Caríssimos leitorzinhos, dêem uma espreitadela aqui e deliciem-se com os textos da Mac, curtos mas bem escritos e muito certeiros.
Dois exemplos do último post:
Sobre o travesseiro, "... aconselha-nos com bons conselhos, embora a malta não oiça porque está a dormir."
Sobre a cama, "a cama tem poderes...é assim uma espécie de são-bernardo da vida, com reconstituintes poderosos ao pescoço."
Não percam.
Desculpem-me lá só hoje aqui colocar a coluna do prof Desidério, publicada ontem na P2.
E desculpem-me também não comentar; aliás a fraca postagem das últimas semanas sugere bem que ando cheio de trabalho.
Se ele faltasse é que era odiabo! Em tempo de crise, que mais podia desejar?!...
Com a visita a Portugal do Presidente Angolano, 'tava-se mesmo à espera que os dois cavaleiros andantes do Savimbismo, João e Maria Antónia, viessem a público, no Público, lembrar-nos as suas verdades. E quais são elas?
Aparentemente, tudo verdade. Enfim, quase tudo: Savimbi baldou-se mesmo à segunda volta e só não o terá feito de imediato para continuar a facturar o que foi a sua mais valia das eleições, a ocupação militar, paulatina, de território.
De facto, desde que a trégua começou, durante a campanha eleitoral e no período de impasse a seguir às eleições, a Unita ocupou cidades, vilas e aldeias, do seu território histórico, o planalto central, até à margem do Zaire, onde nunca tinha tido qualquer expressão.
Foi uma verdadeira campanha de conquistas a que o MPLA fez vista grossa (mas preocupada), ante o controlo da ONU (com Margaret Anstee à frente) e do escrutínio de toda a comunidade internacional, até não poder mais ficar sem reagir. Manter a passividade por mais tempo seria "a morte do artista". E a guerra recomeçou, claro, com a Unita numa posição militar muito mais sólida do que alguma vez tivera antes das eleições.
O dr João Soares é um homem honesto, tout court; contudo, em honestidade intelectual não estamos nada bem, meu caro!
Então pelo caminho ficou o opositor de um dos candidatos? Olhe que não foi bem assim... um dos candidatos, retomada a guerra civil, viria a ser derrotado, sem apelo nem agravo, e a guerra só terminou com a sua morte (ao lado, com as famosas cuecas às risquinhas).
Quem o ler ainda pensa que, no calor das eleições, um candidato mandou os capangas matar o outro, assim, tipo Zimbabué... é essa a ideia que quer dar, assim à surrelfa, não é, dr Soares?
E, note-se, a guerra terminou de supetão, vendo-se, nos anos e eleições seguintes que a Unita, como partido político, representa muito pouco, da ordem dos 10% dos eleitores.
Convenhamos que é muito pouco quando, na campanha eleitoral de 1992 o seu chefão, discursando de camuflado e arma à cintura, mostrava um triunfalismo só comparável ao ódio que destilava contra os brancos, os mulatos e, em geral, todos os citadinos.
Pensaria o Muata que os discursos não eram gravados nem traduzidos?! Ou estava completamente confiante na vitória?
Mistério...
Enfim, graças à visita do Zé Eduardo, temos o João e a Maria Antónia de novo juntos para desagravarem o dr Savimbi tão vilipendiado, coitadinho, e irem lembrando as suas visitas à Jamba. Bons tempos, Maria Antónia; belos tempos, João...
Que belo trio, diria eu!
Os franceses talvez dissessem, simplesmente:
Qui se ressamble s'assemble...
Ora vejam:
"Talvez Jesus Cristo hoje dissesse aos mais altos dignitários de uma das sua igrejas para porem os olhos nos cristãos, que é onde se encontra a espiritualidade genuína. Afinal, foi precisamente isso que Jesus disse aos altos dignitários religiosos do seu tempo."
"Católicas praticantes e genuínas tomam a pílula e defendem o casamento dos homossexuais e dos padres, assim como o direito das mulheres a celebrar missa. Sofrem em silêncio as tolices da Igreja católica à espera de melhores dias."
"Quando se conta a história de Galileu, esquece-se que ele era um homem profundamente religioso - e obviamente mais religioso do que os palermas que o condenaram a uma ultrajante prisão domiciliária."
"(...) o casamento dos homossexuais, a pílula e o divórcio surgem assim tolamente como temas de suma importância religiosa e é claro que as pessoas que sentem ansiedades espirituais não pensam que estes temas tenham algo a ver com isso - e voltam-se para outras espiritualidades."
Realmente sempre me fez muita "espécie" a tineta que a padralhada tem com questões de sexo, como se a religião tivesse (e devesse ter) no sexo o seu centro, ortocentro e baricentro.
Read the man!
Desde há uns dias, talvez mais de uma semana, a tira do Clavin & Hobbes desapareceu do topo a última página do caderno principal.
Da última págian da P2, a côres, ao domingo (ou sábado?), também desapareceu.
Explicações, que eu tenha visto, nada!Se vos bater uma saudade, vão ao Depósito do Calvin e deliciem-se. Entretanto, deixo-vos a tira nº 541 para se entreterem.
Aleluiah!!!
O Público deve estar um bocado desgovernado para permitir a publicação de um trabalho sobre o Presidente de Angola que não é dominado pelas habituais referências ao autoritarismo, à corrupção etc, etc.
Realmente, a imprensa portuguesa tende a usar, em matéria de direitos humanos e corrupção pesos e medidas especiais para Angola, como se o facto de lá termos estado 400 anos desse àquela gente deveres especiais de honestidade, espírito democrático, etc.
Seria pelo "nosso" exemplo?
Bem, eu acho que o "nosso" exemplo foi muito bem seguido nas ex-colónias, Brasil incluído, no espírito do desenrasca, na cunha, na burocracia e - se não foi herança, a influência é inegável - na corrupção.
Na hipocrisia, ao menos, parece que não nos imitaram...
E, afinal, se os militares americanos no Iraque se abotoaram com uma percentagem muito considerável das centenas de biliões (isso mesmo, centenas de biliões, não é engano) de dólares das verbas para recontruir o país, se banqueiros portugueses, acima de qualquer suspeita (BCP, BPN, BPP, etc) se abotoaram com milhões e milhões de euros (não pensam que os negócios ruinosos se fazem para beneficiar os "outros" - pensam?!), por que raio seria de esperar que os militares e governantes angolanos não tivessem feito o mesmo, pelo menos, enquanto durou o embargo e as compras de armas se faziam em dinheiro vivo?!
A P2 publica hoje um trabalho sóbrio e objectivo, parece-me, sobre o Presidente Angolano que, sem negar os aspectos negativos que lhe imputam põe em destaque os méritos que lhe cabem.
Nomeadamente a pacificação da sociedade angolana, marcando uma clivagem nítida com a era Neto, mesmo tendo em conta que 20 anos do seu consulado foram vividos em guerra civil, uma guerra suja e irracional movida pelo sanzaleiro Savimbi.
Angola é um dos poucos países de África onde as instituições e a economia funcionam, onde as infraestruturas destruídas por anos e anos de estagnação (muito agravada pela guerra) estão a ser rapidamenre reabilitadas e expandidas, onde o sistema de ensino funciona e está em expansão, onde a economia está a descolar da dependência endémica do petróleo.
Onde estaria Angola se o Savimbi tivesse ganho a guerra e estabelecido um estado semi-tribal, violentamente anti citadino e anti europeu?
Hoje é o Dia Internacional da Mulher, na liturgia dos tempos modernos.
Este é um tema recorrente neste blog, onde a situação da mulher no mundo (em Portugal, nos países islâmicos, no "seio do lar cristão", etc) tem tido o devido destaque e tem sido objecto de vários posts.
Não é que eu seja particularmente preocupado com questões de direitos humanos, actualmente um tema muito ligado ao politicamente correcto e aos profissionais da ajuda internacional - irritam-me particularmente o médico do BE da AMI e o totó do ex-cantor Geldof. Portanto, quero é distância!
A questão da mulher motiva-me do mesmo modo que me motivam a dos povos colonizados e dos escravos: são (ou eram) pessoas perfeitamente à mercê "do outro", sem nenhuma protecção efectiva e com toda a sociedade a olhar para o lado e a assobiar.
Há poucos meses, num programa de rádio (salvo erro o Contraditório, da Antena 1) quando um jornalista referiu que há uns anos a mulher casada precisava da autorização formal do marido para viajar para o estrangeiro, a colega jornalista (Inês Pedrosa?) soltou um espontâneo "a sério?! Isso era mesmo assim?!". Tadinha, tão burrinha...
É impressionante que mulheres adultas, normais e cultas (ainda por cima jornalistas) estejam completamente a leste do que se passava há menos de 30 anos com questões relevantes de género. Provavelmente estão a leste do que se passa agora...
Aqui vos deixo exemplos de posts neste blog sobre direitos das mulheres.
Clique aqui, mais aqui , ali , acoli, acolá, mais ali , mais lá (recomendo vivamente esta), ainda esta , aqueloutra e, finalmente, est'outra.
No programa O Amor É, do sexólogo Júlio Machado Vaz, falava-se hoje destas questões, a propósito do Dia Internacional da Mulher. Desgraçadamente, só ouvi os últimos 20 minutos, se tanto, mas deixo-vos aqui, com a devida vénia, alguns excertos que apanhei:
E aqui vai, para terminar uma série de pontos que é interessante saber, para se perceber que no Ocidente, em particular em Portugal, a situação da mulher não é tão boa nem há tanto tempo como podemos imaginar:1910 Cessa o dever de obediência ao marido;
1911 O direito de voto é confirmado só para homens ;
1913 Idem, mas têm que saber ler e escrever;
1931 Finalmente as mulheres podem votar ... desde que tenham pelo menos estudos secundários completos (para os homens continua a bastar saber ler e escrever);
1933 A Constituição consagra a igualdade de direitos entre homens e mulheres "salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família"; esta restrição, tão vaga, dava para tudo...
1959 A mulher portuguesa que casa com um estrangeiro pode (finalmente!) conservar a nacionalidade portuguesa (até aí, perdia-a automaticamente ao desposar um estrangeiro);
1967 Novo Código Civil: a família é chefiada pelo marido a quem compete decidir em relação à vida conjugal comum e aos filhos;
1969 Igualdade entre homens e mulheres, qualquer que seja o estado civil; nas autarquias, contudo, só os "chefes de família" podem ser eleitores (a mulher aí não tem direito de voto);
1969 A mulher casada é (finalmente!) autorizada a atravessar a fronteira sem autorização do marido; precisa de autorização do chefe de família, o marido, para levar os filhos;
1971 As mulheres estão proibidas de trabalho noturno;
1976 (2 anos depois do 25 de Abril) Abolido o direito de o marido abrir a correspondência da mulher;
1976 Fim da pena de morte para traição em caso de guerra com país estrangeiro - esta foi a verdadeira data do fim da pena de morte, e não 1848...
1978 (4 anos depois do 25 de Abril) Desaparece a figura do "chefe de família";
1987 Obrigatoriedade de prestação do serviço militar a todos os cidadãos; contudo, os do sexo feminino são dispensados daquela obrigação, podendo vir a prestá-lo a título voluntário, em moldes a definir;
1991 Passa a ser permitido às mulheres o serviço na Força Aérea em condições de igualdade com os homens "em determinadas categorias e especialidades";
1991 É permitido às mulheres candidatarem-se ao Exército em condições de igualdade com os homens;
A fonte é o livro que a figura mostra, de 1995. 13 anos depois, não existe nenhuma mulher general nem almirante...
Veja (oiça) Saíu para a rua , poema de Carlos Tê, por Rui Veloso.
A propósito da cena do far, far west, em Bissau, ouvi ontem e hoje as mais desencontradas versões, desde um senhor que me dizia que o Nino, nos tempos de "absolutismo" dos anos 80 tinha capado o extinto Chefe da Tropa, que agora foi duplamente vingado, até às habituais ladainhas de que a população da Guiné está agora muito pior que no "nosso" tempo... porque tinha um presidente sanguinário, déspota que mandou matar montes de pessoas.
E no "nosso" tempo, pergunto eu, espantado?!
É preciso ter lata, poça!
Ouçam o FADO TROPICAL do Chico Buarque D’Holanda e acompanhem com as imagens alusivas aos bons tempos coloniais; bons tempos para os apaparicados colonos, claro!
Enjoy e, por favor, sejam um bocadinho críticos quando alguém vos vem, de mansinho, defender os bons tempos em que milhões eram arrebanhados para trabalharem para o enriquecimento de uns quantos colonos, alapados numa terra que não era a deles, oportunamente "descoberta" pelos seus antepassados.
Mesmo que os beneficiados fossem uns gajos cheios de bom coração, uns tais colonos achinfalantes, libidinosos e bonacheirões, fazedores de impérios e de mulatas, como no fado do Chico, sempre prontos a aviar as negrinhas e a castigar os malandros, mesmo assim, não me digam (por favor!) que ser criado, sem perspectivas de deixar de servir o senhor até cair de velho, é vida digna de ser vivida.
Acham que é?!
Dou-vos música, que não é nada mau!
Para além do Fado Tropical, ouçam também o Tanto Mar, também do Chico, no que penso ser a versão original, ou próximo.
"Sei que estás em festa, pá, fico contente; enquanto estou ausente guarda um cravo para mim..."
E aqui a versão completa do Fado tropical, se bem que com a sífilis cortada...
Oh, musa do meu fado oh, minha mãe gentil
te deixo consternado no primeiro Abril
mas não sê tão ingrata não esquece quem te amou
e em tua densa mata se perdeu e se encontrou
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"sabe, no fundo eu sou um sentimental
todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...(além da sífilis, é claro)
mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga alecrins no canavial
licores na moringa um vinho tropical
e a linda mulata com rendas do alentejo
de quem numa bravata arrebato um beijo
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"meu coração tem um sereno jeito e as minhas mãos o golpe duro e presto
de tal maneira que, depois de feito desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito é que há distância entre intenção e gesto
e se o meu coração nas mãos estreito me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta ostento a aguda empunhadora à proa
mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta mais que depressa a mão cega executa
pois que senão o coração perdoa..."
Guitarras e sanfonas jasmins, coqueiros, fontes
sardinhas, mandioca num suave azulejo
e o rio amazonas que corre trás-os-montes
e numa pororoca desagua no tejo
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um imenso Portugal
ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se um império colonial...
Clique na imagem para a ampliar.
Mão amiga fez-me chegar esta preciosidade, para sermos mais complacentes com a capacidade da pen de 8 Gigas que comprámos há seis meses e que que se vai revelando piquena.
O disco rígido (bué da rígido, man!) que a figura mostra tem mais de 50 anos e armazenava a espantosa quantia de 5MB!!!
... mas há menos de metade desse tempo um disco de 40MB era uma coisa do caraças, comparado com os (então) correntes Seagate de 20MB.
Clique para ampliar e ler.
Desidério Murcho ataca a questão dos cursos profissionais, criados como alternativa de formação para alunos mal sucedidos; contrariamente com o que se passava com os cursos tecnológicos, esta "solução" não permite uma progressão paralela ao ensino "normal", impedindo que os estudantes acedam à Universidade.
No fundo é um beco para onde se entra sem se encontrar saída.
Três excertos:
...(O facto de o número de inscritos em cursos profissionais ter passado de 3.676 em 2004 para 54.899 em 2008) "não é um sucesso porque os actuais cursos profissionais promovem ainda mais evidentemente a exclusão social do que os seus silenciosamente abandonados antecessores, os cursos tecnológicos."
..."Temos assim uma mentira política brilhante: mantêm-se os alunos na escola sem que na realidade estejam na escola."
"A escola tem que aprender a ensinar os jovens provenientes de famílias culturalmente carenciadas. Desistir de o fazer por ser difícil é uma perversidade inaceitável."
Read the man!
Conforme prometi esta manhã, aqui vos deixo um texto absolutamente notável da Professora Teresa Pizarro Beleza sobre o casamento entre homossexuais e não só.
Para quem nunca tenha reparado na irmã mais nova da Leonor Beleza, a mais low profile do grupo, clique aqui. Formada em Direito, criminologista e professora de Direito Penal, deu nas vistas há uns 15 anos quando se doutorou com uma tese com o título algo bizarro de "Mulheres, Direito, Crime ou a Perplexidade de Cassandra".
Para vos aguçar o apetite, deixo-vos algumas frases pescadas a vol d'oiseaux:
NÃO PERCAM.
Depois da publicidade ao Carnaval de Torres Vedras, com a Procuradoria a mandar remover do Magalhães uma imagem pornográfica (que, ao que parece, ninguém viu), temos agora a PSP de Braga a apreender livros numa feirinha do livro, no seguimento de "várias queixas" de cidadãos ofendidos com a imagem de um nu frontal, feminino e inferior que a capa de um livro exibia.
Ainda por cima, como o livro era a preço de saldo, qualquer criança podia comprar o dito livro e ficar chocada ante a imagem explícita e a côres de uma bela paxaxa.
Para cúmulo, uma paxaxa estrangeira que se arvorava em orígem do mundo, se isto se admite!
A Polícia tinha mesmo que actuar, pois as mães de Braga iriam sentir-se muito humilhadas se os seus esposos ousassem dirigir à dita paxaxa olhares mais gulosos do que aqueles que são permitidos pela Santa Madre Igreja, toda poderosa em Braga.
A despropósito, a tal estátua gigante do falecido cónego Melo sempre vai avante, ou não? Com ele estas e outras porcarias nunca seriam permitidas, louvado seja Deus!!!!
A propósito, isto lembra-me um estoriazinha do meu primeiro ano do liceu, actual 5º ano, em Sá da Bandeira. O livro mais requestado na biblioteca do Liceu era a Enciclopédia Luso Brasileira, volume que incluía a letra "V".
Why?
Because tinha uma entrada para "vulva de virgem" com um desenho da dita. Como naqueles tempos remotos (1960) não havia por aquelas terras fotografias explícitas e muito menos grandes planos daqueles recantos da anatomia feminina (e o que havia era a preto e branco) tinhamos que aprender com o que havia e estava à mão...
Não, não! Não vou referir-me (mais uma vez) ao Paulo Merdoso, definitivamente integrado na vida normal de pessoa íntegra, bom chefe de família e temente a Deus. Esse passou à história ... até surgirem novos factos ou pessoas dispostas a apreciarem de outra maneira os factos velhos. Não!
Hoje volto ao tema d' Os Merdosos, figuras da nossa sociedade, sempre prontas a salientar-se em defesa das causas mais idiotas, quase sempre danosas para o bem da comunidade, mas com uma legião de seguidores, pessoas bem intencionadas e ingénuas (fica bem o naïf?) ou sofisticados merdosos disfarçados de bons samaritanos na versão moderna: amigos do ambiente, amigos dos animais, amigos do património.
No fundo, no fundo, amigos do alheio.
Vem isto a propósito dos Movimentos de Cidadãos que se formam espontâneamente sempre que um Governo ou uma Autarquia avança com uma medida "ousada", sem ouvir as forças vivas. Ou ouvindo-as, mas não acatando o seu douto diktat.
Todos vemos que o Património Construído, mesmo o que está classificado (desde interesse municipal até património mundial) beneficiando de verbas para a sua conservação, está a degradar-se a olhos vistos, simplesmente porque o País é pobre (não é? Olhem que sim, olhem que sim...) e a conservação de edifícios não utilizados pode ser sempre adiada (quase) sine die. Já a conservação de hospitais, escolas, etc, pode ser adiada mas com menos elasticidade, pelo que a sua conservação sempre se vai fazendo.
Uma solução para recuperar e manter de forma sustentada (ena!) muitos edifícios classificados é, simplesmente, atribuir-lhes usos que gerem receitas que permitam que haja sempre dinheiro para a sua conservação. Isto faz-se um pouco por todo o mundo, até em Portugal. É preciso ser rigoroso na definição do que se pode e do que se não pode fazer com o edifício e rigoroso na fiscalização do que efectivamente se faz. Isto consegue-se, normalmente, com venda a privados, com um contrato que garanta o tal programa do que se pode e não pode fazer.
Três bons exemplos:
O cinema Condes, glorioso mamarracho dos tempos dos grandes cinemas, foi salvo da ruína pela sua conversão em Hard Rock Café; manteve-se o essencial do edifício que passou de mais uma ruína na baixa de Lisboa a edifício vivo, atraindo pessoas, gerando emprego e gerando as receitas para a sua conservação.
O cinema Eden, outro glorioso mamarracho dos tempos dos grandes cinemas, obra de autor (Cassiano Branco, talvez) foi salvo da ruína pela sua conversão em Hotel, Loja do Cidadão e Megastore (este já encerrado); tal como no Condes, manteve-se o essencial do edifício que passou de mais uma ruína abandonada e deserta na baixa de Lisboa a edifício vivo, atraindo pessoas, gerando emprego e gerando as receitas para a sua conservação.
O Hotel Pestana Palace, que de palácio abandonado foi transformado em hotel de luxo, com obras em que o IPPAR (creio que já era IPPAR) esteve constantemente envolvido.
O novo edifício e a passerelle de vidro geraram controvérsia, mas o Palácio foi restaurado, por dentro e por fora, e é mantido sem qualquer dispêndio de dinheiros públicos.
Um péssimo exemplo, o palácio de Benagazil:
A CML decidiu por à venda uma série de palácios, com um programa bem definido de usos e um menu do que se pode e não pode fazer.
Claro que já há uma série de cidadãos e de associações dos ditos, a contestar o terrível crime de privatizar o património.
Esse bando de facínoras prefere ver o património arruinado em mãos públicas do que restaurado e a dar lucro (palavra terrível, para eles!!!) em mãos privadas (outra palavra terrível, para essa gente).
Vejam como estava há cinco anos a fachada do Palácio Benagazil. Não vos mostro como estava por dentro porque tive acesso ao interior num levantamento que fiz para a CML e não me parece correcto fazer uso do que fotografei nessa qualidade.
Mas quanto ao exterior, qualquer pessoa pode ver a desgraça a que aquilo chegou.
Esses bardamerdas que se agarram ao património até às últimas (nefastas) consequências têm a mesma atitude dos pais tradicionais face às filhas que namoram tipos das classes baixas, pretos ou monhés: "preferia vê-la morta, a casada com um preto!"
Outro caso, o do Tribunal da Boa Hora, para onde se perspectiva um hotel de charme, também já há o grupo de habituais merdosos que quer que o tribunal lá continue, sem condições, sem conforto, sem espaço mas... com memória!
Haja paciência!
PALAVRAS MÁGICAS
O nosso filósofo das terças feiras espeta hoje o dedo, com toda a força e pontaria, na questão das palavras novas que, parecendo-se muito com as existentes, acrescentam uma nuance necessária para exprimirmos exactamente o que queremos exprimir. Supostamente, pelo menos.
E o que queremos exprimir são, naturalmente, ideias inovadoras (não confundir com, simplesmente, novas) para cuja expressão as palavras existentes são, claramente, insuficientes.
Isto faz-vos soar alguma campainha ou pertencem ao grupo dos felizardos que não têm amigos que vos salpicam com frases do género:
"É NECESSÁRIO VIVENCIAR AS SITUAÇÕES PARA AS PODERMOS EXPERIENCIAR ADEQUADAMENTE DE MODO A PERCEPCIONAR O CONTEÚDO IMAGÉTICO"?
See what I mean?
Read the man!!!
Bem, finalmente enchi-me de pachorra e fui à procura do livrinho do Sttau Monteiro que motivou o post o dia estava nascer quando vi os sinais pela primeira vez.
Têm aí ao lado, com a editora, caso o queiram procurar e comprar (para ler ou consultar - só para "ter" não adianta muito, a lombada é fininha...).
Mais adiante deixo-vos a tirada completa que, como verão, é um bocado diferente da "minha" versão. Para já, a "tirada" não é do Abraão Zacut mas do Jacob Auer; por outro lado, relendo mais para trás e mais para a frente, não percebi donde é que raio me saí com a "núvem em forma de águia" que, por acaso, até vem bem a propósito.
Creio que o que me ficou na memória não foi a tirada directa da peça de teatro, mas de uma adaptação em que terei participado no Orfeão Académico de Lisboa, virado grupo de teatro, aí por volta de 1971, com o Pedro Barroso a fazer de maestro, encenador, treinador, etc, etc.
Então, vejam lá coisa:
Cliquem na imagem para ampliar e ler
Confesso que já há muito tempo me endava a chatear com as fotografias de Luanda de antes do 25 de Abril.
Até há seis ou sete anos pouco tinha mudado, para além da degradação geral.
Prédios novos quase não havia, prédios deixados por concluir em 1974 continuavam por concluir, com especial destaque para aquele enorme em frente ao Quartel General e para a torre da lagoa do Quinaxixi, transformado em musseque vertical.
Com a morte matada do Savimbi, aqui ao lado com as suas belas cuecas às risquinhas, tudo mudou.
Finalmente!
Com a paz sustentada e permanente, a economia entrou em expansão, o boom na construção tornou-se visível a olho nu, com o Google Earth a mostrar uma baixa, e não só, atulhada de gruas ...e de trânsito.
Outro aspecto muito, muito notório é o da a blogosfera e sitosfera (vale?) tão ricos e variados como em Portugal, com sites institucionais, governamentais, empresariais, privados, pessoais, etc, etc, enriquecidos por sites e blogs de portugueses e brasileiros (na maior parte) que trabalham ou trabalharam em Angola e deixam na net as suas impressões.
Se não tem tido pachorra para os sites habituais dos antigos colonos (ainda colonos em espírito...), onde, a custo, lá vão aparecendo umas fotos novas (à mistura com fotos da "nossa rua", da "nossa casa", da loja do sr Sousa, etc), deixo-lhe aqui uma série de hipóteses de picar nos pontos que lhe apetecer e perceber que a Luanda do "nosso tempo" descolou e, sem "a nossa ajuda", desembestou por aí fora, com empreendimentos de todo o tipo, bairros para a classe média e média alta, centros de negócios, prédios de escritórios e de apartamentos, shoppings, etc, etc.
Para já deixo-vos apenas um cheirinho da Luanda actual.
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