande espanto meu, "mete" dois paises entre os cinco em que as mulheres estao mais representadas no Parlamento.
E esta, ha?!

O NOVO KINAXIXI VEM AÍ!

ATENÇÃO AO UPDATE

Afinal o mercado do Kinaxixi ainda não foi abaixo (ver update, abaixo). Fotos recentes, como a que mostro, ao lado, dizem-nos que a demolição que tinha sido iniciada há um bom par de meses está parada, para gáudio para os amantes do tempo da outra senhora que choravam lágrimas sentidas por aquilo que era considerado um dos melhores exemplos da moderna arquitectura colonial.

O edifício está à direita da foto, num largo que já foi da Maria da Fonte e agora é de uma heroína angolana.

A verdade é que o edifício estava há muito desaproveitado como mercado (já no longínquo 1988, quando de lá regressei) e completamente ao abandono anos depois.

Agora vai mesmo abaixo e no seu lugar será construído um centro comercial com caves para estacionamento e torres para escritórios e habitação.

Ou seja, uma construção bem mais adequada à nova Luanda do que uma sorumbática relíquia da era colonial.

UPDATE:

Afinal há qualquer coisa errada com a data da foto acima, que ainda mostra o velho mercado da Maria da Fonte de pé.

O Google Earth, foto de 22 Mar 2009, mostra sem margem para dúvidas o rectângulo de terra vermelha (solo muceque) entre o museu de Angola, à esquerda, e o edifício da Cuca, à direita, onde estava antes o mercado do Kinaxixi.

Paz à sua alma e venha lá o Shopping Center.

Saturday, March 20, 2010

BCP - REVISÃO DA MATÉRIA DADA

Esta já tem um bom par de anos, mas é bom que façamos uma revisão para que não nos esqueçamos.

Assim como assim, os mais novinhos talvez pensem que o BCP foi sempre um banco na esfera da "esquerda" bem comportada e maçónica...

O meu amigo LAM, muito oportunamente, enviou-me este texto:

"Aqui está uma parte da verdade, porque, quem a conta, protege no que pode um outro grupo financeiro: o BES de Ricardo Salgado, de quem nunca fala, a não ser favoravelmente! Porque será Miguel Sousa Tavares???? Confessa, diz lá!!! Mas leiam este texto. Vale a pena para perceber os meandros das "máfias" nacionais.

"Opus Dei /Maçonaria (a história do BCP).

Miguel Sousa Tavares

Em países onde o capitalismo, as leis da concorrência e a seriedade do negócio bancário são levados a sério, a inacreditável história do BCP já teria levado a prisões e a um escândalo público de todo o tamanho.

Em Portugal, como tudo vai acabar sem responsáveis e sem responsabilidades, convém recordar os principais momentos deste "case study", para que ao menos a falta de vergonha não passe impune.

1. Até ao 25 de Abril, o negócio bancário em Portugal obedecia a regras simples:

- Cada grande família, intimamente ligada ao regime, tinha o seu banco.

- Os bancos tinham um só dono ou uma só família como dono e sustentavam os demais negócios do respectivo grupo.

- Com o 25 de Abril e a nacionalização sumária de toda a banca, entrámos num período 'revolucionário' em que "a banca ao serviço do povo" se traduzia, aos olhos do povo, por uns camaradas mal vestidos e mal encarados que nos atendiam aos balcões como se nos estivessem a fazer um grande favor.

Jardim Gonçalves veio revolucionar isso, com a criação do BCP e, mais tarde, da Nova Rede, onde as pessoas passaram a ser tratadas como clientes e recebidas por profissionais do ofício. Mas, mais: ele conseguiu criar um banco através de um MBO informal que, na prática, assentava na ideia de valorizar a competência sobre o capital.

O BCP reuniu uma série de accionistas fundadores, mas quem de facto mandava eram os administradores - que não tinham capital, mas tinham "know-how".

Todos os fundadores aceitaram o contrato proposto pelo "engenheiro" - à excepção de Américo Amorim, que tratou de sair, com grandes lucros, assim que achou que os gestores não respeitavam o estatuto a que se achava com direito (e dinheiro).

2. Com essa imagem, aliás merecida, de profissionalismo e competência, o BCP foi crescendo, crescendo, até se tornar o maior banco privado português, apenas atrás do único banco público, a Caixa Geral de Depósitos.

E, de cada vez que crescia, era necessário um aumento de capital.

E, em cada aumento de capital, era necessário evitar que algum accionista individual ganhasse tanta dimensão que pudesse passar a interferir na gestão do banco. Para tal, o BCP começou a fazer coisas pouco recomendáveis: aos pequenos depositantes, que lhe tinham confiado as suas poupanças para gestão, o BCP tratava de lhes comprar, obviamente sem os consultar, acções do próprio banco nos aumentos de capital, deixando-os depois desamparados nas perdas da bolsa;

Aos grandes depositantes e amigos dos gestores, abria-lhes créditos de milhões em "off-shores" para comprarem acções do banco, cobrindo-lhes, em caso de necessidade, os prejuízos do investimento.

Desta forma exemplar, o banco financiou o seu crescimento com o pêlo do próprio cão, aliás, com o dinheiro dos depositantes - e subtraiu ao Estado uma fortuna em lucros não declarados para impostos.

Ano após ano, também o próprio BCP declarava lucros astronómicos, pelos quais pagava menos de impostos do que os porteiros do banco pagavam de IRS em percentagem. E , enquanto isso, aqueles que lhe tinham confiado as suas pequenas ou médias poupanças viam-nas sistematicamente estagnadas ou até diminuídas e, de seis em seis meses, recebiam uma carta-circular do engenheiro a explicar que os mercados estavam muito mal.

3. Depois, e seguindo a velha profecia marxista, o BCP quis crescer ainda mais e engolir o BPI.

Não conseguiu, mas, no processo, o engenheiro trucidou o sucessor que ele próprio havia escolhido, mostrando que a tímida "renovação" anunciada não passava de uma farsa.

Descobriu-se ainda uma outra coisa extraordinária e que se diria impossível: que o BCP e o BPI tinham participações cruzadas, ao ponto de hoje o BPI deter 8% do capital do BCP e, como maior accionista individual, ter-se tornado determinante no processo de escolha da nova administração... do concorrente!

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o presidente do BPI dá uma conferência de imprensa a explicar quem deve integrar a nova administração do banco que o quis opar e com o qual é suposto concorrer no mercado, todos os dias...

4. Instalada entretanto a guerra interna, entra em cena o notável comendador Berardo, ele é só o homem que mais riqueza acumula e menos produz no país (protegido pelo 1º Ministro (a Sócretina), que lhe deu um museu do Estado para armazenar a colecção de arte privada. Mas, verdade se diga, as brasas espalhadas por Berardo tiveram o mérito de revelar segredos ocultos e inconfessáveis daquela casa.

E assim ficámos a saber que o filho do engenheiro fora financiado em milhões para um negócio de vão de escada, e perdoado em milhões quando o negócio inevitavelmente foi por água abaixo.

E que havia também amigos do engenheiro e da administração, gente que se prestara ao esquema das "off-shores", que igualmente viam os seus créditos malparados serem perdoados e esquecidos por acto de favor pessoal.

5. E foi quando, lá do fundo do sono dos justos onde dormia tranquilo, acorda inesperadamente o governador do Banco de Portugal e resolve dizer que já bastava: aquela gente não podia continuar a dirigir o banco, sob pena de acontecer alguma coisa de mais grave - como, por exemplo, a própria falência, a prazo.

6. Reúnem-se, então, as seguintes personalidades de eleição: o comendador Berardo, o presidente de uma empresa pública com participação no BCP e ele próprio ex-ministro de um governo PSD e da confiança pessoal de Sócrates, mais, ao que consta, alguém em representação do doutor "honoris causa" Stanley Ho - a quem tantos socialistas tanto devem e vice-versa. E, entre todos, congeminam um "take over" sobre a administração do BCP, com o "agréement" do dr. Fernando Ulrich, do BPI.

E olhando para o panorama perturbante a que se tinha chegado, a juntar ao súbito despertar do dr. Vítor Constâncio, acharam todos avisado entregar o BCP ao PS.

Para que não restassem dúvidas das suas boas intenções, até concordaram em que a vice-presidência fosse entregue ao sr. Armando Vara (que também usa 'dr.') - fabuloso expoente político e bancário que o país inteiro conhece e respeita.

7. E eis como um banco, que era tão independente, que fazia tremer os governos, desagua nos braços cândidos de um partido político - e logo o do Governo. E eis como um banco, que era tão cristão, tão "opus dei", tão boas famílias, acaba na esfera dessa curiosa seita do avental, a que chamam maçonaria.

8. E, revelada a trama em todo o seu esplendor, que faz o líder da oposição?

Pede em troca, para o seu partido, a Caixa Geral de Depósitos, o banco público.

Pede e vai receber, porque há 'matérias de regime' que mesmo um governo que tenha maioria absoluta no parlamento não se atreve a pôr em causa. Um governo inteligente, em Portugal, sabe que nunca pode abocanhar o bolo todo. Sob pena de os escândalos começarem a rolar na praça pública, não pode haver durante muito tempo um pequeno exército de desempregados da Grande Família do Bloco Central.

Se alguém me tivesse contado esta história, eu não teria acreditado..

Mas vemos, ouvimos e lemos. E foi tal e qual.

Miguel Sousa Tavares