Afinal, a CML, sempre pressurosa, lá retirou ou mandou retirar o cartaz dos Gatos que fazia contraponto ao dos skins reciclados.
Depois de verem o seu cartaz todo borrado pelos democratas-de-uma-banda-só, os skins substituiram-no por um outro, novinho em folha, com o mesmo lay out mas com dizeres diferentes. Reivindicam agora o direito a terem opinião diferente da main stream (sê-lo-á, mesmo main, essa stream?) sobre a posição face aos emigrantes. Dizem eles que "as ideias não se apagam, discutem-se" - explica lá isso ao BE e ao PC, ó meu!
Cá para mim, têm toda a razão, com este segundo cartaz: não percebo porque carga de água a posição a favor da maior abertura aos emigrantes deve ter mais liberdade de expressão que a posição contrária à entrada de mais emigrantes. A segunda posição até pode ser idiota, até pode ser contrária aos interesses da sociedade, da economia, etc, mas por que carga de água é que deve ser censurada? A resposta óbvia é porque sim!
Com a proibição de fumar, de dizer verdades inconvenientes (vide STJ aí mais abaixo), de registar a raça de um tipo (mais tarde ou mais cedo, o género também), de gravar imagens de pessoas em público, na via pública, estamos a chegar muito perto do dia em que alguém irá ao Irão fazer um estágio nas Brigadas de Combate ao Vício e Promoção da Virtude.
Já lá estou a imaginar o palerma do Louçã...
Fátima, altar do mundo, é nestes tempos que vão correndo uma espécie de sede do NÃO, com sucursais em cada igreja, em cada paróquia, em cada sacristia.
No debate dos prós e contras, tal como num outro em que participei na semana passada, algumas pessoas insistiram em ares enfatuados e frases patetas do género "isto é muito sério!", "não devemos fazer humor com isto" e outras tonterias de malta sisuda, que se leva imensamente a sério.
A rapaziada do NÃO fala de bébé, de filho, de criança quando se refere ao feto, não saindo do que considera a defesa da vida. Contudo, muitos deles, o dr Aguiar Branco, por exemplo, aceitam tranquilamente o aborto no seguimento de violação. Outros aceitam, nas calmas, que em caso de perigo de vida para a mulher ou malformação do feto, se faça o aborto.
O SIM quase só fala da mulher, insiste na protecção à mulher, na criação de condições seguras caso queira abortar, mas recusa pronunciar-se sobre o significado de matar o feto (é terminar uma vida? desde quando é que será crime? etc). Mantém-se, no fundo, fiel à linha histórica, ao modo como a questão surgiu, precisamente para fazer face ao aborto clandestino, feito por vizinhas mais ou menos bruxas ou parteiras, como método de contracepção, com taxas de mortalidade consideráveis.
