O Kamarada Che, depois de andar a tentar levar a revolucao ao Congo (nao me lembro a qual deles, ou aos dois) foi levar a sua mensagem (a bala, que os Kapitalistas sao surdos) a Bolivia e ai foi cacado e limpo, como era de esperar que sucedesse, mais ano, menos ano.
Que eh como quem diz, mais revolucao exportada, menos revolucao exportada.
Quando estive em Cuba, que fiz questao que sucedesse antes do Castro e Fidel sair (completamente) de cena, trouxe de la uma bela T shirt com a fronha do Che, de boina por cima de uma longa melena, olhos sonhadores (?) e estrela vermelha em destaque. As feiras de artesanato tem sempre a sua barraquinha de icones do Imperio Sovietico, com camisolas as risquinhas da marinha, os quepis do exercito vermelho, os discos com os coros do mesmo, etc, etc.
Para quem cresceu em plena guerra fria, com as guerras de libertacao um pouco por todo o lado, a guerra da Argelia a acabar, a do Vietname a evoluir dos conselheiros ate ao afundanco completo dos camones no delta e no Tet (guerra particularmente intensa no territorio norte americano e nas universidades, um pouco por todo o mundo livre) e assistiu, aliviado, a derrocada do Imperio Sovietico, a queda do muro de Berlim e a reunificacao da Alemanha, a nostalgia desses tempos desculpa (digo eu) que se olhe o bandido que foi Che (responsavel pelas execucoes sumarias dos suspeitos de traicao, na Sierra Maestra, e dos contra revolucionarios pro Batista, dos primeiros tempos do regime castrista) com uma certa bonomia e ate saudade. Se calhar o homem era mesmo um visionario romantico que so queria o bem das populacoes a cujo seio levou a guerra civil - pelo menos tentou leva-la, quem sabe? Nos, na altura, ate achavamos que sim (tadinhos, eramos novos e burrinhos, que fazer?...)
Dequalquer modo, o que o Che representou esta a extinguir-se rapidamente, e ainda bem, pelo que nao faz grande mal usarmos o seu potencial folclorico e estetico para decorar o nosso dia a dia.
Assim sendo, que viva el Che, cono!!!!
O "cono" e o que aparece sem o til. Que chatice!!!

Marques Correia

Fátima, altar do mundo, é nestes tempos que vão correndo uma espécie de sede do NÃO, com sucursais em cada igreja, em cada paróquia, em cada sacristia.
No debate dos prós e contras, tal como num outro em que participei na semana passada, algumas pessoas insistiram em ares enfatuados e frases patetas do género "isto é muito sério!", "não devemos fazer humor com isto" e outras tonterias de malta sisuda, que se leva imensamente a sério.
A rapaziada do NÃO fala de bébé, de filho, de criança quando se refere ao feto, não saindo do que considera a defesa da vida. Contudo, muitos deles, o dr Aguiar Branco, por exemplo, aceitam tranquilamente o aborto no seguimento de violação. Outros aceitam, nas calmas, que em caso de perigo de vida para a mulher ou malformação do feto, se faça o aborto.
O SIM quase só fala da mulher, insiste na protecção à mulher, na criação de condições seguras caso queira abortar, mas recusa pronunciar-se sobre o significado de matar o feto (é terminar uma vida? desde quando é que será crime? etc). Mantém-se, no fundo, fiel à linha histórica, ao modo como a questão surgiu, precisamente para fazer face ao aborto clandestino, feito por vizinhas mais ou menos bruxas ou parteiras, como método de contracepção, com taxas de mortalidade consideráveis.
