Sunday, July 13, 2008

GANDA MUSSOLINI!!!

E esta, hã!

Sempre considerei, e considero, o Mussolini como uma espécie de ass hole, campónio, arrogante e convencido de que governava um grande país. Meteu-se numa guerra para a qual o país pequeno e atrasado não estava preparado e lá foi, a muito custo, ocupando a Abissínia, depois de um passeio pela Tripolitânia, mas ao meter-se nos balcãs, atolou-se até ao pescoço e teve o tio Adolfo ir em seu socorro para terminar a missão de chegar a Atenas. O resto, até ser pendurado ao lado da Claretta Petacci, é mais que sabido.

Descobri agora que o homem não era parvo de todo - mais uma vez, aí vem o Carlos Té com a sua sabedoria de vida vertida no Lado Lunar: toda a alma tem uma face negra, nem tu nem eu fugimos à regra.

O bom do Benito, pelos vistos (e como era de esperar) também tinha um lado solar, uma face "branca". Aqui fica a pérola (sem gozo):

A POLTRONA E AS PANTUFAS SÃO AS RUÍNAS DO HOMEM

Se eu tiver juízo, é desta que vou deixar de aterrar no sofá, com ou sem pantufas, logo, logo a seguir ao jantar, e amodorrar durante três ou quatro horas em que podia muito bem estar a fazer algo de útil - já que mais não fosse a fazer exercícios (o sudoku?) que atrasem a inexorável decrepitude das célulazinhas cinzentas.

E para quem já entrou no terço final desta vida, é bem importante atrasar esse processo...

Thursday, July 10, 2008

O MAROCAS NÃO SE ENXERGA

Depois de ter sido enxovalhado na sua tentativa de voltar à ribalta, na malograda e risível candidatura às presidenciais, o Mário Soares está a derrapar cada vez mais para os seus tempos gloriosos de gauchiste. Realmente ser contra o Salazar era fácil e ser contra o Caetano, além de fácil, até nem era perigoso por aí além. Bons tempos, dr Soares, bons tempos...

O decrépito ancião descobriu agora que os campos de concentração nazis eram uma espécie de estâncias de férias, com taxa de mortalidade próxima do zero, boa alimentação, boas instalações, actividades desportivas, tempo para rezas, etc, etc, etc, e que os presos que a Gestapo & Cia arrecadavam neles eram bandidos e tipos envolvidos em terrorismo, ou, pelo menos, suspeitos de terrorismo.

Só assim percebo por que carga de água o pateta compara a prisão de Guantánamo com os campos de concentração nazis.

Para um visitante assíduo da sinagoga lisboeta, de kippa e mantilha, é de estranhar esta comparação perfeitamente insultuosa para os judeus que morreram como moscas nos campos de concentração nazis.

Claro que o canastrão queria apenas enxovalhar os odiados americanos, alvo fácil para quem se sente, certamente, órfão do Caetano e do Salazar. O homem parou no tempo - durante a campanha eleitoral, afirmou-se, num comício, como o anti-Salazar.

Fraco trunfo para usar quase 40 anos depois da morte do Botas...

Sunday, July 06, 2008

A PROPRIEDADE PRIVADA

Sempre me causou espanto as pessoas super ciosas dos seus "direitos" que reclamam quando no baldio do outro lado da rua é construído um prédio que lhes tira "as vistas".

Aparentemente, para essa gente, as cidades deviam ser uma espécie de descampados onde cada um de nós teria a sua moradia isolada, com montes de terreno à volta e "vistas" a perder de vista... mesmo pagando apenas o preço de um T2 no 7º andar de num condomínio de 2ª categoria! Isso é que são direitos, carago!!!

Pois a "nossa" Paula Rego está em pé de guerra por o dono do prédio ao lado querer acrescentar-lhe dois andares, que lhe vão fazer um bocadinho de sombra sobre a generosa claraboia que "abastece" o estúdio de luz natural.

Claro que a "nossa" Paula está-se cagando se o PDM lá do sítio permite a obra que o vizinho quer fazer na sua propriedade: a ela só interessa evitar a chatice de ter que procurar outro estúdio, caso a luz natural deixe de ser a ideal, depois da obra do vizinho!

Será que a tótó não se enxerga?! Será que não quer gastar dinheiro para montar um estúdio no centro de uma propriedade nos arredores que lhe garanta que nenhum prédio será construído próximo do seu estúdio?!

Até parece que os estúdios dos artistas consagrados têm direitos de servidão sobre os terrenos circundantes, à imagem do que sucede com aeroportos, paióis e outros que tais!

A fama subiu-lhe à cabeça, tá visto...

Saturday, July 05, 2008

NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

O deputado João Semedo teve do melhor e do pior.

Do melhor: uma proposta, acolhida pela Assembleia, que permitirá aos doentes ter um acompanhante nas urgências dos hospitais. Aleluia! Isto é muito bom, numa altura em que os hospitais públicos são baluartes nos quais funcionários públicos no pior e mais arcaico sentido desprezam o paciente, quando não o maltratam mesmo...

Do pior: o facto de alguns hospitais privados terem 25% da sua receita proveniente de protocolos com a ADSE levou o bloquista a considerar estar perante um caso de parasitismo. O pateta (se calhar basta dizer "o bloquista"...) não percebe que se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) prestasse serviços de qualidade, com prontidão e eficiência, a ADSE e outros serviços do Estado não teriam que proteger os seus utentes enviando-os para a medicina privada. A ministra (aquele olhar de esguelha nunca me enganou) já há umas semanas tinha dado o mote acusando a ADSE de recorrer aos hospitais e clínicas privadas em vez de dar a sua preferência ao SNS.

Nem um nem outro percebem que a preferência tem que merecer-se, em concorrência com outros prestadores de serviços de saúde, e que o dever da ADSE é para com os seus utentes e não para com o tal SNS.

O bando habitual dos amigos da memória anti-fascista (ou coisa que o valha) conseguiu levar à AR uma petição para que fosse proibido o museu Salazar que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão quer construir lá no sítio.

E não é que uma ampla maioria apoiou a ideia de proibir o Museu?! Do BE ao PS passando pelo PCP e seu penduricalho "Os Verdes", toda a esquerda apoiou a ideia de proibir o Museu com a justificação de que a coisa será um templo da extrema direita para branquear o salazarismo.

Claro que o museu será isso mesmo - nunca vi nenhuma casa museu de um determinado Fabiano que se dedicasse a denegri-lo. Claro que o museu vai apresentar, certamente, o que o regime teve de bom e atenuar o que teve de mau. So, what?

Liberdade não será isso mesmo?! Para os esquerdalhos, parece que não...

ANACRONISMO

Esta semana um grupo de pessoas raptadas pelos bandidos das FARC foi libertado, numa operação rocambolesca, aparentemente levada a cabo pelo exército e pela secreta colombiana.

Aleluia!!!

A Ingrid, cada vez menos verde (pudera, seis anos a verdejar na selva converte qualquer verde num adepto ferrenho e comovido da law & order, for god sake!) lá foi até Paris agradecer ao Sarkozy a ajudinha que deu.

Deve seguir-se o abraço ao louco de Caracas... ou talvez não, se ela perceber que o dito louco trata as FARC como um partido político (e dá-lhes dinheiro!) e o governo da Colômbia como bandidos. Vamos lá ver o que ela faz.

Isto faz-me lembrar os meus tempos de extrema esquerda (soft, soft) em que a luta armada parecia ser solução para quase tudo e o Guevara (mesmo morto) até parecia ser libertador de alguma coisa para além de si próprio. Estávamos nos anos 60 e 70 do século passado, a URSS, os States e a China dominavam tudo e parecia mesmo que só à porrada é que alguma coisa mudava.

Mas em pleno século XXI, mesmo na América Latrina, continuar a haver guerrilha de extrema esquerda?! Ainda por cima, financiando-se no tráfico de droga e no negócio dos raptos?! Esquerda my ass, os gajos são bandidos e mais nada ...

Isto é (só pode ser!) um anacronismo crasso, um bando de patetas que parou no tempo e não encontra o caminho do futuro.

What a mess!!!

Wednesday, July 02, 2008

A MAIS MAZINHA DA SEMANA...

A Microsoft lançou uma nova gama de software dirigida a um target específico, tendo começado pelo substituto do Visual Basic: o INVISUAL BASIC.

Saturday, June 28, 2008

SUPERPOWER, MEU!

Enviada pela minha Mais-Que-Tudo, aqui vai uma estoriazinha cheia de verdade.

A NACIONALIDADE DE ADÃO E EVA

Um alemão, um francês, um inglês e um angolano comentam sobre um quadro de Adão e Eva no Paraíso.

O alemão disse:

  • Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.

Imediatamente, o francês reagiu:

  • Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Devem ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:

  • Not a chance! Take a look: a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser Ingleses.

Depois de alguns segundos mais de contemplação, o angolano exclama:

  • Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Só podem ser Angolanos!!!

Sunday, June 22, 2008

O Posto de Trabalho e a job description

Conta-se que na TAP, uma das empresas mais sindicalizadas do país, com pesadíssimas tradições do tempo do funcionalismo público, um visitante ficou espantado ao ver dois trabalhadores da Manutenção a executarem uma tarefs esquisitíssima: vinham da cauda do avião em direcção ao cockpit, na cabina, um abria um painel (um PSU, para ser mais preciso) e, pouco depois, um colega fechava-o. Entretanto, o primeiro tinha aberto o PSU seguinte que o colega, pouco depois, fechava.

O espantado visitante perguntou ao responsável da Manutenção que o acompanhava o que raio estavam eles a fazer. Resposta pronta:

- Estão a fazer o levantamento dos números de série (s/n) dos geradores de oxigénio, que estão dentro dos PSU's. Acontece que o terceiro membro da equipa faltou, mas isso não impede o dois kamaradas de cumprirem o ponto e fazerem a sua parte do trabalho, não é verdade?

Por azar, o kamarada que faltara era precisamente o que lia e anotava o s/n de cada gerador de oxigénio...

Tuesday, June 17, 2008

A TURQUIA E O VÉU DITO ISLÂMICO

O Supremo Tribunal da Turquia parece que está em vias de imitar os Franceses na sua tineta de proibir o véu islâmico.

Sei muito bem (acho que sei) que as mocinhas que militam pelo uso do tal véu o fazem por pressão familiar e religiosa, bebida no leite materno, instilada no ar que se respira lá em casa, na mesquita e na escola. Ou como reacção à imposição que não lembra ao menino Allazinho - as imposições e as proibições estão mesmo a pedir reacções do tipo "estou-me marimbando para o véu, mas vou usá-lo se o quiserem proibir".

Proibir o seu uso (a retórica dos franceses era que a escola pública tinha que ser neutra em relação às religiões, por isso nem cricifixos, nem véus, nem ... etc) parece-me uma atitude que terá feito sentido no tempo do Ataturk, mas que agora não faz sentido nenhum.

Vai-se criar um problema onde nenhum problema existia.

Os islamitas militantes agradecem, claro!

OUTRA VEZ O GENERAL COCA COLA SEM MEDO...

De tempos a tempos, o pessoal lembra-se de um general que se zangou por o Salazar não lhe dar os cargos a que ele aspirava e, vai daí, resolveu passar-se para o reviralho, mas numa posição de chefe, claro!

O livro publicado no cinquentenário das eleições presidenciais de 1958, por um neto do general (ou será já marechal?) Delgado mostra bem a vacuidade do personagem e explica por que é que a sua fundação é uma espécie de clube das IVA's (filha e mãe - sim ainda viva e centenária) em que a filha se tornou na guardiã da memória do Pai - já que pouco há para guardar e pouca gente para a investigar.

O livro do neto lê-se em meia dúzia de horas (saltando a palha que se encontrar sobre as diagonais, claro) e é elucidativo: em 1225 páginas (mais 118 de notas, bibliografia, índice remissivo, etc) metade contam a sua vida de pilar da situação (na página 555, a um ano das eleições, ainda se regista a sua tomada de posse como Director Geral da Aeronáutica Civil), 200 páginas dão conta da sua dissidência, campanha eleitoral e culmina com o exílio na embaixado do Brasil.

O resto é a história empolada da sua acção para liderar a oposição, com um espírito messiânico perfeitamente deslocado e uma convicção, que a realidade se encarregou de desmentir rápida e brutalmente, de que "o povo português" estava com ele e levantar-se-ia contra Salazar se suspeitasse que o general sem medo tinha cruzado a fronteira rumo a Lisboa.

Toda a sua triste acção entre a campanha eleitoral de 58 e o seu apagamento pela PIDE refletem este equívoco quanto à sua importância.

O neto descobre agora que o general não foi morto a tiro, mas à porrada. Brilhante, nos tempos que vão correndo, meter "tortura" no romance só pode contribuir para o tornar mais interessante e vender melhor.

Que coisa triste!

Sunday, June 08, 2008

200.000: ENA TANTOS!!!!!!!

A CGTP & Cia mobilizaram uma data de malta para se manifestar contra o Governo: contra a carestia de vida (pão, brioches, etc) e mais um ror de malandrices que o Sócrates, à revelia da esquerda (?) tem andado a fazer.

E está muita malta (o velho Soares, por exemplo) muito preocupada porque 200.000 gajos é muito gajo, a população deve estar muito descontente com a vidinha. E se calhar está...

O que foi giro é que uma boa parte dos entrevistados, entre os 200.000, era malta de fora de Lisboa, do Alentejo, por exemplo (agarrados pelo sotaque e pela prosápia - com um microfone à frente e com tempo, até poesia nos atiram!), que foram comboiados pela máquina da CGTP/PC para fazerem número na capital, às portas do Sócrates.

Por acaso, até foi num sítio muito mais visível que a porta do Sócrates: o Marquês, a avenida da Liberdade, a baixa.

Já o Salazar fazia a mesma fita, quando queria ter uma manifestação de apoio ou desagravo para mostrar ao pagode e ao inglês. A CGTP aprendeu a cartilha (ou não fossem espinhos do mesma roseira), até porque o Kamarada Secretário Geral, o Dr Manel Carvalho da Silva, deu em erudito, tirou uma licenciatura e um mestrado (pré Bolonha) e até um doutoramento já abichou.

Ora 200.000 gajos é muito gajo, principalmemte quando vistos de perto. Se olharmos de longe (não é de Cacilhas, é da fronteira de Espanha ou de mais longe ainda) os 200.000 são um ponto na paisagem, menos de 2% da população portuguesa, ou seja, um em cada 50 portugueses veio a Lisboa manifestar-se (ok, ok, ou saíu de casa, em Lisboa...) .

Então e os outros 98%, os outros 49 em 50?

Apoiam o Sócrates? Se calhar, nem todos.

Apoiam a CGTP mas não apanharam boleia para vir a Lisboa? Quem souber que o diga, que eu não sei...

Idem, mas acharam que não valia a pena manifestarem-ne nas berças onde vivem? Tampouco sei...

De qualquer modo, os 200.000 arrolados e comboiados, não deixam de ser apenas 1 em cada 50 portugueses.

Os mais velhinhos lembrar-se-ão de que nas eleições de 1975 o PCP, que dominava a rua, os jornais, os sindicatos, o Governo (até ao 5º Governo Provisório), a tropa, etc, etc, se ficou por uns miseráveis 12 ou 14%, isto ao correr da memória.

Ou seja: 200.000 na rua podem ser pouco mais de 200.000 nas urnas.

Ora nas urnas, 200.000 é pouco, meu, muito pouco!

Monday, June 02, 2008

ASSASSINATOS "DE HONRA" NO ADMIRÁVEL MUNDO MUÇULMANO

Leia os mais recentes desenvolvimentos no caso da rapariga morta pelos homens da casa para lavar a sua (deles...) honra.

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2008/05/uma-no-cravo-outra-na-rapariga.html#comments

Veja também http://www.publico.clix.pt/ edição de 2 de Junho, pág 17

Saturday, May 31, 2008

A PRAXE, AS PRAXES

Bem, este não vai ser um post para teorizar sobre as praxes, por falta de pachorra.

Mas o post aqui vai, porque tinha decidido postar sobre este assunto assim que vi, babando-me de gozo, que um bando de cavernícolas foi condenado, ao fim de processo com um bom par de anos, a penas pouco mais que simbólicas por terem praxado uma caloira embolando-a em merda de vaca e outras "brincadeiras" semelhantes.

Realmente, as praxes nada têm que ver com a integração dos novos alunos (caloiros, infras, etc) na Universidade, que para isso não há qualquer necessidade de praxe...

Tem tudo a ver, isso sim, com inculcar nos novos alunos o espírito merdoso que caracteriza a "tradição" dita académica, que faz de um cábula poli-repetente um veterano temido pelos mais novos, e um "dux veteranorum" (ou marechal da praxe) de um idiota precocemente embezerrado pela cerveja.

Só mesmo pela cabeça cheia de trampa de um dux veteranorum, ainda por cima portuense, é que, nos dias de hoje, poderia passar a ideia de que as colegas veteranas não podem usar colete na fardeta dita "vestir de praxe". Cantar o fado e fazer serenatas também não pode ser coisa de mulher e quanto a ser elegível para dux veteranorum, cruzes, canhoto: nunca, mas nunca!

Portanto, de teoria praxal, estamos conversados!

Posto isto, a minha relação com a praxe começou por ser muito pacífica: em Sá da Bandeira, no Liceu Diogo Cão, os caloiros eram praxados nas primeiras semanas do ano lectivo, levavam uma carecada em forma de coroa, havia uns desfiles pelas ruas da cidade (facultativos, certamente, porque não participei em nenhum e nada me aconteceu).

A careca era o símbolo de ter ascendido à categoria de (futuro) doutor, portanto, não só não incomodava como era uma diferença notória em relação à ralé que tinha ido para a Escola Industrial e não para o Liceu. Ora, naqueles tempos, mais do que agora, era muito importante atentar nas diferenças que não nos separavam, mas nos distinguiam (e de que maneira!)...

Muitos anos mais tarde, na Academia Militar, como infra (designação dada ao novo aluno que, segundo a tradição, estava n furos abaixo de cão, mas vários acima de polícia), a coisa fiou mais fino. Estava-se em regime de internato (não havia para onde fugir) e a escola, por intermédio dos seus oficiais, fingia que não aceitava a praxe mas olhava sempre para o lado mesmo quando a praxe se exercia debaixo dos seus bélicos bigodes. E, além do mais, durava todo o primeiro ano.

Como eu, já nessa altura, não tinha pachorra para grandes conversas, para grandes filosofias, fui dos mais praxados do meu ano. Melhor dizendo, fomos dois os mais praxados nesse ano, e de longe.

Como tinha bom cabedal, as cambalhotas à volta da parada, os mergulhos na vala (cheia de água lamacenta), o "rastejar até mim!", as quedas faciais e as flexões que se lhe seguiam pouco me afectavam; em boa verdade até me endureciam o coiro e me tornavam menos vulnerável àquelas actividades. Por outro lado, como a cabeça nunca me funcionou mal (enfim, pelo menos para questões de aprendizagem) o aproveitamento escolar pouco se ressentia com a sanha praxística que eu atraía com as bocas (e os olhares) que mandava...

Dois exemplos:

O pessoal de Artilharia estava muito divertido (e bebido) pois comemorava-se o dia daquela arma. Alta madrugada, os alunos do 2º ano resolveram acordar os infras para despejarem uma arenga avinhada sobre as virtudes da Artilharia, sobre o Mouzinho, etc, etc, etc. Eu estava, obviamente, com uma valente cara de chateado e, como de costume, não me dava ao trabalho de disfarçar. Um artilheiro bonacheirão (realmente, um tipo porreiro) chegou-se a mim e, fraternalmente, aconselhou-me, em voz baixa, a por um ar menos chateado, pois eles estavam a comemorar, estavam satisfeitos, que diabo, era o dia da Artilharia! Resposta minha, imediata: eu estou-me cagando para o dia da Artilharia!

Sacrilégio! Nunca se tinha visto tal desaforo! Passei o resto da noite a ser praxado e nas noites seguintes, depois do jantar, quando o pessoal ia para a sala de estudo, eu ia para a sala da Artilharia onde me dedicava a rastejar à volta da sala, a fazer flexões e cambalhotas, etc, enquanto os outros estudavam, ou liam romances. Até que, uns tempos depois, se fartaram.

Outro caso engraçado, foi quando, não me lembro a que propósito, estava a ser praxado por um repetente (os repetentes tinham o direito de praxar os infras - nunca percebi se teriam alguma coisa a ensinar-lhes...) e eu, provocador, aconselhei-o a ir estudar pois no dia seguinte tinhamos um teste de Geometria Descritiva e ele até tinha uma série de negativas. Ele não gostou do meu atrevimento, em boa verdade ficou fulo, e a sessão de praxe prolongou-se. No dia seguinte fez-se o teste e quando saíram as notas, eu terei tido 16 ou 17 (habitual, para mim, naquela cadeira) e o desgraçado, a negativa habitual. Claro que não podia deixar passar a oportunidade de o gozar (discretamente, claro) com qualquer coisa como: eu não lhe disse que era melhor ter ido estudar, eu não lhe disse?! Isso valeu-me mais umas sessões de praxe, mas ficar calado e engolir, isso é que não!

Já no fim do 2º ano (portanto em princípio já fora da alçada habitual das estruturas da praxe) fui a julgamento de praxe por, segundo a acusação, ter provocado a expulsão de um colega mais velho na casa, para me vingar das praxadelas com que ele me teria mimoseado. A acusação era falsa, para além de vir de um pateta a quem (esse sim), nos tempos de infra, eu votava uma visceral antipatia pela forma parva, idiota e cretina como praxava. O que se passara foi que um sujeito que só queria "putas e vinho verde", mau aluno, repetente, faltoso e beberrão, (se bem que bom homem) estava a um passo de chumbar o que aconteceria se tivesse mais faltas ou um castigo que fosse. Eu tinha, nessa altura, uma posição de chefia (era chefe de camarata) e ele faltou à formatura da noite sem dizer água vai: nem sequer teve a atenção, ou simplesmente o tino, de mandar dizer que estava "ao golpe" e que eu não lhe marcasse falta, nada! Naturalmente, marquei-lhe falta e ele foi castigado, chumbou o ano, como era o segundo chumbo foi expulso da Academia e foi incorporado como soldado. Daí a acusação que me foi feita.

No julgamento de praxe fui defendido pelo Antas da Cunha (o tipo dos petróleos ANKA) e, se bem que a acusação não tivesse sido dada como provada, fui condenado a não praxar durante três meses. Pouco me importou - a minha acção como praxador era, entre outras coisas, esconder debaixo da minha cama os mais perseguidos pelos praxadores...

Enfim, basta de praxe, basta de MERDA!

Disse!

Wednesday, May 28, 2008

DEEP, MAN, DEEP!!!

Das bocas mais giras mas com muito que se lhe diga que ficaram dos tempos da guerra colonial, algumas trocadas/importadas do maio de 68 (com letra pequena para evitar confusões...) recordaram-me uma que não me passava pela cabeça há uma porrada de anos e que aqui deixo sem comentários. Esses, só à parte, no sítio próprio:

É MAIS FÁCIL MILITARIZAR UM CIVIL DO QUE CIVILIZAR UM MILITAR.

Tuesday, May 13, 2008

Uma no cravo outra na rapariga...

Porra! Ainda ontem falava de esperança para o mundo muçulmano e hoje, porra, porra!!!

No Público vem a estória de uma família Iraquiana em que uma miúda de 17 anos terá andado a curtir (enfim, foi vista com) um soldado irlandês da força internacional.

Os homens da família não foram de intrigas: o pai e os irmãos foram-se a ela e mataram-na à porrada: o pai ter-lhe-á posto a bota no pescoço, contra o chão, e os rapazes fizeram o resto.

O artista esteve preso durante uma hora e, liberto que foi, desabafou que devia ter morto a miúda logo à nascença para evitar toda esta vergonha!

Pelo que se passa na região com os crimes de honra (?!) não é de esperar que pai e filhos venham a ser incomodados. Até se espera que, depois de uma longa e venturosa vida, se finem em paz e em paz se encontrem no Paraíso com as 72 virgens (sempre a subir!!!) a que todo o bom muçulmano tem direito.

E eles são bons muçulmanos, sem sombra de dúvida!

. . . . . . .

Só não se sabe bem o que farão às virgens paradisíacas, mas é de esperar que delas se sirvam à discrição, com o apoio e compreensão da mesquita e da tradição.

Louvado seja Deus, carago!

Sunday, May 11, 2008

É o maravilhoso mundo Muçulmano...

A catraia da foto, Sally al-Sabahi, de 10 aninhos, está a provocar um turbilhão dos diabos no mundo muçulmano. Só visto!

Para os distraídos, aqui vai um esboço da estória: há uns tempos atrás a miúda foi vendida pelo pai para casar com um noivo de 25 anos. O tipo, tocador de tambor, achou que a miúda já estava pronta para a festa e o resultado foi que 3 dias depois de ir para casa do marido/dono a miúda fugiu e foi a tribunal pedir o divórcio, que lhe foi concedido.

A advogada que a defendeu em tribunal já tem mais algumas "clientes" (pro bono, claro) com idades semelhantes à da Sally, todas pretendendo ver os maridos/donos pelas costas.

A sharia considera mulher toda a catraia menstruada e não há meio de se conseguir estabelecer na lei "civil" uma idade mínima para este tipo de actividade. Escusado será dizer que, estando casado e dentro do lar, o marido pode servir-se à discrição que não está a pecar nem a violar a lei. Pelo menos a lei não está a violar...

Esta venda das raparigas também se faz em África, em que o pretendente ajusta com o pai da noiva uma determinada quantia, o alembamento (dinheiro, gado, roupas, bebidas, etc, consoante os produtos da zona e os gostos do vendedor); na Europa, a coisa era um bocado diferente: em vez de se encarar a rapariga como um bem, que podia (e devia...) render alguma coisa ao pai, na Europa, dizia eu, a rapariga era vista como um fardo e o pai tinha que pagar (era o dote) para se ver livre dela. Se não tivesse dote, ninguém lhe pegava e acabava no convento ou no lupanar; as mais felizes lá iam ficando para tias ... cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso (e roda a boneca!!!).

Sobre a Sally, pesquem mais em http://www.yobserver.com/editorials/10013811.html

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Não obstante o título que usei, a verdade é que parece que o mundo muçulmano está a mexer: existir uma advogada que faz frente à tradição e à mesquita é um sinal muito, muito positivo, que merece destaque e apoio!

Thursday, May 08, 2008

Bob Geldof e a África

O rapaz Geldof, com toda a autoridade moral que lhe dá o seu estatuto de bonzinho, resolveu aproveitar as luzes da ribalta acesas sobre o seu toutiço, no Pestana Palace, para descarregar um chorrilho de acusações tolas sobre "os governantes criminosos de Angola", sobre as casas em construção ao longo da costa de Luanda, as mais caras do mundo, segundo ele, mais caras que em Chelsea, "mais caras que um terreno de 1200m2" (esta unidade de preço desconsertou-me, confesso).

O rapaz não sabe, nem lhe deve interessar, que "este governo de criminosos" conduziu o país durante décadas de guerra alimentada pelas mentes bem pensantes deste mundo que viam em Savimbi uma luminária dos direitos humanos, o homem capaz de dar aos angolanos a "paz e o progresso" a que teriam direito.

Mas, enquanto a sua hora não chegava, o "ocidente" ia-lhe dando armas para ele, metodicamente, ir destruindo o país (pontes, estradas, centrais electricas, rede de alta tensão, institutos de investigação (um,pelo menos) etc, etc, etc, etc, etc). Por seu lado, "o governo de criminosos" era sujeito a um embargo de armas e de tudo o que pudesse ajudar ao esforço de guerra, obrigando-o a comprar a pronto, mais caro e em cash tudo o que necessitava para combater as tropas de Savimbi, ainda por cima encostado à querida aliada África do Sul (a do apartheid, não a de Mandela). Como dizem os franceses, qui se ressamble, s'assemble...

O poder e a riqueza dos generais enviados em missões de aquisição com malas de dinheiro (o tal cash...), como não podia deixar de ser, empolou a olhos vistos...

Como andei a dizer e escrever durante anos e anos, a solução para a guerra era matar Savimbi, tout court, pois a UNITA nunca foi mais que uma coutada sua, criada à sua imagem e semelhança, sistematicamente "desbastada" de todos os que pudessem fazer sombra ao Muata. Matá-lo pouparia anos e anos e guerra, mortes e destruição.

Mesmo perdendo as eleições, controladas pela ONU, com a falecida Margaret Anstee à frente, o velho cabrão persistiu na guerra, numa posição muito melhor que antes das eleições pois usou o processo eleitoral para expandir os seus domínios, espalhando as suas tropas por todo o território. Recordem-se gentes!

Morto o velho filho de puta, a guerra acabou na hora (eu não fálei?!) e a UNITA remeteu-se, finalmente, à dimensão e função de partido político.

Nestes poucos anos desde a morte daquele que arde (certamente) nas profundas do inferno, Angola transfigurou-se: pagou a dívida externa (creio que toda), reconstruiu grande parte das estradas (os orçamentos dos chineses eram muito inferiores aos das empresas portuguesas e francesas...), está em vias de concluir o restauro dos caminhos de ferro, grande parte das escolas e hospitais estão ou estiveram já em reconstrução ou beneficiação, a agricultura e a indústria estão, mais lentamente, a recuperar, uma classe média de empresários cheios de iniciativa desponta e prospera criando riqueza e emprego. O PIB cresce consistentemente a taxas de dois dígitos, na casa dos 20%, e, o que é melhor, só cerca de 50% desse crescimento tem raíz no petróleo!

Claro que o modelo "capitalista" não agrada à rapaziada de esquerda, que continua a sonhar com o "socialismo africano", que tão bons resultados tem dado ... (raio, não me lembro onde!), e descarrega a sua frustração sobre a "cleptocracia" ou o "governo de criminosos", como o pateta do antigo músico, agora rapaz bonzinho prefere chamar.

Ah! os antigos retornados vêem este desenvolvimento com um genuíno despeito: pudera, estavam à espera que, depois da guerra, o governo angolano "os chamasse" para ajudarem a por a economia nos eixos, que eles não conseguiam, sem essa preciosa ajuda...

. . . . . . . . .

Há quem viva no mundo da Lua e vive infeliz, ainda por cima...

Tuesday, May 06, 2008

O Jardim dos Finzi-Contini

Leiam o 2º comentário em:

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2007/10/bcp-jardim-dos-gonalves.html#comments

Se puderem, (re) vejam o filme Il giardino dei Finzi-Contini.

http://www.imdb.com/media/rm650353664/tt0065777

Um filme belíssimo, a rever, principalmente se foi parte da vossa juventude...

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Tenham à mão a manga da camisa, para usar disfarçadamente ou a caixa de lenços, se estiverem sozinhos ou se tiverem estatuto para chorar em público...

Saturday, May 03, 2008

A saúde não pode ser um negócio (ai, não?!)

O Presidente do Tribunal de Contas, compagnon de route da malta de esquerda que viria a fundar, filiar-se, fundir-se ou dissolver-se no PS, a propósito do fim do contrato entre o Ministério da Saúde e o BES Saúde para a gestão do hospital Amadora Sintra, saíu-se com o one million dollar point que nos atiram de longe em longe: a saúde não pode ser um negócio e a gestão pública da saúde deve apenas visar a prestação do serviço público e não a obtenção de lucro.

Como diria o saudoso Barbeiro: palavras inúteis!

Realmente, qualquer bardamerdas de argumentação titubeante se lembrará de pronto que o negócio dos médicos e das clínicas privadas, o serviço que prestam para obter lucros é, precisamente, a saúde.

E se quisermos, pudicamente, fugir ao conceito de lucro, podemos sempre dizer que a prestação de serviços de saúde por médicos e clínicas privadas (farmácias, ervanárias, parteiras, bruxas, endireitas, etc, etc, etc) se faz em troca de uma remuneração que dará para pagar as despesas necessárias para prestar o serviço e sobra a remuneração que o médico (ou colega) leva para casa e a clínica lança na sua contabilidade (ou não...).

Então e os hospitais públicos não podem gerar lucros? Como diria o inefável Boshoff: quer dizer depende, não é?!

Se o hospital tiver uma gestão independente do Ministério a quem presta contas a prazo superior a um ano, é claro que poderá gerir as verbas (receitas próprias, subsídios, etc, etc) de modo a acumular, se para tanto tiver unhas, resultados positivos (os "famigerados" lucros) durante dois ou três anos para poderem comprar um aparelho de TAC ou um gerador melhor para o bloco operatório.

Mas há uma outra forma de gerar lucros e melhorar os serviços: contratar uma empresa especializada em gestão hospitalar, fazer melhor com menos dinheiro e chegar ao fim do ano com contas equilibradas, depois de retirada a remuneração pelo serviço prestado (refiro-me ao da gestão do hospital).

A rapaziada de esquerda dirá que o hospital deu lucro e que a empresa gestora se apropriou, indevidamente, desse lucro. Dirá mais: que o que a empresa gestora fez, os kamaradas funcionários públicos também teriam feito, se lhes tivessem sido dadas condições...

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Há malta que nunca aprende, mesmo com o livro à frente do nariz!

Tuesday, April 29, 2008

25 de Abril

Poucas coisas me agradam mais no 25 de Abril que ver a "malta nova" a borrifar-se para ele de alto e de repuxo: realmente, para quê ligar a uma data que assinala, simplesmente, a reposição da normalidade?

Embandeirar em arco por deixarmos de ter colónias?! Não era assim em toda a Europa há uma porrada de tempo?

Embandeirar em arco por um regime retrógrado, sacrista e autoritário ter sido deposto, permitindo-se que a democracia representativa se instalasse? Não era assim na Europa ocidental há uma porrada de tempo?

Embandeirar em arco pela Liberdade, quando a Liberdade recém adquirida esteve quase a perder-se às garras dos que se auto intitulavam anti fascistas?

Embandeirar em arco em 1974, ah! isso sim, sem dúvida nenhuma!

Mas 34 anos depois?! Ainda por cima para ver e ouvir o Pedro Barroso, gordíssimo, a cantar a Menina, que lhe vem despertando (nos últimos 30 anos!!!) vontades marinheiras de atracar?!

Por amor de Deus!