Thursday, July 10, 2008

O MAROCAS NÃO SE ENXERGA

Depois de ter sido enxovalhado na sua tentativa de voltar à ribalta, na malograda e risível candidatura às presidenciais, o Mário Soares está a derrapar cada vez mais para os seus tempos gloriosos de gauchiste. Realmente ser contra o Salazar era fácil e ser contra o Caetano, além de fácil, até nem era perigoso por aí além. Bons tempos, dr Soares, bons tempos...

O decrépito ancião descobriu agora que os campos de concentração nazis eram uma espécie de estâncias de férias, com taxa de mortalidade próxima do zero, boa alimentação, boas instalações, actividades desportivas, tempo para rezas, etc, etc, etc, e que os presos que a Gestapo & Cia arrecadavam neles eram bandidos e tipos envolvidos em terrorismo, ou, pelo menos, suspeitos de terrorismo.

Só assim percebo por que carga de água o pateta compara a prisão de Guantánamo com os campos de concentração nazis.

Para um visitante assíduo da sinagoga lisboeta, de kippa e mantilha, é de estranhar esta comparação perfeitamente insultuosa para os judeus que morreram como moscas nos campos de concentração nazis.

Claro que o canastrão queria apenas enxovalhar os odiados americanos, alvo fácil para quem se sente, certamente, órfão do Caetano e do Salazar. O homem parou no tempo - durante a campanha eleitoral, afirmou-se, num comício, como o anti-Salazar.

Fraco trunfo para usar quase 40 anos depois da morte do Botas...

Sunday, July 06, 2008

A PROPRIEDADE PRIVADA

Sempre me causou espanto as pessoas super ciosas dos seus "direitos" que reclamam quando no baldio do outro lado da rua é construído um prédio que lhes tira "as vistas".

Aparentemente, para essa gente, as cidades deviam ser uma espécie de descampados onde cada um de nós teria a sua moradia isolada, com montes de terreno à volta e "vistas" a perder de vista... mesmo pagando apenas o preço de um T2 no 7º andar de num condomínio de 2ª categoria! Isso é que são direitos, carago!!!

Pois a "nossa" Paula Rego está em pé de guerra por o dono do prédio ao lado querer acrescentar-lhe dois andares, que lhe vão fazer um bocadinho de sombra sobre a generosa claraboia que "abastece" o estúdio de luz natural.

Claro que a "nossa" Paula está-se cagando se o PDM lá do sítio permite a obra que o vizinho quer fazer na sua propriedade: a ela só interessa evitar a chatice de ter que procurar outro estúdio, caso a luz natural deixe de ser a ideal, depois da obra do vizinho!

Será que a tótó não se enxerga?! Será que não quer gastar dinheiro para montar um estúdio no centro de uma propriedade nos arredores que lhe garanta que nenhum prédio será construído próximo do seu estúdio?!

Até parece que os estúdios dos artistas consagrados têm direitos de servidão sobre os terrenos circundantes, à imagem do que sucede com aeroportos, paióis e outros que tais!

A fama subiu-lhe à cabeça, tá visto...

Saturday, July 05, 2008

NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

O deputado João Semedo teve do melhor e do pior.

Do melhor: uma proposta, acolhida pela Assembleia, que permitirá aos doentes ter um acompanhante nas urgências dos hospitais. Aleluia! Isto é muito bom, numa altura em que os hospitais públicos são baluartes nos quais funcionários públicos no pior e mais arcaico sentido desprezam o paciente, quando não o maltratam mesmo...

Do pior: o facto de alguns hospitais privados terem 25% da sua receita proveniente de protocolos com a ADSE levou o bloquista a considerar estar perante um caso de parasitismo. O pateta (se calhar basta dizer "o bloquista"...) não percebe que se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) prestasse serviços de qualidade, com prontidão e eficiência, a ADSE e outros serviços do Estado não teriam que proteger os seus utentes enviando-os para a medicina privada. A ministra (aquele olhar de esguelha nunca me enganou) já há umas semanas tinha dado o mote acusando a ADSE de recorrer aos hospitais e clínicas privadas em vez de dar a sua preferência ao SNS.

Nem um nem outro percebem que a preferência tem que merecer-se, em concorrência com outros prestadores de serviços de saúde, e que o dever da ADSE é para com os seus utentes e não para com o tal SNS.

O bando habitual dos amigos da memória anti-fascista (ou coisa que o valha) conseguiu levar à AR uma petição para que fosse proibido o museu Salazar que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão quer construir lá no sítio.

E não é que uma ampla maioria apoiou a ideia de proibir o Museu?! Do BE ao PS passando pelo PCP e seu penduricalho "Os Verdes", toda a esquerda apoiou a ideia de proibir o Museu com a justificação de que a coisa será um templo da extrema direita para branquear o salazarismo.

Claro que o museu será isso mesmo - nunca vi nenhuma casa museu de um determinado Fabiano que se dedicasse a denegri-lo. Claro que o museu vai apresentar, certamente, o que o regime teve de bom e atenuar o que teve de mau. So, what?

Liberdade não será isso mesmo?! Para os esquerdalhos, parece que não...

ANACRONISMO

Esta semana um grupo de pessoas raptadas pelos bandidos das FARC foi libertado, numa operação rocambolesca, aparentemente levada a cabo pelo exército e pela secreta colombiana.

Aleluia!!!

A Ingrid, cada vez menos verde (pudera, seis anos a verdejar na selva converte qualquer verde num adepto ferrenho e comovido da law & order, for god sake!) lá foi até Paris agradecer ao Sarkozy a ajudinha que deu.

Deve seguir-se o abraço ao louco de Caracas... ou talvez não, se ela perceber que o dito louco trata as FARC como um partido político (e dá-lhes dinheiro!) e o governo da Colômbia como bandidos. Vamos lá ver o que ela faz.

Isto faz-me lembrar os meus tempos de extrema esquerda (soft, soft) em que a luta armada parecia ser solução para quase tudo e o Guevara (mesmo morto) até parecia ser libertador de alguma coisa para além de si próprio. Estávamos nos anos 60 e 70 do século passado, a URSS, os States e a China dominavam tudo e parecia mesmo que só à porrada é que alguma coisa mudava.

Mas em pleno século XXI, mesmo na América Latrina, continuar a haver guerrilha de extrema esquerda?! Ainda por cima, financiando-se no tráfico de droga e no negócio dos raptos?! Esquerda my ass, os gajos são bandidos e mais nada ...

Isto é (só pode ser!) um anacronismo crasso, um bando de patetas que parou no tempo e não encontra o caminho do futuro.

What a mess!!!

Wednesday, July 02, 2008

A MAIS MAZINHA DA SEMANA...

A Microsoft lançou uma nova gama de software dirigida a um target específico, tendo começado pelo substituto do Visual Basic: o INVISUAL BASIC.

Saturday, June 28, 2008

SUPERPOWER, MEU!

Enviada pela minha Mais-Que-Tudo, aqui vai uma estoriazinha cheia de verdade.

A NACIONALIDADE DE ADÃO E EVA

Um alemão, um francês, um inglês e um angolano comentam sobre um quadro de Adão e Eva no Paraíso.

O alemão disse:

  • Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.

Imediatamente, o francês reagiu:

  • Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Devem ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:

  • Not a chance! Take a look: a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser Ingleses.

Depois de alguns segundos mais de contemplação, o angolano exclama:

  • Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Só podem ser Angolanos!!!

Sunday, June 22, 2008

O Posto de Trabalho e a job description

Conta-se que na TAP, uma das empresas mais sindicalizadas do país, com pesadíssimas tradições do tempo do funcionalismo público, um visitante ficou espantado ao ver dois trabalhadores da Manutenção a executarem uma tarefs esquisitíssima: vinham da cauda do avião em direcção ao cockpit, na cabina, um abria um painel (um PSU, para ser mais preciso) e, pouco depois, um colega fechava-o. Entretanto, o primeiro tinha aberto o PSU seguinte que o colega, pouco depois, fechava.

O espantado visitante perguntou ao responsável da Manutenção que o acompanhava o que raio estavam eles a fazer. Resposta pronta:

- Estão a fazer o levantamento dos números de série (s/n) dos geradores de oxigénio, que estão dentro dos PSU's. Acontece que o terceiro membro da equipa faltou, mas isso não impede o dois kamaradas de cumprirem o ponto e fazerem a sua parte do trabalho, não é verdade?

Por azar, o kamarada que faltara era precisamente o que lia e anotava o s/n de cada gerador de oxigénio...

Tuesday, June 17, 2008

A TURQUIA E O VÉU DITO ISLÂMICO

O Supremo Tribunal da Turquia parece que está em vias de imitar os Franceses na sua tineta de proibir o véu islâmico.

Sei muito bem (acho que sei) que as mocinhas que militam pelo uso do tal véu o fazem por pressão familiar e religiosa, bebida no leite materno, instilada no ar que se respira lá em casa, na mesquita e na escola. Ou como reacção à imposição que não lembra ao menino Allazinho - as imposições e as proibições estão mesmo a pedir reacções do tipo "estou-me marimbando para o véu, mas vou usá-lo se o quiserem proibir".

Proibir o seu uso (a retórica dos franceses era que a escola pública tinha que ser neutra em relação às religiões, por isso nem cricifixos, nem véus, nem ... etc) parece-me uma atitude que terá feito sentido no tempo do Ataturk, mas que agora não faz sentido nenhum.

Vai-se criar um problema onde nenhum problema existia.

Os islamitas militantes agradecem, claro!

OUTRA VEZ O GENERAL COCA COLA SEM MEDO...

De tempos a tempos, o pessoal lembra-se de um general que se zangou por o Salazar não lhe dar os cargos a que ele aspirava e, vai daí, resolveu passar-se para o reviralho, mas numa posição de chefe, claro!

O livro publicado no cinquentenário das eleições presidenciais de 1958, por um neto do general (ou será já marechal?) Delgado mostra bem a vacuidade do personagem e explica por que é que a sua fundação é uma espécie de clube das IVA's (filha e mãe - sim ainda viva e centenária) em que a filha se tornou na guardiã da memória do Pai - já que pouco há para guardar e pouca gente para a investigar.

O livro do neto lê-se em meia dúzia de horas (saltando a palha que se encontrar sobre as diagonais, claro) e é elucidativo: em 1225 páginas (mais 118 de notas, bibliografia, índice remissivo, etc) metade contam a sua vida de pilar da situação (na página 555, a um ano das eleições, ainda se regista a sua tomada de posse como Director Geral da Aeronáutica Civil), 200 páginas dão conta da sua dissidência, campanha eleitoral e culmina com o exílio na embaixado do Brasil.

O resto é a história empolada da sua acção para liderar a oposição, com um espírito messiânico perfeitamente deslocado e uma convicção, que a realidade se encarregou de desmentir rápida e brutalmente, de que "o povo português" estava com ele e levantar-se-ia contra Salazar se suspeitasse que o general sem medo tinha cruzado a fronteira rumo a Lisboa.

Toda a sua triste acção entre a campanha eleitoral de 58 e o seu apagamento pela PIDE refletem este equívoco quanto à sua importância.

O neto descobre agora que o general não foi morto a tiro, mas à porrada. Brilhante, nos tempos que vão correndo, meter "tortura" no romance só pode contribuir para o tornar mais interessante e vender melhor.

Que coisa triste!

Sunday, June 08, 2008

200.000: ENA TANTOS!!!!!!!

A CGTP & Cia mobilizaram uma data de malta para se manifestar contra o Governo: contra a carestia de vida (pão, brioches, etc) e mais um ror de malandrices que o Sócrates, à revelia da esquerda (?) tem andado a fazer.

E está muita malta (o velho Soares, por exemplo) muito preocupada porque 200.000 gajos é muito gajo, a população deve estar muito descontente com a vidinha. E se calhar está...

O que foi giro é que uma boa parte dos entrevistados, entre os 200.000, era malta de fora de Lisboa, do Alentejo, por exemplo (agarrados pelo sotaque e pela prosápia - com um microfone à frente e com tempo, até poesia nos atiram!), que foram comboiados pela máquina da CGTP/PC para fazerem número na capital, às portas do Sócrates.

Por acaso, até foi num sítio muito mais visível que a porta do Sócrates: o Marquês, a avenida da Liberdade, a baixa.

Já o Salazar fazia a mesma fita, quando queria ter uma manifestação de apoio ou desagravo para mostrar ao pagode e ao inglês. A CGTP aprendeu a cartilha (ou não fossem espinhos do mesma roseira), até porque o Kamarada Secretário Geral, o Dr Manel Carvalho da Silva, deu em erudito, tirou uma licenciatura e um mestrado (pré Bolonha) e até um doutoramento já abichou.

Ora 200.000 gajos é muito gajo, principalmemte quando vistos de perto. Se olharmos de longe (não é de Cacilhas, é da fronteira de Espanha ou de mais longe ainda) os 200.000 são um ponto na paisagem, menos de 2% da população portuguesa, ou seja, um em cada 50 portugueses veio a Lisboa manifestar-se (ok, ok, ou saíu de casa, em Lisboa...) .

Então e os outros 98%, os outros 49 em 50?

Apoiam o Sócrates? Se calhar, nem todos.

Apoiam a CGTP mas não apanharam boleia para vir a Lisboa? Quem souber que o diga, que eu não sei...

Idem, mas acharam que não valia a pena manifestarem-ne nas berças onde vivem? Tampouco sei...

De qualquer modo, os 200.000 arrolados e comboiados, não deixam de ser apenas 1 em cada 50 portugueses.

Os mais velhinhos lembrar-se-ão de que nas eleições de 1975 o PCP, que dominava a rua, os jornais, os sindicatos, o Governo (até ao 5º Governo Provisório), a tropa, etc, etc, se ficou por uns miseráveis 12 ou 14%, isto ao correr da memória.

Ou seja: 200.000 na rua podem ser pouco mais de 200.000 nas urnas.

Ora nas urnas, 200.000 é pouco, meu, muito pouco!

Monday, June 02, 2008

ASSASSINATOS "DE HONRA" NO ADMIRÁVEL MUNDO MUÇULMANO

Leia os mais recentes desenvolvimentos no caso da rapariga morta pelos homens da casa para lavar a sua (deles...) honra.

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2008/05/uma-no-cravo-outra-na-rapariga.html#comments

Veja também http://www.publico.clix.pt/ edição de 2 de Junho, pág 17

Saturday, May 31, 2008

A PRAXE, AS PRAXES

Bem, este não vai ser um post para teorizar sobre as praxes, por falta de pachorra.

Mas o post aqui vai, porque tinha decidido postar sobre este assunto assim que vi, babando-me de gozo, que um bando de cavernícolas foi condenado, ao fim de processo com um bom par de anos, a penas pouco mais que simbólicas por terem praxado uma caloira embolando-a em merda de vaca e outras "brincadeiras" semelhantes.

Realmente, as praxes nada têm que ver com a integração dos novos alunos (caloiros, infras, etc) na Universidade, que para isso não há qualquer necessidade de praxe...

Tem tudo a ver, isso sim, com inculcar nos novos alunos o espírito merdoso que caracteriza a "tradição" dita académica, que faz de um cábula poli-repetente um veterano temido pelos mais novos, e um "dux veteranorum" (ou marechal da praxe) de um idiota precocemente embezerrado pela cerveja.

Só mesmo pela cabeça cheia de trampa de um dux veteranorum, ainda por cima portuense, é que, nos dias de hoje, poderia passar a ideia de que as colegas veteranas não podem usar colete na fardeta dita "vestir de praxe". Cantar o fado e fazer serenatas também não pode ser coisa de mulher e quanto a ser elegível para dux veteranorum, cruzes, canhoto: nunca, mas nunca!

Portanto, de teoria praxal, estamos conversados!

Posto isto, a minha relação com a praxe começou por ser muito pacífica: em Sá da Bandeira, no Liceu Diogo Cão, os caloiros eram praxados nas primeiras semanas do ano lectivo, levavam uma carecada em forma de coroa, havia uns desfiles pelas ruas da cidade (facultativos, certamente, porque não participei em nenhum e nada me aconteceu).

A careca era o símbolo de ter ascendido à categoria de (futuro) doutor, portanto, não só não incomodava como era uma diferença notória em relação à ralé que tinha ido para a Escola Industrial e não para o Liceu. Ora, naqueles tempos, mais do que agora, era muito importante atentar nas diferenças que não nos separavam, mas nos distinguiam (e de que maneira!)...

Muitos anos mais tarde, na Academia Militar, como infra (designação dada ao novo aluno que, segundo a tradição, estava n furos abaixo de cão, mas vários acima de polícia), a coisa fiou mais fino. Estava-se em regime de internato (não havia para onde fugir) e a escola, por intermédio dos seus oficiais, fingia que não aceitava a praxe mas olhava sempre para o lado mesmo quando a praxe se exercia debaixo dos seus bélicos bigodes. E, além do mais, durava todo o primeiro ano.

Como eu, já nessa altura, não tinha pachorra para grandes conversas, para grandes filosofias, fui dos mais praxados do meu ano. Melhor dizendo, fomos dois os mais praxados nesse ano, e de longe.

Como tinha bom cabedal, as cambalhotas à volta da parada, os mergulhos na vala (cheia de água lamacenta), o "rastejar até mim!", as quedas faciais e as flexões que se lhe seguiam pouco me afectavam; em boa verdade até me endureciam o coiro e me tornavam menos vulnerável àquelas actividades. Por outro lado, como a cabeça nunca me funcionou mal (enfim, pelo menos para questões de aprendizagem) o aproveitamento escolar pouco se ressentia com a sanha praxística que eu atraía com as bocas (e os olhares) que mandava...

Dois exemplos:

O pessoal de Artilharia estava muito divertido (e bebido) pois comemorava-se o dia daquela arma. Alta madrugada, os alunos do 2º ano resolveram acordar os infras para despejarem uma arenga avinhada sobre as virtudes da Artilharia, sobre o Mouzinho, etc, etc, etc. Eu estava, obviamente, com uma valente cara de chateado e, como de costume, não me dava ao trabalho de disfarçar. Um artilheiro bonacheirão (realmente, um tipo porreiro) chegou-se a mim e, fraternalmente, aconselhou-me, em voz baixa, a por um ar menos chateado, pois eles estavam a comemorar, estavam satisfeitos, que diabo, era o dia da Artilharia! Resposta minha, imediata: eu estou-me cagando para o dia da Artilharia!

Sacrilégio! Nunca se tinha visto tal desaforo! Passei o resto da noite a ser praxado e nas noites seguintes, depois do jantar, quando o pessoal ia para a sala de estudo, eu ia para a sala da Artilharia onde me dedicava a rastejar à volta da sala, a fazer flexões e cambalhotas, etc, enquanto os outros estudavam, ou liam romances. Até que, uns tempos depois, se fartaram.

Outro caso engraçado, foi quando, não me lembro a que propósito, estava a ser praxado por um repetente (os repetentes tinham o direito de praxar os infras - nunca percebi se teriam alguma coisa a ensinar-lhes...) e eu, provocador, aconselhei-o a ir estudar pois no dia seguinte tinhamos um teste de Geometria Descritiva e ele até tinha uma série de negativas. Ele não gostou do meu atrevimento, em boa verdade ficou fulo, e a sessão de praxe prolongou-se. No dia seguinte fez-se o teste e quando saíram as notas, eu terei tido 16 ou 17 (habitual, para mim, naquela cadeira) e o desgraçado, a negativa habitual. Claro que não podia deixar passar a oportunidade de o gozar (discretamente, claro) com qualquer coisa como: eu não lhe disse que era melhor ter ido estudar, eu não lhe disse?! Isso valeu-me mais umas sessões de praxe, mas ficar calado e engolir, isso é que não!

Já no fim do 2º ano (portanto em princípio já fora da alçada habitual das estruturas da praxe) fui a julgamento de praxe por, segundo a acusação, ter provocado a expulsão de um colega mais velho na casa, para me vingar das praxadelas com que ele me teria mimoseado. A acusação era falsa, para além de vir de um pateta a quem (esse sim), nos tempos de infra, eu votava uma visceral antipatia pela forma parva, idiota e cretina como praxava. O que se passara foi que um sujeito que só queria "putas e vinho verde", mau aluno, repetente, faltoso e beberrão, (se bem que bom homem) estava a um passo de chumbar o que aconteceria se tivesse mais faltas ou um castigo que fosse. Eu tinha, nessa altura, uma posição de chefia (era chefe de camarata) e ele faltou à formatura da noite sem dizer água vai: nem sequer teve a atenção, ou simplesmente o tino, de mandar dizer que estava "ao golpe" e que eu não lhe marcasse falta, nada! Naturalmente, marquei-lhe falta e ele foi castigado, chumbou o ano, como era o segundo chumbo foi expulso da Academia e foi incorporado como soldado. Daí a acusação que me foi feita.

No julgamento de praxe fui defendido pelo Antas da Cunha (o tipo dos petróleos ANKA) e, se bem que a acusação não tivesse sido dada como provada, fui condenado a não praxar durante três meses. Pouco me importou - a minha acção como praxador era, entre outras coisas, esconder debaixo da minha cama os mais perseguidos pelos praxadores...

Enfim, basta de praxe, basta de MERDA!

Disse!

Wednesday, May 28, 2008

DEEP, MAN, DEEP!!!

Das bocas mais giras mas com muito que se lhe diga que ficaram dos tempos da guerra colonial, algumas trocadas/importadas do maio de 68 (com letra pequena para evitar confusões...) recordaram-me uma que não me passava pela cabeça há uma porrada de anos e que aqui deixo sem comentários. Esses, só à parte, no sítio próprio:

É MAIS FÁCIL MILITARIZAR UM CIVIL DO QUE CIVILIZAR UM MILITAR.

Tuesday, May 13, 2008

Uma no cravo outra na rapariga...

Porra! Ainda ontem falava de esperança para o mundo muçulmano e hoje, porra, porra!!!

No Público vem a estória de uma família Iraquiana em que uma miúda de 17 anos terá andado a curtir (enfim, foi vista com) um soldado irlandês da força internacional.

Os homens da família não foram de intrigas: o pai e os irmãos foram-se a ela e mataram-na à porrada: o pai ter-lhe-á posto a bota no pescoço, contra o chão, e os rapazes fizeram o resto.

O artista esteve preso durante uma hora e, liberto que foi, desabafou que devia ter morto a miúda logo à nascença para evitar toda esta vergonha!

Pelo que se passa na região com os crimes de honra (?!) não é de esperar que pai e filhos venham a ser incomodados. Até se espera que, depois de uma longa e venturosa vida, se finem em paz e em paz se encontrem no Paraíso com as 72 virgens (sempre a subir!!!) a que todo o bom muçulmano tem direito.

E eles são bons muçulmanos, sem sombra de dúvida!

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Só não se sabe bem o que farão às virgens paradisíacas, mas é de esperar que delas se sirvam à discrição, com o apoio e compreensão da mesquita e da tradição.

Louvado seja Deus, carago!

Sunday, May 11, 2008

É o maravilhoso mundo Muçulmano...

A catraia da foto, Sally al-Sabahi, de 10 aninhos, está a provocar um turbilhão dos diabos no mundo muçulmano. Só visto!

Para os distraídos, aqui vai um esboço da estória: há uns tempos atrás a miúda foi vendida pelo pai para casar com um noivo de 25 anos. O tipo, tocador de tambor, achou que a miúda já estava pronta para a festa e o resultado foi que 3 dias depois de ir para casa do marido/dono a miúda fugiu e foi a tribunal pedir o divórcio, que lhe foi concedido.

A advogada que a defendeu em tribunal já tem mais algumas "clientes" (pro bono, claro) com idades semelhantes à da Sally, todas pretendendo ver os maridos/donos pelas costas.

A sharia considera mulher toda a catraia menstruada e não há meio de se conseguir estabelecer na lei "civil" uma idade mínima para este tipo de actividade. Escusado será dizer que, estando casado e dentro do lar, o marido pode servir-se à discrição que não está a pecar nem a violar a lei. Pelo menos a lei não está a violar...

Esta venda das raparigas também se faz em África, em que o pretendente ajusta com o pai da noiva uma determinada quantia, o alembamento (dinheiro, gado, roupas, bebidas, etc, consoante os produtos da zona e os gostos do vendedor); na Europa, a coisa era um bocado diferente: em vez de se encarar a rapariga como um bem, que podia (e devia...) render alguma coisa ao pai, na Europa, dizia eu, a rapariga era vista como um fardo e o pai tinha que pagar (era o dote) para se ver livre dela. Se não tivesse dote, ninguém lhe pegava e acabava no convento ou no lupanar; as mais felizes lá iam ficando para tias ... cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso (e roda a boneca!!!).

Sobre a Sally, pesquem mais em http://www.yobserver.com/editorials/10013811.html

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Não obstante o título que usei, a verdade é que parece que o mundo muçulmano está a mexer: existir uma advogada que faz frente à tradição e à mesquita é um sinal muito, muito positivo, que merece destaque e apoio!

Thursday, May 08, 2008

Bob Geldof e a África

O rapaz Geldof, com toda a autoridade moral que lhe dá o seu estatuto de bonzinho, resolveu aproveitar as luzes da ribalta acesas sobre o seu toutiço, no Pestana Palace, para descarregar um chorrilho de acusações tolas sobre "os governantes criminosos de Angola", sobre as casas em construção ao longo da costa de Luanda, as mais caras do mundo, segundo ele, mais caras que em Chelsea, "mais caras que um terreno de 1200m2" (esta unidade de preço desconsertou-me, confesso).

O rapaz não sabe, nem lhe deve interessar, que "este governo de criminosos" conduziu o país durante décadas de guerra alimentada pelas mentes bem pensantes deste mundo que viam em Savimbi uma luminária dos direitos humanos, o homem capaz de dar aos angolanos a "paz e o progresso" a que teriam direito.

Mas, enquanto a sua hora não chegava, o "ocidente" ia-lhe dando armas para ele, metodicamente, ir destruindo o país (pontes, estradas, centrais electricas, rede de alta tensão, institutos de investigação (um,pelo menos) etc, etc, etc, etc, etc). Por seu lado, "o governo de criminosos" era sujeito a um embargo de armas e de tudo o que pudesse ajudar ao esforço de guerra, obrigando-o a comprar a pronto, mais caro e em cash tudo o que necessitava para combater as tropas de Savimbi, ainda por cima encostado à querida aliada África do Sul (a do apartheid, não a de Mandela). Como dizem os franceses, qui se ressamble, s'assemble...

O poder e a riqueza dos generais enviados em missões de aquisição com malas de dinheiro (o tal cash...), como não podia deixar de ser, empolou a olhos vistos...

Como andei a dizer e escrever durante anos e anos, a solução para a guerra era matar Savimbi, tout court, pois a UNITA nunca foi mais que uma coutada sua, criada à sua imagem e semelhança, sistematicamente "desbastada" de todos os que pudessem fazer sombra ao Muata. Matá-lo pouparia anos e anos e guerra, mortes e destruição.

Mesmo perdendo as eleições, controladas pela ONU, com a falecida Margaret Anstee à frente, o velho cabrão persistiu na guerra, numa posição muito melhor que antes das eleições pois usou o processo eleitoral para expandir os seus domínios, espalhando as suas tropas por todo o território. Recordem-se gentes!

Morto o velho filho de puta, a guerra acabou na hora (eu não fálei?!) e a UNITA remeteu-se, finalmente, à dimensão e função de partido político.

Nestes poucos anos desde a morte daquele que arde (certamente) nas profundas do inferno, Angola transfigurou-se: pagou a dívida externa (creio que toda), reconstruiu grande parte das estradas (os orçamentos dos chineses eram muito inferiores aos das empresas portuguesas e francesas...), está em vias de concluir o restauro dos caminhos de ferro, grande parte das escolas e hospitais estão ou estiveram já em reconstrução ou beneficiação, a agricultura e a indústria estão, mais lentamente, a recuperar, uma classe média de empresários cheios de iniciativa desponta e prospera criando riqueza e emprego. O PIB cresce consistentemente a taxas de dois dígitos, na casa dos 20%, e, o que é melhor, só cerca de 50% desse crescimento tem raíz no petróleo!

Claro que o modelo "capitalista" não agrada à rapaziada de esquerda, que continua a sonhar com o "socialismo africano", que tão bons resultados tem dado ... (raio, não me lembro onde!), e descarrega a sua frustração sobre a "cleptocracia" ou o "governo de criminosos", como o pateta do antigo músico, agora rapaz bonzinho prefere chamar.

Ah! os antigos retornados vêem este desenvolvimento com um genuíno despeito: pudera, estavam à espera que, depois da guerra, o governo angolano "os chamasse" para ajudarem a por a economia nos eixos, que eles não conseguiam, sem essa preciosa ajuda...

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Há quem viva no mundo da Lua e vive infeliz, ainda por cima...

Tuesday, May 06, 2008

O Jardim dos Finzi-Contini

Leiam o 2º comentário em:

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2007/10/bcp-jardim-dos-gonalves.html#comments

Se puderem, (re) vejam o filme Il giardino dei Finzi-Contini.

http://www.imdb.com/media/rm650353664/tt0065777

Um filme belíssimo, a rever, principalmente se foi parte da vossa juventude...

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Tenham à mão a manga da camisa, para usar disfarçadamente ou a caixa de lenços, se estiverem sozinhos ou se tiverem estatuto para chorar em público...

Saturday, May 03, 2008

A saúde não pode ser um negócio (ai, não?!)

O Presidente do Tribunal de Contas, compagnon de route da malta de esquerda que viria a fundar, filiar-se, fundir-se ou dissolver-se no PS, a propósito do fim do contrato entre o Ministério da Saúde e o BES Saúde para a gestão do hospital Amadora Sintra, saíu-se com o one million dollar point que nos atiram de longe em longe: a saúde não pode ser um negócio e a gestão pública da saúde deve apenas visar a prestação do serviço público e não a obtenção de lucro.

Como diria o saudoso Barbeiro: palavras inúteis!

Realmente, qualquer bardamerdas de argumentação titubeante se lembrará de pronto que o negócio dos médicos e das clínicas privadas, o serviço que prestam para obter lucros é, precisamente, a saúde.

E se quisermos, pudicamente, fugir ao conceito de lucro, podemos sempre dizer que a prestação de serviços de saúde por médicos e clínicas privadas (farmácias, ervanárias, parteiras, bruxas, endireitas, etc, etc, etc) se faz em troca de uma remuneração que dará para pagar as despesas necessárias para prestar o serviço e sobra a remuneração que o médico (ou colega) leva para casa e a clínica lança na sua contabilidade (ou não...).

Então e os hospitais públicos não podem gerar lucros? Como diria o inefável Boshoff: quer dizer depende, não é?!

Se o hospital tiver uma gestão independente do Ministério a quem presta contas a prazo superior a um ano, é claro que poderá gerir as verbas (receitas próprias, subsídios, etc, etc) de modo a acumular, se para tanto tiver unhas, resultados positivos (os "famigerados" lucros) durante dois ou três anos para poderem comprar um aparelho de TAC ou um gerador melhor para o bloco operatório.

Mas há uma outra forma de gerar lucros e melhorar os serviços: contratar uma empresa especializada em gestão hospitalar, fazer melhor com menos dinheiro e chegar ao fim do ano com contas equilibradas, depois de retirada a remuneração pelo serviço prestado (refiro-me ao da gestão do hospital).

A rapaziada de esquerda dirá que o hospital deu lucro e que a empresa gestora se apropriou, indevidamente, desse lucro. Dirá mais: que o que a empresa gestora fez, os kamaradas funcionários públicos também teriam feito, se lhes tivessem sido dadas condições...

. . . . . . . .

Há malta que nunca aprende, mesmo com o livro à frente do nariz!

Tuesday, April 29, 2008

25 de Abril

Poucas coisas me agradam mais no 25 de Abril que ver a "malta nova" a borrifar-se para ele de alto e de repuxo: realmente, para quê ligar a uma data que assinala, simplesmente, a reposição da normalidade?

Embandeirar em arco por deixarmos de ter colónias?! Não era assim em toda a Europa há uma porrada de tempo?

Embandeirar em arco por um regime retrógrado, sacrista e autoritário ter sido deposto, permitindo-se que a democracia representativa se instalasse? Não era assim na Europa ocidental há uma porrada de tempo?

Embandeirar em arco pela Liberdade, quando a Liberdade recém adquirida esteve quase a perder-se às garras dos que se auto intitulavam anti fascistas?

Embandeirar em arco em 1974, ah! isso sim, sem dúvida nenhuma!

Mas 34 anos depois?! Ainda por cima para ver e ouvir o Pedro Barroso, gordíssimo, a cantar a Menina, que lhe vem despertando (nos últimos 30 anos!!!) vontades marinheiras de atracar?!

Por amor de Deus!

Vai tudo no mesmo saco???!!!

Há poucos dias li sobre um inquérito feito nos States em que os inquiridos opinavam sobre a pena a aplicar a pedófilos: a esmagadora maioria "ficava-se" pela prisão perpétua a qualquer pedófilo. Os mais entusiastas "mandavam-se" para duas penas de morte!

Não me espanta tanta falta de imaginação: entre os meus amigos e outros próximos mais chegados predomina a ideia (?) de que um pedófilo é um ser horroroso que só não leva com a pena de morte em cima porque os meus virtuosos amigos e próximos mais chegados não são adeptos dessa bela forma de evitar reincidências e outras formas de persistente contumácia, Mr Pleonasmo que me desculpe.

A mim, não espanta (antes pelo contrário) que o Hitler possa muito bem ter sido um excelente colega de mesa e sabe-se lá de que mais, o que não o impediu de ser "pouco simpático" com os judeus, ciganos e outras minorias incómodas e de mau porte, como diria o saudoso conde de Lippe.

Espanta-me, sim, que um tipo seja tão cego, tão estrábico (... tão burro!) que não seja capaz de escalonar qualquer crime, qualquer comportamento "esquisito", de modo a dimensionar uma pena em função da gravidade do crime.

Parece-me óbvio que violar e estrangular uma criança é muito mais grave do que convencê-la (com arte, papas e bolos...) a deixar-se sodomizar, sem violência.

Por sua vez, menos grave do que isso será dar uma nota de cinco euros e mais uns rebuçados a um puto de doze anos para que ele deixe que o velho pedófilo lhe faça um bóbó. Beira Alta, salvo erro, cinco anos de choça, quase o dobro do "casal" que matou uma miúda (enfiando-lhe aguardente no bucho) para ela não interferir nas copulações, felações, enrabações e outras relações, sobre a mesa da cozinha. Sinal claro dado pelos doutos juízes:

é mais grave fazer um bóbó a um puto do que matar uma miúda...

E, menos grave do que isso, é ter um computador cheio de fotografias de putos nus, em poses "motivadoras", sem nunca ter tido a coragem (ou o que quer que tenha faltado) para aliciar algum alfenim a chegar a vias de facto, no remanso acolhedor de um motel de terceira classe.

Por sua vez, menos grave que isso será tudo se passar dentro da cabeça do pedófilo, num mundo de sonhos e devaneios. Será este (ainda) um pedófilo?

E que dizer duma puta que avia um cliente de 13 anos, levado (quem sabe?) pelo tio, para se iniciar nas galantes lides da alcova? Quem (da minha geração) não sonhou que uma tia mais nova, ou uma prima mais velha, ou a sopeira (ou, supremo prazer: uma professora "amiga") se dignava a dar-nos uma balda (sshhhhhh, não digas nada a ninguém está bem?!)? Quem?!

Hoje, a puta que nos iniciou seria, certamente, considerada uma terrível pedófila que terá traumatizado imenso (ahahahahah!) um rapazelho de quem abusava (!!!) e a quem (ainda por cima!) levava dinheiro.

Nunca percebi a fixação que a padralhada tem com o sexo (entenda-se: em regular o sexo alheio); muito menos percebo que pessoas "normais" funcionem como atrasados mentais quando entram em cena crimes sexuais, em particular sobre crianças.

É tudo o mesmo?! Tudo prisão perpétua?!

QUADRÚPEDES!!!

Thursday, April 17, 2008

Que la bête meure! (mais l'homme aussi)

Um colega acordou-me há pouco do torpor do sofá com uma notícia que considerei espantosa e para a qual me apressei a buscar confirmação no Expresso On Line. Era verdade:

"Lisboa, 17 Abr (Lusa) - O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, anunciou hoje que vai solicitar, na próxima semana, ao Conselho Nacional do partido, a convocação de eleições directas para 24 de Maio, às quais não se vai candidatar. "Vou solicitar, na próxima semana, ao Conselho Nacional, que convoque directas para 24 de Maio. Não estou na corrida", afirmou numa conferência de imprensa na sede do PSD em Lisboa, em que os jornalistas não tiveram direito a colocar perguntas. "Reconheço que não consegui vencer estas contrariedades [críticas internas no partido] e assumo a inteira responsabilidade. Para mim chega, basta", sublinhou. A conferência de imprensa teve lugar no mesmo dia em que o deputado Aguiar Branco declarou, em entrevista à revista Visão, que pretendia desafiar Luís Filipe Menezes na liderança do partido, garantindo ainda estar disponível para tentar derrotar José Sócrates nas legislativas de 2009."

Isto é absolutamente espantoso: o morcão que veio de Gaia que, até assumir a presidência do PSD, só se tinha feito notar como um notável regionalista e populista nortenho, sempre a sublinhar as virtudes (?) da malta e das coisas do norte, para além de disparar para todos os lados e para tudo o que se mova, o morcão, dizia eu, anunciou que vai espontaneamente deixar a presidência do PSD.

Espero que a "nação" PSD saiba aproveitar a oportunidade que lhe é dada de corrigir a mão e varra, de uma vez por todas, a tralha que veio agarrada ao homem de Gaia, a começar pelo inimaginável Ribau Esteves.

Já imaginaram a gentalha que iria guarnecer as bancadas do PSD na AR, nas Assembleias Municipais e nas de Freguesia se as listas fossem feitas pelo Meneses, Santana, Ribau e companhia?!

Safa!!!!

Wednesday, March 19, 2008

A GLOBALIZAÇÃO E OS CALL CENTERS

Estava convencido que já cá tinha posto esta pequena maravilha. Não tinha, de modo que aqui vai:

A noite passada estava deprimido e liguei para o SOS Voz Amiga (800 20 26 69).

Fui atendido por um call center no Paquistão...

Disse-lhes que me queria suicidar.

Receberam a notícia com entusiasmo e perguntaram-me se sabia conduzir um camião.

Monday, March 17, 2008

O AMOR É...

Quem me lê de vez em quando sabe bem que considero o Júlio Machado Vaz e a Ana Mesquita uns queridos. O programa deles, "O Amor é...", é uma delícia!

Depois do lapidar "o Amor é como o Bridge: se não se tem um bom parceiro, é bom que se tenha uma boa mão", saíram-se hoje com uma estoriazinha deliciosa:

A criada pede um aumento à Senhora, que não vê motivo nenhum para a aumentar, estando ela a servir há uns três meses, apenas. Diz a moça:

- Mereço o aumento por três razões. A primeira, é que passo a ferro melhor que a Senhora.

- Ora essa, diz a Senhora. Quem disse?!

- Foi o Patrão. A segunda razão é que cozinho melhor que a Senhora.

- Essa é boa! Quem lhe disse tal despautério?!

- Foi o Patrão. A terceira razão é porque sou melhor na cama que a Senhora.

- Oh! Não me diga que também foi o Patrão que lhe disse isso!

- Não, não, quem disse foi o motorista.

Conseguiu um belo de um aumento!

JORNAL APOIAR Nº 50 - EDITORIAL

Marques Correia

Deixem-me começar por uma declaração solene, para marcar terreno e evitar más interpretações, lá mais para a frente: não sou monárquico! Também não sou republicano! Sou por regimes democráticos, pouco me interessando se são presididos por um rei, se por um presidente. Não tenho dúvidas de que preferia viver em Inglaterra ou em Portugal a viver no Zimbabwe ou na Arábia Saudita. Também preferi viver no Portugal de Salazar a viver, por exemplo, na União Soviética ou na Albânia; mais vale pouca liberdade do que nenhuma.

Posto isto, fiquei pior que estragado quando no meu País se evocou uma data histórica, o assassinato de um Chefe de Estado Português, e uma parte significativa de nós recusou a participação das forças armadas.

Porquê? Porque esse Chefe de Estado era um Rei e com isso o deputado Martins (uma espécie de porta voz desse espírito mesquinho e anti patriótico) receia que, com essa participação, estivessemos a defender a Monarquia! Isto, meus amigos, quase cem anos (CEM ANOS!!!) depois da implantação da República! No entanto, celebramos, na calma, D. Afonso Henriques, com tambores e fanfarras da tropa, ou não fosse ele o patrono do Exército. O deputado Martins, se calhar, também gostaria de proscrever D. Afonso Henriques?! Ninguem sabe o que vai naquela cabecinha oca...

Para não ficarmos completamente mal na fotografia, valeu-nos o Presidente Cavaco que não terá tido dúvidas em presidir à inauguração da estátua que honra o Rei D. Carlos, o Chefe de Estado a que ele sucedeu 100 anos depois, com alguns espécimens, no mínimo, duvidosos, pelo caminho. Haja juízo e vergonha, quando falta tudo o mais!

Em Timor, a contemporização deu os seus frutos: o major Reinado foi deixado à solta como se a sua recusa em acatar a ordem democrática vigente fosse coisa de relevar. O homem deve ter-se sentido legitimado para defender as suas ideias (se calhar referia-se a elas como “ideais”...) e ei-lo aí à frente de um bando armado a dar um golpe de estado (?), começando por tentar matar o Presidente e o Primeiro Ministro do jovem País.

Felizmente foi travado (e morto) mas o seu funeral mostrou bem que tinha seguidores que o consideram uma espécie de herói e que são muito capazes de alinhar com outro aventureiro qualquer que apareça a clamar contra a “ocupação estrangeira”.

No meio disto tudo, espero que a nossa rapaziada (GNR, PSP, professores, etc) continue a ajudar o novo País a erguer-se e prosperar. E, de caminho, que limpem o País de outros Reinados que apareçam a querer reinar a ferro e fogo sobre os seus desventurados concidadãos. (...)

Sunday, March 16, 2008

AINDA A "COISA" DOS PROFESSORES E SUAS ESCOLAS

Por me parecer de algum interesse para quem se interessa por estas guerras, transcrevo para aqui uma intervenção que fiz num outro local (http://groups.msn.com/antigosdoliceusalvadorcorreia), que vem no seguimento do post "As duas Reformas", publicado aqui, há uns dias atrás.

"... com um bocadinho mais de tempo (hoje, pelo menos) para estas lides, deixem-me dizer um bocadinho mais do que o que disse (tentei, pelo menos) na minha primeira intervenção neste fio.

Não morro de amores pelo PS (sou um PSD serôdio, ai de mim!), nem pela ministra. Confesso um certa simpatia pelo Zé Sócrates, pelo menos desde a sua luta frontal e persistente (se calhar teimosa) em prol da co-incineração a qual, oito anos depois (só agora), está a triunfar em toda a linha nos vários processos que vão chegando ao Supremo. Aleluia!!!

Confesso também a minha simpatia pelos professores, em cujo colectivo tenho uma irmã (a única) e muitos amigos. Além dos laços de sangue e de amizade (também uma espécie de laços de sangue...) são pessoas que admiro, estimo e respeito. A irmã em particular.

Contudo...

Contudo, não posso deixar de usar a cabecinha para pensar (se calhar porque não uso chapéu) e preocupar-me muito com a falta exasperante de resultados do nosso sistema de ensino.

Como é possível que com tanta gente boa, valiosa, inteligente e etc que tem passado pelo Ministério e pelas escolas o ensino seja a merda que é?! Merda mesmo, é só ver as estatísticas que nos permitem comparar resultados com os de outros países menos "modernos e ocidentais" e que utilizam muito menos recursos que nós (quer em % do PIB per capita quer, alguns deles, em valor absoluto) para os obterem?

E aqui, chegamos ao outro nó da questão: como é que raio se desperdiça tanto dinheiro, tantos recursos (humanos, nomeadamente) sendo o País a choldra que é (esta da choldra é em homenagem a um amigo meu, não ao nosso antigo rei)? Por que é que não se gasta com mais rigor, com mais parcimónia, com mais controlo e responsabilidade?!

Os maus resultados (maus, uma ova: péssimos!) e o esbulho dos dinheiros públicos, que vêm de muito longe, pelo menos do 25 de Abril, fazem-me ter, à partida, uma grande consideração e respeito por quem tenta remar contra a maré (leia-se, a ministra) e olhar com lástima e desconfiança para quem reage sempre contra tudo o que venha alterar, num milímetro que seja, a situação existente no mundo do ensino (os sindicatos e, parece-me, a grande massa dos professores).

Claro que considero que a escola pública é "nossa", da sociedade que somos, de quem paga impostos, em particular (quero crer, que todos nós), e não dos professores.

Muito menos dos sindicatos."

Tuesday, March 11, 2008

NOVENA PELA SAÚDE DO SR DR PAULO TEIXEIRA PINTO

No próximo sábado, dia 15 de Março, na Igreja do Campo Grande, conduzida pelo padre Victor Feytor Pinto, pároco daquela paróquia, vai realizar-se uma novena pelo restabelecimento da saúde do Senhor Doutor Paulo Teixeira Pinto.

Durante a celebração, sua estremecida Esposa, a Senhora Doutora Paula Teixeira da Cruz, vai fazer um peditório para complementar a parca reforma atribuída ao seu marido, após saída do BCP, por doença comprovada por Junta Médica.

Convidam-se todos os crentes, paroquianos, pessoas de bom coração e, em geral, todos os depositantes e accionistas do BCP, que lembram os tempos da sua gestão proba e livre de especulações, desvios e roubalheiras, a estarem presentes e a contribuirem com a sua oração e com a sua oblação.

- Que Deus ajude o Senhor D. Paulo!

- Todos: Ouvi-nos Senhor!!!!!!!

AS DUAS REFORMAS

Tenho-me divertido bué com estas guerras do Min Educação (ou lá como se vai chamando, com o rodar dos tempos), quase tanto como os professores se divertiram quando, em grandes excursões, vieram de cú de Judas até à capital fazer a sua ganda manif. Com o devido respeito, parece que os sindicatos organizaram um evento para figurar no Guiness e toca de fretar autocarros para trazer os felizes participantes dos quatro cantos da parvónia (Lisboa incluída na dita...) para o pic nic de sucesso garantido, avenida abaixo.

Foi giro.

Giro também foram os depoimentos recolhidos, em que cada um estava ali por um motivo diferente, desde a estreia absoluta em manifs (esse era o motivo, na certa!) até às mais variadas reivindicações. Denominador comum, claro "está na hora, está na hora, da ministra ir embora". Não vai.

Os comentadores, nesse dia e na véspera, afinaram por diapasões diferentes, com o VPV a lançar a ideia de que a avaliação dos profs era uma parvoíce, o que eles queriam eram um ethos de excelência. Esta do ethos, vinda do Vasco, presta-se a várias especulações fáceis...

Metendo a minha colherada (que para isso aqui estou), a ministra meteu-se numa alhada do caraças, ao tentar fazer duas reformas ao mesmo tempo, pois é mesmo disso que se trata.

  1. A reforma do sistema de ensino, com o objectivo de melhorar os resultados (péssimos) obtidospelos alunos - diminuir a taxa de abandono, aumentar a taxa de sucesso e melhorar dramaticamente o nível de preparação dos formados.
  2. A reforma do dispositivo do Ministério, com o objectivo de conseguir o funcionamento da "máquina" com menos "energia", isto é, melhorar a sua eficiência, enquanto a outra reforma vai no sentido da eficácia.

A primeira reforma poderia ser feita com muito menos sobressaltos, uma vez que o objectivo é consensual e o caminho para ele, não sendo consesual, poderia passar, quando muito, por questões controversas como aulas de substituição (que horror!!!) e pouco mais. É uma reforma a que é necessário alocar recursos e que podia, sem grandes dramas, ser feita com os professores.

A segunda é um bico de obra que implica a racionalização de meios (fechar escolas com meia dúzia de alunos, ou menos), acabar com a progressão automática dos professores na carreira, passa pelo controlo de efectividade (de presença, pois claro!), por mexer na gestão das escolas (tendencialmente acabar com a gestão colegial por professores e voltar à gestão de um director, professor ou não - nomeado, de preferência, por quem gere todo o dispositivo), passa também por acabar, progressivamente, com sistemas de saúde e segurança social diferenciados para a classe, pelo corte dramático de lugares nas estruturas do Ministério, etc, etc. Esta reforma só muito, muito excepcionalmente poderia ser feita sem uma oposição constante, participada e sentida, mas também organizada, dramatizada e mediatizada, dos sindicatos e da maioria dos professores afectados - todos, principalmente os mais antigos. Fatalmente teria sempre que ser, assumidamente ou não, uma reforma contra os professores.

Para agravar a questão, como a terra não é farta, a primeira reforma carece da disponibilização de verbas libertadas pela concretização da segunda, ou seja, temos um molho de bróculos perfeito e bem atado!

A ministra tem, naturalmente, toda a minha compreensão... que lhe serve de muito pouco.

Sunday, March 09, 2008

MOVIMENTO ESPERANÇA PORTUGAL

Finalmente, o menino Rui Marques, resolveu criar o seu partido. Para já é um movimento, com características mais integradoras que um verdadeiro partido. Mas lá chegará.

Reparo neste rapaz desde os tempos em que era figura de proa do Forum do Estudante, aí pelos anos 90 do século passado, estava eu na FIL, onde tais foruns decorriam.

Depois andou metido em causas meritórias, foi a bordo do Lusitânia Express largar umas coroas de flores ao largo de Timor e acabou como Alto Comissário para a Emigração (o cargo, se não foi esse, foi qualquer coisa do género).

Agora funda um movimento para mobilizar as políticas da Esperança, sem condenar os políticos profissionais nem os partidos tradicionais. Não! Nessa ele não cai, pois viu bem o que aconteceu ao PRD, afinando por esse diapasão.

Numa entrevista a uma das televisões, foi-lhe perguntado quem apoiava, dentre os políticos envolvidos nas eleições espanhola e americana.

Sobre os espanholitos, nem Rajoi, nem Sapateiro - nenhum representa a política da Esperança.

Entre os camones, não tem nada que saber: Obama é o seu homem, aquele que corporiza a política da Esperança.

Bem, para quem não o conhecia, estamos conversados; para quem conhecia a peça, no surprise: de facto, com o percurso do menino Rui estava na cara que ia escolher o mulatinho. Além de ser politicamente correcto, Obama nunca nos disse como pretende levar a cabo as múltiplas revoluções que promete, que mudarão tudo, pelo que resta aos crentes ter Esperança em que ele consiga navegar nas águas turvas de Washington e encontrar o caminho para atingir os meritórios objectivos que indica serem os seus. Se for eleito, claro...

Ora, indicar objectivos nobres e mobilizadores é a coisa mais fácil em política.

Difícil é atingi-los.

ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR

Esta tarde (ontem à tarde, melhor dizendo) um professor, dentro do autocarro que o transportava para a manif da indignação, dizia à televisão coisas de sua justiça e, entre elas, a seguinte pérola:

- (...) na presente conjectura (...)

Não percebi se era congectura, congetura, conjetura, mas soava, distintamente, assim. Que raio queria o ignaro prof dizer? Seria conjuntura? Seria outra coisa?

O que quer que fosse, o pateta fez-me considerar muito, muito adequado um dos slogans mais divulgados pelos sindicatos que produziram a manif. Realmente:

ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR...

Saturday, March 01, 2008

ATENÇÃO MOIRAMA: DANÇAR É PECADO!!!

Mão (muito amiga) mandou-se a estória que transcrevo:

Sexo Islâmico

Um casal muçulmano preparando o casamento religioso, visita um Mullah buscando aconselhamento. O homem pergunta:

Nós sabemos que é uma tradição no Islão os homens dançarem com homens e mulheres dançarem com mulheres. Mas na nossa festa de casamento, nós gostaríamos da sua permissão para que todos dancem juntos, inclusive homens com as mulheres.

- Não! Absolutamente, não! - diz o Mullah - É imoral. Homens e mulheres dançam sempre separados. Definitivamente, NÃO!

- Então após a cerimónia eu não posso dançar nem com a minha própria esposa?

- NÃO - respondeu o Mullah - Dançar com mulher é, e sempre será, proibido no Islão.

- Está bem - diz o homem. - E quanto a sexo? Podemos finalmente fazer sexo?

- É claro! - responde o Mullah... - Alá é Grande! No Islão, o sexo é bom, dentro do casamento, para ter filhos!

- E quanto a posições diferentes? - pergunta o homem.

- Alá é Grande!... Sem problemas! - diz o Mullah.

- E mulher por cima? - pergunta o homem.

- Claro! - diz o Mullah... - Alá é Grande.

- Podemos fazer de quatro, à canzana?

- De quatro?... claro Alá é Grande!

- E oral?

- Sim, sim... sem problemas responde o Mullah. Alá é Grande!

- E na mesa da cozinha ?

- Sim, sim!... Alá é Grande!

- Posso fazê-lo, então, com todas as minhas quatro esposas juntas, em colchões de borracha, com uma garrafa de óleo quente, vibradores, chantilly, acessórios de couro, pote de mel e vídeos pornográficos?

- É claro que pode. Alá é grande!!

- Podemos fazer de pé?

- Eh pá!...Nããããoooo! Nunca!... de jeito nenhum! - diz o Mullah.

- E porque não? - pergunta o homem surpreso.

- Porque vocês poderiam entusiasmar-se, e acabar dançando!!!!!! É imoral. No Islão, homens e mulheres dançam sempre separados.

Pano rapidíssimo.

Sunday, February 24, 2008

E VIVA O PAKISTÃO!!!!!

As eleições no Paquistão foram para mim uma surpresa muito, muito agradável.

Para além da recusa de aval aos militares, o que me parece muito relevante (e surpreendente) foi a "condenação" sem margem para dúvida dos partidos islâmicos radicais, mostrando (sugerindo, pelo menos) que o Islão pode dominar a rua e, certamente, a madrassa mas não consegue impedir as pessoas de pensar pelas suas cabeças e recusar uma sociedade baseada na coacção, no medo ... na Sharia.

Enquanto a população puder votar, nem tudo está perdido!

Wednesday, February 06, 2008

É A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA, ESTÚPIDO!

Já sabia que em Cuba davam muito espaço de antena ao maluko de Caracas, mas não esperava ver tanto disparate junto.

A minha habitual atracção pelo insólito (e para a merda...) fez-me sintonizar várias vezes o canal venezuelano (o oficial, o único, já que o outro não teve a licença renovada); imaginem o que constatei hoje:

Os ministérios mudaram de nome, por uma lei promulgada um destes dias, e os ministros passaram a ter novos títulos. O ministro das Infraestruturas é agora o Ministro do Poder Popular para as Infraestruturas, o dos Negócios Estrangeiros, Ministro do Poder Popular para os Negócios Estrangeiros (enfim, ou Relações Exteriores, wathever), e por aí fora.

Pode?!

Saturday, January 19, 2008

Os novos espeta céus

Os meus leitorzinhos que me desculpem, mas desde que vim do Abu Dhabi ainda não tinha mostrado o edifício mais alto do mundo, motivo de ter dado um salto ao Dubai. Na altura (Outubro, creio) ia nos seiscentos e tal metros e cerca de 160 andares, contados na fotografia, que na coisa real é mais, muito mais difícil de os contar. Aí fica a agulha, o Burj Dubai, com um pormenor da pontinha, ainda a crescer.

By the way, lembram-se, certamente, que o Empire State (NY, anos 30) tem 387 m, a Sears Tower, Chicago, anda pelos 440 m, salvo erro, e as Petronas, Kuala Lumpur, pouco passam dos 450 m. Esta torre é de outro campeonato, claramente...

Vejam detalhes,comparações, etc usando o link junto:

http://www.burjdubai.com/

O que vemos na foto seguinte é uma coisita pequena, com apenas 60 andares, uma ninharia para os tempos que vão correndo, pelo menos nas zonas onde a competição novorrica (existe?) vai fazendo os prédios crescer sempre mais que os do vizinho do lado...

Em Tel Aviv sê Romano

Tel Aviv é uma cidade que mistura o antigo com o moderno, o "ocidental" com o palestino, a segurança com a descontração própria da juventude. A tropa e segurança (não os distingui lá muito bem) é tudo malta muito nova, num mix de gajos com ar de bébé com miúdas giras e novinhas, que vêm de casa para entrar de turno (a tropa trabalha por turnos, ao que me pareceu) trajando à civil mas de canhota na mão, o que lhes dá um certo ar de caçadores de caça grossa.

As mocinhas são giras, morenaças e elegantes (vi pouca gente gorda) mas inflexíveis lá nos requisitos que lhes mandaram verificar. Mas simpáticas, quand même, pelo menos para um cinquentão charmoso (...) mas respeitador (e bué da conversador), como o je. Como devem imaginar (devem?!) não tive lata de sair para a rua de kippa na corneta, mas tinha que comprar uma, claro. A kippa e a mesusa, esta última só mesmo no aeroporto.

Já estou a imaginar a versão revista do "Entra, António, fecha a porta co'a tramelga; vê se não fazes cair a mesusa..."; quem se lembra?

O minarete (sem muezzine nem altifalentes - a mesquita está em obras, com ar de estar fechada há muito) é um toque dos tempos antigos no meio dos prédios altos e modernaços, na zona cosmopolita das praias.

O pôr de sol não podia escapar, claro!

No único bocadinho que tive livre, depois de vários chás de cadeira à espera (bem, não interessa para aqui...) dei uma volta a pé até um mercadão ao ar livre de que, desgraçamente, só fotografei as bordinhas - ainda a relutância atávica em fotografar coisas menos "limpas" ou esquisitas, que vem dos tempos da Angola pseudo comuna... ou ainda mais de trás, uma travadinha que me impediu de fotografar as múmias no museu Britânico (pode?!).

Thursday, January 17, 2008

Os pobres e os profissionais

Estou a ler um livro que me foi oferecido por mão amiga, de um autor indonésio que me era totalmente desconhecido, Pramoedya Ananta Toer, sobre um período negro da história da indonésia - o desvario anti-comunista das duas primeiras décadas do regime do Suharto.

O livro, Solilóquio Mudo, tem muito que se lhe diga e cá voltarei para dizer de minha justiça. Tencionava acabá-lo aqui (em Tel Aviv) mas enganei-me: o tempo que tenho lido tem sido tempo roubado ao sono e a conclusão do dito fica para Lisboa.

Em tempo: cinco horas cinco no aeroporto deram-me mais que tempo para acabar o livro, que recomendo vivamente.

Uma das milhentas estoriazinhas:

Em casa dos pais do autor tinham alojamento os nove filhos, diversos primos e imensos afilhados. Um dia apareceu um mendigo da idade dos filhos mais velhos (12 - 13 anos), esfomeado, descalço (bom, isso também os da casa andavam...) e esfarrapado. A Mãe levou-o para a cozinha, cuidou que se alambazasse, deu-lhe roupa e acabou por lhe perguntar se queria ficar lá em casa, para estudar como os filhos. Ele disse que sim, e ficou.

Só que os filhos da casa, para além de estudarem, trabalhavam nas hortas da família, tinham criação, vendiam no mercado, estavam longe de ter uma vidinha de dolce far niente e foi essa vidinha que partilharam com o novo irmão.

Ao fim de três ou quatro dias o "novo irmão" deu de frosques: trabalhar não era com ele...

Era um pedinte profissional, uma vocação precoce!

A ASAE PRENDEU O CARDEAL

Esta já me tinha sido enviada como proveniente de um pasquim da blogosfera, um tal Jumento. Aqui vai, com a devida vénia, na versão compilada pelo meu amigo Toni:

É a notícia do dia, a ASAE decidiu inspeccionar uma missa na Sé de Lisboa para inspeccionar as condições de higiene dos recipientes onde é guardado o vinho e as hóstias usadas na celebração.

Depois de sugerir ao cardeal que se assegurasse que as hóstias têm um autocolante a informar a composição e a validade e se contêm transgénicos e que o vinho deveria ser guardado em garrafas devidamente seladas, os inspectores da ASAE acabaram por prender o cardeal já depois da missa, depois de terem reparado que D. José Policarpo não procedia à higienização do seu anel após cada beijo de um crente.

A ASAE decidiu encerrar a Sé até que a diocese de Lisboa apresente provas de que as hóstias e o vinho verificam as regras comunitárias de higiene e de embalagem, bem como de que da próxima vez que cardeal dê o anel a beijar aos crentes procede à sua limpeza usando lenços de papel devidamente certificados, exigindo-se o recurso a lenços descartáveis semelhantes aos usados nos aviões ou nas marisqueiras desde que o sabor a limão seja conseguido com ingredientes naturais.

Sabe-se também que a ASAE ainda inspeccionou a sacristia para se assegurar que D. José, um fumador incorrigível, não andou por ali a fumar um cigarro, já que não constando nas listas dos espaços fechados da lei anti-tabaco, as igrejas não beneficiam dos favores dos casinos pois tanto quanto se sabe o inspector-geral da ASAE nunca lá foi apanhado a fumar uma cigarrilha.

Sunday, January 13, 2008

A CASA PIA É UMA MINA!!!!!

Começou mais um processo marginal ao Mega processo da Casa Pia. Agora é o Sr Dr ex-Ministro e ex-porta voz do PS (respeitinho, que o gajo e o mano do gajo processam a malta).

O sr Dr (etc e tal) quer que o Estado lhe passe para as unhas € 600.000,00 (seiscentas mil mocas) por o ter tido preso indevidamente.

O mais caricato é que a coisa está a ser julgada à porta fechada, não vá o Ministério Público explicar por que é que o engavetou e a malta, sempre disposta a perceber mal, ficar com a ideia (erraaaaaaada, claro!) de que o sr Dr tinha mesmo alguma coisa que ver com os enrabanços e companhia.

Não seria mais razoável a coisa ser de porta aberta, para cada um fazer o seu juízo? Claro que o juíz condena ou absolve com base nas provas admissíveis e o pagode julga com base em todas as evidências, ou seja: um gajo é apanhado em conversas explícitas sobre actividades criminosas e as gravações não são falsas nem distorcidas - são mesmo a gravação da coisa real. Mas, se por uma questão "técnica", as gravações não são admissíveis, o tribunal tem que ignorar aquela gravação e toda a informação que ela proporciona, o que pode fazer a diferença entre uma condenação e uma absolvição.

Nos julgamentos à porta fechada, é mais fácil esconder o que não é admissível mesmo que seja verdadeiro, ficando o público apenas coma sentença, mesmo que esta faça vista grossa à verdade, isto é, seja objectivamente errada.

Estranho não é?

A NOVA MITOLOGIA

Aos meus queridos leitorzinhos, para me penitenciar de tão grande baldanço, nos últimos tempos. Aí vai uma estoriazinha:

O Minotauro estava velho e cansado no seu labirinto. O que lhe dava mais prazer, sem grande esforço, era lamber vacas.

Passaram a chamar-lhe o Minetauro.

Thursday, December 27, 2007

E vai uma...

Os bandos de atrasados mentais que acreditam no mito das 64 (ou serão 200?) virgens aguardando-os no Paraíso, depois do martírio, continuam a sua criminosa actividade.

Desta vez foi a Benazir, uma mulher que teve a audácia de "vestir calças" num país em que os tais merdosos têm uma sólida base nas milhentas madrasas piolhosas onde os madrasos cultivam a arte de não fazer nada em nome do Allah.

Quem os coisasse a todos...

Wednesday, November 21, 2007

Sai 200 chibatadas para a violada do canto!!!

Esta nem no Irão do Ayatola Komeini, só mesmo na Arábia Saudita.

Aquele bando de cabrões, padralhada ignara e enfatuada, juízes papa hóstias e lúbricos, condenou uma rapariga violada por sete mânfios a 3 meses de choldra mais 100 chibatadas.

Cada um dos ditos mânfios serviu-se dela, em média, duas vezes (a acusação refere-se a 14 violações) o que lhes valeu entre 1 e 2 anos de prisão. Tadinhos...

Como a rapariga não se ficou, fez estardalhaço e recorreu, os rapagões levaram um pouco mais, entre 2 e 3 anos de prisão.

A malandra da rapariga, por ter tentado influenciar os sereníssimos juízes corânicos (a tal padralhada lúbrica e ignara) com a pressão dos media ocidentais, passou de 100 para 200 chibatadas e 6 meses de prisão.

Perguntarão os meus saudosos leitorzinhos:

- Afinal, qual foi o crime da rapariga? Ser violada é crime?!

- É verdade, responde, pressuroso, o je; faltou dizer isso: a marota estava num carro com um homem que (imaginem!) nem era da família dela (só os dois, vejam lá!!!), quando os brincalhões a abordaram e levaram para local apropriado à função que pretendiam desempenhar e que ela desempenhasse.

Só isso?! Só isso! As brigadas de Repressão do Vício e Promoção da Virtude, que zelam pela pureza dos ares e dos lares naquelas terras duplamente santas, estavam atentas (consta que não dormem!) e não se deixaram enganar, fazendo vista grossa de tão grosseira violation dos bons costumes, só por a rapariga ter sido violada.

Afinal, estava a pedi-las, não era?!

......................

PS: Sua Magestade Sereníssima, a rainha de Inglaterra (e o Papa também...) recebeu e tomou chá com o rei Abdallah da Arábia Saudita (um homem moderno e muito ocidental, dizem), mas o governo Inglês faz um grande estardalhaço por o octogenário, decrépito, racista e putanheiro do Mugabe vir a Portugal à conferência Europa - África.

A política é uma coisa muuuuuuuuiiiiiiiiiiito difícil...

Estariam bêbados?!

Ontem ao fim da tarde apercebi-me de umas cantorias na rua da empresa onde trabalho, em frente à Força Aérea, no Figo Maduro.

Disseram-me que era uma manif por causa da chegada iminente do Hugo Chavez, de visita ao colega e compagnon de route Sócrates, a convite deste.

Imaginei um monte de malta pronta para gozar com o pateta, com palavras de ordem em que o Por qué no te callas?! não deixaria de ter presença marcante.

Fui lá baixo ver e deparo-me com uns cinquenta infelizes sessentões, de ar vagamente intelectual à la gauche, entoando disparates no género de

Chavez, amigo, o povo está contigo!

e

Democracia, sim! Ditadura, não!

A que propósito? Estariam bêbados?!

Que coisa esquisita...

PS: parece que aqui há uns dias, os mesmos cinquenta andaram a comemorar (?!) os 90 anos da defunta revolução de Outubro...

Saturday, October 27, 2007

Carta de candidatura

Esta carta de candidatura (a um cargo que nada tinha que ver com desporto) chegou-me por mão amiga, sabedoura da minha fixação no insólito & fantástico.

Leiam, e não percam o fôlego:

"Carta

O meu nome é XXXXXXXXXXXXXX sou uma pessoa de personalidade muito forte, e ao tornar-me presidente da direcção de um clube complementei-me a nível pessoal nomeadamente conseguindo um espírito de liderança sabendo colocar uma equipa a trabalhar em sintonia, aprender o que é que as outras pessoas estão a pensar com respeito a necessidades, conseguir organizar as tarefas e dar resposta a tudo o necessario gerindo o tempo, conseguir manter a postura quer estejam a falar mal de mim quer bem e falar com essas pessoas conseguindo demonstrar o nosso ponto de vista e reconhecer o ponto de vista deles e conseguir levar as pessoas para o ponto que penso ser o correcto, saber ouvir as pessoas e saber dar uma resposta pensada e pronta às pessoas, gosto de trabalhar em sítios onde ao longo do tempo vá havendo uma evolução positiva das coisas construindo pedra sobre pedra para obter uma estrutura bastante sólida mas estando sempre com a mente muito aberta a novas ideias, considero uma grande falta de respeito o atraso sendo ainda mais grave o não avisar.

Ao ser treinador de ténis de mesa também me permitiu construir uma equipa à qual prefiro chamar de familia na qual me permitiu ter uma relação mais próxima das pessoas (que no lugar de presidente da direcção não deveria ter), onde aparecia problemas de ordem psicológica dos atletas com idades entre os 13 e os 24 anos e ao longo do tempo ia conseguindo resolver tentando que os atletas se conseguissem abstrair desses problemas e se concentrassem naquilo que estavam a fazer, em resumo o irmão mais velho que eles gostariam de ter.

Alem de muito responsável, dedicada, cumpridora dos seus compromissos e que gosta muito de aprender coisas novas as quais são facilmente apreendidas, também sou uma pessoa divertida.

Os meus passatempos são o desporto além do ténis de mesa, o ténis de campo, o basketball desde de muito pequeno que pratico todo o tipo de desporto, gosto de estar com os amigos."

... não foi seleccionado para a entrevista.

CASA PIA - voltamos à mesma!!!

Com o processo longe do fim e os réus cada vez mais "na maior" começam a aparecer notícias de que, como era de esperar, tudo está a voltar à antiga.

E digo que era de esperar por duas razões ponderosas: por um lado, continua, ao que parece, o abandono das crianças "internadas", à "guarda do Estado" e, por outro, a "generosidade" de senhores que "gostam muito de crianças" e têm quem os proteja e quem faça vista grossa (convenhamos que a maioria da população...) a generosidade, dizia eu, deve estar mais forte que nunca, depois de um período de (alguma) abstinência.

Portanto, como diz a minha prima Carolina, junta-se a fome à vontade de comer, na verdadeira acepção da palavra.

Claro que há uma terceira razão: o próprio Estado mostra muito pouco interesse em evitar que as crianças à sua guarda sejam negligenciadas, sejam alvo e depois vítimas de toda a sorte de abusos, maus tratos, etc.

Como dizia Pedro Namora hoje, na televisão, alguém se interessa em ver se os putos faltam às aulas? Se, à noite, estão todos na cama? Caso não estejam, onde estão?

As instituições de recolha de crianças estão hoje a anos luz das do tempo do Dickens, mas, ao que parece, só em condições de "habitabilidade", saúde, alimentação, etc, ditas "materiais".

No mais, as crianças são votadas ao mais vergonhoso abandono, ao mais completo desamparo, sujeitas a praxes violentas e aviltantes, completamente à mercê dos mais velhos e de vigilantes de duvidosos méritos.

Puta de vida!...

STRESS DE GUERRA - TROPAS BRITÂNICAS NO IRAQUE

Do nosso enviado ao Abu Dhabi, Al Marqktoum K'urhreiah, na foto, recebemos o seguinte despacho:

Caros leitores, o jornal Khaleej Times, trazia na semana passada uma interessante notícia, que se transcreve na íntegra, sobre a incidência esperada do Stress de Guerra entre as tropas britânicas no Iraque e Afeganistão. Aí vai!

"Mental health alert for UK troops leaving Iraq

GOVT DECIDES TO INCREASE FUNDING TO 'COMBAT STRESS'

By Luke Baker

LONDON - As Britain prepares to pull hundreds of troops out of Iraq, doctors and nurses at home are get-in ready to treat not only their physical wounds, but also the psychological ones.

More than four years of conflict in Iraq, and six years of fighting in Afghanistan, have taken a toll on the armed forces, both in terms of the number killed - at last count 252 - as well as the number mentally and physically wounded In the past week, the government has taken steps to tackle both aspects of the problem, amid criticism from the families of retuning soldiers and some veterans' groups that not enough is being done to assist those fighting the unpopular wars.

One move was to increase the lump-sum payments made to soldiers severely wounded in attacks to as much as $570,000.

But potentially more crucial in the long term was a decision to increase funding to Combat Stress, a charity that helps veterans suffering from severe war-induced mental conditions. Combat Stress was founded a year after World War I to help servicemen returning with what was then called "shell shock" but today is often defined as post-traumatic stress disorder (PTSD).

The charity has around 8,000 patients on its books including veterans of World War II the Falklands War, the first Gulf War, the Balkans and now Iraq and Afghanistan.

The decision to increase its funding - by a substantial 45 per cent - comes amid evidence that many more soldiers returning from Iraq and Afghanistan are being diagnosed with psychological damage than those returning from previous conflicts.

The reason may be due to soldiers being more willing these days to come forward with their problems, but it is also due to the intensity and unpredictability of today's conflicts "In World War II, a soldier generally knew when fighting was going to happen on a given day and was prepared for it,'' said Dr Nigel Hunt, associate professor of health psychology at the University of Nottingham and an expert in PTSD.

"In Iraq, it's so unexpected Nothing may happen to a soldier for days or weeks, and then on an ordinary patrol, a bomb will go off That unpredictability can be very disturbing'', Combat Stress says soldiers as young as 21 are now coming to it for help as early as 11 months after being discharged from the army.

Before Iraq and Afghanistan, the average time it took people to come forward with problems was 13 years.

Reuters"

Monday, October 22, 2007

Ainda o BCP dos Jardim

Curta e grossa:

A CMVM pergunta a Jardim Gonçalves se deu 12 milhões ao filho, ele responde:

OH PUIS DEI !

(enviada pelo meu amigo Tony, sempre acutilante)

Sunday, October 21, 2007

Sc'AIRBUS...

Cartoon que encontrei no Abu Dhabi, sobre o salão aeronáutico de Le Bourget 2007.

No stand da Boeing havia o seguinte placard:

SAVE! BUY BOEING!

No da Airbus havia outro placard, com a seguinte frase:

BUY! SAVE AIRBUS!

BCP: o jardim dos Gonçalves

Devo andar (ou sou...) bué da tapado porque só agora percebi (?) qual era o problema do Jardim Gonçalves em se agarrar ao poder de forma tão desabitual. O homem chegou ao ponto de correr com um PCA autónomo e independente para colocar lá um pau mandado, o cinzento e obscuro Pinhel que, ao aceitar o cargo no seguimento do longo e conturbado processo que culminou na saída do Paulo Teixeira Pinto, não pode ter qualquer dúvida que a autonomia de que dispõe não é nenhuma. Excepto, e aí tem toda a autonomia, para fazer o que o decrépito engenheiro deseja que se faça.

A série de notícias libertadas ao longo da semana deixou agora claro que o Jardim pretende manter o controlo para aguentar os favores que o banco prestou e continua a prestar aos filhos do geronte, bem como a alguns membros dos vários Conselhos que copulam (perdão, de cúpula) o banco. Realmente era preciso aparecer o desbocado do Joe Berardo para alguém dizer em público, preto no branco, que a percentagem dos lucros com que os administradores & companhia se aboletam é perfeitamente desproporcionada e constitui um verdadeirio roubo aos accionistas.

Agora sabemos que, para além disso, também os amigos e filhos (e o mais que se virá a descobrir, pois o Banco de Portugal e a CMVM estão com investigações em campo) se sentam à mangedoura farta do banco para se financiarem a custo zero em empréstimos com que lançam negócios em que o BCP figura, muitas vezes, como principal cliente.

Para uma organização conotada com a Opus Dei (e com a Opus Gay, segundo se diz à boca pequena...) e para um Banco com o prestígio que o BCP já teve (sim, sim, falo no passado) não está nada mal!

O cartoon do Vasco, publicado no Público de hoje, que aqui se reproduz com a devida vénia, vem mesmo por o dedo na ferida...

Ainda a famigerada classe dos médicos...

Se bem que com muuuuuito atraso, não queria deixar passar em branco mais uma boutade do exemplar de homo (pouco)sapiens que detem o cacete na Ordem dos Médicos.

O Ministro, vendo o que toda a gente já vê desde sempre, resolveu, e bem, começar a moralizar um bocadinho o modo como os divinos físicos (o dr Africano Neto, um verdadeiro cromo, referia-se aos seus pares como os deuses da medicina, os únicos que podem apalpar as vossas mulheres, etc, etc) resolveu, dizia eu, controlar o tempo que os tipos passam no hospital, de uma forma mais efectiva que o livro de ponto.

Com o "ponto" feito pela apresentação da impressão digital, ou pelo reconhecimento ocular, ou outro elemento biométrico, é mais difícil o clínico fazer o ponto de vários dias, de uma assentada, e com as horas de entrada e saída a baterem certo com o horário que lhe é exigido (se alguma coisa se pode exigir a esta gente...).

O caceteiro mor, mais a batucada dos sindicatos, manifestou de pronto a sua oposição a tão absurda (?) forma de controlo que iria fazer baixar imenso a motivação dos médicos. O bastonário afirmou mesmo estar cientificamente provado que a produtividade dos médicos baixa quando a sua efectividade no serviço é controlada de forma tão taxativa. O tipo tem uma cara de pau que me espanta!

Senhor Ministro, não ceda perante esta cambada de cazukuteiros, tipos desqualificados e sem escrúpulos que têm conseguido manter uma situação de pleno emprego e plena impunidade para a classe, enquanto o desgraçado do cidadão tem que se sujeitar a longuíssimas esperas porque suas excelências pouco consultam e pouco operam ... nos hospitais públicos. Em benefício, claro, da sua actividade privada para onde, muitas vezes, o desgraçado do doente é obrigado a passar, para obter um atendimento razoável. Isto, quando tem "disponibilidades", naturalmente.

Até quando?

Médicos: vil razza danatta

Os médicos, mais a sua divina Ordem, deixam-me perplexo com mais frequência do que eu gostaria. Partilho essa perplexidade com os meus devotos leitorzinhos:

Sempre pensei que os médicos acreditavam mesmo na treta de que a sua ética (what?!) era uma coisa que vinha do fundo dos tempos, do juramento do Hipócrates, e que não mudava com duas cantigas.

O actual bastonário (o termo caceteiro assentava-lhe melhor...) considerava há dias ridículo que o ministro da saúde tivesse exigido a alteração do código de ética dos ditos físicos, para o conformar com a lei, no tocante ao aborto; mais dizia que obviamente (?!!!!) isso iria ser feito.

O Expresso de ontem refere nova alteração ao tal código de ética (quê?!) que deixará de condenar a eutanásia (enfim, pelo menos em determinadas condições).

O patético, gágá, ultra conservador e antigo (muuuuuito antigo) bastonário que dá pelo nome de Gentil Martins veio ontem a terreiro, no Público, defender o tal conceito de código de ética imutável que poderia estar em contradição com a lei, obrigando o médico a haver-se com a sua consciência (têm?!) quando realizam actos que, sendo legais e de acordo com o código de disciplina da Ordem, estão em contradição com o código da (tal) ética.

Afinal, em que ficamos?

Por que será que o "padroeiro" dos médicos se chamou Hipócrates? Será coincidência, ou algo mais?...

Friday, October 19, 2007

Outra vez (ainda...) a Casa Pia

A inenarrável Catalina Pestana tem andado nos últimos tempos a dizer umas coisas que me arrepiam, mas a senhora é mesmo uma coisa do outro mundo. Acho que é Deus Nosso Senhor que lhe bufa ao ouvido (ela é freira, ou é aparência?) quais são os culpados, e de quê... enfim, ao menos tem o mérito de nos fazer lembrar que um bando de cabrões (é mais forte que o asséptico "abusadores") continua à solta e a exercer as acções pelas quais os seus membros estão a ser julgados.

O C'uz voltou a apresentar coisas na televisão (ou na rádio, whatever), o gajo do Ferrari continua a apalpar putos no consultório (só maiores de 14 anos, ao que parece), o embaixador continua na sua reforma imperturbada, o Paulo Merdoso continua a sua carreira de servidor do Estado (pela conversa da freira, não percebi se, na ideia dela, ele é culpado ou não...).

Hoje vi, no Correio da Manha, uma notícia mais interessante: após três anos de processo e audiências o fadista João Braga foi multado em € 3.000,00 e foi condenado a pagar ao Pedro Namora nada menos de € 50.000,00 (cinquenta mil euros).

O desbocado fadista (desbocado e marialva: em tempos gabava-se de não saber fazer nada na cozinha - nem estrelar um ovo; nem precisa, claro, já que acha que essa divisão da casa é o reino das "senhoras"...), o desbocado, dizia eu, que é muito amiguinho do réu Carlos Cruz, em 2004, junto à prisão onde o amiguinho estava arrecadado, teceu considerações sobre o Pedro Namora, chamando-lhe palhaço (insulto muito corrente entre a desqualificada malta da bola...) e insinuando que ele teria usado métodos estranhos (que especificou) para financiar a sua licenciatura.

O Pedro Namora não se ficou (e muito bem!) e agora o fadista amigo e defensor de putativos pedófilos vai ter que cair com os carcanhóis, que é para aprender.

Bem feita!

Wednesday, October 17, 2007

Che Guevara foi para junto de S. Lenine Virgem e Martir ha 40 anos

O Kamarada Che, depois de andar a tentar levar a revolucao ao Congo (nao me lembro a qual deles, ou aos dois) foi levar a sua mensagem (a bala, que os Kapitalistas sao surdos) a Bolivia e ai foi cacado e limpo, como era de esperar que sucedesse, mais ano, menos ano.

Que eh como quem diz, mais revolucao exportada, menos revolucao exportada.

Quando estive em Cuba, que fiz questao que sucedesse antes do Castro e Fidel sair (completamente) de cena, trouxe de la uma bela T shirt com a fronha do Che, de boina por cima de uma longa melena, olhos sonhadores (?) e estrela vermelha em destaque. As feiras de artesanato tem sempre a sua barraquinha de icones do Imperio Sovietico, com camisolas as risquinhas da marinha, os quepis do exercito vermelho, os discos com os coros do mesmo, etc, etc.

Para quem cresceu em plena guerra fria, com as guerras de libertacao um pouco por todo o lado, a guerra da Argelia a acabar, a do Vietname a evoluir dos conselheiros ate ao afundanco completo dos camones no delta e no Tet (guerra particularmente intensa no territorio norte americano e nas universidades, um pouco por todo o mundo livre) e assistiu, aliviado, a derrocada do Imperio Sovietico, a queda do muro de Berlim e a reunificacao da Alemanha, a nostalgia desses tempos desculpa (digo eu) que se olhe o bandido que foi Che (responsavel pelas execucoes sumarias dos suspeitos de traicao, na Sierra Maestra, e dos contra revolucionarios pro Batista, dos primeiros tempos do regime castrista) com uma certa bonomia e ate saudade. Se calhar o homem era mesmo um visionario romantico que so queria o bem das populacoes a cujo seio levou a guerra civil - pelo menos tentou leva-la, quem sabe? Nos, na altura, ate achavamos que sim (tadinhos, eramos novos e burrinhos, que fazer?...)

Dequalquer modo, o que o Che representou esta a extinguir-se rapidamente, e ainda bem, pelo que nao faz grande mal usarmos o seu potencial folclorico e estetico para decorar o nosso dia a dia.

Assim sendo, que viva el Che, cono!!!!

O "cono" e o que aparece sem o til. Que chatice!!!