Monday, June 20, 2005

A Marcha Contra a Criminalidade

Os skins cá do burgo ficaram muito preocupados com o aumento da criminalidade e o PRN tratou logo de convocar uma marcha para protestar contra os criminosos "vindos de fora" e, já agora, caçar pretos. Esta designação também inclui árabes, monhés, ciganagem e, em geral, tudo o que não seja meninos puros e "limpos" como eles (?!). Curiosamente, nos States a designação "pretos" também os inclui a eles (nós) que, como hispânicos, não somos tão brancos como os irlandeses... um gozo!

Num dos slogans, os marchantes apelavam a um Portugal "mais branco e mais limpo". Com malta merdosa como a que apareceu na manif, e que as fotos que saíram no Público mostram bem, acho que eles queriam era dizer:

POR UM PORTUGAL MAIS BRONCO E MAIS CARECA!!!

Saturday, June 18, 2005

Mentiroso! (olha quem fala...)

A Função Pública está zangada com o Governo; parece que os médicos e os farmacéuticos também e, ultimamente, a rapaziada dos tribunais juntou-se à pandilha. E, estes últimos, nem têm pudor em declarar que ameaçam greve por não admititrem qualquer degradação no seu estatuto (mesmo assim, grandes pulhas!!!).

É claro que o Delfim tem-se posto a jeito, depois de prometer mundos e fundos, de ter dito e repetido que não subia os impostos (até parecia o pai Bush "read my lips: no tax raises!") acabou por subi-los e de que maneira. Quebrada a promessa-jura por um, quebrada por mil e vai daí é o IVA, é o imposto sobre combustíveis, é o imposto automóvel, é o imposto sobre o tabaquinho ... é fartar vilanagem. Cortar significativamente nas despesas do Estado é que não!

A ver vamos se a mão que segura o cartaz que chama mentiroso ao Delfim ainda se lembrará disso quando for chamada a pôr a cruzinha nas eleições para o parlamento, daqui a um monte de meses...

Cunhal é fixe!

"... on pardonne à tout ceux qui nous ont ofensés, les morts sont touts des braves ty-y-pes!" mais coiso, menos coiso, assim Georges Brassens cantava os mortos que, uma vez mortos, deixavam de ser os sacanas que foram em vida para passarem a ser uns tipos porreiros.

É o que parece ter acontecido com Cunhal que, depois de uma vida a defender o modelo soviético (o do Grande Pai Staline, entenda-se) e outras desgraças quejandas cá para o burgo (e para a Checoslováquia, en passand...), aparece agora como um cidadão exemplar, pai de família, (só falta) temente a deus e ... benfiquista.

Até a delegação do CDS/PP, com o seu novo presidente e a Zèzinha à cabeça testemunharam o seu incondicional apreço pelo camarada Álvaro, cantando o "Avante, Camarada" a plenos pulmões.

Só visto!

Sunday, June 05, 2005

As reformas especiais e os velhos de primeira

A reforma especial do ministro das Finanças tem dado que falar, nem sempre pelas boas razões. Muito do que se tem dito passa, a meu ver, ao lado da questão que interessa discutir: se o tal fundo de pensões foi alimentado com descontos feitos ao vencimento do senhor, ou se foi alimentado por verbas públicas, retiradas dos resultados da instituição, Banco de Portugal, neste caso.

Quem tem o caso Mira Amaral ainda fresquinho, lembrar-se-á, certamente, que os 18.000 euros mensais eram "compostos" com uma pensão vinda de um fundo especial para onde, para além dos descontos dos participantes, a Caixa Geral de Depósitos vertia todos os anos verbas avultadas, tudo legal, tudo aprovado em Conselho de Administração.

O mesmo se passa, certamente, no Banco de Portugal pois 6 (seis) anos de descontos no vencimento de um Vice Governador não geram, de maneira nenhuma, um capital que, por muito bem gerido que seja, pague uma renda vitalícia de 8.000 euros por mês.

Fazendo as contas de forma grosseira, para não complicar, diria que para render por ano 96.000 euros (12 x 8.000), o capital investido atingiu um valor de (a 5% ao ano - fundo sem risco muito, muito bem gerido) 96.000/0,05 = 1,92 milhões de euros.

Supondo que o senhor só começou a receber a pensão 5 anos depois de sair do BP, período durante o qual o capital só se valorizou, ele valeria, aquando do último desconto, 1.920.000 / 1,276281562 = 1.504.379 euros. (1,276281562 é 1,05 elevado a 5, anos com juros compostos)

Se o actual senhor ministro fez descontos durante 14 meses por ano, ao longo de seis anos, o desconto mensal terá que ter sido de cerca de 17.909 euros. Na realidade, foi menor, da ordem dos 17.000, pois cada desconto mensal valorizou-se ao longo de 72 meses, o primeiro, ao longo de um mês, o último.

De qualquer modo, estas "contas de merceeiro" servem para mostrar que nenhum vice governador, só com descontos no seu vencimento constitui um fundo que lhe pague uma renda vitalícia de 8.000 euros por mês.

Note-se que se o fundo fosse ainda melhor gerido e rendesse 10% ao ano, a desconto mensal teria de ser, mesmo assim, da ordem dos 7.000 euros; se rendesse uns mais normais 3%, o desconto mensal teria que ter sido da ordem dos 30.000 euros!!!

Portanto, há que "indagar" e perceber quanto, de dinheiros públicos, é desviado dos lucros do banco para municiar o fundo especial que faz do senhor ministro um velho de primeira, no meio de nós outros, futuros velhos de 2ª, 3ª ou 4ª, cujas reformas não terão aquelas benesses.

Ainda a profanação do Corão

O mundo Islâmico continua excitadíssimo (alguma vez deixou de estar?!), desta vez com a suposta profanação de um exemplar do Corão.

O Público dedica hoje meia página a tão interessante assunto: as investigações para determinar se na prisão de Guantánamo se respeita ou não o Corão!!!!!!

A vida, a liberdade, o direito a ser acusado formalmente no prazo que a lei determina, etc, etc, são minudências que não interessam puto àquela malta (suspeito que nem sabem o que isso seja...). Querem é saber se os salpicos do mijo do soldado camone, semi-atrasado mental a quem dá imenso gozo mijar para os ventiladores das celas (!!), atingiram ou não um exemplar do Corão.

E estão-se cagando para o resto (como diria o pateta do Ferro Rodrigues).

Entretanto as pobres criancinhas educadas (?) no seio daquela religião manifestam-se de Cor(aç)ão aberto, contra os horrorosos mijadores!!!!

Merda de mundo aquele, carago!

Os reformados da Função Pública

O Público trazia este domingo um cartoon do Luís Afonso (o do Bartoon) que está uma delícia. Deliciem-se:

Wednesday, June 01, 2005

AS MULHERES NO ISLÃO

Há pessoas que, quando se fala de Islão, muçulmanos, etc, referem imediatamente a sua florescente cultura, as matemáticas, as casas ecológicas, etc, etc.

Desgraçadamente isso foi há uns 1000 (mil) anos.

Actualmente, para além dos suicidas em busca de 30 virgens celestiais (o número varia) em troca da morte de infiéis (e de muçulmanos que estiverem por perto...), a florescente civilização islâmica é, essencialmente, uma sociedade de homens com uns animais bípedes e sem alma que são pau para toda a obra (e para todo o pau) ao serviço dos senhores: as mulheres.

A imagem (tirada do Público) sugere que, se com os talibans as mulheres eram vítimas de um particular encarniçamento de sacristas frustrados e impotentes, com os senhores que se seguiram não deixaram de ser praticamente escravas de labregos que precisam de as humilhar para se sentirem senhores. E a padralhada islâmica continua a dar-lhes toda a cobertura...

Não se erra por muito ao dizer que o grau de civilização (desenvolvimento cultural e humano, liberdades individuais, etc) de uma sociedade se afere pelo estatuto que as mulheres têm nela.

Sunday, May 29, 2005

Palettes de fetos abortados!!!

O cromo que a foto mostra é o reitor do Santuário de Fátima. Está muito preocupado com as possíveis consequências da despenalização do aborto e alertou as suas ovelhinhas para a possibilidade de os contentores dos hospitais virem a ficar abarrotados de corpos de criancinhas (inteiros, uns, despedaçados, outros) caso o aborto venha a ser despenalizado e realizado livremente nos hospitais.

Depois do aborto, atacou outra desgraça, marca dos nossos tempos, o casamento entre homossexuais, antevendo visitas de estado em que uma senhora presidente aparece trazendo outra pelo braço, ambas de malinha de mão... (realmente, tinha a sua piada)

O padreco passou-se!

De qualquer modo, esta última imagem sugere que o problema dele em relação ao aborto é "mais geral": aborto, homossexualidade, libertinagem,dissolução dos costumes, perda da Fé... e por aí fora. O que lhe vale é que o Papa foi durante quase 30 anos a figura máxima da Santa Inquisção (com outro nome, mas isso aí).

Eis a treta que nos espera daqui até ao referendo.

A França e a Constituição Europeia

Os franceses vão hoje a votos referendar a dita Constituição Europeia, sob a pressões tremendas dos que receiam o NÃO e dos que o desejam.

Os segundos, com o inimaginável Bové em destaque (o gajo marado, ultranacionalista, conhecido por partir Mac Donnald's...) dizem, entre muito disparate e muitas coisas acertadas, que a Constituição vai trazer desemprego e toda uma lista de horrores. Os nãoistas franceses querem, acima de tudo, correr com o Governo e com o Chirac. O NÃO não os derruba mas, certamente, enfraquece-os, pelo menos no plano externo.

Os defensores do SIM temem, acima de tudo, que a "Europa se desfaça" se a França disser NÃO. Temem ou querem convercer-nos disso...

Na realidade (digo eu...) se a França disser NÃO vai ficar tudo na mesma, melhor: terá que ser "afinada" a tal constituição para que possa ser aceite por todos os 25 países membros.

Ora isto é que é normal. Arranjou-se um grupo de trabalho que fez um texto (eventualmente muito bem feito) e querer-se que a maioria da população em cada um dos 25 países membros o aceitasse, logo à primeira é que seria perfeitamente anormal. Quase só por milagre assim será (seria).

É claro que se a Europa quer ter peso (e ser levada a sério) face aos States (e à China) tem que ter uma política externa, umas forças armadas, uma política económica, etc, que não resultem do que 25 países têm em comum em cada momento, ou seja, para encurtar: as decisões têm que deixar de ser tomadas por unanimidade para passarem a ser tomadas por maioria. Tão simples (e tão difícil de lá chegar...) como isso.

É claro que os pequenos países perdem todo o peso que agora têm se as decisões passarem a ser por maioria. É que agora, tendo poder para vetar as decisões pretendidas pelos "grandes", o seu voto tem que ser comprado, ou seja, os seus interesses têm que ser acautelados. Como será depois? "Ai dos vencidos!"?

Por isso, e só por isso, penso (agora) que Portugal deve dizer Não a esta Constituição, reservando o seu Sim para um texto em que os interesses dos pequenos países estejam melhor defendidos.

Sacrilégio! Bíblia na sanita

Está a causar grande indignação nos meios cristãos americanos a descoberta de fotos da profanação de uma Bíblia Sagrada, durante os interrogatórios dos presos de Guantánamo.

A foto que inserimos mostra o livro sagrado dos cristãos imediatamente antes do prisioneiro, o taliban português, ser obrigado a defecar-lhe em cima.

Contactado pela CNN, o porta voz do Pentágono limitou-se a dizer:

Se fosse outro Corão era uma chatice, lá isso era! Mas sendo uma Bíblia, francamente I don't give a shit!

Esta resposta está a causar grande indignação no mundo islâmico onde se interpretou a resposta como "sendo a Bíblia, não lhe cago em cima", depreendendo-se, pois, que o faria sobre o outro livro sagrado. Sacrilégio!

E assim vai o nosso mundo...

Thursday, May 26, 2005

É fartar, vilanagem!

Depois da grande surpresa do déficit (plain, sem receitas extraordinárias) poder chegar aos 6,8%, anunciado com grande solenidade e aos bochechos pelo impagável Vitinho Constâncio, o bom do Sócrates sacou da manga o pacote de medidas para combater o déficit (afinal, ou os 6,8% não eram surpresa ou o homem trabalha depressa) que se resumem a uma: aumentar os impostos. O resto é a treta do costume. Assim é fácil, carago!

E têm (os seus acólitos) a desfaçatez de vir dizer que só violam uma promessa eleitoral! Claro, aumentando os impostos, é fartar vilanagem: ficam com massa para gastar, gastar, gastar, como exigem as restantes promessas.

Assim é fácil, meus irmão!

Ainda assim, sempre quero ver se o Coelhone não tem que engulir a língua por ter reafirmado, ainda há poucos dias, com a eloquência que o caracteriza (e sem dizer hádem, espantoso!) que a via do Infante não terá portagens.

A ver vamos; se calhar com o IVA a 23%, a coisa ainda se consegue...

Vitinho presidenciável (depois do frete ao PS...)

Tendo acompanhado a par e passo o desempenho dos dois governos PSD/PP, produzido os competentes avisos, tecido as considerações que entendeu e feito as críticas que julgou convenientes, sempre em cima da jogada, não percebo como é que o Governador do Banco de Portugal precisou de toda esta mise en cène para descobrir que o déficit do exercício de 2005 poderá chegar aos 6,8%. E (claro!) por mór da desorçamentação (deficit "escondido") operada pelo malandro do Bagão.

Com este frete, que não o abona em nada, não é de espantar que, uns dias depois, tenha sido apontado como presidenciável.

Pudera!

Friday, May 20, 2005

A Rainha do Botox

A Manela continua saloia, malcriada, agressiva e cheia daqueles comentários patetas com que pontua o telejoenal a que só o Miguel, às terças feiras, dá resposta adequada: ultrapassa-a em patetice e saloice (pelo menos).

Mas, que se lixe! A tipa (perdão, a sra tipa), se intelectualmente é a nódoa que se ouve, fisicamente está de fazer inveja: com a pele lisa, cara redondinha (mas não gorda), bocarra de beiçola cheia, um xuxu!

O rodapé sugeria um "tratamento revoluncionário" e "plástica..." qb, bem exemplificado na fronha da Manela.

Ganda Botox!!!!

Thursday, May 19, 2005

Pedófilos na Casa Pia - 2ª condenação

Mais um violador de criancinhas (que tinham, aquando das violações e abusos 7 anos!!!) foi condenado a 9 anos de prisão e ao pagamento de indemnizações que totalizam 79.000,00 euros.

O facínora trabalhava no colégio Nun'Álvares e chama-se ANTÓNIO SANCHES.

O seu advogado fala em terrível erro judiciário e tenciona recorrer até ao Supremo.

Espero que, entretanto, os colegas de prisão o identifiquem e lhe façam a folha como deve ser...

PS - o processo principal continua, com os réus importantes e mediáticos, defendidos por advogados importantes e mediáticos, a tentarem desacreditar as testemunhas e vítimas. O esquema é: violam-nos, utilizam-nos durante anos, dão-lhes drogas e depois dizem que, como prostitutos e drogados, não produzem depoimentos fiáveis. É preciso cara de pau. E ainda há por aí um bando de patetas a puxar-lhes o saco e a tentar desacreditar a investigação!

Wednesday, May 18, 2005

As nacionalizações (vão voltar?!)

Ante a geral indiferença, a secretária de Estado Vitorino anunciou a nacionalização (perdão, a expropriação) das instalações (parte) da Bombardier, antiga Sorefame, no seguimento das "justas reivindicações" dos camaradas trabalhadores que "exigem" do governo a resolução dos seus problemas (ó tempo, voltra p'ra trás....).

A Vitorino até informou do preço a pagar à Bombardier, que seria o que estava sobre a mesa das negociações, entretanto interrompidas.

A coisa foi assim: o presidente da CP "queixou-se" ao governo (os chatos dos Bombardiers não havia meio de chegarem a acordo, admite-se?!) e a Vitorino decidiu de pronto: nacionalize-se, e mai nada! (perdão, exproprie-se e mai nada!).

Então como é que vai ser com as empresas do Vale do Ave, etc, etc, etc? Em 75, pela mão de João Cravinho (ainda activo, estará por trás desta "expropriação"?) as empresas falidas eram nacionalizadas e os camaradas trabalhadores ficavam com os seus problemas resolvidos. O Estado pagava.

Será que agora voltaremos a seguir o mesmo caminho?

E será actuando desta forma que o Sócrates espera atrair investimentos estrangeiros?

Estamos feitos!

Wednesday, May 11, 2005

Momento zen - com os animais....

Nadar com os golfinhos é fixe!

Desgraçadamente, os ditos são amestrados e a cena passa-se dentro de um cercado onde os bichos são colocados para o efeito (trazidos, penso, do delfinário sito numa ilha próxima).

E aqui vai mai uma com golfinhos:

O ser e ... o parecer

Vá lá, tenham calma.

É só o cartaz do festival de cinema erótico de Barcelona.

Muito bem caçado, por acaso!

As saídas precárias

Parece que os violadores que actuavam na cidade universitária de Lisboa foram apanhados. Um deles cumpria uma pena de 8 anos (oito anos) de prisão por, imagine-se, violação.

E eram-lhe concedidas saídas precárias que ele aproveitava para ir violando uns borrachinhos que caçava na cidade Universitária.

Quer dizer, para além das saídas precárias concedidas a condenados por assassinato, também aos violadores é dada, pelas nossas benignas leis, oportunidade de tirarem a barriga de misérias.

Isto não lembra nem ao menino Jesus, porra!!!!!

Solução? Se calhar capar o violador (qual química?! castração física, mesmo) e saídas só algemado e entre dois polícias no funeral da mãezinha!

Saturday, May 07, 2005

Os autarcas e a Justiça

Depois da batucada do Isaltino Morais (a foto mostra-o nisso, no meio dos putos que o parecem apoiar), vetado por Marques Mendes para candidato à C.M. de Oeiras, fiquei muito bem impressionado quando o PSD fez outro tanto com o major Valentim.

Ambos podem estar inocentes, ou pelo menos podem vir a ser absolvidos, mas a verdade é que são arguidos em processos que poderão arrastar-se por mais uns anos, arrastando com eles na praça pública o nome do PSD. Poderão mesmo resultar em condenações o que seria muito desagradável se os ditos estivessem em funções.

Faz parte da missão de Marques Mendes preservar o Partido, pelo que fez muito bem em excluir os dois candidatos.

Ainda por cima, ambos vivem envolvidos em fumos e aromas (principalmente o major, faça-se justiça ao Isaltino) que não são propriamente de santidade...

Friday, May 06, 2005

O Zé Sá Fernandes quer o quêêêêê?!

Há uma semana desterrado fora do rectângulo, fui espreitar o Público (a curiosidade foi mais forte...) e não queria acreditar no que li: o Pára-Obras, o Especialista-Instantâneo-em-Geotecnia, o Grande, o Maior ... o Zé Sá Fernandes quer ser Presidente da Câmara Municipal de Lisboa!

Ainda por cima, apoiado pelo outro especialista Instantâneo-em-Tudo-Incluindo-Geotecnia, o paisagista Gonçalo Ribeiro Telles.

Pobre cidade!

Como tropa de acompanhamento, a Clara Ferreira Alves, a Guida Gorda, a ex-anarco bombista Isabel do Carmo, o louco do Miguel Esteves Cardoso (já leram a obra prima do pateta, "O Amor é Fodido"? para além do título, é mau, mau, mau...), o Rui Zink e o Manuel João Ramos (quem?! ah, o dos automobilizados, outro pára-obras destacado, especializado em parar parques de estacionamento).

Realmente, depois da longa noite do João Soares e das trocas do Pedrocas, com esta candidatura (?!) e a do filósofo (nos cartazes, até parece um homenzinho, benza-o Deus!) que está a fazer planos para a cidade (pode?!), só posso dizer:

POBRE CIDADE!!!!! (coño!)

Wednesday, May 04, 2005

Longo silêncio...

Calma nas hostes, esta ausência deve-se apenas a uma semanita de retiro longe do rectângulo (quebrada agora pela curiosidade).

Já acabei o livro do Namora e quando aí chegar botarei faladura sobre o assunto. Para já, o livro recorda uma série de discrepâncias entre as posicoes (esta porra de teclado nao usa cedilhas nem tiles...) que várias pessoas foram assumindo ao longo do processo (o Ferro Rodrigues, por exemplo) as patetices habituais da família Soares, etc. O estilo nao é famoso, com o texto cheio de adjectivos (ou o Zé Pedro nao fosse comuna assumido...) e pontuado por inúmeras referências as crises de choro, pessoas destruídas, indignacoes, etc, etc. Mas, abstraindo-nos desses pecadilhos, vale a pena ler.

Bem, vou-me ao desajuno e despues un paseo en catamaram para mergullar (es asi?) con los delfines.

Pues...

Thursday, April 28, 2005

Momento ZEN - fala a Animal

Atenção, respeito, devoção. Do alto do seu pedestal, o sr dr presidente executivo da Animal (oh, égua!) honrou este cidadão com a sua douta opinião, contida numa epístola electrónica que passao imediatamente a transcrever.

Atenção e respeito, pois:

"Caro senhor, Se o tempo me permitisse – infelizmente, não permite, pois preciso de ocupá-lo na defesa séria, racional e firme dos direitos dos animais (daqueles que só quem não tem um pensamento ágil e lúcido é incapaz de reconhecer) – responderia a cada um dos absurdos apresentados neste blog relativamente à defesa dos animais, nomeadamente ao papel que a ANIMAL tem nesta área. Contudo, sinto-me desmotivado a fazê-lo, não só por ter falta de tempo (o que tenho é empregue na defesa de valores éticos e de seres de importância fundamental, faço questão disso), mas também porque constatei que os textos deste blog acerca destas questões não são textos de quem esteja informado (essa é uma das primeiras condições para se discutir qualquer assunto) nem de quem seja sério e respeitador (essa é a segunda condição para que possa haver uma discussão racional e produtiva acerca de qualquer assunto). Aplicar o meu tempo a rebater ridicularias seria um desperdício, até porque desconfio que, depois dos esclarecimentos que estabelecesse, as ridicularias seriam mantidas e talvez até se desenvolvessem ainda mais. Essa parece ser a natureza deste blog. Visite, se quiser, http://www.criticanarede.com/filos_etica.html e descubra como é que se debatem questões éticas, nomeadamente de ética normativa aplicada aos animais (uma disciplina filosófica estudada por todo o mundo por muitos académicos respeitados). Aprender não custa… Com os melhores cumprimentos, Miguel Moutinho"

Fiquei siderado com tanta eloquência e com crítica tão certeira: ignorante, não informado, falta de seriedade e respeito. E isto é sem ter tempo (afirmado e reafirmado); se o tivesse, ainda me soltava um rebanho de cabras em cima.

Grande Animal!!!

Wednesday, April 27, 2005

Das pérolas e dos porcos

Ouviram as declarações do Zé Veiga, grande empresário do futebol (com quase tudo penhorado, menos a proa) a tecer considerações sobre o último jogo do seu clube?

Não? Vá lá, sejam ecléticos e não ponham o futebol de parte, pelo menos para não perderem as broncas e boçalidades daquela gente (ou será sub-gente?).

Fartei-me de rir ao ouvir o Veiga, ainda não completamente adaptado cá ao rectângulo, mas já a dar um ar da sua graça, ilustrando o discurso com criativos provérbios. Saíu-lhe o seguinte:

"... vocês sabem que para bom entendedor, duas palavras bastam".

Duas?! Não serão quatro?

Sunday, April 24, 2005

Só na ficção científica!!! Ou talvez não...

Num site linkado à ANIMAL, entre várias preciosidades, encontrei o texto que a seguir transcrevo em que, sob o título "ESPERO QUE SOFRAS NO INFERNO" um tal Sybec (se não era assim, depois corrijo, se encontrar o sítio) destilava um ódio digno de ficção científica.

Estão a ver: defensores dos animais (bem penteados e limpos, de trajes claros, olhos redondos, lindos) em guerra permanente, de vida ou de morte, contra os besticidas carvernícolas, vestidos de peles ainda quentes e ensanguentadas, de moca em punho e faca de esfolar à cintura. A guerra terminará quando nascer um animal que aceitará ser esfolado vivo para redimir os pecados dos besticidas ... e o filme acaba com todos a comer uma ganda caldeirada vegetariana, que no meio disto tudo são sempre as plantas que se lixam - e não há quem as defenda!!

Aqui vai a preciosidade:

"Fátima Lopes, és uma autÊntica frauide, não esperas pela demora. Um movimento nacional está a se3r organizado contra ti, juntamente com a PETA. Ès uma pessoa vil e cruel e as pessoas têm de ver quem tu realmente és! já viste o video minha porca? gostas?espero que não consigas dormir sabendo que as pele que tens em casa provocaram um sofrimento tao grande aos animais. Os teus dias estão contados em que tu eras credível!"

Cá está a prima camone PETA e as ameças terríveis que a Fàtinha bem pode esperar sentada enquanto o "movimento nacional" tenta ultrapassar os vinte magníficos das manifs...

Thursday, April 21, 2005

Nossa Senhora de la Mancha, em Chicago

Na véspera da eleição do novo Papa, apareceu sob um viaduto em Chicago, uma estranha (?!) mancha, onde alguns maduros crêem ver a Virgem Maria.

Fantástico!

Olhem só a imagem que o Público publicava na edição de 21/4:

Até parece que viram uma aparição da Lady Di (eheheheheheheh!).

E ainda nos espantamos de ter havido pessoal a adorar o boi Ápis...

Wednesday, April 20, 2005

Viva o novo Papa!

Viva o Ratozinger!!!!.

E, segundo um mail que recebi da minha mais-que-tudo, vamos ter agora menos ovelhas tresmalhadas:

O PAPA É UM PASTOR ALEMÃO!!!!!

E aqui fica uma imagem que mão amiga me fez chegar:

Se a Animal vê isto, o coronel bem pode pôr as barbas de molho que vai ter, na certa, manif à porta.

Os 20 manifestantes vão deixar, finalmente, a Fátima Lopes em paz...

Sunday, April 17, 2005

A Abraço e a Guida Gorda

Depois de ter criado a Abraço para apoiar os amigos atingidos pela sida, a Guida Gorda (agora menos gorda) continuou a sua obra nem sempre compreendida pelo pagode. Diz muito boa gente que a Abraço tem continuado a apoiar os amigos da Guida e a dar abraços aos outros que a procuram.

Depois de muitas peripécias (para amenizar...), a instituição está numa encruzilhada em que terá que decidir se despede a sua carismática presidente ou se continua a ser simplesmente o feudo da dita.

Para já, a direcção demitiu-se em bloco depois de se gorar a tentativa de afastar a antiga porteira e leoa de chácara do Frágil.

E vai tudo para eleições.

Esperemos que com as preocupações a Guida não se atire às chispalhadas, cozidos e feijoadas e ... volte ao seu figurino de outrora.

Nova manifestação da ANIMAL!!!

Na sua perseguição à odiada Fátima Lopes, a Animal, depois da manif na Av de Roma, fez nova manifestação à porta de uma loja da modista, desta vez no Porto.

Tal como em Lisboa, na véspera, a manif do Porto reuniu apenas 20 pessoas. Serão sempre as mesmas?! Com a pressa em embarcar e desembarcar no autocarro para nova Manif em Cú de Judas, acontece, às vezes, que os cartazes se trocam...

Ganda gaffe!

Saturday, April 16, 2005

Apito dourado - vivam as juízas!!!!

Decididamente, a nova fornada de juízes (com grande destaque para as juízas) parece ter por traço comum o preocupar-se muito em fazer justiça e incomodar-se pouco com a categoria social (?), posses, porte e dignidade exemplares dos arguidos. E cortam a direito, que até dá gosto ver.

O despacho de pronúncia do bando do apito não deixa dúvidas quanto a isso, nem deixa de lado favores habituais que estes senhores importantes e de boas famílias fazem a senhores de menos boas famílias, sempre servidores, atentos e obrigados. Em troca de um pequenino favor, que maior não podem fazer. Uma mão lava a outra e as duas lavam a cara, não é?

Ou seja dar prendinhas, relógios de marca, férias nas Caraíbas, jantaradas com putas à discrição, etc, passa a ser tido em conta pelos tribunais.

Como eu ando a miar há muito tempo, muito na nossa Justiça está a mudar e não são reformas vindas "de cima", são os juízes que têm menos teias de aranha no toutiço.

Lembram-se da discussão surrealista se era ou não lícito os médicos receberem prendinhas (das farmacéuticas, claro!) até, digamos 16 contos, e sobre qual seria o limiar do suborno? Lembram-se? Mais dia menos dia, vamos ter "senhores doutores" (as tais canetas de platina, ouro e prata) a irem de cana como manda a sapatilha. A saúde nas prisões só tinha a beneficiar com tão ilustres inquilinos...

Vamos ver se as testemunhas não desdizem em tribunal o que disseram na instrução. É que até ao lavar dos cestos é vindima e esta vida está pela hora da morte, não é verdade?

Manifestação (?) da Animal & apoiantes

Ontem à tarde, um grupo de valorosos defensores do reino animal, 20 (vinte) segundo o Público de hoje, manifestou-se junto à boutique da Fátima Lopes, na Avenida de Roma, ante a indiferença dos transeuntes.

Uma senhora de meia idade ter-lhes-á perguntado se as peles estavam em saldo, ansiosa por renovar a estola de pele de raposa, já muito ratada pela traça e a pedir urgente reforma. Eles não terão gostado, mas também não perceberam bem a pergunta (ainda não falam bem o português, estão a ver?).

A Fátima Lopes, entretanto, agradece a publicidade.

Sunday, April 10, 2005

Pedofilia na Casa Pia - livro de Pedro Namora

Com a presença da provedora da Casa Pia, a esquisitíssima Catalina Pestana, que prefaciou o livro, e muitas pessoas ligadas ao processo, foi lançado a 4 deste mês na Bertrand o livro de Pedro Namora "A Dor das Crianças Não Mente".

Vou comprá-lo, lê-lo, e depois direi de minha justiça neste local.

Entretanto, sempre vou dizendo que não serei um leitor imparcial: tenho muita simpatia pelo papel que o Pedro Namora desempenha neste caso, dando a cara, com muita paixão, para que se faça justiça compensando, de algum modo, os lesados e castigando os abusadores. Castigando-os, por muito mediáticos, abonados e cheios de amigos que sejam, por muitas lágrimas que vertam para as câmaras, por muito simpáticas que sejam as esposas.

Estou à vontade para manifestar esta posição porque conheci o Pedro Namora quando fomos colegas na AIP, onde ele era a figura de proa da Comissão de Trabalhadores, conotado com o PCP, cursado na antiga União Soviética, e eu actuava em muitas assembleias como opositor acerrimo das posições dele. Não eramos amigos.

Mas em relação a abusos de crianças internadas numa instituição por adultos que deviam tomar conta delas e que, ainda por cima, os entregavam a terceiros para actividades afins, as minhas posições e as do Pedro Namora se não são coincidentes, não andarão longe.

Portanto, independentemente de questões de pormenor, daqui lhe envio um abraço e o meu apoio.

Os métodos da Animal

Anda a circular na net um filmezinho que intercala declarações em que a Fátima Lopes (a modista) afirma que as peles que usa nos seus modelos são naturais, com cenas de faca e alguidar de animais a serem mortos ou, num dos casos, esfolados em vida.

A conclusão que se pretende que o espectador tire é:

a culpa é da Fátima Lopes e das pessoas como ela que usam peles obtidas daquela maneira selvagem.

O que até teria alguma razão de ser se não fosse o seguinte:

  • Já é crime (há muito, muito tempo) maltratar animais;
  • Já é crime, há não tanto tempo, caçar espécies protegidas;
  • É legal importar, confeccionar, vender e usar vestuário feito com peles de animais (excepto espécies protegidas);
  • A atitude da Animal é cega: é a mesmíssima em relação a animais selvagens (caçados) como em relação a animais criados em cativeiro para abate (ver o caso recente da criação de chinchilas);

Ou seja, para a Animal a questão não está em punir os prevaricadores (até foram filmados e a malta da Animal - ou da sua prima PETA - estava atenta, para conseguir uma cópia do filme, bom para a sua causa) mas impedir o uso de peles (de todas as peles), mesmo de espécies cuja caça está regulamentada, até de espécies criadas especificamente para abate.

Criar chinchilas para abate é o mesmo que criar frangos em aviário, ou vacas em vacarias ou porcos em suiniculturas, ou peixes em tanques para (e só para) servir a espécie humana. Mas há uma única diferença que a Animal explora: as chinchilas são ratinhos grandes, tão lindos, com uma pele tão sedosa (pois...), com um arzinho tão meigo.... logo, a Fátima Lopes é uma anormal! Brilhante conclusão, não é?!

A atitude da Animal é equivalente a querer que seja proibido o consumo de carne de vaca, caso viesse a público que alguns matadouros liquidavam os bichos à paulada ou os esfolavam em vida e, ainda por cima, acharem que a culpa era de quem gosta de bife do lombo!

Mas não pensem que estou a divagar. O que esta malta quer mesmo é, para além do fim das touradas (todas) e do uso de peles, que os animais sejam "deixados em paz", que os homens deixem de comer carne e peixe e que o leite só seja tirado às vaquinhas e os ovos à galinhas desde que elas consintam...

E quando aparecer a associação Vegetal (se é que não existe já), aí, então, estaremos lixados: só nos restará mesmo comer pedras!

Mas fica-me um pequeno gozo: a rapaziada da Vegetal dirá dos tipos da Animal (horrendos comedores de plantas) o que estes dizem agora de nós outros (horrendos comedores de carne e portadores de carteiras e casacos de cabedal).

Patetas!

Friday, April 08, 2005

Pedofilos na Casa Pia - 1ª condenação

O primeiro caso em julgamento respeitante à pedofilia na Casa Pia chegou ao fim com a condenação de João Beselga a seis anos de choça mais €50.000,00 a título de compensação à vítima.

O condenado é formado em Estudos Teológicos pela Universidade Católica e dava aulas de Religião e Moral (duvidosa...) num dos colégios da instituição. Para além das aulas, tomava conta dos putos à noite e, segundo o tribunal apurou, convidava alguns para o seu quarto onde lhes mostrava "coisas bonitas" na internet. Interessou-se particularmente por uma aluna, então com 14 anos, com alguma deficiência mental de quem abusou por duas vezes. O Tribunal deu como provados os actos de que vinha acusado e condenou-o.

A advogada do Beselga, Sandra Rito (como?!), já anunciou que vai recorrer, pois tanto ela como o condenado consideram que a prova produzida em Tribunal é insuficiente.

De facto, o juiz presidente do colectivo deu destaque, no depoimento da vítima, à atitude, olhos baixos, rubor, etc, que terão pesado na sentença. Não havendo testemunhas dos actos, é bem possível que a instaância superior se abstraia destas impressões e pondere as provas efectivamente apresentadas. A ver vamos.

Entretanto, fica dado um sinal muito positivo de que o outro caso em julgamento é mesmo para ir até ao fim, independentemente do mediatismo e da "importância" dos réus, do "peso" e número das testemunhas abonatórias arroladas, da simpatia e mediatismo das esposas expostas.

Tenho confiança (tenho mesmo, e muita) nos juizes da nova fornada (principalmente nas juizas) que se impressionam pouco com os "senhores importantes" e cortam a direito.

Como a populaça clamava durante a Revolução Francesa, eu também clamo (em sentido figurado):

AO CADAFALSO!!!!

Pois.

Monday, April 04, 2005

Morreu o Papa

Finalmente aconteceu o que já era esperado mas que ainda chocou (?!) muita gente: o Papa morreu.

Como dizem os romanos, "morreu um Papa, faz-se outro" e a Igreja continua.

Mas os últimos dias foram, para o desgraçado cidadão, uma chatice pegada. Antes de o homem morrer, os abutres dos media procuravam depoimentos bombásticos, fiéis a chorar, famílias unidas pelo fervor da oração por João Paulo II, peregrinos em Fátima de propósito para rezar pelo Papa, enquanto que as estações nos massacravam com a faladura dos Padres Melícias e Feytor Pinto, mais o Frei Bento Domingues (mais comedido), mais o Padre João Seabra, mais o monsenhor Belo, mais ...

Os noticiários enchiam-se da não notícia da morte esperada e de filmes e filmezinhos sobre o Papa enquanto tal ou enquanto menimo/homem/padre/bispo/cardeal Woitila.

Finalmente, com a morte do Papa, há alguma esperança de o folhetim ter fim à vista e de acabar esta seca!

Não deixaram o homem morrer em paz, ao menos que nos deixem a nós viver em paz.

Já não era sem tempo!

Mão amiga fez-me chegar a notícia que a seguir transcrevo, de uma medida que já tardava e que visa centrar o esforço das brigadas fiscais sobre as empresas onde há evidências de fraude, em vez de fiscalizações aleatórias, supostamente mais "justas", mas, as mais das vezes, infrutíferas.

"A Direcção-geral de Finanças está a avisar as empresas que apresentaram prejuízos em 2002 e 2003 que se voltarem a fazê-lo em 2004 as suas contas serão fiscalizadas, segundo uma nota do ministério emitida esta sexta-feira. Em 2002 e 2003 houve 11.260 mil empresas que registaram prejuízos fiscais, segundo o Ministério das Finanças, às quais foi enviada uma carta alertando-as para a possibilidade de, caso repitam os prejuízos em 2004, passarem a reunir as condições para uma fiscalização das Finanças.

De acordo com a Lei Geral Tributária, «quando os contribuintes apresentam, sem razão justificada, resultados tributáveis nulos ou prejuízos fiscais durante três anos consecutivos, a administração tributária pode proceder à avaliação indirecta da respectiva matéria tributável», pode ler-se no comunicado enviado à Lusa.

O novo governo socialista elegeu o combate à fraude e à evasão fiscal como um dos seus objectivos, numa altura em que a redução do défice público precisa bastante de mais receitas fiscais."

Espero é mais medidas que apontem no mesmo sentido: aumentar a eficácia da máquina fiscal com o objectivo de cobrar toda a receita fiscal devida ao Estado, inclusive recuperar a que ficou por cobrar nos anos anteriores (antes que prescrevam).

Saturday, April 02, 2005

Experiência

Isto é para ver se é desta que meto imagens nesta cena: Este animal chama-se Tigra.

Friday, April 01, 2005

Legalizar a prostituição - vamos nessa!

A Juventude do PS, mais uma vez, deu mostras de andar uns passos à frente do mais velhos, embrenhados na tralha ideológica da esquerda tradicional em que medraram. Propõem a legalização da prostituição, em termos e num figurino que a comunicação social ainda não divulgou adequadamente. Aliás até é capaz de ser mentira do 1º de Abril...

Mas este é um tema que mais ano, menos ano, é preciso encarar de frente, sem puritanismo, e criar condições para que uma actividade tão antiga e tão presente na nossa sociedade (lembrem-se da comédia das "mães de Bragança"), se desenvolva em condições dignas e seguras.

A semi clandestinidade em que a prostituição se desenvolve quase obriga a que a prostituta tenha um "protector" que a explora, quando não cai em redes de tráfico de pessoas. Nesta última situação tombam as desgraçadas que, para além da semi clandestinidade da profissão, estão no país em situação ilegal. Cai-se em verdadeira escravatura, é-se comprada e vendida, enquanto a melhor sociedade assocbia para o lado, como se resmungasse entre dentes:

"São putas, queriam o quê?!"

Se a prostituição for legalizada, com código para efeitos de IRS, com direito a protecção legal efectiva (teórica, já existe...), com exigências bem definidas no campo da saúde e higiene, será muito mais fácil uma mulher vender os seus serviços com segurança, podendo recusar protecção de um chulo, já que mais não seja, porque não precisará dela.

Assim, se não fôr mentira do 1º da Abril, tiro o meu chapéu à JS, por ter a coragem de dar atenção a uma área em que se compram e vendem pessoas sob o olhar complacente das nossas polícias, dos tribunais e, afinal de contas, de todos nós.

Wednesday, March 30, 2005

Grunhos na Administração da Vicaima

Ontem o folclore habitual da malta da Greenpeace acorrentada ao portão da Vicaima conheceu um episódio, no mínimo, estranho.

Um administrador (?!) com idade para ter juízo chegou-se ao portão, saíu do mercedão e ataca um reporter da SIC, com um ar de quem está de cabeça perdida, olhar desorbitado, um espectáculo!

Mesmo tendo esta gente em muito baixa conta fiquei parvo com a reacção do grunho, para quem o episódio do Greenpeace é uma coisa em que nunca terá pensado (?!!!) e para a qual não tinha engatilhada, pelos vistos, uma atitude ponderada, que melhor servisse os interesses da empresa que lhe paga o cartão de crédito, o mercedes e o resto. Que grande animal!

Como é que um grunho destes (para não lhe chamar outra coisa) chega a administrador de uma Vicaima?! Como é possível?!

É certo que não é raro toparmos com administradores de grandes empresas privatizadas (das públicas, é melhor nem falar...) que exibem uma incapacidade de bradar aos céus - nem é incompetência, é incapacidade pura e simples - para a vaga que lhe arranjaram, sabe-se lá como e por alma de quem.

Mas mesmo assim fico espantado e não me habituo à cena, nem acho normal!

Tuesday, March 29, 2005

Não aprendemos nada?!

Há pouco dei com um comentário ao post anterior que, por ser um estereotipo bem conhecido, merece destaque. Dizia a comentadora: "...Os portugueses (e quando digo portugueses, refiro-me àquela esmagadora maioria, que ainda tem a mania dos piqueniques à beira de estrada, com direito a garrafão de vinho, que definitivamente não sabe o que quer dizer "proibido estacionar nesta rua", pensa que o chão é um grande caixote do lixo, entre tantas outras coisas...) NÃO ESTÃO PREPARADOS para, como alguém muito bem disse, "aspirinas e pílulas do dia seguinte ao lado dos tampax"!!

Às vezes fico com a sensação que muito boa gente (não penso que seja a maioria, mas não serão poucos) fica tão espantada com as semelhanças que encontra entre oa tempos de hoje e de há décadas atrás, que não conseguem ver as diferenças que também há e não são poucas.

E então este argumento miserabilista (para amenizar o discurso...) de que as pessoas não estão preparadas, tira-me do sério, bolas!

Quanto um fabiano me diz que "ah, e tal, misturar referendos com eleições não pode ser porque confunde as pessoas" e eu lhe pergunte se o confunde a ele, a resposta é invariavelmente: "a mim não, posso responder a perguntas seguidas sobre assuntos variados que não me atrapalho".

Pois é, os outros é que são burros, limitados, impreparados! Os doutores que assim julgam os outros, "a esmagadora maioria dos portugueses", esses são uns águias.

Ainda por cima, sendo incapazes de ver as mudanças que marcaram o país de uma ponta à outra, conseguem, por outro lado, com um simples golpe de vista, aperceber-se do que pensa a "esmagadora maioria dos portugueses".

Tenham juízo e tenham a humildade de estudar, ler ... aprender.

Thursday, March 24, 2005

Farmácias nos hipermercados

Afinal a grande inovação do Sócrates era treta!

Ontem à noite apareceu na televisão um secretário de Estado (devia vir do hiper espaço, a falar em grandes superfícies com 500.000 m2 - isso mesmo, quinhentos mil!) a dizer que a venda de medicamentos sem receita médica fora das farmácias não podia ser à balda: será em espaço próprio (tudo bem, como a chicha, o peixe, a roupa e tudo o mais), e o cliente não chega à prateleira (oh diabo, atão, como é?!). O senhor explica: vai estar lá um farmaceutico para explicar tudo ao cliente, ir buscar o medicamento à prateleira, não deixar que os miúdos se sirvam e muito menos que alguém compre grandes quantidades de drogas. Ah, falta esta: pílulas do dia seguinte e coisas assim, mesmo sem precisarem de receita médica, têm que ser objecto de uma cuidadosa análise, que este governo não quer entrar numa de facilitismo!

Mas que merda é esta?!

É uma farmácia, ricos, é uma farmácia, como o Saleiro, muito bem, topou. Afinal vender medicamentos em grandes superfícies é, na versão do Sócrates, levar as farmácias para dentro das ditas.

Ou será apenas uma (mais uma) descoordenação entre o Sócrates e os seus voluntariosos discípulos?

Wait and see...

Monday, March 21, 2005

O Tribunal (só com acusação) do Iraque

Os órfãos da falecida Sóvia reuniram em Lisboa o seu Tribunal para acusarem e condenarem os horrendos imperialistas e inimigos da Paz que ousaram invadir o Iraque para matarem o seu pacífico povo, deporem os seus benignos e legítimos dirigentes e rapinar o cobiçado ouro negro.

Estes crimes não têm defesa possível e, por isso mesmo, neste tribunal não há lugar à defesa dos acusados, nem sequer a um simulacro de defesa, como se fazia nas mega encenações dos julgamentos de Moscovo, no tempo do Grande Pai Staline.

Isto explicou, en passand, o Zé Mário Vermelho, perdão, Branco, um dos figurões de serviço naquele tribunal de faz de conta.

O extinto Romesh Chandra, lá no assento inférneo onde desceu, deve ter ficado feliz por continuar a ter alguns continuadores da sua luta pela Paz, entendida como tudo o que possa causar dificuldades aos horrendos imperialistas amaricanos.

Pobres patetas!

Friday, March 18, 2005

Islamitas p'ra frentex?

Em Nova Iorque há uma mesquita onde oram homens e mulheres, em que o oficiante é uma mulher!

Será um sinal de progresso no mundo muçulmano, um sinal de esperança para as mulheres que professam aquela arcaica religião?

Vamos esperar e ver as reacções por esse mundo fora...

PS - os católicos que não cantem de galo, com os seus ministros exclusivamente masculinos e (pretensamente) assexuados.

Maus presságios...

O Governo apresentou em tempo record o seu programa ao Presidente da A.R. o que, afinal, não era difícil: é uma simples copy and paste do programa de candidatura às Legislativas, com muito pouco detalhe.

Dois sinais preocupantes

  1. o programa contém vários pontos de aumento de despesa, nomeadamente confirmação das SCUTs e subida das pensões, e nenhum de aumento ou recuperação de receita fiscal. Afirma que não vai descer impostos, nada diz sobre como vai arranjar mais (pelo menos) 800 milhões de Euros, que é a conta anual das SCUTs, sem o déficit subir e sem recorrer a receitas extraordinárias.
  2. o programa refere, mais uma vez, a revisão do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento).

Moral da estória: o Governo prepara-se para subir impostos para nos fazer pagar o seu regresso às SCUTs, não acha possível (nem fala nisso!!) melhorar a cobrança dos impostos e prepara-se para deixar o déficit subir esperando que a UE altere o PEC...

Maus presságios, desta vez, Zé Sócrates. É uma no cravo, outra na ferradura.

Monday, March 14, 2005

Bons presságios

O discurso de posse do novo primeiro ministro trouxe dois factos que parecem de muito bom presságio:

- acabar com a longa fila de "notáveis" que iam cumprimentar os ministros recém empossados ("beijar a mão", mostrarem-se, etc);

- lançar a ideia de tirar às farmácias o exclusivo da venda de medicamentos (para já os que não carecem de receita médica).

A primeira acaba com o ritual pateta de ir dizer ao vivo, de preferência com as câmaras de TV a registar o acto, "estou aqui, se houver um tachito, conte comigo para o que der e vier". Pode dizer-se o mesmo ao telefone, por e-mail...

A segunda abre a porta ao mercado como regulador dos preços dos medicamentos função que, até agora, estava firmemente nas garras do grémio das farmaceuticas, com preços concertados prejudicando os utentes e o Estado.

Se esta medida vingar (há sempre a possibilidade de recuos de rabo entre as pernas...) sugiro já a próxima: tirar o exclusivo aos farmacéuticos da propriedade das farmácias.

Sunday, March 13, 2005

Ainda o edifício Coutinho

Dizia eu que o bom senso tinha prevalecido?!

Afinal o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, o meu antigo colega de tropa Defensor de Moura, médico do meu batalhão, continua empenhado em deitar abaixo o prédio, tendo esperança em que o novo Governo, da sua côr política, reconheça utilidade pública à sua demolição.

Vamos ver em que é que isto dá...

Os empata do costume...

A sede da PIDE está ao abandono há 30 anos. A zona em que se situa, se alguma atenção mereceu nas últimas décadas isso deveu-se à necessidade de sarar as sequelas do Grande Incêndio do Chiado, nos idos de 80. E ainda há muito que recuperar.

Agora que a zona começa a ser revitalizada, com empreendimentos imobiliários trazendo novos moradores, pessoas activas, com filhos (com VIDA!), a rapaziada do costume quer bloquear o projecto para o edifício onde funcionou a sede da PIDE. Argumento: sem um edifício, uma espécie de templo onde pôr velinhas, a memória das vítimas do fascismo perder-se-ia!

E, para espanto meu, é o director do Museu República e Resistência, putativo guardião dessa memória, que lidera o movimento. O dr Mário Mascarenhas reconhece, desse modo, a sua incapacidade para reunir no seu museu o acervo disperso e cópias do que de mais significativo há na Torre do Tombo sobre o tema e desenvolver actividades que perpetuem essa memória.

O Museu República e Resistência já tem duas dependências (av das Forças Armadas e estrada de Benfica) - será que seu director pretende outras mais? Com o edifício da António Maria Cardoso, mais (já agora) o Aljube e o Forte de Peniche talvez chegue a Director Geral. E com os compagnons de route de volta ao poder, tudo é possível...

Vale a pena o esforço, carago!

Friday, March 11, 2005

Vão andar todas de burca, é o que é...

Ontem à noite fiquei impressionado com o puto que a televisão mostrou, sobrevivente do atentado de Atocha. Está praticamente hemiplégico, meio surdo, muito debilitado a ponto de se sentir com 80 anos, ele que vai fazer 20 dentro de dias.

Mas o que me impressionou mais foi o discurso dele, que nada tem a perdoar aos tipos que colocaram as bombas, a quem se refere como uns desgraçados imersos numa cultura malévola e a troco de algum dinheiro, nem aos que planearam friamente o golpe para o lugar e a hora em que mais pessoas seriam mortas ou feridas. A estes últimos nem se refere!

Refere-se, isso sim, a Aznar e ao seu ministro da Defesa, que não souberam ouvir o clamor do povo contra a guerra, a quem nunca perdoará. Esses, para ele, são os verdadeiros culpados!

O puto é novinho, está compreensivelmente traumatizado mas, mesmo assim, faz eco de forma clara a seguinte mensagem:

"Governos de todo o Mundo, ouçam com atenção os terroristas e não façam nada que lhes desagrade para não nos sujeitarem à sua terrível vingança!"

Lindo! Ainda por cima, há gente que não apanhou com a explosão e pensa da mesma maneira.

Lá vão as mulheres ter que vestir burcas e ficar em casa quando não há um homem da família para as levar à rua...

Thursday, March 10, 2005

Sentença histórica

Finalmente!!!

Matar ao volante deu 17 (dezassete) anos de prisão ao condutor.

O bandido em fuga que furou uma barreira policial na ponte do Guadiana, matando um sub chefe da polícia, foi condenado a 17 anos de prisão por homicídio qualificado.

Ainda por cima, todo o processo demorou cerca de um ano, em vez de se arrastar por vários.

A família do polícia assassinado, mulher e dois menores com idades à volta dos 12 anos, vai receber uma indemnização decente: cerca de € 500.000,00 (isso mesmo, quinhentos mil euros).

Vamos esperar novos casos para perceber se estamos no bom caminho ou se se tratou de um caso isolado.

Wednesday, March 09, 2005

O PCP e o Parque Mayer

Depois de décadas de decadência, o Parque Mayer parece finalmente encaminhado para sair do abandono a que o fim do teatro de revista (calma, isso dava pano para mangas) o votou.

Foi preciso aparecer um presidente de câmara não político para se negociar entre PS e PSD uma solução viável, que mantém no local alguma "kultura" (subsidiada pelas receitas do casino, em vez de ser pelo OGE...) e o abre ao imobiliário (que, afinal, é donde vêm as massas para muita coisa).

Claro que o PCP, travestido de arauto e guardião da virtude (como vai longe o tempo da Sóvia...), sempre pronto a exigir "equipamentos sociais" onde actuarão grupos de artistas cuja principal arte é (enfim, algumas vezes) mais a de sacar subsídios do que a de atrair espectadores pagantes. Para isso, parece que só temos o La Féria...

O PCP, dizia eu, vem agora acusar toda a gente de fazer negociatas, de sub avaliar de um lado e sobre avaliar do outro de modo a beneficiar "os privados" e prejudicar a "res publica".

Ao mesmo tempo, os inteligentes do costume vêm sugerir que tanto o parque Mayer como a feira popular sejam transformados em espaços verdes.

Fantástico, Melga! Espaços verdes?!

Espaços verdes: um, ligado ao jardim Botânico, o outro em prolongamento do Campo Grande. Um e outro são pequeninos, estão cheios de visitantes (?!) de modo que há que expandi-los.

Receitas para a CML, nem vale a pena falar nisso; afinal, ainda há o Totta (vão ao Totta!). Despesas extra? Qual é o problema? Na cultura (na educação e na saúde, não é?) não se olha a despesas.

Pobres tontos!

Desgraçadamente, dessa súcia parece que só o PCP está em vias de extinção...

Tuesday, March 08, 2005

Alguma justiça fiscal

O Público de hoje trazia um artigo do Jorge Weamans, jornalista, que, em tom de carta dirigida a Sócrates, lhe dizia, entre outras coisas, que era preciso gastar menos e melhor, pois pelo lado da receita nada havia a esperar. Isto, depois de gastar quase uma coluna a explicar por que o tratava por tu...

Não era claro no artigo se ele se referia apenas a não aumentar os impostos ou se tinha outra ideia mais elaborada em mente. Mas a verdade é que, dito daquela maneira, é mais um opinion maker a propalar o disparate de que não se consegue cobrar mais impostos, nem se consegue dinimuir a economia paralela.

Basta ver a que nível estamos nas estimativas do volume da economia informal (à volta de 25%) e a quantidade imensa de receita fiscal contabilizada e não cobrada para se perceber que é fundamental e urgente, para além de racionalizar a despesa, cobrar melhor as receitas a que o erário tem direito.

Cobrando melhor (o ideal seria cobrar toda a receita fiscal contabilizada, e contabilizar toda a receita fiscal potencial - economia informal, fraude fiscal, etc) seria possível ter orçamentos com superavit, amortizar a dívida pública, investir em infraestruturas e, a médio prazo, baixar significativamente os impostos.

É claro que aquela meta ideal é inatingível, a cobrança de impostos nem sequer nos States é total; a eliminação da economia paralela nem nos States (nem nos países nórdicos) é suficientemente bem sucedida a ponto de a trazer para níveis muito inferiores a 10%.

Mas (que diabo!) dizer logo à partida que não há nada a fazer do lado da receita é dar um péssimo bitaite ao novel primeiro Ministro que, coitado, não tem necessidade nenhuma de ouvir disparates nem sugestões patetas.

E o Público dá a este aprendiz de economista (?!) quase uma página inteira!!!

Saturday, March 05, 2005

O edifício Coutinho não vai abaixo!

Finalmente parece certo: os moradores conseguiram ver reconhecida a iniquidade da intenção da C.M. de Viana do Castelo em usar o Polis para financiar a demolição do edifício Coutinho e a consequente indemnização e realojamento dos seus moradores. A C.M. de V.C. recorreu ainda ao governo pedindo o reconhecimento da utilidade pública da operação. Levou nega!

O caso é simples e recordo-o: um prédio de 13 ou 14 andares foi construído na baixa de Viana do Castelo há uns 30 anos (por volta do 25 de Abril); há alguns anos, uns inteligentes resolveram que o prédio destoava naquele local (e destoa mesmo - é muito mais alto que os que o circundam) e vai daí, entenderam que havia que corrigir o "erro urbanístico" à força do camartelo municipal.

Os 300 (TREZENTOS) moradores não se ficaram, até porque não se trata de habitação degradada, antes pelo contrário, a localização é óptima e a construção foi feita cumprindo tudo o que a lei exigia no tempo em que ocorreu.

Além disso, achavam uma perfeita loucura e um precedente perigoso que fizesse regra a atitude de que "se eu não gosto da tua casa, faço um referendo municipal para a deitar abaixo!"

É verdade: chegou a ser defendido o recurso a um referendo local em que se perguntaria a toda a população da cidade se queria (SIM ou NÃO) que a casa alheia fosse abaixo. Uma "casa" legal, não um barraco clandestino.

Bruxelas não foi sensível aos argumentos da C.M. de V.C. que alegava "razões estéticas" e considerou inoportuna a demolição de um edifício em bom estado e construído de acordo com os preceitos legais então vigentes. Ora toma!

Aleluia, o bom senso prevaleceu.

O novo Governo

O engº Sócrates surpreendeu-me muito favoravelmente: formou governo fora da praça pública (pelo menos os ministros) e apresentou um elenco a que atribuo, para já, dois aspectos muito positivos.

Por um lado, é um governo pequeno (16 ministros); por outro, não figuram nele muitas das pessoas que eram dadas quase como certas e cuja participação no governo não auguraria nada de bom. Refiro-me às abençoadas ausências de João Cravinho, Maria de Belém, Jorge Coelho, Ferro Rodrigues, Tó Zé Seguro, Alberto Martins, Leonor Coutinho, Arons de Carvalho... Estes dois últimos mais a Ana Benavente são bem capazes de ainda entrarem como secretários de Estado, o que não era nada bom.

Pese embora alguns graúdos terem ficado na reserva (Vitorino e Jaime Gama, por exemplo) Sócrates foi buscar alguns independentes de prestígio na suas áreas de actividade e até com alto estatuto na sociedade (o caso de Freitas do Amaral). Nunes Correia, Jaime Silva e Campos e Cunha estão neste grupo restrito. O regresso do antigo ministro Correia de Campos parece garantir que a gestão dos hospitais subcontratada a empresas do ramo não será completamente deitada fora.

Resta saber se o engº Sócrates consegue liderar o grupo (afinal é um peso pluma...), no que contará com a ajuda inestimável de António Costa, e evitar que cada ministério, nomeadamente os Negócios Estrangeiros, Saúde, Economia e Finaças sigam as políticas que os seus titulares entenderem sem darem grande cavaco ao primo inter pares...

Um sinal negativo (já?!): o futuro ministro das finanças parece não ter percebido ainda o efeito que uma "boca" do ministro (que agora é ele, ok?) ou do governador do Banco de Portugal pode ter sobre os agentes económicos (ou, simplesmente não está habituado a que lhe metam vários microfones à frente) e deixou perceber que, para fazer face às despesas inerentes às promessas eleitorais, não vai chegar o corte nas despesas: vai ter que subir os impostos. Parece admitir à partida o insucesso na guerra pela boa cobrança dos impostos, o que é muito, muito mau!

E para quem prometeu pôr a tónica no desenvolvimento da economia, este não é propriamente um sinal positivo.

Estamos a observar-vos, rapaziada!

Friday, March 04, 2005

A intolerância é mútua (as mais das vezes...)

O bacoco anúncio do padre Serras Pereira, que lhe proporcionou um pouco mais que 15 minutos de fama (veja, se quiser, a transcrição no post anterior), desencadeou uma onda de reacções na comunidade cristã e laica, quer nas tribunas dos colunistas encartados quer nas secções de cartas aos directores, tribunas dos leitores e quejandos.

Presumo que o famigerado Fórum TSF e o equivalente da Antena 1 tenham batido os records de intervenções indignadas, palavrosas e, como de costume, patetas e/ou enfatuadas. Só presumo porque, quando a busca do rádio do carro pára num desses fóruns, fujo deles como o diabo da cruz (fugirá?!) e refugio-me na R. C. Português que, a horas iguais, dá muita música e pouca treta.

E, para treta (também tenho direito), já chega, e entro no que queria dizer sobre o assunto:

O sr Padre tem todo o direito de dizer as maiores bacoradas e quem o contesta tem igual direito de o fazer, com maior ou menor veemência e indignação. Já não estamos no tempo da Inquisição nem no verão quente de 75, de modo que cada um pode (e deve) dizer o que pensa e defendê-lo sem receio de ir dentro ou de levar com uma bomba no carrito...

Mas era giro que "a gente" percebesse que o sr Padre fornece um produto aos fiéis (ou, se quiserem, vende um produto aos clientes) e é a esses que ele se dirige. E as condições em que um produto é fornecido costumam ser definidas por quem o fornece, de modo a conseguir uma maior saída de forma duradoura. E parece um bocado "esquisito" que quem não está interessado no produto se preocupe tanto com as condições que o fornecdor estipula para o fornecer.

Os clientes do padre, os "fiéis", supostamente pertencem a um grupo de pessoas unidas por uma série de regras e "mandamentos", grupo tornado coeso, coerente e longevo (vai para os 2000 anos de existência) por uma organização fortemente hierarquizada e centralizada. E, de tempos a tempos, governada com mão forte.

A generalidade das reacções ao que disse o sr Padre seguiu a vertente da contestação das suas ideias sobre aborto, contracepção, concepção assistida, investigação com células estaminais, redução fetal, conservação criogénica de embriões, eutanásia, clonagem. A ideia do padre parece resumir-se a "é assassinato de inocentes, logo é pecado", mas qualquer desses pontos daria uma boa discussão e os contestatários aproveitaram a oportunidade para condenarem o espírito medieval do padre e exercitarem a sua argumentação no sentido oposto ao do sacrista.

Muito poucas seguiram a vertente (que também se impõe) de discutir a legitimidade da proibição de dar a comunhão a quem viole cada um dos pontos que o padre refere. Sendo o anúncio dirigido aos fiéis, mais, aos fiéis praticantes, ainda mais, aos que praticam sob o ministério de Serras Pereira, era de esperar uma acesa discussão em torno de cada um daqueles pontos específicos e ainda alguma discussão sobre a legitimidade do padre ultrapassar a hierarquia e "botar regras" mais restritivas que aquelas que o Patriarcado e a Diocese consagram.

De qualquer modo, tranquilizem-se, oh cidadãos! Só são atingidos os fiéis e, mesmo estes podem sempre ir comungar à igreja ao lado ou à missa de outro padre menos fundamentalista...

A todos os interessados....

A todos os interessados que não conseguiram encontrar a pérola que foi atirada aos pecadores pelo Senhor Padre Serras Pereira (será de família da jornalista e do advogado?), aqui deixo o texto integral do anúncio a verberar os pecadores e a convidá-los ao arrependimento.

Vamos ter mais disto nesta lenta caminhada para o próximo referendo. Lembram-se duma tipa (oops! de uma senhora) que aparecia nas manifestações PRÓ VIDA, vestida de branco, com uns acessórios de que não me lembro bem (uma cruz, um rosário, uma chapeleta, etc).

Pois é, se não baicou ainda, vamos tê-la a animar o folclore próvidal.

Aqui vai:

"PARTICIPAÇÃO AOS INTERESSADOS

Na impossibilidade de contactar pessoalmente as pessoas envolvidas, o padre Nuno Serras Pereira, sacerdote católico, vem por este meio dar público conhecimento que, em virtude do que estabelece o cânone 915 do Código de Direito Canónico, está impedido de dar a sagrada comunhão eucarística a todos aqueles católicos que manifestamente têm perseverado em advogar, contribuir para, ou promover a morte de seres humanos inocentes quer através de diversas pílulas, do DIU, da pílula do dia seguinte ou outras substâncias que para além do possível efeito contraceptivo possam ter também um efeito letal no recém concebido, quer por meio das técnicas de fecundação extra-corpórea, da selecção embrionária, da crio perseveração, da experimentação em embriões, da investigação em células estaminais embrionárias, da redução fetal, da clonagem..., quer através da legalização do aborto (votar ou participar em campanhas a seu favor), o que inclui a aceitação ou concordância com a actua "lei" em vigor (6/84 e seus acrescentos), quer ainda, pela eutanásia.

O respeito pelo culto e pela reverência devida a Deus e a Seu Filho Sacramentado, o cuidado pelo bem espiritual dos próprios, a necessidade de evitar escândalo, e a preocupação pelos sinais educativos e pedagógicos para com o povo cristão e para com todos são razões ponderosas que seguramente, ajudarão a compreender a razão de ser deste grave dever que o cânone 915, vinculando a consciência, exige dos ministros da Eucaristia.

Da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo convida todos ao arrependimento e à retractação pública, para que refeita a comunhão com Deus e com a Sua Igreja possam receber digna e frutuosamente o Corpo do Senhor.

Pe. Nuno Serras Pereira"

Comentater, frater!

Monday, February 28, 2005

A caça às bruxas (pelos bruxos...)

No último Conselho Nacional do PSD terá havido um cromo que defendeu que Pacheco Pereira deveria ser expulso do PSD, pelas posições que tomou durante a recente campanha eleitoral.

Não me espanta! Mais: espanta-me que só tenha sido uma pessoa a defender tal medida.

Tenho-me apercebido nos últimos (poucos) anos, que muito boa gente no PSD considera que ser militante do Partido obriga as pessoas a deixarem de ter opinião própria e a meterem na cabeça pensamentos alheios.

Essa gente (ou deveria, talvez, dizer "essa gentalha") defende coisas do género de que por um jornal ser de uma empresa cujo maior accionista é do PSD nunca deveria trazer notícias abonatórias para a Oposição nem negativas para o PSD.

Pela mesma razão (?) um militante do Partido, na sua função de comentador político, deveria sempre "torcer" a sua opinião e debitar o que convém ao Partido (ou seja, sob a forma de slogan: Delgado, sim!!! Marcelo, não!!!).

É difícil estar num partido sem se ter a sensação nítida de que se entrou (só pode ser por engano!) para sócio de um clube de futebol, em que tudo se reduz a duas realidades irreconciliáveis: NÓS e ELES (ou OS GAJOS).

Não é muito habitual encontrar-se uma pessoa que perceba que um partido vale pela qualidade das pessoas que agrega, militantes ou não, e não pela multidão de porta vozes, cegos arautos da voz do dono.

Ou seja e concretizando, o PSD vale pelos Marcelos, Pachecos Pereiras e (ai de mim) Cavacos e Cadilhes, cuja opinião sobre a sociedade é ouvida e respeitada precisamente porque, para além das suas qualidades pessoais, observam, analisam e pensam pela sua própria cabeça.

O facto de eu detestar Cavaco Silva (daí o "ai de mim"), não apreciar a falta de disponibilidade para o quer que seja de Pacheco Pereira e me irritar com o arzinho assalazarado de Miguel Cadilhe (por exemplo) não me impede de reconhecer as qualidades que exibem (pelas privadas, não posso dizer nada) e lamentar se, porventura, passassem a andar de espinha dobrada a cantar louvores ao chefe do momento.

Por isso, e só por isso, me espanta que só um cromo tenha defendido a expulsão de Pacheco Pereira.

Cheira-me que há mais gentalha na retranca, à espera de melhor oportunidade para se manifestar...

Saturday, February 26, 2005

As receitas extraordinárias

A propósito de um comentário ao anterior post, em que o dr Mentas comparava receitas extraordinárias com "vender anéis para se ir à praia", parece-me que seria interessante discutir essa vaca sagrada/excomungada ("t'arrenego!" escrevia o dr Mentas) e , já que estamos com a mão na massa, os deficits orçamentais.

Não sendo economista (nem gestor), este post não pode ter a pretensão de se meter em análises profundas e rigorosas. Mas como cidadãos podemos e devemos todos usar o bom senso para perceber o que se passa à nossa volta, e perceber que os economistas e gestores que têm governado o País até não têm conseguido grande coisa, para além de (claro!) belas análises e belos diagnósticos de situação.

Parece-me óbvio que qualquer governo que quisesse "matar o deficit" a qualquer preço, sem olhar a consequências, não tera grande dificuldade em fazê-lo. E fá-lo-ia sem subir impostos, intervindo só pelo lado da despesa. Não é preciso ser economista (nem gestor) para perceber o impacte que um corte de despesa pública abrupta teria, em particular para quem lhe presta serviços mas para toda a sociedade, por tabela, nas mais diversas áreas. E para perceber o que lhe aconteceria nas eleições seguintes, se lá chegasse...

Faz muito mais sentido, em particular em tempos de crise quando as pessoas e as empresas andam com o cinto apertado, que o Estado "vá com calma" e corte nas despesas supérfluas, elimine desperdícios, aumente a eficiência dos serviços e procure aumentar as receitas cobrando melhor (combatendo a fuga ao fisco, a fraude, a economia paralela). O problema é que os governos têm feito muito pouco nestes campos.

Havendo déficit, há que financiá-lo: pede-se emprestado à banca, ou "vai-se buscar" directamente aos cidadãos subindo os impostsos ou colocando no mercado títulos de dívida pública, o que vai aumentar o serviço da dívida. Ou então, recorre-se a receitas extraordinárias, as mais das vezes vendendo património ou créditos sobre terceiros.

Esta medida nada tem de cosmético: as medidas para captar receitas extraordinárias são bem visíveis e discutidas na praça pública.

Em economia doméstica fazem todo o sentido: se eu me vir "à rasca" para pagar as prestações da casa do Algarve, só em circunstâncias muito especiais iria pedir mais dinheiro à banca, pois isso só me iria aumentar os encargos mensais e ficaria ainda mais "à rasca". Se tiver umas acçõezitas, um terrenozito expectante, uns dinheiritos a prazo, preferiria vender alguns desses anéis para fazer face aos tempos difíceis.

O problema das receitas extraordinárias está em que (e nisso dou toda a razão ao dr Mentas) olhando o pouco que se tem feito para aumentar a eficiência dos serviços públicos, o pouco que se tem feito para cortar despesa supérflua, o pouco que se tem feito para cobrar melhor os impostos, fica a ideia de que se está a vender anéis para encobrir a incapacidade (ou falta de vontade...) do Estado se reformar e de se tornar mais eficiente.

As recentes eleições deram uma valente sapatada no partido que governou Portugal nos últimos 3 anos e recolocou "lá" o PS, partido que governava antes. E deu-lhe maioria absoluta.

Ora o PS tem-se farto de dizer que vai acabar com a obsessão com o deficit e vai pôr o ênfase no desenvolvimento. Nobre propósito!

Mas estou para ver como o vai conseguir fazer, em particular se vai deixar o deficit subir, empenhando-nos ainda mais, deixando subir o serviço da dívida, que é muito menos visível que discutir receitas extraordinárias na praça pública.

Tuesday, February 22, 2005

Jorge Coelho - ainda na campanha Eleitoral?!

Esta manhã ia caindo da cadeira ao ver na televisão o Jorge Coelho em amena conversa com o Miguel Relvas, sob a batuta do Mário Crespo. Dizia o Jorge Coelho que o PSD escondeu dos portugueses os valores reais do déficit, camuflando-os com as receitas extraordinárias.

Isto em campanha eleitoral (onde, desgraçadamente, vale tudo) vá lá, vá lá. Mas a campanha já lá vai e o cromo parece ainda não ter percebido duas coisas:

  • primeira - que os países que subscreveram o Pacto de Estabilidade e Crescimento têm que o cumprir, ou, caso não o façam, sujeitam-se a sanções gravosas para o País (e não é só uma questão de prestígio);
  • segunda - o PS está agora no poder (enfim, está a poucas semanas disso) e compete-lhe controlar as contas em tempo real e ao tostão para que, em tempo útil, possa arranjar as receitas extraordinárias necessárias para evitar que o déficit ultrapasse os 3%.

É importante que o PS perceba isto, porque no último governo do engº Guterres não só esse controlo em tempo real e ao tostão não foi feito como não havia na manga quaisquer medidas para obter receitas extraordinárias que compensassem a derrapagem. Resultado, o déficit estava fora de controlo e, dos cerca de 2,5% previstos, acabou por ultrapassar os 4%.

Só não houve sanções porque a ministra Ferreira Leite convenceu Bruxelas de que iria cessar o descontrolo das contas públicas e arranjar as receitas extraordinárias que fossem necessárias para evitar a repetição do incumprimento, nos anos seguintes. E, tanto ela como Bagão Felix, cumpriram a meta dos 3%, tão às claras que toda a gente (a oposição incluída) acompanhou a par e passo as medidas anunciadas para captação de receitas extraordinárias e os cidadãos puderam criticá-las, assim como Bruxelas, que, em devido tempo, recusou uma dessas medidas. No problem! a dita foi imediatamente substituida por outra que estava "na manga".

Como vai o PS fazer? Vai marimbar-se para os 3% e seja o que Deus quiser?

É um bom propósito querer ficar abaixo dos 3% sem recorrer a receitas extraordinárias. A chatice é que isso implica diminuir a despesa (fazendo "arrefecer" ainda mais a economia...), aumentando as receitas ordinárias (vai subir impostos?!) ou uma mistura doseada das duas.

Será isto compatível com as promessas (perdão, objectivos) eleitorais, quase todas elas implicando precisamente o contrário - aumento de despesa e/ou diminuição de receita?

Acorda Jorge Coelho, ou as coisa há-dem correr mal.

Monday, February 21, 2005

The day after...

Bom, pior do que isto era difícil...

Como certas terapias de choque, doeu, mas acabou (esta, pelo menos).

Os eleitores, pelos motivos que os comentadores referiram e, certamente, por muitos outros que os primeiros levaram para a cabina de voto, deram ao PS a sua primeira maioria absoluta e ao PSD uma derrota contundente.

O CDS, por tabela ou não, também saíu ferido da contenda.

O BE lá subiu mais uns pontos e tem agora 8 deputados para chatear o pessoal (felizmente nem todos com o potencial chateativo do Torquemada Louçã).

A CDU, aliança do PCP consigo próprio (agora com os Verdes no lugar do falecido MDP/CDE), lá prolongou a agonia à custa da simpatia do novo líder, um antigo operário que evita chatear os eleitores com a cassete tradicional.

Resta agora ver o programa que o PS vai apresentar à AR e, antes disso, ver se nos surpreende com um governo com caras novas (e boas; para más, antes as antigas...) que permitam esperar diferenças para melhor em relação aos governos de Guterres.

Entretanto, a agitação nos boys que já era notória durante a pré campanha vai acentuar-se com a quantidade de tachos em prespectiva. Vai ser um fartote!

Quanto ao PSD, vamos ver se no lamber das feridas o pessoal compreende que o factor Santana Lopes existiu mesmo e foi, provavelmente, determinante na extensão da derrota que o partido sofreu.

E espero que perceba também que se esse factor se mantiver, as autárquicas vão pelo mesmo caminho, a começar por Lisboa, se ele "recuar" para o seu lugar de Presidente da Câmara.

Era uma peninha!

Wednesday, February 16, 2005

OS ARGUMENTOS DE SÓCRATES

O debate a 4,5 de ontem à noite foi uma porcaria, mas ao menos foi esclarecedor em umas quantas coisas em relação ao Delfim Sócrates:

argumenta muito (e revira os olhos para o tele espectador) com "por amor de Deus" intercalados com "ridículo!";

continua a não dizer (nem em conversa...) quem vai ser o quê, se formar Governo (deve ser para não se poder confirmar o que toda a gente já viu: o Governo do Engº Guterres, com pequenos retoques - a morte de Sousa Franco motivou um deles);

continua a não dizer o que vai fazer se não tiver maioria absoluta;

continua a não dizer o que vai fazer quanto ao financiamento da segurança social, nomeadamente a idade da reforma, porque vai primeiro fazer estudos (não devia ter feito já?!);

sobre os hospitais, só diz que vão ser empresas públicas, ou seja, com gestores públicos, recheados de malta "com vínculo à função pública", com a ineficiência consabida; ainda não percebeu que a ideia de contratar serviços de gestão a empresas privadas é, precisamente, tornar mais eficiente um sector onde se gasta muito com resultados sofríveis.

O Torquemada Louçã, com a maior cara de pau, diz que o aumento da despesa com as reformas (devidas à maior longevidade dos beneficiários e ao número decrescente dos contribuintes) será coberta pelos ganhos de produtividade!!! Isto "só" quer dizer que preconiza o aumento das taxas e o pateta pensa que as pessoas não vão dar por nada porque, com os ganhos de produtividade vão ganhar mais.

Como é que este pateta, com ares de grande virtude, ainda engana tanta gente?!

Sunday, February 13, 2005

O próximo referendo sobre o aborto

O novo referendo sobre o aborto, ou, usando uma expressão politicamente correcta, sobre a IGV (interrupção voluntária da gravidez), está à porta, mais ano menos ano, pelo que me parece prudente começarmos a pensar e a discutir sobre o assunto.

Acho que é uma matéria em que os partidos mais ao centro deveriam reconhecer aos seus militantes, deputados, etc, toda a liberdade de posicionamento e expressão. Aos partidos das franjas, direita e esquerda, dou de barato que assumam as habituais posições bem definidas e militantes, muitas vezes crispadas e intolerantes. (É preciso lembrar o Francisco Torquemada Louçã e o que ele pensa de quem tem e não tem direito a falar sobre a vida?...)

A minha bandeira neste particular é a do sim à despenalização. Sempre foi e não encontrei nenhum argumento suficientemente válido e de peso para deixar de o ser. O que por si só não me deixa nada confortável, nem me faz parar de pensar no assunto.

No último referendo fiz campanha, fui votar e levei pessoas a votar (dentro da cabine de voto, não sei como votaram, claro) e chateei os meus amigos de esquerda para que não dessem por adquirida a vitória do sim à despenalização.

Deram-na por adquirida, ficaram em casa - nunca houve um acto eleitoral tão pouco concorrido - e o não acabou por ganhar.

Também tentei explicar a amigos e conhecidos que não se trata de uma questão para as mulheres decidirem: para chegarmos a esse ponto é preciso que os eleitores (homens e mulheres) se pronunciem sobre a matéria e que a AR legisle nesse sentido, em conformidade com o que sair do referendo.

Até lá são todos os cidadãos eleitores, homens e mulheres, que têm o direito de votar num sentido ou noutro.

O meu problema com o aborto é que não consigo discernir (e estou farto de ler, pensar e discutir sobre o assunto) mais do que dois pontos notáveis no percurso do embrião até ao nascimento.

  • O primeiro é a nidificação (se um embrião não se "conseguir" ligar à parede do útero, não tem chances de evoluir);
  • O segundo ponto notável é o próprio nascimento (para mim é claro que matar um feto depois do nascimento - um bébé, portanto - ou no acto, é, e deve continuar a ser, um homicídio).

Portanto é pacífica para mim a destruição de embriões excedentários após os procedimentos de reprodução assistida, ou o seu encaminhamento para investigação.

Durante a gestação, podemos colocar barreiras às 12 semanas, às 24 semnas, às 16 semanas, quando o coração é audível, quando aparecem os dedos, quando se sentem os pontapés - o que se quiser. Mas são meras barreiras artificiais, que não alteram em nada de essencial a condição de "ser humano em potência" (não em acto), que o feto tem antes e após a barreira.

Neste debate que se impõe na nossa sociedade não deveria ser contornada uma questão, nem diabolizadas as pessoas que consideram fulcral: é crime matar um "ser humano em potência"?

Se a resposta fôr não, ficamos com um novo problema nas mãos: sendo um feto com, por exemplo, 8,5 meses um "ser humano em potência" será mesmo lícito abortar aos 8,5 meses?

Não me parece nada lícito, já que mais não seja porque um feto saudável com essa idade é perfeitamente viável fora do útero, na esmagadora maioria dos casos. Abortar nesse estágio da gestação equivale a fazer um parto provocado. Que fazer ao bébé-surpresa resultante? Matá-lo para consumar o que começou como um aborto? As técnicas abortivas ter-lhe-ão provocado mazelas irreversíveis? Não se responsabiliza ninguém? Quem?

Ou seja, o facto de eu ser a favor de uma lei que consigne a liberdade da mulher abortar, sem dar cavaco a ninguém, não me livra destes problemas de consciência. Estou e sempre estive muito, muito desconfortável com essa minha posição. Mas confesso que me sinto muito mais desconfortável ao imaginar-me na posição oposta.

Esse desconforto é, provavelmente, responsável pela minha falta de pachorra para com "libertário/as" que acham criminoso e medieval pôr a fasquia nas 12 semanas quando na terra dele/as também existe uma fasquia, só que um bocadinho mais acima...

Saturday, February 12, 2005

A intervenção cívica vale a pena

Com as eleições à porta, ouve-se com mais frequência a ladaínha de que "os políticos" "são todos iguais", "andam todos ao mesmo", "são uma corja", seguindo-se a conclusão habitual: "eu cá não vou votar; para quê?".

Os mais sofisticados até arranjaram um argumento novo a favor da abstenção, ao descobrirem que, por cada voto, a lei do financiamento dos partidos atribui ao partido que o recebeu 2 Euros (por dia, por mês, por ano? falta-me essa informação).

Estão a ver a ideia: quem vota está "a dar" dinheiro aos partidos. E estão também a ver a conclusão sábia: não votes, para não dares dinheiro a "essa corja".

Os mais "cultos" sacam de textos do virar do século XIX para nos mostrarem que as críticas dirigidas ao Poder de então continuam a fazer sentido hoje. Sugerem que com este sistema político o cidadão não tem hipótese de intervir, não pode fazer nada. "Eles" é que decidem tudo, no interesse "deles".

E a verdade é que muito boa gente (a maioria?) não quer fazer nada... por isso, não faz!

Quando muito, lamenta-se, junta-se aos amigos e lambem as feridas uns aos outros, numa espécie de "Os Vencidos da Vida", versão século XXI.

Contudo, é bom recordar o exemplo de Antero de Quental (autor de muitos dos textos "actuais" que referi), que nunca deixou de intervir, de integrar diversas tertúlias, grupos e grupinhos, do Grupo dos Cinco às Conferências do Convento, da Liga Patriótica do Norte a Os Vencidos da Vida.

Nunca deixou de acossar o Poder (Ávila e Bolama que o diga) e de tentar levá-lo a tomar o rumo que considerava desejável para o País. Não estaremos longe da verdade se dissermos que se suicidou, quando achou que intervinha em vão.

Assim, à guisa de conclusão, diria que intervir na vida social (no clube de rua, no bairro, na cidade, no País) pode ser frustrante, mas ajuda a "ir mudando" as coisas. De algum modo, de Antero até hoje, com avanços e recuos, com rupturas de regime, com golpes e guerras, estamos a anos luz dos problemas que o atormentavam, se não qualitativa, pelo menos, certamente, quantitativamente.

Ou seja, a intervenção cívica valeu a pena, A INTERVENÇÃO CÍVICA VALE A PENA!

Sunday, February 06, 2005

A vitimização de Sócrates compensa?

Confesso-me um admirador (moderado) de Paulo Portas, desde os tempos em que ele surgiu na nossa sociedade, ao leme do Independente, ao lado do desaparecido em combate MEC.

Nesse papel, pesem embora alguns excessos sanados em tribunal (nem todos estão sanados), mostrou bem a importância que um jornal pode ter como “sentinela” atenta ao que acontece na sociedade, denunciando, alertando, xingando e dificultando a deriva autocrática que tenta qualquer poder se não sentir sobre si o olhar atento e actuante do público. Cavaco que o diga...

Dito isto, recordo o episódio do Manifesto Anti Portas (lobby gay, etc) lançado pelo Candal, numa campanha eleitoral em Aveiro em que o outro cabeça de lista, além dos mencionados Portas e Candal, era Pacheco Pereira, pelo PSD. A esse manifesto e às insinuaçãoes quase explícitas, Portas respondeu com um simples não digo que sim, nem digo que não, ninguém tem nada que ver com o assunto, matando a questão à nascença. Nesse ano, votei CDS/PP.

E recordo o episódio para destacar a diferença abissal entre essa recusa liminar à discussão de matéria privada e o modo como o PS e Sócrates reagiram aos boatos de cariz semelhante, lançados sobre este último, nos últimos tempos.

Em vez de matar a questão à nascença, Sócrates e os dirigentes do PS desdobraram-se em declarações, artigos e entrevistas, não perdendo uma oportunidade para manter nas primeiras páginas e no prime time um problema que dava a Sócrates a oportunidade impar de se apresentar como vítima inocente do lobo mau.

Esperando vir a facturar nas urnas, se a questão aguentasse mais umas semanitas na ordem do dia.

Isto é, onde um recusou discutir questões de foro íntimo, o outro, amplificado pela equipa, declarou freneticamente que era mentira, que estava a ser caluniado, que o boato fora lançado por gente do PSD, que não era desses, numa verdadeira campanha de vitimização, não tendo escrúpulos em agitar aos sete ventos e em proveito próprio, uma matéria que afirma ser do foro privado.

Estes dois episódios sugerem bem que, para além das meras diferenças ideológicas e questiúnculas políticas, há um abismo entre a estatura moral de Portas e a de Sócrates.

E, como muito bem notou o inefável Vasco Pulido Valente, a verdade é que Sócrates continua a ser levado ao colo durante esta campanha: pelos jornalistas, pelos seus colegas de partido, pelo moralista Pacheco Pereira, pelo Senador Freitas do Amaral.

Vamos ver se compensa.

Saturday, February 05, 2005

CADÊ O "CHOQUE ENERGÉTICO"?

Com a pré campanha a chegar ao fim, já todos os partidos apresentaram os seus programas, lançaram os seus manifestos de campanha, apresentaram as medidas prioritárias para o próximo Governo tomar.

Sobre a questão da energia pouco ou nada se tem falado.

Dou de barato que ela estará tratada com detalhe, enterrada no meio das centenas de páginas dos programas dos partidos. Mas constato que não tem sido tratada como coisa que valha a pena trazer à televisão, à rádio ou aos jornais, ou seja, a entrar na lista das coisas prioritárias.

E a questão é das mais importantes: a nossa principal importação é energia. Não tanto em electricidade, mas principalmente em petróleo e gás natural, uma boa parte dos quais se destina à produção de energia eléctrica e a aquecimento.

A fatia destinada a energia eléctrica poderá ser reduzida substancialmente se completarmos (as is ou com alterações) o plano de construção de barragens. Só que, para isso, teríamos que relativizar muito dogma, teríamos que deixar de encarar os gurus da ecologia como detentores de toda a verdade. Teríamos que responder a questões incómodas como "será que manter o Sabor em estado selvagem vale os milhões de contos que a construção da barragem permitiria poupar?".

Os gastos com energia poderiam também ser reduzidos se se apostasse a sério na energia eólica. Também nesse campo teríamos que comparar o valor da beleza da natureza selvagem com o benefício da produção de energia, desfeiando a paisagem com torres e mais torres de aerogeradores.

Quanto à energia para aquecimento, continuamos a não aproveitar sequer o sol para aquecer água! A colocação de painéis solares, dos mais simples, só para tomar banho e lavar loiça, é barata e permitiria poupar milhões de euros em importação de gás.

Por outro lado, a construção de barragens e de parques eólicos proporcionaria largos milhares de empregos, directos e indirectos. Estes últimos poderiam ser maximizados caso fossem dadas facilidades ao estabelecimento no país de empresas que construíssem os aerogeradores e, já agora, os painéis solares. Não falo de facilidades fiscais: apenas facilidades burocráticas.

Já houve casos de empresas que se propunham construir aerogeradores em Portugal e que acabaram por ir para Espanha porque os "processos de licenciamento" (o que quer que isso seja...) se arrastaram por anos e anos, com várias agências e ministérios a terem que dar o sim, todos eles com prazos de meses para emitirem o seu competente (?) parecer.

Desgraçadamente para este nosso país, a única barragem que tem sido falada na pré campanha é a de Odelouca, por causa da seca que ameaça o fornecimento de água às cidades algarvias.

Ou seja, por puro oportunismo político.

É preciso lembrar que assim não vamos lá?

Friday, February 04, 2005

O DEBATE DOS CHEFES

Os chefes dos índios juntaram-se ontem, muito aprumadinhos, perante um juri de senhores doutores jornalistas (respeitinho, que eles é que mandam no circo), que os examinaram sem lhes deixarem margem para se insultarem (perdão, para se interromperem) nem os deixando ultrapassar o tempo contado para botarem faladura.

Tudo muito limpinho, muito à amaricana.

No fim, à despedida, o Sócrates deixou o Santana de mão estendida enquanto, com toda a calma, tirava o zingarelho do microfone sem fio; depois, lá se dignou a estender-lhe a mão.

Isto ia bem era como o Markl sugeriu hoje, no Inimigo Público: combinavam uma hora (de preferência depois das aulas), um sítio recatado e andavam à porrada. Sem mariquices, sem acusaçõezinhas, sem armarem em vítima: à porrada e pronto!

Até tinha piada...

FORUM CIDADANIA LISBOA

No passado sábado, um grupo de lisboetas reuniu-se na livraria do Bairro Alto Ler Devagar e arrancou com um novo movimento cívico que "pretende reunir e sistematizar as queixas e sugestões dos moradores da capital para que estas sejam entregues às autoridades municipais e os assuntos resolvidos", segundo noticiava o Público de domingo (30 Jan 05).

Trata-se do FORUM CIDADANIA LISBOA.

A ideia parece-me muito boa, pois o exercício da cidadania é coisa de que se sente (eu sinto) um acentuado déficit, com muito boa gente a achar que "eles é que têm que resolver", que para isso é que "a gente lhes paga".

Esta primeira reunião pública teve, segundo o Público, poucas pessoas presentes. Estava em cima da mesa o modelo de desenvolvimento que os lisboetas querem para a cidade.

Da reunião, não obstante ser a primeira e ter tido poucas pessoas presentes, sairam já propostas e reivindicações dirigidas ao município:

- que o túnel do Marquês não passe para lá do Marquês, ficando-se pelo desnivelamento da av Castilho com a Joaquim Antº de Aguiar;

- que os terrenos desocupados pela Feira Popular sejam transformados num prolongamento do jardim do Campo Grande;

- que o Convento dos Inglesinhos seja transformado num equipamento cultural;

- alterações nas áreas de trânsito no centro da baixa;

- alterações no sistema de transportes de Lisboa;

Hoje, menos de uma semana depois, o Público noticia mais uma proposta do Forum, suportada por um abaixo assinado: que o edifício em Campo de Ourique onde Almeida Garrett viveu os últimos 2 ou 3 meses de vida seja transformado num equipamento cultural.

Bom, para uma colectividade que se intitula Forum, que fez só uma discussão pública (com poucas pessoas), seria desejável que, antes de avançar com propostas e reivindicações, houvesse debates com os cidadãos em nome de quem (ou, pelos menos, para o bem de quem), ao que parece, o Forum pretende intervir.

Ainda por cima, uma boa parte das propostas ora avançadas (Inglesinhos, Feira Popular e putativa Casa Almeida Garrett), são claramente dirigidas no sentido de aumentar a despesa pública em equipamentos sociais e culturais, quando o peso dos existentes constitui um verdadeiro fardo para a autarquia lisboeta, que não tem verbas para os manter a todos a funcionar decentemente.

E para ajudar a caracterizar os promotores deste Forum, que delibera sem debater com os cidadãos, não podia faltar a oposição ao túnel do Marquês, pretendendo que seja reduzido à sua condição de quase inutilidade: túnel das Amoreiras.

Assim sendo, este suposto Forum, que não debate com os lisboetas, parece ser mais um nome para alinhar ao lado da Animal (?!) na plataforma Cidadãos contra o Túnel do Marquês.

Raio de gente...