Wednesday, November 11, 2009

11 DE NOVEMBRO DIA DE S. MARTINHO E DA DIPANDA

Um amigo meu dizia, há muitos anos, que não era coincidência a independência de Angola ter sido no dia de S. Martinho, mas exprimia a vontade oculta do guia imortal de celebrar Baco juntamente com a Dipanda.

Será que o meu amigo tinha razão? Nunca soube se sim, se não.

Pensei em perguntar ao filho do guia imortal, que foi meu colega de trabalho, mas nunca tive lata para tanto; acobardei-me. Eu era chefe dele, mas nunca "exerci" essa chefia em relação ao tipo: o rapaz intimidava-me com a sua ascendência ilustre e eu limitava-me a rosnar pelos cantos a alcunha inevitável de "imortalinho" com que o rapaz foi rotulado desde que nos apareceu lá na porta do serviço.

Bem, com copos ou sem eles, Angola vai de vento em popa crescendo em PIB per capita e na amplitude salarial, como é apanágio do "mundo modernaço" no qual se integra cada vez mais firmemente.

Que o digam os donos das lojas de marca de Lisboa cujas vendas são feitas, em cerca de 30%, a mocinhas angolanas que vêm cá fazer compras e passar o fim de semana.

E VIVA A PENA DE MORTE (PARA ESTES CASOS...)

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O sniper que matava (e foram 10!) de dentro do porta bagagens de um carro foi executado ontem à noite. Menos um cabrão no mundo, menos uma chance de levarmos um balázio numa cidade longe das guerras e longe dos subúrbios perigosos (longe das guerras urbanas, portanto).

E vai poema de menisco quebrado (e esta hã?!):

Coitadinho do bandidozinho!

A minha sogra diz que é maluquinho:

Quem mata quem não lhe fez mal

Só pode ser maluco, tal e qual!

E por isso, manda a nossa sociedade,

Deve ir para um hospício (que caridade!)

Enquanto as famílias das vítimas (que fazem tijolo)

Clamam por vingança, por justiça (fraco consolo)...

O puto, por ser menor, levou prisão perpétua: a sociedade que o sustente, porque os sábios e "humanistas" acham que é dela a culpa (não do rapazinho, coitadinho).

Claro que nestes cinco anos o condenado deve ter sido um gajo exemplar, ajudou imenso à missa (ou tornou-se mouro), deve ter começado a escrever um livro, talvez tenha arranjado uma namorada por correspondência que lhe aguce os pensamentos lúbricos e lhe inspire umas pívias lambidas babando-se para cima da fotografia da marmanja.

Abençoada pena que, desta vez, não levou 10 anos de folhetim a chegar.

Mesmo assim, levou cinco, para mim foi demais. Nestes casos o tempo para recursos, abaixo assinados, campanhas da Amnistia Internacional, indultos, perdões e outras manobras não deveriam ultrapassar 2 anos e vá lá, vá lá...

A CHINA EM ÁFRICA

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Leiam este artigo que a Time publicou, a respeito de uma nova atitude das empresas (dos países, pelo menos a China) em relação a África. Para além de um actual e potencial fornecedor de matérias primas, a África pode ser encarada como um consumidor em crescimento.

Presentemente, um consumidor de mercadoria barata e de má qualidade, mas com potencial para consumir mais, melhor e mais caro.

O articulista remete para um livro que tenho que sacar (da Amazon?) África Rising, de um escritor indiano, Vijay Mahajan.

Talvez por ser essa a sua orígem, o autor faz uma comparação inesperada entre a Índia e a África: têm uma população semelhante, demografias com taxas de crescimento semelhantes, grupos (detesto o termo elites...) com dimensão muito semelhante com padrões de consumo ao nível dos "ocidentais", etc, etc.

A China está, pelos vistos, a investir no futuro, muito mais do que transparece da ideia simplista de que está a mandar para África os excedentes demográficos, numa reedição do perigo amarelo que tanto atormentou a Europa do século XIX.

Leiam que vale a pena.

Tuesday, November 10, 2009

A QUEDA DO MURO DE BERLIM

Apenas dois apontamentos neste 20º aniversário da queda do muro da vergonha - nome a que me habituei desde que os comunas o construíram, tinha eu 11 aninhos, para evitar (diziam eles) que a reacção entrasse por ali adentro...

O kamarada Jerónimo de Sousa mostrou-se muito incomodado por os burgueses porem a tónica das comemorações no anticomunismo. Então:

- se o muro foi erguido pelos comunas para estancarem a sangria provocada por uma onda contínua de fugas de cidadãos para o ocidente, entre 2 e 4 milhões desde a criação da RDA até à selagem das fronteiras;

- se a queda do muro foi o marco simbólico que levou à dissolução da RDA, da sua Stasi e do seu partido comunista e à reunificação alemã;

- se ele soou como um toque de finados para todos os regimes comunistas da europa de leste e, a seguir, para a desagregação da própria URSS;

Se tudo isso se passou assim, de que é que o kamarada Jerónimo de Sousa estava à espera que fosse a atitude normal e expectável em relação a tão ultrapassado e tirânico modelo de sociedade?!

Por outro lado, à boleia de tudo o que podem deitar a mão, os Hamas e quejandos deste mundo investiram contra o muro que Israel levantou para minorar os ataques suicidas (e não suicidas) continuamente perpetrados pelos eternos refugiados, eternos subsídio-dependentes, eternos párias, eternos revoltados, eternos terroristas.

Que raio de semelhança encontram eles entre estes dois muros?

Haja pachorra!

Thursday, November 05, 2009

ARMANDO VARA, O POLÍTICO PRODIGIOSO

Que me perdoem os críticos do costume, mas este post vai ser uma simples transcrição de um artigo do Miguel Sousa Tavares, já com um bom par de meses, que continua perfeitamente actual.

Agora que Armando Vara suspendeu o seu cargo no BCP (pelo seu próprio pé...) apanhado nas malhas da "Face Oculta" o texto do Miguel ganha particular acuidade.

Read the man:

Transcrevo, com a devida vénia:

"O Factor Vara"

Miguel Sousa Tavares

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra.

Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória.

Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume.

Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica.

Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso".

A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar.

Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido.

Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico".

Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Acabei de confirmar no site e está lá (agora, dia 16/Fev/2009) Isto está no site institucional do BCP Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!

Armando António Martins Vara

Dados pessoais:

Data de nascimento: 27 de Março de 1954

Naturalidade: Vinhais - Bragança

Nacionalidade: Portuguesa

Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo

Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008

Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica

Formação:

2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)

2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)

http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais//article.jhtml?articleID=217516

Extraordinário... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS ! Conseguiu tirar uma Pós-graduação ANTES da licenciatura... Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates... e viva o BCP e o seu "bom nome" !!! "

---- Fim de transcrição

Friday, October 30, 2009

REFLEXÕES SOBRE COLONIZAÇÃO...

Clique para ampliar e ler melhor.
O MEC é um brincalhão e a sua coluna diária é exemplo disso mesmo. Mas, como toda a gente faz, brincando brincando, ele vai dizendo muita coisa com "assunto".

Leiam só o texto ao lado, de que destaco:

- Angola é um país soberano; mais independente do que nós.

- Tudo o que fizemos em Angola foi para o bem de Portugal, por muito mal (ou bem) que fizesse aos angolanos.

- Fomos lá imperadores e perdemos.

- Portugal também não era uma democracia quando andou por Angola a tratá-la e explorá-la como uma província de Portugal (...).

- Por muito que se critique, Angola está a pacificar-se e a democratizar-se muito mais depressa que Portugal de 1926 a 1976.

- Não são só nossos amigos: são superiores a nós.

- Angola está a investir em Portugal. É uma chapada de luva branca (...).

Read the man!

LUANDA, A MEGALOPOLIS EMERGENTE

Clique para ampliar e encontar uma nesga para meter o carrinho... Megalopolis é um tanto exagerado, um tanto megalómano. Bem à angolana!

Mas lá que o trânsito é um megatrânsito parece não haver dúvidas nenhumas. Quem se lembra da avenida dos Combatentes em 1974 e da mesma em 1988, não deixa de ter um choque com a imagem de cima.

Como (raio!) é que se circula nesta bendita rua?!

A imagem ao lado mostra o BPA finalmente acompanhado de edifícios de porte semelhante. Foi preciso esperar mais de 40 anos para deixar de ser um "arranha céus" solitário!

Em 1964, quando cheguei a Luanda (já era a terceira vez que por lá passava), o edifício já estava terminado. Seguiram-se dez anos de boom económico (à guisa de canto do cisne...) que não lhe trouxeram companhia, vinte e tal anos de estagnação e guerra em que viu degradar-se a cidade à sua volta e, finalmente, novo boom agora bem mais intenso e alargado que o das décadas de 60 - 70 do século passado.

E, pelos vistos, o presente boom não se vai ficar por uma simples década, para desgosto dos saudosistas que ainda sonham com a o paraíso perdido...

Friday, October 23, 2009

E VIVA O IKEA!!!

Com uma estória tão elaborada, nem apetece estar com suspeitas parvas...

A MÃE DO MICHELIN

Palavras para quê?!

Sunday, October 18, 2009

O NOBEL DO OBAMA

Clique para ampliar, se não vê bem...
Palavras para quê?...

Monday, October 12, 2009

VILHENA E O ELOGIO À NOBREZA

Esta é a ilustração da capa;
e esta, da contracapa

Este fim de semana, ao visitar uma feirinha de bric à brac nas galerias da estação do Oriente e ao olhar, com desconfiança, umas mesas com livros velhos, na sua maioria sem grande interesse, dei com os dedos na preciosidade de que apresento estas imagens.

Nada mais nada menos que o Arre Burro, com o título alternativo (e muito mais apelativo) de Elogio da Nobreza de mestre José Vilhena.

Se tiver pachorra, nos próximos dias (ou fins de semana, whatever) scano o livro e publico-o aos bochechos.

O livro conta uma estória que ilustra o que é e como vive a nobreza indígena (referir "o que faz" é irrelevante...), ignorante, lúbrica, interesseira e completamente hipócrita - pelo menos, como o bom do Zé Vilhena no-la apresenta.

A Nobreza, com a sua carga de privilégios que lhe são devidos pela sua alta condição que a alcandora acima da plebe que a sustenta, alegre, serviçal e obrigada, é verdadeiramente a instituição que torna odiosa (ou, pelo menos indesejável) a monarquia.

Uma família real ainda se sustenta sem grande esforço, sem muitas chatices e com algumas vantagens (a estabilidade é apenas uma delas); mas manter uma Nobreza constituída por um sem número de calaceiros profissionais, incapazes e habituados a viver por conta d'outrem e a esbanjar à vara larga, à custa do trabalho alheio (dos plebeus...), isso sim constitui um esforço perfeitamente desproporcionado que manteve a populaça na mais negra miséria durante séculos.

Se a República serviu para alguma coisa terá sido para livrar o País dessa cáfila que medrava à sombra do Rei.

O Vilhena traça-lhe o retrato em pinceladas certeiras e implacáveis.

Bem haja por isso!

Saturday, October 10, 2009

CONDUZIR PELA DIREITA - DESDE QUANDO?

Nas últimas férias estranhei que o minibus em que seguia (para ver o rochedo, os macacos e os túneis) circulasse pela direita, não obstante o território estar sob administração inglesa há muito, muito tempo.

O motorista explicou-me que até 1928 o trânsito seguia a regra inglesa, ano em que mudou para a circulação "francesa", a actual, tal como ocorrera em Portugal.

Fiquei estupefacto!

Consultei a net, e lá está a confirmação:

"Sim, em Portugal só se conduz pela direita desde 1928, ano em que foram publicados, não um, mas dois códigos da estrada, onde se optava pela regra francesa e americana de a circulação se fazer pela direita das vias. Foi o caminho escolhido pela generalidade das nações europeias e suas colónias ultramarinas, mas Portugal deixou de fora desta decisão os territórios que confinavam com países onde se conduzia pela esquerda – Macau (neste caso porque os carros vinham de Hong Kong), Goa e Moçambique."

SE VAI JANTAR FORA, NÃO VÁ AO TORRICADO!

Será que parei no tempo? Para mim, um restaurante é um sítio onde se come, onde se valoriza a qualidade (e o preço associado), a variedade da escolha disponibilizada, o ambiente, a higiene, o serviço e por aí fora.

Mas é muito claro que a comida é o principal num restaurante e tudo o mais é a envolvente, são as condições para podermos apreciar (degustar, para ser mais fino...) aquilo que se escolheu.

Será que isto é ser antiquado? Será ter parado no tempo? Se é, que se lixe!

Vem isto a propósito de um domingo, o último, em que fui desaguar com a minha idolatrada (que não gosta de comer fora e é uma chatice para a tirar do remanso do lar...) a um tal Torricado, no Campo Pequeno.

Tínhamos falhado o Richard's (fechado ao domingo) e a Portugália (bicha enorme, para a saleta encolhida pelas obras...) e as hipóteses não eram grandes, dado que procurávamos uma sala para fumadores. Lembrámo-nos das esplanadas cobertas do Campo Pequeno e, depois de analisar os menus expostos cá fora, atacámos o tal Torricado.

O patrão recebeu-nos com uma breve explicação de que serviam comida tradicional (porreiro, pá!) mas não tinham batatas fritas e essas coisas. Comecei a ficar receoso, mas lá nos sentámos...

Ao lermos a lista, de trás para frente de de frente para trás, e depois de termos perguntado ao patrão se tinham alguma coisa parecida com bife (pela leitura da carta não tinhamos chegado a nenhuma conclusão) - disse que não tinham - apercebemo-nos de que estávamos num local onde a especialidade não era comida mas sim um conceito.

O tal conceito (que não se comia) era assim a modos que a gente dialogava longamente com o empregado de mesa e construía o menu que iríamos comer (dentre o que estava listado, bem entendido). Na mesa do lado, duas brasileiras e um brasileiro dialogaram com o empregado uns bons 20 minutos, depois de terem estudado (é o termo) a lista uma boa meia hora e pareciam estar deliciados com o conceito (com a comida, pareceu-me que não tanto).

Afinal, para não irmos (mais uma vez) cair à Churrasqueira do Campo Grande (tem uma ampla parte da sala principal para fumadores) lá encomendámos pastéis de massa tenra, ela, e pastéis de bacalhau, eu, acompanhados, ambos, por uma açorda que percebemos ser uma espécie de papas de milho malandrinhas, com legumes à mistura e uns bocados de tomate por ali espalhados.

Os pastéis de massa tenra não eram maus, mas não tão bons como os do Frut'Almeida; os pastéis de bacalhau eram muito bons, valha a verdade (bati os brazukas aos pontos: escolhi em cinco minutos o que eles levaram 50 a escolher, depois de muita análise, reflexão e consulta ao empregado). O interior dos pastéis era uma espécie de bacalhau à Brás, enrolados em aletria cozida (parecia...) e tudo passado pelo forno. Sem gozo, estavam excelentes!

À parte os pastéis de bacalhau (que, tal como os de massa tenra só como em snacks, ao balcão e a correr...) o restaurante é uma boa merda! Pouca variedade, muito barulho, ementa muito pouco explícita, um zero absoluto em pratos "normais" - devia mesmo ter provado o bacalhau torricado; como dá o nome à casa, talvez se aproveite.

Portanto, NÃO VÁ AO TORRICADO, mas se quiser ir, vá ao site e tire primeiro todas as dúvidas que a ementa (e o conceito...) não deixarão de lhe suscitar.

E depois... diga-nos como foi.

LINGUAGEM HIPERBÓLICA E A BANHA DA COBRA

Clique na imagem para ampliar e deliciar-se

Quem tem um bocadinho mais que 14 anos lembra-se, certamente, da onda de entusiasmo (?) que aí pelo anos 80 e 90 varria a nossa terrinha com a gestão da mudança, o planeamento estratégico, e outros conceitos que tais e a linguagem hiperbólica (ou circular, se calhar) que acompanhava a visão partilhada, a indução da mudança, a aposta na criatividade e a busca da Excelência (não confundir com a procura de Sua Excelência). Um gozo!

A labareda de mudança (verbal) varreu o País, pelo menos a parte do país por onde estas coisas costumam correr, atiçada pelos fundos europeus derramados em abundância sobre Portugal. Foi pena que no seu caminho de escorrência, os tais fundos tenham acabado, na sua esmagadora maioria, a custear carrões, casarões, montes, etc, etc, etc, com muito escasso proveito para a tal mudança que se pretendia obter na economia e na competitividade do País. Mas isso são outros contos...

Lendo as primeiras frases do texto que acima vos deixo (tirado do Público de uns dias atrás), senti-me rejuvenescer 20 e tal anos! Que bom!!!

Como é possível que hoje ainda se publique um tal exemplar de diarreia verbal perfeitamente datada, aplicado a um Novo PSD mas que poderia ser aplicado literalmente a tudo: a uma nova fábrica de banha da cobra, a um grupo de reflexão sobre Portugal (ou sobre a descolonização, ou...), ao PCP, etc, etc, etc?

Não percam mais tempo a ler-me: deliciem-se com o texto do Francisco Jaime Quesado (quem?!), Coordenador na Iniciativa Nova Competitividade - Plataforma Construir Ideias.

O "na" do (no?) pomposo título do rapaz é que me mata!

GLÓRIA A OBAMA NAS ALTURAS

... E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA (E MÁ) VONTADE!

Ontem, se me tivessem perguntado o que pensava de Obama ganhar o Nobel da Paz, teria respondido qualquer coisa como:

- 'tás maluko(a) ou quê?!

Pois ao telejornal a surpresa foi enorme quando foi anunciado isso mesmo:

Obama ganhou o Nobel da Paz!

Por que carga de água?

O que raio fez o homem (tão bonzinho, é verdade) pela Paz?!

Que merda é esta?

Os tipos do comité Nobel estão definitivamente gagás, ou quê?!

Etc...

Bem, pensando um bocado, a coisa até faz sentido: não havendo ninguém a destacar pela obra feita em prol da Paz no último ano e na parte deste que já passou, talvez o critério possa ser alteradao e atribuir-se o Prémio a quem represente alguma esperança na via da Paz, pelo que promete e pela credibilidade que lhe atribuem.

E por aí, não dúvida nenhuma que muita gente (boa gente e gente boa) acredita nas boas intenções, na determinação e na capacidade que o Obama tem para as realizar.

Eu, por acaso, até já acreditei menos que agora...

Enfim, vamos ver no que isto dá.

Thursday, October 08, 2009

RUI TAVARES – TIQUES DE BLOQUISTA

A coluna de Rui Tavares, na última página do Público é uma dor de alma. Particularmente depois do rapaz ter sido integrado nas listas do bloco de (extrema) esquerda para o Parlamento Europeu, a coluna é um verdadeiro panfleto ambulante da demagogia do grupelho extremista (grupelho, ai de mim!, com quase 10% dos eleitores...).

Hoje, atirando-se ao Cavaco por não ter discursado da varanda donde foi proclamado o fim da monarquia, refere que o Presidente fez mais para “beliscar o simbolismo republicano" do que os monárquicos que haviam substituído a bandeira do município pela bandeira da monarquia (enfim, tinha lá uma coroa e era azul e branca).

E para exemplificar a atitude de Cavaco de que imagem se socorre?

Não peçam aos comunistas para destruir o capitalismo; os banqueiros dão cabo dele muito mais depressa.

Como disse?!

O pateta ainda considera que o capitalismo se há-de destruir no seguimento das suas tão decantadas crises cíclicas?! E quantos mais séculos correrão?

Estão com ele alguns comunas que, no início da presente crise, quando o sistema financeiro abanava e o fantasma da Grande Depressão assombrava as bolsas, apareceram na TV de olhos sonhadores, a falar do fim do capitalismo (é agora!), for God sake!

Será que estes patetas acreditam mesmo nisso?

Bem, mas a verdade é que, se os comunistas não conseguem acabar com o capitalismo mais depressa que os banqueiros, isso não será, tout court, uma confissão da sua secular impotência para o acto?

Parece-me bem que sim...

(refiro-me, claro, ao acto de acabar com o capitalismo)

Monday, October 05, 2009

A REPÚBLICA E O 5 DE OUTUBRO

Este ano, mais uma vez lá vão estar junto à estátua do António José de Almeida um magote de "republicanos", a dar vivas à República e a eles próprios. Talvez ainda lá apareçam alguns em cadeira de rodas. Sobreviventes de 1910 não serão, certamente, mas do espírito que a coisa terá tido e de que eles se consideram guardiões e continuadores.

Afinal estão a comemorar apenas uma mudança de regime, aquele com rei, este sem rei, que em nada beneficiou o País e muito menos a sua população.

Deixámos de sustentar uma família real, passámos (continuámos e continuamos) a sutentar um monte de famílias semi reais que se alaparam à mangedoura do Estado e que vão passando de pais para filhos, sobrinhos e afilhados as mordomias adquiridas por um antepassado que conquistou uma posição privilegiada junto à teta mater.

Nas últimas décadas da monarquia as liberdades cívicas foram muito mais amplas do que no curto período entre o 5 de Outubro e o advento do Sidónio e, depois dele, do Salazar. Estes dois períodos, do Sidónio e do Salazar, são liminarmente enjeitados pelos republicanos como se o regime republicano não tivesse nada a ver com eles...

As perseguições aos monárquicos e aos padres, frades e religiosas, características da celebrada 1ª República, não se podem, certamente, considerar sintomas das amplas liberdades que a república terá trazido.

O roubo do património à Igreja, uma das características distintivas da 1ª República, teve o equivalente, após o 25 de Abril nas ocupações selvagens de propriedades no Alentejo, da "conquista da banca" e de outros roubos "democráticos" que os partidos se apressaram a sancionar...

Deposto o rei, foi preciso esperar 65 anos para, com o 25 de Novembro, termos amplas liberdades, podermos falar mal dos comunas e dos fachos, do PS e do PSD, do CDS e do Bloco, sem risco de batermos com os costados na choça (ou pior...).

Claro que falar mal de quem governa (e se governa) dificulta-nos a vida quando não nos corta mesmo, como sempre cortou, as hipóteses de singrar na dita, pelo menos nos períodos em que os criticados estiverem no poleiro. Vejam a perseguição em curso (uma clara vendetta) que o regime laico e republicano move ao Juiz Rui Teixeira...

Portanto, queridos leitorzinhos, celebrar o 5 de Outubro não é mais que celebrar a deposição do rei e o advento de outros reis e reizinhos, dos homens do avental e de outros bardamerdas que não fazem mais do que travar o desenvolvimento da sociedade para beneficiarem os seus acólitos, clientes e apaniguados.

MERDA SOBRE O 5 DE OUTUBRO!!!!!

ABAIXO A MAÇONARIA!!!!

ABAIXO A FAMÍLIA SOARES!!!!

Sunday, October 04, 2009

NÃO SABE ONDE JANTAR? VÁ AO ELEVEN

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Pois, se não sabe onde ir jantar (e se não for domingo) vá ao cimo do parque Eduardo VII, do lado oposto ao decadente (é uma pena!) jardim Amália Rodrigues, e jante no pretensioso e a dar ao fino restaurante Eleven.

Parece que os tipos que o criaram (entre eles aquele advogado esquisito que já foi do PSD, que já foi bastonário da sua Ordem, que já esteve indigitado para ficar à frente do projecto para a baixa, frente ribeirinha, etc) seguiram o figurino de restaurantes "lá de fora" para empresários levarem os seus clientes a jantar, longe da confusão do maralhal e por preços que o cartão da empresa comporta sem um ai.

Aí ao lado vai a ementa (perdão, o menu), com os finérrimos confitados, crocantes e boletus (as chalotas estão a passar de moda, pelos vistos...) de que destaquei os preços das duas possíveis ementas.

Isso mesmo, só há duas hipóteses de escolha (a primeira tem um prato de peixe e outro de carne, a segunda pouco mais) o que o aproxima mais de uma cantina de empresa do que de uma tasca rasca da Madragoa.

Mas, claro!, finérrimo que só ele!

Para ementas tão pouco variadas, realmente só mesmo o IN da casa de pasto deve justificar o despautério dos preços!

Reparem no pormenor do suplemento de vinhos - será que, ao menos se pode escolher o vinho? Terá carta de vinhos...?

Portanto caro leitor, se seguir a minha sugestão e for comer ao Eleven, não se esqueça de contar como foi...

PEDOFILIA NO MARAVILHOSO MUNDO ISLÂMICO

Realmente, só mesmo "isto" para me fazer sair da sorna - nem eleições, nem casos de trazer por casa, nem crise também de trazer por casa...

Em Julho deste ano, o Hamas promoveu uma espécie de casamentos de Santo António lá do sítio (faixa de Gaza) em que 450 matulões, nos seus 20 a 30 anos, casaram (?!) com catraias de 10 anos ou menos, devidamente ataviadas e pintadas para o acto (...).

Os noivos receberam do Hamas US$ 500 como bónus para a boda.

Não se espantem: recordem-se das bacoradas que o Ai-a-tola Komeiny destilava sobre a legitimidade dos casamentos com catraias, até com um ano, da obrigatoriedade de um homem sustentar até ao fim da vida um a miúda que tenha violado (ganda castigo, carago!!!) mas sem grande chatice adicional, já que a dita não ocupava vaga entre as quatro mulheres permanentes que o Islão permite (permite?) a cada homem. O "permanentes" é que me enche as medidas!

Vejam como o maravilhoso mundo islâmico trata as catraias (estas, ao lado, com bem menos de 10 anos), vejam como as entrega aos futuros mártires como "entrada" que precede o banquete das virgens (30? 60?...) no Além, depois do abençoado martírio.

Vejam também o gosto com que o Hamas abre os cordões à bolsa para embrulhar devidamente em fatos de circunstância os 450 matulões e enfeitar as suas "noivinhas" a rigor.

Se quiser ler mais sobre assunto, clique aqui .

Não há dúvida:

ALLAH É GRANDE (AS CATRAIAS, NÃO TANTO...)

Thursday, September 03, 2009

FOCUS - COMO DIZ QUE DISSE?!!!

Ao semanário FOCUS, número que saíu ontem, devo umas sonoras gargalhadas.

É de dizer que à primeira cavadela, minhoca.

Já não comprava a revista há uns tempos largos até porque ela me deixa sempre a sensação de ser uma espécie de publicação esquerdino populista (coluna do execrável Manel Serrão, editorial de um tal Humberto Simões - quem?! - com o título "Abrir as pernas já não chega" e por aí fora...) até que ao tratar do tema original "O último Kennedy" chapam um resumo da biografia da Eunice, de que destaco a vermelho a frase ao lado.

Casou com o sargento Shriver.

A marota da Eunice! Ao menos tivesse casado com um capitão (que, entretanto teria chegado a general...), agora com um sargento!

A "gralha" ou a simples ignorância será de atribuir a quem? Ao articulista - terá sido o tal Simões do editorial ou o cultíssimo Manel Serrão - ao revisor (ainda há?), ao contínuo?...

A propósito, para os meus mais distraídos leitorzinhos, o marido da Eunice, sogro do Schwarzenegger, era Sargent Shriver. Por sinal, não era sargento...