Há muito tempo que não vou à casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique. Estou ligado a ela por uma espécie de costela, participei numa pontinha do projecto de restauro e remodelação (projectei as estruturas metálicas - as serralharias, para ser menos pomposo).
Esta noite fui ao site Casa Fernando Pessoa e fiquei surpreendido com os textos que lá tem digitalizados, de uma caterva enorme de poetas, no Banco de Poesia. Também me surpreendeu outra cpoisa: o staff é constituído por 14 damas e 2 cavalheiros. Creio que se trata de uma herança do João Soares, esta desproporção.
Andei por lá a pastar e acabei por passar pela Sophia (será mesmo mãe do pateta do Miguel? Se calhar foi a costela do Francisco que deu a raia que deu...) e lá re-encontrei o "Esta gente" (que cantei no Orfeão Académico de Lisboa) e o "Porque" que o Chico Fanhais cantava nos idos de 60 ou 70: Chico Fanhais - Porque (de Sophia M. B. Andresen).
Atenção que o site é fracote e têm que clicar na canção que quiserem ouvir.
Aqui vos deixo, Sophia no seu melhor:
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.















































