Monday, March 17, 2008

JORNAL APOIAR Nº 50 - EDITORIAL

Marques Correia

Deixem-me começar por uma declaração solene, para marcar terreno e evitar más interpretações, lá mais para a frente: não sou monárquico! Também não sou republicano! Sou por regimes democráticos, pouco me interessando se são presididos por um rei, se por um presidente. Não tenho dúvidas de que preferia viver em Inglaterra ou em Portugal a viver no Zimbabwe ou na Arábia Saudita. Também preferi viver no Portugal de Salazar a viver, por exemplo, na União Soviética ou na Albânia; mais vale pouca liberdade do que nenhuma.

Posto isto, fiquei pior que estragado quando no meu País se evocou uma data histórica, o assassinato de um Chefe de Estado Português, e uma parte significativa de nós recusou a participação das forças armadas.

Porquê? Porque esse Chefe de Estado era um Rei e com isso o deputado Martins (uma espécie de porta voz desse espírito mesquinho e anti patriótico) receia que, com essa participação, estivessemos a defender a Monarquia! Isto, meus amigos, quase cem anos (CEM ANOS!!!) depois da implantação da República! No entanto, celebramos, na calma, D. Afonso Henriques, com tambores e fanfarras da tropa, ou não fosse ele o patrono do Exército. O deputado Martins, se calhar, também gostaria de proscrever D. Afonso Henriques?! Ninguem sabe o que vai naquela cabecinha oca...

Para não ficarmos completamente mal na fotografia, valeu-nos o Presidente Cavaco que não terá tido dúvidas em presidir à inauguração da estátua que honra o Rei D. Carlos, o Chefe de Estado a que ele sucedeu 100 anos depois, com alguns espécimens, no mínimo, duvidosos, pelo caminho. Haja juízo e vergonha, quando falta tudo o mais!

Em Timor, a contemporização deu os seus frutos: o major Reinado foi deixado à solta como se a sua recusa em acatar a ordem democrática vigente fosse coisa de relevar. O homem deve ter-se sentido legitimado para defender as suas ideias (se calhar referia-se a elas como “ideais”...) e ei-lo aí à frente de um bando armado a dar um golpe de estado (?), começando por tentar matar o Presidente e o Primeiro Ministro do jovem País.

Felizmente foi travado (e morto) mas o seu funeral mostrou bem que tinha seguidores que o consideram uma espécie de herói e que são muito capazes de alinhar com outro aventureiro qualquer que apareça a clamar contra a “ocupação estrangeira”.

No meio disto tudo, espero que a nossa rapaziada (GNR, PSP, professores, etc) continue a ajudar o novo País a erguer-se e prosperar. E, de caminho, que limpem o País de outros Reinados que apareçam a querer reinar a ferro e fogo sobre os seus desventurados concidadãos. (...)

Sunday, March 16, 2008

AINDA A "COISA" DOS PROFESSORES E SUAS ESCOLAS

Por me parecer de algum interesse para quem se interessa por estas guerras, transcrevo para aqui uma intervenção que fiz num outro local (http://groups.msn.com/antigosdoliceusalvadorcorreia), que vem no seguimento do post "As duas Reformas", publicado aqui, há uns dias atrás.

"... com um bocadinho mais de tempo (hoje, pelo menos) para estas lides, deixem-me dizer um bocadinho mais do que o que disse (tentei, pelo menos) na minha primeira intervenção neste fio.

Não morro de amores pelo PS (sou um PSD serôdio, ai de mim!), nem pela ministra. Confesso um certa simpatia pelo Zé Sócrates, pelo menos desde a sua luta frontal e persistente (se calhar teimosa) em prol da co-incineração a qual, oito anos depois (só agora), está a triunfar em toda a linha nos vários processos que vão chegando ao Supremo. Aleluia!!!

Confesso também a minha simpatia pelos professores, em cujo colectivo tenho uma irmã (a única) e muitos amigos. Além dos laços de sangue e de amizade (também uma espécie de laços de sangue...) são pessoas que admiro, estimo e respeito. A irmã em particular.

Contudo...

Contudo, não posso deixar de usar a cabecinha para pensar (se calhar porque não uso chapéu) e preocupar-me muito com a falta exasperante de resultados do nosso sistema de ensino.

Como é possível que com tanta gente boa, valiosa, inteligente e etc que tem passado pelo Ministério e pelas escolas o ensino seja a merda que é?! Merda mesmo, é só ver as estatísticas que nos permitem comparar resultados com os de outros países menos "modernos e ocidentais" e que utilizam muito menos recursos que nós (quer em % do PIB per capita quer, alguns deles, em valor absoluto) para os obterem?

E aqui, chegamos ao outro nó da questão: como é que raio se desperdiça tanto dinheiro, tantos recursos (humanos, nomeadamente) sendo o País a choldra que é (esta da choldra é em homenagem a um amigo meu, não ao nosso antigo rei)? Por que é que não se gasta com mais rigor, com mais parcimónia, com mais controlo e responsabilidade?!

Os maus resultados (maus, uma ova: péssimos!) e o esbulho dos dinheiros públicos, que vêm de muito longe, pelo menos do 25 de Abril, fazem-me ter, à partida, uma grande consideração e respeito por quem tenta remar contra a maré (leia-se, a ministra) e olhar com lástima e desconfiança para quem reage sempre contra tudo o que venha alterar, num milímetro que seja, a situação existente no mundo do ensino (os sindicatos e, parece-me, a grande massa dos professores).

Claro que considero que a escola pública é "nossa", da sociedade que somos, de quem paga impostos, em particular (quero crer, que todos nós), e não dos professores.

Muito menos dos sindicatos."

Tuesday, March 11, 2008

NOVENA PELA SAÚDE DO SR DR PAULO TEIXEIRA PINTO

No próximo sábado, dia 15 de Março, na Igreja do Campo Grande, conduzida pelo padre Victor Feytor Pinto, pároco daquela paróquia, vai realizar-se uma novena pelo restabelecimento da saúde do Senhor Doutor Paulo Teixeira Pinto.

Durante a celebração, sua estremecida Esposa, a Senhora Doutora Paula Teixeira da Cruz, vai fazer um peditório para complementar a parca reforma atribuída ao seu marido, após saída do BCP, por doença comprovada por Junta Médica.

Convidam-se todos os crentes, paroquianos, pessoas de bom coração e, em geral, todos os depositantes e accionistas do BCP, que lembram os tempos da sua gestão proba e livre de especulações, desvios e roubalheiras, a estarem presentes e a contribuirem com a sua oração e com a sua oblação.

- Que Deus ajude o Senhor D. Paulo!

- Todos: Ouvi-nos Senhor!!!!!!!

AS DUAS REFORMAS

Tenho-me divertido bué com estas guerras do Min Educação (ou lá como se vai chamando, com o rodar dos tempos), quase tanto como os professores se divertiram quando, em grandes excursões, vieram de cú de Judas até à capital fazer a sua ganda manif. Com o devido respeito, parece que os sindicatos organizaram um evento para figurar no Guiness e toca de fretar autocarros para trazer os felizes participantes dos quatro cantos da parvónia (Lisboa incluída na dita...) para o pic nic de sucesso garantido, avenida abaixo.

Foi giro.

Giro também foram os depoimentos recolhidos, em que cada um estava ali por um motivo diferente, desde a estreia absoluta em manifs (esse era o motivo, na certa!) até às mais variadas reivindicações. Denominador comum, claro "está na hora, está na hora, da ministra ir embora". Não vai.

Os comentadores, nesse dia e na véspera, afinaram por diapasões diferentes, com o VPV a lançar a ideia de que a avaliação dos profs era uma parvoíce, o que eles queriam eram um ethos de excelência. Esta do ethos, vinda do Vasco, presta-se a várias especulações fáceis...

Metendo a minha colherada (que para isso aqui estou), a ministra meteu-se numa alhada do caraças, ao tentar fazer duas reformas ao mesmo tempo, pois é mesmo disso que se trata.

  1. A reforma do sistema de ensino, com o objectivo de melhorar os resultados (péssimos) obtidospelos alunos - diminuir a taxa de abandono, aumentar a taxa de sucesso e melhorar dramaticamente o nível de preparação dos formados.
  2. A reforma do dispositivo do Ministério, com o objectivo de conseguir o funcionamento da "máquina" com menos "energia", isto é, melhorar a sua eficiência, enquanto a outra reforma vai no sentido da eficácia.

A primeira reforma poderia ser feita com muito menos sobressaltos, uma vez que o objectivo é consensual e o caminho para ele, não sendo consesual, poderia passar, quando muito, por questões controversas como aulas de substituição (que horror!!!) e pouco mais. É uma reforma a que é necessário alocar recursos e que podia, sem grandes dramas, ser feita com os professores.

A segunda é um bico de obra que implica a racionalização de meios (fechar escolas com meia dúzia de alunos, ou menos), acabar com a progressão automática dos professores na carreira, passa pelo controlo de efectividade (de presença, pois claro!), por mexer na gestão das escolas (tendencialmente acabar com a gestão colegial por professores e voltar à gestão de um director, professor ou não - nomeado, de preferência, por quem gere todo o dispositivo), passa também por acabar, progressivamente, com sistemas de saúde e segurança social diferenciados para a classe, pelo corte dramático de lugares nas estruturas do Ministério, etc, etc. Esta reforma só muito, muito excepcionalmente poderia ser feita sem uma oposição constante, participada e sentida, mas também organizada, dramatizada e mediatizada, dos sindicatos e da maioria dos professores afectados - todos, principalmente os mais antigos. Fatalmente teria sempre que ser, assumidamente ou não, uma reforma contra os professores.

Para agravar a questão, como a terra não é farta, a primeira reforma carece da disponibilização de verbas libertadas pela concretização da segunda, ou seja, temos um molho de bróculos perfeito e bem atado!

A ministra tem, naturalmente, toda a minha compreensão... que lhe serve de muito pouco.

Sunday, March 09, 2008

MOVIMENTO ESPERANÇA PORTUGAL

Finalmente, o menino Rui Marques, resolveu criar o seu partido. Para já é um movimento, com características mais integradoras que um verdadeiro partido. Mas lá chegará.

Reparo neste rapaz desde os tempos em que era figura de proa do Forum do Estudante, aí pelos anos 90 do século passado, estava eu na FIL, onde tais foruns decorriam.

Depois andou metido em causas meritórias, foi a bordo do Lusitânia Express largar umas coroas de flores ao largo de Timor e acabou como Alto Comissário para a Emigração (o cargo, se não foi esse, foi qualquer coisa do género).

Agora funda um movimento para mobilizar as políticas da Esperança, sem condenar os políticos profissionais nem os partidos tradicionais. Não! Nessa ele não cai, pois viu bem o que aconteceu ao PRD, afinando por esse diapasão.

Numa entrevista a uma das televisões, foi-lhe perguntado quem apoiava, dentre os políticos envolvidos nas eleições espanhola e americana.

Sobre os espanholitos, nem Rajoi, nem Sapateiro - nenhum representa a política da Esperança.

Entre os camones, não tem nada que saber: Obama é o seu homem, aquele que corporiza a política da Esperança.

Bem, para quem não o conhecia, estamos conversados; para quem conhecia a peça, no surprise: de facto, com o percurso do menino Rui estava na cara que ia escolher o mulatinho. Além de ser politicamente correcto, Obama nunca nos disse como pretende levar a cabo as múltiplas revoluções que promete, que mudarão tudo, pelo que resta aos crentes ter Esperança em que ele consiga navegar nas águas turvas de Washington e encontrar o caminho para atingir os meritórios objectivos que indica serem os seus. Se for eleito, claro...

Ora, indicar objectivos nobres e mobilizadores é a coisa mais fácil em política.

Difícil é atingi-los.

ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR

Esta tarde (ontem à tarde, melhor dizendo) um professor, dentro do autocarro que o transportava para a manif da indignação, dizia à televisão coisas de sua justiça e, entre elas, a seguinte pérola:

- (...) na presente conjectura (...)

Não percebi se era congectura, congetura, conjetura, mas soava, distintamente, assim. Que raio queria o ignaro prof dizer? Seria conjuntura? Seria outra coisa?

O que quer que fosse, o pateta fez-me considerar muito, muito adequado um dos slogans mais divulgados pelos sindicatos que produziram a manif. Realmente:

ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR...

Saturday, March 01, 2008

ATENÇÃO MOIRAMA: DANÇAR É PECADO!!!

Mão (muito amiga) mandou-se a estória que transcrevo:

Sexo Islâmico

Um casal muçulmano preparando o casamento religioso, visita um Mullah buscando aconselhamento. O homem pergunta:

Nós sabemos que é uma tradição no Islão os homens dançarem com homens e mulheres dançarem com mulheres. Mas na nossa festa de casamento, nós gostaríamos da sua permissão para que todos dancem juntos, inclusive homens com as mulheres.

- Não! Absolutamente, não! - diz o Mullah - É imoral. Homens e mulheres dançam sempre separados. Definitivamente, NÃO!

- Então após a cerimónia eu não posso dançar nem com a minha própria esposa?

- NÃO - respondeu o Mullah - Dançar com mulher é, e sempre será, proibido no Islão.

- Está bem - diz o homem. - E quanto a sexo? Podemos finalmente fazer sexo?

- É claro! - responde o Mullah... - Alá é Grande! No Islão, o sexo é bom, dentro do casamento, para ter filhos!

- E quanto a posições diferentes? - pergunta o homem.

- Alá é Grande!... Sem problemas! - diz o Mullah.

- E mulher por cima? - pergunta o homem.

- Claro! - diz o Mullah... - Alá é Grande.

- Podemos fazer de quatro, à canzana?

- De quatro?... claro Alá é Grande!

- E oral?

- Sim, sim... sem problemas responde o Mullah. Alá é Grande!

- E na mesa da cozinha ?

- Sim, sim!... Alá é Grande!

- Posso fazê-lo, então, com todas as minhas quatro esposas juntas, em colchões de borracha, com uma garrafa de óleo quente, vibradores, chantilly, acessórios de couro, pote de mel e vídeos pornográficos?

- É claro que pode. Alá é grande!!

- Podemos fazer de pé?

- Eh pá!...Nããããoooo! Nunca!... de jeito nenhum! - diz o Mullah.

- E porque não? - pergunta o homem surpreso.

- Porque vocês poderiam entusiasmar-se, e acabar dançando!!!!!! É imoral. No Islão, homens e mulheres dançam sempre separados.

Pano rapidíssimo.

Sunday, February 24, 2008

E VIVA O PAKISTÃO!!!!!

As eleições no Paquistão foram para mim uma surpresa muito, muito agradável.

Para além da recusa de aval aos militares, o que me parece muito relevante (e surpreendente) foi a "condenação" sem margem para dúvida dos partidos islâmicos radicais, mostrando (sugerindo, pelo menos) que o Islão pode dominar a rua e, certamente, a madrassa mas não consegue impedir as pessoas de pensar pelas suas cabeças e recusar uma sociedade baseada na coacção, no medo ... na Sharia.

Enquanto a população puder votar, nem tudo está perdido!

Wednesday, February 06, 2008

É A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA, ESTÚPIDO!

Já sabia que em Cuba davam muito espaço de antena ao maluko de Caracas, mas não esperava ver tanto disparate junto.

A minha habitual atracção pelo insólito (e para a merda...) fez-me sintonizar várias vezes o canal venezuelano (o oficial, o único, já que o outro não teve a licença renovada); imaginem o que constatei hoje:

Os ministérios mudaram de nome, por uma lei promulgada um destes dias, e os ministros passaram a ter novos títulos. O ministro das Infraestruturas é agora o Ministro do Poder Popular para as Infraestruturas, o dos Negócios Estrangeiros, Ministro do Poder Popular para os Negócios Estrangeiros (enfim, ou Relações Exteriores, wathever), e por aí fora.

Pode?!

Saturday, January 19, 2008

Os novos espeta céus

Os meus leitorzinhos que me desculpem, mas desde que vim do Abu Dhabi ainda não tinha mostrado o edifício mais alto do mundo, motivo de ter dado um salto ao Dubai. Na altura (Outubro, creio) ia nos seiscentos e tal metros e cerca de 160 andares, contados na fotografia, que na coisa real é mais, muito mais difícil de os contar. Aí fica a agulha, o Burj Dubai, com um pormenor da pontinha, ainda a crescer.

By the way, lembram-se, certamente, que o Empire State (NY, anos 30) tem 387 m, a Sears Tower, Chicago, anda pelos 440 m, salvo erro, e as Petronas, Kuala Lumpur, pouco passam dos 450 m. Esta torre é de outro campeonato, claramente...

Vejam detalhes,comparações, etc usando o link junto:

http://www.burjdubai.com/

O que vemos na foto seguinte é uma coisita pequena, com apenas 60 andares, uma ninharia para os tempos que vão correndo, pelo menos nas zonas onde a competição novorrica (existe?) vai fazendo os prédios crescer sempre mais que os do vizinho do lado...

Em Tel Aviv sê Romano

Tel Aviv é uma cidade que mistura o antigo com o moderno, o "ocidental" com o palestino, a segurança com a descontração própria da juventude. A tropa e segurança (não os distingui lá muito bem) é tudo malta muito nova, num mix de gajos com ar de bébé com miúdas giras e novinhas, que vêm de casa para entrar de turno (a tropa trabalha por turnos, ao que me pareceu) trajando à civil mas de canhota na mão, o que lhes dá um certo ar de caçadores de caça grossa.

As mocinhas são giras, morenaças e elegantes (vi pouca gente gorda) mas inflexíveis lá nos requisitos que lhes mandaram verificar. Mas simpáticas, quand même, pelo menos para um cinquentão charmoso (...) mas respeitador (e bué da conversador), como o je. Como devem imaginar (devem?!) não tive lata de sair para a rua de kippa na corneta, mas tinha que comprar uma, claro. A kippa e a mesusa, esta última só mesmo no aeroporto.

Já estou a imaginar a versão revista do "Entra, António, fecha a porta co'a tramelga; vê se não fazes cair a mesusa..."; quem se lembra?

O minarete (sem muezzine nem altifalentes - a mesquita está em obras, com ar de estar fechada há muito) é um toque dos tempos antigos no meio dos prédios altos e modernaços, na zona cosmopolita das praias.

O pôr de sol não podia escapar, claro!

No único bocadinho que tive livre, depois de vários chás de cadeira à espera (bem, não interessa para aqui...) dei uma volta a pé até um mercadão ao ar livre de que, desgraçamente, só fotografei as bordinhas - ainda a relutância atávica em fotografar coisas menos "limpas" ou esquisitas, que vem dos tempos da Angola pseudo comuna... ou ainda mais de trás, uma travadinha que me impediu de fotografar as múmias no museu Britânico (pode?!).

Thursday, January 17, 2008

Os pobres e os profissionais

Estou a ler um livro que me foi oferecido por mão amiga, de um autor indonésio que me era totalmente desconhecido, Pramoedya Ananta Toer, sobre um período negro da história da indonésia - o desvario anti-comunista das duas primeiras décadas do regime do Suharto.

O livro, Solilóquio Mudo, tem muito que se lhe diga e cá voltarei para dizer de minha justiça. Tencionava acabá-lo aqui (em Tel Aviv) mas enganei-me: o tempo que tenho lido tem sido tempo roubado ao sono e a conclusão do dito fica para Lisboa.

Em tempo: cinco horas cinco no aeroporto deram-me mais que tempo para acabar o livro, que recomendo vivamente.

Uma das milhentas estoriazinhas:

Em casa dos pais do autor tinham alojamento os nove filhos, diversos primos e imensos afilhados. Um dia apareceu um mendigo da idade dos filhos mais velhos (12 - 13 anos), esfomeado, descalço (bom, isso também os da casa andavam...) e esfarrapado. A Mãe levou-o para a cozinha, cuidou que se alambazasse, deu-lhe roupa e acabou por lhe perguntar se queria ficar lá em casa, para estudar como os filhos. Ele disse que sim, e ficou.

Só que os filhos da casa, para além de estudarem, trabalhavam nas hortas da família, tinham criação, vendiam no mercado, estavam longe de ter uma vidinha de dolce far niente e foi essa vidinha que partilharam com o novo irmão.

Ao fim de três ou quatro dias o "novo irmão" deu de frosques: trabalhar não era com ele...

Era um pedinte profissional, uma vocação precoce!

A ASAE PRENDEU O CARDEAL

Esta já me tinha sido enviada como proveniente de um pasquim da blogosfera, um tal Jumento. Aqui vai, com a devida vénia, na versão compilada pelo meu amigo Toni:

É a notícia do dia, a ASAE decidiu inspeccionar uma missa na Sé de Lisboa para inspeccionar as condições de higiene dos recipientes onde é guardado o vinho e as hóstias usadas na celebração.

Depois de sugerir ao cardeal que se assegurasse que as hóstias têm um autocolante a informar a composição e a validade e se contêm transgénicos e que o vinho deveria ser guardado em garrafas devidamente seladas, os inspectores da ASAE acabaram por prender o cardeal já depois da missa, depois de terem reparado que D. José Policarpo não procedia à higienização do seu anel após cada beijo de um crente.

A ASAE decidiu encerrar a Sé até que a diocese de Lisboa apresente provas de que as hóstias e o vinho verificam as regras comunitárias de higiene e de embalagem, bem como de que da próxima vez que cardeal dê o anel a beijar aos crentes procede à sua limpeza usando lenços de papel devidamente certificados, exigindo-se o recurso a lenços descartáveis semelhantes aos usados nos aviões ou nas marisqueiras desde que o sabor a limão seja conseguido com ingredientes naturais.

Sabe-se também que a ASAE ainda inspeccionou a sacristia para se assegurar que D. José, um fumador incorrigível, não andou por ali a fumar um cigarro, já que não constando nas listas dos espaços fechados da lei anti-tabaco, as igrejas não beneficiam dos favores dos casinos pois tanto quanto se sabe o inspector-geral da ASAE nunca lá foi apanhado a fumar uma cigarrilha.

Sunday, January 13, 2008

A CASA PIA É UMA MINA!!!!!

Começou mais um processo marginal ao Mega processo da Casa Pia. Agora é o Sr Dr ex-Ministro e ex-porta voz do PS (respeitinho, que o gajo e o mano do gajo processam a malta).

O sr Dr (etc e tal) quer que o Estado lhe passe para as unhas € 600.000,00 (seiscentas mil mocas) por o ter tido preso indevidamente.

O mais caricato é que a coisa está a ser julgada à porta fechada, não vá o Ministério Público explicar por que é que o engavetou e a malta, sempre disposta a perceber mal, ficar com a ideia (erraaaaaaada, claro!) de que o sr Dr tinha mesmo alguma coisa que ver com os enrabanços e companhia.

Não seria mais razoável a coisa ser de porta aberta, para cada um fazer o seu juízo? Claro que o juíz condena ou absolve com base nas provas admissíveis e o pagode julga com base em todas as evidências, ou seja: um gajo é apanhado em conversas explícitas sobre actividades criminosas e as gravações não são falsas nem distorcidas - são mesmo a gravação da coisa real. Mas, se por uma questão "técnica", as gravações não são admissíveis, o tribunal tem que ignorar aquela gravação e toda a informação que ela proporciona, o que pode fazer a diferença entre uma condenação e uma absolvição.

Nos julgamentos à porta fechada, é mais fácil esconder o que não é admissível mesmo que seja verdadeiro, ficando o público apenas coma sentença, mesmo que esta faça vista grossa à verdade, isto é, seja objectivamente errada.

Estranho não é?

A NOVA MITOLOGIA

Aos meus queridos leitorzinhos, para me penitenciar de tão grande baldanço, nos últimos tempos. Aí vai uma estoriazinha:

O Minotauro estava velho e cansado no seu labirinto. O que lhe dava mais prazer, sem grande esforço, era lamber vacas.

Passaram a chamar-lhe o Minetauro.

Thursday, December 27, 2007

E vai uma...

Os bandos de atrasados mentais que acreditam no mito das 64 (ou serão 200?) virgens aguardando-os no Paraíso, depois do martírio, continuam a sua criminosa actividade.

Desta vez foi a Benazir, uma mulher que teve a audácia de "vestir calças" num país em que os tais merdosos têm uma sólida base nas milhentas madrasas piolhosas onde os madrasos cultivam a arte de não fazer nada em nome do Allah.

Quem os coisasse a todos...

Wednesday, November 21, 2007

Sai 200 chibatadas para a violada do canto!!!

Esta nem no Irão do Ayatola Komeini, só mesmo na Arábia Saudita.

Aquele bando de cabrões, padralhada ignara e enfatuada, juízes papa hóstias e lúbricos, condenou uma rapariga violada por sete mânfios a 3 meses de choldra mais 100 chibatadas.

Cada um dos ditos mânfios serviu-se dela, em média, duas vezes (a acusação refere-se a 14 violações) o que lhes valeu entre 1 e 2 anos de prisão. Tadinhos...

Como a rapariga não se ficou, fez estardalhaço e recorreu, os rapagões levaram um pouco mais, entre 2 e 3 anos de prisão.

A malandra da rapariga, por ter tentado influenciar os sereníssimos juízes corânicos (a tal padralhada lúbrica e ignara) com a pressão dos media ocidentais, passou de 100 para 200 chibatadas e 6 meses de prisão.

Perguntarão os meus saudosos leitorzinhos:

- Afinal, qual foi o crime da rapariga? Ser violada é crime?!

- É verdade, responde, pressuroso, o je; faltou dizer isso: a marota estava num carro com um homem que (imaginem!) nem era da família dela (só os dois, vejam lá!!!), quando os brincalhões a abordaram e levaram para local apropriado à função que pretendiam desempenhar e que ela desempenhasse.

Só isso?! Só isso! As brigadas de Repressão do Vício e Promoção da Virtude, que zelam pela pureza dos ares e dos lares naquelas terras duplamente santas, estavam atentas (consta que não dormem!) e não se deixaram enganar, fazendo vista grossa de tão grosseira violation dos bons costumes, só por a rapariga ter sido violada.

Afinal, estava a pedi-las, não era?!

......................

PS: Sua Magestade Sereníssima, a rainha de Inglaterra (e o Papa também...) recebeu e tomou chá com o rei Abdallah da Arábia Saudita (um homem moderno e muito ocidental, dizem), mas o governo Inglês faz um grande estardalhaço por o octogenário, decrépito, racista e putanheiro do Mugabe vir a Portugal à conferência Europa - África.

A política é uma coisa muuuuuuuuiiiiiiiiiiito difícil...

Estariam bêbados?!

Ontem ao fim da tarde apercebi-me de umas cantorias na rua da empresa onde trabalho, em frente à Força Aérea, no Figo Maduro.

Disseram-me que era uma manif por causa da chegada iminente do Hugo Chavez, de visita ao colega e compagnon de route Sócrates, a convite deste.

Imaginei um monte de malta pronta para gozar com o pateta, com palavras de ordem em que o Por qué no te callas?! não deixaria de ter presença marcante.

Fui lá baixo ver e deparo-me com uns cinquenta infelizes sessentões, de ar vagamente intelectual à la gauche, entoando disparates no género de

Chavez, amigo, o povo está contigo!

e

Democracia, sim! Ditadura, não!

A que propósito? Estariam bêbados?!

Que coisa esquisita...

PS: parece que aqui há uns dias, os mesmos cinquenta andaram a comemorar (?!) os 90 anos da defunta revolução de Outubro...

Saturday, October 27, 2007

Carta de candidatura

Esta carta de candidatura (a um cargo que nada tinha que ver com desporto) chegou-me por mão amiga, sabedoura da minha fixação no insólito & fantástico.

Leiam, e não percam o fôlego:

"Carta

O meu nome é XXXXXXXXXXXXXX sou uma pessoa de personalidade muito forte, e ao tornar-me presidente da direcção de um clube complementei-me a nível pessoal nomeadamente conseguindo um espírito de liderança sabendo colocar uma equipa a trabalhar em sintonia, aprender o que é que as outras pessoas estão a pensar com respeito a necessidades, conseguir organizar as tarefas e dar resposta a tudo o necessario gerindo o tempo, conseguir manter a postura quer estejam a falar mal de mim quer bem e falar com essas pessoas conseguindo demonstrar o nosso ponto de vista e reconhecer o ponto de vista deles e conseguir levar as pessoas para o ponto que penso ser o correcto, saber ouvir as pessoas e saber dar uma resposta pensada e pronta às pessoas, gosto de trabalhar em sítios onde ao longo do tempo vá havendo uma evolução positiva das coisas construindo pedra sobre pedra para obter uma estrutura bastante sólida mas estando sempre com a mente muito aberta a novas ideias, considero uma grande falta de respeito o atraso sendo ainda mais grave o não avisar.

Ao ser treinador de ténis de mesa também me permitiu construir uma equipa à qual prefiro chamar de familia na qual me permitiu ter uma relação mais próxima das pessoas (que no lugar de presidente da direcção não deveria ter), onde aparecia problemas de ordem psicológica dos atletas com idades entre os 13 e os 24 anos e ao longo do tempo ia conseguindo resolver tentando que os atletas se conseguissem abstrair desses problemas e se concentrassem naquilo que estavam a fazer, em resumo o irmão mais velho que eles gostariam de ter.

Alem de muito responsável, dedicada, cumpridora dos seus compromissos e que gosta muito de aprender coisas novas as quais são facilmente apreendidas, também sou uma pessoa divertida.

Os meus passatempos são o desporto além do ténis de mesa, o ténis de campo, o basketball desde de muito pequeno que pratico todo o tipo de desporto, gosto de estar com os amigos."

... não foi seleccionado para a entrevista.

CASA PIA - voltamos à mesma!!!

Com o processo longe do fim e os réus cada vez mais "na maior" começam a aparecer notícias de que, como era de esperar, tudo está a voltar à antiga.

E digo que era de esperar por duas razões ponderosas: por um lado, continua, ao que parece, o abandono das crianças "internadas", à "guarda do Estado" e, por outro, a "generosidade" de senhores que "gostam muito de crianças" e têm quem os proteja e quem faça vista grossa (convenhamos que a maioria da população...) a generosidade, dizia eu, deve estar mais forte que nunca, depois de um período de (alguma) abstinência.

Portanto, como diz a minha prima Carolina, junta-se a fome à vontade de comer, na verdadeira acepção da palavra.

Claro que há uma terceira razão: o próprio Estado mostra muito pouco interesse em evitar que as crianças à sua guarda sejam negligenciadas, sejam alvo e depois vítimas de toda a sorte de abusos, maus tratos, etc.

Como dizia Pedro Namora hoje, na televisão, alguém se interessa em ver se os putos faltam às aulas? Se, à noite, estão todos na cama? Caso não estejam, onde estão?

As instituições de recolha de crianças estão hoje a anos luz das do tempo do Dickens, mas, ao que parece, só em condições de "habitabilidade", saúde, alimentação, etc, ditas "materiais".

No mais, as crianças são votadas ao mais vergonhoso abandono, ao mais completo desamparo, sujeitas a praxes violentas e aviltantes, completamente à mercê dos mais velhos e de vigilantes de duvidosos méritos.

Puta de vida!...