Saturday, March 04, 2006

Ainda as caricaturas

A revista The Gate, folheada para entreter a espera no Aeroporto de Istanbul, trazia o interessante cartoon que acima reproduzo. Representa a torre de Galata (no bairro onde o Galatazarai nasceu) com um maduro, de turbante e cofió, a saltar equipado com asas postiças.

Com a confusão que por aí andou, espero que o cartoonista não se veja acusado de representar o Profeta, num vôo matinal sobre a cidade. Se esta caricatura estivesse junta com as outras 12 e não tivesse sido publicada em Istanbul, era, certo e sabido, o que teria acontecido.

Por falar nisso, parece que a sanzalada das caricaturas se extinguiu, talvez por falta de combustível.

...também não a consigo condenar

O tribunal que julgou Maria da Conceição por assassinato consumado do marido Gonçalo absolveu-a por a acusação não ter conseguido provar o crime.

A vol d'oiseau, o Gonçalo dava porrada de criar bicho na mulher, a quem ia fazendo filhos nos intervalos do tráfico da droga, dos copos e da vadiagem. Um belo dia morreu, ela meteu-o numa arca frigorífica e lá o "conservou" seis neses até se mudar com o novo marido para outra terra. Não se sabe se o novo marido lhe bate, mas é de esperar que a olhe com algum "respeito", já que cesteiro que faz um cesto faz um cento, se me faço entender.

A EDP cortou a electricidade à casa anterior, onde o Gonçalo foi apodrecendo na arca, convenientemente deixada para trás por estar avariada...

Dois anos depois de ter sido congelado, o Gonçalo, ou o que dele sobrou (a foto, tirada do Correio da Manhã de sexta feira, 3 de Março, mostra umas raspas dele no fundo da arca), foi descoberto pelo senhorio e a Judite foi directa à Conceição, de dedo espetado, acusando-a do crime.

Este tipo de casos é dos poucos em que acredito que a justiça (ou coisa que o valha) possa ser feita pelas próprias mãos. E isso por um simples motivo: é que "a Justiça", na grande maioria dos casos de porrada intra muros, nem sequer chega a meter a sua colher entre o punho do marido e o corpinho da mulher. A dita pode levar porrada a vida inteira (leiam os jornais, gentes) que o valente só tem chatices quando exagera um bocado e ela morre. Até lá, nada os pára.

Nada, excepto um pouco de arsénico no café...

Magnata de quê?!

Regressar a Portugal na TAP tem algumas pequenas vantagens. Uma delas é começar a ler os jornais portugueses (mais ou menos) confortavelmente sentado antes de cá chegar.

E, digam lá o que disserem, ler os jornais na net sucks: ler jornais é ter o papel nas unhas, folheá-lo, esbarrar nas costas da cadeira em que o gajo da frente se recosta, pôr de parte as folhas que só fazem peso, dobrá-lo, desdobrá-lo (que chatice, os dedos já estão sebentos...), cheirá-lo, ler os títulos (isto é só palha, que raio!), voltar atrás para, finalmente, ler o pouco que interessa. Mas, como dizia António Botto, "enfim, gosto!"

E no meio dessa orgia de cheiros e papel amarfanhado, lendo o Correio da Manha (como lhe chama, com muito a-propósito, o meu amigo João Reis) que vejo eu?! (perguntem lá, carago: "que viste tu?"). O que acima reproduzo: "Alexandre Alves aposta no Algarve" e o da manha designa-o como "MAGNATA DOS MEDIA".

Para já, o Algarve que se cuide, pois, se se mantiver a "tradição", vai à falência na certa e o "magnata" fica um pouco mais rico.

Este "rapaz" que o da manha nos apresenta já na meia idade, em pose "desportiva" e com um belo bronzeado (um luxo em pleno Inverno...) entrou muito novinho para a Tepclima (creio que ainda na fase de Tiago & Pereira) como adjunto técnico, ou estagiário, ou por aí, era muito esperto e desenrascado e subiu muito rapidamente na empresa. E subiu por mérito próprio, em grande parte, diga-se de passagem e em abono da verdade.

Com a criação da FNAC (não a dos livros, mas Fábrica Nacional de Ar Condicionado, com o lince, lembram-se?) ganhou asas e projecção até que o negócio começou a correr mal, os japoneses (e não só) atacaram em força e, a partir de certa altura, não houve volta dar-lhe.

A coisa foi ao ponto de os cooperantes terem ficado sem um tusto (a Tepclima, "herdeira" da Tiago & Pereira, foi uma cooperativa até ao fim) .

Só que, não obstante as empresas se irem afundando sem solução à vista, alguns "funcionários" enriqueciam a olhos vistos, ele eram altos casarões na Arrábida, altos carrões, altas vidas, chegando mesmo três deles, gestores de topo, a verem-se incluídos nas listas dos mais ricos de Portugal, com fortunas acima de 1 Milhão de contos. O "nosso" Alexandre Alves era o mais enricado dos três, seguindo-se o Engº Brito e a Dra Ladeiras.

Realmente, a competência de um gestor bem poderia ser avaliada à luz deste critério: mesmo que os negócios da empresa vão a pique e o pecúlio dos cooperantes e accionistas se desvaneça, o gestor consegue, contra ventos e marés, salvaguardar "o seu".

Portanto, o Algarve que se cuide e que se cuidem as empresas em que o Alexandre vai investir os tais 4 Milhões de euros.

Ah! que se cuide também quem cair com os 4 milhões, para financiar o magnata...

Sunday, February 26, 2006

LUÍS FILIPE GODINHO (FIXEM O NOME!)

Começou o julgamento do grandecíssimo FILHO DE PUTA que dá pelo nome de Luís Filipe Godinho.

O grandecíssimo CABRÃO era Monitor na Casa Pia (colégio de Santa Catarina) onde passava noites com as crianças à sua mercê, perdão, à sua guarda.

E então era o bom e o bonito! As crianças gritavam, fugiam, queixavam-se e ... nada aconteceu a este BANDIDO durante anos e anos, a ponto de serem imputados a este imundo CANALHA 125 crimes de abuso.

Como teria sido possível a coisa durar tantos anos se não tivesse gozado de silêncios cúmplices (para proteger o bom nome da Instituição, claro!) quando não e cumplicidades ... silenciosas? Só depois de rebentar o escândalo do Bibi & Companhia é que as queixas das crianças foram ouvidas!

Terá isto alguma coisa que ver com o facto de o anterior chefão da Casa Pia ter sido Provedor durante 17 anos?

Tem que ter, até porque o MELIANTE REFORMADO, e com uma bela reforma, (não me lembro do nome do SACANA) tratou, entre outros, do "dossier Carlos Silvino" há uma porrada de anos, pelo que não podia ter deixado de tomar providências para manter sob controlo estreito os colégios sob a sua alçada, os dormitórios à guarda de adultos lúbricos e antigos abusados, crianças pequenas (e/ou deficientes) à mercê de colegas mais velhos, formados com exemplos tão edificantes na Instituição.

O processo Casa Pia não ficará completo (ou mais perto disso) se o antigo Provedor não fôr chamado a explicar-se e a responder por olhar para o lado quando os crimes se passavam sob o seu delicado nariz!

Lembro a frase que Luís Sttau Monteiro colocou na boca de Abraão Zacut, tão adequada ao crime do antigo Provedor:

"... e ai de quem responder: "Senhor, eu dessas coisas não sei, mas sempre honrei pai e mãe e nunca trabalhei ao Sábado"; porque aos olhos do Senhor há apenas um crime, o de fechar os olhos!"

... e o grandecíssimo CABRÃO manteve-os bem fechados e com tampões nos ouvidos!

...

Seila, fui suficientemente agressivo e bruto? é que era mesmo para ser!

Qu'a ganda manif, carago!!!! (se fosse cigano ou árabe...)

Em França foi raptado um rapaz de seu nome Halami. Acabou por ser morto. O nome sugere orígem árabe, mas não: era judeu!

Resultado, uma manif que meteu cardeal, ministros, "gente importante", contra o racismo e o "anti semitismo" (?!). Quando morto é um vulgar "branco", cigano, preto ou árabe (os do costume...) alguém se lembra de promover uma manif destas (e o cardeal de nela participar)?

Mas sendo judeu... o caso é grave!

Transcrevo o Expresso de ontem:

"Milhares de pessoas protestaram hoje à tarde contra o racismo e anti-semitismo nas cidades francesas de Paris, Lyon e Bordéus, devido ao rapto, tortura e morte de um jovem judeu, Ilan Halimi. Estiveram presentes na manifestação em Paris, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, e o cardeal Jean- Marie Lustiger para além de responsáveis religiosos de todas as confissões, políticos de todos os quadrantes, associações muçulmanas e judias. A família de Ilan Halimi não participou na marcha. Nas primeiras filas estavam o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França, Roger Cukierman, a antiga ministra Simone Veil, o primeiro secretário do Partido Socialista, François Hollande, o presidente da Assembleia Nacional, Jean-Louis Debré, e o antigo primeiro-ministro socialista Lionel Jospin. Um pequeno incidente registou-se à chegada do presidente do Movimento pela França (MPF), Philippe de Villiers, considerado pelas associações anti-racistas «persona non grata». Villiers é conhecido pelas suas posições bastante críticas contra a «imigração descontrolada» e contra a «islamização de França». Alguns manifestantes empurraram-no, enquanto gritavam «racista, racista». A polícia interveio, pondo fim ao incidente. Ao contrário do que fora anunciado, e que fez cancelar a participação de algumas organizações, não esteve presente qualquer representante da Frente Nacional, o partido de extrema-direita de Jean- Marie Le Pen. Uma faixa dizendo «A França negra, branca magrebina contra o racismo e o anti-semitismo», escrita com o alfabeto hebraico e latino, foi desdobrada pela organização SOS Racismo no meio de jovens manifestantes que gritavam «Vingança para Ilan», «Justiça para Ilan». Num outro dístico da União dos Estudantes Judeus de França lê- se: «Racismo, anti-semitismo, violência, indiferença, Mariana (símbolo da República francesa) os teus filhos estão em perigo». Ian Halimi, vendedor de um armazém de rádios em Paris, raptado a 21 de Janeiro por um grupo que pretendia obter um resgate, foi encontrado agonizante perto de uma gare dos arredores a 13 de Fevereiro, amordaçado, algemado e com o corpo coberto de queimaduras. Morreu pouco tempo depois. Das 17 pessoas investigadas, dez têm antecedentes relacionados com anti-semitismo."

Não há dúvida, mortos também os há de 2ª, de 3ª e, neste caso, de 1ª!

Friday, February 24, 2006

Os assassinos estão entre nós

Este era o título de um livro escrito há umas boas décadas, tratando da questão dos nazis com responsabilidades directas no Holocausto que continuavam à solta, com identidades falsas, gozando muitas vezes de situações desafogadas proporcionadas por fundos constituídos em devido tempo.

Mas isso são outros contos e não vos chatear com a "Odessa", nem com o "Corredor Vaticano" nem com outras trivialidades quejandas...

Vou só lembrar que um Holocausto em menor escala ocorreu na ex-jugoslávia e que grande parte dos assassinos continua à solta, ainda vivinhos e escorreitos, como o exemplar que acima vos apresento: Ratko Mladic, chefe do exército dos sérvios na Bósnia de Radovan Karadzic (cujo julgamento decorre). Claro, como os holocaustados não eram judeus, o brado foi relativamente pequeno.

Esquecer o Holocausto (também) tem destas consequências.

Wednesday, February 22, 2006

Os murais do pós Abril 74

Depois do 25 de Abril, as paredes de Lisboa encheram-se de pinturas, umas mais perfeitinhas que outras. As da UDP eram das menos conseguidas, pouco imaginativas e veiculando as ideias pouco sofisticadas do grupelho:

As do povão eram das mais engraçadas, como a que marca a diferença entre o tonto do Otelo e o chefão da Pide.

Cool, man, cool!!!

... mas nada chegava aos calcanhares dos murais do Glorioso, em qualidade gráfica, pelo menos:

Thursday, February 16, 2006

Os cartoons, os disparates e ... o politicamente correcto

A guerra das caricaturas continua para durar, agora com todo o bicho careto a querer marcar terreno.

  • O Freitas, a querer ser "estadista", responsaável e apaziguador (valeu-lhe um elogio do embaixador do Irão!);
  • O Embaixador do Irão, a seguir ao elogio, a dizer que enquanto desempenhou idênticas funções na Polónia foi a Auschwitz-Birkenau, fez contas (?!) e considera que eram precisos 15 anos para matar 6 milhões de judeus. Logo é preciso fazer uns seminários para tirar a limpo quantos foram mesmo mortos.
  • O Freitas (outra vez?!) para corrigir a mão e mostrar que é teso chamou o Embaixador do Irão às Necessidades para lhe comunicar que está muito chateado com a negação do Holocausto (o Freitas ouviu ou leu a entrevista do iraniano? parece que não...), que é uma grosseira deturpação da História e que foi uma ofensa à Humanidade (o Freitas passou-se);
  • A tontinha da Embaixadora de Israel (who else?) , mostrando que nem dá para ser criada da Colete Avidal (se bem me lembro era este o nome de uma colega dela, só que embaixadora dos States), disse-se muito chocada (parecia estar com a lagriminha ao canto do olho...) com a tal grosseira deturpação da História, que nestas coisas não se faz contas (pois, não interessa mas são seis milhões e acabou-se!) mas lá foi dizendo que muita gente foi morta noutros campos, na rua, "em valas comuns" (portanto, se calhar até se pode fazer contas...);
  • O sr dr Vitorino, na sua performance para contrabalançar o Professor, na RTP 1, todo enfatuado e pedante (será bicha?!) considerava as caricaturas de um enorme mau gosto. Mais um que não as viu. Pateta!

Bem, resta-me deixar aqui o link para um site iraniano de caricaturas, muito anterior ao actual concurso sobre o Holocausto, e com muita coisa boa.

Os exemplos que aqui vos deixo são de um croata, Milos Panic, e não tem nada que ver com o Profeta nem com a Shoa, e de um brasileiro, Latuf. O link vai directo à versão em inglês. Se não, não se esqueçam de clicar no "ENGLISH", para pescarem alguma coisa...

Open your minds, folks!

http://www.irancartoon.com/

Thursday, February 09, 2006

Pedroso ainda ausente - até quando?!

Ontem, mais uma vez (Público de 8 FEV), Paulo Pedroso foi referido por uma vítima, não obstante ter sido "miraculosamente" despronunciado e pesem embora as ameaças (legais...) que pesam sobre quem ousar referir Sua Excelência como seu abusador.

O advogado do balofo ex-político tem sido muito eficaz em ameaçar com processos quem ouse referir o seu cliente. A mensagem é clara: se abres o bico, a gente lixa-te!

De tanto ser referido, Pedroso até faz lembrar o movimento de apoio à Fátima Felgueiras (uma colega). Enquanto ausente no Brasil os seus indefectíveis lançaram o movimento "Fátima Sempre Presente". By the way foram (vão?) a Fátima agradecer a graça da eleição à Jacintinha, à irmã Lúcia e à Xará, que terão intercedido por ela, 2000 apoiantes, em grande romaria de 50 autocarros. Esta merecia um post autónomo, carago!

Se Pedroso fosse um cidadão normal, com tanto testemunho já teriam sido tiradas certidões das declarações que o envolveram e aberto um processo autónomo contra o putativo enrabador de criancinhas. Ou reaberto o anterior. Ou chamado a aterrar no presente julgamento, onde tanto depoimanto o chama. Ou...

Mas sendo quem é, parece estar protegido por um escudo invisível...

Wednesday, February 08, 2006

As caricaturas - os judeus


Este post foi motivado pela reacção de um jornal do Irão que considero muito positiva e até engraçada. Em vez (se calhar para além de, não sei) da incitação à violência, estabeleceu um prémio de duas moedas de ouro (o que totaliza à volta de 300 dólares) para quem ganhar o concurso da melhor caricatura sobre o Holocausto.
Bem, à parte legislação um bocado bacoca e complexada (a tal que criminaliza a negação do Holocausto, mas não quem nega que D. Afonso Henriques tenha batido na mãe) a nossa civilização dá-nos a liberdade de fazer pilhéria com tudo. Se alguém se sentir ofendido, pode sempre recorrer aos tribunais.
Assim sendo, vou abrir aqui um espaço para caricaturas sobre o Holocausto, a ver o que é que sai à cena.
Para já, um desafio:
  • haja quem ilustre a cena de dois SS, um com uma toalha à cintura e outro fardado a preceito, olhando para o fumo que sai da chaminé do crematório do campo; o banhista diz para o outro: "temos que melhorar o método, assim não sobra nada para fazer sabão!"
Bom, aqui fica o tal cartoon, esperando não ser esquartejado por nenhuma vaca sagrada.

Tuesday, February 07, 2006

12 caricaturas e 30 virgens

Não consigo perceber o fuzué que vai por esse Mundo Islâmico por causa das caricaturas do Profeta. A questão foi mantida em carteira, em banho Maria, desde Outubro, à espera da altura oportuna para vir a lume e incendiar a rapaziada. O momento parece ter surgido agora, com o pessoal de peito cheio de vento com o triunfo do Há Mais e de orgulho com a posição destemida e tesa do endiabrado Ahmadinejad (porra, até já aprendi, de carreirinha, o nome do mânfio...) .
Mas devia haver limites para a hipocrisia!
A padralhada islamita incita os candidatos a mártir a fazerem-se explodir levando consigo para o outro mundo o maior número possível de infiéis. Garantem-lhes acesso directo ao Paraíso e até lhes reservam um número indeterminado de virgens (30 parece ser o número mais badalado) para entreterem as longas noites da eternidade.
Ou seja, se a padralhada garante que Allah e o Profeta abençoam o martírio dos bombistas suicidas por que carga de água se mostra tão ofendida por Maomé ser representado com uma bomba no turbante?! A representação não é de um criminoso mas sim de um mártir da jihad islâmica, um herói!
Afinal o Profeta apoia os bombistas ou a padralhada está a mentir?
Em que é que ficamos?

Outro cartoon representa um S. Pedro islamita às portas do Paraíso, a receber alminhas chamuscadas de bombistas suicidas, gritando:
"Alto! Alto! Esgotámos o stock de virgens!"
Bem, este cartoon, além de ter a sua graça, decorre directamente do que os clérigos islâmicos pregam (eles, não os infiéis) sobre os méritos do martírio e o prémio respectivo (Paraíso com virgens).
Então, qual é a ofensa?!
...
Esta questão das virgens fez-me sempre imensa "espécie". Se um tipo chega ao Paraíso sem corpo, só com a alminha, para que raio quer 30 virgens?! Mesmo que seja só uma, o desgraçado vai passar a eternidade a olhar para ela (babando-se, quando muito, em espírito) sem lhe poder "fazer" nada.
P'ra quê as virgens?!

Monday, February 06, 2006

Casamento & fufas

A semana passada foi dominada pela discussão sobre as caricaturas de Mafoma (aquela do "stop! Stop! we ran out of virgins!" está uma delícia e, afinal, não são os infiéis que oferecem o paraíso com 30 virgens 30 a quem se fizer explodir em nome e proveito de Allah; portanto, qual é a ofensa?!).

Internamente, a semana foi marcada pela tentativa de duas m'cinhas, Lena e Teresa, casarem (uma contra a outra). Tudo isto promovido pelo sr dr advogado Luís Rodrigues que as patrocina à borliú (pro rata - perdão, pro bono), capitalizando uma notoriedade que, até hoje, nunca teve. Mas, de nega em nega, até ao Supremo, o dr vai ficar famoso e ... rico.

Elas continuarão solteiras e ... fufas.

Dependendo das suas profissões, talvez venham a ganhar alguma coisa com esta exposição.

O parlamento discutirá duas propostas (ou projectos?) de lei, do PCP e do BE, serão chumbados (naturalmente) e p'ro ano há mais!

Afinal,não custava nada criar um novo tipo de casamento e chamar-lhe "casamento homossexual": podia ser assumido por dois gays, por duas lésbicas e, se lhes desse para tanto, por um gay e uma lésbica.

A lei passava a prever os dois tipos de casamento, um entre pessoas de sexos diferentes e outro para pessoas do mesmo sexo. Podia até poupar-se nos formulários, devendo os putativos nubentes colocarem uma cruzinha no quadrado à frente do tipo de casamento escolhido.

Fácil, não? Só que (suspeito) os mariconços iam querer o outro, o bom...

Sunday, January 29, 2006

Angola e o recrutamento local - as baixas

Depois do "para Angola rapidamente e em força" do Botas de Santa Comba e de se ter consumado, pelo menos simbolicamente, com a tomada de Nambuangongo, a reocupação das áreas que a UPA chegou dominar , houve que reajustar o dispositivo para se fazer face a uma situação que se adivinhava prolongada.

As acções de polícia (se alguma vez o foram) iriam transformar-se numa guerra de desgaste sem fim à vista, impondo-se uma "vietnamização" da guerra, tão profunda quanto possível.

A existência de vastas áreas intocadas pela guerra, o cariz marcadamente tribal da UPA e a existência de uma população branca e mestiça em franca expansão, permitiam apostar numa participação cada vez maior de tropa recrutada e treinada em Angola, aliviando o esforço que Portugal fazia, agravado pela eclosão de acções de guerrilha em Moçambique e na Guiné.

A tese de Mestrado do Dr Henrique Gomes Bernardo sobre "Estratégia de um conflito - Angola 1961-1974", defendida em 2003 no ISCSP, aborda aquele tema e dela extraímos os dados que, com a devida vénia, apresentamos no quadro e no gráfico aqui reproduzidos.

Vemos, assim, que a seguir à eclosão do terrorismo a percentagem dos efectivos de recrutamento local seguiu uma linha geral ascendente, com pequenas quebras em 1965 e 1969 e uma quebra brusca em 1967. Nos primeiros anos da década de 70, os efectivos de recrutamento local preenchiam mais de 40% do total. Esta participação na guerra não teve, contudo, correspondência no número de baixas, sendo a mortalidade na tropa de recrutamento local cerca de duas vezes menor que a da tropa oriunda da então metrópole.

As estatísticas apresentadas na tese não são suficientemente desagregadas para permitirem compreender as razões desta disparidade. Contudo, desenhava-se, nos últimos anos de guerra, uma tendência para a equalização das taxas de mortalidade (ver valores para 1971-73) que o 25 de Abril veio interromper. O gráfico seguinte mostra que só em 1961, 69 e 73 as taxas de mortalidade estiveram próximas do equilíbrio, sendo o valor médio de cerca de 50%.

Estes dados vêm lançar alguma luz sobre sobre a velha questão agitada por parte da população branca das colónias, em particular de Angola, segundo os quais a guerra foi um negócio para a tropa que ia da metrópole para Angola "encher-se". É verdade que a guerra é sempre um negócio para muita gente e a de Angola não o deixou de ser para muito boa gente (militares, principalmente oficiais do QP, mas também civis e não só da metrópole...) que conseguiam o ingresso em carreiras na administração colonial, bem mais compensadoras que o acumular de comissões, mesmo quando cumpridas no "ar condicionado".

Não devemos, contudo, permitir que as árvores nos impeçam de ver a floresta: as centenas de milhares de jovens que foram arrebanhados para a guerra, para defender o modo de vida colonial que nada lhes dizia e com que nada beneficiavam, em condições de risco de vida duas vezes maior que o que corriam os mancebos incorporados localmente. Ou seja, os mancebos que iam defender a sua própria terra (e o seu modo de vida) faziam-no em condiçoes bem menos arriscadas que os que vinham da metrópole!

Estes estudos que vão aparecendo, à medida que o distanciamento no tempo vai permitindo encarar o colonialismo e a guerra numa perspectiva histórica e menos numa de paixões exacerbadas e sentimentos de perda irreparáveis e podem ser usados como instrumento para dar resposta aos que, tendo refeito a sua vida depois do trauma do regresso das caravelas, não desistem de denegrir o papel da tropa que, defendendo o sistema colonial durante 14 anos, lhes permitiu manter a ilusão de um futuro possível, numa situação perfeitamente anacrónica, sem paralelo no mundo (orgulhosamente sós, dizia o Botas!).

Ilusão mantida com o sacrifício, quando não do sangue e da vida, de toda uma geração.

O Europa vai abaixo - um bom exemplo

Veio a público (não me lembro se no Público...) que o ex-cinema Europa vai mesmo abaixo. Finalmente!!!

Ainda bem, porque, para além de um péssimo enquadramento na malha urbana (por outras palavras - é um verdadeiro mamarracho!), o edifício está ocupado por pombos que, muito justamente, consideram a fachada um monumental pombal. A foto acima e as inseridas não enganam!

Todos os recantos são utilizados pelos ratos voadores para fazerem as suas necessidades, quando não as fazem directamente na carola de um incauto transeunte.

Um chiqueiro!

Felizmente, parece que, desta vez, a coisa vai fazer-se a contento dos moradores, dos "amantes da kultura", do promotor imobiliário e até da Câmara!. O projecto contempla habitação nos andares, comércio no rés do chão, estacionamento em cave e uma área kultural, ainda não se sabe muito bem onde, nem para quê, nem gerida por quem, nem paga por quem...

Mas do mal, o menos: o dono do edifício vai poder tirar o devido rendimento do bem que possui, a CML deixa de ter à perna a mão estendida dos tais "amantes da kultura" e os moradores livram-se do mamarracho, do chiqueiro e do Europombal.

Até pode ser que passem a usufruir do tal espaço kultural - mas isso, se calhar, era pedir demais...

NEVOU EM LISBOA!

Esta tarde, durante mais de meia hora, nevou em Lisboa!

A temperatura não estava suficientemente baixa para impedir a neve de derreter antes de se acumular, mas o efeito dela a cair, com flocos de tamanho razoável, foi uma delícia.

As fotos foram tiradas de minha casa, do lado do Carrefour.

Saturday, January 21, 2006

Os moradores querem kultura no Cine Paris, já!

Aqui vai uma foto do mamarracho que a CML, pressionada pelos "moradores", adquiriu, em estado mais que lastimoso. Suspeito que assim ficará por uns tempos largos...

Espero que a CML o venda a uma imobiliária que edifique no local e que "devolva" os carcanhóis que a CML gastou com tão improvável centro de Kultura, a dois passos da Casa Fernando Pessoa.

...E NÃO PRENDEM O GADJO!!!

Afinal o cacau não era nada do sobrinho do Isaltino, não eram só duas ou três contas, nem eram apenas umas dezenas de milhar de Euros. Eram uma porrada de contas, alimentadas com dinheiro em notas, ao longo de anos e anos, por familiares e funcionários da Câmara de Oeiras, ascendendo a mais de UM MILHÃO DE EUROS.

Era o esquema das licenças de construção com taxa de urgência...

Parece que só se prova a corrupção com um empreiteiro (um tal Algarvio...) mas o crime de fuga ao fisco é limpinho: há cacau, não entrou na declaração do IRS nem foi feito o pagamento do consequente imposto.

Choça com o gajo!

Qual é ele, qual é?

O Expresso de ontem trazia-nos uma espécie de adivinha que chapo na figura supra, dizendo que o Lino não era.

Na mesma página, vinha uma foto, tirada do DN, com a boca do ex-PC ministro das obras feitas e das otas por fazer. Não será mesmo ele o de cujo?

É que se não for, fico preocupado por haver outro com ainda maior capacidade para aldrabar o pagode...

Wednesday, January 11, 2006

O Jerónimo no Couço


Coitado do Jerónimo! Eu nem devia falar nisto (até se me dói a alminha), mas tem que ser: o homem quer ser Presidente de Portugal e, portanto, não lhe posso permitir baldas.
Em visita ao Couço, retiro ultramontano de comunas empedernidos, uma espécie de sóvia na parvónia, já no longínquo 1975 em que dei aulas de ginástica (?!!!) em Coruche, o kamarada Jerónimo exortou os presentes a que "chamassem os kamaradas que ainda não sabem em quem hádem ir votar..." etc, etc.
É verdade que o kamarada Jerónimo tem menos obrigação de saber falar correctamente que o saloio do sr dr Jorge Coelho.
Mas, porra!!! Se o homem quer ser Presidente de Portugal, alguém tem que lhe ensinar a evitar as bacoradas mais frequentes.
Pelo menos essas!

O Miguelinho e o Iraque

Franzindo imenso as bochecas o Miguel Sousa Tavares arengava às massas ontem, no jornal da noite da TVI, contra os malandros dos amaricanos que atacaram o Iraque onde (toda a gente sabia que) não havia armas de destruição maciça, quando o grande perigo é o Irão.

Já há uns anos Israel atacou as instalações nucleares do Irão, etc, e tal. Isso: ele disse Irão e, pelo "raciocínio" anterior, não parece ter sido engano.

Liguei para a TVI onde duas mocinhas, sucessivamente me atenderam e ouviram a minha exortação de que era preciso alguém contactar o telejornal para corrigirem o bacano.

Foram tão pacientes comigo que, é certo e sabido, me consideraram doido e que, obviamente, o sr dr Miguel estava coberto de razão.

Claro que não houve correcção nenhuma... e o bruto continua a "comentar" à terça feira na TVI, torcendo imenso a fronha, para se perceber que tem convicções muito fortes.

Como diz a minha mais que tudo, "só coisas que me arreliam..."