Saturday, August 01, 2009

ANATOMIA DE UM CAGALHÃO

Esta manhã, quando voltava da passeata de bicicleta, em direcção à sobrelotada arrecadação do condomínio, reparei pelo canto do olho em qualquer coisa bizarra que não percebi o que era mas que me ficou a martelar no toutiço.

Do lado de dentro, entenda-se.

Depois de arrumar a bicicleta, operação dificultada desde há cerca de um mês por um sacrista daqueles que "fazem" ciclismo, mascarados de ciclista, com toda a fardeta da moda, do capacete às protecções de cu & partes, que colocou uma bicicleta enorme, atravessada, mesmo entre a porta e a minha. Ao menor movimento, os pedais, raios das rodas, hastes dos travões e das mudanças, cabos, etc, embricam uns nos outros o que só pode mesmo provocar uma hemoptise de caralhadas & tudo o mais que uma pessoa de bem debita em casos quejandos.

Arrumada a bicla, toca de vir pelo mesmo caminho, olhando para a esquerda e para a direita a tentar descobrir o que de esquisito me tinha beliscado a atenção.

E descobri mesmo - quer dizer, só podia ser aquilo: um belíssimo cagalhão de cão não dos que imitam uma pirâmide ou um cone abatidos, mas um cagalhão erecto, ligeiramente afilado que se mantinha orgulhosamente em pé desde o momento em que o animal, à custa de algum sofrimento, adivinha-se, o depositou naquele local.

Vejam a figura anterior e ampliem-na (é só clicar nela) se quiserem aperceber-se dos pormenores.

Na foto ao lado, podem ver vestígios de pêlos de algum animal comido pelo cão ou então (não deu para tirar a limpo) pêlos do próprio cão, arrancados no esforço bem sucedido de expelir aquela massa fedentinosa, dura e meio seca, aparentando uma consistência considerável.

Mais tarde, passando pelo local, não pude deixar de lamentar o destino que se adivinhava para aquele belo exemplar.

Por um lado, uma chuva estival que já se adivinhava desde madrugada e que a previsão meteorológica assinalara, contribuíra para baixar a consistência da matéria cinofecal o que terá feito perder a posição fálica que anteriormente assumia e jazer por terra, como um guerreiro deitado no chão do campo de batalha, aguardando a morte inevitável.

Por outro lado, uma viatura estacionara com uma roda de trás a escassos quinze centímetros do cagalhão, não sendo líquido se a roda de frente fora a autora do ligeiro toque que o terá feito cair.

De qualquer modo o destino de todo o cagalhão depositado no asfalto é o esmagamento e a deposição por offset em múltiplas impressões ao longo da via até se esbater e aniquilar por falta de reposição de matéria na roda.

Triste destino para um exemplar tão belo, tão bem definido.

No fundo, uma verdadeira obra de arte.

E para terminar com um poema de Bocage, adequado ao tema, clique aqui

Thursday, July 30, 2009

UMA VOLTA POR LISBOA

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Um destes dias, depois de comer o meu almoço de frutas à secretária, que isto da elegância tem os seus quês e porquês, resolvi dar uma volta pela baixa.

Desta vez, cheguei lá, carago!

A última vez que tinha tentado lá ir, numa esplendorosa manhã de domingo, estava a chegar à estação do Cais do Sodré quando recebi uma chamada (não sabia, até então, que no Metro havia rede de telemóvel!) que me fez voltar para trás, sem meter o nariz fora dos túneis, ir a correr para casa fazer um statement e despachá-lo ASAP para o outro lado do Atlântico ou do Mediterrâneo, não me lembro agora para onde foi.

Posto isto, a Praça da Figueira continua a arruinar-se, à espera que os donos dos prédios morram e os herdeiros os vendam por tuta e meia - não se pode fazer nada neles, pelo que não valem um traque mal dado!

Só os pisos térreos estão ocupados, com comércio, e aí as obras lá vão sendo admitidas.

Mesmo assim, há zonas em que os próprios pisos térreos apresentam claros vestígios de aboandono e degradação (amplie as imagens, e vai ver).

Na passagem pelo Marquês, já de volta ao domus laborum, deparamos, ao menos, com uma estátua limpinha, tanto nos bronzes como nas cantarias, um mimo!

E voltei a correr para o Figo Maduro que já me estava a puxar o pé para Campo de Ourique e daí para as esplanadas da Doca de Santo Amaro.

Não há dúvida que a carne é fraca, mais vale não facilitar muito...

O SUBMARINO ATÓMICO INDIANO

Clique na imagem para ver o submarino em ponto grande

Depois dos 4 submarinos atómicos de Israel (um deles visto a atravessar o canal de Suez escoltado por uma fragata egípcia...) coube a vez à União Indiana anunciar a sua entrada na era dos submarinos atómicos.

Que pena o Pakistão estar ali mesmo ao lado, não é verdade?...

Um cartoonista russo, publicado pela P2 de hoje, viu assim o evento.

FANTÁSTICO!!!

Wednesday, July 29, 2009

TERREIRO DO PAÇO COMO ERA "DANTES"?!

O pessoal está todo (o do costume, pelo menos) excitadíssimo com o projecto para o Terreiro do Paço da autoria de Bruno Soares (o arquitecto que fez, por exemplo, o Centro de Congressos da FIL - Junqueira).

A maior parte da batucada vai no sentido de o autor não ter tido a humildade de se limitar a repor o que era a praça pombalina, sem se meter em riscos, cores e degraus.

Há até um matuto que, partindo desta posição, clama para que se faça a "conclusão do projecto inicial", pespegando cúpulas em cima dos torreões, sem esquecer as bandeirolas esvoaçantes como a que se vê no cocoruto da cúpula do torreão único, nas gravuras pré 1755 do Paço Real.

Bruno Soares, sensatamente, lá foi atenuando cores, eliminando "caminhos", limitando degraus, contemporizando...

Afinal, tanto banzé quando o projecto mexe exclusivamente nos pavimentos. Será que eles existiam na obra inicial, para além do lajedo sob as arcadas?

Na obra inicial (edifícios e monumentos - arco da rua Augusta e estátua do D. José) não se mexe uma vírgula.

Qual é, pois, o sentido de tamanha batucada?!

NÃO HÁ BRONCO MAIS BRONCO?! E O FAZENDA?

O Bloco de (extrema) Esquerda continua apostado em mostrar que é constituído por um grupinho de malta esquisita que, tendo sido de extrema esquerda aos 18 anos (normalito...) continua a sê-lo depois dos 50.

Para disfarçar este pequeno defeito físico, fundiram dois partidos de extrema esquerda num único ao qual fizeram cair o extrema, e ficam, assim, com um ar mais normal: extrème gauche aos 18, gauche aos 50, vá lá, vá lá...

Na realidade, aquelas cabecinhas tontas continuam, agora, tão cheias das ideias do Grande Pai Staline e do seu alter ego Trotsky, como estavam nos seus verdes anos.

Candidato à CML, de que é que se lembrou o rapaz Fazenda?

Simples, simples - já que o Bloco é contra os guetos para pobres, também deverá ser contra os guetos para ricos, e os slogans com que vai mobilizar as amplas massas deverão ser:

- ABAIXO OS CONDOMÍNIOS FECHADOS!

- RICOS, FORA DO GUETO, JÁ!!!!!!! (qu'é p'rà gente ir p'ra lá)

Pasmem, gentes! Se este matuto mandasse, um proprietário de uma quinta não poderia urbanizá-la como tal, mantendo-a como um todo e com o acesso restrito aos seus moradores (não já o caseiro e o morgado, mas os moradores das vivendas e apartamentos lá construídos).

O simplório acha que uma quinta ao ser urbanizada tem que ser devolvida (?) à cidade, integrada na malha urbana, sem outras áreas restritas para além do interior dos fogos!

Presumo que o "miolo" dos quarteirões, aproveitado em exclusivo pelos moradores, com hortas, galinheiros e oficinas, mas também com piscinas, relvados e esplanadas, teriam também que ser "devolvidos" à cidade, "recuperados" das garras aguçadas da propriedade privada.

Bando de CABRÕES!

Estes portadores da diferença "indigência mental e espiritual" nem devem dormir só a matutar no que hão de inventar para nos espetarem com novas restrições à liberdade. Tudo em nome do bem do colectivo, claro...

E quando se metem pelos terrenos pantanosos do planeamento urbano (de que parecem saber imenso...), sai debaixo!

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. . . . . . . . . . .

Este blog é bué da democrático; não sei se o suicídio assistido já é crime (para o assistente) mas, pelo sim, pelo não, aqui lhe deixo um copo de cicuta ou sarna para se coçar sob a forma de convite para aderir ao Bloco.

Se concorda com as "ideias" do Fazenda, não hesite, adira ao Bloco. É fácil, não lhe custa nada: clique AQUI (depois não se queixe...)

Sunday, July 26, 2009

BATISTA BASTOS - OMO SUPER: BRONCO MAIS BRONCO NÃO HÁ

Se não fosse um facto eu considerar o Baptista Bastos um perfeito idiota, esta frase bastaria para o considerar um sério candidato a esse estatuto.

Considero o BB um idiota daquele tipo, comum a muitos esquerdalhos da nossa praça, que estão convencidos de que têm uma imensa superioridade moral sobre nós todos, pelo simples facto de serem de esquerda e ainda por cima terem sido antifascistas (o que quer que isso possa ter sido...).

Este pateta parece achar que hoje há mais homossexuais do que quando ele era menino e moço, tempo em que, segundo ele, os homens gostavam de mulheres (hoje, parece que não...).

O paspalho não percebe (não perceberá, mesmo?) que hoje temos uma sociedade um bom bocado mais livre que no tempo dele e infinitamente mais livre que aquela que servia de modelo à sua pandilha - a Sóvia, se bem me entendem.

Esta maior liberdade permite que hoje as pessoas se sintam mais à vontade para se mostrarem em público de peito feito e cara lavada, pessoas que no tempo do bronco tinham que esconder a sua orientação sexual heterodoxa para evitarem a condenação social, quando não policial (para não falar da dos kamaradas do Partido).

Para idiotas como o Bastos (na foto, disfarçado, sem o lacinho) isso quer dizer que dantes os homens que eram homens matavam a cobra e mostravam o pau enquanto que hoje não gostam de mulheres e quanto a cobras e paus é melhor nem especular...

É de perguntar:

em que raio de mundo vives tu, ó meu bardamerdas?!

Friday, July 24, 2009

OSCAR WILDE

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Parece que a Santa Madre Igreja Católica, Apostólica Romana (ICAR, para ser mais curto) esta na senda da reabilitação do divino Óscar. O seu pasquim, o l'Osservatore Romano dignou-se publicar um artigo sobre o autor do Retrato de Dorian Gray, se calhar recordando-se da sua conversão quase in extremis.

Realmente, o medo da morte é uma chatice!

À ICAR, esta atitude só fica bem: depois de tanto padre e bispo a enrabar criancinhas, e a ICAR a entrar com milhões para proteger os ditos de darem com os costados na cadeia, mal ficaria continuar a crucificar Oscar Wilde apenas pela sua homossexualidade assumida.

Ainda por cima, reduzir Óscar Wilde a uma bichona é muito, muito redutor e só serve para se deixar de aproveitar uma personalidade complexa, sofisticada e muito interessante.

Malta que, agora como no século XIX, não abunda por aí.

Saturday, July 04, 2009

REAGAN, A GUERRA DAS ESTRELAS E A QUEDA DO MURO

Completar-se-ão este ano, em Novembro, 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, construção bizarra erigida em 1961 pelos comunas (Ulbricht na antiga RDA e Krutchev na antiga URSS) para estancar o esvaziamento populacional da RDA a que se vinha assistir desde a ocupação do leste da Alemanha pelo exército vermelho, com milhares e milhares de cidadãos a deixar o leste para procurar a liberdade do lado de cá. Vejam mais aqui .

Não só a liberdade mas também a esperança de um futuro mais desafogado, que do lado de lá, estava mais que visto, para passar da cepa torta só sendo do Partido e, mesmo assim, para valer a pena ficar, só numa posição upa, upa!

Felizmente os nossos filhos já não tiveram que viver num mundo bipolar em que toda a gente tinha que torcer por um ou por outro lado (enfim, com matizes nas franjas extremas de um e do outro).

Depois de uma certa abertura, com o degelo de Krutchev, a URSS entrou numa fase de "normalização" e consolidação com Breznev, em que o Partido mantinha o férreo controlo sobre o país e satélites, mas de uma forma mais discreta e menos sanguinária que nos tempos do Zé Ferreiro. Discreta, note-se, porque o arquipelago de GULAG era um conjunto de locais onde a entrada e saída de notícias era fortemente limitada e o que se escrevia nos jornais, o que se dizia na rádio e o que se mostrava na televisão era tudo fortemente censurado.

A Europa Ocidental e, de um modo geral, os presidentes americanos davam-se por felizes por se ter chegado a um modus vivendi em que se evitava o holocausto nuclear, em que cada bloco respeitava as áreas de influência do outro e se limitavam a conflitos regionais, dirimidos por interpostas potências locais, fora das zonas de influência.

Até que Reagan chegou ao poder e tudo mudou. Reagan veio disposto a acabar com dois males que se arrastavem e cuja cura não se descortinava: o sindroma da derrota no Vietname (agravada pelo sequestro do pessoal da embaixada em Teerão e pela inabilidade do Jimmy Carter) e a guerra fria que se mantinha empatada, com sucessos pontuais esporádicos, de parte a parte.

Leigo em matérias económicas (e não só), mas com muita experiência como político e governante, Reagan apresentou um programa económico (baptizado de reaganomics - veja detalhes aqui) que ele sintetizou em três acções: squeeze, cut and trim.

Os seus detractores apontam o estado da economia, no fim do seus dois mandatos, como prova da sua incompetência. Apertar, cortar e ajustar deram no maior déficit que os States alguma vez tiveram (e numa sequência de deficits anuais) que só a meio do segundo mandato do Clinton viria a ser compensado.

Mas toda esta despesa teve um objectivo que foi plenamente alcançado: levar a URSS à falência, ou fazê-la desistir do braço de ferro a que Reagan a sujeitou.

Tendo crismado a URSS de Império do Mal, Reagan decidiu que os States precisavam de criar um sistema de defesa contra os ICBM (mísseis balísticos intercontinentais) russos que deixasse a América ao abrigo da chantagem nuclear em que se baseava a política de détante durante a guerra fria (e, afinal, ainda hoje).

Para tanto foi lançado o programa de Iniciativa de Defesa Estratégica, crismada imediatamente de Star Wars (veja detalhes aqui) com o qual se pretendia colocar em órbita satélites assassinos, detectores de lançamento de mísseis, espelhos para dirigir contra misseis e satélites inimigos feixes de laser de alta energia, emitidos do chão.

O programa nunca entrou na fase operacional e os poucos testes feitos, dos vários módulos, não foram particularmente bem sucedidos, mas bastou para pôr a nu a indigência da URSS e democracias populares (vulgo satélites) e a sua incapacidade para manter, em simultâneo, programas de melhoria das condições de vida da população e para acompanhar a parada da Guerra das Estrelas americana.

Ora a população soviética estava, naquele tempo, cada vez menos complacente com o baixo nível de vida, e cada vez menos paciente ante as explicações politicamente correctas que o PCUS dava para os sacrifícios que vinha a pedir aos russos desde a revolução dita de Outubro...

Criadas as condições para a implosão da URSS, com o empurrãozinho do Papa Wojitila e do Solidariedade Polaco, a queda do muro, o desmembramento da URSS, a desratização (perdão, a descomunização) da Europa de Leste e a reunificação Alemã foram uma sucessão de pequenos passos que nem 10 anos demoraram.

Por tudo isto, no ano da queda do muro de Berlim duas pessoas devem ser lembradas e deve ser-lhes dado o devido destaque como obreiros incansáveis e eficazes do fim do comunismo:

Ronald Reagan e João Paulo II

PRAXE - O PIAGET FINALMENTE CONDENADO NO SUPREMO

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Depois de muitos anos, o processo interposto pela aluna do 1º ano, Ana Damião, contra o Instituto Piaget, de Macedo de Cavaleiros, foi finalmente julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça, que confirmou a sentança da Relação (veja aqui ) e condenou aquele Instituto a pagar trinta e oito mil euros à queixosa.

É pena que os "veteranos" que "praxaram" a "caloira" tenham ficado por punir...

Esperemos que o acórdão do Supremo seja levado a sério pelas escolas deste pobre País e que a opção pela NÃO PRAXE possa ser assumida perlos novos alunos sem que sejam reduzidos ao estatuto de párias, situação actual que os "estatutos" da praxe consagram e as escolas assobiam para o lado. Talvez até concordem.

Este blog orgulha-se de sempre ter tido uma posição firme contra a praga das praxes (vejam aqui e acoli ), veículo de afirmação da ralé das escolas sobre os colegas recém entrados, sob a capa e pretexto de ritual de integração dos novos alunos.

Basta de praxe, basta de MERDA!!!

Friday, July 03, 2009

A ZEZINHA, A SOFIA E A CASA DO CAMPO GRANDE

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Mudar de jornal, de vez em quando, proporciona-nos a leitura de cronistas que, doutra forma, acabariam por nunca nos passar à mão.

Leiam esta bela crónica da Zezinha Nogueira Pinto (DN de hoje) sobre a Sophia de Mello Breyner Andresen (ao lado, uma foto da sua juventude; veja mais sobre a poetisa aqui ) a que nem falta uma chave de ouro emprestada por Fernando Pessoa, "morrer é só não ser visto" ou, alargando-a um pouco mais:

"A morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto"

A propósito, hoje foi dado o nome de Sophia ao miradouro da Graça, numa cerimónia em que participaram António Costa e os cinco filhos da poetisa (e de Francisco Sousa Tavares). Foram descerradas lápides, uma toponímica outra com um poema de Sophia, e um busto da autoria de António Duarte, que data dos anos 50.

Não se esqueçam de passar por lá, já que mais não seja para homenagear uma das boas poetisas da segunda metade do século passado.

MANUEL PINHO EM GRANDE!!!

Manuel Pinho perdeu a cabeça com a bancada do PCP e fez o gesto que a figura mostra, virado para a selecta bancada vermelha.

Veja um pequeno sketch aqui .

. Isto está bonito, está!

RONALD BIGGS, UM BANDIDO IMPENITENTE

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A praga dos assaltantes do combóio correio não há meio de acabar. Merda de bandidos!

Lembram-se do mais mediático deles, o Ronald Biggs ? O bandido que cavou para o Brasil, emprenhou uma caipira e, à pála de ter um filho brasileiro, conseguiu viver lá impunemente, à grande e à francesa, evitando a extradição, durante umas boas duas décadas.

Lembro-me de há um bom par de anos ter regressado a Inglaterra de livre vontade, enfrentando a prisão (inevitável, uma vez que tinha apanhado 30 anos de choça, num julgamento à sua revelia) esperando ser liberto por ser velho e doente - estes cabrões estão sempre a morrer para se verem livres da prisa, depois vivem mais uma porrada de anos!

Agora, ao que parece, toda a gente bem pensante achava que ele ia sair da prisão: valeu o ministro da Justiça que entendeu que, como o tipo nunca mostrou qualquer arrependimento (nem devolveu a massa...) a sociedade nada tinha que lhe perdoar da pena a que o condenara.

Muito bem!

Thursday, July 02, 2009

NÃO HÁ BELA(O) SEM SENÃO...

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O Paulo Varela bem me lixou: atão não é que o gajo me saíu um daqueles rapazinhos que acham que tudo, em particular os sítios "antigos" por onde passaram, devem ficar as is para todo o sempre, para seu gozo pessoal, preservados de pessoas e do inevitável betão?!

Os locais de descanso espiritual, tranquilos, silenciosos e pacatos, com boas praias, deveriam ficar para todo o sempre inexplorados e desertos, prontos para acolher os iluminados, e só eles, que desses locais tivessem conhecimento privilegiado.

Tal como os meninos de olhos redondos de felicidade e pasmo que os papás levam a ver o vale do Sabor (o último vale selvagem de Portugal...) o bom do Paulo Varela dá-nos uma imagem do seu filho André, de lágrimas nos olhos (?!), ante uma praia que ele conheceu deserta e linda, agora horrível com montes de restaurantes, prédios e (horror dos horrores!) pessoas. Pior que pessoas, turistas!

Ó Paulo, com esta é que me lixaste, pá!!!

Monday, June 29, 2009

A MORTE DO ARTISTA

E agora, uma badalhoca.

Um amigo conta ao outro o assalto que sofreu.

- Um gajo grandalhão encostou-me uma pistola à barriga e disse: o cu ou a vida!

- Porra! E tu?...

- Eu... morri, não dá para ver?!

BOM HUMOR ÀS 2 DA MATINA

Um funcionário público matava o tempo a apanhar moscas. A alturas tantas, apanhou uma que se debateu com inusitado vigor e que lhe disse:

- Eu sou o génio das moscas e concedo-te três desejos.

- Baril! Quero ir já para uma praia tropical, longe destes incompetentes todos!

PLIM!!!!! E o funcionário viu-se numa praia tropical de areias brancas e um mar de águas límpidas e tépidas, mesmo a seus pés.

- Agora quero um monte de gajas boas, todas descascadas a servir o rapaz!

PLIM!!!!! E o tipo viu-se rodeado por um monte de raparigas lindas e jovens, bronzeadas e em biquinis reduzidos, a apaparicá-lo, prontas para tudo.

- Carago, ganda vida! Como terceiro desejo quero, até ao fim da minha vida, não ter nada, nada, nada que fazer!

PLIM!!!! E o funcionário público viu-se de volta à repartição donde partira pouco antes.

. . . . . . . .

Agora uma verídica.

Dois amigos de longa data, colegas de empresa, de copos e de vacanças, estavam a construir casas de férias na Caparica, uma ao lado da outra. Davam-se como Deus e os anjos, eles e as famílias também.

Até que um deles se enrolou com a mulher do outro e o dito acabou por descobrir. Não houve dramas: o corneado limitou-se a levar a mulher a casa do outro e a dizer-lhe que, face ao ocorrido, já não a queria e entregava-a a ele.

E assim foi: um livrou-se da mulher e o outro ficou com as duas, com quem ainda hoje vive - cada uma em sua casa, mas sabendo uma da outra.

Não soube é se os dois amigos continuaram a dar-se como Deus e os anjos...

Sunday, June 28, 2009

O BOM, O MAU E O VILÃO - IMPEC!

Veja e oiça este arranjo muito giro da banda sonora do filme O Bom , o Mau e o Vilão.

NUNO CARDOSO APANHA 3 ANOS DE CHOÇA!

Clique na imagem, que talvez aumente

Com uns anos de atraso e com pena suspensa, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto foi condenado a três anos de cadeia por uma das muitas medidas que tomou em conúbio com os patrões do futebol local, no tempo em que essa era a prática dominante naquela desgraçada cidade.

Prática que Fernando Gomes, o tipo do capachinho, levou a tais extremos que quase não se distinguia o interesse da cidade dos interesses dos clubes, com destaque para os do F C Porto.

Realmente o Porto será sempre uma cidade periférica e provinciana enquanto um bando de desequilibrados teimar em identificar um clube de futebol com a cidade e a cidade com um clube de futebol, ambos em guerra unilateral com Lisboa e com todos os que furarem aquela identidade.

Rui Rio é portuense e vejam a guerra que o lobby do F C Porto lhe move desde a primeira hora.

É claro que Lisboa, sede de um poder exercido por pessoal de todo o país, com destaque para os do norte (Porto incluído), nem se apercebe de tal guerra excepto quando ela é verbalizada e reafirmada por doentes que tentam colmatar as suas debilidades pessoais com um exacerbado espírito de pertença a alguma coisa mais sólida que eles, que os ancore e lhes dê as referências de que carecem - bairrismo, clubismo e todos os outros ismos, mais ou menos espúrios que por aí abundam.

(porra, isto é que análise, carago!)

Vejam o que diz o pianista portista e portuense Pedro Burmester:

O FC Porto é a minha única fé e religião. Aquilo que o clube desperta em mim é sempre igual: é sempre forte e intenso.

Digam-me que este gajo é normal, digam-me, please!

Clique aqui e esqueça esta malta merdosa que, às vezes, até nos faz esquecer que o Rui Veloso, o Carlos Tê, o Sérgio Godinho e tantos, tantos outros são tripeiros de gema e até serão adeptos do F C Porto sem que o bairrismo e clubismo se tenham tornado a parte dominante das suas personalidades.

O COPEJO DO ATUM

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Uma imagem que me ficou da escola, um misto de aventura, coragem, adrenalina, etc e tal, foi a do copejo do atum (veja um texto interessante aqui).

O texto e as fotos (a preto e branco - era o que se usava no "meu tempo" e tinha a vantagem de não mostrar a água tinta de sangue que o texto referia) e o texto descreviam o trabalho das armações que armadilhavam o trajecto dos cardumes, apanhavam-nos num paralelipípedo de redes presas aos barcos.

Os barcos iam fechando o cerco, o fundo da rede ia subindo até que restava uma piscina com poucos metros de profundidade onde se concentravam os atuns, que nadavam velozmente rente aos barcos, donde os pescadores os arpoavam e iam paulatinamente puxando para dentro.

A parte da adrenalina vinha quando alguns pescadores mais jovens e mais destemidos (os atuns maiores tinham, naqueles tempos, à volta de um metro e meio - e mais) saltavam para a água, nadavam entre os peixões e chegavam a cavalgá-los, num verdadeiro rodeo que terminava, por via de regra, com o peixão a ser esfaqueado e puxado para dentro dos barcos.

Isto não tinha nada de mais até porque o intuito da arte era mesmo a captura dos atuns, não para os meter, vivos, em aquários ou outra estravagância moderna, mas para os matar, esquartejar, preparar, enlatar ou enviar para o mercado do peixe, inteiros ou em postas.

O destino final era, claro!, a frigideira ou o tacho.

Normalito, portanto, e nunca reparei que algum colega de carteira ficasse impressionado com a cena...

O que o Zé Antº Saraiva nos traz na Tabu, suplemento do SOL, deste sábado, sob o título de A matança dos inocentes, não é o copejo do atum mas a matança do golfinho, nas ilhas Faroe, onde aqueles mamíferos proliferam e constituem um valente bico de obra para os pescadores.

Parece que é um costume local a rapaziada, uma vez por ano, fazer uma razia entre os simpáticos e vorazes mamíferos, e é contra esse hábito que o Zé Antº Saraiva perora, em duas páginas de texto e imagem, nas quais predomina o tom vermelho da sangueira dos bichos.

Por qualquer motivo que me ultrapassa completamente, o golfinho é considerado por espíritos mais sofisticados e amantes dos bichinhos, como uma espécie de primo do homem, deixado na água pelo combóio implacavelmente apressado da evolução, primo que nos devemos abster de comer ou de meter em circos - excepto nos que forem geridos pelos tais espíritos sofisticados que tratam os bichinhos como sócios ou coisa parecida. Até lhes pagam um salário em peixes, açucar e festinhas que deixam os nossos primos tão felizes e contentes que insistem em voltar a actuar para o público para lhes ser renovado o salário tão generoso.

Em resumo: o Zé Antº Saraiva considera os dinamarqueses uns selvagens em cujo toutiço não se atenuou o espírito vicking de pirata sanguinário: para além de gozarem com o profeta têm a audácia de matar golfinhos. Grandes malandros!!!

Espero que, ao menos, a rapaziada coma a chicha dos bichos pois parece que os bifes de golfinho que se come na costa norte da Madeira (à socapa, claro) são muito, muito saborosos!

Vai uma febra?

Wednesday, June 24, 2009

Cartas de cá - espécies...

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Paulo Varela continua a encantar-me com as suas descrições de quadros da vida da Índia.

Agora são os resultados da expansão dos subúrbios das cidades e o derrube de árvores e empurra os animais para junto dos homens de quem perdem o medo e ganham o gosto (gosto no sentido mais amplo, que o digam as tais "viúvas do tigre"...).

Valham-nos as raposas urbanas, que sempre são mais maneirinhas que um tigre...

Friday, June 19, 2009

MANIFESTO ANTI PORTAS A PROPÓSITO DA MORTE DE CARLOS CANDAL

Mão não muito amiga fez-me chegar este manifesto anti-Portas, publicado por Carlos Candal durante uma campanha eleitoral no distrito de Aveiro, em que Portas e Pacheco Pereira participaram.

Quando tive notícia da morte de Carlos Candal procurei afanosamente na net o dito manifesto, a coisa mais saliente que o bronco advogado produziu enquanto por cá andou. Debalde o fiz.

Hoje recebo-o por mail de um bacano que me conhece muito bem mas que assina por com pseudónimo deixando-me deserto por perceber quem é o gajo.

Este manifesto não corresponde ao que eu me lembrava dele: um texto muito mais curto e incisivo, terminando com o sacramental "Morra Portas, morra! PIM!!!!".

Por isso, publico-o com reservas.

BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE "Real Senhor ia passando … Encostado à bananeira, diz o preto para a preta: está bonita a brincadeira."

1. Estava eu "posto em sossego" (*) – aprestando o barquito da família para umas passeatas na ria – quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que 2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio de marfim eleitoral deste Distrito.

De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates – para um tonificante estágio "à la minuta" junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.

Todavia depressa desisti desse passeio para o Sul – confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.

Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos – que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ia a escrever 'camaradas' – expressão regional caída em desuso, mas recuperável !).

2. Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustadamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a direcção dos Serviçoa de Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para sub-regionais; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação da região foi repartida entre Porto e a dita Coimbra.

3. Só nos faltava agora mais essa: passarmos doravante a ser representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital !

Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora – 'estrangeiros' para aqui impontados por Lisboa como 'comissários políticos para zona subdesenvolvida' ou 'tutores de indígenas carecidos de enquadramento'.

Tinha que reagir e reagi !

4. Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora – para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua).

Aliás, esse é um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento.

É uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva, todavia, até por isso, nunca tolerámos que nos impontassem mentores !

5. Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do "25 de Abril" foi comunista radical – daqueles que (aos gritos de "nem mais um soldado para as colónias") impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia – com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).

Com sólida formação marxista-lenilista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.

Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo – opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido 'fazer carreira' no PSD, como é evidente …

Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilbeto Madail – que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece).

Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática !

7. Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas – à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia. Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um 'folheto de cordel' (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia – opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego – valha a verdade).

Digamos que tais escritos estão para o 'ensaio' como as quadras populares para o 'poema' – na forma e no conteúdo.

Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas – pingam apenas cinco ou seis ideias que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8. Certo é porém ter sido com essas 'quadras soltas' que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente – ganhando (por 'menção honrosa') a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do 'antieuropeismo primário'.

Tenho-me esforçado por lhes estragar tal passeio – com algum êxito.

9. Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (o outro excursionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram 'favas contadas'.

Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses ('provincianos' como nos chamam) ficariam enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por 'lisboetas de tão alto gabarito' (a expressão não é minha, evidentemente).

Terão ficado surpreendidos pelo 'impedimento' que, logo após a 1.ª anunciação, eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opor firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contrair com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral – para usar linguagem de telenovela).

Como consequência imediata, eles – que tencionavam 'casar por procuração' (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) – tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.

Estraguei-lhes o arranjinho !

10. O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.

Chegou de fato novo e ideias velhas.

E instalou-se num hotel da região – escolhido pela mâezinha (no Guia Michelin).

Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a 'cassete' – que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.

Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge, a quem se acerca, as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).

E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração – o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.

Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia – depois de já termos entrado (e … recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) !

Aliás o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11. Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento de resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair – e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito 'adequado'.

12. Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota – além dele e do Dr. Manuel Monteiro.

Aliás o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta.

Não obstante, messias da restauração, reclama 'missionários' (sic) para o seu ridículo sebastianismo – sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13. Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa, exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas – tornando-se injusto, maledicente e agressivo.

Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por 'chefes' cujos nomes a História registou – mal comparado …).

14. Politicamente, o Portas é um 'bluf' – produto acabado de certos meios intelectualoides da Capital, que funcionam em circuito fechado – por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.

Entre muitos outros, fazem parte de tal 'entourage' o avinagrado Vasco Pulido Valente (avinagrado de vinagre, entenda-se) e a sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá – ambos comungando os chorudos ordenados que "O Independente" (assim cahamado) do Dr. Portas lhes paga pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrivinham no cómodo formato A4.

Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos quando era uma espécie de menino-prodígio da escrita.

Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino, pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos – ainda que muito apreciados pelo crítico Henrique Monteiro que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15. O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu ‘milieu’ é uso chamar 'as classes baixas' – como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr 'creme nívea' na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16. O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.

Concretamente, oculta que é monárquico – opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República !

É a tal falta de transparência que critica – nos outros, claro …

17. O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra "um homem, um voto" verdadeiro axioma da Democracia.

Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que, (no seu entender) revelam "uma estranha tendência para o precipício".

18. Eleitoralmente, o Portas é desleal, vicia as regras do jogo.

Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d' "O Independente" (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-da-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários – com a cumplicidade na batota do respectivo 'conselho escolar' !

Porque não sou 'queixinhas', não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas. junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.

Não vou sequer queixar-me à mãeziha do Dr. Paulo Portas.

Tão pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes – tido por dono do jornal – até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria 'candidatura a sanguessuga' (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.

Aliás, provavelmente, não será especialista em 'deontologia profissional do jornalismo’.

Assim, sendo, remeto a preciação da chocante conduta do Dr. Portas e d' "O Independente" para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Príncipe e José Carlos de Vasconcelos, tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros).

Concretamente permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa a apologia dos valores morais sociais) seja eticamente aceitáveis.

19. De facto, não é fácil ser-se coerente e sério na política.

20. Particularmente difícil é porém, 'fazer carreira política' em Portugal – sobretudo quando não se dispõe de apoio de qualquer dos 'lobies' que condicionam quase toda a nossa actividade pública.

Estou a referir-me à 'solidariedade corporativa' na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e – mais recentemente – os parceiros da comunidade 'gay'.

Tratando-se de organizações ou agregados que mantém intervenção (directa ou indirectamente) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva – também nos partidos políticos e na comunicação social.

Agindo concertada ou avulsamente, os membros de tais 'lobies' têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direiro e sobre a formação da opinião pública.

Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, 'heróis sociais' ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21. Por definição as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis

Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do 'Público', pondera que esse jornal tem dono – e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectvos interesses (mesmo quando – agora instalado – escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da 'geração de 60´) ?

E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise crítica – injustamente lisonjeira – da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22. A acção de todos ou alguns desses 'lobies' perpassa de facto os principais partidos – transversalmente.

E por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra a explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no 'Gambrinos' ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23. Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro – sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou 'forças de pressão'.

Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.

Estrela de 3.ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas – cometa ocasional , que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e … sem deixar rasto).

Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira – lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflete a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.

24. Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25. Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação – espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.

Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta 'zona demarcada entre Douro e o Buçaco' !

Carlos Candal

(*) Expressão assaz erudita com que pretendo homenagear a linda Inês – em cujo assassinato participou certo avoengo do Dr. Pacheco Pereira, por sinal o único dos três sicários que (revelando uma ancestral habilidade) logrou escapar à vingança do D. Pedro, como aliás aquele ilustre político gosta de lembrar (v. "Classe Política Portuguesa" – 1991 – p. 330)

A PROPÓSITO DA QUEDA DO A-330 DA AIR FRANCE

As duas imagens que publico não têm nada que ver com a queda do avião da Air France mas com o avião de uma companhia brasileira que caíu sobre a Amazónia, há um ou dois anos, depois de ser atingido por um pequeno jacto.

As fotos foram sacadas do chip de memória de uma máquina digital de um passageiro que seguia no fatídico vôo.

As imagens não deixam de ser "esquisitas": na segunda há a silhueta de um passsageiro a ser "sugado" pelo buracão, sem que a passageira da fila da frente tenha o cabelo minimamente agitado pela ventania...

O texto que acompanha as fotos é o seguinte:

The two photos attached were apparently taken by one of the passengers in the aircraft, just after the collision and before the aircraft crashed. The photos were retrieved from the camera's memory stick. You will never get to see photos like this. In the first photo, there is a gaping hole in the fuselage through which you can see the tailplane and vertical fin of the aircraft. In the second photo, one of the passengers is being sucked out of the gaping hole.

These photos were found in a digital Casio Z750, amidst the remains in Serra do Cachimbo. Although the camera was destroyed, the Memory Stick was recovered. Investigating the serial number of the camera, the owner was identified as Paulo G. Muller, an actor of a theatre for children known in the outskirts of Porto Alegre .

It can be imagined that he was standing during the turbulence, he managed to take these photos, just seconds after the tail loss the aircraft plunged. So the camera was found near the cockpit. The structural stress probably ripped the engines away, diminishing the falling speed, protecting the electronic equipment but not unfortunately the victims. Paulo Muller leaves behind two daughters, Bruna and Beatriz.

Sunday, June 14, 2009

MEMÓRIAS DO MEU CATIVEIRO - DE CLARA ROJAS

Em primeiro lugar, se tencionam comprar o livro para se inteirarem daqueles pormenores picantes - quem é o pai da criança (era guerrilheiro? era polícia ou soldado? era um dos outros "colegas" de cativeiro? qual deles? como foi?), quem dormia com quem (em particular a Ingrid...), como foram as peixeiradas entre as duas senhoras, etc, etc - desengane-se.

Sobre o puto limita-se a dizer que teve uma experiência de que resultou a gravidez...

O livro dá uma imagem, um bocado desfocada (deve ser intencional) do que era a vida nos sucessivos acampamentos das FARC e das sucessivas caminhadas entre eles e pouco mais.

Pouco mais não: grande parte do livro serve à autora para exibir a sua religiosidade (a sujeita é de um beatismo absolutamente insuportável!), as suas crenças nas várias virgens lá do sítio, as várias rezas diárias do rosário (um rosário = três terços, para quem já não se lembre destas coisas), o quão perdoa aos que lhe fizeram mal, uma coisa absolutamente chata, chata, chata!

Insuportável a beata, raios a partam!

Alguns exemplos (só das últimas páginas):

"... o que me fez reparar que há muitos anjinhos que nos rodeiam com os seus bons pensamentos e a sua luz."

"...decidi deixar isso nas mãos de Deus, para que o todo-poderoso me ajude com esse pesado fardo, como já antes fez."

"...quando alguém nos faz mal, em vez de lhe desejarmos mal, há que o abençoar."

Thursday, June 11, 2009

ESCRITO NA PEDRA - VERY, VERY DEEP

Esta realmente foi totalmente inesperada, mas não deixa de parecer muito certa, pelo menos quando a idade que o geronte aparenta na fotografia não deixa lugar a outros amores, porventura mais sinceros:

NÃO HÁ AMOR MAIS SINCERO DO QUE O AMOR PELA COMIDA

E esta, hã?!...

Wednesday, June 10, 2009

CARTAS DE CÁ - Park Street

Clique na imagem para ampliar e ler

Leio quase sempre com agrado as crónicas do Paulo Varela Gomes, as Cartas de Cá, que a P2 do Público publica em dia da semana variável, ao que me pareceu. As cartas são escritas da Índia, provavelmente em Goa, e os temas são quase sempre (sempre?) sobre a Índia não se limitando a Goa, como é a presente crónica.

Depois de ter acabado a série de artigos do filósofo Desidério Murcho, esta é a crónica da P2 que mais me agrada.

A imagem que traça da chegada da monção é dum colorido e de um pormenor deveras notável, para o espaço que a crónica ocupa.

Poupo-vos tempo caso queiram ver alguma coisa sobre o pintor Giovanni Battista Piranesi (foto ao lado) é só clicar no nome.

As pinturas que encontrei na net são muitas de monumentos, edifícios, paisagem urbana. Deixo-vos aqui uma dessas paisagens urbanas; veja mais aqui .

Deixo-vos também alguns links de entrada, caso queiram ir ver o que há sobre o cemitério de Park Street, em Kolkata (Calcutá, à portuguesa), referido pelo Paulo Varela:

Fotos;

romance;

alguns detalhes;

imagens de Calcutta;

Mother Teresa Sarani (que deu o nome ao cemitério).

VIOLÊNCIA NA NOITE - ESPANCAMENTO OU EXECUÇÃO? NOVOS DADOS

No post Violencia na noite foram colocadas informações actuais sobre o ocorrido, nomeadamente sobre o agredido (que ficou em estado semi vegetativo) e o principal agressor, o herói que a foto mostra, acolitado por sete "colegas de ofício".

Clique no link e actualize a informação.

Entretanto, transcrevo a seguir o último comemtário sobre o assunto, feito por Fernando Guimarães:

Lembram, um rapaz foi espancado por uma gangue de 8 marginais em Sorocaba/Sp faz 1 ano, vejam notícias atuais?

Acusados deverão ir a júri popular daqui a um ano.Notícia publicada na edição de 29/04/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h. O prazo mínimo para os três acusados da agressão praticada contra o metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues ir para júri popular é de um ano, caso não haja apresentação de recurso por parte dos advogados de defesa, informou ontem o juiz da Vara de Execuções Criminais de Sorocaba, Émerson Tadeu Pires de Camargo.

Outros cinco acusados estão livres. Enquanto a justiça não é feita, Fabiano luta ao lado de sua mãe, a aposentada Sebastiana Dias Rodrigues, de 60 anos, que tem sofrido e vem passando por muitas dificuldades financeiras.

"Enquanto meu filho fica aí deitado, os seus agressores continuam levando a vida sem problemas, mas eu não tenho sentimento de ódio por ninguém", afirma a mãe do rapaz que desabafou, dizendo que sequer os familiares dos acusados telefonaram para ela para saber como anda o seu filho.

"Se fosse o meu filho que tivesse feito o que fizeram, eu não iria pagar advogado não, ajudaria a família de quem o meu filho espancou".

Em 1º de junho, completará um ano do espancamento sofrido por Fabiano que completará em 11 de junho 25 anos de idade. Ele só responde o que perguntam a ele, não ordena ideias nem inicia uma conversa. Passa a maior parte do tempo deitado, assiste à tevê, mas não tem consciência do que acontece a sua volta.

"Meu filho está vegetando". Dona Sebastiana luta para manter a casa da família, que é simples. Vez ou outra conta com a solidariedade de pessoas que levam cesta básica à casa da aposentada, que fica na Árvore Grande.

O gabinete do vereador Tonão Silvano ajuda a mulher com remédio para o filho. Com uma renda de pouco mais de R$ 700, dona Sebastiana tem conhecimento das dívidas que ainda têm com a Unimed, com uma farmácia e outras do dia-a-dia, como a taxistas que fazem, pela metade do preço, o transporte de Fabiano até o médico, o neurologista André Simes, que vem acompanhando o rapaz.

Ela tem esperança em um milagre para que o filho volte a ser o que era antes de 1º de junho de 2008.

De acordo com o advogado de defesa de Fabiano, Márcio Roberto de Castilho Leme, o quadro clínico do rapaz não é de esperança. Ele foi violentamente espancado. As sequelas são graves, afirma.

Fabiano foi chutado por diversas vezes na cabeça, tendo, ainda, um dos agressores pulado mais de uma vez na cabeça do rapaz, que ficou caído no chão, em frente à casa noturna Soft Music Hall, cujas câmeras filmaram toda a cena do crime.

Fabiano ficou em coma por 27 dias, recebendo alta posteriormente. Fez tratamentos com terapeuta ocupacional, mas tem muita dificuldade de se manter em pé, de tomar banho, de se alimentar e até mesmo de fazer as necessidades fisiológicas sozinho.

A situação da família é tão difícil que até cartas foram escritas para os programas dos apresentadores de televisão Sílvio Santos e Gugu Liberato. Os remédios de pressão alta e colesterol que dona Sebastiana precisa tomar são caros e ela está passando sem medicamentos.

"Eu não tenho como fazer nada, pois preciso cuidar do meu filho, mas ao mesmo tempo tenho medo de morrer e deixá-lo aqui. Quem vai ter paciência de cuidar dele como eu cuido?", chora dona Sebastiana que tem muita fé em Deus que tudo será resolvido. Fabiano passa a maior parte do tempo deitado e não tem consciência do que acontece em sua volta.

O rapaz, que completará 25 anos dia 11/06/09 antes da agressão e agora. Era alegre, esbelto. Hoje é triste, obeso, sem vida social.

(Fernando Guimarães).

Daqui envio os meus agradecimentos ao Fernando Guimarães por nos manter ao corrente deste crime perfeitamente a sangue frio e com requintes de malvadez e violência.

10 DE JUNHO ALTERNATIVO - UM POUCO MAIS INSTITUCIONAL

Clique nas imagens para ampliar

O 10 de Junho alternativo, comemorado junto ao forte do Bom Sucesso, foi este ano o que costuma ser: a missa só para os madrugadores, muita espera, mais espera, ainda mais espera, alguns discursos "domésticos" outros de artistas convidados.

O artista principal costuma ser uma personalidade cuja ligação aos combatentes dificilmente se descortina: este ano coube a vez ao adiantado mental Braga da Cruz, nos outros anos o Paulo Teixeira Pinto, o Barão Horta te Costa, etc, etc.

Grama-se a cerimónia bi-religiosa de um padre mais o inevitável Iman da mesquita de Lisboa (como é que se chama o homem, carago? não me vem...).

Canta-se a Portuguesa (este anos "amparados" pela Cátia Guerreiro), depõem-se flores aos mortos, olha-se para o ar para ver passar a FAP, põe-se a cara à banda para que o ouvido em melhor estado apanhe a salva da corveta do outro lado do forte (dentro de água, claro), e depois é o almoço campal para quem comprou a senha ou trouxe farnel de casa.

Este ano (confesso!) cheguei a meio da coisa (pensava eu!) para ver se via o fim da cerimónia - nos outros anos chego cedinho, espero, espero, espero e desespero: ponho-me nas ditas muito antes do fim das actividades.

Na foto ao lado, o recém promovido Jaime Neves. O homem está reformado há um monte de anos, está a cair da tripeça mas... vai mais um par de estrelas para cima dos ombros! O Delgado não foi promovido a Marechal depois anos e anos a fazer tijolo? Pois então...

Este ano cheguei quase ao meio dia, nem um único discurso tinha sido proferido, de modo que me pisguei aí à uma da tarde, estava a mensagem do Cavaco a ser lida.

É verdade! O Presidente, enquanto distribuía medalhas em Sanatrém, honrou-nos com a sua palavra ainda que não com a sua presença. Fantástico!

Acho que a monumental vaia que o Soares apanhou, no primeiro ano em que se realizou esta comemoração, serviu de exemplo aos restantes. O mais que lá vi foi o Secretário de Estado (da Defesa e do Mar - será assim? da Defesa e dos antigos combatentes, etc).

Saindo mais cedo, perdi a alocução do meu antigo colega Henriques sobre o Condestável. Paciência, já estava farto...

Afinal, lendo o programa, vejo que o horário até foi cumprido - eu é que alinhei pelo programa dos anos anteriores...

De resto, a causa monárquica estava mal representada, só o sr D. Duarte (ao lado) mais o primo, D. Francisco van Uden, mas nada de representantes da causa monárquica, recentemente unificada sob a batuta do reformado de luxo, Paulo Teixeira Pinto.

Na foto vê-se ainda o general Bruno, à direita, de Torre e Espada ao pescoço.

As fotos não são grande espingarda porque não me credenciei e não quis ser escovado por indecente e má figura se tentasse aceder aos locais por onde os reporteres credenciados circulavam...

Enquanto pude circular pelos "espaços nobres", ainda localizei a inscrição no mármore com o nome do Zé Bação, na lista de mortos de 1965. Não o estou a ver muito agradado com a coisa, mas a inscrição pode fazer sossegar as consciências dos "médicos" (mérdicos...) que se recusaram a dar-lhe mais que aspirinas quando o hematoma, no seguimento do rebentamento da mina, lhe provocava dores de cabeça terríveis.

Bando de charlatães, para não dizer mesmo filhos de puta!