Friday, November 20, 2009

A CAMBADA

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Repararam no artigo sobre o alargamento da escolaridade obrigatória que o Público trouxe na passada quarta feira? Não?

Bem, além da "análise" da magna questão de elevar o tempo de escolaridade obrigatória quando não se consegue obrigar a cumprir a escolaridade obrigatória actual (mais de 35% dos putativos escolarizados abandonam a escola antes de acabarem o 9º ano, tido por obrigatório!) o jornal trazia a pérola que junto ao lado e que me deixou de boca aberta.

Para mim era (é) claríssimo que o desempenho do sistema de ensino é péssimo (talvez só mau, enfim...) e que a produtividade dos professores é pior que má.

E é ainda mais claro, se possível, que essa cambada ignara é movida (levada, melhor dizendo) por impulsos de cariz meramente sindicalista que em nada coincidem com os interesses dos alunos, da sociedade, do País.

Mas o quadro ao lado mostra-nos até que ponto isso é verdade: numa altura em que o sindicalista do bigode nos chateia a cada passo com o desemprego dos professores (?!), com a "injustiça" e irracionalidade da avaliação dos ditos e com "dignificação" da profissão, vemos que cada membro da cambada lecciona, em média, um grupinho de 8 crianças ou jovens. Nem mais unzinho...

Comparem com a Coreia, com a Alemanha, com a Irlanda, com a República Checa onde cada professor lecciona quase o dobro dos alunos dos seus supostos colegas portugueses, com resultados que não têm qualquer comparação.

E a quadrilha alapada no Poder, para não perder as próximas eleições, mete no Governo outra Ana Jorge que em um mês já mostrou até que ponto vai estar de cócoras perante as exigências dos maus pastores que conduzem cambada.

Isto vai bem, vai!!!!

Tuesday, November 17, 2009

O TROUFA PERDEU A CABEÇA ... DE VEZ!

ACTUALIZAÇÃO

O Público de hoje, 18/11, traz uma outra imagem da igreja, uma espécie de alçado principal que foca menos a caravela e dá uma ideia mais precisa do que será o conjunto.

Já se parece mais com alguma coisa, não diria bem com uma igreja, mas enfim, pelo menoos a torre parece mais com as da Sagrada Família, de Barcelona, e menos com um islâmico minarete. Percebe-se que a caravela é mais para quem vem pela esquerda e que para quem se aproxima pelo lado oposto a coisa poderá ficar mais disfarçada.

Tudo isto para dizer que, desde que a coisa funcione (o espaço interior amplo, boa acústica, boa visibilidade para o altar, etc, etc) não vcejo por que carga de água uma igreja tem que ter sempre a forma clássica, mais rendilhado, menos rendilhado.

Força, Arquitecto!

. . . . . . . . . . . .

Este objecto que o Público de hoje (17/11) apresenta é uma igreja, por muito que o minarete avantajado, nos seus cem metros de altura, o desminta.

O Arquitecto Troufa Real é o seu autor (à borla, acrescente-se) e a dita começou hoje a ser construída em Belém, na freguesia de S. Francisco Xavier.

A influência de Frank Gehry (o do Guggenheim de Bilbau,

Veja aqui), tão redondinho e brilhante, é flagrante. Veja mais esta.

Vamos ver como sai a coisa real.

...entretanto já há patetas a organizar petições para evitar que as suas delicadas retinas sejam agredidas pelo mamarracho...

Sunday, November 15, 2009

PAULO AZEVEDO - UMA VIDA NORMAL

Já tinha reparado no livro mas só me decidi a comprá-lo quando vi parte de um programa de televisão em que ele aparecia, salvo erro o programa do Salvador .

O livro é uma inspiração para quem tenha que conviver com uma deficiência grave, sua ou de um filho (amigo, etc).

Recomende vivamente o livro: compre e leia.

Aí vai um cheirinho, tirado do youtube Vida normal

Saturday, November 14, 2009

O AMIGO NORONHA

O sr Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e, por inereência, do Conselho Superior de Justiça, Conselheiro Nhonhonha do Nascimento, mandou "arquivar" as gravações das conversas escutadas entre os dois amigos Sócrates e Vara, sobre assuntos de que vêm surgindo detalhes aos bochechos na comunicação social.

Parece que chegaram às bochechas do Nhonhonha e que o dito, chateado com o assunto, as mandou destruir (ou arquivar, whatever).

De qualquer modo, trata-se de proteger o Governo, em particular o nosso primeiro, passando-lhe por cima o manto da Justiça, numa espécie de chiquelina para esconder o que quer estivesse transcrito das escutas feitas aos dois manos.

Com este gesto amigo o inefável magistrado manteve o primeiro ministro e ele próprio sob suspeita: o que é que raio teriam conversado aqueles dois pategos (cidadãos eminentes por via da política e totalmente irrelevantes nas suas carreiras profissionais...) para ser preciso a coisa ir até ao topo da magistratura para se decidir que não têm interesse para a investigação criminal?!

Huuuuuuuuuummmmmmm, aqui há gato!

Friday, November 13, 2009

CAIM

Eva disse ao Senhor:

- A serpente enganou-me e eu comi (o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal).

Responde-lhe o senhor:

- Falsa, mentirosa, não há serpentes no Paraíso!

O Senhor, na pressa de acabar a sua obra, só tarde se apercebeu que não tinha dotado Adão e Eva de voz. Corrigido o erro, "despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama."

O livro é uma delícia, se bem que perca um bocado o ritmo para lá do meio e acabe quase penosamente.

Mas, no cômputo geral, lê-se bem, tem piada, é bem escrito - com as características conhecidas do Saramago, os períodos longos, a ausência de parágrafos, os diálogos de enfiada, o uso persistente de minúsculas nos nomes.

Toca naqueles pontos do antigo testamento que sobrevoamos, como alegorias que não se devem levar à letra, mas que não deixam de ser manifestações da face do Senhor, implacável e totalmente despida de caridade e compaixão. Sodoma e Gomorra são apenas dois exemplos entre muitos, muitos, muitos.

Realmente, como diz Saramago:

a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós nem nós o entendemos a ele.

CASAMENTO GAY (ou a cerveja sem álcool)

Para começar, uma declaração solene:

sou totalmente a favor do casamento entre homossexuais de todos os tipos: gay com gay, lésbica com lésbica e até gay com lésbica.

No problem!

Têm necessidade de que a sua ligação seja "autenticada" por um papel passado no registo civil, igualito ao dos casais hetero? Força, venha o referendo que eu voto (e faço campanha) a favor.

É um problema que não vale um caracol, não vale o esforço de discutir se o acesso ao casamento é um direito, se a sua privação é uma discriminação, se é uma questão de direitos humanos... não vale a pena: por causa de um mero papel, para quê esta perda de tempo, todo este desgaste?

Deixemo-los casar, carago!

Bem, este direito ao casamento não é assim tão amplo: mesmo o Bloco de (extrema) Esquerda, tão libertário, benza-o S. Neutel, mantém uma série de restrições burguesas ao casamento para todos:

  • mano com mana, não! (primo com prima, vá lá, vá lá...)
  • pai com filha, tampouco;
  • avó com netinho, muito menos;
  • casamento poligâmico e poliândrico também não!

Esqueci-me de alguma abominação ainda não "descriminalizada"?

. . . . . . .

Proclamado o meu apoio à coqueluche do momento, não me lixem! O casamento, como disse a Ferreira Leite antes de ser crucificada, tem uma longa tradição de ser uma união, com ou sem papel, entre homem e mulher com um objectivo central (nem sempre satisfeito, mas central, quand même): a procriação.

Mas em termos de história do Homem, a tradição nem é assim tão antiga: remonta apenas ao tempo em que as pessoas inventaram a escrita e passaram a anotar freneticamente quem possui o quê (terras, burros, vacas, cabras, escravos, mulheres), muito mais tarde quem vive com quem e quem é filho de quem.

Por outro lado, só muito recentemente (meio século?) é que a mulher passou a ser cidadã de pleno direito (países islâmicos à parte...), a trabalhar fora do "lar", a ter carreira profissional, a ser "pessoa" e, consequentemente, o casamento passou a ter uma tónica mais acentuada na satisfação (em sentido lato) de ambos os conjuges e não apenas na satisfação dos desejos e da vontade do "senhor". Daí uma acelerada descaracterização do casamento como meio de "perpetuar a espécie".

E pronto, aqui temos o casamento gay equiparado ao casamento hetero, assim a modos de cerveja sem álcool: tem o mesmo nome da "verdadeira" mas não é mesma coisa.

Digo eu, vá...

Wednesday, November 11, 2009

11 DE NOVEMBRO DIA DE S. MARTINHO E DA DIPANDA

Um amigo meu dizia, há muitos anos, que não era coincidência a independência de Angola ter sido no dia de S. Martinho, mas exprimia a vontade oculta do guia imortal de celebrar Baco juntamente com a Dipanda.

Será que o meu amigo tinha razão? Nunca soube se sim, se não.

Pensei em perguntar ao filho do guia imortal, que foi meu colega de trabalho, mas nunca tive lata para tanto; acobardei-me. Eu era chefe dele, mas nunca "exerci" essa chefia em relação ao tipo: o rapaz intimidava-me com a sua ascendência ilustre e eu limitava-me a rosnar pelos cantos a alcunha inevitável de "imortalinho" com que o rapaz foi rotulado desde que nos apareceu lá na porta do serviço.

Bem, com copos ou sem eles, Angola vai de vento em popa crescendo em PIB per capita e na amplitude salarial, como é apanágio do "mundo modernaço" no qual se integra cada vez mais firmemente.

Que o digam os donos das lojas de marca de Lisboa cujas vendas são feitas, em cerca de 30%, a mocinhas angolanas que vêm cá fazer compras e passar o fim de semana.

E VIVA A PENA DE MORTE (PARA ESTES CASOS...)

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O sniper que matava (e foram 10!) de dentro do porta bagagens de um carro foi executado ontem à noite. Menos um cabrão no mundo, menos uma chance de levarmos um balázio numa cidade longe das guerras e longe dos subúrbios perigosos (longe das guerras urbanas, portanto).

E vai poema de menisco quebrado (e esta hã?!):

Coitadinho do bandidozinho!

A minha sogra diz que é maluquinho:

Quem mata quem não lhe fez mal

Só pode ser maluco, tal e qual!

E por isso, manda a nossa sociedade,

Deve ir para um hospício (que caridade!)

Enquanto as famílias das vítimas (que fazem tijolo)

Clamam por vingança, por justiça (fraco consolo)...

O puto, por ser menor, levou prisão perpétua: a sociedade que o sustente, porque os sábios e "humanistas" acham que é dela a culpa (não do rapazinho, coitadinho).

Claro que nestes cinco anos o condenado deve ter sido um gajo exemplar, ajudou imenso à missa (ou tornou-se mouro), deve ter começado a escrever um livro, talvez tenha arranjado uma namorada por correspondência que lhe aguce os pensamentos lúbricos e lhe inspire umas pívias lambidas babando-se para cima da fotografia da marmanja.

Abençoada pena que, desta vez, não levou 10 anos de folhetim a chegar.

Mesmo assim, levou cinco, para mim foi demais. Nestes casos o tempo para recursos, abaixo assinados, campanhas da Amnistia Internacional, indultos, perdões e outras manobras não deveriam ultrapassar 2 anos e vá lá, vá lá...

A CHINA EM ÁFRICA

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Leiam este artigo que a Time publicou, a respeito de uma nova atitude das empresas (dos países, pelo menos a China) em relação a África. Para além de um actual e potencial fornecedor de matérias primas, a África pode ser encarada como um consumidor em crescimento.

Presentemente, um consumidor de mercadoria barata e de má qualidade, mas com potencial para consumir mais, melhor e mais caro.

O articulista remete para um livro que tenho que sacar (da Amazon?) África Rising, de um escritor indiano, Vijay Mahajan.

Talvez por ser essa a sua orígem, o autor faz uma comparação inesperada entre a Índia e a África: têm uma população semelhante, demografias com taxas de crescimento semelhantes, grupos (detesto o termo elites...) com dimensão muito semelhante com padrões de consumo ao nível dos "ocidentais", etc, etc.

A China está, pelos vistos, a investir no futuro, muito mais do que transparece da ideia simplista de que está a mandar para África os excedentes demográficos, numa reedição do perigo amarelo que tanto atormentou a Europa do século XIX.

Leiam que vale a pena.

Tuesday, November 10, 2009

A QUEDA DO MURO DE BERLIM

Apenas dois apontamentos neste 20º aniversário da queda do muro da vergonha - nome a que me habituei desde que os comunas o construíram, tinha eu 11 aninhos, para evitar (diziam eles) que a reacção entrasse por ali adentro...

O kamarada Jerónimo de Sousa mostrou-se muito incomodado por os burgueses porem a tónica das comemorações no anticomunismo. Então:

- se o muro foi erguido pelos comunas para estancarem a sangria provocada por uma onda contínua de fugas de cidadãos para o ocidente, entre 2 e 4 milhões desde a criação da RDA até à selagem das fronteiras;

- se a queda do muro foi o marco simbólico que levou à dissolução da RDA, da sua Stasi e do seu partido comunista e à reunificação alemã;

- se ele soou como um toque de finados para todos os regimes comunistas da europa de leste e, a seguir, para a desagregação da própria URSS;

Se tudo isso se passou assim, de que é que o kamarada Jerónimo de Sousa estava à espera que fosse a atitude normal e expectável em relação a tão ultrapassado e tirânico modelo de sociedade?!

Por outro lado, à boleia de tudo o que podem deitar a mão, os Hamas e quejandos deste mundo investiram contra o muro que Israel levantou para minorar os ataques suicidas (e não suicidas) continuamente perpetrados pelos eternos refugiados, eternos subsídio-dependentes, eternos párias, eternos revoltados, eternos terroristas.

Que raio de semelhança encontram eles entre estes dois muros?

Haja pachorra!

Thursday, November 05, 2009

ARMANDO VARA, O POLÍTICO PRODIGIOSO

Que me perdoem os críticos do costume, mas este post vai ser uma simples transcrição de um artigo do Miguel Sousa Tavares, já com um bom par de meses, que continua perfeitamente actual.

Agora que Armando Vara suspendeu o seu cargo no BCP (pelo seu próprio pé...) apanhado nas malhas da "Face Oculta" o texto do Miguel ganha particular acuidade.

Read the man:

Transcrevo, com a devida vénia:

"O Factor Vara"

Miguel Sousa Tavares

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra.

Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória.

Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume.

Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica.

Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso".

A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar.

Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido.

Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico".

Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Acabei de confirmar no site e está lá (agora, dia 16/Fev/2009) Isto está no site institucional do BCP Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!

Armando António Martins Vara

Dados pessoais:

Data de nascimento: 27 de Março de 1954

Naturalidade: Vinhais - Bragança

Nacionalidade: Portuguesa

Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo

Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008

Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica

Formação:

2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)

2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais//article.jhtml?articleID=217516

Extraordinário... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS ! Conseguiu tirar uma Pós-graduação ANTES da licenciatura... Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates... e viva o BCP e o seu "bom nome" !!! "

---- Fim de transcrição

Friday, October 30, 2009

REFLEXÕES SOBRE COLONIZAÇÃO...

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O MEC é um brincalhão e a sua coluna diária é exemplo disso mesmo. Mas, como toda a gente faz, brincando brincando, ele vai dizendo muita coisa com "assunto".

Leiam só o texto ao lado, de que destaco:

- Angola é um país soberano; mais independente do que nós.

- Tudo o que fizemos em Angola foi para o bem de Portugal, por muito mal (ou bem) que fizesse aos angolanos.

- Fomos lá imperadores e perdemos.

- Portugal também não era uma democracia quando andou por Angola a tratá-la e explorá-la como uma província de Portugal (...).

- Por muito que se critique, Angola está a pacificar-se e a democratizar-se muito mais depressa que Portugal de 1926 a 1976.

- Não são só nossos amigos: são superiores a nós.

- Angola está a investir em Portugal. É uma chapada de luva branca (...).

Read the man!

LUANDA, A MEGALOPOLIS EMERGENTE

Clique para ampliar e encontar uma nesga para meter o carrinho... Megalopolis é um tanto exagerado, um tanto megalómano. Bem à angolana!

Mas lá que o trânsito é um megatrânsito parece não haver dúvidas nenhumas. Quem se lembra da avenida dos Combatentes em 1974 e da mesma em 1988, não deixa de ter um choque com a imagem de cima.

Como (raio!) é que se circula nesta bendita rua?!

A imagem ao lado mostra o BPA finalmente acompanhado de edifícios de porte semelhante. Foi preciso esperar mais de 40 anos para deixar de ser um "arranha céus" solitário!

Em 1964, quando cheguei a Luanda (já era a terceira vez que por lá passava), o edifício já estava terminado. Seguiram-se dez anos de boom económico (à guisa de canto do cisne...) que não lhe trouxeram companhia, vinte e tal anos de estagnação e guerra em que viu degradar-se a cidade à sua volta e, finalmente, novo boom agora bem mais intenso e alargado que o das décadas de 60 - 70 do século passado.

E, pelos vistos, o presente boom não se vai ficar por uma simples década, para desgosto dos saudosistas que ainda sonham com a o paraíso perdido...

Friday, October 23, 2009

E VIVA O IKEA!!!

Com uma estória tão elaborada, nem apetece estar com suspeitas parvas...

A MÃE DO MICHELIN

Palavras para quê?!

Sunday, October 18, 2009

O NOBEL DO OBAMA

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Palavras para quê?...

Monday, October 12, 2009

VILHENA E O ELOGIO À NOBREZA

Esta é a ilustração da capa;
e esta, da contracapa

Este fim de semana, ao visitar uma feirinha de bric à brac nas galerias da estação do Oriente e ao olhar, com desconfiança, umas mesas com livros velhos, na sua maioria sem grande interesse, dei com os dedos na preciosidade de que apresento estas imagens.

Nada mais nada menos que o Arre Burro, com o título alternativo (e muito mais apelativo) de Elogio da Nobreza de mestre José Vilhena.

Se tiver pachorra, nos próximos dias (ou fins de semana, whatever) scano o livro e publico-o aos bochechos.

O livro conta uma estória que ilustra o que é e como vive a nobreza indígena (referir "o que faz" é irrelevante...), ignorante, lúbrica, interesseira e completamente hipócrita - pelo menos, como o bom do Zé Vilhena no-la apresenta.

A Nobreza, com a sua carga de privilégios que lhe são devidos pela sua alta condição que a alcandora acima da plebe que a sustenta, alegre, serviçal e obrigada, é verdadeiramente a instituição que torna odiosa (ou, pelo menos indesejável) a monarquia.

Uma família real ainda se sustenta sem grande esforço, sem muitas chatices e com algumas vantagens (a estabilidade é apenas uma delas); mas manter uma Nobreza constituída por um sem número de calaceiros profissionais, incapazes e habituados a viver por conta d'outrem e a esbanjar à vara larga, à custa do trabalho alheio (dos plebeus...), isso sim constitui um esforço perfeitamente desproporcionado que manteve a populaça na mais negra miséria durante séculos.

Se a República serviu para alguma coisa terá sido para livrar o País dessa cáfila que medrava à sombra do Rei.

O Vilhena traça-lhe o retrato em pinceladas certeiras e implacáveis.

Bem haja por isso!

Saturday, October 10, 2009

CONDUZIR PELA DIREITA - DESDE QUANDO?

Nas últimas férias estranhei que o minibus em que seguia (para ver o rochedo, os macacos e os túneis) circulasse pela direita, não obstante o território estar sob administração inglesa há muito, muito tempo.

O motorista explicou-me que até 1928 o trânsito seguia a regra inglesa, ano em que mudou para a circulação "francesa", a actual, tal como ocorrera em Portugal.

Fiquei estupefacto!

Consultei a net, e lá está a confirmação:

"Sim, em Portugal só se conduz pela direita desde 1928, ano em que foram publicados, não um, mas dois códigos da estrada, onde se optava pela regra francesa e americana de a circulação se fazer pela direita das vias. Foi o caminho escolhido pela generalidade das nações europeias e suas colónias ultramarinas, mas Portugal deixou de fora desta decisão os territórios que confinavam com países onde se conduzia pela esquerda – Macau (neste caso porque os carros vinham de Hong Kong), Goa e Moçambique."

SE VAI JANTAR FORA, NÃO VÁ AO TORRICADO!

Será que parei no tempo? Para mim, um restaurante é um sítio onde se come, onde se valoriza a qualidade (e o preço associado), a variedade da escolha disponibilizada, o ambiente, a higiene, o serviço e por aí fora.

Mas é muito claro que a comida é o principal num restaurante e tudo o mais é a envolvente, são as condições para podermos apreciar (degustar, para ser mais fino...) aquilo que se escolheu.

Será que isto é ser antiquado? Será ter parado no tempo? Se é, que se lixe!

Vem isto a propósito de um domingo, o último, em que fui desaguar com a minha idolatrada (que não gosta de comer fora e é uma chatice para a tirar do remanso do lar...) a um tal Torricado, no Campo Pequeno.

Tínhamos falhado o Richard's (fechado ao domingo) e a Portugália (bicha enorme, para a saleta encolhida pelas obras...) e as hipóteses não eram grandes, dado que procurávamos uma sala para fumadores. Lembrámo-nos das esplanadas cobertas do Campo Pequeno e, depois de analisar os menus expostos cá fora, atacámos o tal Torricado.

O patrão recebeu-nos com uma breve explicação de que serviam comida tradicional (porreiro, pá!) mas não tinham batatas fritas e essas coisas. Comecei a ficar receoso, mas lá nos sentámos...

Ao lermos a lista, de trás para frente de de frente para trás, e depois de termos perguntado ao patrão se tinham alguma coisa parecida com bife (pela leitura da carta não tinhamos chegado a nenhuma conclusão) - disse que não tinham - apercebemo-nos de que estávamos num local onde a especialidade não era comida mas sim um conceito.

O tal conceito (que não se comia) era assim a modos que a gente dialogava longamente com o empregado de mesa e construía o menu que iríamos comer (dentre o que estava listado, bem entendido). Na mesa do lado, duas brasileiras e um brasileiro dialogaram com o empregado uns bons 20 minutos, depois de terem estudado (é o termo) a lista uma boa meia hora e pareciam estar deliciados com o conceito (com a comida, pareceu-me que não tanto).

Afinal, para não irmos (mais uma vez) cair à Churrasqueira do Campo Grande (tem uma ampla parte da sala principal para fumadores) lá encomendámos pastéis de massa tenra, ela, e pastéis de bacalhau, eu, acompanhados, ambos, por uma açorda que percebemos ser uma espécie de papas de milho malandrinhas, com legumes à mistura e uns bocados de tomate por ali espalhados.

Os pastéis de massa tenra não eram maus, mas não tão bons como os do Frut'Almeida; os pastéis de bacalhau eram muito bons, valha a verdade (bati os brazukas aos pontos: escolhi em cinco minutos o que eles levaram 50 a escolher, depois de muita análise, reflexão e consulta ao empregado). O interior dos pastéis era uma espécie de bacalhau à Brás, enrolados em aletria cozida (parecia...) e tudo passado pelo forno. Sem gozo, estavam excelentes!

À parte os pastéis de bacalhau (que, tal como os de massa tenra só como em snacks, ao balcão e a correr...) o restaurante é uma boa merda! Pouca variedade, muito barulho, ementa muito pouco explícita, um zero absoluto em pratos "normais" - devia mesmo ter provado o bacalhau torricado; como dá o nome à casa, talvez se aproveite.

Portanto, NÃO VÁ AO TORRICADO, mas se quiser ir, vá ao site e tire primeiro todas as dúvidas que a ementa (e o conceito...) não deixarão de lhe suscitar.

E depois... diga-nos como foi.

LINGUAGEM HIPERBÓLICA E A BANHA DA COBRA

Clique na imagem para ampliar e deliciar-se

Quem tem um bocadinho mais que 14 anos lembra-se, certamente, da onda de entusiasmo (?) que aí pelo anos 80 e 90 varria a nossa terrinha com a gestão da mudança, o planeamento estratégico, e outros conceitos que tais e a linguagem hiperbólica (ou circular, se calhar) que acompanhava a visão partilhada, a indução da mudança, a aposta na criatividade e a busca da Excelência (não confundir com a procura de Sua Excelência). Um gozo!

A labareda de mudança (verbal) varreu o País, pelo menos a parte do país por onde estas coisas costumam correr, atiçada pelos fundos europeus derramados em abundância sobre Portugal. Foi pena que no seu caminho de escorrência, os tais fundos tenham acabado, na sua esmagadora maioria, a custear carrões, casarões, montes, etc, etc, etc, com muito escasso proveito para a tal mudança que se pretendia obter na economia e na competitividade do País. Mas isso são outros contos...

Lendo as primeiras frases do texto que acima vos deixo (tirado do Público de uns dias atrás), senti-me rejuvenescer 20 e tal anos! Que bom!!!

Como é possível que hoje ainda se publique um tal exemplar de diarreia verbal perfeitamente datada, aplicado a um Novo PSD mas que poderia ser aplicado literalmente a tudo: a uma nova fábrica de banha da cobra, a um grupo de reflexão sobre Portugal (ou sobre a descolonização, ou...), ao PCP, etc, etc, etc?

Não percam mais tempo a ler-me: deliciem-se com o texto do Francisco Jaime Quesado (quem?!), Coordenador na Iniciativa Nova Competitividade - Plataforma Construir Ideias.

O "na" do (no?) pomposo título do rapaz é que me mata!