Quem havia de me dizer que eu tenho um mano que é um alto kota nas FAPLA?!
Isto assim, às quatro e meia da matina, até parece bruxedo, efeito dos copos ou coisa do género...
Ói mano, um dia destes vou até Luanda e talvez a gente se encontre.
Se bem que este filme seja de Junho de 2008, só há pouco mais de uma semana o recebi. Trata-se de uma filmagem por uma câmara de vigilância, no Porto, e mostra um grupo de gandulos, pelo menos oito, a espancarem um outro tipo.

Ele tenta fugir mas é apanhado na entrada de um bar, dominado, espancado a pontapé (toda gente molha a sopa), cai no chão onde fica quase imóvel, sem sequer assumir a habitual posição fetal de defesa - fica de barriga para o ar, pernas esticadas e unidas, braços esboçando gestos vagos que não chegam para amortecer a chuva de pontapés (quase todos na cabeça) dados com balanço e num alvo imóvel.
A partir de certa altura, o cabecilha (ou, pelo menos, o que, desde o início parece ter o exclusivo das iniciativas) faz um gesto afastando ou outros e passa à finalização da execução.
Salta a pés juntos sobre a cabeça da vítima (foto abaixo), dá-lhe vários pontapés, com balanço, na parte lateral da cabeça, após o que se afasta e vai embora.
Da tal entrada do bar, de onde, durante a execução, alguém espreita de tempos a tempos (ver foto acima), sai um indivíduo que, aparentemente terá presenciado, de muito perto, toda a acção.
Não faço a mínima ideia do que se passou antes para gerar esta sede de vingança, ou esta determinação para executar (or else), mas o que me impressionou foi o cuidado posto pela generalidade dos intervenientes em bater "onde dói mais", na barriga e na cabeça, apontando cuidadosamente e tomando balanço como um futebolista que vai fazer um remate ao qual quer imprimir a máxima força. Uma verdadeira execução.
A não intervenção dos mirones não me espanta: contra uma verdadeira matilha daquelas, quem é que quereria ver-se no papel de vítima.
Está quieto!
De Junho a esta parte o que se terá passado? A vítima morreu? Os agressores foram identificados e processados?
Alguém me sabe dizer?
Se ainda não ouviu a nova canção de protesto (é isso, certo?) dos Xutos & Pontapés, ouça agora: é só clicar Sem eira nem beira .
Parece que o Sócrates pensa que é com ele.
Será?!
"Senhor engenheiro,
dê-me um pouco de atenção
há dez anos que estou preso
há trinta que sou ladrão
mas eu sou um homem honesto
só errei na profissão!"
Paulo Varela Gomas, escrevendo de Goa, toca num assunto em que nunca tinha pensado: religiões dos ricos (brâmanes, neste caso), religiões dos pobres (os intocáveis, os mais pobres dos pobres).
Daqui, a religião pode desempenhar o papel de motor da promoção social do crente, desde qiue ele abrace a religião dos ricos e, cloro!, desde que os ricos o deixem abraçar a "sua" religião.
Mas... leiam o texto.
Clique na imagem para ampliar e ler
O professor escreve na P2 de hoje sobre informação de qualidade versus palermices frívolas. Estas interessam a toda a gente; aquelas, a uma minoria de iluminados.
A impresa, a televisão, a radio publicam predominantemente "palermices frívolas" para conseguirem vender e captar publicidade para serem economicamente viáveis.
A internet vai pelo mesmo caminho...
Uma visão um bocado pessimista da realidade e da vida mas, se calhar, não anda longe da verdade.
Read the man.
Oiça aqui .
E como isto das canções é como a ginguba, quando se começa nunca mais se acaba, ouça também o vozeirão da Nina cantando o emblemático I put a spell on you ('cause you're mine!), aqui e acoli, esta numa versão completa por uma Nina Simone mais madura.
Um tipo que não gostava dos franceses costumava dizer que todos os gauleses interessantes são belgas. Maldaaaade!!!!
...mas a verdade é que muita da malta conhecida, vai-se a ver, não é francesa mas belga.
Há dias, ouvindo as "Canções da minha vida" na RTP 1, lá apareceu um cromo a lembrar Brel e o "nosso" Ne me quitte pas. Sublime - um apaixonado um bocado patético, mas uma canção sublime!
Se perceber francês, tanto melhor. Uns bocadinhos p'ra animar:
...chanter et puis rire, laisse moi devenir
l'ombre de ton ombre l'ombre de ta main,
l'ombre de ton chien, mais...
ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas...
ne me quitte pas...
ne me quitte pas...
Moi, je t'offrirai des perles de pluie
venues d'un pays où il ne pleut pas.
Je creuserai la terre jusqu'après ma mort
pour couvrir ton corps d'or et de lumière.
Je ferai un domaine où l'amour sera loi
où l'amour sera roi, où tu seras reine, mais...
ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas...
ne me quitte pas...
Se quiser ver a letra toda clique aqui . E oiça também a espantosa versão da Nina Simone, aqui.
(parece que estou a puxar para a adjectivação hiperbólica; deve ser do adiantado da hora...)

O católico praticante, defensor "da vida" e inimigo da "promiscuidade" que o preservativo proporciona e a que "incita", Vaz Patto, (foto do dito, ao lado), publicou há dias um artigo no Público em que defendia as posições do Papa Ratzinger sobre o preservativo e defendia que o seu uso era ineficaz, além de que o grande exito no combate à sida em África, no Uganda, se devia à abstinência (just say no!) e à não promiscuidade.
Afinal... leia a resposta ao lado e clique aqui (link para a ONU a que se refere o autor da carta).
Terá o Patto (para se distinguir de pato?) pecado contra o mandamento que prescreve "Não mentirás nem prestarás falso testemunho"?
Shame on you, duck!!!!
Paulo Varela Gomes escreve à quarta feira na P2, auplemento diário do Público. Tenho lido lá muita coisa interessante sobre a Índia, em particular sobre Goa, a Goa de hoje.
Sem sentimentalismos bacocos mas, quase sempre, observado de um ponto de vista muito peculiar.
A ler, pelo menos em diagonal, para ver o que escreve em cada semana.
Esta semana (hoje), por exemplo, surpreendeu-me com um texto sobre a velhinha discussão "infectada" sobre quem influenciou quem, se a arte "ocidental" esteve na raíz da arte indiana ou se, pelo contrário, aquela terá derivado desta.
E introduz o conceito de Orcidente, uma novidade para mim, leigo nestas matérias, mas muito interessante.
Read the man!
Bolas, que o Prof hoje está amargo que chegue. Ainda por cima com os indígenas deste lugar à beira mar plantado e com a sua falta de rigor e critério quando lhes dá para fazer livros. A atitude é várias vezes caracterizada como balda.
"Talvez porque a sociedade portuguesa é parcialmente pré-literária - à parte o poemazinho fácil, o romance morno e em geral o que se pode escrever nos intervalos da novela - a importância dos livros de qualidade para o ensino de excelência tenbde a ser esquecida".
Veja ou reveja aqui .
A sessão decorreu em ambiente descontraído e divertido. Desgraçadamente a autora dos textos proibiu-me de colocar aqui as filmagens...
Clique no link se quiser ver o resto da revista.
A Estrela do Obama
Tenho acompanhado a estrela Obama (quem não tem?!) desde que apareceu no firmamento da comunicação social, praticamente no início das últimas primárias, nos States.
Duas características o levaram de imediato a uma posição de destaque: a sua bela voz (e os dotes de orador, diria mesmo, de pregador) e, fatalmente, o facto de ser mulato. Para os camones ele não é mulato, é “negro”, mas a verdade é que para eles tudo o que não seja irlandês ou próximo disso, tem que levar algum rótulo que marque a sua condição de não branco: preto, hispânico, italiano, judeu, chinoca, índio, monhé e por aí fora.
Se bem que a última administração americana tenha tido vários “negros” em posições de destaque, incluindo dois Secretários de Estado, a verdade é que ter um presidente “negro” era coisa quase tão impensável, há escassos meses, como impensável era ter uma mulher na Casa Branca, sem lá estar como mulher a dias ou, vá lá, como primeira Dama. Isto já sem falar na improbabilidade de ter como Presidente um gay assumido (sem ter saído do armário, parece que foram mais que um).
Afinal, acabámos mesmo por ter na Casa Branca um Pregador “Negro”, no qual todas as esquerdas da costa leste americana e da Europa depositam desproporcionadas esperanças. E digo desproporcionadas porque o que se espera do Obama, ao que parece, é que seja tudo menos um Presidente Americano e se preocupe não com o bem estar e os interesses dos americanos, mas com as idiossincrasias da rapaziada que viveu oito anos frustrada com a presidência do Bush filho que, grande malandro!, se preocupava com a segurança dos americanos e depois, só muito depois, com os direitos humanos de putativos terroristas e outros suspeitos.
Também não lhe perdoam, naturalmente, que essa política tenha redundado em sete anos livres de atentados em solo americano e num fim de mandato com o Iraque praticamente pacificado (veja-se o que foram as eleições de Janeiro).
Olhando para além das aparências e procurando mais informação sobre o político, vemos que Obama é um Presidente muito, muito bem preparado para o cargo, nomeadamente no conhecimento do mundo fora da América, que é o habitual calcanhar de Aquiles dos titulares deste cargo. Não se via nada assim, pelo menos desde John F Kennedy – um mau Presidente, mas um Presidente cosmopolita, bom rapaz e mulherengo, bem ao gosto dos europeus. Isto para além de ser católico e ter uma mulher jovem, vistosa, afrancesada e aristocrática.
Obama teve o bom senso de escolher muito bem a equipa que levou para a Casa Branca, reunindo gente competente e experiente, desde membros do gabinete de Clinton, um membro proeminente do gabinete Bush (o Secretário da Defesa Gates, em grande parte responsável pela melhoria da situação no Iraque) e a sua arqui-rival na corrida à Casa Branca, Hillary Rodham Clinton.
Naturalmente, não nos podemos esquecer de que os interesses dos States não mudaram só porque mudou o inquilino daquela Casa e que toda a gente se lembra (lembra?) do triste resultado que deu o plantador de amendoins feito Presidente ter arvorado os direitos humanos em pedra de toque da política externa americana. Carter não só foi despedido ao fim de um único mandato como teve uma presidência desgraçada que culminou com a invasão da embaixada Americana em Teerão e a tomada de reféns, todos os que lá estavam, por uns longos e penosos quatrocentos e quarenta e quatro dias.
Em resumo, diria que Obama tem condições para fazer uma boa presidência, nos dois mandatos a que pode aspirar, mas calma, muita calma com as expectativas: o homem é Presidente dos USA e não a Madre Teresa de Calcutá!
Marques Correia
O Professor enveredou hoje por outras águas que me fez dar uma espreitadela à estante dos livros, à procura do tal "Canino branco" de que nunca tinha ouvido falar.
Bem procurei, entre uns bons dez livros do mesmo Jack London. Nada!
Valeu-me a minha cara metade que me foi buscar o dito - estava fora da estante - com um título um bocado diferente, "Colmilhos brancos", que será o livro mais conhecido do Jack London. Santa ignorância a minha, carago!
Porreiro, pá, aprendi mais uma palavra: colmilho = canino.
E esta, hã?! diria o falecido Pessa, esguio canastrão das reportagens urbanas...
O apelo da selva é de facto um livrinho muito interessante, mas o que o nosso filósofo refere do outro livro, o tal "Canino branco", deixou-me com curiosidade.
Vou, pois, voltar ao Jack London muitos anos depois de o ter lido pela última vez.
É só acabar (não deve durar mais que duas noites...) o "Jogos Africanos" do Jaime Nogueira Pinto (muito, muito bom!) e vou-me a ele.
Do livro do Jaime Nogueira Pinto não digo mais nada hoje: merece um post à parte. É um livro à parte.
In the meantime, read the man!
Com a retirada do anúncio da RTP 1 em que se dizia que as manifestações são comtra quem quer chegae cedo ao trabalho (enfim, mais ou menos isso), ficámos a saber que o politicamente correcto continua na vanguarda.
Os sindicatos miaram, a esquerda espirrou, o bloco de (extrema) esquerda perorou e... a direcção da RTP1 apressou-se a retirar o anúncio.
E a Eduarda Maio não ter ido para o olho da rua já foi uma sorte...
Veja e oiça o
anúncio e perceba o que é que esta gentalha considera um grave atentado contra a democracia, contra a Constituição e sei lá que mais.Correndo o risco de vos chatear com algo que já conhecem, aqui vos deixo umas frasezinhas engraçadas.
Eu (ai de mim...) só conhecia a última e achei piada a quase todas:
Qual é a única comida que liga e desliga? O Strog-On-Off.
Como é que se fazem omeletas de chocolate? Com ovos da Páscoa.
O que é que um tomate diz para o outro? Tomatas-me
O que é que um tubarão diz para o outro? Tubaralhas-me.
O que é que uma impressora diz para a outra? Essa folha é tua ou é impressão minha?
Como é que duas enzimas fazem amor? Uma enzima da outra.
Diz a massa para o queijo: Que maçada! Responde o queijo: E eu ralado!
Sabem quando é que os americanos comeram carne pela primeira vez? Foi quando lá chegou o Cristovão Co-lombo
O que é que uma árvore de Natal tem em comum com um padre? Em ambos os casos, as bolas só servem para enfeitar...
No hospital, diz o médico:- O senhor é o dador de sangue? Não, eu sou o da dor de cabeça!
O Prof Desidério apresenta-nos esta terça feira uma reflexão sobre língua portuguesa e "nacionalismo".
Sobre a tineta de regulamentar a todo o custo a língua, Desidério Murcho ilustra e explica essa atitude:
"... a língua portuguesa tem que ser preservada a qualquer custo, incluindo contra a vontade das pessoas que a falam".
"porque os portugueses não podem já ter veleidades imperiais, transferiram para a língua estes sentimentos".
Cita a tão conhecida frase de Fernando Pessoa "a minha Pátria é a língua portuguesa" mas, para variar, apresenta frase completa, o que nos dá um Fernando Pessoa muito mais preocupado com o uso rigoroso da língua e menos (nada) com a sua "representação" da Pátria.
Read the man!
Não me choca nada que os católicos sejam contra a contracepção (e não só contra a camisa de Vénus - era assim que se chamava, lembram-se?), contra o sexo antes do casamento e que tenham por planeamento familiar a vontade de Deus. É a fé deles, é a regra da igreja deles.
Mas sempre me fez uma confusão do caraças ao espírito que o sexo esteja sempre no centro das preocupações da padralhada, não como assunto pessoal com que têm que lidar (melhor ou pior...) mas como um aspecto da vida dos crentes em que se sentem com direito, obrigação e dever de meter a sua colherada. E vá lá, vá lá, quando se ficam pela colherada...
Será que a vida sexual das ovelhinhas tem mesmo assim tanto que ver com a doutrina do Cristo?!
Por muito que puxe pela cachimónia para me lembrar da doutrina, que me foi familiar durante muitos anos, não encontro nenhum destaque especial para a vida sexual dos crentes que justifique esta desproporcionada e descabelada intromissão da padralhada.
Pior ainda: a ICAR impinge às criancinhas uns dez mandamentos "trabalhados" no sentido de lhes apresentar o sexo como uma coisa pecaminosa, a evitar a todo o custo até se ter um casamento abençoado pelo "Senhor" que permite umas quecas que poderão dar em filhos, se o tal Senhor assim o quiser.
Lembro-me que o sexto mandamento era "Guardar castidade nas palavras e nas obras" e o 9º "Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos". Veja os 10 mandamentos na fórmula da catequese aqui (um pouco abaixo da abertura).
Ora, se lermos a Bíblia católica, coisa que a catequese está longe de encorajar, o que vemos lá é, "Não cometerás adultério" (a Bíblia, Êxodo 20, versículos 1 a 17, não numera os mandamentos) e "Não desejarás a casa do teu próximo, nem a sua mulher nem o seu servo, a sua serva, o seu touro, o seu jumento e tudo o que é do teu próximo". Veja mais aqui e acoli .
Na lista oficiosa dos mandamentos, os católicos individualizam o "Não cobiçarás a mulher do próximo", 9º mandamento, separando-o do 10º, "Não cobiçarás a casa do teu próximo", seguindo Santo Agostinho.
Parece-me um óbvio abuso uma vez que na Bíblia, claramento se junta a mulher às "coisas" que são propriedade do nosso vizinho, que não devemos cobiçar. Em nome, parece-me, da paz social entre as diletas ovelhinhas.
Nesta linha, como boa regra de convivência social, não se deverá levar a cobiça (apontada como um pecado em si mesma) a vias de facto, "possuindo" a mulher do próximo. Ou seja, a cobiça dos bens do próximo é pecado e a posse desses bens também o é seja a posse da mulher, "Não cometerás adultério", seja a posse dos outros bens "Não roubarás".
Onde está a recomendação da castidade e a condenação da promiscuidade entre solteiros?
Só na mente desses devassos de sacristia, desses bardamerdas de saias.
O nosso António é que a sabe toda e meteu uma camisa de Vénus na tola tola do Papa Ratzinger.
Blog onde se publicam textos sobre tudo e mais umas botas em que o autor exprime as suas mui doutas opiniões e se sujeita aos comentários de quem o ler e também de quem o tresler.