Friday, April 08, 2005

Pedofilos na Casa Pia - 1ª condenação

O primeiro caso em julgamento respeitante à pedofilia na Casa Pia chegou ao fim com a condenação de João Beselga a seis anos de choça mais €50.000,00 a título de compensação à vítima.

O condenado é formado em Estudos Teológicos pela Universidade Católica e dava aulas de Religião e Moral (duvidosa...) num dos colégios da instituição. Para além das aulas, tomava conta dos putos à noite e, segundo o tribunal apurou, convidava alguns para o seu quarto onde lhes mostrava "coisas bonitas" na internet. Interessou-se particularmente por uma aluna, então com 14 anos, com alguma deficiência mental de quem abusou por duas vezes. O Tribunal deu como provados os actos de que vinha acusado e condenou-o.

A advogada do Beselga, Sandra Rito (como?!), já anunciou que vai recorrer, pois tanto ela como o condenado consideram que a prova produzida em Tribunal é insuficiente.

De facto, o juiz presidente do colectivo deu destaque, no depoimento da vítima, à atitude, olhos baixos, rubor, etc, que terão pesado na sentença. Não havendo testemunhas dos actos, é bem possível que a instaância superior se abstraia destas impressões e pondere as provas efectivamente apresentadas. A ver vamos.

Entretanto, fica dado um sinal muito positivo de que o outro caso em julgamento é mesmo para ir até ao fim, independentemente do mediatismo e da "importância" dos réus, do "peso" e número das testemunhas abonatórias arroladas, da simpatia e mediatismo das esposas expostas.

Tenho confiança (tenho mesmo, e muita) nos juizes da nova fornada (principalmente nas juizas) que se impressionam pouco com os "senhores importantes" e cortam a direito.

Como a populaça clamava durante a Revolução Francesa, eu também clamo (em sentido figurado):

AO CADAFALSO!!!!

Pois.

Monday, April 04, 2005

Morreu o Papa

Finalmente aconteceu o que já era esperado mas que ainda chocou (?!) muita gente: o Papa morreu.

Como dizem os romanos, "morreu um Papa, faz-se outro" e a Igreja continua.

Mas os últimos dias foram, para o desgraçado cidadão, uma chatice pegada. Antes de o homem morrer, os abutres dos media procuravam depoimentos bombásticos, fiéis a chorar, famílias unidas pelo fervor da oração por João Paulo II, peregrinos em Fátima de propósito para rezar pelo Papa, enquanto que as estações nos massacravam com a faladura dos Padres Melícias e Feytor Pinto, mais o Frei Bento Domingues (mais comedido), mais o Padre João Seabra, mais o monsenhor Belo, mais ...

Os noticiários enchiam-se da não notícia da morte esperada e de filmes e filmezinhos sobre o Papa enquanto tal ou enquanto menimo/homem/padre/bispo/cardeal Woitila.

Finalmente, com a morte do Papa, há alguma esperança de o folhetim ter fim à vista e de acabar esta seca!

Não deixaram o homem morrer em paz, ao menos que nos deixem a nós viver em paz.

Já não era sem tempo!

Mão amiga fez-me chegar a notícia que a seguir transcrevo, de uma medida que já tardava e que visa centrar o esforço das brigadas fiscais sobre as empresas onde há evidências de fraude, em vez de fiscalizações aleatórias, supostamente mais "justas", mas, as mais das vezes, infrutíferas.

"A Direcção-geral de Finanças está a avisar as empresas que apresentaram prejuízos em 2002 e 2003 que se voltarem a fazê-lo em 2004 as suas contas serão fiscalizadas, segundo uma nota do ministério emitida esta sexta-feira. Em 2002 e 2003 houve 11.260 mil empresas que registaram prejuízos fiscais, segundo o Ministério das Finanças, às quais foi enviada uma carta alertando-as para a possibilidade de, caso repitam os prejuízos em 2004, passarem a reunir as condições para uma fiscalização das Finanças.

De acordo com a Lei Geral Tributária, «quando os contribuintes apresentam, sem razão justificada, resultados tributáveis nulos ou prejuízos fiscais durante três anos consecutivos, a administração tributária pode proceder à avaliação indirecta da respectiva matéria tributável», pode ler-se no comunicado enviado à Lusa.

O novo governo socialista elegeu o combate à fraude e à evasão fiscal como um dos seus objectivos, numa altura em que a redução do défice público precisa bastante de mais receitas fiscais."

Espero é mais medidas que apontem no mesmo sentido: aumentar a eficácia da máquina fiscal com o objectivo de cobrar toda a receita fiscal devida ao Estado, inclusive recuperar a que ficou por cobrar nos anos anteriores (antes que prescrevam).

Saturday, April 02, 2005

Experiência

Isto é para ver se é desta que meto imagens nesta cena: Este animal chama-se Tigra.

Friday, April 01, 2005

Legalizar a prostituição - vamos nessa!

A Juventude do PS, mais uma vez, deu mostras de andar uns passos à frente do mais velhos, embrenhados na tralha ideológica da esquerda tradicional em que medraram. Propõem a legalização da prostituição, em termos e num figurino que a comunicação social ainda não divulgou adequadamente. Aliás até é capaz de ser mentira do 1º de Abril...

Mas este é um tema que mais ano, menos ano, é preciso encarar de frente, sem puritanismo, e criar condições para que uma actividade tão antiga e tão presente na nossa sociedade (lembrem-se da comédia das "mães de Bragança"), se desenvolva em condições dignas e seguras.

A semi clandestinidade em que a prostituição se desenvolve quase obriga a que a prostituta tenha um "protector" que a explora, quando não cai em redes de tráfico de pessoas. Nesta última situação tombam as desgraçadas que, para além da semi clandestinidade da profissão, estão no país em situação ilegal. Cai-se em verdadeira escravatura, é-se comprada e vendida, enquanto a melhor sociedade assocbia para o lado, como se resmungasse entre dentes:

"São putas, queriam o quê?!"

Se a prostituição for legalizada, com código para efeitos de IRS, com direito a protecção legal efectiva (teórica, já existe...), com exigências bem definidas no campo da saúde e higiene, será muito mais fácil uma mulher vender os seus serviços com segurança, podendo recusar protecção de um chulo, já que mais não seja, porque não precisará dela.

Assim, se não fôr mentira do 1º da Abril, tiro o meu chapéu à JS, por ter a coragem de dar atenção a uma área em que se compram e vendem pessoas sob o olhar complacente das nossas polícias, dos tribunais e, afinal de contas, de todos nós.

Wednesday, March 30, 2005

Grunhos na Administração da Vicaima

Ontem o folclore habitual da malta da Greenpeace acorrentada ao portão da Vicaima conheceu um episódio, no mínimo, estranho.

Um administrador (?!) com idade para ter juízo chegou-se ao portão, saíu do mercedão e ataca um reporter da SIC, com um ar de quem está de cabeça perdida, olhar desorbitado, um espectáculo!

Mesmo tendo esta gente em muito baixa conta fiquei parvo com a reacção do grunho, para quem o episódio do Greenpeace é uma coisa em que nunca terá pensado (?!!!) e para a qual não tinha engatilhada, pelos vistos, uma atitude ponderada, que melhor servisse os interesses da empresa que lhe paga o cartão de crédito, o mercedes e o resto. Que grande animal!

Como é que um grunho destes (para não lhe chamar outra coisa) chega a administrador de uma Vicaima?! Como é possível?!

É certo que não é raro toparmos com administradores de grandes empresas privatizadas (das públicas, é melhor nem falar...) que exibem uma incapacidade de bradar aos céus - nem é incompetência, é incapacidade pura e simples - para a vaga que lhe arranjaram, sabe-se lá como e por alma de quem.

Mas mesmo assim fico espantado e não me habituo à cena, nem acho normal!

Tuesday, March 29, 2005

Não aprendemos nada?!

Há pouco dei com um comentário ao post anterior que, por ser um estereotipo bem conhecido, merece destaque. Dizia a comentadora: "...Os portugueses (e quando digo portugueses, refiro-me àquela esmagadora maioria, que ainda tem a mania dos piqueniques à beira de estrada, com direito a garrafão de vinho, que definitivamente não sabe o que quer dizer "proibido estacionar nesta rua", pensa que o chão é um grande caixote do lixo, entre tantas outras coisas...) NÃO ESTÃO PREPARADOS para, como alguém muito bem disse, "aspirinas e pílulas do dia seguinte ao lado dos tampax"!!

Às vezes fico com a sensação que muito boa gente (não penso que seja a maioria, mas não serão poucos) fica tão espantada com as semelhanças que encontra entre oa tempos de hoje e de há décadas atrás, que não conseguem ver as diferenças que também há e não são poucas.

E então este argumento miserabilista (para amenizar o discurso...) de que as pessoas não estão preparadas, tira-me do sério, bolas!

Quanto um fabiano me diz que "ah, e tal, misturar referendos com eleições não pode ser porque confunde as pessoas" e eu lhe pergunte se o confunde a ele, a resposta é invariavelmente: "a mim não, posso responder a perguntas seguidas sobre assuntos variados que não me atrapalho".

Pois é, os outros é que são burros, limitados, impreparados! Os doutores que assim julgam os outros, "a esmagadora maioria dos portugueses", esses são uns águias.

Ainda por cima, sendo incapazes de ver as mudanças que marcaram o país de uma ponta à outra, conseguem, por outro lado, com um simples golpe de vista, aperceber-se do que pensa a "esmagadora maioria dos portugueses".

Tenham juízo e tenham a humildade de estudar, ler ... aprender.

Thursday, March 24, 2005

Farmácias nos hipermercados

Afinal a grande inovação do Sócrates era treta!

Ontem à noite apareceu na televisão um secretário de Estado (devia vir do hiper espaço, a falar em grandes superfícies com 500.000 m2 - isso mesmo, quinhentos mil!) a dizer que a venda de medicamentos sem receita médica fora das farmácias não podia ser à balda: será em espaço próprio (tudo bem, como a chicha, o peixe, a roupa e tudo o mais), e o cliente não chega à prateleira (oh diabo, atão, como é?!). O senhor explica: vai estar lá um farmaceutico para explicar tudo ao cliente, ir buscar o medicamento à prateleira, não deixar que os miúdos se sirvam e muito menos que alguém compre grandes quantidades de drogas. Ah, falta esta: pílulas do dia seguinte e coisas assim, mesmo sem precisarem de receita médica, têm que ser objecto de uma cuidadosa análise, que este governo não quer entrar numa de facilitismo!

Mas que merda é esta?!

É uma farmácia, ricos, é uma farmácia, como o Saleiro, muito bem, topou. Afinal vender medicamentos em grandes superfícies é, na versão do Sócrates, levar as farmácias para dentro das ditas.

Ou será apenas uma (mais uma) descoordenação entre o Sócrates e os seus voluntariosos discípulos?

Wait and see...

Monday, March 21, 2005

O Tribunal (só com acusação) do Iraque

Os órfãos da falecida Sóvia reuniram em Lisboa o seu Tribunal para acusarem e condenarem os horrendos imperialistas e inimigos da Paz que ousaram invadir o Iraque para matarem o seu pacífico povo, deporem os seus benignos e legítimos dirigentes e rapinar o cobiçado ouro negro.

Estes crimes não têm defesa possível e, por isso mesmo, neste tribunal não há lugar à defesa dos acusados, nem sequer a um simulacro de defesa, como se fazia nas mega encenações dos julgamentos de Moscovo, no tempo do Grande Pai Staline.

Isto explicou, en passand, o Zé Mário Vermelho, perdão, Branco, um dos figurões de serviço naquele tribunal de faz de conta.

O extinto Romesh Chandra, lá no assento inférneo onde desceu, deve ter ficado feliz por continuar a ter alguns continuadores da sua luta pela Paz, entendida como tudo o que possa causar dificuldades aos horrendos imperialistas amaricanos.

Pobres patetas!

Friday, March 18, 2005

Islamitas p'ra frentex?

Em Nova Iorque há uma mesquita onde oram homens e mulheres, em que o oficiante é uma mulher!

Será um sinal de progresso no mundo muçulmano, um sinal de esperança para as mulheres que professam aquela arcaica religião?

Vamos esperar e ver as reacções por esse mundo fora...

PS - os católicos que não cantem de galo, com os seus ministros exclusivamente masculinos e (pretensamente) assexuados.

Maus presságios...

O Governo apresentou em tempo record o seu programa ao Presidente da A.R. o que, afinal, não era difícil: é uma simples copy and paste do programa de candidatura às Legislativas, com muito pouco detalhe.

Dois sinais preocupantes

  1. o programa contém vários pontos de aumento de despesa, nomeadamente confirmação das SCUTs e subida das pensões, e nenhum de aumento ou recuperação de receita fiscal. Afirma que não vai descer impostos, nada diz sobre como vai arranjar mais (pelo menos) 800 milhões de Euros, que é a conta anual das SCUTs, sem o déficit subir e sem recorrer a receitas extraordinárias.
  2. o programa refere, mais uma vez, a revisão do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento).

Moral da estória: o Governo prepara-se para subir impostos para nos fazer pagar o seu regresso às SCUTs, não acha possível (nem fala nisso!!) melhorar a cobrança dos impostos e prepara-se para deixar o déficit subir esperando que a UE altere o PEC...

Maus presságios, desta vez, Zé Sócrates. É uma no cravo, outra na ferradura.

Monday, March 14, 2005

Bons presságios

O discurso de posse do novo primeiro ministro trouxe dois factos que parecem de muito bom presságio:

- acabar com a longa fila de "notáveis" que iam cumprimentar os ministros recém empossados ("beijar a mão", mostrarem-se, etc);

- lançar a ideia de tirar às farmácias o exclusivo da venda de medicamentos (para já os que não carecem de receita médica).

A primeira acaba com o ritual pateta de ir dizer ao vivo, de preferência com as câmaras de TV a registar o acto, "estou aqui, se houver um tachito, conte comigo para o que der e vier". Pode dizer-se o mesmo ao telefone, por e-mail...

A segunda abre a porta ao mercado como regulador dos preços dos medicamentos função que, até agora, estava firmemente nas garras do grémio das farmaceuticas, com preços concertados prejudicando os utentes e o Estado.

Se esta medida vingar (há sempre a possibilidade de recuos de rabo entre as pernas...) sugiro já a próxima: tirar o exclusivo aos farmacéuticos da propriedade das farmácias.

Sunday, March 13, 2005

Ainda o edifício Coutinho

Dizia eu que o bom senso tinha prevalecido?!

Afinal o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, o meu antigo colega de tropa Defensor de Moura, médico do meu batalhão, continua empenhado em deitar abaixo o prédio, tendo esperança em que o novo Governo, da sua côr política, reconheça utilidade pública à sua demolição.

Vamos ver em que é que isto dá...

Os empata do costume...

A sede da PIDE está ao abandono há 30 anos. A zona em que se situa, se alguma atenção mereceu nas últimas décadas isso deveu-se à necessidade de sarar as sequelas do Grande Incêndio do Chiado, nos idos de 80. E ainda há muito que recuperar.

Agora que a zona começa a ser revitalizada, com empreendimentos imobiliários trazendo novos moradores, pessoas activas, com filhos (com VIDA!), a rapaziada do costume quer bloquear o projecto para o edifício onde funcionou a sede da PIDE. Argumento: sem um edifício, uma espécie de templo onde pôr velinhas, a memória das vítimas do fascismo perder-se-ia!

E, para espanto meu, é o director do Museu República e Resistência, putativo guardião dessa memória, que lidera o movimento. O dr Mário Mascarenhas reconhece, desse modo, a sua incapacidade para reunir no seu museu o acervo disperso e cópias do que de mais significativo há na Torre do Tombo sobre o tema e desenvolver actividades que perpetuem essa memória.

O Museu República e Resistência já tem duas dependências (av das Forças Armadas e estrada de Benfica) - será que seu director pretende outras mais? Com o edifício da António Maria Cardoso, mais (já agora) o Aljube e o Forte de Peniche talvez chegue a Director Geral. E com os compagnons de route de volta ao poder, tudo é possível...

Vale a pena o esforço, carago!

Friday, March 11, 2005

Vão andar todas de burca, é o que é...

Ontem à noite fiquei impressionado com o puto que a televisão mostrou, sobrevivente do atentado de Atocha. Está praticamente hemiplégico, meio surdo, muito debilitado a ponto de se sentir com 80 anos, ele que vai fazer 20 dentro de dias.

Mas o que me impressionou mais foi o discurso dele, que nada tem a perdoar aos tipos que colocaram as bombas, a quem se refere como uns desgraçados imersos numa cultura malévola e a troco de algum dinheiro, nem aos que planearam friamente o golpe para o lugar e a hora em que mais pessoas seriam mortas ou feridas. A estes últimos nem se refere!

Refere-se, isso sim, a Aznar e ao seu ministro da Defesa, que não souberam ouvir o clamor do povo contra a guerra, a quem nunca perdoará. Esses, para ele, são os verdadeiros culpados!

O puto é novinho, está compreensivelmente traumatizado mas, mesmo assim, faz eco de forma clara a seguinte mensagem:

"Governos de todo o Mundo, ouçam com atenção os terroristas e não façam nada que lhes desagrade para não nos sujeitarem à sua terrível vingança!"

Lindo! Ainda por cima, há gente que não apanhou com a explosão e pensa da mesma maneira.

Lá vão as mulheres ter que vestir burcas e ficar em casa quando não há um homem da família para as levar à rua...

Thursday, March 10, 2005

Sentença histórica

Finalmente!!!

Matar ao volante deu 17 (dezassete) anos de prisão ao condutor.

O bandido em fuga que furou uma barreira policial na ponte do Guadiana, matando um sub chefe da polícia, foi condenado a 17 anos de prisão por homicídio qualificado.

Ainda por cima, todo o processo demorou cerca de um ano, em vez de se arrastar por vários.

A família do polícia assassinado, mulher e dois menores com idades à volta dos 12 anos, vai receber uma indemnização decente: cerca de € 500.000,00 (isso mesmo, quinhentos mil euros).

Vamos esperar novos casos para perceber se estamos no bom caminho ou se se tratou de um caso isolado.

Wednesday, March 09, 2005

O PCP e o Parque Mayer

Depois de décadas de decadência, o Parque Mayer parece finalmente encaminhado para sair do abandono a que o fim do teatro de revista (calma, isso dava pano para mangas) o votou.

Foi preciso aparecer um presidente de câmara não político para se negociar entre PS e PSD uma solução viável, que mantém no local alguma "kultura" (subsidiada pelas receitas do casino, em vez de ser pelo OGE...) e o abre ao imobiliário (que, afinal, é donde vêm as massas para muita coisa).

Claro que o PCP, travestido de arauto e guardião da virtude (como vai longe o tempo da Sóvia...), sempre pronto a exigir "equipamentos sociais" onde actuarão grupos de artistas cuja principal arte é (enfim, algumas vezes) mais a de sacar subsídios do que a de atrair espectadores pagantes. Para isso, parece que só temos o La Féria...

O PCP, dizia eu, vem agora acusar toda a gente de fazer negociatas, de sub avaliar de um lado e sobre avaliar do outro de modo a beneficiar "os privados" e prejudicar a "res publica".

Ao mesmo tempo, os inteligentes do costume vêm sugerir que tanto o parque Mayer como a feira popular sejam transformados em espaços verdes.

Fantástico, Melga! Espaços verdes?!

Espaços verdes: um, ligado ao jardim Botânico, o outro em prolongamento do Campo Grande. Um e outro são pequeninos, estão cheios de visitantes (?!) de modo que há que expandi-los.

Receitas para a CML, nem vale a pena falar nisso; afinal, ainda há o Totta (vão ao Totta!). Despesas extra? Qual é o problema? Na cultura (na educação e na saúde, não é?) não se olha a despesas.

Pobres tontos!

Desgraçadamente, dessa súcia parece que só o PCP está em vias de extinção...

Tuesday, March 08, 2005

Alguma justiça fiscal

O Público de hoje trazia um artigo do Jorge Weamans, jornalista, que, em tom de carta dirigida a Sócrates, lhe dizia, entre outras coisas, que era preciso gastar menos e melhor, pois pelo lado da receita nada havia a esperar. Isto, depois de gastar quase uma coluna a explicar por que o tratava por tu...

Não era claro no artigo se ele se referia apenas a não aumentar os impostos ou se tinha outra ideia mais elaborada em mente. Mas a verdade é que, dito daquela maneira, é mais um opinion maker a propalar o disparate de que não se consegue cobrar mais impostos, nem se consegue dinimuir a economia paralela.

Basta ver a que nível estamos nas estimativas do volume da economia informal (à volta de 25%) e a quantidade imensa de receita fiscal contabilizada e não cobrada para se perceber que é fundamental e urgente, para além de racionalizar a despesa, cobrar melhor as receitas a que o erário tem direito.

Cobrando melhor (o ideal seria cobrar toda a receita fiscal contabilizada, e contabilizar toda a receita fiscal potencial - economia informal, fraude fiscal, etc) seria possível ter orçamentos com superavit, amortizar a dívida pública, investir em infraestruturas e, a médio prazo, baixar significativamente os impostos.

É claro que aquela meta ideal é inatingível, a cobrança de impostos nem sequer nos States é total; a eliminação da economia paralela nem nos States (nem nos países nórdicos) é suficientemente bem sucedida a ponto de a trazer para níveis muito inferiores a 10%.

Mas (que diabo!) dizer logo à partida que não há nada a fazer do lado da receita é dar um péssimo bitaite ao novel primeiro Ministro que, coitado, não tem necessidade nenhuma de ouvir disparates nem sugestões patetas.

E o Público dá a este aprendiz de economista (?!) quase uma página inteira!!!

Saturday, March 05, 2005

O edifício Coutinho não vai abaixo!

Finalmente parece certo: os moradores conseguiram ver reconhecida a iniquidade da intenção da C.M. de Viana do Castelo em usar o Polis para financiar a demolição do edifício Coutinho e a consequente indemnização e realojamento dos seus moradores. A C.M. de V.C. recorreu ainda ao governo pedindo o reconhecimento da utilidade pública da operação. Levou nega!

O caso é simples e recordo-o: um prédio de 13 ou 14 andares foi construído na baixa de Viana do Castelo há uns 30 anos (por volta do 25 de Abril); há alguns anos, uns inteligentes resolveram que o prédio destoava naquele local (e destoa mesmo - é muito mais alto que os que o circundam) e vai daí, entenderam que havia que corrigir o "erro urbanístico" à força do camartelo municipal.

Os 300 (TREZENTOS) moradores não se ficaram, até porque não se trata de habitação degradada, antes pelo contrário, a localização é óptima e a construção foi feita cumprindo tudo o que a lei exigia no tempo em que ocorreu.

Além disso, achavam uma perfeita loucura e um precedente perigoso que fizesse regra a atitude de que "se eu não gosto da tua casa, faço um referendo municipal para a deitar abaixo!"

É verdade: chegou a ser defendido o recurso a um referendo local em que se perguntaria a toda a população da cidade se queria (SIM ou NÃO) que a casa alheia fosse abaixo. Uma "casa" legal, não um barraco clandestino.

Bruxelas não foi sensível aos argumentos da C.M. de V.C. que alegava "razões estéticas" e considerou inoportuna a demolição de um edifício em bom estado e construído de acordo com os preceitos legais então vigentes. Ora toma!

Aleluia, o bom senso prevaleceu.

O novo Governo

O engº Sócrates surpreendeu-me muito favoravelmente: formou governo fora da praça pública (pelo menos os ministros) e apresentou um elenco a que atribuo, para já, dois aspectos muito positivos.

Por um lado, é um governo pequeno (16 ministros); por outro, não figuram nele muitas das pessoas que eram dadas quase como certas e cuja participação no governo não auguraria nada de bom. Refiro-me às abençoadas ausências de João Cravinho, Maria de Belém, Jorge Coelho, Ferro Rodrigues, Tó Zé Seguro, Alberto Martins, Leonor Coutinho, Arons de Carvalho... Estes dois últimos mais a Ana Benavente são bem capazes de ainda entrarem como secretários de Estado, o que não era nada bom.

Pese embora alguns graúdos terem ficado na reserva (Vitorino e Jaime Gama, por exemplo) Sócrates foi buscar alguns independentes de prestígio na suas áreas de actividade e até com alto estatuto na sociedade (o caso de Freitas do Amaral). Nunes Correia, Jaime Silva e Campos e Cunha estão neste grupo restrito. O regresso do antigo ministro Correia de Campos parece garantir que a gestão dos hospitais subcontratada a empresas do ramo não será completamente deitada fora.

Resta saber se o engº Sócrates consegue liderar o grupo (afinal é um peso pluma...), no que contará com a ajuda inestimável de António Costa, e evitar que cada ministério, nomeadamente os Negócios Estrangeiros, Saúde, Economia e Finaças sigam as políticas que os seus titulares entenderem sem darem grande cavaco ao primo inter pares...

Um sinal negativo (já?!): o futuro ministro das finanças parece não ter percebido ainda o efeito que uma "boca" do ministro (que agora é ele, ok?) ou do governador do Banco de Portugal pode ter sobre os agentes económicos (ou, simplesmente não está habituado a que lhe metam vários microfones à frente) e deixou perceber que, para fazer face às despesas inerentes às promessas eleitorais, não vai chegar o corte nas despesas: vai ter que subir os impostos. Parece admitir à partida o insucesso na guerra pela boa cobrança dos impostos, o que é muito, muito mau!

E para quem prometeu pôr a tónica no desenvolvimento da economia, este não é propriamente um sinal positivo.

Estamos a observar-vos, rapaziada!

Friday, March 04, 2005

A intolerância é mútua (as mais das vezes...)

O bacoco anúncio do padre Serras Pereira, que lhe proporcionou um pouco mais que 15 minutos de fama (veja, se quiser, a transcrição no post anterior), desencadeou uma onda de reacções na comunidade cristã e laica, quer nas tribunas dos colunistas encartados quer nas secções de cartas aos directores, tribunas dos leitores e quejandos.

Presumo que o famigerado Fórum TSF e o equivalente da Antena 1 tenham batido os records de intervenções indignadas, palavrosas e, como de costume, patetas e/ou enfatuadas. Só presumo porque, quando a busca do rádio do carro pára num desses fóruns, fujo deles como o diabo da cruz (fugirá?!) e refugio-me na R. C. Português que, a horas iguais, dá muita música e pouca treta.

E, para treta (também tenho direito), já chega, e entro no que queria dizer sobre o assunto:

O sr Padre tem todo o direito de dizer as maiores bacoradas e quem o contesta tem igual direito de o fazer, com maior ou menor veemência e indignação. Já não estamos no tempo da Inquisição nem no verão quente de 75, de modo que cada um pode (e deve) dizer o que pensa e defendê-lo sem receio de ir dentro ou de levar com uma bomba no carrito...

Mas era giro que "a gente" percebesse que o sr Padre fornece um produto aos fiéis (ou, se quiserem, vende um produto aos clientes) e é a esses que ele se dirige. E as condições em que um produto é fornecido costumam ser definidas por quem o fornece, de modo a conseguir uma maior saída de forma duradoura. E parece um bocado "esquisito" que quem não está interessado no produto se preocupe tanto com as condições que o fornecdor estipula para o fornecer.

Os clientes do padre, os "fiéis", supostamente pertencem a um grupo de pessoas unidas por uma série de regras e "mandamentos", grupo tornado coeso, coerente e longevo (vai para os 2000 anos de existência) por uma organização fortemente hierarquizada e centralizada. E, de tempos a tempos, governada com mão forte.

A generalidade das reacções ao que disse o sr Padre seguiu a vertente da contestação das suas ideias sobre aborto, contracepção, concepção assistida, investigação com células estaminais, redução fetal, conservação criogénica de embriões, eutanásia, clonagem. A ideia do padre parece resumir-se a "é assassinato de inocentes, logo é pecado", mas qualquer desses pontos daria uma boa discussão e os contestatários aproveitaram a oportunidade para condenarem o espírito medieval do padre e exercitarem a sua argumentação no sentido oposto ao do sacrista.

Muito poucas seguiram a vertente (que também se impõe) de discutir a legitimidade da proibição de dar a comunhão a quem viole cada um dos pontos que o padre refere. Sendo o anúncio dirigido aos fiéis, mais, aos fiéis praticantes, ainda mais, aos que praticam sob o ministério de Serras Pereira, era de esperar uma acesa discussão em torno de cada um daqueles pontos específicos e ainda alguma discussão sobre a legitimidade do padre ultrapassar a hierarquia e "botar regras" mais restritivas que aquelas que o Patriarcado e a Diocese consagram.

De qualquer modo, tranquilizem-se, oh cidadãos! Só são atingidos os fiéis e, mesmo estes podem sempre ir comungar à igreja ao lado ou à missa de outro padre menos fundamentalista...

A todos os interessados....

A todos os interessados que não conseguiram encontrar a pérola que foi atirada aos pecadores pelo Senhor Padre Serras Pereira (será de família da jornalista e do advogado?), aqui deixo o texto integral do anúncio a verberar os pecadores e a convidá-los ao arrependimento.

Vamos ter mais disto nesta lenta caminhada para o próximo referendo. Lembram-se duma tipa (oops! de uma senhora) que aparecia nas manifestações PRÓ VIDA, vestida de branco, com uns acessórios de que não me lembro bem (uma cruz, um rosário, uma chapeleta, etc).

Pois é, se não baicou ainda, vamos tê-la a animar o folclore próvidal.

Aqui vai:

"PARTICIPAÇÃO AOS INTERESSADOS

Na impossibilidade de contactar pessoalmente as pessoas envolvidas, o padre Nuno Serras Pereira, sacerdote católico, vem por este meio dar público conhecimento que, em virtude do que estabelece o cânone 915 do Código de Direito Canónico, está impedido de dar a sagrada comunhão eucarística a todos aqueles católicos que manifestamente têm perseverado em advogar, contribuir para, ou promover a morte de seres humanos inocentes quer através de diversas pílulas, do DIU, da pílula do dia seguinte ou outras substâncias que para além do possível efeito contraceptivo possam ter também um efeito letal no recém concebido, quer por meio das técnicas de fecundação extra-corpórea, da selecção embrionária, da crio perseveração, da experimentação em embriões, da investigação em células estaminais embrionárias, da redução fetal, da clonagem..., quer através da legalização do aborto (votar ou participar em campanhas a seu favor), o que inclui a aceitação ou concordância com a actua "lei" em vigor (6/84 e seus acrescentos), quer ainda, pela eutanásia.

O respeito pelo culto e pela reverência devida a Deus e a Seu Filho Sacramentado, o cuidado pelo bem espiritual dos próprios, a necessidade de evitar escândalo, e a preocupação pelos sinais educativos e pedagógicos para com o povo cristão e para com todos são razões ponderosas que seguramente, ajudarão a compreender a razão de ser deste grave dever que o cânone 915, vinculando a consciência, exige dos ministros da Eucaristia.

Da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo convida todos ao arrependimento e à retractação pública, para que refeita a comunhão com Deus e com a Sua Igreja possam receber digna e frutuosamente o Corpo do Senhor.

Pe. Nuno Serras Pereira"

Comentater, frater!

Monday, February 28, 2005

A caça às bruxas (pelos bruxos...)

No último Conselho Nacional do PSD terá havido um cromo que defendeu que Pacheco Pereira deveria ser expulso do PSD, pelas posições que tomou durante a recente campanha eleitoral.

Não me espanta! Mais: espanta-me que só tenha sido uma pessoa a defender tal medida.

Tenho-me apercebido nos últimos (poucos) anos, que muito boa gente no PSD considera que ser militante do Partido obriga as pessoas a deixarem de ter opinião própria e a meterem na cabeça pensamentos alheios.

Essa gente (ou deveria, talvez, dizer "essa gentalha") defende coisas do género de que por um jornal ser de uma empresa cujo maior accionista é do PSD nunca deveria trazer notícias abonatórias para a Oposição nem negativas para o PSD.

Pela mesma razão (?) um militante do Partido, na sua função de comentador político, deveria sempre "torcer" a sua opinião e debitar o que convém ao Partido (ou seja, sob a forma de slogan: Delgado, sim!!! Marcelo, não!!!).

É difícil estar num partido sem se ter a sensação nítida de que se entrou (só pode ser por engano!) para sócio de um clube de futebol, em que tudo se reduz a duas realidades irreconciliáveis: NÓS e ELES (ou OS GAJOS).

Não é muito habitual encontrar-se uma pessoa que perceba que um partido vale pela qualidade das pessoas que agrega, militantes ou não, e não pela multidão de porta vozes, cegos arautos da voz do dono.

Ou seja e concretizando, o PSD vale pelos Marcelos, Pachecos Pereiras e (ai de mim) Cavacos e Cadilhes, cuja opinião sobre a sociedade é ouvida e respeitada precisamente porque, para além das suas qualidades pessoais, observam, analisam e pensam pela sua própria cabeça.

O facto de eu detestar Cavaco Silva (daí o "ai de mim"), não apreciar a falta de disponibilidade para o quer que seja de Pacheco Pereira e me irritar com o arzinho assalazarado de Miguel Cadilhe (por exemplo) não me impede de reconhecer as qualidades que exibem (pelas privadas, não posso dizer nada) e lamentar se, porventura, passassem a andar de espinha dobrada a cantar louvores ao chefe do momento.

Por isso, e só por isso, me espanta que só um cromo tenha defendido a expulsão de Pacheco Pereira.

Cheira-me que há mais gentalha na retranca, à espera de melhor oportunidade para se manifestar...

Saturday, February 26, 2005

As receitas extraordinárias

A propósito de um comentário ao anterior post, em que o dr Mentas comparava receitas extraordinárias com "vender anéis para se ir à praia", parece-me que seria interessante discutir essa vaca sagrada/excomungada ("t'arrenego!" escrevia o dr Mentas) e , já que estamos com a mão na massa, os deficits orçamentais.

Não sendo economista (nem gestor), este post não pode ter a pretensão de se meter em análises profundas e rigorosas. Mas como cidadãos podemos e devemos todos usar o bom senso para perceber o que se passa à nossa volta, e perceber que os economistas e gestores que têm governado o País até não têm conseguido grande coisa, para além de (claro!) belas análises e belos diagnósticos de situação.

Parece-me óbvio que qualquer governo que quisesse "matar o deficit" a qualquer preço, sem olhar a consequências, não tera grande dificuldade em fazê-lo. E fá-lo-ia sem subir impostos, intervindo só pelo lado da despesa. Não é preciso ser economista (nem gestor) para perceber o impacte que um corte de despesa pública abrupta teria, em particular para quem lhe presta serviços mas para toda a sociedade, por tabela, nas mais diversas áreas. E para perceber o que lhe aconteceria nas eleições seguintes, se lá chegasse...

Faz muito mais sentido, em particular em tempos de crise quando as pessoas e as empresas andam com o cinto apertado, que o Estado "vá com calma" e corte nas despesas supérfluas, elimine desperdícios, aumente a eficiência dos serviços e procure aumentar as receitas cobrando melhor (combatendo a fuga ao fisco, a fraude, a economia paralela). O problema é que os governos têm feito muito pouco nestes campos.

Havendo déficit, há que financiá-lo: pede-se emprestado à banca, ou "vai-se buscar" directamente aos cidadãos subindo os impostsos ou colocando no mercado títulos de dívida pública, o que vai aumentar o serviço da dívida. Ou então, recorre-se a receitas extraordinárias, as mais das vezes vendendo património ou créditos sobre terceiros.

Esta medida nada tem de cosmético: as medidas para captar receitas extraordinárias são bem visíveis e discutidas na praça pública.

Em economia doméstica fazem todo o sentido: se eu me vir "à rasca" para pagar as prestações da casa do Algarve, só em circunstâncias muito especiais iria pedir mais dinheiro à banca, pois isso só me iria aumentar os encargos mensais e ficaria ainda mais "à rasca". Se tiver umas acçõezitas, um terrenozito expectante, uns dinheiritos a prazo, preferiria vender alguns desses anéis para fazer face aos tempos difíceis.

O problema das receitas extraordinárias está em que (e nisso dou toda a razão ao dr Mentas) olhando o pouco que se tem feito para aumentar a eficiência dos serviços públicos, o pouco que se tem feito para cortar despesa supérflua, o pouco que se tem feito para cobrar melhor os impostos, fica a ideia de que se está a vender anéis para encobrir a incapacidade (ou falta de vontade...) do Estado se reformar e de se tornar mais eficiente.

As recentes eleições deram uma valente sapatada no partido que governou Portugal nos últimos 3 anos e recolocou "lá" o PS, partido que governava antes. E deu-lhe maioria absoluta.

Ora o PS tem-se farto de dizer que vai acabar com a obsessão com o deficit e vai pôr o ênfase no desenvolvimento. Nobre propósito!

Mas estou para ver como o vai conseguir fazer, em particular se vai deixar o deficit subir, empenhando-nos ainda mais, deixando subir o serviço da dívida, que é muito menos visível que discutir receitas extraordinárias na praça pública.

Tuesday, February 22, 2005

Jorge Coelho - ainda na campanha Eleitoral?!

Esta manhã ia caindo da cadeira ao ver na televisão o Jorge Coelho em amena conversa com o Miguel Relvas, sob a batuta do Mário Crespo. Dizia o Jorge Coelho que o PSD escondeu dos portugueses os valores reais do déficit, camuflando-os com as receitas extraordinárias.

Isto em campanha eleitoral (onde, desgraçadamente, vale tudo) vá lá, vá lá. Mas a campanha já lá vai e o cromo parece ainda não ter percebido duas coisas:

  • primeira - que os países que subscreveram o Pacto de Estabilidade e Crescimento têm que o cumprir, ou, caso não o façam, sujeitam-se a sanções gravosas para o País (e não é só uma questão de prestígio);
  • segunda - o PS está agora no poder (enfim, está a poucas semanas disso) e compete-lhe controlar as contas em tempo real e ao tostão para que, em tempo útil, possa arranjar as receitas extraordinárias necessárias para evitar que o déficit ultrapasse os 3%.

É importante que o PS perceba isto, porque no último governo do engº Guterres não só esse controlo em tempo real e ao tostão não foi feito como não havia na manga quaisquer medidas para obter receitas extraordinárias que compensassem a derrapagem. Resultado, o déficit estava fora de controlo e, dos cerca de 2,5% previstos, acabou por ultrapassar os 4%.

Só não houve sanções porque a ministra Ferreira Leite convenceu Bruxelas de que iria cessar o descontrolo das contas públicas e arranjar as receitas extraordinárias que fossem necessárias para evitar a repetição do incumprimento, nos anos seguintes. E, tanto ela como Bagão Felix, cumpriram a meta dos 3%, tão às claras que toda a gente (a oposição incluída) acompanhou a par e passo as medidas anunciadas para captação de receitas extraordinárias e os cidadãos puderam criticá-las, assim como Bruxelas, que, em devido tempo, recusou uma dessas medidas. No problem! a dita foi imediatamente substituida por outra que estava "na manga".

Como vai o PS fazer? Vai marimbar-se para os 3% e seja o que Deus quiser?

É um bom propósito querer ficar abaixo dos 3% sem recorrer a receitas extraordinárias. A chatice é que isso implica diminuir a despesa (fazendo "arrefecer" ainda mais a economia...), aumentando as receitas ordinárias (vai subir impostos?!) ou uma mistura doseada das duas.

Será isto compatível com as promessas (perdão, objectivos) eleitorais, quase todas elas implicando precisamente o contrário - aumento de despesa e/ou diminuição de receita?

Acorda Jorge Coelho, ou as coisa há-dem correr mal.

Monday, February 21, 2005

The day after...

Bom, pior do que isto era difícil...

Como certas terapias de choque, doeu, mas acabou (esta, pelo menos).

Os eleitores, pelos motivos que os comentadores referiram e, certamente, por muitos outros que os primeiros levaram para a cabina de voto, deram ao PS a sua primeira maioria absoluta e ao PSD uma derrota contundente.

O CDS, por tabela ou não, também saíu ferido da contenda.

O BE lá subiu mais uns pontos e tem agora 8 deputados para chatear o pessoal (felizmente nem todos com o potencial chateativo do Torquemada Louçã).

A CDU, aliança do PCP consigo próprio (agora com os Verdes no lugar do falecido MDP/CDE), lá prolongou a agonia à custa da simpatia do novo líder, um antigo operário que evita chatear os eleitores com a cassete tradicional.

Resta agora ver o programa que o PS vai apresentar à AR e, antes disso, ver se nos surpreende com um governo com caras novas (e boas; para más, antes as antigas...) que permitam esperar diferenças para melhor em relação aos governos de Guterres.

Entretanto, a agitação nos boys que já era notória durante a pré campanha vai acentuar-se com a quantidade de tachos em prespectiva. Vai ser um fartote!

Quanto ao PSD, vamos ver se no lamber das feridas o pessoal compreende que o factor Santana Lopes existiu mesmo e foi, provavelmente, determinante na extensão da derrota que o partido sofreu.

E espero que perceba também que se esse factor se mantiver, as autárquicas vão pelo mesmo caminho, a começar por Lisboa, se ele "recuar" para o seu lugar de Presidente da Câmara.

Era uma peninha!

Wednesday, February 16, 2005

OS ARGUMENTOS DE SÓCRATES

O debate a 4,5 de ontem à noite foi uma porcaria, mas ao menos foi esclarecedor em umas quantas coisas em relação ao Delfim Sócrates:

argumenta muito (e revira os olhos para o tele espectador) com "por amor de Deus" intercalados com "ridículo!";

continua a não dizer (nem em conversa...) quem vai ser o quê, se formar Governo (deve ser para não se poder confirmar o que toda a gente já viu: o Governo do Engº Guterres, com pequenos retoques - a morte de Sousa Franco motivou um deles);

continua a não dizer o que vai fazer se não tiver maioria absoluta;

continua a não dizer o que vai fazer quanto ao financiamento da segurança social, nomeadamente a idade da reforma, porque vai primeiro fazer estudos (não devia ter feito já?!);

sobre os hospitais, só diz que vão ser empresas públicas, ou seja, com gestores públicos, recheados de malta "com vínculo à função pública", com a ineficiência consabida; ainda não percebeu que a ideia de contratar serviços de gestão a empresas privadas é, precisamente, tornar mais eficiente um sector onde se gasta muito com resultados sofríveis.

O Torquemada Louçã, com a maior cara de pau, diz que o aumento da despesa com as reformas (devidas à maior longevidade dos beneficiários e ao número decrescente dos contribuintes) será coberta pelos ganhos de produtividade!!! Isto "só" quer dizer que preconiza o aumento das taxas e o pateta pensa que as pessoas não vão dar por nada porque, com os ganhos de produtividade vão ganhar mais.

Como é que este pateta, com ares de grande virtude, ainda engana tanta gente?!

Sunday, February 13, 2005

O próximo referendo sobre o aborto

O novo referendo sobre o aborto, ou, usando uma expressão politicamente correcta, sobre a IGV (interrupção voluntária da gravidez), está à porta, mais ano menos ano, pelo que me parece prudente começarmos a pensar e a discutir sobre o assunto.

Acho que é uma matéria em que os partidos mais ao centro deveriam reconhecer aos seus militantes, deputados, etc, toda a liberdade de posicionamento e expressão. Aos partidos das franjas, direita e esquerda, dou de barato que assumam as habituais posições bem definidas e militantes, muitas vezes crispadas e intolerantes. (É preciso lembrar o Francisco Torquemada Louçã e o que ele pensa de quem tem e não tem direito a falar sobre a vida?...)

A minha bandeira neste particular é a do sim à despenalização. Sempre foi e não encontrei nenhum argumento suficientemente válido e de peso para deixar de o ser. O que por si só não me deixa nada confortável, nem me faz parar de pensar no assunto.

No último referendo fiz campanha, fui votar e levei pessoas a votar (dentro da cabine de voto, não sei como votaram, claro) e chateei os meus amigos de esquerda para que não dessem por adquirida a vitória do sim à despenalização.

Deram-na por adquirida, ficaram em casa - nunca houve um acto eleitoral tão pouco concorrido - e o não acabou por ganhar.

Também tentei explicar a amigos e conhecidos que não se trata de uma questão para as mulheres decidirem: para chegarmos a esse ponto é preciso que os eleitores (homens e mulheres) se pronunciem sobre a matéria e que a AR legisle nesse sentido, em conformidade com o que sair do referendo.

Até lá são todos os cidadãos eleitores, homens e mulheres, que têm o direito de votar num sentido ou noutro.

O meu problema com o aborto é que não consigo discernir (e estou farto de ler, pensar e discutir sobre o assunto) mais do que dois pontos notáveis no percurso do embrião até ao nascimento.

  • O primeiro é a nidificação (se um embrião não se "conseguir" ligar à parede do útero, não tem chances de evoluir);
  • O segundo ponto notável é o próprio nascimento (para mim é claro que matar um feto depois do nascimento - um bébé, portanto - ou no acto, é, e deve continuar a ser, um homicídio).

Portanto é pacífica para mim a destruição de embriões excedentários após os procedimentos de reprodução assistida, ou o seu encaminhamento para investigação.

Durante a gestação, podemos colocar barreiras às 12 semanas, às 24 semnas, às 16 semanas, quando o coração é audível, quando aparecem os dedos, quando se sentem os pontapés - o que se quiser. Mas são meras barreiras artificiais, que não alteram em nada de essencial a condição de "ser humano em potência" (não em acto), que o feto tem antes e após a barreira.

Neste debate que se impõe na nossa sociedade não deveria ser contornada uma questão, nem diabolizadas as pessoas que consideram fulcral: é crime matar um "ser humano em potência"?

Se a resposta fôr não, ficamos com um novo problema nas mãos: sendo um feto com, por exemplo, 8,5 meses um "ser humano em potência" será mesmo lícito abortar aos 8,5 meses?

Não me parece nada lícito, já que mais não seja porque um feto saudável com essa idade é perfeitamente viável fora do útero, na esmagadora maioria dos casos. Abortar nesse estágio da gestação equivale a fazer um parto provocado. Que fazer ao bébé-surpresa resultante? Matá-lo para consumar o que começou como um aborto? As técnicas abortivas ter-lhe-ão provocado mazelas irreversíveis? Não se responsabiliza ninguém? Quem?

Ou seja, o facto de eu ser a favor de uma lei que consigne a liberdade da mulher abortar, sem dar cavaco a ninguém, não me livra destes problemas de consciência. Estou e sempre estive muito, muito desconfortável com essa minha posição. Mas confesso que me sinto muito mais desconfortável ao imaginar-me na posição oposta.

Esse desconforto é, provavelmente, responsável pela minha falta de pachorra para com "libertário/as" que acham criminoso e medieval pôr a fasquia nas 12 semanas quando na terra dele/as também existe uma fasquia, só que um bocadinho mais acima...

Saturday, February 12, 2005

A intervenção cívica vale a pena

Com as eleições à porta, ouve-se com mais frequência a ladaínha de que "os políticos" "são todos iguais", "andam todos ao mesmo", "são uma corja", seguindo-se a conclusão habitual: "eu cá não vou votar; para quê?".

Os mais sofisticados até arranjaram um argumento novo a favor da abstenção, ao descobrirem que, por cada voto, a lei do financiamento dos partidos atribui ao partido que o recebeu 2 Euros (por dia, por mês, por ano? falta-me essa informação).

Estão a ver a ideia: quem vota está "a dar" dinheiro aos partidos. E estão também a ver a conclusão sábia: não votes, para não dares dinheiro a "essa corja".

Os mais "cultos" sacam de textos do virar do século XIX para nos mostrarem que as críticas dirigidas ao Poder de então continuam a fazer sentido hoje. Sugerem que com este sistema político o cidadão não tem hipótese de intervir, não pode fazer nada. "Eles" é que decidem tudo, no interesse "deles".

E a verdade é que muito boa gente (a maioria?) não quer fazer nada... por isso, não faz!

Quando muito, lamenta-se, junta-se aos amigos e lambem as feridas uns aos outros, numa espécie de "Os Vencidos da Vida", versão século XXI.

Contudo, é bom recordar o exemplo de Antero de Quental (autor de muitos dos textos "actuais" que referi), que nunca deixou de intervir, de integrar diversas tertúlias, grupos e grupinhos, do Grupo dos Cinco às Conferências do Convento, da Liga Patriótica do Norte a Os Vencidos da Vida.

Nunca deixou de acossar o Poder (Ávila e Bolama que o diga) e de tentar levá-lo a tomar o rumo que considerava desejável para o País. Não estaremos longe da verdade se dissermos que se suicidou, quando achou que intervinha em vão.

Assim, à guisa de conclusão, diria que intervir na vida social (no clube de rua, no bairro, na cidade, no País) pode ser frustrante, mas ajuda a "ir mudando" as coisas. De algum modo, de Antero até hoje, com avanços e recuos, com rupturas de regime, com golpes e guerras, estamos a anos luz dos problemas que o atormentavam, se não qualitativa, pelo menos, certamente, quantitativamente.

Ou seja, a intervenção cívica valeu a pena, A INTERVENÇÃO CÍVICA VALE A PENA!

Sunday, February 06, 2005

A vitimização de Sócrates compensa?

Confesso-me um admirador (moderado) de Paulo Portas, desde os tempos em que ele surgiu na nossa sociedade, ao leme do Independente, ao lado do desaparecido em combate MEC.

Nesse papel, pesem embora alguns excessos sanados em tribunal (nem todos estão sanados), mostrou bem a importância que um jornal pode ter como “sentinela” atenta ao que acontece na sociedade, denunciando, alertando, xingando e dificultando a deriva autocrática que tenta qualquer poder se não sentir sobre si o olhar atento e actuante do público. Cavaco que o diga...

Dito isto, recordo o episódio do Manifesto Anti Portas (lobby gay, etc) lançado pelo Candal, numa campanha eleitoral em Aveiro em que o outro cabeça de lista, além dos mencionados Portas e Candal, era Pacheco Pereira, pelo PSD. A esse manifesto e às insinuaçãoes quase explícitas, Portas respondeu com um simples não digo que sim, nem digo que não, ninguém tem nada que ver com o assunto, matando a questão à nascença. Nesse ano, votei CDS/PP.

E recordo o episódio para destacar a diferença abissal entre essa recusa liminar à discussão de matéria privada e o modo como o PS e Sócrates reagiram aos boatos de cariz semelhante, lançados sobre este último, nos últimos tempos.

Em vez de matar a questão à nascença, Sócrates e os dirigentes do PS desdobraram-se em declarações, artigos e entrevistas, não perdendo uma oportunidade para manter nas primeiras páginas e no prime time um problema que dava a Sócrates a oportunidade impar de se apresentar como vítima inocente do lobo mau.

Esperando vir a facturar nas urnas, se a questão aguentasse mais umas semanitas na ordem do dia.

Isto é, onde um recusou discutir questões de foro íntimo, o outro, amplificado pela equipa, declarou freneticamente que era mentira, que estava a ser caluniado, que o boato fora lançado por gente do PSD, que não era desses, numa verdadeira campanha de vitimização, não tendo escrúpulos em agitar aos sete ventos e em proveito próprio, uma matéria que afirma ser do foro privado.

Estes dois episódios sugerem bem que, para além das meras diferenças ideológicas e questiúnculas políticas, há um abismo entre a estatura moral de Portas e a de Sócrates.

E, como muito bem notou o inefável Vasco Pulido Valente, a verdade é que Sócrates continua a ser levado ao colo durante esta campanha: pelos jornalistas, pelos seus colegas de partido, pelo moralista Pacheco Pereira, pelo Senador Freitas do Amaral.

Vamos ver se compensa.

Saturday, February 05, 2005

CADÊ O "CHOQUE ENERGÉTICO"?

Com a pré campanha a chegar ao fim, já todos os partidos apresentaram os seus programas, lançaram os seus manifestos de campanha, apresentaram as medidas prioritárias para o próximo Governo tomar.

Sobre a questão da energia pouco ou nada se tem falado.

Dou de barato que ela estará tratada com detalhe, enterrada no meio das centenas de páginas dos programas dos partidos. Mas constato que não tem sido tratada como coisa que valha a pena trazer à televisão, à rádio ou aos jornais, ou seja, a entrar na lista das coisas prioritárias.

E a questão é das mais importantes: a nossa principal importação é energia. Não tanto em electricidade, mas principalmente em petróleo e gás natural, uma boa parte dos quais se destina à produção de energia eléctrica e a aquecimento.

A fatia destinada a energia eléctrica poderá ser reduzida substancialmente se completarmos (as is ou com alterações) o plano de construção de barragens. Só que, para isso, teríamos que relativizar muito dogma, teríamos que deixar de encarar os gurus da ecologia como detentores de toda a verdade. Teríamos que responder a questões incómodas como "será que manter o Sabor em estado selvagem vale os milhões de contos que a construção da barragem permitiria poupar?".

Os gastos com energia poderiam também ser reduzidos se se apostasse a sério na energia eólica. Também nesse campo teríamos que comparar o valor da beleza da natureza selvagem com o benefício da produção de energia, desfeiando a paisagem com torres e mais torres de aerogeradores.

Quanto à energia para aquecimento, continuamos a não aproveitar sequer o sol para aquecer água! A colocação de painéis solares, dos mais simples, só para tomar banho e lavar loiça, é barata e permitiria poupar milhões de euros em importação de gás.

Por outro lado, a construção de barragens e de parques eólicos proporcionaria largos milhares de empregos, directos e indirectos. Estes últimos poderiam ser maximizados caso fossem dadas facilidades ao estabelecimento no país de empresas que construíssem os aerogeradores e, já agora, os painéis solares. Não falo de facilidades fiscais: apenas facilidades burocráticas.

Já houve casos de empresas que se propunham construir aerogeradores em Portugal e que acabaram por ir para Espanha porque os "processos de licenciamento" (o que quer que isso seja...) se arrastaram por anos e anos, com várias agências e ministérios a terem que dar o sim, todos eles com prazos de meses para emitirem o seu competente (?) parecer.

Desgraçadamente para este nosso país, a única barragem que tem sido falada na pré campanha é a de Odelouca, por causa da seca que ameaça o fornecimento de água às cidades algarvias.

Ou seja, por puro oportunismo político.

É preciso lembrar que assim não vamos lá?

Friday, February 04, 2005

O DEBATE DOS CHEFES

Os chefes dos índios juntaram-se ontem, muito aprumadinhos, perante um juri de senhores doutores jornalistas (respeitinho, que eles é que mandam no circo), que os examinaram sem lhes deixarem margem para se insultarem (perdão, para se interromperem) nem os deixando ultrapassar o tempo contado para botarem faladura.

Tudo muito limpinho, muito à amaricana.

No fim, à despedida, o Sócrates deixou o Santana de mão estendida enquanto, com toda a calma, tirava o zingarelho do microfone sem fio; depois, lá se dignou a estender-lhe a mão.

Isto ia bem era como o Markl sugeriu hoje, no Inimigo Público: combinavam uma hora (de preferência depois das aulas), um sítio recatado e andavam à porrada. Sem mariquices, sem acusaçõezinhas, sem armarem em vítima: à porrada e pronto!

Até tinha piada...

FORUM CIDADANIA LISBOA

No passado sábado, um grupo de lisboetas reuniu-se na livraria do Bairro Alto Ler Devagar e arrancou com um novo movimento cívico que "pretende reunir e sistematizar as queixas e sugestões dos moradores da capital para que estas sejam entregues às autoridades municipais e os assuntos resolvidos", segundo noticiava o Público de domingo (30 Jan 05).

Trata-se do FORUM CIDADANIA LISBOA.

A ideia parece-me muito boa, pois o exercício da cidadania é coisa de que se sente (eu sinto) um acentuado déficit, com muito boa gente a achar que "eles é que têm que resolver", que para isso é que "a gente lhes paga".

Esta primeira reunião pública teve, segundo o Público, poucas pessoas presentes. Estava em cima da mesa o modelo de desenvolvimento que os lisboetas querem para a cidade.

Da reunião, não obstante ser a primeira e ter tido poucas pessoas presentes, sairam já propostas e reivindicações dirigidas ao município:

- que o túnel do Marquês não passe para lá do Marquês, ficando-se pelo desnivelamento da av Castilho com a Joaquim Antº de Aguiar;

- que os terrenos desocupados pela Feira Popular sejam transformados num prolongamento do jardim do Campo Grande;

- que o Convento dos Inglesinhos seja transformado num equipamento cultural;

- alterações nas áreas de trânsito no centro da baixa;

- alterações no sistema de transportes de Lisboa;

Hoje, menos de uma semana depois, o Público noticia mais uma proposta do Forum, suportada por um abaixo assinado: que o edifício em Campo de Ourique onde Almeida Garrett viveu os últimos 2 ou 3 meses de vida seja transformado num equipamento cultural.

Bom, para uma colectividade que se intitula Forum, que fez só uma discussão pública (com poucas pessoas), seria desejável que, antes de avançar com propostas e reivindicações, houvesse debates com os cidadãos em nome de quem (ou, pelos menos, para o bem de quem), ao que parece, o Forum pretende intervir.

Ainda por cima, uma boa parte das propostas ora avançadas (Inglesinhos, Feira Popular e putativa Casa Almeida Garrett), são claramente dirigidas no sentido de aumentar a despesa pública em equipamentos sociais e culturais, quando o peso dos existentes constitui um verdadeiro fardo para a autarquia lisboeta, que não tem verbas para os manter a todos a funcionar decentemente.

E para ajudar a caracterizar os promotores deste Forum, que delibera sem debater com os cidadãos, não podia faltar a oposição ao túnel do Marquês, pretendendo que seja reduzido à sua condição de quase inutilidade: túnel das Amoreiras.

Assim sendo, este suposto Forum, que não debate com os lisboetas, parece ser mais um nome para alinhar ao lado da Animal (?!) na plataforma Cidadãos contra o Túnel do Marquês.

Raio de gente...

Wednesday, February 02, 2005

A que colo te encostas tu, Delfim?

Anda agora tudo em polvorosa porque o Santana Lopes se referiu ao seu adversário directo, entusiasmado pelo apoio que o femeaço presente lhe prometia, insinuando que o dito preferiria outros colos para encostar a cabeça.

Caíu o Carmo e a Trindade:

- sobre o cartaz do Santana, com os dizeres (mais coisa, menos coisa) "este sim, sabemos quem é", Sócrates tinha dito que, sim senhor, tem toda a razão, o povo sabe muito bem quem ele é. Agora, depois da conversa do colinho bom, esses dizeres ganharam novo sentido pelo que neles estaria subjacente: sabemos quem é o Santana, mas não sabemos quem é (o que é...) o Sócrates (insinuação torpe, segundo o speaker do PS).

- fala-se em terrível boato, mas ninguém, a começar pelo "moralista" Pacheco Pereira, diz que raio de boato é. Tenho-me farto com receber coisas pela net a falar de que vamos ter um roto, de cartazes que associam o Delfim de Guterres a um artista da nossa praça (sempre o mesmo, por sinal). Isto há semanas, muito antes da conversa do colinho bom. Será esse o boato? Quem se chega à frente a dizer qual é o boato?

E, já agora, será mesmo boato? É que uma coisa é metermo-nos em coisas privadas (entenda-se, coisas com gajos, são privadas; com gajas, são tudo menos privadas, toda a gente se sente no direito de comentar), outra muito diferente é dizerem-se mentiras sobre coisas (privadas ou não).

Voltando ainda ao suposto boato, diz agora o speaker do Delfim que ele, boato, foi lançado pelo PSD. Ridículo!! O suposto boato circula na net há semanas, começando talvez pelo excerto de um jornal (forjado?) brasileiro que falava do Santana e do Sócrates (mais o tal artista, sempre o mesmo, com nome escarrapachado). Claro que ao PS faz jeito dizer que o PSD é que bolou a coisa desde o início, pelo que aproveita a deixa...

Ora bem: se um tipo gosta de gajos, por que raio há de dizer que, coiso e tal, e mais não sei quê, e porque toma e porque deixa? Gosta, diz que gosta, carago. Qual é o problema?

Portanto, deixemo-nos de merdas, ninguém tem nada que o Sócrates ou o Santana gostem do que gostam, ou que mudem de gosto.

O que deveria interessar agora aos eleitores era que os candidatos explicassem ao que vêm, o que pretendem fazer se forem eleitos, como, com que meios e com que prazos.

Acontece, que eleitores e candidatos procedem como se se estivessem borrifando para isso e só dão faísca quando se fala de negócios de saias (ou de calças, não é?!) ou de roubalheiras...

E depois fazem de vítima (há pouco tempo era o Sócrates que acusava o Santana de vitimização, lembram-se?), com toda a gente a vir em defesa do coitadinho, (ai o que lhe chamaram!) que é o que está a dar.

Estou farto desta merda!!!! Bichonas, suas bichas, dizia o inefável (mas certeiro) Zé Chateau Blanc.

Ao menos o Portas, quando daquele manifesto do Porcocandal, do lobby gay e coisas no género, respondeu com toda a elegância: não digo que sim, nem que não, ninguém tem nada que ver com o assunto.

Pelos vistos, não serviu de exemplo.

Sunday, January 30, 2005

O FLUXO DOS AUTOMOBILIZADOS

O Público de hoje transcreve uma frase de Manuel João Ramos, dirigente da ACA-M, Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, que é de um mau gosto a toda a prova. Estando habituado às suas intervenções públicas, fiquei espantado pois elas são habitualmente feitas em tom comedido e educado, se bem que firme e convicto. Diz ele:

"A mobilidade dos peões não é tida em conta pelos engenheiros de tráfego. Na Câmara Municipal de Lisboa são capazes de pensar que o fluxo pedonal é alguma coisa que cai do meio das pernas das senhoras até chegar aos pés... Não querem saber disso. Está para além da sua competência."

O negrito e itálico são de minha autoria.

Este senhor é antropólogo e a sua luta contra a "guerra civil" da sinistralidade e contra a preponderância do automóvel sobre o peão sempre me mereceu simpatia, ainda por cima por ele ter sentido na pele e na alma a perda de um filho nessa guerra.

Mas essa tragédia não faz dele um perito em tráfego nem o dispensa de se exprimir com decoro, educação e bom gosto.

Aqui fica, pois, o reparo.

OS DIREITOS DOS AUTOMOBILISTAS

O último número da revista do ACP, em editorial, publicava comentários à legalidade da aplicação dos bloqueadores a veículos estacionados em transgressão.

Avisando (com destaque em caixa) que não se tratava de defender os interesses dos transgressores, explicava-se que havia muitas dúvidas sobre se o uso de bloqueadores não estaria a violar a Constituição, nos artigos que garantem a liberdade de circulação de pessoas.

Realmente, por muito peregrino que nos pareça um argumento, é de esperar que haja alguém que o introduza na defesa de uma causa (e algum juíz que o acolha; é uma espécie de Lei de Murphy para os tribunais...), pelo que me parece oportuno que levemos o argumento a sério, que o analisemos e que tentemos desmontar a sua inadequação à defesa da causa dos infractores (uma vez que é disso que se trata).

O direito à livre circulação, como outros direitos e garantias consignados na Constituição, é estabelecido como um princípio geral que as leis e respectiva regulamentação irão particularizar.

Assim, o direito à livre circulação não impede uma casa de espectáculos de barrar a entrada a uma pessoa que não pagou bilhete (mas não pode barrar a entrada a quem o pagou). O mesmo direito não pode ser invocado para se entrar em casa alheia, nem para entrar com uma viatura automóvel num espaço reservado a peões.

Ou seja, o facto de estar consignado na Constituição, não torna um direito absoluto: ele é exercido com regras como, aliás, a própria Constituição especifica.

Assim, o facto de o nosso precioso carrinho ser impedido de circular não tem nada que ver com o direito à livre circulação do seu condutor, uma vez que ele permanece livre de circular a pé, de metro, de autocarro, de táxi, de combóio...

Nos parques de estacionamento fechados, se o condutor não tiver dinheiro para pagar o estacionamento, é pacífico que não o possa levantar. Terá que ir ao multibanco, terá que pedir emprestado, terá que se desenrascar, mas não poderá ir à caixa exigir uma factura que pagará no prazo que a lei estipula, pois o serviço é pago no acto.

Em parques abertos, caso do estacionamento na via pública, parece fazer todo o sentido que o condutor não possa levantar a viatura se não tiver feito o pagamento devido à concessionária, correspondente ao período em que a viatura esteve estacionada. O bloqueador garante o mesmo que a barreira à saída do parque fechado: que o carro não saia antes de o estaciomanto ter sido pago.

Assim como parece fazer todo o sentido que o carro seja bloqueado até a multa ser paga, no caso de estacionamento em local proibido. Isto, claro, após a nova lei de que as multas têm que ser pagas in loco que eu, condutor-de-todos-os-dias, aplaudo com as duas mãos.

E repito que o direito de circulação da pessoa (sem a viatura, claro) não é minimamente beliscado. Mas se quiser ir na sua viatura, tem que pagar o estacionamento de que usufruiu.

E os que contestam os bloqueadores já pensaram em contestar o pagamento in loco das portagens? A barreira que bloqueia a passagem antes do portageiro a levantar não seria também um intolerável atropelo à Constituição?!

Não será isto um caso de só se pensar nos direitos e deixar de parte os deveres?

APOIAR - os novos corpos sociais tomaram posse

Ao fim da tarde da passada sexta feira, dia 28, tomaram posse os novos corpos sociais da APOIAR.

O Presidente cessante da Mesa da Assembleia Geral, dr Afonso de Albuquerque, deu posse à nova Mesa que, por sua vez, deu posse aos membros da nova Direcção e do novo Conselho Fiscal.

Na cerimónia, a que se seguiu um beberete de confraternização, fizeram-se representar partidos políticos, associações congéneres e autarquias, nomeadamente o PS, representado pelo sócio honorário e deputado à AR Marques Júnior, o CDS/PP, representado pelo sócio honorário e deputado à AR João Rebelo, a Nova Decmocracia, a ADFA, a APVG, representada pelo seu Presidente, a C.M. de Lisboa e a Junta de Freguesia de Campolide, representada pelo seu Presidente.

Presente esteve também o Presidente da Direcção cessante, Mário Vitorino Gaspar, que, numa breve intervenção, historiou o passado da APOIAR, destacando o que se conseguiu ao longo dos anos, recordando que o stress de guerra é uma realidade, a APOIAR é uma realidade, e terminou exprimindo votos de que os militares e famílias continuem a ser apoiados como necessitam.

A lista B, em bloco, destacou-se pela ausência. Foi pena.

Nos discursos, o Presidente da Direcção, Armindo Roque, fez uma panorâmica do que é o programa a implementar, destacando a tónica posta no recurso ao voluntariato, no apoio ao domicílio e na transformação da sede num espaço em que o sócio se sinta "em casa", onde tenha "um ombro onde encostar a cabeça".

Agora há que começar a trabalhar, pois é preciso apresentar em Assembleia Geral as contas de 2004, o Orçamento e o Plano de Acção para 2005.

Felicidades à nova Direcção, felicidades à APOIAR!

Saturday, January 15, 2005

ELEIÇÕES NA APOIAR - VI

Realizou-se hoje o acto eleitoral mais concorrido da história da APOIAR. Cento e seis pessoas deslocaram-se à sede da Associação para votarem na lista da sua preferência, sendo o resultado final o seguinte:

Votos entrados em urna 106

Brancos 1

Nulos 1

Votos na lista A 55

Votos na lista B 49

Assim, os corpos gerentes que terão a responsabilidade de dirigir a APOIAR no triénio de 2005 a 2007 são os propostos pela lista A, a saber:

Assembleia Geral

Presidente José Arruda, nº 1264

1º Secretário Carmo Vicente, nº 295

2º Secretário Armando J. Santos, nº 2658

Direcção

Presidente Armindo Roque, nº 42

Vice Presidente Cardoso Ferreira, nº 3493

Secretário Jorge Gouveia, nº 323

Tesoureiro Maria Regina Andrade, nº 1643

Vogal António Pina, nº 481

1º Suplente Albino Sousa, nº 1641

2º Suplente António Monteiro, nº 2832

3º Suplente Manuel Costa, nº 208

4º Suplente Francisco Rodrigues, nº 91

5º Suplente Aníbal Pais Costa, nº 290

Conselho Fiscal

Presidente Santinho Martins, nº 37

Vogal Sérgio Pereira, nº 741

Vogal Jorge Fernandes, nº 2658

1º Suplente Pedro Salazar Campos, nº 902

2º Suplente Vicente Costa, nº 741

3º Suplente Manuel Silva, nº 2557

E pronto. Atingido o primeiro objectivo a que nos proposemos, resta tomar posse e ... meter mãos à obra, que há muito a fazer para devolver à APOIAR o prestígio que já teve e colocar os seus recursos ao serviço dos nossos camaradas atingidos pelo flagelo do stress de guerra.

A APOIAR é de todos os sócios, como sempre disse (e essas palavras nem sempre foram muito bem acolhidas...), quer tenham integrado a lista A ou a lista B, quer tenham apoiado a lista A ou a lista B.

Como dizia o outro, todos não somos demais!

Friday, January 14, 2005

O ENGº SÓCRATES NÃO ACERTA UMA!

Depois da confusão da co-incineração, parece que o enfatuado candidato a 1º Ministro (valha-nos S. Neutel!) continua apostado em ultrapassar idênticas trapalhadas de que levou os último 3 ou 4 meses a acusar Santana Lopes.

Desta vez foi com a subida das pensões sociais: o Engº Sócrates começou por dizer que os mais pobres entre os pobres, que seriam cerca de 1/3 dos ditos, seriam subsidiados para os seus rendimentos subirem até ficarem no limiar da probreza. Sobre limiar da pobreza, limitou-se a dizer que é um conceito técnico, sem ser capaz de o quantificar para o caso português.

Quanto às contas que lhe terão permitido fazer esta promessa (é de promessas que estamos a falar...), também não soube adiantar nada.

Mas no dia seguinte, o homem aparece cheio de gás, define o conceito de limiar da pobreza, quantifica-o, diz quanto custará e quanto tempo levará a ser alcançado esse objectivo.

Que se terá passado?

Das duas, três: ou num dia achava que não se devia entrar em detalhes e durante a noite mudou de opinião (característica em que o dr Louçã já reparou...), ou então, e eu aposto nesta, não sabia mesmo explicar-se.

Terá falado com o guru Vitorino e, no dia seguinte, debitou definições e números com a segurança de um marrão que passa a noite da véspera a empinar a lição.

Que mais iremos ver até ao dia 20 de Fevereiro?

Se é preguiçoso e não lê jornais, não ouve rádio nem vê telejornais, venha espreitar aqui e, se lhe der na real gana, deixe cá o seu comentário.

Thursday, January 13, 2005

ELEIÇÕES NA APOIAR - V

Conforme prometido, aqui se publica a constituição das duas listas que se candidatam aos copos gerentes da APOIAR.

LISTA A

Mandatário Afonso de Albuquerque

Assembleia Geral

Presidente José Arruda, nº 1264

1º Secretário Carmo Vicente, nº 295

2º Secretário Armando J. Santos, nº 2658

Direcção

Presidente Armindo Roque, nº 42

Vice Presidente Cardoso Ferreira, nº 3493

Secretário Jorge Gouveia, nº 323

Tesoureiro Maria Regina Andrade, nº 1643

Vogal António Pina, nº 481

1º Suplente Albino Sousa, nº 1641

2º Suplente António Monteiro, nº 2832

3º Suplente Manuel Costa, nº 208

4º Suplente Francisco Rodrigues, nº 91

5º Suplente Aníbal Pais Costa, nº 290

Conselho Fiscal

Presidente Santinho Martins, nº 37

Vogal Sérgio Pereira, nº 741

Vogal Jorge Fernandes, nº 2658

1º Suplente Pedro Salazar Campos, nº 902

2º Suplente Vicente Costa, nº 741

3º Suplente Manuel Silva, nº 2557

LISTA B

Mandatário Mário Vitorino Gaspar

Assembleia Geral

Presidente Elísio Faustino, nº 3587

1º Secretário Mário Santos, nº 3311

2º Secretário Alberto Madeira, nº 3572

Direcção

Presidente Armando Santos, nº 39

Vice Presidente Carlos Santos, nº 3579

Secretário Henrique Portela, nº 2645

Tesoureiro Francisco Baptista, nº 3576

Vogal Joaquim Santos, 268

1º Suplente Rolando Ferreira, 469

2º Suplente Carlos Pereira, nº 2927

3º Suplente António Marques, nº 35

4º Suplente Ildebrando Lourenço, nº 3431

5º Suplente João C. António, nº 2590

Conselho Fiscal

Presidente Higino Nora, nº 3584

Vogal António José Cruz, nº 3511

Vogal Francisco Russo, nº 3333

1º Suplente Joaquim Balas, nº 3154

2º Suplente António Pais, nº 3449

3º Suplente Norvaldo Martins, nº 2905

As eleições são no sábado, dia 15 de Janeiro de 2005. Por acordo entre as listas e o Presidente da Mesa, são exigíveis as quotas até 2004 (e não 2005).

A D. Maria do Carmo estará presente para os sócios que quiserem pagarem as quotas em atraso para ficarem em condições de votar.

A urna estará aberta das 09h30 às 17h00.

NÃO FALTE! PENSE, COMPARE E ESCOLHA

VOTE NA LISTA DA SUA PREFERÊNCIA

Tuesday, January 11, 2005

ELEIÇÕES NA APOIAR - IV

Lamento não poder ainda apresentar as listas candidatas aos Corpos Gerentes da Apoiar. Fui ao fim da tarde à sede da Associação e, para meu espanto a única lista afixada continuava a ser a Lista A.

Há pouco, em casa de um amigo, mostraram-me um manifesto da lista B.

Só amanhã mo emprestam e então, sem falta, publicarei ambas as listas neste BLOG.

Entretanto, posso adiantar o seguinte: a Lista B é mesmo a lista de continuidade. O programa é assinado pelo Mário Gaspar, Presidente cessante, o qual figura também como mandatário da lista. Os candidatos têm fotografia, uma cada um, mas o Mário Gaspar tem direito a duas...

Um facto muito curioso é que grande parte da Lista B é constituída por sócios de fresca data. Por exemplo:

Para três cargos muito importantes, Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Vice presidente da Direcção e Presidente do Conselho Fiscal são propostos sócios admitidos em Dezembro de 2004, pelo que, no dia da eleição, terão pouco mais de um mês (repito: UM MÊS!!!) como sócios.

Para Tesoureiro, talvez o cargo de maior responsabilidade, é proposto um sócio admitido em Novembro de 2004: terá pouco mais de dois meses de sócio no dia da eleição!

Para 2º Secretário da Mesa da A. Geral, é proposto um sócio também ele com pouco mais de 2 meses "de casa".

Antigos, antigos, naquela lista, apenas os sócios Armando Santos e António Marques (ambos com nº de sócio inferior a 50), Rolando e Joaquim Santos, salvo erro, pois não tenho aqui o manifesto daquela lista.

A pergunta óbvia é a seguinte:

Por que será que uma lista patrocinada ou integrada pela actual Direcção não consegue captar sócios antigos e tem que integrar sócios com dois meses, e menos de dois meses, para cargos de muita responsabilidade? Porquê?!

Quanto à Lista A, integra ou é apoiada por dois médicos de créditos firmados e obra feita no tratamento do stress de guerra. Integra um antigo presidente da ADFA, da ACAPO e de uma associação internacional de deficientes, tendo sido condecorado pelo Presidente da República pelo seu trabalho em prol dos deficientes. Na generalidade, a lista A compõe-se de pessoas com anos e anos de luta pelo reconhecimento dos direitos dos ex-combatentes. O sócio mais moderno da lista foi admitido em Agosto de 2003.

Isto deve querer dizer qualquer coisa. Não?!

Eleições na APOIAR III

Recordo que é já no próximo sábado que se realizam as eleições na APOIAR, para escolher os Corpos Gerentes que conduzirão a associação durante os próximos três anos.

Para além da lista que anunciei em posts anteriores (Lista A), encabeçada pelo sócio Armindo Roque, foi apresentada uma nova lista, a Lista B, que propõe para Presidente da Direcção o sócio Armando Santos, que exerceu as funções de Tesoureiro da Direcção cessante. Integram a lista, entre outros, os sócios Joaquim Santos e Rolando.

Vou tentar passar hoje na APOIAR para obter a constituição completa das listas, para as divulgar aqui.

Entretanto, mantenho o apelo feito há dias:

POR UMA APOIAR DOS SÓCIOS E PARA OS SÓCIOS

VÁ VOTAR - NÃO FALTE

Sábado, 15 Jan 05 - entre as 09h30 e as 17h00

O engº Zé Sócrates...

Causa-me quase pena ouvir as intervenções públicas do putativo futuro primeiro Ministro.

Não sei se o António (D. Sebastião) Vitorino já concluiu o Programa de Candidatura, mas a verdade é que o Zé Sócrates vai disparando promessas em todas as direcções, algumas de cumprimento mais que duvidoso.

Promete agora a criação de 150.000 novos empregos até ao fim da legislatura. Será difícil? Se se mantiver a presente conjuntura internacional, não vejo como é que o Zé Sócrates, mais a tralha guterrista que o acompanha, o vai conseguir.

É que com a economia dos nossos principais clientes em mau estado (ou em recessão, ou a sair lentamente dela, como a Alemanha) e, ainda por cima, com os texteis chineses à porta, ao preço da uva mijona, não só vai ser muito difícil criar novos empregos, como a principal luta será, certamente, evitar que o desemprego dispare.

Uma das Ideias Força do PS, coligidas há poucas semanas pela comunicação social, era combater o desemprego com políticas amigas do emprego. Se não concretizar um bocadinho mais esta ideia (?!) fica-se sem perceber como vão sugir 150.000 novos empregos nos próximos 4 anos.

A ver vamos.

Friday, January 07, 2005

A BRAVA MALTA DO FUTEBOL...

O último episódio da tragicomédia em vários actos, protagonizado pelo dr Pôncio Monteiro devia servir para a nossa classe política meditar e tirar conclusões. Aqui vai uma, que me parece óbvia, e que é a minha singela contribuição para a causa:

Tentar usar personalidades do futebol para tirar dividendos eleitorais é muito perigoso, pelo menos enquanto no futebol preponderarem persoas truculentas, desbocadas, guiadas, acima de tudo, pelo amor ao clube e pelos ódios e amizades daí decorrentes.

Felizmente para o PSD, o dr Pôncio Monteiro, ainda antes de ser confirmado na lista daquele partido pelo Porto, veio a terreiro mostrar que, para ele e acima de tudo, estava, não o Porto cidade, mas o Futebol Clube do Porto. Da primeira vez que lhe apontaram um microfone, o homem deixou bem claro o ódio que a tribo portista dedica a Rui Rio, que ousou governar a autarquia sem prestar vassalagem ao F.C. do Porto.

E tinha mesmo que ser assim, não fosse a nação portista pensar que ele, ao integrar as listas do PSD, estava a fazer um frete ao odiado Rui Rio. E isso, carago!, valer-lhe-ia, fatalmente, ser votado ao ostracismo pela tribo.

Ao ser-lhe retirado o convite, o dr Pôncio reagiu com a linguagem exuberante, exaltada e indignada que caracteriza "a gente do futebol", como se entre ao convite e o "desconvite" o coitado não tivesse feito, nem dito nada.

Aproveitou os vários tempos de antena para falar de amigos, de amizades, de facadas, como se estivesse num daqueles programas em que três ou quatro cromos discutem minudências da última jornada do futebol como se daí dependesse a sua vida e o futuro da Pátria. No meio de tanto discurso, acusou várias pessoas de não terem coragem para dizerem em público o que pensam de Rui Rio (sempre ele, carago!), nomedamente o seu colega da república do futebol, Fernando Seara.

Pouco depois, o dr Pôncio vem mais uma vez a terreiro afirmar que se tinha excedido (um homem não é de pau, carago!) e dirigir sentidos pedidos de desculpa ao ofendido colega. 'Tá visto que o homo futebolensis, quando lhe pisam as chuteiras, descarrega copiosamente a matraca, vai tudo a eito e ... pensa-se depois! Como ando a regougar há muito, não misturemos política e futebol que, salvo raríssimas excepções, só pode dar porcaria.

Num mundo mais próximo do ideal, o desporto e o dinheiro estariam bem separados, circunstância que afastaria o mau cheiro da malta do apito dourado, das "derramas" em proveito próprio, das trafulhas com venda de jogadores, com actas, com terrenos e ... venham mais derramas.

Como parece que o imobiliário e a construção civil ainda "estão a dar" (ã?!) os nossos empresários da bola bem que podiam ir fazer argamassa e tijolo (abrenúncio, vade retro) e deixar a malta jogar à bola, na boa.

PS - devo estar a ficar doente: desde o famigerado totonegócio que não desperdiçava uma linha com o futebol.

Carago!

Wednesday, January 05, 2005

ELEIÇÕES NA APOIAR II

É já de sábado a oito dias, no dia 15 de Janeiro, que os sócios da APOIAR vão elegar os novos corpos sociais.

Recordo que a actual Direcção está "em gestão", sem quorum, reduzida a dois membros. Não apresentou o Plano de Acção nem o Orçamento para 2005, como os Estatutos obrigam.

O jornal está pronto para ser distribuído, mas não foi nele incluída informação sobre as listas concorrentes, sua composição, seus Programas de candidatura. Provavelmente não será distribuído antes das eleições.

É preciso que os sócios compreendam a importância de ir votar na lista da sua preferência, contribuindo para revitalizar a Apoiar que nunca passou por uma situação tão dramática.

Não se esqueçam que para votar é necessário ter as quotas em dia; estamos em 2005, pelo que é necessário pagar a quota deste ano.

POR UMA APOIAR DOS SÓCIOS E PARA OS SÓCIOS

.

NO DIA 15 DE JANEIRO, DAS 09H30 ÀS 17H00

.

VOTE BEM, VOTE EM CONSCIÊNCIA

.

a APOIAR precisa de todos

OS ÓDIOS DO PROF CAVACO

O prof Cavaco Silva saíu-se com mais uma das suas: recusou-se a "emprestar" a sua imagem de político competente para integrar um cartaz de campanha do PSD.
.
Parece que a sua actividade académica é incompatível com essa campanha publictária e, além disso, a sua actividade partidária foi, há muito, interrompida, o que acrescenta mais uma incompatibilidade à referida.
.
Note-se que o cartaz se limitava a emparelhar as personalidades do PSD que chefiaram Governos, referindo que esses foram os melhores que o País teve.
.
Como em tudo o que é publicidade, há alguma exagero na afirmação. Contudo, poucos comentadores, de diversos quadrantes, consideram que Cavaco Silva foi um mau primeiro Ministro e muitos deles consideram-no o melhor que Portugal teve, pelo menos depois do 25 de Abril.
.
Parece que o prof não queria era ser visto (nem em fotografia!) ao lado de Santana Lopes. Seria?
.
Se é assim talvez vá sendo tempo (até porque as eleições vêm aí) de se dizer "de carreirinha", quais foram os erros, descoordenações, más políticas, etc, etc de que acusam o coitado.
.
É que, se assim não fizerem, fica a ideia de que tudo o que têm contra ele é antipatia, reprovação da sua aura de bon vivant (e, já agora, de putativo femeeiro) à mistura com raivinhas e rancores pessoais inconfessados e inconfessáveis.
.
Não é difícil recordarmos (foi há muito pouco tempo) que quando surjiu no horizonte a possilidade de Santana Lopes ser primeiro Ministro, as acusações que lhe fizeram de imediato foram as mesmas que agora lhe fazem (inconstância, populismo, fraco coordenador de equipas, sedento de mediatismo, etc, etc, etc).
.
O que dá a impressão de que as críticas actuais não são mais que ideias pré-concebidas às quais é necessário que a realidade se ajuste.
.
Assim, acusa-se (dissolve-se, etc) sem se explicar nada. Quem acusa fica na esperança de que o povão caia na esparrela: afinal senhores tão ilustres, presidentes, professores e quejandos não iriam mentir, não é verdade?!.
.
Será que o prof Cavaco tem alguma pedra no sapato contra Santana Lopes, de tal modo grande que torne nula a sua disponibilidade para apoiar o PSD? Recordo que nesse partido, de que foi presidente e com o qual chegou a chefe do Governo, o prof passou de um triste e obscuro professor e funcionário bancário a personalidade eminente, ouvido em Portugal e no estrangeiro. Tal como uma lagarta feia e trenga que entra no casulo para dele sair borboleta.
.
Parece-me que já é tempo de o PSD perceber que não pode esperar nada da militância (?) de Cavaco e ... retribuir na mesma moeda: escolher para candidato a Presidente da República uma personalidade da área da social democracia que garanta o funcionamento das instituições sem ser presa de ódios, irritações, raivinhas, rancores, mesquinhices e de um incomensurável ego, como o do prof Cavaco Silva.
.
Apetece-me dizer ao prof Cavaco (um doutorzeco falando para o alto do pedestal) o que me disse um professor, nos meus longínquos 13 ou 14 anos:
.
"O senhor é vaidoso, mas nada o justifica; portanto, nada de vaidades!".

Sunday, January 02, 2005

OS TRABALHOS DE SAMPAIO... E OS NOSSOS

Como seria demsiadamente chato espetar aqui com o discurso do Presidente Sampaio, a arenga de Ano Novo do senhor, ponho-vos o endereço do presidencial site (uma espécie de sítio do Pica Pau Amarelo): é só clicar aqui http://www.presidenciarepublica.pt/pt/main.html , clicar em "Biblioteca Virtual", "discursos", "lista completa cronologicamente organizada dos discursos" e "1 de Janeiro, Mensagem de Ano Novo". Parece-me que o Presidente Sampaio voltou aos tempos do discurso circular e incompreensível, quando era Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e quando cada discurso seu punha as pessoas a cantar Sérgio Godinho (o que foi que ele disse? o que foi que ele disse?), como muito bem notou um comentador da nossa praça (não me lembro quem foi). Carlos Magno queixava-se (ontem à noite) na Antena 1 por lhe pedirem sempre para explicar o que é que o Presidente tinha querido dizer no último discurso... Ou então ... endoidou de vez. O discurso (longo e chatíssimo!!) está cheio de lugares comuns do tipo "Este é um tempo de mudança profunda nas relações internacionais, que condiciona a evolução da Europa e, inevitavelmente, a do nosso país", "...é preciso mudar as atitudes, na política, na economia, na sociedade", "...são necessárias políticas mais aptas a responder às novas situações, e às novas necessidades", e por aí fora.
.
O discurso até parece ter tido a colaboração do mano psiquiatra, o Daniel. A propósito dele, e fazendo aqui um parênteses, sempre tenho dito que um dos azares de termos eleito este Presidente (e eu fui um dos culpados, ai de mim!) foi termos que gramar com o irmão e as suas crónicas, os seus livros, a sua notoriedade por arrastamento. Bolas!!!
.
Voltando à Mensagem de Ano Novo, ele exorta a um "... entendimento, quanto a estes grandes desafios, entre as principais forças políticas" o que pôs logo o PCP e o Bloco de (extrema) Esquerda a uivarem contra o regresso do Bloco Central e o PS e PSD a dizerem que o Presidente aderiu ao que sempre disseram.
.
Depois de ter colocado uma espada de Damocles sobre o actual Governo (estão debaixo de olho, ponham-se a pau!!!) e, finalmente, tê-lo demitido por tabela, sem se explicar, vem agora dizer que "...é preciso restaurar a estabilidade política".
.
Só que vai ter que costurar muito para remendar a confiança dos eleitores de que vão eleger um Parlamento por quatro anos. Quem lhes garante que o próximo Presidente, usando o precedente criado pela actual Excelência, não o demite se lhe der na presidencial gana, sem dar cavaco (srá o Cavaco?!), a meio da legislatura? Quem?!
.
Lá mais para o fim da estopada, remata:
.
"Com as eleições à porta, peço aos portugueses que se informem, que avaliem o realismo das promessas e a justeza das propostas, que ajuízem da credibilidade e da competência dos protagonistas políticos, que escolham de acordo com o que consideram melhor para Portugal. Peço aos portugueses que participem, que debatam, que votem. A vossa escolha é, garanto-vos, fundamental para o futuro dos nossos filhos."
.
Muito vou gozar quando o sr Presidente, lá para 20 e tal de Fevereiro, tiver que tomar uma decisão (pensar, pensar, ouvir os partidos, pensar, pensar, ouvir as personalidades eminentes, pensar, pensar, ouvir os conselhos do Conselho de Estado, pensar, pensar, decidir, não decidir, muito, pouco, nada...) face a um Parlamento sem nenhuma maioria unipartidária, mas com duas ou mais maiorias matematicamente possíveis.
.
Vai convidar o PSD/PP? Vai convidar o PS/PCP/B(e)E?
.
Será que vai convidar o PSD/PS?
.
Ahahahahahahahahahahah!