Será que toda a gente se apercebeu dum acontecimento perfeitamente tarado que aconteceu na semana passada? Então, vá:
Resumidamente, um tipo qualquer (duma Câmara, dum clube de futebol, who cares?!) queixou-se de um jornal porque o dito publicou que o senhor tinha uma dívida grande ao Fisco.
Como tinha mesmo, o tribunal absolveu o jornal.
O senhor escalou a coisa e a Relação confirmou a sentença.
Não satisfeito, o tal senhor insistiu e recorreu para o Supremo.
Os Supremos Juízes deram-lhe razão. Porquê?
Porque, não obstante o dito senhor dever mesmo uma pipa de massa ao Fisco, os Super Juízes consideraram que a notícia não tinha relevância social, pelo que não tinha nada que ser publicada, até porque lesou a imagem do dito senhor.
E esta, hã, perguntaria o defunto Pessa!!!!
A imprensa não pode noticiar nada que seja verdade, sem que os senhores Super Juízes o autorizem, pois passa a fazer jurisprudência a ideia de que com a verdade me ofendes.
Puta de terra esta!
......
Espero, claro, que um qualquer Tribunal Europeu reponha a coisa nos eixos, até porque os senhores Super Juízes, se calhar, estavam com um grãozinho na asa (a votação terá sido a seguir ao almoço) e não sabiam o que faziam...
AFINAL:
Como muitas vezes se passa, não podemos confiar no que noticia a nossa comunicação dita social. Cingindo-me apenas ao Público, um dos intervenientes na querela (a outra é o Sporting), deparei hoje com a notícia que transcrevo na íntegra que poderia titular como
"Afinal a bebedeira do Supremo não terá sido tanta assim e a razão do Público também não"
Aí vai:
Fátima, altar do mundo, é nestes tempos que vão correndo uma espécie de sede do NÃO, com sucursais em cada igreja, em cada paróquia, em cada sacristia.
No debate dos prós e contras, tal como num outro em que participei na semana passada, algumas pessoas insistiram em ares enfatuados e frases patetas do género "isto é muito sério!", "não devemos fazer humor com isto" e outras tonterias de malta sisuda, que se leva imensamente a sério.
A rapaziada do NÃO fala de bébé, de filho, de criança quando se refere ao feto, não saindo do que considera a defesa da vida. Contudo, muitos deles, o dr Aguiar Branco, por exemplo, aceitam tranquilamente o aborto no seguimento de violação. Outros aceitam, nas calmas, que em caso de perigo de vida para a mulher ou malformação do feto, se faça o aborto.
O SIM quase só fala da mulher, insiste na protecção à mulher, na criação de condições seguras caso queira abortar, mas recusa pronunciar-se sobre o significado de matar o feto (é terminar uma vida? desde quando é que será crime? etc). Mantém-se, no fundo, fiel à linha histórica, ao modo como a questão surgiu, precisamente para fazer face ao aborto clandestino, feito por vizinhas mais ou menos bruxas ou parteiras, como método de contracepção, com taxas de mortalidade consideráveis.


Se o ano de 2006 viu um arqui-criminoso morrer na cama, amparado no carinho da família e no apoio dos seus correligionários, pelo menos um outro morreu no cadafalso sob os impropérios dos adeptos de uma das suas vítimas: Saddam Hussein foi executado, não obstante os pedidos das Marias Madalenas deste mundo para que a sua miserável vida fosse poupada.


"Io sono molto amaricatto..."
