Friday, July 28, 2006

...O QUE É QUE DIZ ELA??!!

Porra, alguém percebe o que é que a tipa diz?!

Mi diga, vai?

MARIA JOÃO PIRES TORTURADA?!

A conhecida pianista Mª João Pires deixou Portugal para se fixar no Brasil, alegando ter sido vítima de verdadeira tortura por parte das autoridades portuguesas.

Tenciona criar no Brasil um "projecto" como o que agora abandonou em Belgais.

O dito projecto, um centro e escola de artes musicais, que a pianista criou no interior de Portugal (ali para a Beira Baixa), pesem embora todos os méritos e todos os benefícios para a região, muito carente de equipamentos e actividades culturais, estava, à partida, condenado ao fracasso.

De facto, longe das grandes audiências que só uma região densamente povoada proporciona (leia-se, uma grande cidade) e, pela mesma razão, impedida de atrair um número significativo de estudantes pagantes, esse meritório projecto dependia quase a 100% de haver alguém que alimentasse a actividade, sem qualquer retorno económico. Isto é, tratou-se desde o início de mais uma mão estendida a disputar os subsídios estatais, escassos e ainda bem!

Pela minha parte, desejo-lhe as maiores felicidades e que tenha aprendido alguma coisa (duvido...) com este insucesso.

Monday, July 24, 2006

QUE VIVAM ASPU!!!

(in Público de 24 JUL 2006)

Fantástico, delicioso, foi a coisa ter nascido como reacção à chantagem puritana dos Camones:

- "a gente dá cacau para a luta contra a sida desde que vocês condenem a prostituição".

A oferta foi recusada e aspu (abreviatura de as putas) decidiram angariar fundos, tanto ou mais do que perderam por não irem na conversa dos Camones.

A marca DASPU (das putas, em versão mais curta) é um sucesso!

Para maior delícia, as donas, duas Lúcias, de uma boutique finérrima chamada Daslu, ficaram chateadas por lhes roubarem a ideia da marca e ameaçaram meter em tribunal as lançadoras da Daspu. As dondocas tiveram que recuar, metidas a ridículo por tudo o que era televisão, rádio e folha de couve, e aspu tiveram uma publicidade gratuita que ajudou, e muito, a lançar a marca.

By the way, no Brasil a prostituição já é uma profissão reconhecida e há legislação na forja para regulamentar essa actividade profissional.

Por cá, continuamos a manter uma situação totalmente favorável ao chulo e ao traficante de mulheres. É uma espécie de dano colateral para defender um princípio moral e a sacrossanta Família cristã. O Professor explica...

Que cócó!

(estas Daspu e Daslu fazem-me lembrar a estória, velhinha, dos manos chineses o Fu e o Ku; zangavam-se, o Ku dava uma chapada no FU que respondia espetando a bengala no olho do Ku - um drama!...)

Sunday, July 23, 2006

A Guerra Civil de Espanha

Na semana que passou, comemoraram-se os 70 anos do início da Guerra Civil Espanhola. Felizmente, as marcas que deixou foram-se atenuando, a transição para a democracia fez-se sem sobressaltos (passe a revolta falhada do Tejero Molina e a sua tomada das Cortes, de pistola em punho, "todos p'ro chão, coño!"), e até já se iniciou um pequeno ajuste de contas com a História. Saber onde está enterrado fulano e sicrano, quem está em que vala comum, reabilitar os condenados do lado perdedor...

Começa também a ser possível falar da Guerra Civil Espanhola sem termos que chamar cabrón e fascista ao Franco e lutadores pela liberdade aos "outros".

Até se pode reflectir sobre a semelhança entre a República espanhola e o regime de Allende, ambos suportados por maiorias exíguas e pouco estáveis, e ambas enveredando por reformas profunda e fracturantes (como agora se diz), com a pressa de quem sabe que essas reformas nunca passariam nas próximas eleições. E sem olhar a consequências...

No caso da República espanhola, a coligação ia das esquerdas moderadas aos comunistas e aos anarquistas e, entre outras coisas, não resistiram ao apelo do anticlericalismo radical e começaram a matar frades, freiras e padres como se estivessem na Sóvia, onde pontificava o grande pai Stalin e que era o modelo para muitos dos ditos republicanos...

Depois, foi o que se viu. Perante a indescritível tropa fandanga, que a foto mostra, e que, um pouco de todo o mundo comuna, veio molhar a sopa nos fascistas espanhóis, o exército de Franco até parecia um exército disciplinado e bem treinado, à imagem dos seus aliados alemães.

E o engraçado é que os tipos que foram matar espanhóis pelo lado das brigadas internacionais, são vistos (ainda) como uns gajos porreiros, uns românticos (como o Hemingway...) que só queriam que em Espanha não vencessem os fascistas.

Uns eram apoiados por Hitler e Mussolini (eram os maus!!!); os outros, os bons, eram apoiados por Stalin, mas isso agora não interessa nada, como diria aquela maluka da televisão...

O Cabeça de Abóbora está em todas...

O Dr Soares não pára! Depois da trepa que levou nas presidenciais e da deselegância com que (não) aceitou a dupla derrota (até o pateta do Manel Alegre obteve do eleitorado uma votação mais gorda...) o geronte continua a botar faladura, em particular quando as grandes causas, aquelas pelas quais vale a pena lutar até ao fim, o exigem.

Não sei porquê (juro!) o Dr Soares cada vez mais me faz lembrar o Cabeça de Abóbora, o saudoso broncas que foi o último venerando Chefe de Estado desta parvónia.

Pois o actual Cabeça de Abóbora vem agora verberar Israel, ele, que esteve calado que nem um rato enquanto o Há Mais e o Hezb Olá! se iam fortalecendo a olhos vistos, aquele conquistando a maioria no pseudo estado da Palestina, este instalando-se como um 2º estado dentro do Líbano, cujo governo não tem qualquer controlo sobre ele.

E enquanto se fortaleciam, iam lançando rockets sobre Israel, assim como não quer a coisa, que os judeus são mazoquistas e desde que os rockets só matassem campónios eles nem se davam ao trabalho de reagir...

Note-se que os tais rockets vão desde engenhocas artesanais que mal passam a fronteira, até verdadeiros mísseis que alcançam, para já, Haifa. Constituem, pois, uma verdadeira ameaça à segurança de Israel. E como os Iranianos, o verdadeiro inimigos por trás da Síria e do Hezb Olá!, até andam à procura de um arsenal nuclear, Israel não pode (mesmo!) deixar correr o marfim.

E não deixou. Fez o que era necessário.

No meio disto tudo, os libaneses são as vítimas: incapazes de controlar o Hezb Olá! cujos membros, cobardemente, se escondem entre eles, estão a ficar com o país de pantanas quando uns poucos anos de paz tinham sido suficientes para o Líbano voltar a figurar no mapa como destino turístico e de negócios.

Entretando, grandes manifes têm tido lugar nas capitais europeias em que Israel é acusado de usar de grande violência contra pessoas que só querem ter a sua terra e lutam com maõs nuas ou, quando muito, com kalashnicovs.

Se olharem para a imagem abaixo, vão ver que as Kalashnicovs deles são um bocado cresciditas, não é verdade?! Note-se que o 3º a contar da esquerda é o tal que tem atingido Haifa; os seguintes impressionam mas parece que ainda não foram usados.

Ainda os deuses da Ecologia

Para minha surpresa, o episódio ridículo dos paraísos ecológicos, ilhas de felicidade e bem estar (com a Colômbia em 2º lugar, a Costa Rica em 3º e Cuba em 6º...) não passou completamente despercebido cá na parvónia.

O Henrique Monteiro, agora como director do Expresso, deixou o seu comentário arrasa pessegueiro bem expresso na sua coluna, que a seguir transcrevo na íntegra.

Boa, Henrique Monteiro.

Cumprimentos ao nosso primo Marques de Correia.

Tuesday, July 18, 2006

A Naomi Campbell processada pela criada Costa Riquenha

A Naomi não é flor que se cheire.

Insultava e arreava porrada na criada, como faziam as senhoras católicas dos anos 50, só que aquelas confessavam-se a seguir (eram muito devotas!) e a cabra da Naomi, além de não se confessar, ainda lhe chamava branca de segunda.

Só visto.

Monday, July 17, 2006

Os Paraísos segundo os deuses da Ecologia

O Público trazia uma interessante estatística: a lista dos países em que a população se sentia mais feliz, em que o "desenvolvimento" menos agredia o planeta. O Planeta sentir-se-ia, pois, muito feliz nessas paragens.

A chatice é que, para além do 1º lugar para o Vanuatu, paraíso onde parece que não há Coca Cola nem MacDonnalds e o maralhal anda todo nu, ou quase. A chatice, dizia o je, é que em 2º lugar vem a Colômbia e em 3º a Costa Rica, aparecendo a República Dominicana num dos lugares seguintes e (suspeito, mas não confirmei) o Haiti deve aparecer num lugar cimeiro. Portugal fica-se para lá do 130º lugar.

Um conhecido empresário dizia há pouco tempo que em Portugal mandava a Quercus (seja a Quercus borealis ou a Quercus suber).

Pela amostra do que é um planeta feliz, eles que fiquem na Colômbia e nos deixem fazer a barragem no Sabor (no tal último vale selvagem da Europa) e os aldeamentos na Comporta - para termos alternativa ao Vanuatu e a Punta Cana.

É pena que esta gente prefira as centrais térmicas às barragens, ache que para ir à praia o carrito tenha que ficar a 2km da água e que o sítio onde se bebe uma água não possa ficar a menos que 500 m da dita.

Por que raio serão assim?! Quem lhes paga?! Que prefiram a Colômbia ainda posso perceber...

O médio Oriente...

A situação no médio (e próximo) oriente pode ser dividida em três situações que prevalecem em três países/zonas geográficas:

  • o Irão;
  • o Iraque;
  • Israel/Palestina/Líbano;

Saltando as duas primeiras (ficam para depois), na terceira tudo está como dantes no quartel de Abrantes. Israel, não obstante ter desmantelado os colonatos na faixa de Gaza e em parte da margem ocidental do Jordão, continua a ser alvejado com rockets a partir da faixa de Gaza e do Sul do Líbano lançados por malta que não lhe reconhece o direito a existir. Não reconhece nem nunca reconheceu.

E como o "Governo" da Palestina, uma mistura de Há Mais e OLP (cada vez mais dominada pela Al Fatah) não governa puto, em particular não controla os extremistas islâmicos (e outros descontentes quejandos), Israel, de tempos a tempos, faz uns foçados para lá da fronteira para tentar manter a coisa sob controlo.

Desta vez, o rapto de um soldado desencadeou uma operação maior que as habituais, os Hezbolahs (uma espécie de Irão/Síria dentro do Líbano), que além de rockets têm uns misseis capazes de alcançar umas largas dezenas de quilómetros, meteram-se ao barulho e raptaram mais dois soldados israelitas. A coisa complicou-se.

Julgo que é isso que os Hezbolahs (partido de deus) e o Há Mais querem, para que a sua "luta" não deixe as manchetes e não perca os financiamentos dos países que lhes pagam o matabicho.

Mas no fundo, no fundo, mais bombardeamento, mais rocketada, tudo na mesma.

Só uma coisa me faz "espécie": por que carga de água é que Israel ainda não localizou e destruíu a totalidade das plataformas lança mísseis, camiões enormes (olhe só a figura!!!), difíceis de esconder e facilmente identificáveis pelos satélites espiões com câmaras de alta resolução que, até ver, só Israel e os States têm.

Uma judia ortodoxa, de uma aldeola próxima da fronteira com a faixa de Gaza perguntava (Público de hoje):

- Por que é que o exército só agora respondeu?! Se calhar foi porque os rockets já têm alcance para atingir a cidade mais próxima...

Monday, July 03, 2006

De muerte, coño!

Deliciem-se com este pequeno sketch do sr Santo Cristo, nos nossos dias:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2566269671806009973

Está de morte!

Wednesday, June 21, 2006

NÃO ESQUEÇAMOS O AFFAIRE CASA PIA

Há pouco tempo foi condenado a 16 anos o brioso pedagogo sr Dr Luís Filipe Godinho que tomava conta das crianças do colégio de Santa Catarina, do grupo (?) Casa Pia. Este rapaz, grande educador da juventude desvalida, mereceu um post ao qual, infelizmente, não me foi possível juntar a foto do senhor. Não perde pela demora...

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2006/02/lus-filipe-godinho-fixem-o-nome.html#comments

Entretanto, para não nos esquecermos de que o caso Casa Pia continua a correr os seus trâmites no tribunal da Boa Hora, aqui fica um link para um post já com mais de um ano. Há que refrescar memórias, para evitar que, daqui a uns tempos, ainda se pense no sr Carlos Cruz como um perseguido pela justiça por tanto amar e favorecer a juventude. E ele, que é de lágrima fácil, sublinha a ideia com uns soluços, de microfone na beiça...

Benza-o S. Neutel!

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2005/04/pedofilia-na-casa-pia-livro-de-pedro.html#comments

A intimidação de testemunhas, entretanto, vai prosseguindo (como se em tribunal uma testemunha tivesse que se pôr a pau e arrolar duas testemunhas para cada afirmação que faz...) e aqui vai um link para um caso paradigmático.

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2006/03/processo-casa-pia-intimidao-das.html#comments

No meio disto tudo, por entre as gotas de chuva, o mestre Pedroso lá vai singrando, muito falado em Tribunal, mas não há mal que lhe chegue. Ainda o havemos de ver embaixador (na Tailândia, eheheheheh), comendador ou coisa que o valha. E o mano vai chegar ao Conselho Superior de Magistratura, pois então?!

http://pensarnaodoiaiai.blogspot.com/2006/02/pedroso-ainda-ausente-at-quando.html#comments

Saturday, June 17, 2006

O massacre de Mueda

Com a devida vénia transcrevo um texto recebido da Casa do Brigadeiro (obrigado, Fernando "Karipande") que se refere a um dos massacres que pontuaram a nossa convivência fraterna com os povos das nossas queridas províncias ultramarinas. Mueda, Baixa do Cassange, Pidgiguiti, Wiriyamu são nomes de apenas alguns dos mais badalados...
"FOI há 46 anos que as tropas coloniais do então regime fascista de Portugal massacraram mais de cinco centenas de moçambicanos que exigiam a independência nacional, em Mueda, província de Cabo Delgado.
Foi também a 16 de Junho de 1980 que o falecido presidente Samora Machel anunciou, em Maputo, a criação da moeda nacional, metical, em substituição do escudo português. Por outro lado, assinala-se hoje o Dia da Criança Africana, acontecimento que recorda a carnificina perpetrada, em 1976, pelas forças repressivas do "apartheid" contra jovens estudantes no Soweto, arredores de Joanesburgo, na África do Sul, que protestavam contra a segregação racial no sistema de educação naquele país vizinho.
A 16 de Junho de 1960, em Mueda, mais de 500 moçambicanos foram massacrados pelas tropas coloniais portuguesas. O seu único crime foi o de terem exigido a independência do país. Mais uma vez, a repressão do colonialismo português se abateu sobre o povo que, por vias pacificas, tentava conquistar os seus legítimos direitos.
Os acontecimentos que precederam o massacre de Mueda são sobejamente conhecidos: o povo moçambicano revoltava-se cada vez mais e com força contra a exploração e a opressão coloniais. Na região de Mueda, por exemplo, a população era obrigada a trabalhar nas plantações de sisal a troco de uma ninharia que não era sequer suficiente para assegurar a sua subsistência, era forçada a cultivar algodão no lugar de culturas que lhe proporcionasse alimentos."
Por coincidência, comemora-se por estes dias os 100 anos do nascimento do antigo bispo da Beira, D. Sebastião de Resende, que, muito antes de começar o terrorismo, já se revoltava perante o regime de semi-escravatura a que os indígenas eram sujeitos e levantava a questão de o futuro de Moçambique passar pela independência.
Este, tal como o padre António Vieira duzentos e cinquenta anos antes, não julgava fora do tempo, mas bem dentro do seu tempo: não gostava do que via e não achava natural nem legítimas a escravatura nem a servidão humana.

Thursday, May 11, 2006

VIVE LA FRANCE!

É verdade! Depois de tanta malta a dizer disparates sobre o holocausto ter sido o maior crime contra a humanidade e outra a contestar, referindo serem o Grande Pai Stalin e o Chairman Mao, mais os seus Grandes Terrores, os verdadeiros detentores desse título, finalmente os franceses apontam na direcção certa.

VIVE LA FRANCE!!!!!

Como eu tenho andado, desde há muito, a rosnar baixinho pelos cantos, só uma atitude do tipo "os pretos não contam para estas merdas" (...mas os judeus contam, pelo menos, a dobrar!) é que nos permitiria não ver o óbvio: a escravatura industrializada pós século XVI foi, esse sim, o maior crime contra a Humanidade. Ao longo de pouco mais de três séculos, vagas sucessivas de pretos, vendidos, na maioria dos casos, por outros pretos, atravessaram o Atlântico em condições mais que precárias e com taxas de mortalidade, muitas vezes, superiores a 50%, para proporcionar aos colonos brancos do Brasil, Caraíbas e América do Norte mão de obra inesgotável e cordata, que se pagava a si própria e, ainda por cima, se reproduzia. O conceito de investimento reprodutível veio, certamente, daqui (si non vero e, veramente, bene trovatto!).

E tudo se passou com a bênção da Santa Madre Igreja, pois evidentemente! Salve-se o padre António Vieira que soube julgar no seu tempo aquilo que muito menino não consegue ver hoje, e quase se lixou!

Mas isso são outros contos.

E termino como acabei, com um mais que justo

VIVE LA FRANCE!!!

Tudo menos a Espanha!!! Nabos!

Finalmente um estímulo tirou-me da modorra em que me encontro (pelo menos para este tipo de escritas...): os senhores deputados ficaram muito escamados porque o ministro das obras públicas se declarou um iberista!

Olha o gajo que nos quer debaixo da pata dos castelhanos!!! Um dos rapazes da bancada do CDS até falou do sangue derramado pelos nossos antepassados para garantir a "nossa" independência, benza-o Deus!

O mesmo ganapo, mais adiante (ou menos, se calhar) dizia não se lembrar de, nos últimos 100 anos (sic!), algum governante ter, deste modo, alienado a soberania Pátria (isto não sic, mas foi mais ou menos assim), etc e tal.

Então o pateta andou a dormir nos últimos 20 anos, ou quê?! Não notou nenhuma perda de soberania, nem percebeu o que recebeu em troca?!

E quanto a liberdades e democracia, presumo que se pode ser comuna, democrata cristão, etc, mas ser federalista (em relação ao modelo europeu) ou iberista, no sentido de uma convergência das regiões ibéricas (Portugal, com a Galiza, a Andaluzia, a Catalunha, etc) num só estado ibérico, isso não!

Isso é que é democracia, caraças!!!

Sunday, April 23, 2006

O funcionamento do Estado

in Público de 23 ABR 2006, revista Pública

Humberto Delgado e os equívocos

A historiadora Iva Delgado tem sido incansável na campanha para manter viva a memória de seu pai, aproveitando as oportunidades que lhe surgem para o fazer.

E se o facto de se tratar do pai da senhora desculpa este denodo, o mesmo não poderá dizer-se do "produto" que ela nos tenta "vender". Produto de duvidoso mérito e um tanto fora de prazo.

É que Delgado nada teve de revolucionário, nem de particularmente progressista. Foi apenas um general do regime que entrou em choque com Salazar mais por questões pessoais do que políticas. Ao ser cilindrado pela máquina que garantia a continuidade do regime, o general entrou numa vertigem libertária em que o seu imenso ego lhe garantia que a sua simples presença em Portugal arrastaria multidões ansiosas por o levarem ao poder.

Ou seja, Delgado, a quem o PCP chamava General Coca Cola (por motivos óbvios...) entrou na "onda" Cunhalista do levantamento popular.

E a boa da Iva, no seu afã filial, vem agora sentenciar o dislate de que o Público de domingo fazia o título que acima se reproduz.

Pelos vistos, Iva e os seus companhons de route não perceberam nada do 25 de Abril: o que faltou a Delgado para antecipar a queda do regime não foi a ligação às massas, mas um estrato muito alargado de oficiais descontentes e fartos de guerra que, independentemente de massas e arrozes, fizeram um golpe de estado, por motivos quase exclusivamente (pelo menos no início) corporativos.

Voilá!

25 de Abril - pintura d'alferes

Tal como existe a literatura d'alferes, na expressão feliz do Prof Rui Azevedo Teixeira, também se pode falar de pintura d'alferes, expressão "artística" desenvolvida pelos oficiais milicianos durante as comissão em África, quando a pachorra, o tempo e as "condições" o permitiam.

O quadro que se reproduz, óleo sobre tela, foi pintado (pelo Dr Zeco, numa anterior encarnação)em Maio-Junho de 1974, e aludia ao 25 de Abril e ao quebrar das grilhetas simbólicas que prendiam os pretos aos seus senhores de 4 séculos.

Um bocado naïf, mas enfim... acho que, num cômputo geral, valeu a pena.

Saturday, April 22, 2006

A Assembleia da República e a indignação hipócrita do maralhal

Nesta batucada da indignação dos "bons cidadãos" contra os políticos mandriões e faltosos que preferiram começar o fim de semana da Páscoa à quarta feira, só me apercebi de uma voz sensata: o Narana Coissoró.

Sabendo ele que os deputados têm o mesmíssimo direito a faltar às sessões, com as mesmíssimas consequências, nas mesmíssimas variadas circunstâncias que a lei define, caracteriza e prescreve (porque, se não estão acima da lei, também não estão abaixo dela) dizia ele que era da mais elememtar prudência não agendar votações, para mais votações importantes, para datas em que a incidência de faltas seja previsível. Adiantou mesmo que o plenário não reunisse na semana santa, apenas funcionassem as comissões parlamentares.

E deu como exemplo de dias de alto absentismo expectável os de jogos de futebol importantes.

O ciddadão exemplar (les braves gents, do Brassens) tremeram de indignação: eles são uns privilegiados, se nós (?) não podemos faltar, por que é que eles podem?!

Pergunta errada, que deveria ser substituída por est'outra: se nós podemos faltar (justificamos, metemos um dia de férias, "adoecemos" ou, simplesmente, não justificamos, ponto final) por que carga de água devemos esperar (ou desejar...) que eles não possam?!

Se calhar, dever-se-iam alterar as leis: para as braves gents, as leis actuais; para os deputados, uma alínea nos direitos laborais dizendo "excepto para deputados".

Era lindo... mas é isto mesmo que as braves gents (sem assumirem) gostariam que se fizesse.

Lápide evocativa do regicídio

Com a devida vénia, transcreve-se do jornal APOIAR, o texto que se segue:´

"No passado dia 1 de Fevereiro foi inaugurada no Terreiro do Paço uma lápide evocativa do regicídio, com a presença, entre outras indivi-dualidades, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Prof Carmona Rodrigues, e do Duque de Bragança, Senhor D. Duarte, ex- combatente na Guerra Colonial.

O Presidente da Real Associação de Lisboa, Dr Ricardo D'Abranches, dirigiu um convite à APOIAR, na pessoa do director do jornal, para se associar à cerimónia que, quase um século depois, vem evocar um acto de uma vilência e crueza singulares, marca de tempos em que o assassinato por motivações políticas era quase desculpado em nome de uma hipotética e utópica evolução das sociedades.

Este acto de alto simbolismo vem tirar do esquecimento a que o Portugal republicano votou o nosso penúltimo Rei, como que envergonhado por não ter sido capaz de trazer o bem estar e a prosperidade aos portugueses, que prometia por artes de uma simples mudança de regime.

Implantada a república, não se notaram as melhorias prometidas, muito pelo contrário! A ascenção de políticos corruptos, a juntar aos já encartados, levou o País próximo da bancarrota de que só a mão de ferro do sacrista de Santa Comba (numa mão o chicote, na outra o piedoso rosário) o havia de salvar.

O descerramento desta lápide evocativa do regicídio é também como que uma resposta aos que, não há muitos anos, tentaram repor o monumento funerário que assinalava a sepultura de um dos regicidas, como se o seu criminoso acto fosse digno de reconhecimento público por parte do Portugal moderno".

O Irão e os Amaricanos

Desta vez (carago!) não consigo concordar, sem sequer compreender bem os camones: por que raio é que andam com tanta tanga em relação ao programa nuclear do Irão?

Não será claro que cada país tem o direito de desenvolver os meios de produção de energia que entender? Afinal o petróleo não é eterno e quando a China e a Índia começarem a beber dele à tripa forra a pressão sobre os países produtores vai ser muito maior do que é hoje. E as reservas vão-se em poucas décadas.

E mesmo que o Irão produza armas atómicas, qual é o galho? Claro que a generalização do Nuke Club a toda a maltosa não é propriamente o cenário mais seguro para o planeta e o apoio dos Aiatolas ao radicalismo islâmico não augura nada de bom.

Mas ... e então?

Não será fatal como o destino que com o "progresso" tecnológico cada vez mais países terão acesso ao know how e aos meios para fazerem bombas atómicas? É preciso aprender a viver com essa realidade em vez de apenas tentar-se evitá-la com uma autoridade global que não existe. A ONU, para além dos tachos que distribui e de ir controlando guerrinhas locais, de pouco mais serve.

Com este escarcéu todo, o que os Camones conseguem é que o preço da gasolina continue a subir. E se resolverem atacar o Irão, aí é que temos que começar a pensar mais em andar de bicicleta.

Que porra!!!